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MODELO CONCEITUAL DE MAPOTECA DIGITAL APLICADO
À SAÚDE PÚBLICA
SILVA, L. O. M.1
RIBEIRO, A. M.2

RESUMO
Apresenta um modelo conceitual de mapoteca digital aplicado a saúde, servindo aos
órgãos e pesquisadores que atuam na área de saúde, como uma ferramenta de
armazenamento das informações relacionadas ao surto da febre tifóide no município
de Anajás-PA. No banco de dados geográfico estarão armazenados textos, tabelas,
e imagens sobre as condições de saúde, saneamento básico e informações sobre a
doença no município. O sistema de informação geográfica foi idealizado como
ambiente gráfico para gerar as análises diversas relacionadas aos agravos de
condições de saúde da população. O modelo propõe uma interface gráfica, a ser
implementada, de acordo com os interesses dos usuários, em potencial, para
facilitar o acesso com mais rapidez e precisão..
Palavras-chave: Mapoteca digital. Sistema de informação geográfica. Saúde.

ABSTRACT
It presents a conceptual model of digital mapoteca applied the health, serving to the
agencies and researchers who act in the health area, as a tool of storage of the
information related to it I occasion of the fever tifóide in the city of Anajás-Pará. In the
geographic data base texts will be stored, tables, and images on the health
conditions, basic sanitation and information on the illness in the city. The system of
geographic information was idealized as surrounding graph to generate the related
diverse analyses to the agravos of conditions of health of the population. The model
considers a graphical interface, to be implemented, in accordance with the interests
of the users, in potential, to facilitate to the access with more rapidity and precision.
Keywords: Digital mapoteca. System of geographic information. Health.

�2

1 INTRODUÇÃO
As novas tecnologias de informação vêm sendo utilizadas nas análises de
saúde pública com eficaz aplicação enquanto suporte de tomada de decisão. Estas
tecnologias têm sido largamente utilizadas, por permitir a execução de análises
relacionadas a componente espacial e temporal existente nas informações em
saúde.
As análises feitas por esta técnica estão relacionadas principalmente à
execução de cálculos de áreas de riscos de contaminação, cálculos de áreas de
influências dos agravos, localização precisa de áreas de coletas de informação e de
reservatórios e criadouros de vetores, conforme (MEDRONHO, 1995).
O uso desses sistemas vem aumentando, cada vez mais, no
planejamento, monitoramento e avaliação das ações de saúde, além de se constituir
em uma importante ferramenta para análise das relações entre o ambiente e as
questões relacionadas à saúde (BARCELLOS e BASTOS, 1996).
Compreender a distribuição espacial de dados oriundos de fenômenos
ocorridos em determinado espaço geográfico constitui um grande desafio para
resolver questões em diversas áreas do conhecimento, seja em saúde, meio
ambiente, geologia, entre outras.
Considerando que os dados espaciais de saúde e ambiente geralmente
agregam grandes volumes de dados, dificultando manipulações, sentiu-se a
necessidade de criar sistemas que fossem capazes de armazenar, manipular esses
dados produzidos por diferentes áreas do conhecimento.
O avanço da informática, bem como o acesso propiciado por sistemas
computacionais, possibilitou o surgimento da mapoteca digital que armazena e
recupera informações geográficas tais como mapas, fotos aéreas, imagens de
satélites.
É em virtude deste cenário, que este trabalho descreve o desenvolvimento
conceitual de um modelo de mapoteca digital para disseminação de dados

�3

geográficos, a partir de um fato concreto, relacionado ao surto da febre tifóide no
município de Anajás, no Estado do Pará.

2 SISTEMAS DE INFORMAÇÕES CONVENCIONAIS
A incorporação das novas tecnologias da informação nas organizações
vem contribuindo para a mudança na forma de produzir conhecimento, adequandoas às rápidas transformações dos cenários, face cada vez mais instável e
globalizada. Segundo Moraes e Belluzo (2004, p. 77):
Toda mudança implica novos caminhos, novas abordagens e novas
soluções, significa transformação que tanto pode ser gradativa ou
constante, leve ou impactante – questão de velocidade e
profundidade.

O aumento da velocidade e mudanças é devido às inovações tecnológicas
que contribuem para redução do tempo, no que se refere ao aumento da capacidade
de processamento da estrutura organizacional, agilizando o fluxo de informação.
Para Noronha (apud ANDRADE 2001), o fluxo de informação ganha
importância considerada nesse contexto. Com isso as tecnologias da informação
tendem a tornarem-se mais efetivas em virtude da elevação da capacidade de
armazenar e transferir informações, o que torna possível uma maior velocidade na
comunicação, redução no prazo das respostas e melhoria na tomada de decisão,
enfim, um aumento de eficiência organizacional em vários aspectos.
Para o entendimento do que vem a ser sistemas de informação é
necessário fazer a diferença entre dado e informação.
Para Oliveira (1998), dado é qualquer elemento na sua forma bruta que
por si só não leva a nenhum entendimento e compreensão de determinada situação.
Informação é esse dado organizado que ajuda na tomada de decisão.
Já para Gordon e Gordon (apud BEZERRA 2001), dado pode ser definido
como fatos, figuras, observações e palavras sem contexto sem arrumação.
Informação é o dado que sofreu um processo de análise e que foi organizado e
interpretado.

�4

De acordo com os autores citados os dados são itens básicos da
informação antes de serem interpretados, organizados, formatados de uma forma
que as pessoas possam entender e usar, enquanto que informações são os
resultados desses dados moldados e organizados através do conhecimento de uma
forma que é significativa e útil para os seres humanos, conforme mostra o esquema
a seguir.
Processo de transformação.
(aplicando conhecimento pela
seleção, organização e
manipulação de dados).

Dados

Informação

Figura 1 - O processo de transformação de dados em informação
Fonte: Stair e Reynolds (2002)

Segundo Bezerra (2001), as informações são utilizadas para obter
conhecimento, que pode ser definido como sendo a compreensão ou modelo sobre
pessoas, objetos ou eventos, derivado da informação sobre os mesmos. Por último,
tem-se a sabedoria, que é a capacidade de utilizar o conhecimento para uma
finalidade.
O objetivo básico da informação é de ajudar na tomada de decisão,
utilizando recursos como materiais, tecnologia, equipamentos, pessoas etc.,
caracterizando assim, um sistema de informação. Vale ressaltar que quando se fala
em sistema de informação, não está se referindo apenas aos sistemas
informatizados, mas todo e qualquer processo que gera informação.
Para Mañas (1998), sistema de informação é definido como um conjunto
interdependente das pessoas, das estruturas da organização das tecnologias de
informação, dos procedimentos e métodos que deveria dispor, no tempo desejado
das informações que necessita para seu funcionamento atual e para sua evolução.
De acordo com Laudon e Laudon (2001), sistema de informação é um
conjunto

de

componentes

inter-relacionados

que

armazenam,

processam,

recuperam e distribui informação com a finalidade de facilitar o planejamento,
controle, na tomada de decisão.

�5

Já Gordon e Gordon (apud BEZERRA 2001), sistema de informação é a
união de tecnologias com os dados brutos, procedimentos para organizar esses
dados e pessoas que interpretam os dados processados resultando na informação.
De acordo com os autores citados sistemas de informações com auxilio da
tecnologia, ajuda no processo de armazenar as informações relevantes, resolvendo
problemas criados por fatores internos e externos, tais como, mudança no ambiente
onde o mesmo está inserido.
Desse modo sistemas de informações existem para responder às
necessidades do usuário, com a finalidade de fazer com que este usuário
acompanhe com eficácia e eficiência as constantes mudanças que estão ocorrendo
no mundo globalizado.

3. MAPOTECA DIGITAL
Na era da informação, tecnologia de gerenciamento de dados está
emergindo como meios poderosos de manipulação de grandes volumes de
informação cartográfica e embasamento para soluções de problemas que envolvem
o meio ambiente e os seres que nele vivem.
Tais tecnologias junto com os sistemas computacionais facilitaram o
desenvolvimento de software voltado para o processamento de dados geográficos, a
cartografia entra em uma nova fase no que diz respeito ao meio em que disponibiliza
o produto final o mapa.
O mapa convencional usa como meio mais comum o suporte de papel.
Dentro desse ambiente limitado, a representação do mundo real é restrita pela
possibilidade de transportar esse mundo para o mapa. Para fazer a diferença de
pontos no mapa era utilizada uma variedade de recursos como símbolos especiais,
traços especiais, hachuras, separação em cores, estilos de textos.
Essa limitação da imagem analógica disposta no suporte de papel é
devido à dificuldade de manipulação dos elementos informacionais nela contidos,
gerados a partir das interpretações e classificações feitas, em um primeiro momento,

�6

pelos especialistas e validadas, conforme as especificações dos trabalhos que as
requisitam, a partir de uma série de pesquisas de campo, o que dificulta a geração
de novas informações (metainformações) devido às limitações físicas do suporte em
papel (GONÇALVES, 2001).
Semelhantes a outros sistemas geográficos a mapoteca digital tem os
seguintes componentes:
•

Interface com o usuário;

•

Entrada e integração de dados;

•

Funções de procedimentos gráficos e de imagens;

•

Visualização e plotagem;

•

Armazenamento e recuperação de dados geográficos.
A interface homem-máquina define como o sistema é operado e

controlado

no

nível

intermediário

deve

ter

mecanismos

de

entrada,

de

processamento, de visualização e de saída de dados espaciais no nível mais intenso
do sistema, um banco de dados geográficos lida com os dados espaciais e seus
atributos.
O número de atributos mensurados fornece a base para melhor
caracterização da área através do cruzamento de informações. Como o sistema
básico inclui fases de entrada de dados, transformação e saída de informação podese prever a inclusão de novas entidades, aumentando a grandeza da área estudada,
bem como a inclusão de dados sobre novos atributos vão sendo considerados
importantes.
Segundo Teixeira (apud GUEMBAROVSKI 1999), os dados utilizados em
uma mapoteca são oriundos de diversas fontes, que são classificados em primárias,
levantamentos diretos em campo ou sobre produtos do sensoriamento remoto e em
secundárias envolvendo mapas e estatísticas, que são derivadas das fontes
primárias. Na realização de uma pesquisa a fonte de dados deve ser definida de
acordo com sua abrangência espacial, detalhadamente custos, possibilidade de
padronização e confiabilidade.

�7

Ainda segundo o autor:
O levantamento dos dados através das pesquisas de campo exige a
utilização de equipamentos apropriados, conforme o fenômeno que
está sendo pesquisado e o tipo de informação que se deseja. Pode-se
coletar amostras de solo, de sedimentos, superfícies e água. Pode-se
também realizar medições sobre distancias, áreas e efetuar
mapeamentos sobre o uso do solo. As entrevistas possibilitam coletar
informações sobre os aspectos sociais e econômicos da população.
Essas pesquisas servem também para checar e fornecer guias para a
interpretação de fotos aéreas e de outras imagens de sensoriamento
remoto que auxiliam em muito a coleta de dados. (GUEMBAROVSKI,
1999, p. 59)

Em um contexto mais amplo, a mapoteca inclui-se no ambientes
tecnológicos, cuja área de atuação envolve a coleta e tratamento da informação
espacial, assim como o desenvolvimento de novos sistemas e aplicações. Essa
tecnologia envolve equipamentos (hardware) e programas (software) destinados à
implementação de sistemas com fins didáticos, de pesquisas acadêmicas ou
aplicações profissionais e científicas nos mais diversos ramos das geociências
(GUEMBAROVSKI, 1999).
A tecnologia de uma mapoteca digital emprega na maioria de suas
aplicações um banco de dados para indexar informações, o qual pode também ser
aproveitado para gerar outras formas de análise de dados e facilitar a tomada de
decisão. Ela requer recursos de:
•

Entrada de dados a partir de mapas, fotografia aérea, imagens de
satélites, levantamentos de campo;

•

Transformação de dados, análise e modelagem, incluindo estatística
espacial;

•

Comunicação dos dados, através de mapas, relatórios e planos.
As vantagens que uma mapoteca digital proporciona são a segurança e

organização, a democratização de dados cartográficos e geográficos, a troca de
informações entre pesquisadores e usuários que trabalham em todos os campos das
ciências relacionadas com o espaço geográfico.
Segundo Escada (1998), este tipo de mapoteca já é comum em algumas
instituições e países, como exemplo cita-se o Brasil e os Estados Unidos:

�8

3.1 Conceitos
Com relação aos conceitos de mapotecas digitais pode-se citar alguns
autores:
Para Moretti, “Mapoteca digital é uma estrutura de armazenamento de
dados geográficos digitais criada para facilitar o gerenciamento dos arquivos,
incluindo níveis de acesso e procedimentos padronizados de checagem e
atualização”.
Já Viana e Neves (2004, p. 03), “é um banco de dados composto pelos
arquivos digitais de mapas, e imagens, junto com um sistema de identificação de
busca”.
Conforme Gonçalves (2001, p. 40), “é uma coleção não convencional de
informações geográficas dispostas em arquivos digitais de imagens e mapas”.
Esses conceitos estão diretamente ligados ao crescimento do volume de
dados cartográficos disponíveis nas organizações que exigiu a adoção de um
sistema de recuperação de dados mais ágeis e estratégicos de compartilhamento
dos mesmos.
De maneira geral mapoteca é um sistema de informação que serve para
indexar, recuperar e armazenar dados sobre o mundo real, sobre o qual opera um
conjunto de procedimentos para responder a consultas sobre entidades espaciais,
onde integra dados referenciados espacialmente num ambiente de respostas a
problemas.

3.2 Organização Digital
Segundo Meneguette (2005), a organização digital pode obedecer a
estruturas diversificadas como:
Aquisição de dados: os dados são extraídos de banco de dados digitais
existentes, por digitalização de mapas, conversão analógico-digital com
uso de scanner, aquisição direta por levantamento de campo ou
observações científicas.

�9

Armazenamento de dados: Após passar por ajustes, os dados são
armazenados de modo a preservar a topologia, a localização geográfica
de acordo com a projeção geométrica adotada, e atributos descritivos dos
objetos geográficos. O armazenamento pode ser centralizado ou
descentralizado;
Tratamento dos dados: trazendo os dados digitais obtidos em várias
fontes num sistema de coordenadas geográficas comuns e em seguida
transformando esses dados numa estrutura padrão de dados cartográficos
requerida pela mapoteca. Fontes de materiais usados na aquisição de
dados digitais invariavelmente estão em escalas diferentes, projeções
cartográficas diferentes ou são adquiridas em anos ou épocas diferentes.
Esse conjunto de dados devem ser transformados num mesmo sistema de
coordenadas

geográficas,

por

exemplo,

como

coordenadas

UTM

(Universal Transversa de Mercator). Esses dados também devem, se
possível, serem ajustados ao mesmo nível de generalização e para o
mesmo período de tempo;
Processamento e análise de dados: medindo, comparando e modelando
matematicamente ou estatisticamente os diferentes temas dos dados, de
forma que seja gerada a informação geográfica útil que prediga a condição
de um ou mais aspectos do ambiente incluindo funções cartométricas
básicas, como obter comprimento de linha, área da superfície e cálculo de
declividade. Técnicas de análise de mapas, como a habilidade para
sobrepor digitalmente vários conjuntos de dados e extrair áreas que
compartilham características comuns, são essenciais em qualquer
mapoteca;
Geração da informação: colocando os resultados das manipulações dos
dados e análises em formato cartográfico, tabular ou em formato de
arquivo legível pelo computador. Devem ser concebidos e produzidos
mapas que descrevem os resultados de análises e devem ser exibidos
temporariamente ou permanentemente impressas. Além da produção
gráfica, mapas digitais e dados tabulares, que são os resultados de
manipulações e análises por usuários, relatórios e informações de busca
de atributos são também produtos de informação.

�10

São usadas várias técnicas para o armazenamento e a manipulação de
dados para gerar a informação. Por muitos anos, os pesquisadores desta área
focaram em encontrar soluções para estruturação de dados e após várias
experiências chegaram a dois tipos de estruturas de dados, vetoriais e matriciais.
Através destas estruturas a mapoteca permite organizar a informação
sobre uma determinada região ou cidade, como um conjunto de mapas, cada um
deles exibindo uma informação a respeito de uma característica da região.
Cada mapa individualmente é referenciado como um layer (camada),
coverage ou level (nível). Cada camada é cuidadosamente sobreposta de forma que
toda localização é precisamente ajustada às localizações correspondentes em todos
outros mapas. O layer que fica em baixo do diagrama é o mais importante, porque
representa um reticulado com um sistema de referência (como latitude e longitude)
ao quais todos os mapas foram precisamente referenciados.
Portanto mapotecas são ótimas para centros de pesquisa com vários
pesquisadores trabalhando com GIS. Na maioria dos casos, há layers necessários a
mais de um pesquisador da mesma região, como hidrografia, modelos de terreno
digital e imagens de satélites. A mapoteca permite concentrar o trabalho no
desenvolvimento de layers específicos e relevantes a suas áreas de pesquisa.
Tempo e custo da criação do banco de dados geográficos são reduzidos.

Figura 2 - Modelo relacional de bancos de dados integrados
com várias instituições trocando dados entre si.
Fonte: adaptado de Néri, (2004)

�11

4 MAPOTECA DIGITAL APLICADA A SAÚDE PÚBLICA
Nas últimas décadas a saúde pública tem incorporado em suas análises
relacionadas à prevalência de doenças infecciosas e parasitárias, diversas
tecnologias, a mapoteca digital, vêm sendo largamente utilizadas por permitir a
execução de análises relacionadas às componentes espacial e temporal existente
nas informações em saúde.
Na área de saúde, tão importante quanto conhecer a etiologia da doença,
também é necessário ter conhecimento do espaço geográfico onde ela ocorre e
suas interações com as condições econômicas e ambientais do lugar.
Diante deste contexto a mapoteca aplicada a questões de saúde pública
permite o mapeamento de doenças e avaliação de riscos, a integração e o
armazenamento desses dados existentes e sua espacialização, facilitando o
trabalho prático do dia a dia, contribuindo para a tomada de decisões mais
adequadas, propiciando a avaliação do trabalho de campo à medida que este for
sendo realizado, além de periodicamente proceder a análises mais ricas e
acessíveis do quadro epidemiológico mais amplo da endemia.
A mapoteca aplicada à saúde pública serve para melhorar as
possibilidades da descrição e análise espacial das doenças. Estes sistemas podem
ser muito úteis na avaliação de agravos com variáveis ambientais. Suas aplicações
em saúde podem ser identificadas na análise da distribuição de pacientes,
monitoramento da qualidade de água, variações na ocorrência de epidemias,
monitoramento de vetores, avaliação em tempo real, de situações de emergência ou
catastróficas, dentre outras, situação de não menor importância.
A mapoteca facilita também a análise e o planejamento das ações, uma
vez que permite a visualização na forma de mapas dos casos de surto e a
delimitação das áreas a serem trabalhadas, possibilitando também a impressão dos
mapas gerados e sua utilização no campo.
A utilização de mapas para o entendimento e conseqüentemente para o
controle das doenças vem desde o nascedouro da epidemiologia, uma das maneiras
de se conhecer mais detalhadamente as condições de saúde da população de um

�12

município é através de mapas que permite observar a distribuição espacial de
situações de risco e dos problemas de saúde.

Diversos estudos e técnicas de análises sobre as variações geográficas e
a distribuição das doenças, das mortes e da provisão de cuidados para a saúde, tem
suas origens em diferentes períodos na história humana. Porém, a avaliação destes
problemas utilizando técnicas de cartografia e tendo a preocupação de espacializar
os eventos para compreender os impactos na saúde, deu-se segundo Thomé
(1998), por intermédio de um estudo realizado pelo médico John Snow, no ano de
1854.
Neste estudo, Dr. John marcou em um mapa das ruas e residências de
Londres com “X” onde havia poços de água e com “ponto” as residências onde
haviam ocorrido mortes como decorrência da epidemia de cólera que a cidade
estava vivendo. Com estas duas classes de informações espacializadas no mapa, o
Dr. John verificou que havia muitos “pontos” (casos de cólera) próximos a um “X”
(poço) da Broad Street e decidiu lacrar o referido poço. Como conseqüência,
constatou a diminuição dos casos de cólera e evidenciou a associação do cólera
com a água.
Com este exemplo percebe-se que através do mapa é permitido a
execução de análises de cálculos de áreas de riscos, cálculos de áreas de
influências dos agravos, localização precisa de áreas de coletas de informação e
localização precisa desses reservatórios e criadores de vetores.
Portanto a utilização da mapoteca facilita a integração dos dados
coletados de fonte heterogênea. A sua utilização em análise de epidemias é de
fundamental importância, pois, como os mapas são georreferenciados, o uso da
mapoteca se torna uma ferramenta valiosa para a realização de avaliações espaçostemporais. Sua utilização especialmente associada à análise estatística espacial
será certamente uma das mais importantes fronteiras do campo da saúde pública
nos próximos anos.

�13

Conforme Costa, o mapeamento das doenças é fundamental quando se
considera a necessidade de vigilância diante de uma epidemia, pois o conhecimento
do padrão geográfico das doenças pode fornecer informações sobre etiologia e
fisiopatologia de determinados eventos mórbidos. A autora afirma que muitas
doenças possuem um padrão geográfico bem definido.
A mapoteca é de grande importância na área de saúde por que permite:
•

Determinar áreas de riscos ou agravos para saúde humana;

•

Explicar a distribuição das endemias e sua relação com o meio ambiente;

•

Investigar quantitativa e qualitativamente as condições de agravo à saúde
das populações humanas;

•

Construir indicadores sócio-ambientais que podem ter influência sobre
condições epidemiológicas;

•

Avaliar o impacto de políticas e intervenções sobre as condições de saúde
e meio-ambiente;

5 IMPLEMENTAÇÃO DO MODELO
No modelo proposto a mapoteca foi o foco principal, sendo composto de
dados gerais que englobam toda a região de estudo e dados específicos das áreas
de mais ocorrência do surto.
Entre os dados gerais destacam-se o processamento de imagens do
município, tabelas com dados notificados do surto, dados sobre a doença,
classificação de indicadores sociais, econômicos e de desenvolvimento.
Todos esses dados espaciais e um significado acervo são mostrados na
interface gráfica abaixo como parte ilustrativa da implementação do modelo. A
segurança de acesso aos dados, pode ser concedida em diversos níveis às funções
e/ou tabelas específicas do banco, ou ainda a todo o conjunto de dados. Para ter
acesso é necessário que o usuário tenha que ter identificação e senha cadastradas

�14

Esta é uma amostra da mapoteca digital, em desenvolvimento, para que
em curto prazo esteja implementada e subsidiando as pesquisas e ações no controle
e combate às endemias na Região Amazônica.

Figura 3 - Interface gráfica do modelo conceitual
Fonte: Lobão; Lobão; França-Rocha, 2005 (modelo adaptado pela autora)

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste trabalho, pode-se observar através do modelo conceitual que a
mapoteca digital pode ser uma solução para disseminação da informação na área de
saúde, haja vista a facilidade proporcionada por esta em se poder integrar e
manipular uma quantidade extensiva de dados oriundos de diversas instituições.
Com a utilização da mapoteca digital vai ser possível identificar ás áreas
que apresentam as maiores concentrações de contaminação, espacialização de
prevalência de doenças infecto-contagiosas, no caso do surto estudado a maior
incidência de Febre Tifóide foram às áreas dos bairros mais periférico e populoso,
Açaizal prosseguindo por Cidade Nova I, Centro, Cidade Nova II e finalmente
Prainha, onde as condições de saneamento básico são precárias. Para reforçar, as
análises feitas no Instituto Evandro Chagas mostraram que a forma mais comum de

�15

abastecimento de água em Anajás é através de poços, e isso leva a crer que as
pessoas façam ingestão de água contaminada.
A grande quantidade de informações que a mapoteca pode gerar, com
certeza irá contribuir para que os pesquisadores da área de saúde possam participar
de forma mais ativa nas ações de políticas públicas em conjunto com as Instituições
Governamentais de forma que essa integração promova mudanças que culminem
com a melhoria da qualidade de vida da população.

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__________________
1

Luiz Otavio Maciel da Silva, Professor da Faculdade de Biblioteconomia da UFPA,
Chefe da Biblioteca do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas da UFPA, loms@ufpa.br.
2
Adriana Mendes Ribeiro, Bibliotecária, UFPA, drica-mendes@hotmail.com.

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Apresenta um modelo conceitual de mapoteca digital aplicado a saúde, servindo aos órgãos e pesquisadores que atuam na área de saúde, como uma ferramenta de armazenamento das informações relacionadas ao surto da febre tifóide no município de Anajás-PA. No banco de dados geográfico estarão armazenados textos, tabelas, e imagens sobre as condições de saúde, saneamento básico e informações sobre a doença no município. O sistema de informação geográfica foi idealizado como ambiente gráfico para gerar as análises diversas relacionadas aos agravos de condições de saúde da população. O modelo propõe uma interface gráfica, a ser implementada, de acordo com os interesses dos usuários, em potencial, para facilitar o acesso com mais rapidez e precisão.</text>
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