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                  <text>A BIBLIOTECA ENQUANTO ESPAÇO-TEMPO DE APRENDIZAGENS
E DE DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS: O CASE DE UMA
BIBLIOTECA DO IFRS

Luciane Alves Santini (IFRS) - lua.santini@gmail.com
Cledes Antonio Casagrande (Unilasalle, Canoas) - cledes.casagrande@lasalle.org.br
Resumo:
Este trabalho se propõe a investigar a biblioteca como espaço-tempo de aprendizagens e de
desenvolvimento de competências, em especial a competência informacional. Consiste em uma
pesquisa de mestrado em fase inicial, no PPG de Educação, que tem como intenção investigar
o papel e o potencial da biblioteca de uma instituição de ensino no desenvolvimento de
competências e habilidades em informação. Caracteriza-se como um estudo de caso de
abordagem qualitativa, que tem como foco investigar em que medida pode a biblioteca de uma
instituição de ensino configurar-se enquanto espaço-tempo de aprendizagens e de
desenvolvimento de competências informacionais. Realizamos um levantamento bibliográfico
no qual procuramos discutir a importância do conceito de aprendizagem, de autonomia, e de
aprender a aprender, no horizonte das ações desenvolvidas em uma biblioteca de uma
instituição de educação superior. Procuramos delimitar, no âmbito desta pesquisa, o conceito
de competência, em especial o de competência informacional, identificando as correntes
teóricas que fundamentam a competência em informação e definindo-a a partir deste
levantamento. O estudo de caso será realizado em um campus do IFRS juntamente aos
docentes do campus que serão convidados a responder a um questionário on-line, também
será realizada uma entrevista semiestruturada com o bibliotecário. Buscamos, ao final dessa
pesquisa, demonstrar como, tanto a biblioteca quanto os bibliotecários, podem atuar como
mediadores entre a informação e seu usuário de forma efetiva, fazendo com que a biblioteca
se torne um espaço pedagógico.
Palavras-chave: Competência
Educação.

informacional.

Letramento.

Biblioteca.

Área temática: Eixo 2 - Responsabilidade Política, Técnica e Social
Subárea temática: Educação de usuários e competências informacionais

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Aprendizagem.

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XIX Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

1 Introdução
Este trabalho se propõe a investigar a biblioteca como espaço-tempo de aprendizagens
e de desenvolvimento de competências, especialmente a competência informacional. Para tal,
faremos um estudo de caso de uma biblioteca do Instituto Federal do Rio Grande do Sul
(IFRS), como elemento capaz de exemplificar o que se procura demonstrar. Cabe explicarmos
que a criação dos Institutos Federais iniciou-se em 2008 devido a criação de um novo modelo
de instituição de educação profissional e tecnológica pelo Ministério da Educação. Os
Institutos federais estão presentes em todos os Estados, oferecendo ensino médio integrado,
cursos técnicos, cursos superiores de tecnologia, bacharelados, engenharias, licenciaturas e
pós-graduação. São instituições ainda em implantação e que estão estruturando suas
bibliotecas e sistemas de bibliotecas. Dessa forma, na presente pesquisa, almejamos investigar
o papel e o potencial dessa biblioteca na aprendizagem e no desenvolvimento de
competências em informação nos alunos que a utilizam.
Esta investigação, ainda em fase inicial, trata-se de um estudo de caso de abordagem
qualitativa, que será feito com base em um levantamento bibliográfico sobre o tema. Além
disso, cumpre informar que esta pesquisa de Mestrado insere-se na linha de pesquisa
denominada “Culturas, Linguagens e Tecnologias da Educação”, do Programa de PósGraduação em Educação do Unilasalle de Canoas.
A relevância do tema escolhido se demonstra na sociedade atual com o surgimento e a
proliferação da internet e das redes sociais, no qual há um fluxo intenso e constante de
informação. Nesse contexto, passamos a ser expostos diariamente a uma imensa quantidade
de informações, muitas vezes incompletas e até contraditórias. O avanço das novas
tecnologias de informação e comunicação (TIC) tornou possível o acesso à informação
independentemente de barreiras geográficas ou cronológicas, o que culminou com
questionamentos sobre a função, a organização e a ação das bibliotecas das instituições de
ensino. Além disso, a facilidade de acesso à informação tornou-se um ponto crucial para o
desenvolvimento do conhecimento. Isso nos leva ao menos a duas considerações importantes:
por um lado, não podemos ignorar que a informação, disponível em grande quantidade, é
essencial para a aprendizagem e o desenvolvimento de novos conhecimentos. Já por outro, há
de se considerar que nem toda a informação disponível é coerente e confiável, ou seja, essa
informação não necessariamente contribuiria para o progresso do conhecimento válido. Esse
novo contexto social leva-nos a refletir acerca de qual é o papel das instituições de ensino no
desenvolvimento dos discentes, para torna-los capazes de buscar e selecionar informações
válidas e seguras, além de serem capazes de transformar tais informações em conhecimento.
A biblioteca como parte essencial de uma instituição educativa precisa estar inserida
nessa nova perspectiva e auxiliar, na condição de um espaço de aprendizagem, no
desenvolvimento de ações que levem ao desenvolvimento de aprendizagens significativas e
de novos conhecimentos. Desta forma, acreditamos que o desenvolvimento da competência
informacional pode auxiliar no desenvolvimento da aprendizagem no âmbito escolar,
facilitando o acesso e a utilização da informação de forma mais eficiente e eficaz.
Para o desenvolvimento desta pesquisa procuramos demonstrar a importância do
desenvolvimento da aprendizagem, da autonomia e do aprender a aprender para que seja
possível o efetivo desenvolvimento da competência informacional nos estudantes. Essas
teorias possibilitam verificar o papel da biblioteca e dos bibliotecários e sua função educativa
na tentativa de responder à questão proposta por esta pesquisa: Em que medida pode a
biblioteca de uma instituição de ensino configurar-se como espaço-tempo de aprendizagens e
de desenvolvimento de competências informacionais?

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

2 Revisão de literatura
Procuramos mapear a literatura acerca do desenvolvimento da aprendizagem, da
autonomia e do aprender a aprender para que seja possível o efetivo desenvolvimento da
competência informacional nos estudantes. Além disso, essas teorias possibilitam verificar o
papel da biblioteca e dos bibliotecários e sua função educativa na tentativa de responder à
questão proposta por esta pesquisa.
Acreditamos que o processo da aprendizagem é de suma importância à formação dos
sujeitos, à construção de si mesmo e ao desenvolvimento da autonomia pessoal. Trata-se de
um processo vital, fundamental à manutenção e ao desenvolvimento da vida humana e da
própria sociedade. A aprendizagem desenrola-se ao longo da vida, sendo um processo
contínuo e ininterrupto, em que os novos elementos são integrados a um eu que vai
estruturando-se gradativamente. Dessa maneira, podemos afirmar que
O homem se pode definir como ser que aprende. Não surge ele feito ou préprogramado de vez. Sua existência não é por inteiro dada ou fixa; ele a constrói a
partir de imensa gama de possibilidades em aberto. Nasce no seio de uma cultura
viva, que só é tal à medida que assumida como desafio de permanente reconstrução
pela atribuição dos sentidos que imprime a seu convívio em sociedade e na
estruturação da própria personalidade. (MARQUES, 2000, p. 15).

Dessa forma, no contexto desta pesquisa, buscamos entender o processo de
aprendizagem fundamentando-nos na teoria de pensadores dessa área. Primeiramente
abordaremos o processo de aprendizagem a partir da teoria desenvolvida por Jean William
Fritz Piaget (1896-1980), um epistemólogo suíço e pesquisador do conhecimento. O trabalho
desenvolvido por Piaget procurou responder a uma “[...] questão fundamental (de ordem
epistemológica) que se refere à natureza da inteligência, qual seja: como se constrói o
conhecimento?” (PALANGANA, 2001, p. 71). O processo de construção do conhecimento
deriva da relação “[...] entre o sujeito que busca conhecer e o objeto de ser conhecido.”
(PALANGANA, 2001, p.29).
Na teoria desenvolvida por Piaget, a aprendizagem desenvolve-se ao longo de quatro
fases que são fortemente influenciadas pela maturação biológica e pela consequente formação
de estruturas cognitivas que se desenvolvem de forma sequencial nos estágios de
desenvolvimento cognitivo. Assim, a maturação e a formação das estruturas cognitivas
fornecem as condições necessárias para uma aprendizagem efetiva (MARQUES, 2000). Além
disso, todas as fases da vida, desde o nascimento até a morte, influenciam o desenvolvimento
humano e a aprendizagem. Na teoria piagetiana a base do conhecimento está na constituição
das estruturas operatórias, que são desenvolvidas ao longo dos estágios de desenvolvimento
cognitivo. Destacamos, no contexto dessa teoria, a aprendizagem e ao desenvolvimento, no
qual “O desenvolvimento é um processo mais geral, ligado à totalidade das estruturas de
conhecimento e cada elemento de aprendizagem ocorre como uma função sua.”
(PALANGANA, 2001 p. 83). Ainda referente à aprendizagem e ao desenvolvimento,
sabemos que ambos os processos dependem da assimilação do sujeito, sendo tal atividade
assimilativa que nos proporciona a estrutura necessária para que as estruturas cognitivas
possam atingir a compreensão. Na teoria o conhecimento constitui-se “[...] na interação do
sujeito com o mundo externo (dos objetos e das pessoas). Contudo, fica patente em sua teoria
uma destacada importância ao aspecto funcional do pensamento, o que denota prioridade ao
processo de desenvolvimento.” (PALANGANA, 2001, p. 83), sendo nesse processo de
interação que acontece o desenvolvimento.
Piaget tem um entendimento semelhante ao de Kant no que se refere à relação sujeito
e objeto na construção do conhecimento. Ambos admitem “[...] a existência de estratégias
(condições) inatas – próprias do sujeito – por meio das quais tem início o processo de

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interação e consequentemente o desenvolvimento da estrutura cognitiva.” (PALANGANA,
2001, p. 39). Dessa maneira, a teoria de Piaget aproxima-se da teoria de Kant no que diz
respeito à ênfase dada à atividade do sujeito e também na necessidade de explicar
racionalmente esse processo.
A aprendizagem pode ser caracterizada por vários pontos de vista e, no contexto desta
investigação, interessa-nos estudá-la não só do ponto de vista do processo de aprendizagem
como demonstrado por Piaget, mas também sob o ponto de vista do desenvolvimento da
autonomia e da capacidade de aprender a aprender. O ser humano fundamentalmente um ser
que aprende, que constrói e reconstrói a si mesmo e ao seu próprio mundo, por meio de
processos de aprendizagem, Desta forma, a efetivação da emancipação implica,
necessariamente, que passemos “[...] pelo desenvolvimento da racionalidade, pelo
intercâmbio entre os sujeitos no sentido de transformação de sua autocompreensão como
pessoas que vivem com outros, que respeitam as regras estabelecidas e o princípio do
entendimento mútuo.” (PAVIANI, 2013 p. 87-88).
Já a consolidação do processo de aprender a aprender se dá pela unificação dos “[...]
processos da socialização, da individualização e da singularização do sujeito, os homens
aprendem uns dos outros, constituem-se em sujeitos sociais concretos da aprendizagem [...]”
(MARQUES, 2000, p.16). Os processos de aprendizagem, como instâncias de constituição
dos sujeitos e das sociedades, precisam desenvolver uma série de capacidades ou
competências nos indivíduos que aprendem. Nessa perspectiva, entendemos que os processos
formativos necessitam também ser orientados ao desenvolvimento da autonomia dos
estudantes. Originalmente, o conceito de autonomia está ligado ao de esclarecimento proposto
por Kant (2005) no texto denominado “Resposta à pergunta: o que é esclarecimento?”. Nesse
texto, Kant afirma que o “[...] esclarecimento [Aufklärung] é a saída do homem de sua
menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu
entendimento sem a direção de outro indivíduo.” (KANT, 2005, p. 63). Além de Kant também
resgatamos o pensamento de Adorno (1995, p. 143) que acreditava a “[...] emancipação
significa o mesmo que conscientização, racionalidade.”. Assim para Adorno a percepção de
que o esclarecimento é o resultado da “[...] instrução e da educação escolar e sociocultural,
através da leitura, que produz a capacidade de reflexão crítica e o entendimento racional do
mundo.” (VILELA, 2007, p. 230). Dessa forma, Vilela (2007, p. 224) acredita que a “[...]
principal tarefa da escola é desenvolver nos alunos a capacidade de pensar e de tomar
decisões”. Essa formação faz com que o sujeito desenvolva autonomia para questionar e
refletir, buscar o que deseja e aprender a aprender de forma independente e na relação com os
outros.
Com base nos processos de aprendizagem, o homem desenvolve-se no sentido de
tornar-se uma “[...] pessoa singularizada ao ser penetrado pelo conjunto dos sentidos sociais e
culturais e neles estruturar-se de forma distintiva e autônoma. A aprendizagem é esse
entrelaçamento da personalidade de cada um e do mundo sociocultural.” (MARQUES, 2000,
p. 29) e sem esse entrelaçamento a tradição não se mantém nem se origina. Os processos de
aprendizagem dependem das relações entre sociedade e indivíduo. Nesse sentido, acreditamos
que é por meio da aprendizagem que “[...] as experiências de vida se fazem experiência
interior de formação e reconstrução da identidade pessoal.” (MARQUES, 2000, p. 30). A
formação do homem é constituída tanto pelo âmbito social quanto pelo coletivo, mas é na
aprendizagem que este se individualiza.
Esse processo de aprendizagem singularizado pode ser explicado com base na teoria
desenvolvida por Piaget como sendo uma equilibração na qual os fatores que causaram o
desequilíbrio desencadeiam a construção de novos conhecimentos e, consequentemente, a
criação de estruturas permanentes. Além disso, nessas novas estruturas permanentes é
possível, segundo Marques (2000, p. 43), destacar pontos específicos “[...] onde se distinguem

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os conhecimentos pontuais em que se reconstrói, no plano individual e na proporção da
singularidade de cada um, o conhecimento socialmente compartilhado nas ciências, na ação
ético-política ou nas artes.”. Dessa forma, acreditamos que, para o desenvolvimento do
aprender a aprender, devemos buscar formas de aprendizagem na qual seja possível ter um
[...] papel ativo de potenciação do desenvolvimento cognitivo, prático-moral e
expressivo-estético, que assegure as condições para o domínio, individual e coletivo,
das sempre outras situações a enfrentar no mundo dos conhecimentos socialmente
compartilhados, no espaço social de convívio em grupos e no respeito e afirmação
das identidades pessoais, vale dizer, no relacionamento com a busca da verdade no
mundo das objetivações culturais, com as normas que regem o mundo social e com a
liberdade expressiva do mundo da subjetividade singularizada. (MARQUES, 2000,
p. 45).

Acreditamos que a aprendizagem voltada para desenvolver a autonomia e a
capacidade de aprender a aprender possui um papel de grande importância na sociedade atual.
Evidenciamos que é por meio da aprendizagem que o sujeito singulariza-se, ou seja, é pela
aprendizagem que
[...] o sujeito capta os elementos da situação, constrói seus próprios tipos de
referências práticas e teóricas, sem ficar em posição de dependência em relação aos
poderes estabelecidos. O eu competente significa, assim, a capacidade de autoafirmação de cada qual na posição singular que ocupa e na coragem de se orientar e
se organizar no mundo. (MARQUES, 2000, p. 47).

No horizonte do que temos postulado neste trabalho investigativo, entendemos que a
experiência formativa depende de vários fatores e é central ao desenvolvimento da capacidade
de aprender a aprender ou da competência de se autoformar. Além disso, acreditamos que a
formação para a reflexão crítica e para o desenvolvimento da autonomia pode ocorrer em
múltiplos espaços e tempos no ambiente escolar. Em outras palavras, partimos do pressuposto
de que a instituição escolar, em seu todo, deve consistir em espaço-tempo privilegiado à
realização de experiências formativas. Além disso, s processos educacionais estão baseados na
aprendizagem com base no desenvolvimento de competências e a escola tem como finalidade
possibilitar o desenvolvimento de competências por meio do desenvolvimento das disciplinas
(MACEDO, 1999).
Para tal, procuramos definir, no âmbito dessa pesquisa, o conceito de competência
como uma forma de desenvolver a aprendizagem, a fim de contextualizar como a biblioteca
pode exercer o papel de espaço de aprendizagem e de desenvolvimento da competência
informacional. No âmbito desta pesquisa, utilizaremos a noção de competência conforme
Perrenoud (1999, p. 20-21) esclarece: “As competências, no sentido que será aqui utilizado,
são aquisições, aprendizados construídos, e não virtualidades da espécie.”. Assim, para o
desenvolvimento de competências, precisamos de estímulos e de formas de aprendizados que
nos auxiliem nessa ação, sendo necessário aprendermos a identificar e localizar informações
pertinentes (PERRENOUD, 1999). Além disso, precisamos aprender esquemas de
mobilização dos conhecimentos que nos possibilitem utilizá-los de forma intensa, caso
contrário, estaremos apenas mobilizando conhecimentos sem formar competências. Assim,
para que consigamos desenvolver competências requer precisamos “[...] mobilizar recursos,
cooperar, coordenar pontos de vista, envolver-se e se deixar ser envolvido, transformar em
vontade aquilo que começou como uma intenção e que há de terminar como uma boa
realização.” (MACEDO, 2008).
O desenvolvimento de competências envolve vários aspectos, como a formação de
esquemas, a mobilização deles e, também, a estabilização dessas competências. A
estabilização só acontece, segundo Perrenoud (1999, p. 23), “[...] quando a mobilização dos

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conhecimentos supera o tatear reflexivo ao alcance de cada um e aciona esquemas
constituídos.”. Esse processo de estabilização assemelha-se com a teoria de Piaget, em que
existe uma dependência entre os estágios de desenvolvimento cognitivo, isto é, para se
avançar para o próximo estágio, é necessário que o anterior esteja consolidado.
Podemos sintetizar o conceito de competências, segundo Macedo (2002), com base
nas características de tomada de decisão, de mobilização de recursos e do saber agir, no
sentido de construção, de coordenação e de articulação de esquemas de ação ou de
pensamento. Além disso, podemos relacionar competência à capacidade de utilizar os
conhecimentos no momento certo e com a capacidade de “[...] relacionar, pertinentemente, os
conhecimentos prévios e os problemas [...]” (PERRENOUD, 1999, p. 32).
Nesse contexto, a escola tem como desafio possibilitar aos alunos que os objetivos e
conteúdos sejam transmitidos “[...] de um modo interdependente ao desenvolvimento dos
recursos ou procedimentos para essa assimilação.” (MACEDO, 2008), proporcionado, com
isso, uma aprendizagem significativa. E, dessa maneira, ainda conforme Macedo (2008), a
escola precisa “[...] antecipar, instruir, transmitir, hoje, aquilo que as crianças hão de precisar
mais tarde, quando se tornarem adultas, quando forem nos substituir (espera-se, para melhor).
Considerar o ser como tornar-se pede uma reflexão sobre as relações entre presente, passado e
futuro.”.
A informação sempre ocupou um papel importante no desenvolvimento da sociedade,
mas atualmente ela passa a ocupar um lugar de destaque. Conforme Dudziak (2003, p. 23), “A
informação passou a ser reconhecida como elemento-chave em todos os segmentos da
sociedade. Tal é sua importância que se manter informado tornou-se indicador incontestável
de atualidade e sintonia com o mundo.”. Nesse contexto, precisamos não só ter acesso à
informação, mas, principalmente, sermos capazes de nos relacionarmos com a informação de
forma crítica e conseguir transformá-la em conhecimento. Conforme Varela (2005, p. 2),
estamos inseridos em uma nova “[...] sociedade que busca o conhecimento e novos modelos
que possibilitem interpretar e compreender o mundo.”. Isso fez com que novas formas de
interação surgissem e, assim, precisamos repensar o papel dos profissionais que fazem a
mediação entre o pesquisador e a informação, sobretudo no ambiente escolar.
Bari (2010) ressalta que a educação tem papel importantíssimo na capacitação das
pessoas para que possam usufruir de forma competente do conhecimento produzido pela
humanidade. Para tal, é necessário que “[...] as pessoas adquiram competências para localizar,
avaliar e usar informações, o que implica, por parte dos bibliotecários, em ações mais
complexas, pois as pessoas, além de tornarem-se leitores, necessitam ser competentes para
aprender por meio da informação.” (CAMPELO, 2010, p. 185). A competência
informacional1 pode auxiliar no desenvolvimento de pessoas aptas a utilizarem a informação
de forma autônoma e eficiente.
Assim, entendemos que um modo de auxiliar na formação dos estudantes consiste em
proporcionar situações de aprendizagem que lhes auxiliem a desenvolver certa classe de
competências, especialmente a competência informacional no que se refere a bibliotecal. Ao
desenvolver essas competências também se busca estimular a autonomia dos discentes não só
no que diz respeito a busca e ao acesso, mas principalmente no emprego da informação
recuperada. Desta forma, a competência em informação é mais do que somente acessar a
informação, mas sim compreendê-la e incorpora-la aos conhecimentos de cada um. Para
Doyle (1994, apud DUDZIAK, 2010, p.4):

A expressão ‘information literacy’é amplamente utilizada no Brasil como ‘competência informacional’,
segundo Guasque (2010, p. 83), “[…] conforme se observa nos trabalhos de Campello (2002), Miranda (2004),
Belluzzo (2005), Silva et al. (2005), Lins &amp; Leite (2008), Vitorino (2008), Liston &amp; Santos (2009), Vitorino &amp;
Piantola (2009), dentre outros.”.
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As competências mais elevadas de aprendizado incluem a formulação de questões, a
avaliação da informação de acordo com sua pertinência e exatidão, a organização da
informação e, finalmente, a aplicação da informação para responder as questões
originais – o último e mais valioso passo no processo.

A Associação Bibliotecária Americana (ALA) lançou em 1989, no relatório final do
Presidential Comunitee on Information Literacy, o seguinte entendimento do que pressupõe
ser uma pessoa competente informacionalmente:
[...] deve ser capaz de reconhecer quando necessita de informação e possuir a
capacidade de localizar, avaliar e utilizar de forma eficaz a informação necessária.
[...] Os indivíduos competentes em informação são aqueles que aprenderam a
aprender. (ALA2, 1989, tradução nossa).

Como a definição da ALA é bastante ampla, alguns autores da área passaram a utilizar
a definição do que é competência informacional do seguinte modo:
[...] um processo de aprendizagem contínuo que envolve informação, conhecimento
e inteligência. É transdisciplinar, incorporando um conjunto integrado de
habilidades, conhecimentos, valores pessoais e sociais, permeia qualquer fenômeno
de criação, resolução de problemas e/ou tomada de decisões. (DUDZIAK, 2003, p.
29).

Kuhlthau (1999) define a competência em informação como sendo a habilidade
individual de construir sentido, estando inserido em um ambiente rico em informação. Essa
definição pode ser complementada com a afirmação de Campello (2010) que acredita que é
imprescindível estimular os alunos a pensarem de forma lógica e criativa.
Quanto ao papel da biblioteca no desenvolvimento dessas competências, concordamos
com a afirmação de Dudziak (2001, p.73) que “[...] as bibliotecas enfrentam o desafio de se
transformarem de mero repositório de informações, em agentes provocadores de mudanças
educacionais”. Para tanto, é necessário que haja uma integração com as demais áreas ligadas
ao ensino-aprendizado e que estes profissionais estejam dispostos a trabalhar de forma
construtivista para capacitar os alunos nestas novas formas de acesso, recuperação e avaliação
da informação. Além disso, a preocupação dos bibliotecários em auxiliar seus usuários sempre
esteve presente, inicialmente com a educação de usuários e as atividades de instrução
bibliográfica. Campelo (2009, p. 38) reforça essa ideia a partir das origens da biblioteconomia
na prática da educação de usuários, quer dizer, na capacitação para utilização do acervo da
biblioteca, afirmando que “[...] na concepção biblioteconômica, essa necessidade estava
baseada na premissa de que o conhecimento possa ser comunicado, isto é, que o usuário possa
aprender com a informação”. Esses serviços buscam, ainda hoje, instrumentalizar o usuário
no uso da coleção e das fontes de informação. Já a competência informacional, na concepção
de Dudziak (2001, p. 59), vai além da instrumentalização da técnica de busca, pois “[...] se
refere ao aprendizado ao longo da vida, assumindo que os processos investigativos e de
construção de conhecimento permeiam todas as ações, são aplicáveis a qualquer situação, seja
junto a sistemas formais, seja junto a sistemas informais.”. A competência informacional deve
preparar o usuário para procurar pela informação, mas também para como ele utilizará a
informação recuperada, assim como habilitá-lo a pesquisar em várias fontes, sabendo utilizar
a informação recuperada de forma a elaborar um texto próprio (BARI, 2010). Assim,
acreditamos que a competência informacional relaciona-se de forma direta
“[…]a person must be able to recognize when information is needed and have the ability to locate, evaluate,
and use effectively the needed information. […] information literate people are those who have learned how to
learn.” (ALA, 1989).
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[...] ao aprendizado e à capacidade de criar significado a partir da informação.
Pessoas competentes em informação reconhecem sua necessidade, sabem como e
onde achar a informação, sabem avaliar e selecionar as informações mais relevantes,
sabem organizar a informação de modo a criar novas idéias e interpretações, sabem
usar a informação para a construção de conhecimentos importantes para o bem
comum. (DUDZIAK, 2001, p. 61).

Além disso, Dudziak (2001) destaca a concepção do movimento da competência
informacional no estímulo ao aprender a aprender, levando o pesquisador a procurar o
aprendizado ao longo da vida. Assim, a competência informacional “[...] compreende não só a
capacitação no uso das ferramentas de recuperação da informação, como também o
entendimento do uso dos recursos e fontes, explorando os conceitos fundamentais e as
habilidades ligadas à tecnologia da informação [...]” (DUDZIAK, 2001, p. 62). Por
conseguinte, a competência informacional pode contribuir no êxito da aprendizagem e da
autonomia do aluno. Além disso, acreditamos que pode auxiliar no desenvolvimento do hábito
da leitura, do pensamento crítico e de se manter atualizado, utilizando adequadamente
ferramentas e estratégias de busca (DUDZIAK, 2001).
No entanto, para que o desenvolvimento da competência seja possível Kuhlthau (1999,
p. 9) acredita que é necessário que as escolas se adaptem para que consigam “[...] preparar seu
aluno para o uso inteligente da informação disponível através da tecnologia [...]. O processo
de aprendizagem a partir de uma ampla variedade de fontes é o desafio crítico para as escolas
na sociedade da informação”. Para Silva et al. (2005, p. 32), “Decorre daí um novo conceito
que vem ganhando a forma de movimento mundial de bibliotecários, conscientes da
necessidade de mudança na relação biblioteca-aprendizagem na sociedade contemporânea,
que põe ênfase no acesso à informação nas redes”. Além disso, Souza (2009, p. 22) destaca
que o ensino atual está “[...] voltado para os processos de construção de conhecimento, com
ênfase no ‘aprender a aprender’ como um processo contínuo que depende da competência do
aluno” e essa competência tanto no uso quanto na apropriação é que fará com que a
informação seja transformada em conhecimento.
Também acreditamos na relevância de que as bibliotecas sejam “[...] espaços de
mediação e produção de sentido, nos quais ocorre a articulação entre o produtor (autor) e o
receptor (usuário) [...]” e onde o bibliotecário passa a “[...] ser o mediador, garantindo
condições de adequação entre a informação recebida/recuperada e o usuário para que ela
possa ser apropriada e transformada em conhecimento” (SOUZA, 2009, p. 28). Nesse caso,
acrescenta Souza (2009, p. 28), “[...] o bibliotecário mediador estará propiciando ‘espaço’ de
aprendizagem durante a realização de suas pesquisas.”.
De acordo com Kuhlthau (1999, p. 10), o “[...] papel do bibliotecário é colaborar no
ensino e aprendizagem, fornecer acesso à informação e gerenciar o programa da biblioteca.”,
possibilitando o desenvolvimento da competência informacional. Isso vem ao encontro,
segundo Dudziak (2003), dos conceitos trabalhados anteriormente, no que diz respeito a ações
de estímulo à formação de alunos autônomos na busca, recuperação e utilização da
informação. Para isso, a biblioteca precisa ser proativa, segundo Silva et al. (2005), e se
inserir nas novas demandas de informação, atuando como uma facilitadora de novas
aprendizagens. De forma ainda mais ampla, Kuhlthau (1999, p. 10) esclarece que a “[...]
competência é habilidade de construir sentido por si mesmo, em um ambiente rico em
informação.”. Assim, acreditamos que a biblioteca pode ser um espaço de aprendizagem com
a atuação do bibliotecário como mediador auxiliando dessa forma na

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Aprendizagem dos processos de busca e de uso da informação, e não somente do
assunto diretamente vinculado à pesquisa. Buscar e usar a informação devem ser
conteúdos de aprendizagem e de avaliação vinculados à experiência de sala de aula.
Tal aprendizagem exige revisão da concepção de ensino-aprendizagem e a
necessidade de desenvolvimento do pensamento reflexivo. (GUASQUE, 2012, p.
159).

Destacamos que para se exercer de fato esse papel é necessário que haja uma parceria
entre os profissionais, como reforça Campelo (2009, p.46) “Na cooperação aumenta o
relacionamento entre bibliotecário e professor, que trabalham juntos para ampliar as
oportunidades de aprendizagem dos alunos”.

3 Materiais e métodos
Pretendemos, ao longo do percurso dessa pesquisa, responder ao seguinte
questionamento: Quais as possibilidades da biblioteca de uma instituição de ensino
configurar-se como espaço-tempo de aprendizagens e de desenvolvimento de competências
informacionais? Para tanto, estabelecemos como objetivos específicos:
a) Discutir a importância do conceito de aprendizagem, de autonomia, e de aprender a
aprender enquanto condições para a educação ao longo da vida, no horizonte das ações
desenvolvidas em uma biblioteca de uma instituição de educação superior.
b) Discutir, no âmbito desta pesquisa, o conceito de competência, em especial o de
competência informacional, verificando as correntes teóricas que os fundamentam.
c) Analisar, por meio de um estudo de caso, como a biblioteca de uma instituição de
educação superior pode auxiliar efetivamente na aprendizagem e no desenvolvimento
de competências, especialmente a competência informacional, caracterizando-a como
um espaço de aprendizagem.
A orientação metodológica do estudo proposto é de um estudo de caso. De acordo com
Yin (2001, p. 39), utilizamos este tipo de pesquisa quando se deseja “[...] entender um
fenômeno da vida real em profundidade [...]”. O estudo de caso pode ainda ser caracterizado,
segundo Gil (2002, p. 57-58), como um “[...] estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos
objetos, de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado, tarefa praticamente
impossível mediante os outros tipos de delineamentos considerados.”. Ainda para Yin (2001,
p. 32), “Um estudo de caso é uma investigação empírica que investiga um fenômeno
contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o
fenômeno e o contexto não estão claramente definidos.”. A partir dessas definições,
acreditamos que, ao estudar a relação docente-biblioteca desse campus, teremos uma amostra
de como pode se desenvolver a atuação da biblioteca em conjunto com os docentes,
inserindo-a como um espaço de desenvolvimento da competência informacional.
Com a finalidade de averiguar a possibilidade de atuação da biblioteca como espaço
de desenvolvimento da competência informacional realizamos um levantamento bibliográfico
a partir da seleção de teses e dissertações e abrangeu a literatura nacional, em língua
portuguesa. Primeiramente pesquisamos no Portal de Teses e dissertações da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes) e os
termos pesquisados foram competência, letramento, informação e biblioteca aplicados ao
resumo dos trabalhos. Após, realizamos outra pesquisa com o termo competência
informacional desta vez o tipo de pesquisa realizada foi a simples. Em todas estas pesquisas
selecionamos as que tinham maior pertinência para o problema desta pesquisa, isto é, a
capacidade de se desenvolver habilidades e competências relacionadas com a recuperação da
informação dentro do espaço da biblioteca de uma instituição de ensino e aplicando se estes
critérios foram selecionadas apenas nove teses e dissertações. Em consequência da baixa

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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA COMO AGENTE DE SUSTENTABILIDADE INSTITUCIONAL

recuperação, optamos por ampliar a base referencial pesquisando-se na Biblioteca Digital
Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), do Instituto Brasileiro de Ciência e Tecnologia
(IBICT). Foram realizadas pesquisas da mesma forma que a realizada no Portal de Teses da
Capes e foram recuperados 59 registros com o termo competência informacional. Na pesquisa
avançada o termo competência foi aplicado ao resumo e biblioteca ao assunto, sendo
recuperados 5 registros. Com os termos letramento aplicado ao resumo e biblioteca no
assunto, recuperamos 6 registros. Aplicando os filtros já mencionados na pesquisa realizada
anteriormente, chegamos ao resultado de quatorze teses e dissertações. No entanto duas se
repetiram em ambas as pesquisas e, desta forma, constituímos o corpus a partir de 22 teses e
dissertações dentro do âmbito desta pesquisa. Foi realizada também uma pesquisa na Base de
Dados EBSCO para recuperação de artigos científicos que abrangem o período de 2009 até
2015. Nessa busca, foram utilizados os mesmos termos da pesquisa no Portal da Capes. Foi
realizado uma delimitação da pesquisa na sua abrangência para se restringir a estudos sobre a
competência informacional relacionada a área da educação.
Este trabalho investigativo será complementado pelo estudo de caso de uma Biblioteca
do IFRS, no qual percebemos a necessidade de haver uma ação de desenvolvimento da
competência informacional. Por ser uma instituição nova, que está estruturando suas
bibliotecas e, sendo que este campus e sua biblioteca está em expansão, aproveitamos a
oportunidade para estudar e diagnosticar esta necessidade e o que a literatura da área pode
contribuir no desenvolvimento desta ação. Desta forma, procuraremos demonstrar, a partir do
estudo de caso da Biblioteca de um Campus do IFRS a possibilidade de se desenvolver,
naquele espaço, competências na busca recuperação de informações confiáveis.
Realizaremos a análise qualitativa dos dados coletados, tanto bibliográficos quanto os
derivados do estudo de caso, utilizando a técnica da análise do conteúdo de Bardin (2006).
Esta será realizada em suas três etapas: pré-análise; exploração do material; e tratamento dos
resultados, inferência e interpretação. Na primeira etapa será realizada uma leitura geral que
estabelecerá o primeiro contato com os conteúdos coletados para verificar se o texto está
dentro das delimitações estabelecidas na seleção do corpus. Na segunda etapa serão definidas
as categorias, mediante unidades temáticas. Franco (2005, p. 39) entende que essa unidade de
registro é a mais indicada para ser utilizada em estudos que envolvam “[...] representações
sociais, opiniões, expectativas, valores, conceitos, atitudes e crenças”. Na última etapa onde
serão realizados o tratamento dos resultados, inferência e interpretação as categorias temáticas
serão submetidas a operações de decomposição de cada conteúdo identificado nas entrevistas.

4 Resultados parciais/finais
A pesquisa está em construção e não apresenta resultados definitivos no estado em que
se encontra. No entanto, almejamos investigar o papel e o potencial da biblioteca de uma
instituição de ensino no desenvolvimento de competências e habilidades em informação nos
alunos que a utilizam. Para tanto, procuraremos: discutir a importância do conceito de
autonomia, de aprendizagem e de aprender a aprender, no horizonte das ações desenvolvidas
em uma biblioteca; delimitar, no âmbito desta pesquisa, os conceitos de habilidades e
competências; analisar a influência das tecnologias da informação e comunicação (TIC) na
busca e recuperação da informação; identificar as correntes teóricas que fundamentam a
competência em informação e defini-la a partir deste levantamento; caracterizar a biblioteca
como um espaço de aprendizagem.
Pretendemos, ao final desta investigação, descobrir em que medida pode a biblioteca
de uma instituição de ensino configurar-se enquanto espaço-tempo de aprendizagens e de
desenvolvimento de habilidades e competências informacionais.

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5 Considerações parciais/finais
A presente investigação ainda se encontra numa fase inicial, mas pretende se traçar
uma linha condutora que deverá construir o caminho desde a importância do desenvolvimento
da autonomia, de aprendizagem e de aprender a aprender, no horizonte das ações
desenvolvidas em uma biblioteca para o desenvolvimento do discente, passando pelos
conceitos de competência, aprendizagem e as influências das tecnologias da informação e
comunicação até chegar ao tema principal, a competência Informacional.
Acreditamos que a biblioteca pode assumir tal papel, mas para tanto é imprescindível
que o bibliotecário esteja inserido no espaço educacional e atue juntamente com os docentes.
Percebemos que, algumas vezes, essa atribuição encontra muita resistência por parte da
comunidade acadêmica, pois esta nem sempre reconhece o bibliotecário como um profissional
envolvido no processo educacional. No horizonte da pesquisa que estamos realizando,
acreditamos que o bibliotecário pode contribuir nos processos de aprendizagem no
desenvolvimento da competência informacional, pois sua formação habilita-o a auxiliar o
usuário nas suas necessidades informacionais, orientando-o na busca e na seleção de fontes de
pesquisa, ajudando-o na tradução de termos da linguagem natural para as linguagens
documentárias, criando condições para que desenvolva sua autonomia no uso das mais
diversas fontes de pesquisa e de ferramentas digitais.

6 Referências
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: A biblioteca universitária como agente de sustentabilidade institucional.</text>
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                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
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              <text>Santini, Luciane Alves; Casagrande, Cledes Antonio Casagrande</text>
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          <name>Date</name>
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          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
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            <elementText elementTextId="49105">
              <text>Este trabalho se propõe a investigar a biblioteca como espaço-tempo de aprendizagens e de desenvolvimento de competências, em  especial a competência informacional. Consiste em uma pesquisa de mestrado em fase inicial, no PPG de Educação, que tem como intenção investigar o papel e o potencial da biblioteca de uma instituição de ensino no desenvolvimento de competências e habilidades em informação. Caracteriza-se como um estudo de caso de abordagem qualitativa, que tem como foco investigar em que medida pode a biblioteca de uma instituição de ensino configurar-se enquanto espaço-tempo de aprendizagens e de desenvolvimento de competências informacionais. Realizamos um levantamento bibliográfico no qual procuramos discutir a importância do conceito de aprendizagem, de autonomia, e de aprender a aprender, no horizonte das ações desenvolvidas em uma biblioteca de uma instituição de educação superior. Procuramos delimitar, no âmbito desta pesquisa, o conceito de competência, em especial o de competência informacional, identificando as correntes teóricas que fundamentam a competência em informação e definindo-a a partir deste levantamento. O estudo de caso será realizado em um campus do IFRS juntamente aos docentes do campus que serão convidados a responder a um questionário on-line, também será realizada uma entrevista semiestruturada com o bibliotecário. Buscamos, ao final dessa pesquisa, demonstrar como, tanto a biblioteca quanto os bibliotecários, podem atuar como mediadores entre a informação e seu usuário de forma efetiva, fazendo com que a biblioteca se torne um espaço pedagógico.</text>
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