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                  <text>INFORMAÇÃO &amp; CRIATIVIDADE SOB O PRISMA ORGANIZACIONAL DAS
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: ESTRATÉGIAS DE SOBREVIVÊNCIA.
Edna Gomes Pinheiro
Universidade Federal da Paraíba-Brasil
ednapi@bol.com.br
Maria Isabel de Jesus Sousa
Universidade Federal da Bahia-Brasil
isasousa@ufpb.br

Discute a informação e a criatividade no contexto organizacional das bibliotecas
universitárias, instituições que muitas vezes, ao envolver seus profissionais em múltiplas
exigências, oprime o potencial criador e bloqueia as possibilidades de busca intelectual no
processo de criação. Enfatiza a informação e criatividade como práticas sociais, fenômenos
imprescindíveis para o desenvolvimento do capital humano das bibliotecas universitárias
inseridas numa sociedade que valoriza o não-pensar e bombardeia o homem com um fluxo
de informação excessiva, levando-os a cumprir normas convencionais em detrimento de
descobertas e da autoconfiança para superar os desafios. Afirma que as organizações
(bibliotecas, museus, bancos, hospitais etc.) só serão bem sucedidas se levarem em conta
que a informação e a criatividade são agentes de transformação do capital intelectual e das
estruturas sociais. Apresenta referenciais para reflexão e discussão com relação ao
processo criativo caracterizado pela necessidade de informação, ou angústia do indivíduo
em solucionar problemas e de encontrar caminhos nos espaços informacionais.
Palavras-chave: Informação, criatividade, Bibliotecas universitárias.

1 INICIANDO NOSSA CONVERSA...

“É precisamente a atividade criadora do homem que faz dele um
ser projetado para o futuro, um ser que contribui para criar e
modificar seu presente.”
(Vygotsky)

Esse pensamento, é em essência, o fio condutor que singulariza esse trabalho, visto que o
homem no exercício dos seus atos e no compreender-se dentro dele exerce o seu potencial
criador, construindo e criando em todo o seu fazer. Nesse processo transforma a natureza e
se transforma também. Assim, não somente percebe as transformações como sobretudo

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nelas se percebe em razão das múltiplas possibilidades humanas de ser, de agir e de criar.
Essa percepção de si dentro do agir, se configura como uma premissa básica da criação.
Movido por necessidades concretas o potencial criador do homem surge na história como
um fator de realização e constante transformação, pois desde os primórdios da humanidade
o homem surgiu dotado de um dom singular: mais do que fazedor, é um ser formador,
capaz de estabelecer relacionamentos entre os múltiplos eventos que ocorrem dentro de si.
Associando os eventos, o homem os configura em sua experiência do viver e lhes dá um
significado. Nas perguntas que faz ou nas soluções que encontra, ao agir, ao imaginar, ao
sonhar, sempre o homem relaciona e forma . Corroborando com essa asseveração Ostrower
(1987, p. 12), afirma:

nossa vida
Andando, o
redor de si.
criada, cada
viver.

Por isso,

é um longo caminho que, bem sabemos, se faz ao caminhar.
indivíduo configura o seu caminhar. Cria formas, dentro de si e ao
E assim como na arte o artista se procura nas formas da imagem
indivíduo se procura nas formas do seu fazer, nas formas do seu

diante das diferentes situações e contextos, o homem costuma exibir a face

padronizada de sua personalidade e ao enfrentar obstáculos tenta

superá-los, buscando

energias, influências e habilidades disponíveis em seu raciocínio. Na busca desses recursos
e procedimentos que os leva ao inusitado, depara-se com a informação e a criatividade.
Informação compreendida como articuladora de sentidos: estruturas significantes com a
competência de gerar conhecimentos no indivíduo, em seu grupo ou na sociedade.
(BARRETO, 1996, p. 406), e criatividade entendida como potencial inerente ao homem,
fenômeno universal passível de desenvolvimento e que necessita de determinadas
condições sociais e culturais para se manifestar (FARIA; ALENCAR, 1996, p. 50).
Isso posto, percebemos que a relação informação &amp; criatividade por ser bastante discutida,
é vista como portas que vão se abrindo uma após outra, mostrando sempre novos
horizontes e novas perspectivas para o ser humano que vive no meio da mais profunda e
acelerada revolução desde a invenção do machado de pedra. Estamos assim diante de uma
intrigante porta com a qual o homem jamais se deparou e que na concepção de Nicolau
(1998, p. 117) “ se abre para a complexa e poderosa força da natureza, o poder criador da

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mente humana, surgida talvez para realizar o que a própria mente ainda não descobriu - e
cuja a chave está escondida em algum lugar dentro dela mesma.”
À luz dessas considerações direcionamos o enfoque deste texto não só para o papel que a
informação desempenha na construção do mundo interior do ser humano e das suas
relações com o mundo exterior, mas também, para o ser humano e o seu potencial criador ,
na perspectiva de que o homem se desenvolve num contexto social, em cujas necessidades
e valorações culturais se moldam os próprios valores da vida. Na verdade, criar &amp; viver se
interligam. Informação &amp; criatividade se integram, dissociá-las corresponde a um ponto
de vista fragmentado da

construção de novos referenciais para as organizações que

primam pelo desenvolvimento do potencial criativo do seu capital humano.

Justificativas, portanto não faltam para direcionar essa questão para os cenários
informacionais,

visto

testemunharmos

quão

comum

tornou-se

para

as

bibliotecas

universitárias, explorar várias alternativas, principalmente as menos ortodoxas, de
modernizar-se e globalizar-se. Informação &amp; criatividade tornaram-se tema relevante para
empresas que frente aos cenários de intensa competição, turbulências e mudanças
profundas precisam promover estratégias para responder aos desafios e empasses
organizacionais. Precisam criar meios que, de fato, habilitem as pessoas e permitam a
expressão de seu potencial criativo para atuarem num cenário dinâmico, competitivo,
complexo e globalizado.

2 INFORMAÇÃO &amp; CRIATIVIDADE: INSTRUMENTOS GERADORES DE
SINERGIA NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

“É a energia que transforma miséria em prosperidade,
estimulando agrupamentos a gerar saber e, no final, renda; é, em
essência, a aplicação da tecnologia social guiada pelo sentimento
de solidariedade e responsabilidade.”
(Ester Freitas)

As transformações que se expandem desenham um cenário marcado por incertezas e riscos
que desafiam a criação de novas e melhores formas de responder aos obstáculos e

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problemas da realidade. A capacidade de se adaptar às violentas mudanças técnicopolíticas tornou-se o principal atributo de sobrevivência para o ser humano que vive numa
época em que as organizações, os sistemas e os processos de massificação esmagam o
potencial criador do homem, obrigando-o a questionar tanto a missão, o estilo e as
estruturas das organizações, quanto o próprio sentido da vida humana.
Esse fato é ainda mais grave quando percebemos que as organizações, muitas vezes, para
alcançar os seus objetivos da maneira mais eficaz, concentra-se com maior ênfase nos
recursos que lhes são mais

imprecisos e escassos, em detrimentos daqueles mais

necessários e eminentemente dinâmico - os recursos humanos. Isto, mostra-nos uma forma
estreita e limitada de pensar à organização, porque as pessoas têm o patrimônio de criar,
característica indispensável que estimula à consciência global e o despertar de uma nova
geração de idéias e concepções que influenciam o desempenho e a eficácia da organização.
Essa questão aguça nossa sensibilidade e nos faz percorrer a cartografia desse vasto
território temático na tentativa de entrelaçar pontos vistas que reconheçam a informação e
a criatividade como recursos básicos das organizações.

Criar é, basicamente formar.

Abrange, portanto, a capacidade de compreender; e esta por sua vez, a de relacionar,
ordenar, configurar, significar. Surge da necessidade da vida e do trabalho, movida por
sentimentos os mais peculiares que são experimentados e cultivados pelo homem no
decorrer da sua existência. Os mitos que envolviam a criatividade foram se apagando
através dos tempo, deixand o nos antever que

ela manifesta-se, principalmente no

pensamento flexível, aberto e natural.
O cérebro humano, segundo De Bono (1994), é um dispositivo que permite que as
informações

cheguem a mente humana e se organizem em padrões.

Nós estabelecemos

esses padrões em amplas áreas e criamos as estruturas mentais temporárias formadas pela
seqüência das experiências que vivenciamos, o que permite à mente humana encontrar ou
construir outras seqüências possíveis e ainda não experimentadas. Isso resulta em
configurações novas e até inusitadas que levam o ser humano avançar, percebendo sinais
de que os seus limites são superáveis e que é preciso romper com o preestabelecido para
descobrir meios reais de superar limitações e de driblar o pensamento racional, a fim de
imaginar alternativas que revelem novas perspectivas e estimulem o processo criativo.

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Nessas condições, não é de se estranhar que a essa crença ousa destruir as possibilidades de
renovar, criar e inovar, visto que no fazer e no configurar do homem confrontam-se dois
pólos: a criatividade que representa suas potencialidades de um único ser, e sua criação
que será a realização dessas potencialidades já dentro de uma determinada cultura, portanto
não podemos dissociar a

criatividade do níveis ind ividual e social da existência humano.

A criatividade e a racionalidade constituem as duas faces da mente humana. Enquanto o
pensamento proveniente do hemisfério esquerdo do cérebro é racional e linear, porque está
sob o domínio do intelecto, cuja função é medir e classificar tudo o que encontramos ao
nosso redor, o hemisfério direito, é intuitivo, artístico, e pouco estimulado.
A criatividade, portanto, rompe com os caminhos estabelecidos pelo pensamento formal,
estimulando o hemisfério direito do cérebro o que resulta nos que os estudiosos chamam de
insight, pensamento divergente, pensamento lateral, iluminação. A criatividade revela
novas perspectivas ou pontos de vistas diferentes, permitindo que se volte ao caminho
principal com aspectos renovados e, consequentemente com maiores possibilidades de
sucesso. Mas, como manifestar a criatividade senão nas diferentes maneiras que
encontramos de lidar com as adversidades? Nossa racionalidade é responsável pela prática
de nossa existência, todavia, no momento de repensar o mundo, renovar as idéias, dar o
salto qualitativo que nos tornará inovadores, precisamos romper com o pensamento linear
para sermos criativos.
Para a compreensão do pensamento criativo faz-se necessário descortinar o significado do
termo criatividade na visão de estudiosos de áreas distintas. Para aqueles ligados às artes, a
criatividade está intimamente relacionada à capacidade de compreender, de relacionar, de
configurar, de significar que o ser humano possui enquanto ser formador (OSTROWER
apud HEXEL, 1996, p.33). Na área de propaganda, publicidade e marketing, o termo é
designado como “processo de produção pelo qual uma pessoa produz um maior número de
idéias, pontos de vista, hipóteses, soluções, opiniões originais e eficazes do que as demais
pessoas, num espaço mais curto de tempo a criatividade” (GALVÃO apud HEXEL, 1996,
p.34). Ou ainda “atividade mental organizada, visando obter soluções originais para
satisfação de necessidades e desejos”. (MASLOW apud HEXEL, 1996, p.34).

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Diante dessas concepções é válido afirmar que o processo criativo assume características
distintas de acordo com o campo de atuação de cada um. Nas variadas formas de artes o
termo é mais facilmente visualizado enquanto ato criativo, sem a conotação de solução de
uma situação-problema. Já em uma organização é comum incentivar a descoberta do
potencial criativo que existe dento de cada membro, a fim de despertar a capacidade de
encontrar soluções variadas para problemas distintos que se apresentam no dia -a-dia.

É mister esclarecer que encontrar uma solução nem sempre significa uma criação genuína,
as vezes é só uma maneira diferente de encarar as coisas. É repensar as situações visando
dinamizar as atividades realizadas, buscando ao máximo a promoção da satisfação pessoal
e institucional, pois de acordo com De Bono (1970, p.82) “nenhum modo de ver as coisas é
tão sagrado que não possa ser reconsiderado. Nenhum modo de fazer as coisas está livre de
ser aperfeiçoado”, ou seja, lançar um novo olhar sobre algo que parece pronto e acabado.
Nem sempre é fácil perceber uma situação anômala, uma vez que é melhor aceitar uma
idéia organizada que faz sentido do que duvidar dela e dar-se ao incômodo de buscar novas
alternativas. Um problema, definido por De Bono (1970, p.80) como sendo “uma situação
que requer uma resposta e esta não deve ser óbvia”, exige dos sujeitos envolvidos um
reconhecimento de tal situação-problema e uma disposição de usar o potencial criativo
existente para descobrir respostas/soluções. Existem determina das situações, nas quais os
problemas não são facilmente identificados que exigem um maior esforço no uso do
pensamento criativo do que em outras onde as anomalias são reconhecidas prontamente.

O homem contemporâneo é submetido cotidianamente a um volume excessivo de
informações advindas das transformações tecnológicas que se operam no bojo de todos os
setores das organizações sociais. Diante dessa nova realidade, enfrenta os desafios de
constantes mudanças de padrões e de novas exigências sociais frente ao dinâmico contexto
informacional, no qual a velocidade com que circulam as informações por vezes
determinam o sucesso de um empreendimento, exigindo o uso continuo do seu lado
criativo como elemento determinante para a eficiência de seu desempenho profis sional. O
fenômeno informacional que se observa a partir de então, provoca mudanças substanciais
nas relações humanas como um todo.

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Nessa perspectiva, teóricos de áreas distintas buscam compreender a informação a partir
dos respectivos campos do conhecimento, numa tentativa de explicar o processo
informacional. Assim, a informação ganha concepções diferenciadas a depender do ponto
de vista em que é enfocada.

Na visão de Wersig (1971) a informação é um redutor de incertezas; Shannon (1975) a vê
como uma medida de probabilidade; Brookes e Belkin (1978) a compreende como um
potencial transformador da estrutura do conhecimento. Assim, para esse autor, a
informação pode ser entendida sob quatro pontos de vista distintos: como um recurso, onde
gerador, receptor e mensagem são vistos como entidades isoladas; como mercadoria, à
medida que agrega um valor econômico; como um redutor de incertezas, quando aplicada a
determinada questão cognitiva e como fator de construção social.
Autores brasileiros como Barreto (1994), Gomez (1987), Marteletto (1987) e Araújo
(1998), tendem a considerar a informação como um fator de mudança na estrutura do
conhecimento dos sujeitos da ação. Nessa perspectiva, Barreto (1999, p.168) conceitua a
informação como “[...] conjuntos significantes com a competência e a intenção de gerar
conhecimento no indivíduo, em seu grupo ou na sociedade.” Na concepção do autor, a
informação sendo assimilada pode modificar a consciência do homem e de seu grupo,
proporcionando melhorias na convivência dele consigo mesmo e dele com o meio social
no qual está inserido (BARRETO, 1994).

Para Marteletto (1987, p.179), a informação é “um fator de mudança e não de manutenção
de estruturas”, que ocorre nas relações sociais cotidianas, políticas e científicas. Seguindo a
mesma linha, Araújo (1998, p. 16) entende a informação como um fator de mudança capaz
de transformar estruturas cognitivas individuais e coletivas. Gomez (1990, p. 119), amplia
essa reflexão considerando que

[...] uma prática ou ação de informação implica, além de ‘competências’
lingüísticas, outras ‘competências’ cognitivas e comunicacionais sempre
particularizadas no exercício dos atores sociais que as praticam sob as regras das
lógicas sociais de solidariedade ou de conflito.

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Ao referir-se a outras competências a autora nos permite inferir que a criatividade está
situada como um elemento da cognição e como tal é um fator humano

de fundamental

importância, disponível em toda e qualquer organização. Nota-se que informação &amp;
criatividade são potenciais intrinsecamente relacionados à capacidade de comunicação do
ser social. Ambas podem ser compreendidas como práticas sociais uma vez que permeiam
as relações estabelecidas entre sujeitos inseridos num contexto sociocultural, que definem
os valores, crenças e modos de pensar.

Atualmente há uma tendência de valorizar esses potenciais. O que se observa é que cada
vez mais empresas tendem a buscar profissionais para alocar em seus quadros que
demonstrem ter um potencial criativo para lidar com situações diversas; que possam ter a
capacidade de dar respostas rápidas para a solução de problemas.

3 QUANDO CRIAR É FAZER: INFORMAÇÃO &amp; CRIATIVIDADE, ROMPENDO
LIMITES NOS CENÁRIOS INFORMACIONAIS

“ O ato de pôr meu trabalho no papel, de pôr a mão na massa,
como se diz, é para mim inseparável do prazer da criação. No que
me diz respeito, não consigo separar o esforço espiritual do
esforço físico e psicológico; para mim eles estão no mesmo nível e
não obedecem a nenhuma hierarquia.”
(Stravinsky)

Iniciando nossas considerações com esta citação, compreendemos o cenário informacional
como um espaço onde a informação e a criatividade humana devem ser valorizadas, como
recursos que desafiam a capacidade de entender, aprender e fazer das pessoas. Um espaço,
onde liberdade, integração, valorização das pessoas, responsabilidade e auto-realização
contribuem para a construção do processo de cidadania que priorizam o conhecimento e as
práticas sociais emancipatórias, delineando estratégias de democratização da produção e do
acesso a informação.

Isto posto, percebemos razões significativas para a biblioteca universitária investir no
desbloqueio da criatividade do seu capital humano. Para tanto, é necessário criar condições

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que favoreçam um ambiente de trabalho criativo que impulsione a construção de um saber
pessoal e profissional e fomente o aprendizado. Nessa linha de raciocínio Alencar (1996,
p.3) afirma: “ a criatividade é resultante mais de condições sócio-organizacionais que a
empresa pode proporcionar aos seus membros, do que de predisposições unicamente
individuais.”
É importante salientar que informação &amp; criatividade sempre existiram enquanto
potenciais no contexto social. O que parece novo nessas práticas é o enfoque que a
sociedade atual vem dando em função da valoração da informação enquanto instrumento
determinante que mobiliza o mundo globalizado, onde a velocidade de processamento dos
dados movimenta a dinâmica da sociedade moderna. A utilização do potencial criativo do
homem vem atender a lógica do mercado global que exige não o saber fazer, mas as
diversas possibilidade que podem ser oferecidas desse saber.
A partir dessas considerações, podemos afirmar que são muitos os modos de pensar e falar
sobre informação &amp; criatividade , pois ambas são referenciadas nos diversos campos do
conhecimentos humano, o que vem a confirmar que as organizações (bibliotecas, museus,
bancos, hospitais etc.) só serão bem-sucedidas se levarem em conta que a informação e a
criatividade são agentes de transformação dos homens e das estruturas sociais, são criações
humanas, temas que não têm fronteiras que somente poderão ser vistas num sentido global,
como um agir integrado em um viver humano. De fato, viver &amp; criar se interligam. Criar &amp;
fazer, rompem os limites.
Nesse sentido, informação &amp; criatividade podem ser compreendidas como práticas sociais,
fenômenos imprescindíveis numa sociedade que muitas vezes, valoriza o não-pensar e
prepara os indivíduos para o cumprimento de normas convencionais em detrimento da
busca de descobertas, do enfrentamento do desconhecido e da autoconfiança para superar
os desafios.

4 ABRINDO NOVOS
INFORMACIONAIS

ICONES

PARA

CRIATIVIDADE

NOS

CENÁRIOS

“O que chamamos de começo é, quase sempre o fim. E atingir um
fim é atingir um começo. O fim é o ponto de onde encetamos

�10

jornada. E toda a expressão e sentença corretas (onde cada
palavra, em seu justo lugar; assume posição para apoiar as outras.
Cada locução, cada frase são um fim e um começo.”
(Eliot)

A atual sociedade da informação para alguns e do conhecimento para outros, vem impondo
ao ser humano uma série de desafios frente as mudanças decorrentes de inovações
tecnológicas que ocorrem em todos os setores da vida social moderna. Tais mudanças
fazem com que os sujeitos sociais busquem novas formas de resolver questões que lhes são
postas na vida cotidiana, levando-os a utilizar potenciais subjetivos inerentes à mente
humana, que por vezes são secundarizados face ao pensamento lógico convencional. Essa
tendência de enfatizar o pensamento criativo já era percebida por Toffler apud (HEXSEL,
1996) ao referir-se à importância da criatividade do ser humano diante das revoluções
tecnológicas, da velocidade e do acúmulo de informações do mundo globalizado.
Nessa perspectiva, a criatividade é um fator que atualmente tem sido amplamente debatido
em diferentes organizações, tendo em vista as atuais exigências mercadológicas
requererem profissionais com grande capacidade criativa para produzir idéias novas que
possibilitem solucionar problemas oriundos da dinâmica organizacional.

Diversas áreas do conhecimento, a exemplo da comunicação, administração, artes entre
outras, tratam a questão da criatividade já há algum tempo, considerando que o assunto tem
uma produção relevante a partir da década de 70. A preocupação com os aspectos
relacionados com o processo de criação fizeram com que Duailibi; Simonsen (1971)
desenvolvessem uma atividade, denominada Brainstorming

(tempestade de idéias) que

tem por objetivo encontrar idéias criativas em um grupo, que possam solucionar problemas
oriundos de uma determinada situação. Essa técnica propicia que um grupo de trabalho
exponha suas idéias e que após uma análise criteriosa, seja indicada aquela que possa ser
aplicada com sucesso.
O surgimento de uma idéia não está relacionada necessariamente

dessa ou daquela

tecnologia, nem tampouco precisa “ser precedida por anos de trabalho” ( DE BONO, 1970,
p.18), ela advém da infinita capacidade criadora da mente humana, entretanto é comum

�11

para alguns relacionarem uma nova idéia a alguma invenção técnica ou a teorias
científicas. Nesse sentido, De Bono (1970, p. 21) enfatiza:

A mente brilha pela capacidade de desenvolver: não há limites concebíveis de
sua excelência nesse sentido, que alcança até o desenho de mentes eletrônicas
auxiliares, as quais podem aumentar ainda mais a sua capacidade de
desenvolvimento [...] mas a tecnologia por si mesma não gera idéias novas.

Segundo esse o autor, por mais sofisticado quer seja um computador “ a solução de um
problema não será encontrada caso ele tenha sido incorretamente definido pelo
programador”. Tal afirmação vem reforçar a idéia de que a mente humana possui
mecanismos criativos não disponível em qualquer máquina inteligente.

Dessa forma, somente aprendendo a ouvir os sentimentos mudos da criatividade do seu
pessoal, a biblioteca universitária poderá inspirar credibilidade à sua equipe. É preciso,
portanto, ouvir o lado inaudível das coisas, o lado não mensurado, porque.... sempre atrás
de uma máquina tem dois olhos, e atrás dos dois olhos tem um ser humano. Este é o
equilíbrio desejado para o binômio: Informação &amp; criatividade, na biblioteca universitária.

5 UMA PALAVRA A MAIS.. .
Informação &amp; criatividade são fenômenos abertos, dinâmicos e complexos. Seus efeitos
nas organizações são indiscritíveis, mesmo sabendo que seus detalhes tendem a embaçar as
lentes de quem os olha e investiga. O indivíduo para explorar novos territórios de
oportunidades, não basta ter informação e conhecimento, é necessários outros recursos
pertinentes a criatividade e aos atributos de personalidade que os conduzem a aprender
com os próprios erros e pensar a realidade aliado a fantasia e a imaginação.
Precisamos nos manter abertos e acessíveis ao processo criativo, sem insistir em querer
conhecer,

antecipadamente os resultados. Assim estaremos aceitando o desafio de

acalentar a liberdade, a burlar a vida encontrando um sentido para ela.
Quando se compreende o quanto é relevante a informação e a criatividade para o homem,
não é difícil argumentar que as bibliotecas universitárias reconhecem a importância dessa
díade na relações existentes nos seus espaços quando procura delinear ações que buscam

�12

equilibrar

tecnologia/capital

humano,

pois

de

que

adianta

uma

biblioteca

estar

modernamente equipada e totalmente automatizadas se o seu quadro de pessoal se encontra
a deriva das megatendências e dos desafios que a organização tem pela frente. No bojo
desses desafios, criatividade &amp; informação assumem um enorme valor estratégico no
processo vital das empresas. Consequentemente, mudanças em práticas, atitudes e
comportamentos poderão ser alcançadas com o refinamento do ato criador do capital
humano a medida em que as organizações desprendem-se dos referenciais antigos e
projetam-se em direção ao futuro que desejam construir para potencializar suas chances de
sobrevivência.
È imperativo, portanto, que as bibliotecas universitárias reconheçam e compreendam que
não devem olhar para o futuro com os olhos do passado. É necessário criar novos
paradigmas, novas idéias e coerência para começar agir diante da falta de perspectivas de
desenvolvimento para a maioria da população, porque a sociedade do conhecimento
precisa de informação e criatividade para ser gerenciada.

Dificuldades a parte, restam as bibliotecas universitárias os desafios de se moldarem a
época de velozes transformações, acreditando que a informação &amp; a criatividade são
grandes aliadas no processo de revitalização, no encontro de novos rumos, no redesenhar
de sua trajetória e na concretização do seu compromisso social.

E, aos bibliotecários e

assistentes, resta o empenho de desvelar a criatividade como forma de contestar o modelo
existente e a decisão de apresentar algo novo independente das críticas que surgirão pelo
fato de terem ousados. Concluímos, não pretendendo emitir nenhuma palavra de ordem,
mas algumas sugestões e reflexões sobre esse tema verdadeiro sinal da manifestação da
expressão de todo o fazer humano.

Ø Para ser criativo, desafie: a resposta certa, a lógica, as normas, a tradição, a autoridade,
a seriedade, a rotina, a segurança, e o medo de errar. Transforme sonho em realidade,
acreditando na idéia, assumindo responsabilidades, sendo persistente e tendo muita
coragem, porque assim que surge uma idéia genial, todos se opõem contra ela.

Ø As bibliotecas universitárias devem priorizar a criatividade e a informação como
recursos estratégicos que apontam caminhos para alcançar seus objetivos, implementar

�13

inovações, a fim de cumprir sua missão no enfrentamento as mudanças radicais que
anunciam novos paradigmas e provocam uma verdadeira avalanche de transformações
nos indivíduos e nos valores sociais.

Ø As bibliotecas universitárias precisam minimizar os ruídos, ultrapassar as barreiras, os
abismos e fronteiras no cumprimento da sua missão. Dessa forma, poderão escrever, a
seu modo, a sua história, abrindo e fechando páginas em igual proporção no intuito de
contornar um novo perfil para o seu capital humano. A idéia não nos parece
pretensiosa, nem inviável, porque cremos na capacidade do bibliotecário em criar,
cremos

ainda,

compartilhadas

que

sábias

idéias,

não

transformam

nada,

mas

quando

são

tornam-se ações inovadoras, pertinentes e criativas, e podem

desempenhar para os cenários informacionais um papel semelhante ao da pedra atirada
no lago: ser o centro e a causa de uma multiplicidade de círculos.
Diante das considerações expostas, as palavras de Eliot (1966, p.195) são oportunas para
finalizar este capitulo: “O que chamamos de começo é, quase sempre o fim. E atingir um
fim é atingir um começo. O fim é o ponto de onde encetamos jornada. E toda a expressão e
sentença correta (onde cada palavra, em seu justo lugar); assume posição para apoiar as
outras. Cada frase é um fim e um começo.”

REFERÊNCIAS
ALENCAR,E. L. S. de. A gerência da criatividade . São Paulo: Makron Books, 1996.
ARAÚJO, E. A.
A construção social da informação: práticas informacionais no
contexto de organizações Não-Governamentais/ONG’s brasileira. 1998. Tese
(Doutorado) – Universidade de Brasília, 1998
BARRETO, A. de A. A eficiência técnica e econômica e a viabilidade de produtos e
serviços de informação. Ciência da Informação. Brasília, v.25,.3, p.405-414, set./dez.
1996.
____. A oferta e a demanda da informação: condições técnicas, econômicas e políticas.
Ci. Inf., v.28, n.2, p.168-173, maio/ago. 1999
____. A questão da Informação. São Paulo em perspectiva, v. 8, n.4, p.3-8. 1994.

�14

De BONO, E. O pensamento criativo: como adquiri-lo e desenvolvê-lo. Rio de Janeiro:
Vozes, 1970.
ELIOT, T. S. Quatro quartetos . Rio de Janeiro: Delta, 1966.
FARIA, M. A. B. de; ALENCAR, E. L. S. de. Estímulos e barreiras à criatividade ao
ambiente de trabalho. Rev. de Adm. de Empresas . São Paulo, v.31, n.2 p. 5-0-61, br./jun.,
1996.
FREITAS, M. E. de. História de um sonho. São Paulo: Fundação EDUCAR, 1997.
GOMEZ, M. N. G. O papel do conhecimento e da informação nas formações políticas
ocidentais. Ciência da Informação, Brasília, v. 16, n. 2, p.157-67, jul./dez. 1987.
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MARTELETO, R. M. Informação: elemento regulador dos sistemas, fator de mudança
social ou fenômeno pós-moderno? Ci.. Inf. Brasília, v. 16, n. 2, p. 169-80, jul. dez. 1987.
NICOLAU, M. DeZcaminhos para a criatividade. João Pessoa: Idéia, 1998.
OSTROWER, F. Criatividade e os processos de criação. Petropolis: Vozes, 1987.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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