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                  <text>BIBLIOTERAPIA! ENCONTRO PERFEITO ENTRE O BIBLIOTECÁRIO, O
LIVRO E O LEITOR NO PROCESSO DE CURA ATRAVÉS DA LEITURA.
ESTAMOS PREPARADOS PARA ESSA REALIDADE?

Maria Aparecida Pardini
Bibliotecária
Divisão Técnica de Biblioteca e Documentação
UNESP/Universidade Estadual Paulista – Bauru/SP
Av. Eng. Luiz Edmundo Carrijo Coube, s/nº
CEP. 17033-360 Bauru/ São Paulo/ Brasil
ccidinha@terra.com.br
cidinha@bauru.unesp.br

Resumo:

O trabalho apresenta algumas reflexões sobre o quanto o profissional bibliotecário pode e
deve atuar em parceria com profissionais das mais diversas áreas do conhecimento.
Procura incentivar este profissional a aceitar o desafio de aplicar o seu potencial dentro e
fora da biblioteca, reconhecendo inclusive o valor da solidariedade. Investiga a atuação do
bibliotecário como biblioterapeuta, através da parceria entre profissionais, principalmente
da área médica, na recuperação da saúde física ou mental das pessoas. No Brasil, a
escassez de informações concretas sobre a prática, ainda é grande, embora literaturas
mostrem a eficiência da aplicação da biblioterapia desde os primórdios.

Palavras-chave: biblioterapia, leitura terapêutica

�Introdução

É longo o caminho a percorrermos se quisermos falar de biblioteca,
bibliotecários, biblioteconomia e até biblioterapia. Pretendemos neste texto, falar um
pouco daquilo que podemos e devemos fazer para que a nossa profissão seja melhor
conhecida e reconhecida. Afinal, somos profissionais da informação e deixamos muitas
vezes espaços para que perguntas como estas cheguem até nós: Biblio o quê?
A palavra Biblioteconomia causa, em muitos , um grande ponto de interrogação.
Ainda desconhecem o potencial desse profissional! O bibliotecário é um profissional
privilegiado por estar ligado a vários ramos do conhecimento. Sabemos que ele pode atuar
em bibliotecas, sejam elas públicas, particulares, especializadas ou gerais. Pode atuar em
empresas, indústrias, hospitais, museus, centros de documentação, editoras, rádios,
desenvolver e administrar Bancos e Bases de Dados, integrar equipes de manutenção de
Sites na Internet ou ainda exercer a profissão como autônomo.

Cabe a esse profissional, enfrentar o desafio de lançar-se no mercado de trabalho,
inclusive podendo atuar naquilo que mais lhe dá prazer. De que forma? Sendo criativo,
corajoso, batalhador! Quantas vezes em um final de semana, em um feriado ou durante as
férias lançamo-nos diante de um computador para estarmos melhor informados, buscando
atualização, através de cursos, assistindo palestras, lendo textos científicos, enfim, fazendo
tudo o que possa enriquecer os nossos conhecimentos. É a vontade e a coragem que nos
tornam aptos a enfrentar a realidade! Já ouviu dizer que nada acontece por acaso? Para
tudo há uma razão! Já recebemos tantas denominações e ainda não esgotamos a nossa
capacidade de atuação. Vamos refletir?

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE BIBLIOTECÁRIOS E BIBLIOTERAPIA

Você já ouviu falar sobre biblioterapia? Já pensou que muitas vezes
esquecemos o nosso lado humano e deixamos o profissional tomar conta do nosso dia-adia? Estamos em contato direto com informações através da leitura e não paramos para
refletir o quanto podemos entrar num estado de relaxamento através dela. Não sabemos
se alguém já perguntou para você: qual é a tua formação? Você responde: bibliotecário!
A pessoa pergunta: mas precisa cursar uma faculdade para ser isso? O que você cursou
para se formar bi- blio-te-cá-rio? Você responde: Biblioteconomia! A pessoa diz: biblio
o quê ???
Sabemos que esse profissional só tem crescido, aprimorado e conquistado o seu
espaço. Mas acreditamos que ainda podemos fazer mais! Podemos visitar os cursos de
segundo grau e divulgarmos a nossa profissão! Devemos conhecer melhor a atuação do

�bibliotecário no mundo, compartilharmos das experiências e ganharmos espaço!
Divulgarmos algo sobre a nossa profissão e sobre o nosso trabalho, através dos meios de
comunicação existentes!
Enfrentar o desafio de falar um pouco sobre biblioterapia, embora tenha pouco
embasamento teórico sobre o assunto, é gratificante! Ela pode ser aplicada em diversas
situações, inclusive para pessoas portadoras de câncer, AIDS, depressivas, portadores
de necessidades especiais, pessoas hospitalizadas, sejam elas adultos ou crianças,
sempre obtendo muito sucesso. Um dia, lendo uma revista, deparamo-nos com o tema
BIBLIOTERAPIA: que tal prescrever um bom livro para quem está deprimido,
estressado ou ansioso? É o que prega um programa criado por um grupo de médicos e
bibliotecários ingleses. Eles acreditam que a leitura favorece a reflexão: ao se colocar
no lugar dos personagens, aprende-se a lidar com situações difíceis e a aplicar isso na
vida real para ganhar equilíbrio. Ao concentrar-se em um romance, por exemplo, o
leitor identifica problemas de relacionamento similares aos dele e percebe que não é o
único a enfrentar dificuldades. Assim, se sente mais seguro e pode até mesmo
vislumbrar soluções na narrativa. (CLÁUDIA, p.116)
No Brasil, encontra-se pouca bibliografia sobre o assunto, mas gostaríamos de
fazer um paralelo das falas de alguns autores, seja de artigos de revistas, textos de
livros, dissertação ou trabalho de conclusão de curso.
OUAKNIN, (p.12) fala que a palavra “biblioterapia” não é uma novidade, já
que a encontramos no Webster International com a seguinte definição: “The use of
selected reading materials as therapeutic adjuvants in medicine and psychiatry. Also:
guidance in the solution of personal problems through directed reading ”. (“A
biblioterapia é o uso dos materiais de leitura selecionados como auxiliares terapêuticos
em medicina e psiquiatria. Também: auxílio na solução de problemas por meio de
leitura dirigida"). Podemos ver alguns aspectos através das palavras de (PEREIRA, p.
23) quando diz que as primeiras experiências em biblioterapia foram feitas por médicos
americanos no período de 1802 a 1853, que receitavam para os pacientes hospitalizados,
leitura de livros cuidadosamente selecionados e adaptados às necessidades individuais.
A partir de 1904, a biblioterapia passa a ser considerada como um ramo da
biblioteconomia. Há informações de que a biblioterapia floresceu durante o período da
primeira guerra mundial, quando bibliotecários leigos, ajudaram a construir rapidamente
bibliotecas nos hospitais do Exército. A partir da década de 20, vários artigos e
relatórios foram publicados, inclusive um que merece destaque com o título
“Biblioterapia para bibliotecários”. Sempre houve uma grande dúvida: será que
biblioterapia é “arte ou ciência”? Não sabemos! Mas sabemos que ela é discutida e
aplicada desde a antiguidade.
No livro Biblioterapia de OUAKNIN, (p.11), encontramos informações
valiosíssimas sobre o tema em questão do qual tomamos a liberdade de fazer algumas
citações. O que é um livro? O que é a leitura? O que é uma doença e que sentido dar à
palavra “terapia”. Será somente a cura? E a biblioterapia oferece à pessoa o caminho
de sua liberdade. A leitura nos dá a liberdade de imaginar para imaginar a
liberdade.[...] p.16 O que difere essencialmente entre um livro e um amigo não é a sua
maior ou menor sabedoria, mas a maneira pelo qual nos comunicamos com eles; a
leitura, ao contrário da conversa, consiste para cada um de nós, em receber

�comunicação de outro pensamento, ao mesmo tempo que permanecemos sozinhos, isto
é, continuando a usufruir do poder intelectual que temos na solidão e que a conversa
dissipa imediatamente, podendo continuar inspirados, permanecendo no pleno trabalho
fecundo do espírito sobre ele mesmo.[...] p.58, diz que a diferença entre uma
biblioterapia e uma psicoterapia é que o encontro não se dá entre um paciente e um
terapeuta, mas entre dois simples leitores, onde cada um desempenha para o outro o
papel de terapeuta.
Todas as informações enc ontradas foram de importância relevante, mas a
citação acima deixa muito claro o seu sentido, quando diz que na biblioterapia o
encontro se dá entre dois simples leitores e a importância que cada um tem para o outro.
Também, muito relevante a colocação que “o biblioterapeuta deve conhecer os livros e
os leitores e também, os efeitos de se colocar os dois juntos”.
A cura através da leitura ou o uso do livro na cura, a poesia na biblioterapia,
jogos e outras atividades, têm sido interpretados de formas diferentes por médicos,
bibliotecários, psicólogos, etc. Mas, através de algumas leituras, faz-se muito clara a
informação de que as bibliotecas hospitalares foram as primeiras nas quais o livro foi a
principal ferramenta para se conseguir determinados resultados com os pacientes.
Ainda de acordo com (OUAKNIN, p.99), na leitura, pode acontecer um
momento em que o leitor, como o próprio autor, se sente perdido. Mas essa
desorientação, esse extravio fora do caminho já traçado do saber, é a própria
experiência da vida. A “experiência da vida” não designa apenas a “experiência”, no
sentido da instrução que poderíamos ter sobre isto ou aquilo, mas o próprio fato de
estar aberto para experiências.
Sabemos que somos a soma dos conhecimentos adquiridos e essa troca de
experiência nada mais é do que colocarmos em prática no nosso dia-a-dia tudo aquilo
que aprendemos, seja ouvindo, sentindo, observando, dando ou recebendo no decorrer
da vida. Isso é crescimento!

NA BIBLIOTERAPIA, NÃO BASTA SER PROFISSIONAL, É NECESSÁRIO SER
HUMANO!

Sabemos que a história se constrói do passado. Já ouvi dizer que a nossa forma
de andar simboliza a história. Quando damos um passo, não pulamos como canguru,
mas através das pernas trazemos o passado até o presente e avançamos para o uf turo.
Com isso, ficam simbolizados os passos da história, sempre alternando entre uma perna
e outra como se arrastássemos o passado até o presente e avançássemos para o futuro.

�Quanta coisa existe desde os primórdios! O fato de acusarmos, de errarmos, de
pecarmos, se deu ainda nos tempos de Adão e Eva quando eles comeram do fruto
oferecido. Ao serem interrogados, ele culpou Eva, ela acusou a serpente de tê-la
enganado e assim sucessivamente até os dias de hoje. Sofremos influência sempre,
desde o passado até os dias presentes. Muitas coisas vêm acontecendo no decorrer do
tempo, mas muito também se perdeu pelo caminho. Nós, particularmente podemos dizer
que se perdeu calor humano.
Hoje, muito mais pessoas sofrem de angústias e depressões. Será por excesso
de informação? Será pela distância que se criou nos relacionamentos? Será por solidão?
Hoje já não se pode mais fazer uma visita sem dar um telefonema antes de perguntar se
a pessoa pode nos receber! Isso não é um ponto a ser refletido? Às vezes, a solidão bate
e as pessoas não têm coragem de procurar o colega por medo de serem inconvenientes!
Assim, a solidão toma conta do espaço deixado pela falta de uma visita.
(ADAMS, p.116) diz que o toque é um elemento essencial para a saúde. A
comunidade humana não existiria sem ele. Pense na forma como usamos a palavra.
Uma história que mexe conosco emocionalmente é “tocante” e a pessoa que se
emociona com ela fica “tocada”.Para nos aproximarmos de pessoas ou emoções nós
entramos “em contato”. Quantas vezes ficamo s ansiosamente à espera do “toque” do
telefone! O toque de profissionais da área de saúde tem um poder curativo e quase
mágico...Sempre que sua voz interior disser: “gostaria tanto de conseguir ajudar”, a
melhor coisa que você pode fazer pelo seu amigo é tocá -lo com carinho.
Nós que vivemos no aconchego de um lar onde as pessoas têm a liberdade de
chegar sem ser comunicado antecipadamente porque “as portas da casa e do coração”
estão abertas constantemente e as visitas são sempre muito bem vindas, demo-nos o
direito de fazer questionamentos como esses acima, porque sentimos que muita gente
sofre com o distanciamento das pessoas. Preservam-se umas coisas e perdem-se outras
importantíssimas! Em casa, na nossa infância, adolescência ou juventude, não havia
liberdade de abraços e carinhos através de toque físico, mas o tratamento era especial.
Preservava -se valores herdados de gerações. Preocupava-se em preservar o lado
humano, em receber as visitas com carinho... e carinho gera carinho, afeto gera afeto,
amor gera amor, calor humano gera calor humano!
Mas nas palavras de (ADAMS,. p.99) um dos fatores mais importantes para a
boa saúde é a auto-estima: gostar de você mesmo de uma forma carinhosa e sentir-se
feliz em ser quem é. Se você não aprendeu isso com seus pais ou com a sociedade,
então escute e aceite as palavras amorosas de seus amigos.

�Apaixonamo-nos pelo filme Patch Adams: o amor é contagioso e uma vez
adquirido o livro do qual temos a honra de citar alguns trechos, porque nele, vemos
muito do que já fizemos, não como profissional, mas como ser humano e é assim que
pretendemos continuar sendo e fazendo!
Às vezes, o fato de sermos consideradas comunicativas, afetuosas e carinhosas,
atrai situações difíceis e até constrangedoras. Mas é tão gratificante e compensador
saber que pode-se aliviar momentos de sofrimentos através de uma mensagem, uma
visita, um telefonema, algumas palavras amigas, uma leve massagem no ombro de
alguém que reclama estar tenso; um abraço em quem está sofrendo; algumas estórias
confortantes, que não nos cansamos em pagar o preço por ser assim. Você tem medo de
enfrentar desafios? Sempre crescemos pelo desafio! Aliás, se não fosse por eles nós não
seríamos a pessoa que somos hoje!
No livro de BUSCÁGLIA, (p.109) diz que “a pior de todas as coisas que nos
impedem de ver o que é essencial é a apatia... creio realmente que o aposto do amor
não é o ódio, e sim a apatia. Farei qualquer coisa, e qualquer coisa mesmo, para
despertar as pessoas de um estado de apatia, pois isso é pior do que a morte. Posso
enfrentar o ódio, posso enfrentar a raiva, posso enfrentar o desespero, posso enfrentar
qualquer pessoa que esteja sentindo alguma coisa, mas não posso enfrentar o nada. Se
eu tivesse de escolher entre a dor e o nada, escolheria a dor.
E fascinadas pelas palavras de (ADAM, p.13) tomamos a liberdade de mais uma
vez mencionar as comprovações que ele apresenta:

estudos bastante desenvolvidos verificaram que elementos como amor, humor,
surpresa, curiosidade, paixão, perdão, alegria, esperança, entusiasmo, dar e partilhar,
estimulam o sistema imunológico. Eles ajudam o nosso corpo a combater infecções e
estimulam células naturais que combatem o câncer e afetam a forma com que cuidamos
de nós mesmos e dos outros. Também diz (p. 106) que pesquisas médicas confirmam o
que os poetas, artistas e místicos sempre souberam: que amor, compaixão, humor,
empatia, ternura, fé, toque, criatividade e dedicação ajudam as pessoas a se sentirem
melhor. Portanto, qualquer tipo de visita é ótimo quando essas qualidades são
expressadas.
Acessando

&lt;http://www.terra.com.br/istoe/1608/1608vivabem.htm&gt;,

em

07.01.2002, encontramos o seguinte anúncio:

Livro terapia: O governo da Inglaterra está lançando um tratamento
diferente para quem sofre de stress, depressão e ansiedade: correr para a livraria mais
próxima. A justificativa é a de que um livro com histórias engraçadas, por exemplo,
ajuda a esquecer as tristezas. Da mesma forma que uma obra dramática é capaz de
apresentar personagens com sofrimentos mais terríveis que os do leitor. Os títulos
serão indicados por médicos e bibliotecários.

�Acreditamos possuir habilidades necessárias para compartilhar momentos
fáceis e difíceis e ainda... aprenderemos a ouvir mais! Falamos muito, colocamos muito
mais vírgula do que ponto. Precisamos aprender colocar mais pontos; mas, também isto
estamos aprendendo! O contato com as pessoas nos ensina muito. “Para tudo há um
tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus” (Ecl 3,1). É preciso
estarmos atentos! Sabermos reconhecer as qualidades e os defeitos, batalharmos para
não continuarmos praticando os mesmos erros e estarmos dispostos a melhorarmos
sempre.
(ADAMS, p.123) diz que há tantas coisas passando pela cabeça do paciente,
que o visitante pode prestar um grande serviço simplesmente ouvindo com atenção.
Deixe seu amigo falar à vontade. Demonstre um profundo interesse em tudo, sem
mostrar impaciência. Você não tem que dar respostas ou dizer grandes palavras de
sabedoria. Ajude seu amigo a organizar seus pensamentos e a formular as perguntas
que quer fazer para os médicos. De forma amigável, procure descobrir o que ele está
sentindo ou desejando, cuidando para não sugerir coisas que possa ameaçá-lo. Esses
momentos farão com que vocês se aproximem e construam uma intimidade gratificante
para ambos. Repare como você passa a conhecer-se melhor e a entender mais sua
própria saúde. Ouvir o outro fortalece a amizade em qualquer situação da vida.
Às vezes não conseguimos tocar as pessoas porque não falamos com o
coração. Se não estivermos praticando com amor as nossas ações, não conseguiremos
ajudar aos outros que conseqüentemente estarão nos ajudando também. O que seria de
nossas idéias ou sentimentos se não tivéssemos com quem compartilharmos?
BRYAN apud PEREIRA, p.61 apresenta uma lista de cinco objetivos: a)
evidenciar para o leitor que ele não é o primeiro a sentir o problema; b) fazer ver ao
leitor que existe mais de uma solução para o seu problema; c) ajudar o leitor a ver os
valores envolvidos na sua experiência em termos humanos; de oferecer fator necessário
para a solução do seu problema, e d) encorajar o leitor a encarar realisticamente o seu
problema.
A fé, o amor e a esperança são totalmente gratuitos e causam um impacto
curativo na vida das pessoas. Quando falamos de fé, não precisamos falar de religião,
mas é necessário que tenhamos fé, que acreditemos em melhores possibilidades e
batalhemos por elas!
João Paulo II em suas sábias palavras diz que a síntese entre cultura e fé não é
somente uma exigência da cultura, mas também da fé. Uma Fé que não se torna cultura
é uma fé que não é plenamente acolhida nem inteiramente vivida. (PASTRO)
ELSER apud PEREIRA, p.63, fala sobre duas qualidades básicas desse
bibliotecário; como primeira qualidade essencial, que o biblioterapeuta deverá
valorizar as pessoas como indivíduos e como seres humanos, mostrando-lhes interesse
e indicando que se sente fortemente motivado a ajudá -los; a segunda qualidade
essencial é a habilidade de comunicar. O biblioterapeuta deverá mostrar compreensão
e preocupação pelos sentimentos dos indivíduos e não avaliar precipitadamente as

�declarações dos outros. [...] existe outro aspecto qualitativo no processo de
comunicação, que se torna necessário: é a habilidade de ler dicas não-verbais. Tornase oportuno enfatizar que o biblioterapeuta deve conhecer os livros e os leitores e
também os efeitos de colocar os dois juntos.
Às vezes, mesmo estando entre várias pessoas, nos sentimos imens amente
sozinhos. Mas o grande poeta Mário Quintana escreveu que “O livro traz a dupla delícia
de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado”. Vamos ler, contar estórias,
falar da natureza, falar sobre sonhos, lembranças... até conseguirmos proporcionar
momentos agradáveis para quem necessita melhorar o seu estado, seja quanto à saúde, à
auto-estima, ou mesmo, coragem de buscar momentos prazerosos que proporcionem
alegria de viver. Podemos verificar pela divulgação dos livros mais vendidos que a
procura pelos livros de auto-ajuda têm crescido muito ultimamente. A clientela, são os
mais diversos leitores, independente da sua formação e da sua crença.
A partir do momento que conseguirmos nos colocar no lugar do outro, seremos
capazes de fazer por eles aquilo que gostaríamos que fizessem por nós. Temos
capacidade de amar! Vamos viver cada momento de forma que não precisemos nos
arrepender... e quanto teremos de recompensa com o retorno da nossa dedicação!
Devemos ser orgulhosos por pertencermos à classe dos bibliotecários,
profissão que nos permite atuar em constante parceria com os demais profissionais de
todas as áreas.
Atualmente, são tantas as facilidades para enriquecermos o conhecimento! Em
algumas horas de pesquisas na Internet, conseguimos nos comunicar com outros
profissionais igualmente interessados em um determinado assunto. Podemos criar uma
lista de discussão...! Podemos ainda levantar os dados sobre determinado assunto em
questão de minutos ou horas e estarmos preparados para iniciarmos uma caminhada pela
qual sonhamos encontrar o caminho. Vamos tentar?

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Depende de nós, profissionais bibliotecários, defendermos o nosso espaço!
Olhe quanta coisa podemos fazer, além de sermos classificadores, catalogadores,
disseminadores, organizadores, gerenciadores, educadores, até chamados de arquitetos
da informação, porque trabalhamos com ela nos mais variados suportes. Vamos refletir
sobre essa imensa capacidade de podermos atuar nas mais diferentes áreas.
Tomamos a liberdade de comparar o bibliotecário com uma árvore, onde do
seu tronco saem muitas ramificações, mas o fruto é único e próprio dela. A qualidade
vem do trato, a beleza vem do bom cultivo e o amadurecimento é a soma de uma longa
trajetória de comprometimento e dedicação.
Cabe aqui uma reflexão e um convite: você trabalha com a prática da
biblioterapia? Quer compartilhar as suas experiências? Sabe se há algum evento para

�capacitação dos biblioterapeutas? Sabemos que há um mural via Internet onde
bibliotecários e alunos da biblioteconomia deixam o seu recado sobre o assunto.
Fazendo a busca pela palavra biblioterapia em sites gerais, chegamos aos resultados
armazenados (em forma de recado) através dos dados colocados em um cadastro.
Devemos registrar como têm sido gratificante receber e-mail de colegas que atuam na
área, ou melhor, já é significativo o número de pessoas que buscam informações a
respeito da biblioterapia e poucas as pessoas que atuam no ramo. Isto mostra que esse
mural deve ser gerenciado por alguém! Por quem? Há reuniões? Onde? Como
poderíamos ser informados a respeito? Há informação de que a The International
Federation of Library Association (IFLA) e a American library Association (ALA)
publicaram, na década de 70, cada uma em anos diferentes, trabalhos sobre
biblioterapia. Será que existe uma forma de comunicação bastante dinâmica, seja
através de uma sala de bate-papo ou através de qualquer outro meio que facilite o nosso
encontro para falarmos sobre o assunto? Juntos, podemos dinamizar e viabilizar
encontros ou eventos para aprimoramento e troca de experiências dos profissionais
envolvidos na biblioterapia! Vamos nos atualizarmos para podermos divulgar as
experiências!
ORSANI apud BRAGHIN, 1988, p.7, declara que como a saúde física precisa ser
conservada, mediante o alimento e o exercício, a saúde psicológica também tem essa
necessidade, mediante a alimentação de símbolos afetivos: pela literatura que nos
conduz a novas fontes de fruição; pela literatura que nos faz sentir que não estamos
sozinhos em nossa miséria; pela literatura que expõe nossos problemas a uma nova luz;
pela literatura que sugere novas possibilidades e nos abre novos campos de
experiências; pela literatura que nos oferece uma grande variedade de estratégias
simbólicas mediante as quais nos tornamos aptos a circunscrever as nossas situações.
De acordo com alguns relatos, a biblioterapia é comentada há milênios,
sendo que desde o ano de 1800, encontram-se relatos primeiramente pelos médicos e se
expandindo entre psicólogos e bibliotecários, sempre crescendo até o momento. Que
bom se daqui há algum tempo ela estiver reconhecida oficialmente em Associações de
Classes e puder aliviar o sofrimento da humanidade! Somos profissionais privilegiados
por podermos atuar de forma tão grandiosa!
E o bibliotecário, assim como todo ser humano, merece e deve praticar
a biblioterapia para aliviar as suas tensões diárias. Familiarizar-se com o livro não
apenas como um objeto de trabalho, mas com as letras que formam frases significativas
e encante momentos do seu dia. Desta forma, estará ao mesmo tempo recebendo e
transmitindo experiências, que o levará num processo de crescimento mútuo, através da
leitura, gerada pelo efeito deste encontro.
Dedicamos este trabalho a todas as pessoas que corajosamente deixaram o
seu recado sobre biblioterapia e fizeram a sua parte pelo bem de alguém. Dedicamos de
forma especial para a Clarice Fortkamp Caldin, pelo brilhantismo na atuação com
crianças e por, mesmo sem nos conhecer, ter-nos incentivado, encorajado e nos feito
acreditar que possamos atuar como biblioterapeutas. Dedicamos a Marília Pereira
(mesmo que ela nem saiba da nossa existência). Aqui fica claro o quanto podemos fazer
pelo crescimento do outro. Apresenta-se aqui o “toque” emitido apenas por um saber

�que existe em algum lugar, alguém que desenvolve habilidades iguais aquelas que você
tanto almeja alcançar.
Que você seja “tocado” a entender o quanto um profissional bibliotecário
pode e deve atuar não só em benefício de si próprio mas também de alguém!

Referências

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p.99, p.116, p.123
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BRAGHIN, Patrícia Fernanda . Biblioterapia : estudo da aplicabilidade na área de
biblioteconomia. Marília: [s.l.], 1998. Trabalho (Conclusão de curso) – Universidade
Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. 41f.
BUSCAGLIA, Leo. Vivendo, Amanda e aprendendo . 13.ed. Rio de Janeiro: Record,
1982. p.109
COBRA, Nuno. A semente da vitória.
OAKNIN, Marc-Alain. Biblioterapia . São Paulo: Loyola, 1996. p.11-2, p.16, p.58, p.99
PEREIRA, Marília Mesquita Guedes. A biblioterapia em instituições de deficientes
visuais: um estudo de caso. João Pessoa: [s.l.], 1989. Dissertação (Mestrado) – Centro
de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal da Paraíba. p.7, p.23, p.61, p.63,
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Mário.
Disponível
Do
caderno
H.
&lt;http://www.releituras.com/maquicader.htm&gt; , acesso em 07.01.2002

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: Bibliotecas universitárias: espaços de (r) evolução do conhecimento e da informação.</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Biblioterapia! Encontro perfeito entre o bibliotecário, o livro e o leitor no processo de cura através da leitura. Estamos preparados para essa realidade?</text>
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              <text>O trabalho apresenta algumas reflexões sobre o quanto o profissional bibliotecário pode e deve atuar em parceria com profissionais das mais diversas áreas do conhecimento. Procura incentivar este profissional a aceitar o desafio de aplicar o seu potencial dentro e fora da biblioteca, reconhecendo inclusive o valor da solidariedade. Investiga a atuação do bibliotecário como biblioterapeuta, através da parceria entre profissionais, principalmente da área médica, na recuperação da saúde física ou mental das pessoas. No Brasil, a escassez de informações concretas sobre a prática, ainda é grande, embora literaturas mostrem a eficiência da aplicação da biblioterapia desde os primórdios.</text>
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