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                  <text>UM MODELO DE PREVISÃO BASEADO EM INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA
GESTÃO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Domingos Vanderlei Filho 1
Tiago Alessandro Espíndola Ferreira 2
Teresa Bernarda Ludermir2
Mêuser Jorge Silva Valença3
Resumo
Este artigo trata do problema de previsão em relação a demanda de usuários que buscam os serviços de uma
biblioteca universitária. Nele procura-se através de uma ferramenta de inteligência artificial, chamada Redes
Neurais Artificiais, estabelecer estimativas que auxiliem o gestor nas tarefas de planejamento e dimensionamento
da estrutura física e de pessoal. Estas tarefas são necessárias para oferecer serviços dentro de padrões de
qualidade estabelecidos junto aos clientes.
Para o estudo de caso foram utilizados dados reais do sistema de informação da Biblioteca Central da
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), referentes aos atendimentos prestados aos usuários quanto a
empréstimos de publicações e renovações, realizados no período de janeiro de 1995 a dezembro de 2001.
Palavras-chave: previsão de demanda; redes neurais artificiais; biblioteca universitária, gestão de serviços, séries
temporais.

1 INTRODUÇÃO
A previsão de demanda é uma das atividades mais difíceis dentro do contexto de uma
organização ou empresa. Caso a demanda não seja dimensionada de forma correta, a previsão
terá em contrapartida repercussões negativas no âmbito financeiro. Portanto, uma demanda
superestimada acarreta gastos com excesso de oferta e no caso de uma demanda subestimada
significa perda de receita.

___________________________________________________________________________
1

UFPE Departamento de Eletrônica e Sistemas, Rua Acadêmico Hélio Ramos, s/n - Cidade Universitária, CEP: 50740-530
Recife - PE - Brasil. E-mail: dvanderlei@yahoo.com.br
2
UFPE Centro de Informática Caixa Postal 7851, CEP: 50732-970 Recife – PE - Brasil. E-mail: tbl@cin.ufpe.br,
taef@cin.ufpe.br
3
UNIVERSO, Av. Mascarenhas de Moraes, 1919 - Imbiribeira, CEP: 51150-000 Recife - PE - Brasil. E-mail:
neuserv@uol.com.br

�Este trabalho surgiu da idéia de desenvolver um processo de previsão de demanda que faz uso
dos dados disponíveis para criar um modelo de previsão acurado, através de uma ferramenta
de inteligência artificial chamada redes neurais artificiais (RNAs).

O sistema de previsão de demanda foi concebido como sendo uma ferramenta de apoio a
tomada de decisão para os gestores das bibliotecas universitárias da UFPE. Este sistema
permite analisar e estimar o comportamento do volume de usuários que procuram os serviços
de empréstimo e renovação de livros e periódicos, tomando-se por base os dados históricos
(séries temporais) armazenados no sistema de informação da UFPE.

Baseando-se na afirmação de Linguanotto, Grandi, Sampaio (2001) observa-se que “a
necessidade de informação pode ser caracterizada como a busca por produtos e serviços
imprescindíveis para o suporte às atividades de ensino, pesquisa e trabalhos acadêmicos”.
Adicionalmente, é intuitivo que as bibliotecas universitárias têm papel relevante dentro da
sociedade atual, pois elas atuam como provedoras de informação, a qual é o insumo básico
para produção do conhecimento. Assim, entende-se que uma determinada necessidade de
informação não satisfeita pode ser capaz de provocar perdas no desenvolvimento das
atividades acadêmicas.

É possível observar que dentro da dinâmica do mundo atual globalizado e virtualizado, é
requerido das instituições a definição de modelos, métodos gerenciais e práticas de trabalho
que permitam dar respostas mais rápidas e eficientes para seus clientes. Neste sentido, existe
um nível de exigência crescente dos clientes com relação aos serviços oferecidos, o que tem
levado as empresas a buscar melhorias contínuas de seus processos. Isto sugere a implantação
de recursos que propiciem aos gestores um melhor controle dos processos sob sua
responsabilidade e permitam atingir níveis satisfatórios de qualidade e satisfação junto aos
clientes. O cliente é sem dúvida um elemento importante para o ambiente empresarial,
principalmente considerando-se pontos de vista como o de Teboul (1999), o qual apresenta a
idéia da sociedade estar na Era dos Serviços.

�Dentre outros aspectos que podem ser considerados no objetivo de melhor gerenciar os
serviços e produtos oferecidos pelas bibliotecas universitárias brasileiras, observa-se a
previsão de demanda. Uma previsão dentro de limites confiáveis poderá permitir uma melhor
alocação de recursos materiais e de mão de obra gerenciados. Assim, os gestores de
bibliotecas passam a ter mais informações para a tomada de decisão em diversos aspectos
como: no planejamento de férias e licenças-prêmio, na decisão da quantidade e quando será
necessário contratar mão de obra terceirizada para atender demandas futuras, na aquisição de
equipamentos e outros bens materiais ou ainda na ampliação ou redução do espaço físico
utilizado. Portanto, uma vez que esteja disponível uma estimativa do valor futuro através da
previsão, serão aumentadas as chances de manter a qualidade do serviço evitando-se estresses
e perdas dentro da empresa ou unidade organizacional.

1.1 Problema Abordado

Para a realização deste trabalho, foram utilizados dados reais obtidos a partir do sistema de
informação de bibliotecas da UFPE no período de janeiro de 1995 a dezembro de 2001. A
série temporal dos dados tratados pode ser vista na Figura 1.

Série Temporal de Atendimentos
BC- UFPE (jan/1995 - dez/2001)

10000
8000
6000
4000
2000

jul/01

jan/01

jul/00

jan/00

jul/99

jan/99

jul/98

jan/98

jul/97

jan/97

jul/96

jan/96

jul/95

jan/95

0

FIGURA 1: Série temporal do serviço de empréstimo e renovações
de livros e periódicos na Biblioteca Central da UFPE entre jan/1995
e dez/2001

O problema tratado neste trabalho pode ser sucintamente descrito como um problema de
previsão de demanda dos usuários do serviço de empréstimo e renovação de livros e

�periódicos da Biblioteca Central da UFPE. Pretende-se através da utilização das redes neurais
artificiais propor uma previsão de demanda em relação ao problema tratado.

Este trabalho está estruturado na forma a seguir: Na seção 2 é feita uma breve explicação das
Redes Neurais Artificiais. A seção 3 apresenta o modelo de previsão proposto e os resultados
obtidos com redes Time Delay Neural Networks (TDNN). As considerações finais sobre os
resultados obtidos na seção 3 bem como sugestões são mostradas na seção 4.

2 AS REDES NEURAIS ARTIFICIAIS

A busca do homem em criar máquinas capazes de gerar respostas e ações inteligentes vem
desde a antiguidade. Este pensamento levou cientistas e pesquisadores a buscar formas
alternativas de computação. Entre estas formas estão as Redes Neurais Artificiais, as quais
podem ser entendidas como modelos matemáticos que, de uma maneira geral, procuram imitar
o funcionamento do cérebro humano. Portanto, o desenvolvimento das RNAs tem por objetivo
produzir alguma forma de inteligência artificial.

O cérebro humano é composto por bilhões de neurônios que se interconectam, formando uma
verdadeira rede. Na Figura 2 pode ser visto um neurônio natural. Esta rede é capaz de
processar milhões de informações e realizar trilhões de ligações sinápticas. Embora a
velocidade de processamento do cérebro humano seja relativamente baixa quando comparada
aos computadores modernos, sua forma de processar informação, não linear e paralela, e a
capacidade de organizar seus neurônios resulta num desempenho melhor na computação de
certas funções como no reconhecimento de exemplos.

Entre as características de processamento inteligente das RNAs pode-se citar: aprendizado
(conhecimento extraído de exemplos), adaptação (capacidade de adaptar-se a um novo
ambiente a partir de retreinamento), tomada de decisões e outras. Estas características
fornecem as RNAs potencial para serem aplicadas na solução de vários tipos de problemas,
como os de classificação de padrões, categorização, otimização, controle e previsão entre
outros.

�A tarefa de previsão consiste em dado um conjunto de exemplos {(x(t1 ), x(t2 ), ..., x(tn )}, prever
uma saída x(tn+1 ).

FIGURA 2: Neurônio Natural

2.1 Conceitos Básicos sobre Redes Neurais Artificiais
Em 1943 Warren McCulloch e Walter Pitts desenvolveram um trabalho pioneiro que resultou
no primeiro modelo artificial de um neurônio biológico (McCulloch. &amp; PITTS, 1943).
Diversos trabalhos de pesquisa e estudos permitiram prosseguir e promover avanços na área
de redes neurais artificiais, como os de Donald Hebb (HEBB, 1949), Widrow e Hoff
(WIDROW &amp; HOFF, 1960), Frank Rosemblatt (ROSEMBLATT, 1958) e Rumelhart, Hinton
e Williams (RUMELHART et al, 1986).

Não há uma definição universalmente aceita para uma RNA. Entretanto, há uma certa
concordância entre os pesquisadores em alguns aspectos. Assim, uma RNA pode ser definida
como uma rede de muitos processadores simples, cada um dos quais possui uma pequena
quantidade de memória local. Estes processadores (unidades), estão conectados através de
conexões que transportam dados numéricos.

Segundo Braga, Ludermir e Carvalho (BRAGA et al, 2000), RNAs são sistemas paralelos
distribuídos compostos por unidades de processamento simples (nodos) que calculam
determinadas funções matemáticas (normalmente não-lineares). Estas unidades estão em uma

�ou mais camadas e interligadas por um grande número de conexões, geralmente
unidirecionais. Na Figura 3 pode ser visto um neurônio de McCulloch e Pitts.

FIGURA 3: Neurônio de McCulloch e Pitts

A maioria das RNAs possui algum tipo de regra de treinamento através da qual os pesos das
conexões são ajustados baseados nos dados. Portanto, as RNAs aprendem a partir de exemplos
e exibem alguma capacidade de generalização além dos dados de treinamento. Além das
características já mencionadas as RNAs apresentam: adaptabilidade, tolerância a falhas e
implementação rápida.

De maneira geral, pode-se definir ainda uma RNA como um sistema constituído por elementos
de processamento que estão interconectados, chamados de neurônios, os quais estão dispostos
em camadas (uma camada de entrada, uma ou várias intermediárias e uma de saída) e são
responsáveis pela não-linearidade da rede, através do processamento interno de certas funções
matemáticas. Na Figura 4 está um exemplo de uma RNA com três camadas e três neurônios
na camada intermediária.

Essas redes neurais artificiais possuem alguma forma de regra de aprendizagem que são
responsáveis pela modificação dos pesos sinápticos a cada ciclo de iteração, de acordo com os

�exemplos que lhe são apresentados. Assim pode-se dizer, que as Redes Neurais Artificiais
aprendem por exemplos.

ENTRADA

SAÍDA

FIGURA 4: Exemplo de uma RNA com 3 camadas

De acordo com Rumelhart e McClelland (RUMELHART &amp; McCLELLAND, 1986), os
modelos de redes neurais, de maneira geral, apresentam 8 componentes principais: Um
conjunto de elementos de processamento; Um estado de ativação; Uma função de saída para
cada elemento de processamento; Um padrão de interconexão entre os elementos de
processamento; Uma regra de propagação; Uma regra de ativação; Uma regra de aprendizado;
Uma representação do ambiente onde o sistema deve operar.
3 MODELO

O modelo desenvolvido neste trabalho é baseado em RNAs do tipo Time Delay Neural
Networks (HAYKIN, 1994) com o algoritmo Levenberg-Marquardt. Todas RNAs foram
implementadas através da ferramenta computacional MatLab 6.1 (DERMUTH &amp; BEALE,
1996).

Nas subseções seguintes são apresentadas informações sobre a metodologia utilizada para
realização dos experimentos pertinentes a este trabalho. Inicialmente descreve-se as etapas
realizadas no pré-processamento dos dados, seguidas de como foi efetuada a divisão do
conjunto de dados, as arquiteturas das redes utilizadas, os experimentos executados, os
parâmetros do treinamento empregados e a apresentação dos resultados obtidos.

Em função das informações disponíveis e respostas desejadas para este problema, foi
estabelecida inicialmente uma topologia com 1 entrada e 1 saída para cada RNA.

�Durante o desenvolvimento do modelo o conjunto de dados disponível foi submetido a várias
configurações de nodos da camada escondida e também foi investigada a influência da
variação do parâmetro mu.
3.1

Descrição das etapas do experimento

A seqüência de etapas executadas neste experimento está descrita a seguir. As quatro
primeiras etapas fazem parte do pré-processamento dos dados.
I. LIMPEZA DOS DADOS – A observação da série de dados indicou a presença de
outliers em agosto, setembro e outubro de 2001. Estes dados foram substituídos pelos
valores das médias calculadas sobre os meses correspondentes nos outros anos da série
estudada.
II. ESCALONAMENTO DOS DADOS – Realizou-se o escalonamento nos dados de
janeiro de 1995 a dezembro de 2001 segundo a Expressão 1.

X ESCALONADO =

X − X MÍn.
X Mãx. − X MÍn.

(1)

III. CRIAÇÃO DO DELAY PARA OS DADOS – Foram calculadas as correlações
considerando-se diversos delays para os valores da série temporal estudada,
identificando-se entre os mais relevantes o (t-1). Os valores obtidos podem ser
observados na Tabela 1. Para criação do delay nos conjuntos de exemplos, os dados
foram emparelhados de forma que a coluna da tabela de exemplos representando o
número de usuários atendidos no tempo t (mês), fosse seguida de outra coluna que
representa os dados coletados no tempo t+1 (mês subseqüente). Dessa forma
implementou-se a arquitetura TDNN com um delay para o problema. O conjunto
exemplos utilizado nesse passo estava ordenado na ordem que foram coletados pelo
sistema de informação.

�TABELA 1: Correlação para delays de 1 a 15
t-1
t-2
t-3
t-4
t-5
t-6
t-7
t-8
t-9
t-10 t-11 t-12 t-13 t-14 t-15
0,62 0,18 -0,14 -0,19 -0,02 0,12 -0,01 -0,29 -0,37 -0,16 0,18 0,37 0,28 -0,1 -0,3

IV. CRIAÇÃO DOS CONJUNTOS - Para o tratamento do problema utilizando-se RNAs
foi realizada a divisão do conjunto de exemplos em conjunto de treinamento, conjunto
de validação e conjunto de teste. Esta divisão consistiu em separar 71% do total de
exemplos para a etapa de treinamento, 14,5% para a validação e 14,5% para o teste,
conforme pode ser observado nos valores da Tabela 2.
TABELA 2: Divisão do conjunto de dados em conjunto de treinamento, validação e teste
Período

Número de Exemplos
Conj. de Treinamento

Número de Exemplos
Conjunto de Validação

Número de Exemplos
Conjunto de Teste

De jan. 1995 a
dez. 2001

59

12

12

V. PROSPECÇÃO – Para a escolha da topologia de rede a ser utilizada no modelo foi
realizado um conjunto de simulações, através da Toolbox de Redes Neurais do
MatLab. Os valores encontrados para os erros percentuais no conjunto de validação
para 10 execuções estão apresentados na Tabela 3. Nesta etapa as diversas redes foram
observadas variando-se o números de nós na camada escondida. A topologia (1-5-1)
foi escolhida dentre todas testadas por ter apresentado melhor média e desvio padrão.
Detalhes sobres os parâmetros das RNAs utilizadas nessa fase estão descritos nas
subseções seguintes.

�TABELA 3
Topologia 1-1-1 e mu=0,001
Erro Quadrático Médio no Conjunto de Validação (%)
Média
1,7067
Desvio Padrão
0,1640
Topologia 1-3-1 e mu=0,001
Erro Quadrático Médio no Conjunto de Validação (%)
Média
1,6085
Desvio Padrão
0,0957
Topologia 1-5-1 e mu=0,001
Erro Quadrático Médio no Conjunto de Validação (%)
Média
1,5452
Desvio Padrão
0,0904
Topologia 1-10-1 e mu=0,001
Erro Quadrático Médio no Conjunto de Validação (%)
Média
1,5896
Desvio Padrão
0,1065

VI. EXPERIMENTOS – Partindo-se da rede escolhida na fase anterior mostrada na Figura
5, com cinco nós na camada escondida, foram realizados experimentos utilizando-se
combinações de: quatro valores de mu (1000; 1; 0,001 e 0,0001) e dez inicializações
com pesos aleatórios variando entre –0,5 e +0,5. Isto resultou em quarenta simulações.
Os resultados das simulações em relação a média e o desvio padrão dos erros no
conjunto de validação tomados percentualmente estão na Tabela 4. Observa-se
melhores respostas para valores de mu= 0,001 e 0,0001, tendo-se optado por um valor
de mu = 0,001.

ENTRADA

SAÍDA

FIGURA 5: Topologia (1-5-1)

�TABELA 4
Topologia 1-5-1 e mu=1000
Erro Quadrático Médio no Conjunto de Validação (%)
Média
Desvio Padrão

1,9408
0,9228
Topologia 1-5-1 e mu=1

Erro Quadrático Médio no Conjunto de Validação (%)
Média
Desvio Padrão

1,6866
0,1123
Topologia 1-5-1 e mu=0,001

Erro Quadrático Médio no Conjunto de Validação (%)
Média
1,5451
Desvio Padrão
0,0903
Topologia 1-5-1 e mu=0,0001
Erro Quadrático Médio no Conjunto de Validação (%)
Média
Desvio Padrão

3.2

1,5503
0,0633

Arquitetura

Neste conjunto de experimentos, foram utilizadas redes neurais Multilayer Perceptron (MLP),
com topologia Time Delay Neural Networks (TDNN), com um delay, o que implica em 1
entrada paras todas as redes contendo apenas uma camada intermediária e diversas
configurações de nós.
Os nodos da camada intermediária e de saída possuem em todos os casos função de ativação
sigmóide unipolar [0, 1]. A rede contém todas as possíveis conexões feedforward entre
camadas adjacentes, sem possuir shortcut connections, que são as conexões que ligam nodos
de camadas não-adjacentes.
Foi empregado nos experimentos, o algoritmo de treinamento Levenberg-Marquardt. A
atualização dos pesos das redes foi realizada após cada época, ou seja, após a apresentação de
todos padrões de treinamento (batch).

�3.3

Parâmetros de Treinamento

Para o algoritmo Levenberg-Marquardt, selecionou-se mu com valores 1000; 1; 0,001 e
0,0001. Em todos os casos, os demais parâmetros tiveram seus valores mantidos inalterados
em relação aos valores padrões da ferramenta computacional utilizada (Matlab6 R12),
destacando-se o mu máximo = 1010 , o fator de incremento do mu = 10 e o fator de decremento
do mu = 0,1.
Os pesos das redes foram inicializados aleatoriamente entre –0,5 e 0,5. A função de avaliação
de performance da rede foi o somatório dos erros quadráticos (SSE). O critério de parada
utilizado foi o early stopping (PRECHELT, 1994). Observando-se este critério, o treinamento
foi parado quando se obteve pelo menos um dos seguintes valores especificados:
-

Número máximo de épocas igual a 150.

-

Erro quadrático mínimo no conjunto de treinamento igual a 0.

-

Generalization Loss (GL) igual a 5%

-

Training Progress (P) igual a 0,01

O critério GL (PRECHELT, 1994) traduz a perda de generalização da rede pelo aumento do
erro no conjunto de validação e o Training Progress (PRECHELT, 1994) traduz a estagnação
do aprendizado. Estes dois critérios só são levados em consideração pelo sistema após terem
sido transcorridas 10 iterações. Este conjunto de critérios implica que o treinamento não é
realizado com o objetivo de se conseguir um valor de erro mínimo no conjunto de
treinamento, porém até quando se obtenha um valor mínimo absoluto no erro do conjunto de
validação, durante o treinamento da rede, ou que algum dos outros critérios seja atingido.
3.4

Aspectos Observados

Para o problema abordado, os aspectos observados no presente trabalho foram os seguintes:
•

Erro Quadrático Percentual do conjunto de treinamento ao final do treinamento,

•

Erro Quadrático Percentual do conjunto de validação ao final do treinamento,

•

Erro Quadrático Percentual do conjunto de teste ao final do teste,

�•

Número de iterações efetuadas até o final do treinamento.

•

Critério de parada do treinamento.

4 CONCLUSÕES FINAIS E SUGESTÕES

O problema de previsão de demanda está intimamente relacionado com as dificuldades
encontradas pela ciência para explicar completamente a geração de uma determinada variável,
neste caso a demanda futura por serviços oferecidos pela biblioteca. Desta forma, faz-se
necessário a utilização de modelos matemáticos, ainda que, simplificados e imperfeitos
permitam realizar uma representação do sistema.

Neste sentido, foi proposta uma rede neural artificial na forma de uma ferramenta bastante
poderosa, uma vez que permite tratar a complexidade do problema de forma bastante simples.

A Tabelas 4 apresenta os resultados obtidos para 10 replicações com 5 nós na camada
escondida. O valor parâmetro mu = 0.001, do algoritmo Levenberg-Marquardt, foi definido na
fase de prospecção (subseção 3.1) onde foi verificado que para este valor a solução do
problema em questão adaptou-se de melhor forma. Observa-se na Tabela 5 o melhor
desempenho da rede com erro percentual de validação igual a 1,3789.
TABELA 5:
Top. (1-5-1)
mu=0,001

Erro(%)
Erro(%)Validação Erro(%)Teste
Treinamento

1
2

4,2954
5,4523

1,6404
1,5008

4,9363
5,3027

3
4
5

3,7604
4,4319
5,0888

1,5361
1,6648
1,5002

6,2484
4,8563
5,1983

6
7
8

5,2207
5,2424
6,0083

1,5071
1,4785
1,6055

5,2195
5,199
5,8344

9
10
Média

4,2978
3,5786
4,7377

1,6394
1,3789
1,5452

4,9266
6,1703
5,3892

Desvio Padrão

0,7830

0,0904

0,5119

�Neste trabalho foi possível experimentar em parte as diversificadas possibilidades de para se
determinar a melhor configuração de uma RNA para se solucionar este problema. Assim,
utilizou-se os algoritmos de treinamento Backpropagation e Levenberg-Marquardt, variou-se
o número de nós na camada escondida, bem como os parâmetros de treinamento taxa de
aprendizagem, mu, critérios de parada do treinamento. Posteriormente, verificou-se que
resultados mais significativos foram obtidos com o Levenberg-Marquardt. Entretanto, para
que os resultados até agora obtidos venham a ser estatisticamente mais confiáveis, se faz
necessário mais replicações de cada configuração.

A fundamentação teórica e os resultados obtidos indicam a possibilidade de melhorias nos
resultados através de novas configurações e arquiteturas das RNAs, isto tem implicação direta
no tempo necessário a ser destinado para experimentação. Contudo, é necessário destacar que
o aprimoramento do modelo apresentado neste trabalho deve buscar prover máxima confiança
com baixo custo.

Os resultados apresentados neste trabalho embora preliminares, apontam na direção da
utilização de novas ferramentas e tecnologias para um melhor gerenciamento e otimização dos
recursos existentes nas bibliotecas universitárias. Adicionalmente, eles permitem a detecção
antecipada de possíveis pontos críticos no atendimento aos usuários da biblioteca e introdução
de ações corretivas ou ainda que permitam minimizar os efeitos e impactos negativos na
execução do serviço.

É necessário considerar os ganhos gerenciais com a introdução de ações preventivas, pois
torna-se possível estabelecer uma melhor prestação de serviço, considerando-se tanto o ponto
de vista do usuário que procura a biblioteca e então recebe um atendimento mais ágil, ou ainda
para o funcionário diretamente ligado pelo atendimento através de uma carga de trabalho
melhor distribuída ao longo do tempo, tudo isto sempre buscando-se a melhor relação custo
benefício.
É importante esclarecer que este modelo de previsão poderá ser aplicado aos demais serviços
prestados pelas bibliotecas universitárias como: comutação eletrônica de documentos,

�treinamento de usuários em base de dados, serviço de pesquisa em base de dados;
normalização de documentos; catalogação na fonte; catalogação cooperativa de registros
bibliográficos; serviço de referência on-line e outros.

Finalizando, ressalta-se que este trabalho procura integrar a computação inteligente a área de
ciência da informação, e desta forma permitir a difusão de novas ferramentas direcionadas a
melhoria dos processos. Como sugestão para trabalhos futuros recomenda-se aprimorar o atual
modelo desenvolvido incorporando-se outras ferramentas de inteligência computacional
através de sistemas neurais híbridos (GOONATILAKE &amp; KHEBBAL, 1995) (BRAGA et al,
2000).
5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRAGA, A. P.; LUDERMIR, T. B.; CARVALHO; A. C. P. L. F.

Redes Neurais Artificiais – Teoria e

Aplicações. Editora LTC, Rio de Janeiro, 2000.
DERMUTH, H., BEALE, M. Neural Network Toolbox User's Guide. The MathWorks, Inc, March 1996.
GOONATILAKE, S.; KHEBBAL, S. Intelligent Hybride Systems . Jonh Wiley &amp; Sons, Inc, 1995.
HAYKIN, Simon. Neural Network, Macmillan Publish Company, 1994.
HEBB, D. O. The organization of Behavior. Willey, 1949.
LINGUANOTTO, A. R. J.; GRANDI, M. E. G.; SAMPAIO, M. I. C.

Indicadores de Qualidade para o

Serviço de Referência: Uma Proposta de Aplicação às Bibliotecas do SIBI/USP. São Paulo,2001. 71p. (Série
informação, 1)
McCULLOCH, W. S., PITTS, W.

A Logical Calculus of the Ideas Immanent in Nervous Activity. Bulletin of

Mathematical Biophysics, 5:115-133, 1943.
PRECHELT, L. Proben1 – A Set of Neural Network Benchmark Problems and Benchmarking Rules. Technical
Report 21/94, Fakultät für Informatik, Universität Karlsruhe, Germany, September, 1994.
ROSEMBLATT, F.

The Perceptron: A Probabilistic model for information storage and organization in the brain.

Psycol. Rev., 65:386-408, 1958.
RUMELHART, D. E., HINTON, G. E., WILLIAMS, R. J.

Learning representations by back-propagation errors.

Nature, 323:533-536, 1986.
RUMELHART, D. E., McCLELLAND, J. L.

Parallel Distributed Processing, vol. 1: Foundations. The MIT

Press, 1986.
TEBOUL, J. A Era dos Serviços : uma nova abordagem de gerenciamento. Rio de Janeiro. Qualitymark, 1999.
WIDROW, B., HOFF, M. E. Adaptative switching circuits. Institute of Radio Engineers, Western Electronic
Show and Convention, 1960.

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: Bibliotecas universitárias: espaços de (r) evolução do conhecimento e da informação.</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Um modelo de previsão baseado em inteligência artificial na gestão de bibliotecas universitárias.</text>
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