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                  <text>AVALIAÇÃO CONTINUADA DA QUALIDADE DOS PRODUTOS E SERVIÇOS
OFERECIDOS PELO SIBI/USP

1

Maria Imaculada Cardoso Sampaio;

2

Maria Alice França Rangel Rebello;
3
4

Maria Aparecida Bezerra;

Maria Cristina Olaio Villela;
5

1

Célia Maria Sant'Anna

Serviço de Biblioteca e Documentação do Instituto de Psicologia da Universidade de São
Paulo - isampaio@usp.br
2
(Serviço de Biblioteca e Documentação do Hospital Universitário da Universidade de São
Paulo - sbdc@hu.usp.br
3
(Serviço de Biblioteca e Documentação do Instituto de Geociências da Universidade de
São Paulo - mbezerra@usp.br
4
Serviço de Biblioteca e Documentação da Escola Politécnica da Universidade de São
Paulo - cristina.villela@poli.usp.br
5
Serviço de Biblioteca e Documentação do Museu Paulista da Universidade de São Paulo celiasan@usp.br

�Resumo: Apresenta uma proposta de avaliação continuada da qualidade dos produtos e
serviços oferecidos pelo Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo
(SIBi/USP). A proposta visa oferecer um modelo que, uma vez implementado em nível
sistêmico, permitirá ao SIBi/USP ouvir seus clientes em relação às suas expectativas e
desejos. O motivo do estudo foi o reconhecimento da falta de um programa efetivo de
avaliação da qualidade na prestação de serviços oferecida pelo Sistema, percebido em
estudo anterior, levado a cabo por parte dos autores dessa proposta. A partir da análise de
experiências registradas na literatura e vivenciadas por colegas, propõe um modelo que
permita avaliar continuamente, de forma qualitativa, essa prestação de serviços. O modelo
sugerido baseia-se na experiência do projeto LibQual+, desenvolvido pela Association of
Research Libraries, e o instrumento de coleta de dados é adaptado do modelo SERVQUAL.
Fundamenta a proposta no paradigma atual que norteia as ações das bibliotecas, em que o
cliente desempenha um papel predominante na definição dos produtos e serviços a ele
dirigidos e no qual a qualidade na prestação de serviços é um valor que todos os serviços
necessitam providenciar.
Descritores: Avaliação da qualidade; Bibliotecas Universitárias; Serviços de informação

1 Introduçao
O evento das tecnologias para organização e recuperação da informação tem impactado
as ações das bibliotecas em geral, principalmente as universitárias. O acesso eletrônico à
informação e aos documentos vem exigindo dos serviços de informação uma re-orientação
de seus paradigmas, à medida que a abordagem dessas organizações se volta totalmente
para o usuário. Graças a essa fantástica mudança, as universidades e suas bibliotecas estão
realinhando a prestação de serviço, voltando, completamente o foco de seus objetivos para
o usuário, afinal, é ele (o usuário) o maior auditor do sistema.
Nesse contexto, os tradicionais estudos de usuários também demandaram por mudanças
e evoluíram, de simples questionários, para complexos programas de avaliação, compostos
por formulários eletrônicos, entrevistas, estudos de casos, perfeitamente alinhados com a
proposta da abordagem centrada no usuário (NAHL, 1996). Os modelos atuais de avaliação
buscam acessar qualidade nos serviços, por isso seus esforços são no sentido de medir a
percepção que os usuários têm do serviço e quais são suas expectativas, uma vez que
quanto mais se aproxima da expectativa dos clientes, maior qualidade um produto ou
serviço contém. Essa questão não está muito bem resolvida na maioria das bibliotecas, e
ainda é inquietante para muitos pesquisadores da área da Ciência da Informação. Segundo
Cullen (2000), muitas questões sobre qualidade nos serviços e satisfação dos clientes ainda
necessitam de maiores esclarecimentos, tais como:

�•

Quais pesquisas estão, efetivamente, sendo efetuadas no campo da qualidade dos
serviços e satisfação dos clientes na área da Ciência da Informação?

•

O que se pode aprender dessas pesquisas?

•

As pesquisas sobre qualidade nos serviços e medidas de satisfação dos clientes
podem ajudar as bibliotecas a se tornarem mais competitivas nesse novo ambiente
digital, retendo sua clientela?

É dessa perspectiva que o presente estudo, a partir de experiências identificadas na
literatura e comprovadas por colegas bibliotecários, propõe ao Sistema Integrado de
Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBi/USP) um modelo de avaliação continuada,
visando inserir, definitivamente, o Sistema na era atual da informação, em que a qualidade
tem valores insubstituíveis.

2 O Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo - SIBi/USP
Composto por 39 bibliotecas das diversas áreas do conhecimento, o SIBi/USP é
hoje o maior sistema de bibliotecas do país. Devido à heterogeneidade de suas bibliotecas,
o SIBi/USP, além daqueles produtos e serviços comuns às bibliotecas, particularmente aos
sistemas de informação de universidades, tais como: manutenção do OPAC, empréstimo e
consulta do acervo e bases de dados, comutação bibliográfica e capacitação do usuário,
oferece uma prestação de serviço diferenciada, de acordo com a especificidade de cada
área. Nos últimos anos, o SIBi/USP vem se empenhando na busca pela qualidade através da
constante inovação tecnológica. Moresi (2000), afirma que os sistemas de informação têm
sido desenvolvidos para otimizar o fluxo de informações relevantes no âmbito de uma
organização, desencadeando o processo de produção do conhecimento e facilitando as
tomadas de decisões, bem como sua intervenção na realidade. Sendo assim, a inserção das
bibliotecas e seus clientes no complexo mundo das tecnologias de informação, exigiu das
equipes bibliotecárias do SIBI/USP uma postura pró-ativa, uma vez que a informação,
insumo básico da era atual e motivo da existência do próprio sistema, passa a influenciar
diretamente na tomada de decisões na Universidade, através da fundamentação teórica e
prática encontrada na literatura publicada no país e no exterior. Alinhada com a missão
atual do SIBi/USP, que é "Promover o acesso e incentivar o uso e a geração da informação
para contribuir com o desenvolvimento das atividades do ensino, pesquisa e extensão",

�definida no novo modelo de gestão proposto por Colleta e colaboradores (2001, p.58), a
visão do sistema, cuja proposta é "Ser um modelo de excelência em sistema de bibliotecas
universitárias"

(p.59)

impõe,

urgentemente,

um

repensar

nos

modelos

em

vigor,

estabelecendo como um das metas a serem alcançadas a implantação de um programa de
avaliação da qualidade, que permita às bibliotecas a total adequação de seus produtos e
serviços às necessidades reais da clientela, agregando, assim, valores incalculáveis ao bem
de maior relevância disponível em todos os tempos: a informação. Sabe-se de antemão que
ignorar essas necessidades poderá se refletir em sérios prejuízos para o desenvolvimento
das atividades acadêmicas da Universidade, comprometendo o ensino, pesquisa e a geração
do novo conhecimento.

1.4 Justificativa
Ao se propor um programa de avaliação de produtos e serviços, parte-se da premissa de
que a qualidade é o julgamento do usuário em relação à excelência ou a superioridade geral
de produtos e serviços a ele destinados. Essa percepção do usuário só pode ser avaliada a
partir de um processo pré- estabelecido e padronizado para todas as bibliotecas do Sistema,
pois, embora a partir do evento da criação da Rede de Serviços do SIBi/USP - SIBiNet, o
sistema tenha se firmado como um organismo homogêneo, faltam diretrizes sistêmicas para
o processo de avaliação dos produtos e serviços ofertados à comunidade. Dessa forma, a
busca pela almejada qualidade na prestação de serviços só será efetivada mediante a
aplicação

de

rigorosos

processos

de

avaliação

que,

uma

vez

implementados

sistemicamente, garantirão a satisfação do usuário do SIBi/USP.

4 Objetivo Geral
Implementar um programa de avaliação continuada da qualidade dos produtos e
serviços oferecidos aos clientes do SIBi/USP.

4.1 Objetivos específicos
q

Identificar, na literatura e através de benchmarking, os modelos utilizados para
avaliação da qualidade dos produtos e serviços oferecidos em bibliotecas e
serviços de informação, nacionais e internacionais.

�q

Analisar esses modelos, considerando as especificidades do SIBi/USP.

q

Desenvolver metodologia que permita a avaliação continuada dos produtos e
serviços oferecidos aos usuários .

5 Produtos resultantes
q

Instrumento de pesquisa próprio.

q

Escala de mensuração do Instrumento.

q

Material de divulgação da pesquisa para uso da Biblioteca.

q

Relatórios dos resultados para divulgação entre comunidade.

q

Relatórios de avaliação para as bibliotecas.

q

Relatório de avaliação do projeto.

6 Metas
q

Definir o Grupo de Trabalho.

q

Desenvolver instrumentos de avaliação de produtos e serviços.

q

Desenvolver uma metodologia para ser aplicada imediatamente.

q

Promover Workshop com os gerentes do SIBi/USP para validação da proposta.

q

Implantar piloto da avaliação até dezembro de 2002.

q

Publicar um resumo da avaliação, tão logo a primeira dimensão seja concluída.

q

Implementar o processo de avaliação de forma continuada, após análise dos
resultados e realinhamento da proposta.

7 Embasamento teórico
A avaliação da qualidade dos serviços vem preocupando os estudiosos de várias áreas,
principalmente aqueles que trabalham diretamente com os usuários, como é o caso dos
profissionais de marketing, além de outros, responsáveis pela implementação de estratégias
para medir as expectativas dos usuários. A literatura relata os primeiros estudos sobre
qualidade dos serviços como sendo iniciados por Oliver (1980) e Gronroos (1983), que
enfatizaram a necessidade de se estabelecer estratégias para avaliação nos setores de
serviços e decisões baseadas na satisfação do usuários.
Mesmo o Poder Público, muitas vezes conhecido, em alguns setores, por sua falta de
percepção para com as necessidades de seus usuários, vem adotando novas políticas de

�atendimento. Desta forma, é assegurado, por Lei, o direito à informação, à qualidade na
prestação do serviço e o controle adequado deste serviço aos usuários do serviço público do
Estado de São Paulo (SÃO PAULO, 1999).
O primeiro modelo específico para avaliação de serviços pode ser atribuído ao trabalho
dos pesquisadores norte americanos Parasuraman, Zeithaml e Berry (1985), que
desenvolveram o modelo visando captar critérios para avaliação da qualidade em serviços.
Os critérios de avaliação, ou dimensões, foram aplicados considerando-se os gaps; que são
as diferenças entre as expectativas dos usuários e o que é realmente oferecido, uma vez que
de acordo com Parasuraman, Berry e Zeithaml (1988), os usuários avaliam a qualidade do
serviço comparando o que desejam ou esperam com aquilo que obtêm. O modelo define
cinco gaps identificados entre as expectativas e percepções dos usuários:
Gap 1 = discrepância entre expectativas dos usuários e percepções dos gerentes sobre
essas expectativas.
Gap 2 = discrepância entre percepção dos gerentes das expectativas dos usuários e
especificação de qualidade nos serviços.
Gap3 = discrepância entre especificação de qualidade nos serviços e serviços realmente
oferecidos.
Gap 4 = discrepância entre serviços oferecidos e aquilo que é comunicado ao usuário.
Gap 5 = discrepância entre o que o usuário espera receber e a percepção que ele tem
dos serviços oferecidos.
Os primeiros quatro gaps contribuem para o quinto, que é exatamente onde reside o
problema: expectativa do usuário X percepção dos serviços oferecidos. Assim, a quinta
lacuna foi estabelecida como uma função das quatro lacunas anteriores, isto é, (gap+f
[gap1, gap2, gap3, gap4]).
Mais tarde, em 1988, os mesmos pesquisadores, criaram uma escala intitulada
SERVQUAL, objetivando identificar cinco componentes da qualidade dos serviços:
confiabilidade/credibilidade, receptividade, garantia, empatia e tangibilidade. O modelo
SERVQUAL representou uma ruptura no processo de avaliação de serviços e estimulou um
grande número de estudos na área, sendo que muitas outras pesquisas refinaram o modelo
conceitual de Parasuraman e seus colaboradores.
Cook e Thompson (2000), detalham as dimensões definidas no modelo SERVQUAL:

�q

Tangibilidade (Tangibles): facilidades e aparência física das instalações,
equipamentos, pessoal e material de comunicação.

q

Confiabilidade/Credibilidade (Reliability): habilidade em fazer o serviço
prometido com confiança e precisão.

q

Receptividade (Responsiveness): disposição para ajudar o usuário e fornecer
um serviço com rapidez de resposta e presteza.

q

Garantia (Assurance): conhecimento e cortesia do funcionário e sua habilidade
em transmitir segurança.

q

Empatia (Empathy): cuidado em oferecer atenção individualizada aos usuários.

Algumas destas dimensões estão garantidas na Lei de proteção e defesa do usuário
público. Conforme a Seção III “Do Direito à Qualidade do Serviço”, o Art. 7o dispõe que
“O direito à qualidade do serviço público exige dos agentes públicos e prestadores de
serviço público”: I – urbanidade e respeito no atendimento aos usuários do serviço (...); VI
– cumprimento de prazos e normas procedimentais; VII – fixação e observância de horário
e normas compatíveis com o bom atendimento do usuário (...); X – manutenção de
instalações limpas, sinalizadas, acessíveis e adequadas ao serviço ou atendimento (SÃO
PAULO, 1999). De todas as dimensões, a confiabilidade mostrou ser o aspecto que os
usuários mais consideram ao avaliar um serviço. Naturalmente não é o determinante nas
avaliações, mas, com certeza, é a essência da qualidade do serviço (BERRY;
PARASURAMAN, 1995). Um estudo realizado pela TARP-Technical Assistance Research
Program, com mais de 400 corporações nos Estados Unidos, Japão e países da Europa,
identificou três problemas básicos em relação à mediação de satisfação dos usuários com a
prestação de serviços. O primeiro é que uma empresa ou instituição não consegue
interpretar o significado da insatisfação de seus usuários. O segundo é que são poucas as
empresas ou instituições que medem a satisfação de seus usuários, através da inclusão de
perguntas que avaliem os produtos ou serviços oferecidos. O terceiro problema é que não se
indaga aos usuários sobre os reais motivos de sua satisfação/insatisfação com o que é
oferecido. Sendo assim, conhecer o que os usuários esperam em relação ao produto/serviço
oferecido é a etapa mais crítica na prestação de serviços com alta qualidade
(GONÇALVES, 2001).

�A preocupação com avaliação de serviços vem sendo demonstrada em vários
segmentos, sendo o modelo SERVQUAL o mais utilizado. O instrumento fundamentou a
avaliação dos serviços de um empresa de construção civil, em 1994. O objetivo do estudo
era o de analisar os serviços de engenharia utilizados pela empresa. O modelo permitiu
identificar um gap em relação à receptividade na prestação do serviço, uma vez que os
usuários declaram estar insatisfeitos com os prazos de conclusão dos serviços (GUEDES;
MORGADO; QUELHAS).
Outra experiência de avaliação que utilizou o SERVQUAL é relatada por Moraes e
Lacombe (1999). Segundo os autores, a análise da distribuição de três empresas: Elma
Chips, Coca-Cola e Souza Cruz, na cidade do Rio de Janeiro, foi avaliada a partir do
modelo. O objetivo era identificar lacunas entre a percepção de qualidade e as expectativas
dos usuários que recebiam os produtos das três empresas. Os resultados permitiram
identificar gaps entre os atributos levantados, concluindo que as expectativas dos varejistas
estão aquém daquilo que é oferecido. O modelo demonstra, uma vez mais sua
potencialidade em medir qualidade na prestação de serviços.
O setor de transporte e logística também foi avaliado a partir de uma adaptação do
modelo SERVQUAL. O instrumento denominado TRANSQUAL buscava medir a
satisfação do usuário final sob a ótica do operador logístico (LIMA; FONTES; TACLA,
1996). O resultado é apresentado em termos da melhoria da comunicação entre o usuário e
na identificação das expectativas desses em relação à qualidade do serviço oferecido, ou
seja, identificados os gaps o caminho é diminuir tais lacunas, de modo a obter a perfeita
harmonia entre sistema e usuário.
O modelo SERVQUAL mostra-se robusto também na avaliação de serviços na área de
educação. Segundo Araújo (1996), a escala analisou a qualidade percebida dos serviços
prestados por organizações escolares e demonstrou ser concisa, confiável e com validade
para o estudo. O estudo mediu e comparou as cinco dimensões do modelo, considerando
qual é mais valorizada em termos da prestação de serviços em escolas públicas e
particulares. O instrumento mostrou ser adequado para levantar o índice de qualidade
percebida em suas diversas dimensões e, também, para revelar o perfil dos alunos em
relação às mesmas.

�Os serviços terceirizados prestados por uma empresa de informática também foram
avaliados segundo o modelo SERVQUAL. Na busca pela qualidade e de um melhoramento
contínuo, quer seja na tecnologia empregada em seus serviços, quer nas relações com seus
colaboradores, uma empresa que presta serviços de informática aplicou o modelo buscando
conhecer as expectativas dos usuários. Os resultados evidenciam uma perda de qualidade
após terceirização dos serviços, declarada pelos usuários, quando solicitado os atributos
sobre o serviço desejado, aceitável e percebido (SANTOS, 2001).
Voltando para o campo da biblioteconomia, Hernon e Altman (1996) empreenderam
uma pesquisa dirigida à avaliação de serviços em bibliotecas, utilizando o modelo
SERVQUAL, o estudo gerou a monografia intitulada Service Quality in Academic
Libraries. A obra apresenta a importância e oferece sugestões para a avaliação dos serviços
bibliotecários especialmente desenvolvidos para a comunidade acadêmica.
Mais especificamente para a biblioteca universitária, no Brasil, tem-se uma aplicação
do modelo em bibliotecas especializadas em odontologia. Vergueiro e Carvalho (2001)
relatam o resultado da pesquisa empreendida no Estado de São Paulo, totalizando 7
bibliotecas da Universidade de São Paulo, Universidade de Campinas e Universidade
Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho". "A pesquisa procurou identificar indicadores
de qualidade aplicáveis às bibliotecas universitárias brasileiras" (p.30). Ainda segundo os
autores, uma lista com 16 indicadores foi elaborada a partir da literatura levantada, visando
avaliar os itens: comunicação, acesso, confiança, cortesia, efetividade/eficiência, qualidade,
resposta, tangibilidade, credibilidade, segurança, extensividade, garantia, satisfação do
usuário, custo/benefício e tempo de resposta.

A análise permitiu avaliar, para cada

indicador proposto, os aspectos que são valorizados pelas diferentes categorias pesquisadas.
Os autores concluem que o exercício da definição de indicadores de qualidade constitui-se
em estratégia viável visando a qualidade de processos e serviços nos serviços de
informação de países em desenvolvimento e sugerem a realização de novos trabalhos
envolvendo diferentes áreas do conhecimento. Selecionando-se um universo de usuários
mais assíduos ao serviço de informação, os autores acreditam que, assim, o conhecimento
desses usuários quanto aos produtos/serviços e políticas adotadas pelas bibliotecas possa
contribuir para uma prestação de serviços com padrões efetivos de qualidade
(VERGUEIRO; CARVALHO, 2001).

�8 Metodologia
O motivo do estudo foi o reconhecimento da falta de um programa efetivo e
sistêmico de avaliação da qualidade dos produtos e serviços oferecidos pelo SIBi/USP.
Uma vez identificada a questão, partiu-se para o levantamento, tanto na literatura, quanto
em experiências vivenciadas por outras bibliotecas em relação ao uso de modelos para
avaliação da qualidade dos produtos e serviços oferecidos em bibliotecas e serviços de
informação nacionais e internacionais.
A etapa seguinte consistiu-se na análise desses modelos, considerando-se as
especificidades do SIBi/USP. O resultado da análise culminou na apresentação de uma
proposta, em forma de monografia, ao Programa de Administração da Inovação Científica e
Tecnológica nos Serviços de Informação - SIBi/USP - PROTAP, em agosto de 2001* .
A estratégia foi parte do processo de implementação de um novo modelo de gestão
para o SIBi/USP; aprovado pelo Conselho Supervisor, a estratégia foi repassada à equipe
"PAQ -

Programa de Avaliação da Qualidade" (Projeto 10), responsável pelo

desenvolvimento do projeto, cujo escopo é aqui apresentado.
8.1 Universo da pesquisa
Devido ao seu caráter exploratório, formam o universo da pesquisa os usuários dos
produtos e serviços das bibliotecas do SIBi/USP, independentemente de serem usuários
internos ou externos à Universidade. A segmentação deste universo encontra-se descrita na
população da pesquisa.
8.2 População da pesquisa
Para um maior detalhamento da amostra e identificação dos dados demográficos
colhidos, os usuários são primeiramente categorizados como usuários internos ou externos.
Na categoria de usuário interno, apresentam-se as subdivisões: docente, aluno de pós–
graduação, aluno de especialização, aluno de graduação, funcionário e outros. Para
usuários externos, as categorias são: docente, aluno de pós–graduação, aluno de
*

A monografia está disponível no seguinte endereço:
http://www.sibi.usp.br/gestao/proj10/10020325monografia_protap.pdf

�especialização, aluno de graduação, profissional e outros. Todas as categorias são
contempladas no formulário eletrônico de pesquisa.
Segundo Cook, Heath e Russel (2000) uma amostra de pouco mais de 10% da população
pode ser extremamente representativa, oferecendo retorno significativo, podendo ser mais
representativa que uma amostra de 50% ou 60% da população. A representatividade da
amostra garante o sucesso da pesquisa. Os autores exemplificam com as pesquisas
elaboradas por ocasião das eleições, quando uma parcela de 2.000 respondentes falam em
nome de 150.000.000 eleitores, o que significa 0.000013 do total da população. Nesse caso,
a representatividade é mais importante que o número de respostas obtidas. Entretanto,
pesquisas baseadas em formulários eletrônicos administrados via Web são flexíveis,
rápidos e apresentam baixo custo de aplicação e, considerando-se o número de pessoas que
acessam a Internet diariamente, os resultados, em geral, são satisfatórios.
8.3 Técnica de coleta de dados
O modelo para a avaliação da qualidade dos produtos e serviços do SIBi/USP é
fundamentado na escala SERVQUAL. Seu grande mérito é permitir ao usuário avaliar o
serviço, comparando o que se espera ou deseja com o que realmente é oferecido. O modelo
SERVQUAL apóia-se na definição de cinco importantes dimensões para avaliar a
qualidade: receptividade, empatia, confiabilidade, garantia, tangibilidade .
Ordenados dentro dessas cinco dimensões, os produtos e serviços são analisados da
perspectiva do usuário. As pessoas que prestam o serviço são entendidas como o elemento
chave desse processo, logo precisam ser avaliadas enfaticamente, pois influenciam em
todas as dimensões.
8.4.1 Instrumento de pesquisa
Questionários muito longos têm sido criticados por especialistas em avaliação, por
desestimularem os respondentes e, quase sempre, não serem completados. Optou-se, então,
por dividir a pesquisa em cinco etapas, contemplando-se, em cada uma, as dimensões préestabelecidas. Pretende-se com este procedimento, além de não desanimar o usuário com
um questionário muito longo, despertar sua curiosidade em relação ao próximo item de
avaliação. Conforme a dimensão selecionada, serão levantados e explicitados os
indicadores de avaliação, apresentando-se, sempre que necessário, uma descrição dos itens

�que os compõem, para auxiliar o respondente. A escala é composta por dois graus de
avaliação: o grau de importância (“o que o usuário espera ou deseja receber”) e o grau de
satisfação (“o que o usuário percebe”). Para dimensionar cada grau, optou-se por uma
escala de quatro níveis, evitando-se o uso de escalas ímpares, onde há a tendência de
centralização das respostas.
8.4.1.1 Entrevistas
A entrevista é o segundo instrumento a ser utilizado pelo PAQ, tendo por objetivo
levantar dados pontuais e locais sobre a percepção do usuário quanto à biblioteca.
Composta de apenas três perguntas, busca levantar dados sobre o que o usuário menos
gosta, mais gosta e o que mudaria na Biblioteca. Segundo Hernon e Altman (1998), estas
três perguntas são utilizadas no software Benevox® Public Satisfaction System, da
Surveytools Coorp., desenvolvido por John Whitman. A entrevista será efetuada durante
uma semana, a contar do dia seguinte à disponibilização do primeiro questionário na
SIBiNet e aplicada a uma amostra acidental, isto é, o maior número de usuários possível
deverá ser entrevistado, independentemente da categoria ou do horário de freqüência da
Biblioteca. As respostas serão tabuladas e comparadas com os resultados dos questionários
online do PAQ, servindo de parâmetro de avaliação.
8.5 Divulgação e promoção da pesquisa
Em se tratando de pesquisa com o instrumento em formato eletrônico, torna-se
necessária uma ampla divulgação para a obtenção de um número maior de participantes. As
bibliotecas e o departamento técnico promoverão uma intensa campanha convidando os
usuários para participação no processo de avaliação. A estratégia para essa chamada
contará com a utilização de outdoors dentro dos campi, cartazes afixados nas diversas
unidades, folhetos, e-mail e convites pessoais via bibliotecários de referência e atendentes
do balcão e portaria. A entrevista também servirá como uma estratégia para a sensibilização
do usuário em relação à importância de sua participação no Programa.
A partir da segunda etapa, ou seja, da disponibilização da segunda dimensão, os
resultados das etapas anteriores também deverão estar disponíveis aos usuários. Ao final do
processo será feita uma análise detalhada dos resultados de todas as dimensões

�contempladas, gerando-se relatórios específicos, para cada uma das bibliotecas avaliadas e
gerais, para envio ao DT/SIBi.

9 Considerações finais
O Programa de Avaliação da Qualidade - PAQ parte da premissa que é urgente investir
na promoção da qualidade dos produtos e serviços oferecidos pelas bibliotecas do
SIBi/USP, a partir do conhecimento das expectativas e desejos dos clientes. A avaliação de
produtos e serviços em bibliotecas e serviços de informação vem ganhando extrema
relevância, fato comprovado pelas experiências aqui relatadas. Os paradigmas atuais em
serviços de informação, assim como nos serviços de modo geral, estão focalizados nas
expectativas e desejos da clientela. Sendo assim, deixa de existir o interesse na posse do
documento e a atenção se volta para a prestação de serviços. Nunca foi tão relevante ouvir
o cliente. Nunca o cliente desempenhou um papel tão predominante na definição dos
produtos e serviços a ele dirigidos. Essa nova realidade tornou-se um desafio para os
prestadores de serviço, principalmente aos administradores de serviços de informação, que
gerenciam o insumo básico da atualidade. Nesse sentido, fica a proposta desse trabalho
como uma semente a ser disseminada nas bibliotecas do Sistema, esperando ver prosperar
naqueles que prestam serviços no SIBi/USP, o interesse em desenvolver estratégias de
trabalho inovadoras, nas quais as exigências e expectativas dos clientes sejam as premissas
básicas no gerenciamento das bibliotecas.

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              <text>Apresenta uma proposta de avaliação continuada da qualidade dos produtos e serviços oferecidos pelo Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade de São Paulo (SIBi/USP). A proposta visa oferecer um modelo que, uma vez implementado em nível sistêmico, permitirá ao SIBi/USP ouvir seus clientes em relação às suas expectativas e desejos. O motivo do estudo foi o reconhecimento da falta de um programa efetivo de avaliação da qualidade na prestação de serviços oferecida pelo Sistema, percebido em estudo anterior, levado a cabo por parte dos autores dessa proposta. A partir da análise de experiências registradas na literatura e vivenciadas por colegas, propõe um modelo que permita avaliar continuamente, de forma qualitativa, essa prestação de serviços. O modelo sugerido baseia-se na experiência do projeto LibQual+, desenvolvido pela Association of Research Libraries, e o instrumento de coleta de dados é adaptado do modelo SERVQUAL. Fundamenta a proposta no paradigma atual que norteia as ações das bibliotecas, em que o cliente desempenha um papel predominante na definição dos produtos e serviços a ele dirigidos e no qual a qualidade na prestação de serviços é um valor que todos os serviços necessitam providenciar.</text>
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