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                  <text>C OMISSÃO B RASILEIRA DE
B IBLIOTECAS P RISIONAIS
Comissão Brasileira de Bibliotecas Prisionais - CBBP

Introdução
A

Federação

Nesta edição

Brasileira

de

Associações

de

Introdução

1

Bibliotecas Prisionais Brasileiras: Direito Legal

1

Instituições (FEBAB), preocupada com a ausência

Dados: Realidade Brasileira das Bibliotecas Prisionais

2

de informações consistentes, debates e reflexões

Presença dos Bibliotecários nas Bibliotecas Prisionais Brasileiras

3

concernentes à temática das bibliotecas prisionais

Biblioteca Prisional Em Ação

4

e tendo como respaldo a relevância pertinente

Poema de um Preso

5

Bibliotecários,

Cientistas

da

Informação

e

que envolve as unidades de informação presentes
no cárcere, reuniu profissionais bibliotecários
com atuação em instituições penais brasileiras
para formar a primeira Comissão Brasileira de
Bibliotecas

Prisionais

envolvimento,

(CBBP).

Considerando

comprometimento

e

o

atuação

dentro das bibliotecas prisionais, convidamos os
bibliotecários Catia Lindemann (como Presidente
da Comissão), Flávia Petterson, Carlos Wellington
Martins, Cristiane Garcia e Daniella Pizarro para
integrarem a Comissão.

bibliotecas

oficial

prisionais,

de

concernentes

temática

a

estabelecimentos
diretrizes

já

fontes

de

das

penitenciários,
existentes

informação

bibliotecas

de

alinhando

às

âmbito

da

no

Biblioteconomia com a legislação vigente no país.
A priori é ressaltar e enfatizar que a Biblioteca
Prisional

assume

um

papel

fundamental

na

formação educacional, profissional e cultural dos
indivíduos

em

oportunizando

o

privação
apreço

à

de
leitura,

liberdade,
a

criação

literária, e a redução da pena, buscando contribuir

A missão da Comissão é dar ao Brasil uma
representatividade

disponibilização

no

que

por

tange
meio

as

com os detentos para que tenham suporte no seu
retorno à liberdade.

da

Bibliotecas Prisionais Brasileiras: Direito Legal
No Brasil, a criação de bibliotecas prisionais é

implantação, nos presídios, do Ensino Médio,

legitimada por meio da Lei de Execuções Penais (LEP

regular ou supletivo, com formação geral ou

– Lei Federal nº 7.210 de 11 de Julho de 1984) que

educação profissional de nível médio, cumprindo

diz em seu art. 21, Capítulo V, que: “Cada

assim o preceito constitucional de universalização.

estabelecimento penal deve ser dotado de uma

Com a nova lei, a União, estados, municípios e o

biblioteca, para uso de todas as categorias de

Distrito Federal terão de incluir em seus programas

reclusos, provida de livros instrutivos, recreativos e

de educação à distância e de utilização de novas

didáticos”.

tecnologias de ensino, o atendimento aos presos.
O censo penitenciário passará a apurar o nível de

A Constituição Brasileira de 1988, prescrito no

escolaridade dos presos; a existência de cursos

Artigo 5º, inciso XIV, solidifica ainda mais a LEP das

nos níveis fundamental e médio e o número de

bibliotecas prisionais, corroborando para que todo o

apenados atendidos; implementação de cursos

individuo

profissionais

brasileiro,

inclusive

os

encarcerados,

tenham acesso à informação.

em

nível

de

iniciação

ou

aperfeiçoamento técnico e o número de presos e
presas atendidos; a existência de bibliotecas e as

Em 10 Setembro de 2015, sancionou-se a Lei, n°

condições de seu acervo, consolidando a LEP de

13.163 , modificando a LEP de 1984 e prevendo a

1984.

�Página 2

Dados: Realidade Brasileira das Bibliotecas
Prisionais informativo

Mapeamento Brasileiro
ALA &amp; FEBAB

Infelizmente, embora a LEP que roga como obrigatória a presença de
bibliotecas

nas

Instituições

Penais

Brasileiras,

os

Representatividade de
Biblioteca Prisional

números

comprovam que ainda estamos longe de atingir a aplicabilidade da
Lei, mesmo depois de três décadas.

Nos Estados Unidos desde 1930,
a “American Library Association”
– ALA, conta com uma comissão
que tem por incumbência cuidar
das

bibliotecas

para

especializadas

populações

com

vulnerabilidade social. Trata-se
da “Association for Specialized
and

Cooperative

Agencies1”
aporte

Library

– ASCLA, que oferece

legal,

profissional

educacional

aos

e

bibliotecários

que trabalham nas bibliotecas
prisionais.

Diferentemente

do

Brasil, onde existe o Conselho
Federal de Biblioteconomia, cabe
a

ALA

apenas

representatividade

a
das

bibliotecas e seus profissionais.
O foco da CBBP será informar,
debater, estabelecer parcerias e
contribuir

com

a

educação

continuada dos profissionais.

“O essencial da pena
não consiste em punir,
o essencial é procurar
corrigir e reeducar.”
Michel Foucault

�Presença dos Bibliotecários nas Bibliotecas Prisionais Brasileiras

Página 3

Se há Biblioteca, não deveria ter um Bibliotecário?
A presença de bibliotecários dentro das bibliotecas

No Brasil, qualquer agente penitenciário deve ter

prisionais se constitui em ferramenta importante

curso

dentro do sistema carcerário, na medida em que

Biblioteconomia. No entanto, ele não poderia atuar

podem auxiliar os gestores a programar espaços

como bibliotecário uma vez que estará prestando

educativos nos quais os presos possam canalizar

concurso

suas energias e encontrar alternativas para ampliar

bibliotecário, pois a função não existe para o

sua educação formal, colocando-se, por esta via, em

sistema penal.

superior,

para

independente

“Agente

da

área,

Penitenciário”

e

até

não

melhores condições para o retorno à sociedade
extramuros, além de alterar a rotina intramuros.

A

Contudo, por sabermos que a biblioteca prisional

mostrando que as bibliotecas prisionais podem

possui suas especificidades, queremos contribuir

também, num futuro próximo, ser uma área forte

com a instrumentalização desses profissionais.

para que os bibliotecários atuem e contribuíam com

A biblioteca enquanto espaço destinado às obras e a
leitura, deve seguir a técnica da biblioteconomia e
colocar em prática tudo que nos foi e é ensinado em
sala de aula, porém a biblioteca enquanto ferramenta
social destinada ao apenado, não tem como seguir
sozinha sem estar respaldada pelo respeito às regras
do cárcere e principalmente respeito à cultura do
preso. (LINDEMANN, 2016, p. 42).
Em recente enquete informal, realizada com um
grupo de bibliotecários da rede social – com mais de
13 mil membros - buscou-se saber o envolvimento
dos profissionais da informação junto às Bibliotecas
Prisionais. Embora considerando os inativos das
redes sociais, que pouco ou nada interagem, os
números obtidos não é nada entusiasta quando o
assunto é “Biblioteca Prisional”. Menos de 1% dos
membros aceitaram responder, num total de 103
bibliotecários. Tomamos como saldo positivo o
interesse

da

área

em

atuar

nas

unidades

de

informação intramuros do cárcere. Já no que tange a
realidade brasileira, no quesito de “atuação em
Biblioteca Prisional”, o resultado deixa evidente a
nossa realidade brasileira.

Bibliotecários Respondentes: 103
Trabalham em Biblioteca Prisional: 05
Já trabalharam: 02
Trabalhariam sem problema algum 96

CBBP

pretende

intensificar

as

discussões

uma sociedade mais humana e justa.

Biblioteca Prisional fazendo a
diferença

e

�Página 4

Biblioteca Prisional Em Ação

Fonte: Penitenciária Estadual do Rio Grande/Arquivo Pessoal/Catia Lindemann

Fonte: Penitenciária Feminina de Porto Velho /Arquivo Pessoal/Cristiane Garcia

“Eu aprendi a gostar dos livros depois da biblioteca, fico lendo
até meu olho fechar e isso vicia. Já não sei mais dormir sem ler
uma página que seja”. (A.S - Apenado).

�Poema de um Preso: Carinho pela Biblioteca

Página 5

PORTINHOLA – Pequena abertura das celas do seguro, em que ficam os presos com algum tipo de risco dentro do
cárcere em função de brigas ou rivalidade de facções com outros apenados.

�Comissão Brasileira de
Bibliotecas Prisionais
FEBAB

Site:
http://www.febab.org.br/
E-mail:
cbbp.febab@gmail.com

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Referências
BRASIL. Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984. Institui a lei de Execução Penal. Brasília, DF, 12
jul. 1984. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7210.htm. Acesso em: 09
mar. 2017.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. 20. Ed. Petrópolis, Vozes, 1999. 288p.
IFLA. Pautas para serviços bibliotecários para reclusos. 3. ed. [s.l.], 2007. 24p. Disponível em:
https://www.ifla.org/files/assets/hq/publications/professional-report/99.pdf.

Acesso em: 09

mar. 2017.
LINDEMANN, Catia. Biblioteconomia social: as leis de Ranganathan numa biblioteca prisional. In:
Prado, Jorge do (Org.). Ideias emergentes em Biblioteconomia. São Paulo: FEBAB, 2016. p. 4146. Disponível em: https://ideiasemergentes.wordpress.com/biblioteconomia-social-as-leisde-ranganathan-numa-biblioteca-prisional/. Acesso em: 09 mar. 2017.
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. Departamento Penitenciário Nacional. Relatório da situação atual do
sistema penitenciário: bibliotecas, 2016. Disponível em: http://www.justica.gov.br/radio/mjdivulga-novo-relatorio-sobre-populacao-carceraria-brasileira. Acesso em: 09 mar. 2017.

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