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MONITORANDO OS BYTES NO CIBERESPAÇO DOS IMORTAIS DA
ACADEMIA
MARTINS, C.1

RESUMO
Narrativa da tessitura da teia harmoniosa e simbólica entre a Biblioteca e a
Academia Pernambucana de Ciência Agronômica. Nesse contexto, coexistem o
bibliotecário e 30 acadêmicos, Engenheiros Agrônomos, com idades entre 60 e 88
anos que, motivados e numa atitude pró-ativa, pesquisam e produzem
conhecimento, publicam textos sempre aliados à paixão pela causa agronômica.
Atendendo ao chamado da Biblioteca, esses imortais além de ocuparem o espaço
físico da Biblioteca, pois a Academia é nela sediada, convivem no espaço virtual,
denominado de “cyiberespaço dos imortais” e nele tornam pública a memória da
Agronomia Pernambucana.
Palavras-chave: Cyberespaço. Comunicação virtual. Agronomia.

ABSTRACT
Narrative of the web harmonious symbolic between the Library and the Academy
Agronomic Science of Pernambuco. In this context, the librarian coexist with 30
academics, Engineers of Agronomy, aged between 60 and 88 years, motivated and a
pro-active, searching and produce knowledge, publish texts always allies to
agronomic passion for the cause. Given called the Library, these immortal live in
virtual space, known as "cyberspace the immortal" and to make public the memory of
Agronomy of Pernambuco.
Keywords: Cyberspace. Virtual communication. Agriculture.

1 INTRODUZINDO A COMUNICAÇÃO ELETRÔNICA
Vive-se hoje, no binômio da comunicação/gestão da informação, um
ambiente de mutação radical onde imperam o computador, a internet e a intranet,

�2

que possibilitam o acesso e a troca de informações, de forma veloz, segura e
flexível. A linguagem fragmentada e imediata dos meios de comunicação vem dessa
forma, substituindo o estático pelo dinâmico, onde o homem interage com o real e
tem suas relações cotidianas de permuta determinadas pelas novas tecnologias e
pelo mundo virtual, no qual a informação direta vem sendo substituída pela indireta,
mediatizada pelos canais de informação que, entretanto, não substituem o discurso
e as relações interpessoais.
Nesse sentido, na Biblioteca Central da UFRPE, especialmente, no Núcleo
do Conhecimento Professor João Baptista Oliveira dos Santos, vem sendo gestada
uma atitude positiva e pró-ativa alterando sua forma de interação com o grupo de 30
Acadêmicos Titulares que compõem a Academia Pernambucana de Ciência
Agronômica – APCA. Através da abordagem online junto a 27 desses Engenheiros
Agrônomos, ditos imortais da Ciência Agronômica que já utilizam a internet como
ferramenta em suas pesquisas, mas, sobretudo, tomando como fio condutor desse
processo, a troca de mensagens através do correio eletrônico aliados à criação e ao
uso da homepage da Academia.
O retorno de 90% dos acadêmicos reflete uma resposta que não se
resume apenas a troca de e-mails. O diálogo cresceu. Outras demandas surgiram.
Afetividade e confiança passaram a se fazer presentes. Respostas ágeis continuam
a ser encaminhadas. Através delas cada imortal recebe notícias e toma
conhecimento das ações cotidianas e dos serviços que demandou. Esse resultado
vem ratificando a importância da comunicação que reflete uma rede inovadora no
cenário da Academia, no qual velhos atores desempenham novos papéis,
compartilham idéias, trançam os fios e amarram os nós que compõem essa teia,
num trabalho interativo.

2 O CIBERESPAÇO DOS IMORTAIS
Na escrita deste texto, nos inspiramos na atividade criadora da aranha ao
tecer a sua teia. Aquele ato de criação, ao mesmo tempo tão simples e tão
complexo, há algum tempo nos serve como metáfora para a leitura e a compreensão
da teia das relações interpessoais.

�3

Diante do novo cenário mundial, ratificamos as funções da Biblioteca como
de preservação da memória documental e, nos últimos tempos, também de
preservação digital que inclui a informação impressa ou contida em vários formatos
tais como cd’s ou pen drive. Nesse ambiente, assumimos a tarefa e o olhar
bibliotecário. Contextualizamos a biblioteca em sua prática sócio-cultural deixando à
mostra sua relação com a Academia Pernambucana de Ciência Agronômica - APCA
- ao entrelaçar os fios que compõem a teia da memória coletiva desses imortais
monitorando, também, os bytes da comunicação eletrônica que ocorre nesse grupo.
Sediada no Núcleo do Conhecimento, a APCA veio agregar valor à
biblioteca e com ela iniciar a urdidura da trama aqui narrada. Idealizada pelo
engenheiro agrônomo Eudes de Souza Leão Pinto, foi fundada em 30 de setembro
de 1983 por ocasião do XXIII Congresso Brasileiro de Agronomia, realizado no
Centro de Convenções em Olinda, Pernambuco. Foi então criada como instituição
pioneira em território brasileiro, confirmando a liderança e a vanguarda desses
engenheiros agrônomos e instalada em 31 de maio de 1984.
Ao longo de 24 anos de existência, 04 deles, compartilhando atividades no
Núcleo do Conhecimento, na Biblioteca Central, esse grupo vivencia constantes
transformações que exigem novos perfis e adaptações à realidade econômica,
política, social e cultural. Em especial, no que diz respeito à evolução tecnológica.
Em 2004, ao iniciarmos esse trabalho conjunto, apenas 10 acadêmicos utilizavam a
comunicação eletrônica, ao longo desses 04 anos 70% deles passaram a adotar as
ferramentas tecnológicas e a interagir no espaço virtual no intuito de acompanharem
a evolução individual e coletiva.
De Masi (2003) ratifica o nosso pensamento no que se refere ao grupo,
definindo-o

como

“um

sistema

coletivo

em

que

operam

sinergicamente

personalidades imaginativas e personalidades concretas cada uma contribuindo com
o melhor de si, num clima entusiástico, graças a líder carismático e a uma missão
compartilhada”. Ao longo do desenvolvimento dos grupos, segundo De Masi, os
seus objetivos são atingidos de forma mais adequada quando seus membros tomam
para si a responsabilidade de torná-lo uma experiência significativa, tendo a
compreensão da importância de sua participação.

�4

No grupo em questão, o acadêmico mais jovem tem 57 anos, em
contraponto ao mais longevo, no caso, 05 acadêmicos com 88 anos de idade. O
convívio diário com o dinamismo, a alegria de viver e o entusiasmo contagiante
desses velhos-jovens internautas representa uma experiência singular.
Nessa gestão da informação eletrônica, presenciamos no âmbito da
Academia o surgimento de um estilo de vida digital em complemento ao padrão
analógico a que estavam acostumados. Nela, os 27 imortais que compõem esse
grupo, vêm buscando se amoldar aos novos tempos da internet, das redes e da
comunicação online, apesar de conservarem, de certa forma, seu estilo de vida
analógico. Assim, a dinâmica de utilização do correio eletrônico apresenta a
configuração discriminada abaixo, destacando que cerca de 50% usa diariamente o
correio, fazendo parte desse percentual 05 imortais octogenários.
5
Diário
Semanal

13

Mensal

7

Nessa trama a livre circulação de idéias é marca registrada. Há uma
disponibilidade para comunicar e trocar idéias, divulgar progresso e resultados, na
convicção de que a ciência pertence a todos. Nesse contexto, cientistas,
especialistas e técnicos tornam-se os elementos-chave e têm na informação o
insumo para a geração do conhecimento, que de fato confere poder na sociedade. A
interação com as tecnologias de informação tem proporcionado a esse grupo de
imortais o acesso e a utilização dos novos suportes de armazenamento de dados e
às novas formas de acesso ao conhecimento, exigindo o domínio desses novos
instrumentos da sociedade da informação.
O processo de interação entre a biblioteca e a APCA vem sendo
enriquecido pela abordagem online, numa via de mão dupla na qual as relações
cotidianas de permuta e validação vêm ocorrendo também no mundo virtual. Nele as
tecnologias de informação influenciam as relações pessoais, de trabalho e de
informação, tornando produtos e serviços mais necessários. Conforme demonstrado

�5

no gráfico a seguir, as Notícias sobre as Reuniões, a Circulação das Atas das
Reuniões, as Mensagens da Comissão Organizadora do Seminário Biodiesel, e a
Troca de Mensagens de Validação aparecem quase com o mesmo percentual, com
relativa liderança para a veiculação para as notícias que são recebidas, repassadas
e comentadas entre o grupo.
Notícias
10

19

Circulação da Ata

14

Mensagens Comissão
Biodiesel
Pesquisa
Intercâmbio Artigos
16

9
8

Envio de Artigos
Mensagens de Validação

15

9

Socialização de Atividades

O ciberespaço tem sido a infovia que nos permite também a Troca de
Informações e Validação num clima de confiança, empatia e sinergia. Nele, ocorre a
circulação das atas das reuniões mensais para a leitura, sugestões e críticas
daqueles que integram este mundo virtual. Por outro lado, buscamos estimular os 03
acadêmicos que até o momento têm se mostrado avesso a essa tecnologia, os sem
e-mails, que continuam à margem desse “ciberespaço dos imortais”, como denomina
o acadêmico Fernando Chaves Lins.
Observamos, por outro lado, a capacidade criativa dessas cabeças
pensantes, especialmente no que diz respeito à qualidade e ao volume da produção
científica e intelectual dos mesmos, o que ratifica a afirmativa de Castoriadis (2001)
de que “Pensar não é sair da caverna nem substituir a incerteza das sombras pelos
contornos nítidos das próprias coisas, a claridade vacilante de uma chama pela luz
do verdadeiro Sol. É entrar no Labirinto, mais exatamente fazer ser e aparecer um
Labirinto ao passo que se poderia ter ficado ‘estendido entre as flores, voltado para
o

céu’.

É perder-se

em

galerias que só existem porque

as cavamos

incansavelmente...”
Nessa comunicação eletrônica metaforicamente, uma Ariadne moderna
compartilha e “orienta” o processo e no labirinto dos bytes, nos auxilia a interagir
com os 90% desses imortais que, internautas, utilizam a internet como ferramenta

�6

em suas tarefas e pesquisas. Ao fazer uso desse formato e exercitar com a APCA
essa estratégia de comunicação, passamos a praticar com esses acadêmicos, em
especial, com aqueles de 88 anos, novas habilidades, visando a estimulá-los a
pulverizar idéias e costumes, sentindo-se modernos. Levá-los a reavaliar valores e
conceitos, mas, sobretudo, a sentirem prazer ao fazer parte deste mundo virtual.
Nesse grupo conectado em rede, uma nova dinâmica social vem
ocorrendo, caracterizada pelo fluxo e troca quase instantânea de informações e
comunicação cultural, ratificando a afirmativa de Castells (2003). Nela, fios se
entrelaçam, nós a arrematam, o labirinto dos bytes é monitorado. Coordenada, essa
rede virtual demonstra que a tradição se cristaliza, porém, novas atitudes estão
sendo absorvidas e praticadas. Percebemos que a circulação de dados e
informações aparece seguida pelo feedback, portanto, há comunicação virtual.
25

Dados/Infor
m ações
Artigos
científicos
55

11
9

Sugestões
de links
Feedback

3 ACESSANDO E NAVEGANDO: algumas considerações finais
No cotidiano desse nicho de imortais, partilhamos a vida, a rotina, as
lembranças desses homens e mulheres, enfim, somamos olhares. Nesse processo,
enquanto profissionais da informação, assumimos o papel de pró-ativos interagindo
de modo presencial e no mundo virtual. Passamos aos poucos a ser partícipes
desse grupo que representa a memória viva da Universidade Federal Rural de
Pernambuco, atualmente com 96 anos de existência. Esse encontro levou o grupo a
gestar

uma

nova

ação.

Foi

criada

a

homepage

da

APCA

(www.apcagronomica.org.br) que disponibiliza na web informações básicas sobre a
APCA, torna de domínio público através do link resultados de pesquisas, crônicas e
artigos dos integrantes da Academia.
Como foi possível observar, nessa integração da biblioteca universitária da
Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE com a Academia
Pernambucana de Ciência Agronômica – APCA- tem sido uma prática constante

�7

(re)fazer, (re)criar, quebrar paradigmas, oxigenar as relações interpessoais e
interinstitucionais, intensificando a qualidade e a rapidez das informações. Esse
monitoramento do ciberespaço da Academia encontra-se em pleno desenvolvimento
conforme depoimento do acadêmico Hélvio Azevedo de Queiroz: “neste nosso
ciberespaço renovamos nossos conhecimentos, adotamos novas ferramentas e
ativamos nossos neurônios. Por isso, precisamos cada vez mais navegar na rede,
interagir com nossos pares, fazer novos amigos e, principalmente, interagir com a
biblioteca e com a Universidade”.

REFERÊNCIAS
CASTELLS, M. A sociedade em rede: a era da informação: economia, sociedade e
cultura. 6ª ed. São Paulo: Paz e Terra: 2003. v. 1
CASTORIADIS , Cornelius. As encruzilhadas do labirinto I. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 1997.
DE MASI, Domenico. Criatividade e grupos criativos. Rio de Janeiro: Sextante,
2003.

__________________
1

Conceição Martins, Bibliotecária, Biblioteca Central da Universidade Federal Rural de Pernambuco
(UFRPE), Academia Pernambucana de Ciência Agronômica, cmartins3012@gmail.com.

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