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                  <text>AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E
AS NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO:
AMPLIANDO OS ESPAÇOS DA COMUNICAÇÃO PEDAGÓGICA1

ISABEL CRISTINA LOUZADA CARVALHO
Universidade Federal do Espírito Santo
Departamento de Ciência da Informação
Campus Universitário – Goiabeiras
Vitória – ES 29060-900
Brasil
louzada@npd.ufes.br
ppge@terra.com.br

Resumo
Investiga se e como as bibliotecas universitárias federais brasileiras, a partir da adoção das
novas tecnologias da informação e comunicação, têm contribuído para o processo de
socialização do conhecimento. Após análise dos dados coletados via questionário,
reconhece que essas bibliotecas devem se revestir como espaços de comunicação
pedagógica para promover a cooperação entre pessoas e grupos, canalizando o potencial
das tecnologias no sentido de acelerar a socialização do conhecimento estocado em seus
ambientes, quer no tradicional, quer no virtual.

Descritores
Bibliotecas universitárias – automação
Novas tecnologias da informação
Socialização do conhecimento

1

Apresentado originalmente, em 2002, ao Programa de Pós-Graduação em Educação da
Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do título de mestre.
A presente comunicação representa apenas 10% do texto integral.

�2

1

INICIANDO UM PERCURSO

Quem de nós, profissionais envolvidos com a área de educação ou até, quiçá, os não
envolvidos, consegue conceber a educação sem que a ela esteja atrelado o compromisso de
promover mudanças, transformações, reinvenções gestadas num espaço no qual, ao invés
de se praticar a simples adaptação do indivíduo ao mundo, procura-se instigar, inquietar
esse indivíduo a conquistar seu próprio caminho?
Com certeza não há receitas mágicas, mas sim expectativas de postura e de atuação que
podem contribuir para que a informação possa ser reelaborada, construída, apropriada e
que se apresente como conhecimento. Enfim, uma prática que reconheça a importância da
intensificação das interconexões tão características do ambiente contemporâneo.
Vencer tal desafio requer a instalação e o fortalecimento de instituições, como as
bibliotecas, que enfrentam a transição da organização de estoques de documentos para
assumirem

a acessibilidade e disponibilidade da informação e que por isso precisam rever

e redesenhar ações, produtos e serviços. Agora, cabe -lhes o provimento da informação e
não somente o armazenamento e o simples informar onde essa informação está localizada.
Interconectando o conhecimento produzido por outros pesquisadores com a descrição dos
resultados de nossa investigação, esperamos estar contribuindo para que as bibliotecas
universitárias federais brasileiras (BUFB) se revistam em espaços de comunicação
pedagógica.
2

AS TRAMAS DA PESQUISA

As transformações pelas quais a sociedade passou e vem passando têm servido de cenário
para discussões cujos enfoques levam-nos a reconhecer que a capacidade do ser humano
em utilizar o conhecimento produzido e acumulado, no decorrer de sua própria história,
sempre esteve atrelada à apropriação e ao uso de diferentes técnicas que estão
representadas pela expressão que Lévy (1993) cunhou como tecnologias da inteligência: a
oralidade, a escrita e a informática, consideradas como molas propulsoras contemporâneas,
mesmo que tenham surgido em variados espaços-tempos da sociedade.
O autor deixa evidente que, de forma alguma, tais dispositivos sociotécnicos podem ser
considerados

como

representantes

de

eras

ou

como

pontos

de

inflexão,

não

correspondendo de forma simples a épocas determinadas, pois, com intensidade variada e

�3

simultaneidade, mostram-se, a cada instante, presentes em nossas vidas. Kranzberg (apud
Castells, 2000) e Lévy (1993, p. 194) argumentam que esses dispositivos não são neutros,
nem bons, nem maus, nem necessários e nem invencíveis, mas são “...apenas uma
dimensão, recortada pela mente, do conjunto do jogo coletivo, aquela na qual desenham-se
as conexões físicas do mundo humano com o universo...”.
Portanto, é preciso ter clareza de que a apropriação social dessas tecnologias, e de
quaisquer

outras,

deve

estar

articulada

a

um

projeto

social

ampliado,

pois,

necessariamente, terão que ser reinterpretadas e metamorfoseadas objetivando a interação
homem/máquina, o que irá repercutir, diferentemente, no cotidiano de cada cidadão e nas
formas de aprender, apreender e compreender o saber que lhe é transmitido.
Buscamos fundamentação teórica nas contribuições de estudiosos, como Castells (2000) e
Lévy (1993), para articular as discussões em torno das categorias novas tecnologias da
informação e socialização de conhecimento; e, em Deleuze &amp; Guattari (1995), para
construir a imagem de rizoma, como forma de organização mais apropriada às bibliotecas
universitárias no enfrentamento das transformações que emergem e modelam a Sociedade
da Informação.
Dentro desse escopo, definimos o objeto da pesquisa como constituído pelas bibliotecas
vinculadas às instituições federais de ensino superior no Brasil, englobando universidades
e estabelecimentos isolados (autarquias e fundações públicas). A pesquisa foi direcionada
para responder à seguinte questão: as bibliotecas universitárias federais brasileiras, ao
desencadearem o processo de informatização de seus serviços e produtos, estão
comprometidas em garantir a socialização do conhecimento?
Como o foco do nosso estudo envolveu a interconexão de três fenômenos – bibliotecas
universitárias, novas tecnologias da informação e socialização do conhecimento − que
trazem embutidos em sua concretização aspectos sociais, culturais, educacionais, além dos
tecnológicos, optamos por realizar uma investigação com enfoque qualitativo.
A coleta de dados envolveu a aplicação de dois questionários que, ao serem respondidos,
nos permitiram atingir a representatividade de 63,8% das BUFB e a análise desses dados
foi executada a partir de duas técnicas: tratamento estatístico e triangulação.

�4

Assim, com base nesses procedimentos teórico-conceituais, esperamos estar contribuindo
para a geração de novos conhecimentos que permitam a cartografia, a análise e a
interferência dos e nos traços constitutivos no cenário de mudanças vivido pela sociedade.
3

A TECNOLOGIA, AS BIBLIOTECAS E O CONHECIMENTO

Irreversível como a evolução do ser humano e coincidente com a sua história, a presença
da tecnologia se faz sentir desde a pré-história quando, ainda no período Paleolítico, os
hominídeos, na relação que estabeleceram com a natureza, criaram instrumentos que
tornaram sua vida melhor, possibilitando a superação dos limites impostos pela natureza,
bem como a adaptação de um ao outro (Lévy, 2000).
No

decorrer

da

história

da

tecnologia,

conseguimos

identificar,

claramente,

o

desenvolvimento e o fornecimento de condições para a abertura de novas possibilidades
pelo e para o homem, cabendo-nos discernir dentre essas possibilidades quais instituem
estratégias de libertação e dominação e quais estão impregnadas de excesso. Tal postura
exige cooperação entre os profissionais das mais diversas áreas do conhecimento científico
na busca de possíveis soluções para os reais e concretos desafios humanos, com a clareza
de que dois aspectos são importantes:
§ não se destrói totalmente o velho para fazer emergir o novo, pois o universo
cultural humano mostra a coexistência de uma variedade de espaços-tempos,
donde intuímos que a tecnologia retorna à questão instituída e propõe algo novo.
Ao desenvolvermos um novo produto, seja ele concreto, seja fluido, estamos
mostrando o resultado da bricolagem que compusemos para produzi-lo, sendo
condenável sua utilização sem que esta perpasse por uma etapa de interpretação e
metamorfose; e
§ não existe neutralidade nem autonomia no âmbito da tecnologia. Percebemos sim
a tecnologia como mediadora entre a natureza e o homem, produzindo algo
híbrido de natureza e cultura. As metas interpostas no contexto social só são
alcançadas com a interação entre tecnologia e outros elementos sociais.
Concordando com as discussões postas por Lévy (1993, p. 10-16), evidenciamos que o
determinismo tecnológico não pode fundamentar tal temática, já que certas técnicas
“...tornam possíveis ou condicionam certas evoluções culturais, ao mesmo tempo em que

�5

deixam uma grande margem de iniciativa e interpretação para os protagonistas da
história...”. Destaca, ainda, que os produtos gerados pela tecnologia “...são fontes do
imaginário, entidades que participam plenamente da instituição de mundos percebidos” e
que a simples divulgação de um novo dispositivo desencadeia um desequilíbrio no mundo
das representações e das imagens e a busca de uma nova estabilidade vem logo a seguir.
Nessa perspectiva, podemos afirmar que a tecnologia não determina nada, pois é resultado
de intercruzamentos de interpretações, que também têm que ser interpretados, o que indica
que a tecnologia condiciona, inclina, pesa, pode interditar, mas não determina.
Assim, a partir das considerações de alguns teóricos, dentre eles Lucien Sfez, Gilbert
Simondon, Cornelius Castoriadis e Pierre Lévy, importa assinalar que a tecnologia, seja no
seu estado puro, seja a que dá suporte às áreas de informação e comunicação, as chamadas
novas

tecnologias

da

informação

e

comunicação

(NTIC),

seja

a

que

usamos

cotidianamente sem mesmo percebermos que o fazemos, exige a busca de um aprendizado
constante, uma nova visão de mundo e uma disposição concreta de não retroceder, mas sim
de avançar. Isso representa estarmos atentos para compreender as transformações que
submetem nosso cotidiano a uma eterna sensação de obsolescência e desordem, em que a
experiência, a memória e a completeza são apresentadas como “estados ultrapassados”,
para não nos deixarmos levar pelos temores dos que apregoam a desrealização do real; nem
mesmo pela falácia de que as atividades tradicionais desaparecerão.
Por isso, ousamos afirmar que, com a tecnologia, e mais especificamente com as NTIC, é
possível pensar tateando, testando, simulando e construindo o conhecimento ao invés de
aceitarmos uma solução pronta e ideal.
Nessa perspectiva, precisamos reconhecer que as fases de encantamento e de
reencantamento pelas tecnologias já passaram e, se ainda não passaram, urgem
passar. Entramos, agora, na fase de assimilação e de utilização impregnada de
uma velocidade, que, às vezes, transcende nossa percepção sobre o e do
cotidiano, e de uma sensação de coletividade, conflituosa com a idéia de
unicidade, de solidão que, por exemplo, permeia as discussões sobre a
cibercultura,

espaço

no

qual

o

compartilhamento,

a

descentralização,

a

distribuição, o é nosso compõem os protocolos dos que participam desse
momento

das

sociedades

contemporâneas.Em

torno

desse

quadro,

é

�6

fundamental destacar o papel da informação e do conhecimento nas atividades da
universidade, já que ambos determinam a base de todos os seus processos,
representados pelas diferentes formas de ação sobre a informação (Cunha, 2000;
Moraes &amp; Simon, 1997). Isso implica reconhecer que, nas atividades de pesquisa,
estão caracterizadas a criação e a descoberta do conhecimento, bem como o seu
uso, diretamente acoplado ao desenvolvimento de outras tecnologias; e que, nas
de ensino e extensão, estão caracterizadas sua transmissão e socialização. Uma
outra vertente também se apresenta como relevante nesse contexto e está
relacionada com a preservação desse conhecimento, que deve estar atrelada a
atitudes que concomitantemente promovam sua visibilidade, acessibilidade e
disponibilidade, envolvendo assim a biblioteca e os canais de comunicação da
produção técnico-científica (Moraes &amp; Simon, 1997).
Tal atitude resulta do fato de ser a universidade um dos locus do conhecimento,
compelindo-a a se preocupar, em algum momento e de alguma forma, com a sua
acumulação, visando à preservação, quer no suporte tradicional, quer numa acumulação
repleta de virtualidade, obrigando-a a estabelecer espaços concretos e/ou virtuais para onde
esse saber acumulado se desloque. Nesse cenário, eis, então, a imagem da biblioteca,
instituição social mais milenar que a própria universidade, também atingida pelas
mudanças do mundo contemporâneo e que busca adaptar-se às novidades e vencer os
desafios que a sociedade lhe apresenta para que possa ser entendida numa perspectiva
múltipla, sempre aberta e adaptável, preparada para desenhar rizomas, desterritorializar
seus pontos e evoluir para uma rede de acessos múltiplos. É óbvio que a presença da
tecnologia nesse contexto é primordial.
Assim, ao analisarmos, no âmbito das BUFB, as questões inerentes à temática, foi-nos
possível cartografar o nível de informatização2 de serviços e produtos, assim distribuído:
§ totalmente informatizado: acesso à base de dados em CD-ROM e on-line
(90,7%), pesquisa bibliográfica (74,4%) e cadastramento de usuários e acesso aos
catálogos de bibliotecas de outras instituições (65,1%);

2

Destacamos os três maiores índices por nível de informatização devido àlimitação da extensão e
do formato desta comunicação no 12º SNBU (Recife, 2002).

�7

§ parcialmente

informatizado:

aquisição

de

material

bibliográfico

(48,8%),

comunicação com os usuários e recebimento de sugestões para aquisição (39,5%)
e tratamento da informação (30,2%);
§ não

informatizado:

empréstimo

interbiblioteca

(46,5%),

recebimento

de

sugestões para aquisição (37,2%) e recebimento de críticas/comentários sobre
serviços/produtos e sumários de periódicos (34,9%).
Ao pesquisarem os reflexos das NTIC nas bibliotecas universitárias brasileiras, Figueiredo
(1998), Klaes (1996) e Ramalho (1992) concluem que os serviços e produtos mais
atingidos são: consulta a catálogos e a bases de dados, tanto no suporte on-line como em
CD-ROM; pesquisa bibliográfica; tratamento da informação; aquisição; comutação; e
acesso a Internet.
Complementando essa identificação, e tomando como base outros autores, constatamos
que a maior parte considera as NTIC como elementos-chave no processo de socialização
do conhecimento, quer pelos resultados alcançados no processamento de informações, quer
pelo tempo de resposta ao serviço/produto. Apesar dessas vantagens, existem problemas a
serem vencidos, tais como: complexidade das ferramentas de busca, quantidade de lixo
recuperado nas buscas, custo dos filtros de informação, qualidade das bases de dados
institucionais. Na tentativa de evidenciar quais dos serviços e produtos elencados só se
justificam, atualmente, com o uso das novas tecnologias, constatamos que o acesso a
catálogos, o acesso a bases de dados e a pesquisa bibliográfica são os que mais demandam
o emprego de tais tecnologias.
Ao

investigarmos

os

fatores

que

influenciaram

o

processo

de

informatização,

cartografamos que, na sua totalidade, as BUFB buscaram, em primeiro lugar, melhorar a
qualidade dos serviços e produtos oferecidos, seguido de três outros fatores: agilizar
tratamento da informação e proporcionar maior controle sobre as coleções (ambos com
96,7%) e agilizar o atendimentos das demandas informacionais (93,3%). Esse resultado
está próximo do alcançado por Figueiredo (1998) e Ramalho (1992), sendo importante
frisar que a adoção das novas tecnologias, independentemente do segmento da economia
ou do ramo de atividades, vem acompanhada da previsibilidade de apresentar soluções que
aperfeiçoem a eficiência das organizações e aumentem o controle sobre o patrimônio, o
fluxo de pessoas e a movimentação de estoques. É preciso ter claro que tais fatos só se

�8

concretizam quando a informatização é acompanhada por uma criteriosa revisão dos
procedimentos aplicados na execução das tarefas (Klaes, 1996; Mercadante, 1995).
Dois outros fatores que influenciaram esse processo merecem destaque, por possibilitarem
a ampliação do acesso aos estoques informacionais: proporcionar acesso ao catálogo e/ou à
coleção de bibliotecas de outras instituições e implementar serviços e produtos em base
cooperativa interinstitucional (ambas com 80%), o que nos aproxima das conclusões
estabelecidas por Figueiredo (1998), Klaes (1996), Mercadante (1995) e Ramalho (1992).
É indiscutível que o volume de informação produzido é um dos maiores "problemas" do
mundo contemporâneo, impulsionando as organizações ligadas ao setor quaternário a
buscarem

alternativas

conseqüentemente,

no

para

agilizar

atendimento

das

o

processamento
demandas

desse

expressas

acervo,

pelos

refletindo,

usuários e na

acessibilidade ao conhecimento produzido.
Blattmann &amp; Alves (1998) e Mercadante (1995) alertam que a organização e a indexação
da informação em torno de catálogos ou bases de dados são tarefas indispensáveis em
qualquer ambiente eletrônico e que os bibliotecários devem estar atentos para essas
questões que influenciam a qualidade final dos serviços e produtos oferecidos. Assim, é
válido reforçar que não é mais suficiente estar preocupadas apenas com a recuperação das
informações armazenadas internamente, mas sim em viabilizar caminhos para acessar o
grande volume de informações disponível interna e externamente.
No ambiente da Sociedade da Informação, torna-se quase irrelevante saber o locus de
armazenamento da informação, pois acessá-la, e no menor tempo possível, é o resultado
que mais interessa aos usuários, o que significa passar a ser reconhecida pela sua
capacidade de acessar, recuperar, comunicar e intercambiar informações, agregando-lhe
valor ou até viabilizando pontos de acesso para que o próprio usuário possa ligar o seu
equipamento portátil e utilizar o sistema da biblioteca para acessar a informação que
necessita.
Entendendo que o catálogo (ou o banco/base de dados institucional) representa o estoque do
conhecimento acumulado na biblioteca, constatamos que ele pode ser acessado via redes de
comunicação de dados em 63,3% das BUFB. Ao manterem o catálogo acessível, por
exemplo, via Internet, essas bibliotecas parecem estar reconhecendo a importância de tornar

�9

público o conjunto de informações que dispõem com a possibilidade de facilitar sua
apropriação

não

extramuros

da

só

pela

comunidade

universidade/faculdade.

universitária,

Assim,

a

mas

também

conjugação

de

pela

dois

comunidade

fatores,

como

centralidade no acesso à informação e centralidade no usuário, apoiada pelo uso adequado
das NTIC, representa uma das oportunidades de a biblioteca universitária assumir a função
de socializadora do conhecimento (Miranda, 1993; Tarapanoff et al., 1996).
Procuramos também identificar variáveis consideradas como intervenientes no processo de
socialização

do

conhecimento,

tendo

sido

diagnosticado

que

pesquisa

bibliográfica

(100%); acesso ao catálogo das bibliotecas e a bases de dados on-line (ambos com 96,7%);
tratamento da informação, participação em redes de comunicação de dados e acesso ao
catálogo coletivo da biblioteca (cada item com 93,3%); e acesso ao catálogo de bibliotecas
de outras instituições, a bases de dados em CD-ROM e a bases de dados da produção
técnico-científica da própria instituição (cada item com 86,7%) são os serviços e produtos
que mais contribuem para o processo de socialização do conhecimento.
Autores como Cunha (2000), Klaes (1996) e Ramalho (1992), citando apenas alguns, são
categóricos ao afirmarem que serviços e produtos com intensiva aplicabilidade de NTIC,
como no caso de acesso a catálogos, acesso a bases de dados, participação em redes, estão
reconhecidamente incluídos como os que em maior grau facilitam a socialização do
conhecimento.
Complementando essa discussão, é possível intuir que as bibliotecas universitárias, mas
não só elas, devem nortear ações no sentido de estabelecer uma malha rizomática por onde
trafegue o estoque de conhecimento indispensável ao processo ensino-aprendizagem, ao
desenvolvimento de pesquisas e de atividades de extensão, conectando-as com outros
centros possibilitadores de acesso, reconhecendo o crescente volume de fontes de
informação e sua diversidade de suportes e formatos, sem que, para isso, rejeite as formas
convencionais já consolidadas. Ainda que as NTIC ameacem o império dos livros, as
bibliotecas, como depositárias do conhecimento produzido no decorrer da história da
humanidade, continuarão se multiplicando e mostrando, por meio de acesso on-line e da
digitalização do seu acervo, como serão as bibliotecas neste novo milênio. Na realidade, ao
se prepararem para as mudanças que estão ocorrendo nas práticas de leitura, as bibliotecas
mostram sua perenidade.

�10

O reconhecimento de que seu significado também deve mudar no ambiente universitário
vem, inclusive, da Unesco (1999, p. 73), quando declara que a biblioteca
...não é mais somente um lugar onde livros e outros materiais escritos, relevantes
para o ensino e a pesquisa, são regularmente colecionados, catalogados e
preservados. Está se tornando, cada vez mais, o centro nervoso para a interação
entre aqueles que providenciam as informações e seus usuários, dos quais o ensino
moderno e a pesquisa dependem. Juntamente com arquivos e museus, as
bibliotecas providenciam não somente um local físico, mas também um contexto
intelectual para a guarda, preservação e troca de conhecimento.

Continuando a delinear as variáveis intervenientes no processo de socialização do
conhecimento, constatamos que o empréstimo interbibliotecário é praticado por 40% das
BUFB sem que haja algum tipo de restrição quanto à biblioteca a ser atendida,
preocupando apenas o índice de instituições (26,7%) que ainda executa esse serviço de
maneira informal e, nessa informalidade, quem perde é o usuário.
Sobre esse tipo de serviço, é importante destacar duas questões: é uma atividade que
amplia

o

acesso

ao

estoque

informacional

de

outras

bibliotecas

possibilitando

o

atendimento das demandas que a biblioteca não tem condições de suprir, o que indica sua
importância no processo de socialização do conhecimento. Segundo, reforça o uso
intensivo das NTIC na fase de recuperação da informação e identificação da biblioteca.
No decorrer das últimas décadas, uma das formas encontrada pelas bibliotecas para
minimizar os problemas decorrentes do crescimento exponencial da literatura técnicocientífica e da escassez de recursos orçamentários e financeiros está representada pela
possibilidade

de

reprodução

de

material

bibliográfico

(fotocópia,

transferência

de

arquivos). As informações prestadas pelas BUFB confirmam que, praticamente, não há
restrições à reprodução de material informacional via comutação, exceto para modalidade
livros na íntegra.
Dentro desse enfoque, é importante destacar a opinião de Cunha (2000, p. 80), ao afirmar
que a comutação cresceu de importância a partir da década de 70 e que "...com o advento
da informação digital [...] deixou de ser um mero mecanismo de suprir falhas do acervo
para se transformar em uma das áreas básicas da organização bibliotecária".
Escassez de recursos humanos (93,3%), pouco investimento na biblioteca (83,3%) e a
ausência de políticas públicas para o setor (76,7%) são os três fatores que as BUFB mais
consideram como dificultadores do processo de socialização do conhecimento. Tais

�11

indicações refletem as conseqüências da política governamental que também atinge as
bibliotecas

universitárias,

principalmente

quanto

ao

desmantelamento

das

equipes

(aposentadorias, pedidos de demissão, não recomposição das equipes) e a desaceleração
dos investimentos em acervos bibliográficos, em informatização e em infra-estrutura,
confirmando a inexistência de políticas internas e externas (Klaes, 1996; Ramalho, 1992)
que possam balizar e fortalecer a atuação das BUFB. Segundo Castells (2000, p. 31), na
relação que se estabelece entre tecnologia e sociedade, é relevante entender
...que o papel do Estado, seja interrompendo, seja promovendo, seja liderando a
inovação tecnológica, é um fator decisivo no processo geral, à medida que
expressa e organiza as forças sociais dominantes em um espaço e uma época
determinados...

É importante também destacar que as bibliotecas parecem dispostas a superar diferenças
nas áreas de infra-estrutura de serviços e produtos (50%), de acervos (43,3%) e de recursos
humanos (36,7%), pois consideram esses fatores como os que pouco dificultam a
socialização do conhecimento. Isso nos possibilita inferir que essas bibliotecas parecem
estar conscientes de que a heterogênese é um desafio que pode e deve ser vencido no
ambiente da Sociedade da Informação, reconhecendo que essas estruturas são impregnadas
de diferenças, como qualquer malha rizomática, e ter habilidade e competência para atuar
nesse ambiente é de extrema importância (Deleuze &amp; Guattari, 1995).
Levando em conta as discussões de Figueiredo (1998) que evidenciam a participação em
redes e consórcios de bibliotecas como proporcionadores da socialização do conhecimento,
constatamos que tal fato é também preocupação das BUFB, pois 90% reconhecem a
relevância dessa proposta de atuação como elemento que facilita muito a socialização do
conhecimento. Além do que é importante frisar que a organização de bibliotecas,
respeitando a morfologia de redes, objetiva agilizar o acesso à informação; evitar
duplicidade de ações, serviços, produtos e acervos; maximizar o uso dos estoques de
informação; aumentar o retorno dos investimentos destinados às bibliotecas; e evitar a
posse exclusiva de estoques informacionais.
Os resultados mostram que tal tendência está consolidada, pois a totalidade das BUFB
declarou participar de, pelo menos, três iniciativas que envolvem compartilhamento de
recursos, justificando que assim o fazem para ampliar virtualmente as coleções (56,7%),
incrementar acessibilidade às coleções (23,3%) e facilitar a localização de documentos

�12

(23,3%),

o que evidencia preocupação com a ampliação do atendimento das demandas de

informação dos usuários, estritamente vinculadas à socialização do conhecimento.
A segunda razão mais destacada – diminuir custos (33,3%) –, quando vinculada à
preocupação de minimizar os efeitos das restrições orçamentárias (13,3%), indica que a
participação

em

redes

e

consórcios

de

bibliotecas

tem sua vertente econômica

perfeitamente compatível com a situação das instituições federais de ensino superior que,
cada vez mais, buscam alternativas para sobreviver diante das restrições impostas pela
política governamental para o ensino público (Blattmann &amp; Alves, 1998).
Ao analisarmos as razões que têm levado as bibliotecas a buscarem o compartilhamento de
recursos como alternativa para ampliar seu estoque informacional e seu leque de serviços e
produtos, bem como para enfrentar as questões econômico-financeiras e as transformações
advindas das NTIC, vislumbramos uma aproximação com três teóricos contemporâneos.
Primeiro, com Castells (2000, p. 497), quando discorre que na dinâmica geral da sociedade
...as funções e os processos dominantes na era da informação estão cada vez mais
organizados em torno de redes [...] [que o autor conceitua como] estruturas abertas
capazes de expandir de forma ilimitada, integrando novos nós desde que consigam
comunicar-se dentro da rede, ou seja, desde que compartilhem os mesmos códigos
de comunicação (por exemplo, valores ou objetivos de desempenho). Uma
estrutura social com base em redes é um sistema aberto altamente dinâmico
suscetível de inovação sem ameaças ao seu equilíbrio...

Segundo, com Deleuze &amp; Guattari (1995), quando difundem a imagem do rizoma, que se
configura numa de rede de interfaces, num movimento transversal, configurando múltiplos
acessos, localizando por meio da cartografia os pontos (nós) mais relevantes do espaço e
não perdendo de vista a interação entre eles.
É nesse sentido que enxergamos o compartilhamento de recursos informacionais, repleto
do uso intensivo das NTIC, ou seja: bibliotecas sem centro, sem ligações estruturais
instituídas, que se fortalecem ao unir, ao conectar suas potencialidades a outros nós
(bibliotecas) da rede, permitindo, assim, minimizar a condição estática, obsolescente e
quase inútil dos estoques informacionais que acumulam, transformando-os em “...matéria prima ativa no processo de desenvolvimento da sociedade...” (Miranda, 1995, p. 13) ou,
como afirma Figueiredo (1998, f. 10), que se conscientizem
...de que sozinha, isolada, a biblioteca, por mais perfeita que seja (esta é a visão de
muitos bibliotecários), pode muito pouco. Só com o apoio, a união, a cooperação,
o compartilhamento dos recursos, é que a biblioteca poderá atingir o ideal

�13

moderno de intermediária da informação, e não ser apenas uma pequena coleção
(todas as bibliotecas brasileiras possuem apenas uma pequena coleção).

Ao estabelecerem as características do rizoma, Deleuze &amp; Guattari (1995) destacam os
princípios de conexão, de heterogênese, de ruptura a-significante e de cartografia nos quais
identificamos

elementos

para

traçar

um

paralelo

entre

esse

conceito

e

o

de

compartilhamento de recursos infor macionais.
Assim, no princípio de conexão está contido um dos pontos fundamentais para que as
bibliotecas contribuam para o processo de socialização do conhecimento. O princípio de
heterogênese como retrato mais real das BUFB mostra-nos que as diferenças não devem
impedir o desenvolvimento de um trabalho cooperativo (princípio de conexão), que em
muito contribui para o processo de socialização do conhecimento, amenizando as
deficiências tão comuns às bibliotecas. No princípio de ruptura a-significante, está
explícito o traçar linhas de segmentaridade, o que permitirá estratificar, territorializar,
organizar

e

dar

significado

à

informação,

mas

também

o

traçar

linhas

de

desterritorialização da informação, representando o rompimento de seu território para
acessar e/ou recuperar a informação requerida pelo usuário, não importando as barreiras
espaciais e temporais. Por fim, o princípio de cartografia, representando a não adoção de
nenhum modelo estrutural para o desenvolvimento da rede de interfaces, mas sim a
possibilidade de construirmos uma cartografia dessas instituições com múltiplas entradas e
saídas e permitindo às bibliotecas modificarem-se, desmontarem-se e conectarem-se a cada
demanda informacional explicitada pela comunidade universitária.
A partir das variáveis pesquisa bibliográfica, comunicação com os usuários, acesso a
catálogos, acesso a bases de dados e acesso a redes de comunicação de dados, procuramos
definir se as práticas estabelecidas nas bibliotecas universitárias contribuem para a
socialização do conhecimento.
Ao questionarmos se a solicitação de pesquisa bibliográfica pode ser feita via Internet,
constatamos que 80% das bibliotecas universitárias assim procedem e que o resultado final
é fornecido aos usuários, preferencialmente (66,7%), nos suportes papel, disquete e
on-line. Essas tendências nos permitem inferir que as bibliotecas estão buscando
acompanhar e implantar em seus ambientes as NTIC, mas, mesmo que pareça
inimaginável, quando tratamos de universidades, as bibliotecas ainda convivem com
deficiências decorrentes da não disponibilidade concreta dos recursos indispensáveis à

�14

oferta e geração de serviços e produtos intensivos em tecnologia. Ainda contribui para
agravar essa situação a redução e o desestímulo, cada vez maior, dos profissionais e a
ausência de políticas públicas e/ou institucionais que balizem as decisões tomadas no
âmbito das bibliotecas. Tais situações também são apontadas por Figueiredo (1998) e
Ramalho (1992).
Consideramos que a socialização do conhecimento, no caso das bibliotecas, não se faz,
única e exclusivamente, com interface das inovações tecnológicas, mas é preciso
reconhecer que o volume e a localização espacial das informações requeridas e o tempo de
resposta podem ser insignificantes quando as novas tecnologias estão acopladas em seu
resultado, além de permitirem respeito à singularidade de cada usuário.
Diante dessa cartografia, consolidamos a visão que construímos sobre a universidade como
produtora e socializadora do conhecimento e a experiência que vivenciamos e também
construímos sobre suas bibliotecas.
4 TECENDO AS MALHAS PARA POSSÍVEIS CONCLUSÕES
O conhecimento, um dos elementos fundamentais à vida social, resulta do processo de
aprendizagem e é considerado como um dos fatores capaz de gerar a superação de
desigualdades,

de

proporcionar

a

agregação

de

valor,

influir

na

condição

de

empregabilidade dos indivíduos e de propagar o bem-estar. Sua produção, conseqüência de
ações coletivas, tem crescido de forma tão exponencial e desordenadamente que socializálo passou a ser um desafio tanto para seu produtor – o homem – como para as instituições
que com ele está envolvido – escolas, universidades, museus, bibliotecas, arquivos, etc.
Na Sociedade da Informação a estrutura em rede se torna viável por meio das NTIC que
representam e apresentam alternativas que não podem ser relegadas a segundo plano, sob
ameaça de sermos arremessados ao caos informacional sem que, nesse labirinto,
consigamos acessar e selecionar informações relevantes para então proceder a sua
manipulação e transformá-las em saberes úteis e prazerosos ao nosso cotidiano.
Assim, aprender a navegar, aprender a traçar linhas de segmentaridade que nos permitam
territorializar e desterritorializar a informação e aprender a tecer uma rede de interfaces
como estrutura aberta, capaz de expandir-se infinitamente, de forma dinâmica, que
suplante o espaço e invalide o tempo, têm-se consolidado como atitudes das quais não

�15

podemos fugir, sem que isso represente a aceitação de que a tecnologia determina a
sociedade ou que a sociedade determina a tecnologia.
E foi justamente por reconhecermos a penetrabilidade das NTIC no espaço da biblioteca
universitária, bem como a importância desses aparatos na organização, processamento,
recuperação e disseminação de estoques informacionais que nos propusemos a investigar a
temática em questão e a construir os saberes aqui apresentados. Afinal, mesmo
reconhecendo que parte da sociedade ainda não participa desse movimento, não há como
deixar de afirmar que estamos vivenciando e buscando gestar a construção da Sociedade da
Informação, o que nos destaca não só como usuários, mas também como produtores de
conhecimentos.
O compromisso das BUFB, com o processo de socialização do conhecimento, parece-nos
estar justificado a partir da constatação de que os produtos e serviços atingidos pelas novas
tecnologias

são,

também,

considerados

como

elementos-chave

na

socialização

do

conhecimento (Cunha, 2000; Figueiredo, 1998; Klaes, 1996; Ramalho, 1992), e nesta
pesquisa

foram

confirmados

como

facilitadores

do

processo

de

socialização

do

conhecimento. Dentre esses serviços e produtos, destacamos: acesso a bases de dados em
CD-ROM e on-line, pesquisa bibliográfica e acesso a catálogos de outras bibliotecas.
Soma-se a essas considerações o fato de tais serviços e produtos demandarem o uso
intensivo de novas tecnologias, e, praticamente, só se viabilizarem com o emprego dessas
tecnologias.

Segundo

Figueiredo

(1998),

esses

serviços

e

produtos

são

os

mais

demandados pelos usuários.
Assim, entendemos que, para cumprir seu papel, as BUFB precisam reconhecer que não
podem permanecer alheias aos valores, exigências e necessidades de uma sociedade que
busca, cada vez mais, precisão, eficiência, simplicidade e personalização na informação.
A crença na adequabilidade da imagem do rizoma ao conjunto das BUFB vem apoiada no
fato de que, diante dos desafios postos pela Sociedade da Informação, é preciso encontrar
alternativas que eliminem o isolamento e a sensação de auto-suficiência no atendimento de
demandas verificadas nessas organizações. Entendemos ser preciso estabelecer uma
complexa malha de pontos de informação e comunicação que se interliguem e interajam no
compromisso de disponibilizar a informação demandada. Cada nó dessa malha pode ser

�16

representado por uma biblioteca que permite conexões a outras bibliotecas, que trazem
conexões a outras e assim infinitamente, sem que esse movimento necessite de um ponto
central e específico.
Nesse movimento de ir e vir, de desterritorialização, as NTIC são peças-chave permitindo
oferecer um vasto universo bibliográfico para qualquer usuário, em qualquer espaço, a
qualquer tempo. Esse fato projeta as BUFB como um lugar para compartilhamento do
conhecimento produzido, a base do processo de cooperação social, sem que nenhuma delas
seja superada como gerenciadoras do conhecimento acumulado. Muito pelo contrário,
sempre presentes, a postos, para reativar de forma intensa seu estoque informacional.
A análise dos fatores intervenientes no processo de informatização reforça a assertiva do
envolvimento das BUFB na tarefa de socialização do conhecimento, tendo como base o
fato de que as NTIC possibilitam às bibliotecas tratar com rapidez e precisão, armazenar
numa estrutura lógica, e recuperar de forma racional e ágil um volume considerável de
itens informacionais.
O desenvolvimento desses processos impõe aos bibliotecários o domínio de saberes que
permitam tratar tal volume de informações de forma que sua recuperação seja presencial
ou a distância, por exemplo, via Internet, selecionar informações pertinentes de modo a
vencer as barreiras do espaço e do tempo e gerenciar esse estoque informacional com uma
política de serviços e produtos compatível com o perfil dos usuários. Enfim, reconhecemos
que a responsabilidade das BUFB com a socialização do conhecimento compreende tanto a
informação disponível nos suportes e formatos tradicionais como nos eletrônicos, bem
como as opções de acesso que não devem ser restritas ao estoque de informação
armazenado especificamente num espaço físico, mas também disponível no ciberespaço
(Cunha, 2000; Figueiredo, 1998; Mercadante, 1995; Miranda, 1993).
Por entendermos que contribuir com a socialização do conhecimento deve ser uma das
ações prioritárias de qualquer biblioteca, independentemente da tipologia, concluímos, ao
analisar duas das categorias de nossa pesquisa – socialização do conhecimento e serviços e
produtos possibilitadores da socialização do conhecimento – que as BUFB mostram-se
engajadas nesse processo.

�17

É possível afirmar, sem nenhum receio de erro ou de exagero, que uma das alternativas
disponíveis para que as bibliotecas possam vencer os desafios presentes no contexto da
sociedade contemporânea está representada nas ações que buscam o compartilhamento de
recursos informacionais. Muitos são os autores que enfatizam que a auto-suficiência na
formação

e

processamento

de

estoques

informacionais,

na

disponibilização

e

no

provimento de itens de informação e na composição de equipes, é coisa do passado e que o
compartilhamento de recursos não é apenas mais uma opção, mas sim uma necessidade
inquestionável, concretizando-se e recebendo um novo impulso a partir da implantação das
NTIC, principalmente na construção de bases de dados (referencial, de resumo ou de texto
integral), de catálogos coletivos, dentre outras opções.
Posto isso, reconhecemos, nessa forma de ser e de fazer das BUFB, os movimentos
traçados pelos princípios que caracterizam rizoma. Conexões devem ser estabelecidas,
diferenças passam a ser irrelevantes, fios condutores de ações devem ser lançados, linhas
de desterritorialização desenhadas e uma cartografia configurada com múltiplos acessos,
de forma que o conhecimento armazenado em seus

ambientes seja socializado,

contribuindo para uma educação que se proponha reflexiva e crítica e uma sociedade mais
digna.
Precisamos abandonar a percepção e, mais do que a percepção, a prática de centrar a
biblioteca em sua própria organização, de oferecer serviços e produtos já preparados e
testados na perspectiva somente do bibliotecário, como algo imutável ou passível apenas
de pequenas adaptações. Se pretendem atender às expectativas, às necessidades e aos
desejos de seus usuários, ou seja, de reconhecê-los como elemento norteador de suas
atividades, as BUFB precisam começar por mapear as características e demandas desses
usuários, aceitando o ponto de vista deles como o que prevalece na definição da política de
serviços e produtos.
Com a clareza de que vivenciamos um momento de extrema singularidade, resultado das
transformações gestadas nos cenários educacional, social, econômico e tecnológico,
transformações essas que ainda não se esgotaram e tendem a não se esgotar, até porque
novas estruturas, novos meios e novos conteúdos vão se mesclando aos que já estão
consolidados, é que concluímos que nossas bibliotecas devem interpretar como cenas do

�18

passado as cenas que as focalizam como instituições centradas em si mesmas, bem como
as que pretendem as NTIC apenas como ferramentas para informatizar.
Urge que tais figuras sejam substituídas por significações que indiquem as bibliotecas
como
§ provedoras de acesso à informação;
§ imbuídas da responsabilidade de mapear e atender às necessidades e intenções de
seus usuários;
§ dotadas de equipes para atuar em diferentes ambientes informacionais; e
§ usuárias de inovações tecnológicas como ampliadoras do campo de possibilidades
para acesso a estoques informacionais dispersos.
Enfim, a cena cartografada está representada pelo mapa do Estado brasileiro.
Cada unidade da federação, representando as instituições federais de ensino superior nelas
sediadas, simboliza os nós tramados pelas linhas de segmentaridade que saem em busca de
itens informacionais, demonstrativos das demandas dos usuários. Quando rompidas essas
linhas, como conseqüência do não provimento da informação requerida, novas linhas
emergem sem que esse movimento indique o isolamento desse nó, pois, como num rizoma,
não há começo nem fim, mas um meio que permite crescimento e transbordamento. Ele
brota de todas as direções e se desenvolve com a adição de elementos independentes e com
a construção de novas conexões.
Assim posto, as BUFB devem se revestir como catalisadoras, como espaços de
comunicação pedagógica para promover a cooperação entre pessoas e grupos, canalizando
o potencial das novas tecnologias, no sentido de acelerar a socialização do conhecimento,
produzido ou não no âmbito das universidades, que está estocado em seus ambientes, tanto
no tradicional como no virtual, o que evidencia um contínuo repensar de papéis e a
responsabilidade de promover um constante redimensionamento de ações, serviços,
produtos, espaços e equipes direcionados a usuários que não devem ser mais apenas
passivos utilizadores de algo idealizado por outrem, mas produtores e consumidores de
informação

e

conhecimento,

produtores

e

consumidores

de

novas

tecnologias,

consumidores de serviços e produtos de informação planejados a partir de suas
necessidades.

�19

Essa é nossa utopia, não no sentido de algo impossível, mas como um sonho ao qual nos
entregamos e pelo qual lutamos, de corpo e alma, para ver realizado numa ação
instituinte.

5 REFERÊNCIAS
BLATTMANN, U.; ALVES, M. B. M. Organizações virtuais da informação. 1998.
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�20

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UNESCO. Política de mudança e desenvolvimento no ensino superior. Rio de Janeiro:
Garamond, 1999.

Abstract
Checks how and wether Federal Public University libraries from the use of new
information and communication technologies have contributed to the socialization process
of knowledge. After analysis of collected date through questionaire, recognize that those
libraries should be coat like educational communication spaces to promote cooperation
among people and groups, leading the new technology of information and communication
with the objective of speeding up the knowledge socialization present in its tradicional and
virtual environment.

Keywords

University libraries – automation
New information technology
Knowledge socialization

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Documentação&#13;
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              <text>Investiga se e como as bibliotecas universitárias federais brasileiras, a partir da adoção das novas tecnologias da informação e comunicação, têm contribuído para o processo de socialização do conhecimento.</text>
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