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PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO DE REFERÊNCIA EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS NA SOCIEDADE DIGITAL
RIBEIRO, R. J. A.1
VETTER, S, M. J.2

RESUMO
Perfil do bibliotecário de referência em bibliotecas universitárias na sociedade digital.
Esta investigação, realizada na literatura existente, tem por base teórica as
pesquisas de Luckesi (1997), Goergen, (1998), Botelho (1997), Mcluham, (1977),
Toffler (1995), Castells, (l999), Weinberg, (1999). Enfoca a evolução da sociedade
tradicional para a digital. Mostra a universidade e conseqüentemente, a biblioteca
universitária como instituições envolvidas no processo de desenvolvimento da
ciência, desde os seus primórdios, até os dias atuais. Estabelece o perfil do
bibliotecário de referência, evidenciando-o como um profissional que deve,
constantemente, atualizar-se para poder responder às necessidades informacionais
dos usuários, através do serviço de referência, nessa sociedade.
Palavras-chave: Sociedade digital. Bibliotecas universitárias. Perfil do bibliotecário
de referência.

ABSTRACT
Profile of the librarian of reference in university libraries in the digital society. This
inquiry, carried through in existing literature, has for theoretical base the research of:
Luckesi (1997), Goergen, (1998), Botelho (1997), Mcluham, (1977), Toffler (1995),
Castells, (l999), Weinberg, (1999). It focuses the evolution of the traditional society
for the digital one. It shows the university, and, consequently, the university library as
institutions involved in the process of development of science, from the beginning,
until the current days. It establishes the profile of the reference librarian, evidencing it
as a professional who must, constantly, to modernize itself to be able to answer to
the informational necessities of the users, through the service of reference, in this
society.
Keywords: Digital society. University Libraries. Profile of the librarian of reference.

�2

1 INTRODUÇÃO
A criação, produção e aplicação de novos conhecimentos nas
universidades não somente têm a finalidade de formar profissionais qualificados,
como também formar cidadãos conscientes e críticos, os quais, através da reflexão
da realidade, possam constituir-se criadores de novas teorias que se aliem à prática
para transformação social, política, econômica e cultural. Segundo Luckesi (1997, p.
51) “O conhecimento tem o poder de transformar a opacidade da realidade em
caminho iluminado”, possibilitando às pessoas agirem com certeza, segurança e
precisão.
Símbolo de progresso e desenvolvimento, a Ciência estabelece uma
relação intrínseca entre o humano e o social. Fazer ciência está entre as principais
finalidades do homem, que constantemente procura respostas às suas questões de
naturezas diversas.
Dentro desse contexto, como instrumento de preservação da cultura,
embora também de transformação social, a universidade começou a ser visualizada
no “sentido da universalidade do saber e da relação entre ciência e sociedade.”
Assim, a pesquisa científica, dentro desta perspectiva é de fundamental importância,
não só para a produção de novos conhecimentos, mas também para torná-los
acessíveis, de forma contínua, a um número de usuários das bibliotecas cada vez
mais crescente.
Desse modo, o cientista moderno tornou-se um decodificador da
informação e a sua importância aumenta à medida que a Ciência consegue atingir
um número cada vez maior de especialistas nas diferentes áreas do saber. (MEIS
apud GOERGEN,1998).
O advento do computador e o avanço das novas tecnologias de
informação e comunicação viabilizaram o surgimento da Rede Mundial de
Computadores (Internet), que oferece possibilidades de acesso à informação para
um número crescente de usuários em âmbito mundial, aumentando, desta forma, o
fluxo de informações cada vez mais atualizadas sobre qualquer área do
conhecimento. Como afirma Botelho (1997), a Internet otimiza o uso de canais de

�3

comunicação científica, resultando em melhoria e agilidade no processo de
divulgação da produção científica, visto que as novas tecnologias de informação e
comunicação possibilitam maior interatividade.
Nesta perspectiva, este estudo fará uma breve abordagem, com base na
literatura existente, sobre a passagem da sociedade tradicional para a sociedade
digital, enfatizando a importância das bibliotecas universitárias e o perfil do
profissional da informação que desenvolve serviços de referência em diversas
instituições da sociedade digital.

2 DA SOCIEDADE TRADICIONAL PARA A SOCIEDADE DIGITAL
Ocorrida em meados do ano 700 aC. conforme afirma Manuel Castells
(1999), a invenção do alfabeto, provocou a passagem da comunicação não
alfabética para a mente alfabética, o que acarretou uma relevante transformação
qualitativa na comunicação humana, proporcionando a comunicação cumulativa
baseada no conhecimento.
Através da comunicação dá-se a transferência da informação, passada de
geração a geração, formando a história de toda uma civilização, contribuindo, desse
modo, para o desenvolvimento educacional, cultural, sócio-político e econômico de
um país. Segundo Toffler (1995), o primeiro cenário relevante de desenvolvimento
social da humanidade foi a Revolução Agrícola, que teve início por volta do ano
8.000 a.C. até cerca de 1650-1750 d.C. e caracterizou-se pela agricultura prémecanizada, pelo cultivo da terra através da exploração de seus recursos naturais,
por meio de métodos artesanais, pelo aumento da mão-de-obra, pela família
baseada no comando do patriarca que era o seu único chefe e pelo domínio da
religião católica, a qual tinha o comando do Estado e ditava as leis, as regras, as
normas e as condutas morais.
No século XVII o homem foi caracterizado como “científico”. No século
XVIII como “industrial” e no século XX foi chamado de “tecnológico”. Em todas estas
fases eles se dedicaram a construir e multiplicar objetos materiais e simbólicos,
passando por três revoluções consecutivas no decorrer da história. (BRASIL , 1997).

�4

A partir da segunda metade do século XVIII surge a Revolução Industrial
que teve dois momentos distintos: o primeiro foi caracterizado por novas tecnologias
como a máquina a vapor, a fiadeira, o processo Cort em metalurgia e, de forma mais
geral, a substituição das ferramentas manuais pelas máquinas. O segundo momento
destacou-se pelo desenvolvimento da eletricidade, do motor de combustão interna,
de produtos químicos com base científica, da fundição eficiente de aço e pelo início
das tecnologias de comunicação, com a difusão do telégrafo e a invenção do
telefone. (CASTELLS, l999)
A Revolução Industrial fez surgir uma nova classe de trabalhadores.
Desencadeando-se como a segunda grande onda de mudança global (produção em
série, introdução de produtos no mercado com base científica, construção de
siderúrgicas etc.). Na década de 50 surgem os primeiros computadores, a aviação
comercial a jato, a pílula controladora da natalidade e outras invenções que
causaram grande impacto. (TOFFLER, 1995).
Com a invenção da imprensa por Gutenberg, o homem consegue a
liberdade de expressão através da escrita, considerada “o grande instrumento da
civilização” (TEIXEIRA, apud McLUHAM, 1977) e dá-se um salto qualitativo através
do livro e do jornal impresso e esses novos instrumentos de comunicação
proporcionam ao homem novas formas de registrar os conhecimentos que estavam
sendo gerados. Mas o homem sentia a necessidade de formas mais dinâmicas e
criativas de comunicação visando dinamizar as relações sociais. Surge o telefone,
(fim do século XIX), e, no início do século XX, aparece: o cinema e o rádio e, em
seguida, a televisão.
A expansão da comunicação (oral, audiovisual, imagem, cor) e da
criatividade trazida pela televisão inaugurou uma nova forma de comunicação de
massa e trouxe tanto benefícios quanto malefícios à sociedade, já que ao mesmo
tempo em que proporciona entretenimento, cria mitos e chega a escravizar.
(BRASIL, 1997). Com a instituição do computador no século XX, a comunicação
escrita sofreu impacto, pois através da criação das Redes de Computadores –
Internet, (1970), o homem pode se comunicar a qualquer hora, de qualquer ponto do
mundo, transpondo obstáculos podendo até mesmo destruir barreiras políticas e
geográficas.

�5

Esse novo fenômeno global (Internet), considerado revolucionário, devido
à capacidade com que dissemina informações, atinge proporções jamais alcançadas
por nenhum outro meio de comunicação. O computador pessoal, por exemplo, levou
16 anos em uso, a televisão 13 anos, o rádio 38 anos para perfazer um total de 50
milhões de usuários. A Internet, nos Estados Unidos, alcançou sozinha, em 4 anos,
este ranking (LIVRO verde, 2000).
Através das novas tecnologias de informação produzidas pela evolução
das tecnologias de telecomunicações, surge uma nova estrutura social baseada no
capitalismo informacional. O capital humano e o conhecimento são moedas de
circulação em caráter global, a produtividade está baseada no surgimento de "[...]
novas tecnologias de geração de novos conhecimentos, de processamento da
informação e da comunicação de símbolos." (CASTELLS, 1999, p.35). Esta nova era
é denominada, pela maioria dos estudiosos, como “Era Informacional.”
O

conhecimento

e

a

informação

são

considerados

base

do

desenvolvimento do processo de produção. A diferença é que cada nova era tem
suas características próprias de trabalho e de produção material de bens e serviços.
Na Sociedade Industrial, a economia baseia-se na maximização da produção,
enquanto que na Sociedade Informacional o desenvolvimento tecnológico baseia-se
na acumulação de conhecimento, produção de bens e serviços personalizados e
atividade cerebral. (CASTELLS, 1999)
Na Sociedade Informacional as novas tecnologias de telecomunicações
“[...] nas duas últimas décadas passaram por três estágios distintos: automação de
tarefas, as experiências de uso e reconfiguração de aplicações,” (CASTELLS, 1995,
p.51). Assim, não é possível contrapor-se ao processo de evolução das tecnologias
de informação, mas é imprescindível o processo de qualificação e capacitação dos
agentes que buscam e transmitem as novas tecnologias de comunicação eletrônica
na era globalizada. O advento da globalização, que hoje se afigura como um
processo que amplia fronteiras comerciais, financeiras, culturais e tecnológicas,
apresenta o homem dito tecnológico - século XX, década de 1990 - que instaura no
cenário mundial a sociedade global.
Desta forma, os novos recursos tecnológicos existentes no mercado

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permitem ao ser humano, em qualquer ponto do mundo, através de um computador
ligado em rede, de uma TV por assinatura, da microeletrônica, ter acesso diverso a
uma vasta quantidade de dados, informações que podem ser transformadas em
conhecimentos, de acordo com a sua relevância e com as necessidades de seus
usuários. Nessa perspectiva, “o computador é abaixo de qualquer conceito a mais
extraordinária das roupagens tecnológicas desenhadas pelo homem, uma vez que é
a extensão de [...] sistema nervoso.” humano. (MAcLUHAM apud CRESPO, 1996).
Na sociedade interativa facilitada pela Rede Mundial de Computadores é
imprescindível que o novo homem dito “tecnológico” tenha em mente que não
deverá ser um mero reprodutor ou mediador das novas tecnologias de comunicação.
Ele deverá ser um facilitador do seu uso, garantindo seus direitos de lutar como
cidadão, possibilitando a configuração da aldeia global prevista na década de 1960,
pelo sociólogo McLuhan. Para Kon (1999, p.3), isso nada mais é do que “um
processo histórico de internacionalização do capital.” Ao globalizar-se, o mundo
pluraliza-se, multiplicando suas diversidades. Com a nova divisão transnacional do
trabalho e a emergência das cidades globais, verifica-se o declínio do Estado-nação
que começa a ser obrigado a compartilhar, a aceitar decisões e diretrizes
provenientes de centros de poder regionais e mundiais. (IANNI, 1997).
Enfim, entra-se em um novo ciclo da história da humanidade onde o
poder é caracterizado pelo conhecimento, sendo este dirigido pela mente humana,
ou seja, trata-se da sociedade da informação. Esta sociedade como afirma a maioria
dos estudiosos, aconteceu no século XX, mas todos esses avanços tecnológicos
deram origem a um novo homem altamente individualista e solitário, e neste início
de século XXI “estamos buscando novas tecnologias de humanidade para contrapor
ao ambiente estressante.” (WEINBERG, 1999, p.3).

3 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS NA SOCIEDADE DIGITAL
A universidade, através da comunidade acadêmica que integra a
comunidade científica, cria, transforma e dissemina a informação. A comunidade
científica trabalha em prol do desenvolvimento da Ciência e é formada por “pessoas
que falam a mesma língua.” (ZIMAN, 1979, p. 78) isto é, que estudam os mesmos

�7

temas e mantêm um intercâmbio entre si para obterem o reconhecimento de seus
trabalhos a partir da aceitação por seus pares.
A universidade é a grande aliada do pesquisador. É dever dessa
instituição, criar oportunidades para que o pesquisador conheça a Ciência e possa
formar seu senso crítico. A partir daí, ele terá muito mais facilidade para desenvolver
suas pesquisas, pois “o ensino universitário não é apenas sobre ciência, mas para a
ciência.” (ZIMAN, 1979, p. 78). O papel da universidade, então, é trabalhar a
criticidade do aluno. Tanto na graduação quanto na pós-graduação, ela deve formálo e ajudá-lo a se tornar um pesquisador. Dessa forma, os alunos terão a
oportunidade de contribuir para a geração de nova Ciência.
Sabedores da importância do desenvolvimento da ciência, para o
progresso da humanidade, convém ressaltar que as instituições de ensino superior
(IES), exemplificando-se as universidades brasileiras, têm buscado diversas formas
de atingir esse objetivo através do incentivo à realização de pesquisas, por parte de
seus docentes. A universidade, além de ser um centro de formação profissional, é
também uma instituição responsável por criar condições básicas para que a
comunidade acadêmica possa realizar pesquisas, criar novos saberes e, por fim,
produzir conhecimento científico que vai dar origem à própria Ciência.
Para que o conhecimento científico possa ser validado como Ciência, é
necessário que seja transmitido através da comunicação científica que associa
diversas atividades, como produção, disseminação e uso da informação. Essa
comunicação se dá de maneira formal e/ou informal e permite ao pesquisador obter
e disseminar informações. Nesse caso, a universidade funciona como veiculadora
do processo de comunicação científica. Assim haverá novas descobertas, novas
portas serão abertas e a ciência crescerá, propiciando o desenvolvimento social,
econômico, político e cultural da humanidade. As novas descobertas só serão
realizadas se a comunidade universitária (professores, pesquisadores, alunos etc.)
tiver acesso aos registros do conhecimento, produzidos nos mais vários suportes e
sobre as diversas áreas existentes. Por isso, é salutar o trabalho desenvolvido pelas
bibliotecas universitárias, pois elas sempre estiveram envolvidas num processo de
vencer desafios. Fatores como:

�8

invenção da técnica de impressão; crescimento do volume e da
importância da informação; adequação às tecnologias da informação
e comunicação; reconhecimento da importância do compartilhamento
de recursos e do valor dos documentos não impressos; e a busca da
informatização dos seus serviços e produtos, têm levado as
bibliotecas a buscar formas mais apropriadas para seu
gerenciamento [...] (CARVALHO, 2004, p. 77).

O surgimento das bibliotecas universitárias se deu na Idade Média.
Primeiramente elas estavam ligadas às ordens religiosas, época em que
funcionavam como locais reservados e de acesso restrito. Funcionavam como uma
espécie de depósitos do saber, pois o conhecimento ali reunido não poderia ser
divulgado livremente, e seus acervos eram compostos por doações realizadas por
aristocratas, autoridades religiosas, professores e anotações dos alunos das
próprias universidades. Finalizando a Idade Média e adentrando o Renascimento, as
bibliotecas universitárias viveram o momento da criação da imprensa por Gutenberg,
fato que proporcionou acesso aos livros de papel impresso, provocou um estímulo
ao conhecimento das letras, passando a refletir nas bibliotecas que puderam
proporcionar aos seus usuários maior contato com a informação. (MILANESI, 2002).
Diante desse contexto, o grande acontecimento medieval que, de certa
forma, decide os destinos de toda a civilização, e, por conseqüência, os destinos do
livro, é a fundação das universidades, que, atualmente objetiva o desenvolvimento
da ciência, sendo que para isso, deve estar a serviço constante de sua comunidade
(professores, alunos, funcionários etc.).
Outro fator que influenciou a propagação das bibliotecas universitárias foi
a Revolução Francesa. Acontecimento que deu origem a novas formas de produção
e dentre elas a do saber científico, que contribuiu para acelerar a produção do
registro do conhecimento, resultando no surgimento das bibliotecas públicas e
especializadas, no uso de novas técnicas e formas de ensino, atingindo,
principalmente a universidade que acompanha a inclusão no seu ambiente, de
bibliotecas e laboratórios como novos recursos educacionais.
O aumento da variedade de recursos informacionais, principalmente em
ambientes como a web e os suportes não impressos, modificou a forma de trabalho
das bibliotecas universitárias. O principal problema hoje dessas bibliotecas é a
recuperação da informação, no sentido de atender às necessidades dos usuários.

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Diante disso é válido comparar as bibliotecas tradicional e digital para observarmos
as modificações ocorridas ao longo do tempo e, também verificar como a biblioteca
universitária vem atuando nesse contexto:
a) biblioteca tradicional – busca meios mais efetivos para tratar os antigos
e os novos recursos informacionais existentes em sua coleção;
b) biblioteca digital – utiliza ferramenta para garantir geração, tratamento,
armazenamento e uso da informação.
Comparando as duas bibliotecas, observamos que os esforços para
desempenhar seleção, aquisição, tratamento, organização, armazenamento de
recursos informacionais e, principalmente, sua disseminação aos usuários é o ponto
comum entre ambas. No entanto, as formas utilizadas para o cumprimento dessas
funções são diferentes, uma vez que na biblioteca tradicional os meios utilizados
para facilitar o acesso às coleções não respondiam às demandas de forma eficiente.
O contexto digital oferece facilidades, tendo como um dos pontos positivos, o acesso
rápido e, negativo, o pouco ou nenhum acesso, uma vez que muitas pessoas não
dispõem das tecnologias de informação e comunicação nos ambientes onde vivem
ou freqüentam.
Com o avanço das tecnologias de informação e comunicação, a estrutura,
o fluxo da comunicação científica, assim como o próprio conceito e suporte dos
documentos científicos vêm sofrendo consideráveis alterações. Dessa forma, a
missão atual das bibliotecas universitárias é viabilizar mecanismos de busca e
acesso à informação e/ou conhecimento em qualquer recurso informacional.

4 PERFIL DO BIBLIOTECÁRIO DE REFERÊNCIA
Diante desse novo paradigma, cujo ator principal é o indivíduo, que perfil
deverá ter o profissional da informação? Esse profissional deverá ser um gerente de
informações que se encaixe às novas exigências do mercado de trabalho, isto é, no
caso do bibliotecário, ele não poderá se comportar como aquele profissional
tradicional que tinha como tarefa apenas a organização, armazenamento e
disseminação de informações. Agora, é preciso que o bibliotecário tenha como

�10

características a criatividade, liderança, dinamismo, responsabilidade, visão
interdisciplinar e gerencial, capacidade de análise e facilidade de manuseio das
novas ferramentas tratamento, busca e recuperação de informação. (LUCAS, 1996).
O moderno profissional da informação deve estar apto a atuar no novo
mercado de trabalho que muda e se renova constantemente, deve ser, acima de
tudo, um “refinador humano da informação com valor agregado para serviços
específicos.” (LUCAS, 1996, p. 69).
Embora hoje, por meio das redes, se possa ter informações sobre
qualquer assunto em qualquer ponto do mundo que se esteja, até mesmo no
momento em que estão acontecendo os fatos, sem o profissional da informação
habilitado para lidar com essas novas ferramentas de trabalho, a recuperação do
que se deseja, em tempo hábil, é mais difícil. É certo que a Internet oferece a
possibilidade de se está em contato com o mundo e oferece todos os tipos de
serviços e produtos para que se obtenha sucesso nos negócios; sem ela, hoje, será
impossível a qualquer profissional, de qualquer área do conhecimento, se manter
atualizado para concorrer no mercado de trabalho que sofre constantes mudanças.
Mas, no grande volume de informações que é oferecido pela Internet,
muito material não é relevante (lixo), precisa ser selecionado, descartado e filtrado, o
que demanda do profissional da informação, conhecimento, agilidade, habilidade e
rapidez, pois em uma sociedade em que a informação é setor quaternário de sua
economia (sociedade digital), e tem valor de capital, o bibliotecário, enquanto
profissional da informação, com o seu novo perfil terá como função “explorar
intensivamente as fontes de informação existentes e desenvolver núcleos de
recursos bibliográficos.” (PEREIRA, apud VIANA, 1999).
Logo, na sociedade digital, com o auxílio da Internet, tem-se uma nova
concepção de biblioteca que não funciona apenas em espaços físicos determinados,
mas também, no ciberespaço disponível aos seus usuários durante 24 horas por dia.
O bibliotecário moderno tem a responsabilidade de “unir as pessoas e colocar à sua
disposição, recursos de comunicação, informação e produção de conhecimento.”
(VIANA, 1995, p. 5). Além das características citadas anteriormente, o novo
profissional

da

informação

terá

como

tarefas

principais:

difusão,

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seleção/recuperação, mediação ou intermediação, produção e gerenciamento da
informação.
Para que tais tarefas sejam realizadas, é necessário que o profissional da
informação desenvolva seus serviços em diversos espaços. O serviço de referência,
por exemplo, “é a alma e os nervos de toda biblioteca e pela sua eficiência pode-se
avaliar as tarefas anteriores, que em cadeia preparam a informação, ou seja,
aquisição,

registro,

catalogação,

classificação,

preparo

e

armazenamento.”

(FIGUEIREDO, 1992).
O processo de referência começa quando o usuário detecta a existência
de um problema informacional e recorre ao profissional bibliotecário a fim de obter
respostas. Sendo assim, o profissional procurará saber a real necessidade do
usuário para então pensar em uma melhor estratégia de busca.
Grogan (2001) descreve o processo de referência em oito passos:
a) problema – é o início do processo, momento em que o usuário sente
a necessidade de utilizar-se da biblioteca e do serviço do
bibliotecário;
b) necessidade de informação – em alguns momentos vaga e imprecisa;
c) questão inicial – refere-se à busca de informações, por parte do
usuário, quando este faz perguntas de forma compreensível para
obter êxito em suas respostas;
d) questão negociada – inicia-se quando o bibliotecário de referência
recebe as questões apresentadas pelos usuários, verificando assim,
o seu interesse em todas as fases do processo;
e) estratégias de busca – realizada em dois momentos: primeiro pela
análise de forma minuciosa do tema em questão, identificando seus
conceitos e suas relações, no intuito de traduzi-los para um
enunciado de busca apropriado à linguagem do acervo. O segundo
momento consiste em verificar quais seções serão consultadas e em
que ordem, escolhendo entre os diversos caminhos sobre os quais o
bibliotecário deve ter conhecimento profundo, inclusive das várias

�12

fontes de informação disponíveis. O profissional deve desenvolver
atividades de: seleção da categoria da fonte, seleção da fonte
específica, e dos pontos de acesso específicos dentro dessa fonte
f) processo de busca – o bibliotecário realiza a busca no acervo de uma
forma flexível que possibilite mudanças nessa busca, quando
necessário;
g) resposta – nesta etapa o bibliotecário obtém o resultado da busca.
Caso a busca tenha sido feita de maneira correta, o resultado
coincidirá com a solução do problema;
h) solução – a resposta só é considerada uma solução quando não há
mais dúvidas em relação aos questionamentos do usuário.
Esses oito passos de Grogan (2001) sintetizam o processo de referência,
atividade que é vital para o cumprimento da principal função de bibliotecas - sejam
elas tradicionais ou online.

5 CONCLUSÃO
O principal objetivo deste estudo foi evidenciar a importância do
profissional da informação, dando ênfase ao perfil do bibliotecário moderno,
enfatizando suas características, funções e atividades no ambiente das bibliotecas
tanto tradicionais quanto digitais, contextualizando o percurso histórico da evolução
das tecnologias de informação e comunicação da sociedade agrícola à sociedade
digital.
Conforme a literatura sobre o tema, subsídio necessário para a condução
deste estudo, comprovou-se que com a evolução das tecnologias de informação e
comunicação na década de 1990, e conseqüentemente, com o surgimento do
computador, a Internet afigura-se como um fenômeno global de alcance mundial, e
no qual cientistas, pesquisadores e estudantes disponibilizam suas produções
científicas, agilizando não só o processo de divulgação, mas também, o de troca de
informações.

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Portanto, o bibliotecário de referência é indispensável. É aquele que
possibilita aos usuários, por meio do tratamento, organização, armazenamento,
disseminação e uso da informação e/ou conhecimento atualizados, em qualquer
formato, a satisfação das necessidades informacionais para o uso correto das
tecnologias digitais, no intuito de contribuir para o desenvolvimento da ciência e
tecnologia, na sociedade digital.

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�14

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1979. 163 p. Cap. 4: Educação para a ciência, p. 77-89.

_________________
1
2

Raimunda de Jesus Araujo Ribeiro, Universidade Federal do Maranhão, raioluar@yahoo.com.br.
Silvana Maria de Jesus Vetter, Universidade Federal do Maranhão, silnana@yahoo.com.br.

�</text>
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                <text>SNBU - Edição: 15 - Ano: 2008 (CRUESP - São Paulo/SP)</text>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: Empreendedorismo e inovação: desafios da biblioteca universitária</text>
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                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Perfil do bibliotecário de referência em bibliotecas universitárias na sociedade digital.</text>
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              <text>Ribeiro, R. J. A.; Vetter, S, M. J.</text>
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              <text>Perfil do bibliotecário de referência em bibliotecas universitárias na sociedade digital. Esta investigação, realizada na literatura existente, tem por base teórica as pesquisas de Luckesi (1997), Goergen, (1998), Botelho (1997), Mcluham, (1977), Toffler (1995), Castells, (l999), Weinberg, (1999). Enfoca a evolução da sociedade tradicional para a digital. Mostra a universidade e conseqüentemente, a biblioteca universitária como instituições envolvidas no processo de desenvolvimento da ciência, desde os seus primórdios, até os dias atuais. Estabelece o perfil do bibliotecário de referência, evidenciando-o como um profissional que deve, constantemente, atualizar-se para poder responder às necessidades informacionais dos usuários, através do serviço de referência, nessa sociedade.</text>
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      <name>snbu2008</name>
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