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                  <text>A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E O PROCESSO DE AVALIAÇÃO DO MEC:
ALGUNS ELEMENTOS PARA O PLANEJAMENTO DA SUA GESTÃO1
Nídia M. L. Lubisco
Universidade Federal da Bahia - Brasil
nlubisco@ufba.br
ici@ufba.br
RESUMO: Enfoca a biblioteca universitária dentro de uma das modalidades de avaliação
dos cursos de graduação, implementada pelo Ministério da Educação, através de estudo de
caso. Inclui abordagens teóricas sobre avaliação institucional e sua aplicação em biblioteca
universitária, bem como a legislação federal que lhe dá suporte. Destaca também as
características dos procedimentos e dos instrumentos avaliativos desenvolvidos pelo MEC,
buscando demonstrar o hiato existente entre a intenção governamental e os resultados
obtidos, face à inadequação dos critérios e dos parâmetros adotados para aferir o papel da
biblioteca no desempenho dos cursos. Finaliza apontando caminhos de solução que
favoreçam o planejamento da gestão das bibliotecas universitárias no contexto nacional.

1

INTRODUÇÃO
Entender avaliação como processo supõe contextualizá -la no ciclo administrativo,

cujas funções têm no planejamento a etapa inicial onde se estabelecem os resultados a
serem alcançados por qualquer emp reendimento. Visto assim, o planejamento tornou-se
indispensável para a gestão das organizações, sendo seu espectro de abrangência
representado
pela análise das condições presentes para determinar formas de atingir
um futuro desejado. Isso implica escolher metas, prever, influenciar e
controlar a natureza e a direção de mudanças e, finalmente, rever
criticamente os resultados obtidos, avaliando a eficiência e eficácia dos
programas e atividades em relação aos objetivos e metas fixados.
(ALMEIDA, 2000, p. 3).

Nessa perspectiva, a avaliação é vista como etapa final do ciclo administrativo e
possibilita, a partir de “parâmetros predefinidos, aferir o sucesso do plano e traçar novos
objetivos e metas” (ALMEIDA, 2000, p. 12)
Assim, a avaliação institucional representa a aplicação dessa teoria no ambiente
organizacional acadêmico e, em que pese as diferenças de abordagens e contextos, é nele
consensualmente aceita como relevante. Esta aceitação decorre de sua função de “rever e
aperfeiçoar o projeto acadêmico e sócio-político da instituição, promovendo a permanente

1

Texto baseado na dissert ação de mestrado A biblioteca universitária no processo de “avaliação das
condições de oferta” dos cursos de graduação pelo MEC: o caso da UFBA (LUBISCO, 2001).

�melhoria da qualidade e pertinência das atividades [...]” de ensino, pesquisa, extensão e
gestão universitária (TRINDADE, 1994, p. 9).
A este conceito de avaliação estão relacionados os de qualidade, pertinência e
eqüidade, considerando-se os grandes desafios que as universidades públicas enfrentam
para cumprir sua missão política e técnico-científica, face à conjuntura internacional da
globalização. A associação entre qualidade e pertinência tem como instrumento de medida
a “avaliação institucional baseada num tríplice objetivo: melhorar a qualidade de educação
superior, melhorar a gestão universitária e prestar contas à sociedade” (LEITE e outros,
2000, p. 25). Neste sentido, o conceito de qualidade não é isolado daquele de pertinência,
pois não é absoluto. Trata-se de

um juízo de valor relativo a padrões socialmente

construídos, em um determinado contexto e com determinadas finalidades (LEITE e
outros, 2000, p. 24).
Com as bibliotecas universitárias não é diferente, se for considerado o caráter
sistêmico das organizações e a peculiaridade deste tipo de biblioteca, qual seja a de
constituir-se numa unidade integrante da instituição e não numa organização autônoma.
Esta condição impõe que o planejamento de sua gestão esteja não só alinhado, mas
totalmente integrado ao planejamento global da universidade. Com isto se quer frisar que o
cumprimento dos objetivos, finalidades e missão de uma universidade depende da parcela
de contribuição que compete à biblioteca, da mesma forma que o cumprimento dos
objetivos da biblioteca depende do seu nível de participação no planejamento da
instituição. Considerando-se esta relação de interdependência e de reciprocidade, é
possível reafirmar uma das convicções do Seminá rio Regional sobre o Desenvolvimento
das Bibliotecas Universitárias na América Latina, realizado em Mendoza (Argentina) em
1962, traduzida no seguinte pensamento: as universidades serão o que forem suas
bibliotecas 2 (GELFAND, 1968, p. 19).

2

AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL NO BRASIL
A avaliação institucional no Brasil, iniciada com os cursos de pós-graduação nos

anos 70, é considerada uma realidade consolidada, tanto no ambiente acadêmico, quanto
governamental. O mesmo não pode ser dito em relação ao ensino de graduação, na medida

2

Tradução livre de universities will be as good as their libraries.

�que a sua sistematização foi implementada a partir de 1996, especificamente com o
Decreto 2 026.
A consagração do princípio da autonomia universitária, através da Constituição de
1988, trouxe consigo a necessidade da avaliação como meio de recuperar o ensino superior
no País, cuja evolução, segundo o próprio MEC, revela o descaso de que sempre foi alvo.
Instituída para atender as elites econômica e cultural na primeira metade do século XX, a
universidade brasileira se manteve dissociada das transformações pelas quais passava a
sociedade. Tanto assim, que o acesso a ela, em grande escala, começou a se dar no final da
década de 50 e já nos anos 60 havia movimentos organizados de professores e estudantes
em prol do aumento de vagas e da reforma universitária; no entanto, esta só ocorreu em
1968 sob a égide dos governos militares, sem corresponder aos anseios alinhados às
reformas de base propostas pelos segmentos mais progressistas da sociedade. Aquela
reforma, afirma hoje o MEC,
apesar de adotar na legislação o modelo universitário centrado na
pesquisa e na pós -graduação, foi seguida de uma grande expansão do
ensino privado, sobretudo na forma de instituições isoladas de ensino. O
regime militar atendeu à pressão social por mais vagas, mas os prejuízos
em relação à qualidade do ensino foram enormes” (BRASIL. Ministério
da Educação. Secretaria da Educação Superior, 2000, p. 7).

Assim, o crescimento desordenado do ensino superior nos anos 70 resultou numa
grande proliferação de escolas e faculdades, preponderantemente alocadas na rede privada,
cuja autorização para funcionamento limitava-se a trâmites burocráticos. Nos vinte anos
que se seguiram, o número de matrículas cresceu 51%, sendo que na década de 80 essa
expansão não chegou a acompanhar o crescimento populacional. Tomando novo fôlego a
partir de 1995, a retomada do aumento das matrículas ocorreu, segundo o MEC, “já
subordinada a severos critérios de avaliação e submetida a mecanismos de supervisão,
acompanhamento e controle, em todas as etapas do processo” (BRASIL. Ministério da
Educação. Secretaria da Educação Superior, 2000 p. 7-8).
Considerando novamente o caráter sistêmico das organizações e as características da
biblioteca universitária enquanto organização, pode-se depreender que avaliá-la, por
princípio e tendo em vista sua natureza, deve constituir -se numa ação totalmente inserida
na avaliação da instituição como um todo e na avaliação do ensino, em particular. Dentro
deste critério, a inclusão da biblioteca como uma das variáveis de Avaliação das Condições
de Ensino dos cursos de graduação deve ser reconhecida como uma decisão relevante do

�MEC, embora na prática, analogamente ao que diz Belloni a respeito da universidade, isto
não a tenha livrado de uma
certa fluidez conceitual e metodológica, grande dose de amadorismo e
empirismo, além de pouca clareza sobre sua relevância ou utilidade,
assim como freqüente escassez de critérios (BELLONI, 1998, p. 39).

3

AVALIAÇÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: INTENÇÃO &amp;
REALIDADE
Do ponto de vista histórico-conceitual, a trajetória da biblioteca universitária no

cenário nacional reflete a própria história da educação no País, marcada pelo espírito
colonialista, pelo escravagismo e influenciada pela Igreja Católica. Tanto é assim que o
Brasil foi o último país da América espanhola a ter universidade, fato ocorrido somente em
1920, apesar de tentativas anteriores e dos cursos isolados criados ao longo do século XIX.
Convivendo simultaneamente com disparidades que vão do neolítico aos avanços
científicos e tecnológicos do século XXI, os setores educação e cultura não conseguiram,
como regra geral, prover e consolidar no País bibliotecas e sistemas de bibliotecas
eficientes, efetivos e eficazes. Um dos sintomas dessa fragilidade é a omissão que a
biblioteca universitária sofreu na lei da Reforma Universitária de 68,

situação denunciada

na literatura desde a década de 70.
3.1

ABRANGÊNCIA PROPOSTA
O Sistema de Avaliação dos Cursos de Graduação, no Brasil, engloba, atualmente, o

Exame Nacional de Cursos, seguido da Avaliação das Condições de Ensino. Além dessas
duas

modalidades,

há

outras

Reconhecimento de cursos e

continuamente

realizadas

-

como

Autorização

Credenciamento e Recredenciamento de IES -

e

todas

alicerçadas nas Leis 9 131/95 e 9 394/96 (LDB) e no Decreto 3 860/01, que consolidou os
Decretos 2 026/96 e 2 306/97. A principal mudança trazida pelo Decreto de 2001 referese à organização e à execução da avaliação, que saem do âmbito da Secretaria da Educação
Superior (SESu) e passam à responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais (INEP).
A implementação desse processo implicou a produção de instrumentos próprios,
elaborados por Comissões de Especialistas de Ensino por área e aplicados por Comissões
de Avaliação in loco, nomeadas periodicamente pelo MEC .

�Os poucos anos de experiência do MEC com a implementação de processos
avaliativos regulares junto às instituições de ensino superior, tal como se apresentam
atualmente na modalidade Avaliação das Condições de Ensino, por um lado podem ser
caracterizados como prolíficos em termos de produção de atos legais e normativos e de
impactos na sociedade. Por outro, têm trazido algumas dificuldades, tanto para as
instituições e cursos, como para as próprias Comissões, em decorrência da adoção de
critérios “extremamente heterogêneos [...] embora alguma heterogeneidade [...] seja
natural, considerando [...]as diferentes áreas do conhecimento”, conforme pondera o
Parecer 1 070/99 da Câmara de Educação Superio r, do Conselho Nacional de Educação.
O que se pretende com essas informações é demonstrar que, embora os atos legais e
normativos

do

Governo

expressem

uma

intenção

de

sistematicamente o sistema de ensino superior, de modo a

largo

alcance

–

avaliar

assegurar sua qualidade e

eficácia – na prática ainda apresentam limitações na sua implementação, especificamente
para a biblioteca universitária, com referência aos seguintes aspectos: a) não uniformidade
nas exigências básicas e comuns às diversas áreas; b) indefinições sobre a abrangência dos
indicadores empregados para avaliar a variável biblioteca; c) inexistência de indicadores de
desempenho e de padrões que permitam respostas reveladoras do verdadeiro papel da
biblioteca para o desempenho do curso.
A literatura especializada e a prática têm demonstrado que a maior precisão de um
processo avaliativo depende, dentre outros, de elementos como comparação com
congêneres, aplicação de padrões e análise relacional entre os indicadores .
Sobre o elemento comparação, a American Library Association (2000), ao publicar
seus Standards for college libraries, é enfática na recomendação de “comparação com
bibliotecas

semelhantes”,

objetivamente

selecionadas

mediante

a

coincidência

de

afinidades em [alguns] pontos [...]”, recomendação encontrada também em outros autores,
como Vergueiro e Belluzzo e Maria Carmen Romcy de Carvalho.
Sobre o elemento padrões de avaliação, Chastinet, Carvalho e Krzyzanowski, citando
autores como Watkins, Tuttle e Gopinath, alertam para a necess idade de estabelecê-los,
indicando suas aplicações como requisito ao planejamento e à gestão das bibliotecas.
Já o terceiro elemento indicado como necessário para conferir maior precisão ao
processo avaliativo - análise relacional de indicadores – objetiva a obtenção de uma visão
sistêmica da biblioteca, uma vez que os indicadores vistos de forma dissociada entre si não

�oferecem as condições globais de análise e diagnóstico, defendidas por Lancaster, podendo
ademais interferir de forma distorcida na visão de conjunto do objeto avaliado.
3.2 CARACTERÍSTICAS DOS INSTRUMENTOS
A Avaliação das Condições de Ensino, segundo a legislação pertinente, tem como
propósito avaliar in loco os cursos de graduação submetidos ao Exame Nacional de Cursos,
a partir de três dimensões: a) Qualificação do Corpo Docente, b) Organização DidáticoPedagógica e c) Instalações, sendo que estas abrangem tanto a área física em geral, quanto
as consideradas especiais, como laboratórios e bibliotecas.
A título de preparação dessa verificação in loco , os Coordenadores dos Cursos
podem ter acesso ao instrumental de avaliação elaborado pelo MEC de dois modos: a)
pelo roteiro enviado pelo INEP, ou capturado na web, a partir do qual são coletados e
preparados os dados e informações para a futura visita da Comissão de Avaliação; b) por
outros instrumentos – também encontráveis no site do INEP e úteis não só para a citada
visita e para outras modalidades de avaliação, mas para questões processuais, permanentes,
como o planejamento dos cursos e das bibliotecas. Entretanto, o que se observou foi o
desconhecimento da existência e/ou da aplicabilidade desses instrumentos para o
planejamento da gestão das bibliotecas, por parte dos dirigentes universitários (diretores de
unidades e coordenadores de cursos) e dos próprios bibliotecários.
No que se refere aos instrumentos propriamente ditos, cumpre destacar que as
diferentes modalidades de avaliação – das Condições de Ensino, Reconhecimento e
Credenciamento –

não dispõem de instrumentos próprios para implementar seus

respectivos processos, utilizando-se do instrumental da modalidade Autorização. Essa
situação, no caso específico da Avaliação das Condições de Ensino, foi confirmada por
assessores ad-hoc do MEC: as Comissões recorrem aos instrumentos de Autorização para
implementar a Avaliação das Condições de Ensino, o Reconhecimento e Credenciamento
(XIMENES, 2000).
Vale assinalar que a experiência do MEC com a análise de situações referentes a
Autorização e a Reconhecimento de cursos demonstra, apesar das críticas ao excesso de
enfoques quantitativos, que tem havido aperfeiçoamento, atualização e adequação dos
instrumentos avaliativos. Entretanto, no que se refere à biblioteca, não se confirma o
mesmo procedimento, pois além de os referidos instrumentos não incluírem padrões
específicos, os indicadores utilizados para sua avaliação se mostram inadequados,

�insuficientes e passíveis de julgamentos subjetivos. Assim, mesmo a ausência de uma base
teórica ou metodologia específica sendo aqui apontada como um fator prejudicial à
avaliação da biblioteca universitária, hão que ser lembrados autores como Tuttle, Gopinath
e Watkins que, embora preconizem o uso de padrões e metodologias para realizá-la,
reconhecem que a maioria deles resulta de consenso de opiniões e de observação de bons
exemplos de desempenho (apud CARVALHO, 1981, p. 25). E mais do que isto, atentandose para o fato de que os padrões devem balizar ações nacionais, torna -se recomendável que
sua elaboração seja o mais abrangente possível, facilitand o a adaptação e a aplicabilidade,
considerando não só as peculiaridades regionais, como também as encontradas em
determinadas instituições ou grupo de instituições similares. Esta reflexão encontra
respaldo no pensamento de Whiters (apud KRZYZANOWSKI, 1993) e da própria ALA,
em seus Standards for college libraries (2000), que oferece não uma metodologia mas um
conjunto de princípios, desenvolvido a partir de três elementos: a) a matéria -prima da
biblioteca (inputs), isto é, seus recursos financeiros, espaço, coleção, equipamentos,
equipe; b) os produtos que quantificam o trabalho executado nas bibliotecas (outputs), isto
é, número de livros em circulação, questões de referência respondidas e não respondidas
etc; c) os resultados ou impactos ou ainda as medid as qualitativas (outcames), que mostram
a mudança sofrida pelos usuários em decorrência do seu contato com recursos e serviços
da biblioteca.
No Brasil, a biblioteca universitária dispunha de instrumentos com menor nível de
abrangência e detalhamento do que os atuais, segundo o que rezava a Lei de Diretrizes e
Bases de 1961, a Lei 5.540/68 - que estabeleceu a organização e o funcionamento do
ensino superior, e suas respectivas regulamentações e alterações - e ainda as Resoluções do
antigo Conselho Federal de Educação, de números 16 a 19. Estas últimas se constituíam
nos instrumentos orientadores dos processos de Autorização e de Reconhecimento de
cursos, no entanto, registre-se que só a de número 18 trazia em seu artigo 9º detalhamento
sobre a biblioteca como “requisito essencial para a autorização do curso”. Úteis como
baliza, na prática essas Resoluções não conseguiram que as bibliotecas universitárias
brasileiras primassem pela qualidade e adequação ao seu papel. Denuncia Maria Carmen
Romcy de Carvalho que, no País, as bibliotecas universitárias - dos primórdios aos 80 pelo
menos - “se constituíram [...] de iniciativas particulares isoladas o que propiciou uma
verdadeira proliferação de bibliotecas setoriais, pequenas, que mantinham seus acervos
fechados, inertes, organizadas de forma artesanal e intuitiva” (CARVALHO, 1981, p. 17).

�A Resolução CFE nº 1/93, referente à autorização de funcionamento de instituições
isoladas de ensino superior e criação de novos cursos, embora não traga novidades quanto
ao item biblioteca, inclui uma inovação que merece destaque: o parágrafo 3 º do seu artigo
20 estabelece que a Comissão Verificadora poderá solicitar à SESu/MEC “o auxílio de
especialistas, para análise das instalações físicas da biblioteca [...]”. Esta inovação, apesar
de restrita a “instalações físicas”, opõe-se ao que reza a Resolução CFE 16/77, quanto à
verificação das instalações: “será sempre levada a efeito por professores da mesma área de
ensino”. Mesmo contando com a prerrogativa aberta pela Resolução 1/93, nenhuma das
Comissões de Visita que esteve na UFBA, durante o período abrangido pela pesquisa,
incluiu um bibliotecário em sua equipe, sendo todos seus membros titulados na área
específica do curso visitado. Este fato pode levar à suposição de que se a avaliação da
variável biblioteca contasse com a presença de um profissional bibliotecário, além de um
elenco de padrões de qualidade e indicadores de desempenho específicos, certamente seus
resultados ofereceriam maior visibilidade de sua função e de sua contribuição para o
desempenho do curso.
Desde o Código dos Institutos Oficiais de Ensino Superior, datado de 1901, que em
seu artigo 258 traz com riqueza de detalhes o item biblioteca, até os subseqüentes e atuais
que tratam a biblioteca como requisito para Autorização e para Reconhecimento de cursos
de graduação, é possível observar como têm sido tratados a biblioteca e os elementos que a
compõem: proposições vagas, desprovidas de descrição da sua abrangência, de padrões de
qualidade e de indicadores de desempenho, dando margem a interpretações diversas ou a
interpretação alguma, como ocorreu no passado e como ocorre ainda hoje com os
instrumentos elaborados pelas diferentes Comissões de Especialistas do MEC.
3.2

ABRANGÊNCIA OBSERVADA
Para efeito da pesquisa que deu origem a este trabalho, a análise dos atos

governamentais e do instrumental de avaliação foi completada com entrevistas aplicadas
aos Coordenadores dos Colegiados e aos bibliotecários lotados nas unidades sede dos
cursos selecionados pelo MEC para Avaliação das Condições de Ensino. A escolha desses
informantes teve como objetivo cotejar as visões dos dois grupos em relação às seguintes
expectativas: a) quanto aos Coordenadores de Curso, conhecer seu entendimento sobre os
indicadores de avaliação e sua opinião sobre a função da biblioteca no curso de graduação;
b) quanto aos bibliotecários, obter sua opinião sobre a validade e/ou adequação dos

�indicadores estabelecidos para avaliar a biblioteca, sobre a visão das Comissões
Verificadoras em relação aos itens a serem avaliados e sobre a função da biblioteca no
curso de graduação.
Nenhuma das expectativas referentes aos docentes (Coordenadores de Colegiado e
membros das Comissões de Visita) foi correspondida e o motivo, tudo indica, decorre da
falta de conhecimentos específicos sobre o tema. Já em relação aos bibliotecários, a
expectativa também foi frustrada, uma vez que faltou-lhes uma compreensão mais ampla
sobre as potencialidades da biblioteca e dos instrumentos avaliativos, bem como sobre as
limitações que estes apresentam.
O instrumento operacional básico enviado aos Cursos para coleta de dados e
informações refere-se à infra-estrutura administrativa e técnica da biblioteca e está
representado por 12

indicadores (horário de funcionamento; informatização do acervo;

informatização do sistema de consulta; informatização do sistema de empréstimo; política
de atualização do acervo; participação em redes; equipamentos; pessoal técnico; salas
especiais; videoteca; periódicos disponíveis; títulos de livros e número de exemplares). A
esses indicadores foi acrescido mais um – qualidade da catalogação – por dois motivos: a)
por estar presente em instrumentos de outras modalidades de avaliação e b) por ser
significativo num processo de avaliação de biblioteca. Assim, a pesquisa foi desenvolvida
sobre a análise de 13 indicadores. Destes, alguns serão aqui comentados, na perspectiva de
demonstrar a utilidade que poderiam ter na avaliação da biblioteca e do curso, caso fossem
descritos dentro de uma metodologia própria e segundo cânones contemporâneos de gestão
documentária e de unidades de informação. Os aspectos considerados para analisar os
indicadores foram: função da biblioteca universitária; entendimento dos Coordenadores
sobre o significado de cada um daque les indicadores; atuação dos membros das Comissões
do MEC durante o processo de visita.
A informatização do acervo , num sentido restrito, significa a ação de cadastrar em
meio eletrônico uma determinada coleção ou conjunto de coleções. Dentro deste prisma ,
pode-se considerar que o entendimento dos Coordenadores a respeito foi compatível com a
pergunta e com a pretensão do MEC, uma vez que a tônica das respostas esteve associada à
disponibilidade de determinada obra e ao acesso a bibliografias por computador. No
entanto, considerá-la somente por este aspecto pode implicar dois tipos de redução: 1ª ) do
ponto de vista dos gestores universitários, ela deixa de ser significativa, na medida que isto
não explica, por exemplo, o nível de informatização, isto é, quanto do acervo não está

�cadastrado e assim que parcela se encontra indisponível para o usuário; qual o percentual
cadastrado do acervo ativo e processado em moldes tradicionais; se estão em máquina os
registros das áreas temáticas consideradas prioritárias para os cursos (bibliografias
básicas); se o software adotado integra as funções da biblioteca, o que se constitui num
fator de localização imediata e de conhecimento do status das obras, isto é, se em processo
de aquisição, em preparo técnico, já disponíveis para circulação, emprestadas, reservadas
etc; 2ª) do ponto de vista dos usuários – docentes e estudantes – impede que explorem os
recursos existentes, por exemplo, bibliografia sobre determinado assunto ou assuntos e
relação de uma obra com outras áreas temáticas. Deste modo, conceber a informatização
do acervo apenas como a possibilidade de saber sobre a disponibilidade ou não de uma
obra,

além de revelar desconhecimento, não justificaria o investimento feito. Portanto, o

indicador informatização do acervo, como proposto no instrumento do MEC, não revela
aspectos importantes como o nível de informatização do acervo, isto é, percentual
cadastrado; o modus operandi da equipe, quer dizer, se trabalha de forma centralizada ou
não, vantagens e desvantagens encontradas; produtividade por pessoa segundo as
diferentes modalidades de catalogação; percentual do acervo não processado e/ou em
catálogos convencionais.
Já

a informatização do sistema de consulta

foi considerada sinônimo de

informatização do acervo e associado à possibilidade de consulta à base de dados
bibliográficos da Universidade. Pode-se considerar que os informantes em parte têm razão,
já que a informatização da consulta se origina da informatização do acervo, embora a ela
não se restrinja. Entretanto, cabe acrescentar que esse processo compreende consulta sobre
a existência, localização e acesso a determinada obra, e não somente se está disponível,
como interpretaram alguns, que é uma função do sistema de empréstimo. Então, o que
precisaria ser entendido, quanto à confirmação da existência e à localização de uma obra, é
que esta informação, num sistema automatizado,

depende do nível de informatização do

acervo, constituindo-se no ponto focal da consulta. A informatização da consulta, num
sentido mais amplo, supõe também número e localização de pontos de rede, visando
propiciar aos usuários acesso fácil e simultâneo a informações e documentos residentes e
não residentes, como supõe ainda a interatividade do software. Há ainda três outros
aspectos a serem considerados na informatização da consulta: a) as condições de acesso a
bases de dados em CD-ROM e on-line nacionais e estrangeiras (por exemplo, catálogos de
bibliotecas, o SciELO, o PROSSIGA , o Web of Science, o Portal de Periódicos da

�CAPES); b) a possibilidade de participação em serviços cooperativos (por exemplo, a rede
BIBLIODATA, a BIREME, o CCN); c) a possibilidade de participação em redes de
serviços (por exemplo, o COMUT). Vale registrar que estes aspectos da informatização da
consulta não foram abordados em sua totalidade nem pelos Coordenadores, nem pelos
bibliotecários, além de não constarem da maioria dos instrumentos elaborados pelas
Comissões de Especialistas do MEC. Na realidade, esses instrumentos insinuam uma certa
abrangência dos indicadores, mas não a fomentam, nem do ponto de vista conceitual – de
modo a constar uma descrição de cada item, por exemplo –, nem do ponto de vista prático,
já que as Comissões de Visitas não averiguam os indicadores com a abrangência que daria
visibilidade ao desempenho da biblioteca no curso.
A informatização do sistema de empréstimo, em que pese constituir o serviço mais
elementar e comum da biblioteca, foi entendida pela maioria dos Coordenadores como
sinônimo de informatização do acervo. Segundo os bibliotecários, as Comissões não
revelaram nenhum interesse sobre o tema. Conceitualmente, o empréstimo automatizado
concerne ao processo de consulta em máquina, visando à certificação da disponibilidade de
determinada(s) obra(s) e à possibilidade de cedê-la(s) ao usuário por tempo pré-fixado.
Mas

uma

faceta

importante

não

foi

averiguada

pelos

avaliadores:

a

relação

empréstimo/informatização do acervo. Isto porque o fato de uma obra não constar do
catálogo informatizado não significa que não exista na biblioteca; e, no caso de existir e
não estar disponível para empréstimo, ela poder ser obtida pelo sistema de consulta, para
uso na sede. Portanto, por parte dos avaliadores seria necessário conhecer a relação
empréstimo/nível de informatização e as características do software sobre integração de
funções, uma vez que é esta peculiaridade que informa o status das obras. Embora na
formulação do item conste a expressão “informatização do sistema de empréstimo”, um
outro aspecto não foi explicitado nos instrumentos de avaliação: a administração do serviço
(horário de funcionamento, regulamento, quantidade de funcionários e de exemplares
disponíveis para circulação, entre outros fatores). No entanto, cabe registrar que a
formulação encontrada nos instrumentos sobre a “facilidade’’ oferecida pelo sistema pode
sugerir que as Comissões estariam interessadas em identificar os aspectos acima
mencionados.
O item política de atualização do acervo, embora de compreensão bastante
diversificada entre os Coordenadores, suscitou visões convergentes para o âmago das
preocupações dos docentes: o acervo, elemento central da biblioteca universitária. Convém

�deixar claro desde logo que, mesmo com as possibilidades tecnológicas atuais de acessar
informações e documentos a distância, a biblioteca universitária não prescinde de contar,
manter e desenvolver coleções residentes fortes. Tarapanoff, Klaes e Cormier (1998)
fazem prospecções muito plausíveis sobre o uso de bibliotecas virtuais em universidades,
no lugar das tradicionais; mas não desconhecem que sempre haverá, em algum lugar, uma
biblioteca que centralizará as coleções físicas a serem disponibilizadas de forma digital ou
por outros serviços cooperativos. Fácil vislumbrar, no entanto, que um empreendimento
dessa natureza e envergadura implica altos investimentos e uma decisão política forte, no
âmbito governamental. Assim, supondo tratar-se de uma realidade distante para a maioria
das

instituições

brasileiras

de

ensino

superior,

deveriam

ter

sido

considerados

imprescindíveis os seguintes elementos como critérios para o desenvolvimento de
coleções: atualização do acervo, pertinência do conteúdo às diferentes disciplinas e
quantidade de exemplares por título e por aluno. A “política de desenvolvimento de
coleções”, esta sim,

resultaria de um processo mais amplo – não abordado nem pelas

Comissões, nem pelos Coordenadores, nem pelos bibliotecários. Assim, a “política de
atualização” pretendida pelo MEC deveria estar alinhada a outros elementos importantes
da “política de desenvolvimento de coleções”, como a quantidade de acervo, os tipos de
material, idiomas, idade da coleção, entre outros.

Na proposição do MEC, “atualização”

deveria também dizer respeito aos critérios referentes a: a) incorporação de novas edições e
de novos títulos de livros; b) manutenção das coleções correntes de periódicos e de outras
publicações seriadas; c) distribuição de recursos condizente com as peculiaridades de cada
curso; d) celebração de convênios (BIBLIODATA, CCN, BIREME, banco de teses
brasileiras, entre outros).
O indicador pessoal técnico, pela formulação dada no instrumento do MEC, seria
auto-explicativo, não oferecendo margem de dúvidas sobre a que se propunha. No entanto,
revelou a visão dos docentes desprovida de caracterização das categorias por função, fato
que pode estar associado a três questões: a) ao citado desconhecimento dos docentes sobre
especificidades da biblioteca; b) à pouca diferença que os técnicos (bibliotecários) e os
auxiliares

(apoio)

demonstram,

tanto

em

habilidades,

quanto

em

atitudes

no

desenvolvimento do seu trabalho; c) a uma questão cultural reinante na academia, na qual
os recursos humanos são divididos em duas categorias: docentes e técnico-administrativos,
sendo que os últimos são, de modo geral, vistos indistintamente como apoio. A
possibilidade de que esta suposição seja correta remete, certamente, à necessidade a) de

�melhor capacitação dos recursos humanos, b) de um planejamento que dê novo
dimensionamento às equipes e /ou nova distribuição do pessoal de biblioteca, c) de uma
melhor definição de funções e atribuições desse pessoal e d) de maior envolvimento dos
docentes com a biblioteca; e) de acesso à progressão e outros benefícios por titulação,
restritos aos docentes.
Os indicadores títulos de periódicos e títulos de livros e números de exemplares,
compreensivelmente, despertaram significativo interesse dos docentes Avaliadores e
Coordenadores de Curso, só que de forma restrita à existência ou não dos títulos.Com isto
se quer dizer que, do ponto de vista da avaliação como subsídio ao planejamento, a
expectativa é que outros aspectos fossem destacados, como a promoção das coleções
(livros e periódicos); atualidade das bibliografias básicas (livros); situação das coleções de
periódicos (pertinência, atualização, representatividade na área, lacunas, estudo de uso).
Estes aspectos, considerados a razão dos investimentos e o problema mais crucial das
bibliotecas, não foram revelados pela avaliação. Além disso, este estado de coisas remete
às formulações de Lancaster (1996) e da ALA (2000) sobre avaliação de biblioteca: a)
conhecer a opinião do usuário, seu grau de satisfação, b) acompanhar o desempenho desse
usuário como medida para avaliar o impacto (outcames) que a biblioteca, seu acervo, seus
serviços, exercem sobre ele, e c) conhecer também o nível de eficiência da biblioteca, pela
proporção das demandas atendidas. Embora a proposição relativa a impacto (outcames)
seja de difícil execução, deve estar no horizonte de uma pesquisa institucional.
O último indicador a ser aqui comentado -

qualidade da catalogação -

conceitualmente se refere às condições técnicas de descrição do acervo, visando à
consistência dos catálogos, quer em fichas, quer eletrônicos. Assim, o destaque para este
item decorre do seu significado para a acessibilidade da informação e dos documentos,
uma vez que a função dos catálogos é exatamente localizar determinada obra. Fácil supor,
por conseguinte, a importância de se averiguar a “qualidade da catalogação”, pois é esta
atividade técnica que, ao descrever um documento e seu conteúdo, determina os meios de
acessá-lo e recuperá-lo,

preferentemente mediante o emprego de normas e padrões

internacionais. Os resultados das entevistas, no entanto, revelaram total desconhecimento
quanto ao seu significado, fato considerado compreensível porque originário de docentes
que não conhecem as funções, as características e as técnicas de catalogação, mas
comprometedor na medida que deixa de revelar aspectos fundamentais do papel e do
funcionamento da biblioteca.

�4

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Não obstante as ações governamentais voltadas para a avaliação da educação

superior tenham um caráter de regularidade e de mobilização do setor a partir da aplicação
da legislação de 1995, o arcabouço teórico que fundamentou o presente estudo confirmou
seu pressuposto de que o MEC ainda não dispõe de uma base teórica e de uma metodologia
específica para avaliar a biblioteca universitária, no mesmo nível de exigência apresentado
em relação às outras duas dimensões avaliadas, quais sejam, a Qualificação do Corpo
Docente e a Organização Didático-Pedagógica. Com base nisso, foram estabelecidos os
dois objetivos da pesquisa, sendo um, conhecer a base teórica que as Comissões de
Especialistas do Ministério utilizaram para estabelecer os indicadores referentes à variável
biblioteca e o outro, averiguar empiricamente a adequação desses indicadores para revelar
o papel da biblioteca para o desempenho dos cursos.
Assim é possível concluir, a vista daqueles objetivos, que a Avaliação das Condições
de Ensino dos cursos de graduação, levada a efeito na UFBA, em todo o ano de 1997 até
fevereiro de 2000, obteve êxito parcial face ao que propõe o Ministério. Isto porque, do
lado exitoso, pode-se considerar como fator favorável a própria inclusão da biblioteca
como uma das variáveis a ser avaliada no contexto do curso, o que veio dar visibilidade
formal ao setor, desde

a extinção do PNBU. Do lado do insucesso, suas causas e

resultados encontram eco no princípio defendido por Watkins (apud CARVALHO, 1981,
p. 18) de que quanto maior for o investimento em educação, maior será a necessidade da
existência e aplicação de padrões. Com isto se quer dizer que o sucateamento das
universidades públicas, em geral, e a falta de indicadores e padrões de desempenho da
biblioteca, em particular, revelam fragilidades das políticas governamentais. O pouco êxito
também pode ser explicado pela voz de autores como Briquet de Lemos, Etelvina Lima e
Antonio Miranda sobre a presença da biblioteca universitária: parece decorrer mais do
cumprimento de exigências legais, do que da convicção de que ela é um fator fundamental
para o desenvolvimento do ensino e da pesquisa, no ambiente acadêmico. Outro aspecto
restritivo ao sucesso da Avaliação das Condições de Ensino pode ser creditado à falta de
conhecimentos específicos sobre biblioteca e suas potencialidades, por parte dos membros
das Comissões do MEC e dos Coordenadores de Colegiado, e à pouca expansão dada pelos
bibliotecários aos indicadores para avaliar a biblioteca, fatores que determinam,
respectivamente, demanda por e oferta de serviços de informação de qualidade indesejável.

�Mais do que resultados objetivos que a pesquisa de campo tenha revelado,
emergiram

questões de fundo, que envolvem e sustentam as fragilidades da biblioteca

universitária: a) o estudante brasileiro, seja do 1º, do 2º ou do 3º grau, como a população
em geral, historicamente pouco ou nada conviveu – e não convive – com a cultura letrada.
O problema atribuído ao estudante é o mesmo do docente e do bibliotecário: falta de
familiaridade e de acesso aos meios formais de informação - o jornal, a revista, o livro e,
atualmente, a Internet - ao longo das suas vidas (DE FIORE, 2000); b) a biblioteca
universitária está sendo tratada - porque assim concebida pelo Governo, pelos docentes e
pelos bibliotecários - como uma instalação da universidade e não como uma função
acadêmico-pedagógica, o que significa que há uma questão conceitual lastreando o
problema, enraizada na formação cultural brasileira. Por outro lado, os depoimentos dos
membros das Comissões de Visita, dos Coordenadores de Colegiado e mesmo dos
bibliotecários – os primeiros centrados no acervo e os dois últimos considerando o
empréstimo e a consulta como a maior relação da biblioteca com o curso - podem sugerir
mais outra conclusão: trata-se de bibliotecas passivas, que não se antecipam à demanda,
não exploram seu potencial, configurado nos recursos informacionais locais e não
residentes. Com isto e por isto, pode-se dizer que elas estão dissociadas do planejamento
institucional, do projeto pedagógico e do planejamento das atividades

didáticas das

respectivas unidades de ensino – e vice-versa. O que se pode depreender destas duas
últimas conclusões a respeito das bibliotecas da UFBA – biblioteca espaço e biblioteca
passiva - é a compatibilidade entre elas, a convergência que apresentam; mas também há
que se considerar que: 1) embora a ação da biblioteca universitária seja centrada na coleção
física, fato que a orienta para as questões de espaço, hoje é vital que ela se capacite
também para o uso sistemático dos serviços e produtos obtidos em redes on-line ; 2) sua
missão não se restringe a rastrear, organizar e disseminar a informação, mas a dar suporte,
direta e intensivamente, para a geração de informações e conhecimentos; 3) a biblioteca
não esgota as necessidades informacionais de uma instituição, devendo, portanto, integrar
uma rede de informações, segundo propõem Tarapanoff e outros (1998).
Diante do exposto, descortina -se que a reversão daquelas forma s de atuação
(biblioteca espaço e biblioteca passiva) e a implementação das três prospecções acima
depende de mudança de mentalidade e de reformas institucionais,

requerendo um

investimento maciço, por parte da comunidade acadêmica, em relação a iniciativas como a
atualização, capacitação e titulação do pessoal das bibliotecas; criação e/ou fortalecimento

�de sistemas locais de bibliotecas universitárias, de modo que atuem de forma integrada e
harmônica, visando aos objetivos institucionais; congregação de esforços visando a um
sistema nacional de bibliotecas universitárias, a exemplo do PNBU, em níveis compatíveis
com demandas qualificadas e com elevados padrões de serviços e produtos informacionais
(tal sistema seria assistido por um colegiado consultivo, formado por ampla representação
de interesse da área acadêmica e em posição hierárquica que venha a facilitar a tomada de
decisão, o poder de coordenação e o planejamento das políticas de captação e
compartilhamento de recursos necessários e capazes de ala vancar o setor biblioteca na
universidade brasileira; oferta sistemática aos cursos de graduação e pós-graduação, e aos
grupos de pesquisa, de treinamentos específicos visando a autonomia dos usuários no uso
dos recursos informacionais; gestões junto às instâncias competentes das IES e do MEC,
visando a inclusão da temática Biblioteca e Leitura nos cursos de formação de professores
de 2º e 3º graus).
Considerando a realidade atual e as positivas prospecções feitas por Chastinet
(1990), apresenta-se como viável e oportuno fortalecer uma associação operando na
mesma linha da Association of College and Research Libraries, da ALA, como foro de
integração dessas bibliotecas e de promoção de estudos para o setor, tanto pela função que
teria, quanto pelos seguintes fatores: a) já existe um foro associativo no País com atuação
relevante, a CBBU; b) as atuais políticas governamentais evitam abrigar funções que
onerem o Estado, de modo que aguardar iniciativas por parte do Governo seria uma
expectativa vã; c) já há no setor uma massa crítica capaz de propor e gerir modelos de
bibliotecas e de sistemas adequados à nova realidade acadêmica, no que diz respeito às
demandas informacionais, às novas tecnologias, ao trabalho cooperativo e ao que elas
podem proporcionar em termos de comunicabilidade. No entanto, convém desde logo
esclarecer que a sugestão de fortalecer uma associação não exclui a busca de uma instância
governamental responsável pela formulação de políticas de sustentação e desenvolvimento
do setor biblioteca; ao contrário, o trabalho competente e independente de uma associação
poderá desempenhar uma ação profícua junto ao Governo, a exemplo da ANDIFES,
quando propôs o PAIUB ao Governo Federal.
Quanto aos instrumentos de avaliação elaborados pelas Comissões de Especialistas
de Ensino do MEC e objeto de análise neste trabalho, foram considerados inadequados e
incompletos, tendo-se que sua aplicação não revelou o desempenho da biblioteca no curso.
A impossibilidade de tais instrumentos fornecerem ao MEC e às IES um retrato real da

�contribuição das bibliotecas para os cursos, além de confirmar o pressuposto desta
pesquisa, sugere a necessidade de desdobramentos deste estudo. Com este objetivo, foi
concebida pesquisa – e encontra-se em estágio de projeto – a ser direcionada para o
desenvolvimento de um modelo e o estabelecimento de uma metodologia específica,
voltados para avaliar e planejar a gestão das bibliotecas, segundo as peculiaridades locais e
regionais, alicerçando-se nos cânones universais defendidos principalmente pela ALA e
por Lancaster.
Por oportuno, evoca-se aqui o antropólogo Luiz Eduardo Soares quando discorre
sobre a necessidades de informações qualificadas, no propósito de estabelecer e
implementar diagnósticos e políticas. Atendidas essas demandas, num contexto de
planejamento institucional, de projetos pedagógicos e de vontade política comprometida
com uma universidade de qualidade, certamente a biblioteca universitária estará
extrapolando suas funções tradicionais – de coletar, organizar e dar amplo acesso à
informação – para integrar-se a uma rede capaz de inseri-la como partícipe dos processos
de transferência de informação e de geração de conhecimentos.

***
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&lt;nlubisco@ufba.br&gt; em 7 de jul. 2000.

***
Nota: A metodologia adotada na pesquisa que deu origem a este trabalho incluiu a análise dos atos
legais e normativos do Governo Federal relativos ao tema, de 1901 a 2001, estando todos
referenciados na dissertação citada nas Referências acima sob a entrada LUBISCO, 2001.

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              <text>Destaca as características dos procedimentos e dos instrumentos avaliativos desenvolvidos pelo MEC</text>
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