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                  <text>A INTERNET NA PRÁTICA BIBLIOTECÁRIA: ESTUDO EXPLORATÓRIO
JUNTO AO SISTEMA INTEGRADO DE BIBLIOTECAS DA
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (SIBI/USP)*
The Internet in the librarian practice: exploratory study in the Integrated Library System of
the University of São Paulo (SIBi/USP)
Cybelle de Assumpção FONTES**
Neusa Dias de MACEDO***
Resumo
Buscando levantar usos e efeitos da Internet no contexto das bibliotecas
universitárias brasileiras, utilizou-se questionário estruturado, distribuído por correio
eletrônico, abrangendo a identificação dos participantes, o uso da Internet e de seus
recursos, os efeitos do uso na prática profissional. Dentre os 243 questionários enviados a
profissionais do Sistema Integrado de Bibliotecas da USP (SIBi/USP), obteve-se noventa e
quatro respostas (39%), representando vinte e oito (93%) das trinta bibliotecas
selecionadas para esta pesquisa. Aponta-se que o uso da Internet se inicia na própria
Universidade, em média de cinco anos, ocorrendo também nas bibliotecas da USP. Os
treinamentos oferecidos pela Universidade e a iniciativa própria têm sido as primeiras
formas de contato. O correio eletrônico, o correio eletrônico com envio de anexo e a
WWW, são os três recursos mais utilizados. A Internet agiliza as rotinas de trabalho, altera
o acesso à informação, a comunicação e o uso de recursos de informação. A maioria dos
participantes relata não ter dificuldade no uso da Internet.
Os serviços e produtos
desenvolvidos relacionam-se ao acesso a recursos de informação, ao atendimento ao
usuário e à divulgação de notícias, publicações e acervo. A interação com o usuário se
intensifica, principalmente, com o público interno (docentes alunos de pós-graduação e de
graduação). Se a Internet não pudesse mais ser utilizada, dificultaria e tornaria lenta a
execução das atividades. Conclui-se que a Internet é considerada como ferramenta de real
importância, que transforma e abre novas perspectivas à profissão, estando os
bibliotecários cada vez mais dela dependentes.

Palavras-chave: Bibliotecas Universitárias. Bibliotecários. Universidade de São Paulo,
Brasil. SIBi/USP. Internet . Uso e Efeitos. Recursos da Internet.

*

Trabalho derivado de Dissertação de Mestrado apresentada à Escola de Comunicação e Artes da
Universidade de São Paulo (ECA-USP), em junho de 2001.
**
Mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP; Diretora Técnica do Serviço de Biblioteca e
Documentação da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo. Endereço: Al. Dr.
Octavio P. Brisola, 9-75 – Caixa Postal 73 - 17012-901 Bauru, SP - Brasil cafy@uol.com.br
***
Professora Doutora do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA-USP. Endereço: CBD
– ECA/USP. Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 - 05508-900 São Paulo, SP – Brasil
nedima@ig.com.br

�1 – Introdução
A informática e as redes eletrônicas1 estão dentre os principais agentes de mudança
da Sociedade, desde a metade do século XX.

Ao longo das últimas décadas, estas redes, cada vez mais interligadas, formaram o
que hoje se convencionou chamar de Internet. A partir de 1995, a Internet firma-se como
meio legítimo de comunicação, marcando um “ponto sem retorno do processo de
incorporação da tecnologia informática à civilização ocidental" (ANDIÓN GAMBOA,
1997, p. 9). Observa-se, por exemplo, que foram necessários vários anos para que
diferentes e importantes invenções, como a eletricidade (46 anos) e o computador (16
anos) fossem utilizados por mais de 50 milhões de pessoas. A Internet sobressai-se, por
alcançar aquele mesmo número de pessoas em apenas quatro anos (COX ; ALM, 1998).
Sobre sua estrutura física de cabos, conectores, roteadores e mediados por
protocolos de comunicação, diferentes recursos são utilizados na Internet: correio
eletrônico, Telnet, FTP, grupos e listas de discussão, bate-papo e WWW, para citar os mais
conhecidos.

Dentre os possíveis aspectos de análise da Internet estão os estudos de uso de redes
eletrônicas que, segundo Savolainen (1998, p. 332), referem-se às pesquisas de diferentes
formas de consulta aos recursos disponíveis. Um dos pontos primordiais destes estudos é o
universo de pesquisa a ser abordado. Conforme Menou (1999), este universo compõe-se de
“espaços básicos”, que se superpõem “mais ou menos extensivamente”, variando de
importância segundo os atores e circunstâncias, e que seriam: o espaço individual, familiar,
de trabalho e de participação social.

Estudos de uso relacionados com o trabalho representam, talvez, “a parte mais
avançada dos estudos de uso, tanto conceitualmente como

empiricamente”; comparando-

se com as pesquisas gerais, os estudos relacionados ao trabalho são mais claramente
1

Citam-se como redes eletrônicas, em um termo mais abrangente; entretanto, este trabalho estará limitado à
Internet.

�focados (SAVOLAINEN, 1998, p. 339-340). Um dos enfoques é a análise de um
grupo/organização - verificando, principalmente, a freqüência de uso de vários serviços,
em diferentes organizações (universidades e empresas de negócios);
centra-se no indivíduo,

um segundo enfoque

verificando o significado do uso relacionado ao trabalho,

relembrando-se que não é possível determinar uma rígida divisão entre estes enfoque, por
se sobreporem (MENOU, 1999).

Centrando-se no indivíduo, estes estudos permitem verificar “as experiências
adquiridas pelo uso dos serviços das redes e a análise do significado que os indivíduos dão
a esses serviços”; oferecem insights dos caminhos para os quais a vida de trabalho e o
tempo de lazer estão sendo modificados. Altera-se, desta forma, a visão da pessoa como
“mera consumidora de serviço num modelo simplista de envio e recebimento de
mensagem” (SAVOLAINEN, 1998, p. 335, 339, 343 e 346).
O uso de uma tecnologia de informação é acompanhado por uma série de
“fenômenos contínuos”, partindo de uma “mera novidade aparente” até chegar a
“transformações de comportamento em nível individual ou social”. Esses “fenômenos
contínuos”, portanto, acarretam mudanças na forma das pessoas e organizações tratarem
suas atividades particulares (MENOU, 1999).

Como definir estas mudanças? Para Benakauche (1995), a noção de "impacto"
sugere uma sociedade passivamente “atingida” por uma inovação “externa”. Relembra a
autora que toda técnica é um produto social, “resultado de esforços conscientes e dirigidos
de grupos sociais específicos”.
Menou (1998 apud Menou 1999) observa que “impacto é a colisão de corpos e a
alteração resultante disso. Quando ocorre um impacto nenhum dos corpos permanece o
mesmo”. Estabelece, então, que o impacto traz “mudanças substantivas e duradouras na
base

de

conhecimento,

comportamento,

organização

ou

eficácia

dos

indivíduos,

instituições e sociedade”. Em se tratando de mudanças não duráveis ou substanciais,
denominam-se efeitos.

�O uso das tecnologias de informação pode modificar de forma transitória (efeito) ou
definitiva (impacto) as atividades de indivíduos e empresas. Ainda que o uso dos recursos
de informação não leve a mudanças consideradas como impactos, devem ser considerados,
pois “é mais provável que a sua observação seja uma condição para o rastreamento dos
impactos” (MENOU, 1999).
A aplicação dos computadores e das redes eletrônicas ocorre em todas as áreas de
atividades humanas, incluindo-se as bibliotecas. Diante das novas possibilidades e a
desconcertante complexidade do novo cenário, os profissionais que ali atuam procuram
acompanhar as mudanças ocorridas na sociedade, como um todo, buscando “reinventar ou
redefinir seus papéis tradicionais para incorporar a tecnologia” (ABBAS, 1997).

Estudos relacionados ao uso e efeitos da Internet em bibliotecas versam sobre a
freqüência de uso desta rede, como um todo. Dentre inúmeros trabalhos, citam-se os de
Ladner; Tillman (1992), Torres M. (1996), Rosenthal; Spiegelman (1996), Schilling;
Wessel (1996), Stover (2000). Predominantemente desenvolvidas em ambiente americano,
as análises em outros países e continentes também está disponível, como nas pesquisas
australiana, de Olson (1995) e africana, realizada por Chisenga (1999).

Os pontos de análise são, quase sempre, levantamentos sobre quais os recursos mais
utilizados, tipos de treinamento realizados e oferecidos para bibliotecários e usuários,
dificuldades encontradas para a sua utilização, confiabilidade na informação e nos recursos
como instrumento de trabalho, conforme trabalhos de Dumans (1993), Cromer; Johnson
(1994), Abels (1996), Schnell (1996), Sloan (1997). Analisando-se o uso de um recurso
específico da Internet, poderiam ser citados os trabalhos de Tomer (1994), Stoddard;
Siebert (1994), Klassen (1995),

Notess (1996), Schneider (1999), Hewitt (1999), Lindell;

Mimi Pappas; Colleen (2000), Ronan (2000), Colbert (2000), Yue (2001).
No contexto brasileiro, citam-se os primeiros levantamentos gerais,

realizados por

Silva; Márdero; Cláudio (1997), Ferreira, J. R. (1997), IBICT (1998) e Bertholino; Oliveira
(1998). Enfocando o uso de recursos, Gomes (1998) realizou levantamento de fontes e
recursos disponíveis, incluindo-se recursos como catálogos e bases de dados disponíveis na
Internet, enquanto Terra (1998) analisou a comunicação em duas listas de discussão

�brasileiras; Landini (1998), verificou a “aplicabilidade da Internet”,

junto aos profissionais

da informação (usuários da Internet) de todas as regiões do Brasil, representados pelos
Postos de Serviços Rede Antares. Buscando-se o uso para acesso à informação nas
comunidades de pesquisa em C&amp;T, e indiretamente, nos serviços de bibliotecários
tradicionais, apontam-se os trabalhos de Ferreira, S. M. S. P. (1995) e Gonçalves e
Marcondes (1998). Por fim, Correa (1999) buscou levantar qual o preparo dos profissionais
– tanto individualmente como nas Faculdades – para atuarem nos novos mercados de
trabalho, como a Internet.

Diante das novas possibilidades levantadas na literatura e, na prática profissional,
optou-se por realizar este estudo de uso de redes eletrônicas em ambiente de trabalho,
delimitado às bibliotecas universitárias brasileiras e focando-se em seus profissionais – os
bibliotecários.
A contextualização se deu com a escolha da Universidade de São Paulo (USP),
reconhecida pelo seu padrão de ensino e pesquisa e que conta com 39 bibliotecas,
coordenadas

por

um

Departamento

Técnico,

formando

um

Sistema

Integrado

de

Bibliotecas (SIBi). Por meio das atividades tradicionais, como o empréstimo-entrebibliotecas,

levantamentos

e

comutação

bibliográficos,

apoiadas

por

programas

de

educação e treinamento, dão suporte a seus usuários na busca de informação e atividades
de pesquisa.

Como resultado da modernização dos serviços/produtos do SIBi/USP, nos últimos
anos, podem ser citados: o Banco de Dados Bibliográficos da USP - o DEDALUS - com
sua versão Web, desde 1997, reunindo mais de um milhão de registros; o acesso a
periódicos eletrônicos, por meio de consórcio com outras Instituições; adoção do software
Ariel, para o envio eletrônico de documentos; desenvolvimento do site SIBiNet, que reúne
os principais serviços e recursos online disponíveis aos usuários.
Destacam-se, ainda, as ações de modernização de estrutura de rede e informática,
realizadas por meio de projetos de infra-estrutura, financiados pela FAPESP, que
proporcionaram um

grande salto qualitativo na prestação e desenvolvimento de serviços

em rede, favorecendo a cultura de uso das redes eletrônicas entre as bibliotecas do sistema

�e seus usuários. Por fim, os profissionais do SIBi/USP contam com programas de
capacitação para o uso de redes e recursos informacionais. Todos estes pontos favoreceram
a escolha do SIBi/USP como ambiente desta pesquisa.

2 - Objetivo do estudo
Verificar

o uso dos recursos da Internet, evidenciando seus possíveis efeitos na

prática profissional, conforme opinião dos bibliotecários do SIBi/USP,

3 - Metodologia
Neste estudo exploratório e descritivo, como universo da pesquisa, elegeu-se as 30
bibliotecas do SIBi/USP ligadas às Unidades de Ensino e Pesquisa, excluindo-se
bibliotecas ramais, setoriais ou departamentos não ligados a estas Unidades ou não
reconhecidos como bibliotecas pelo SIBi/USP.

Ao total, observou-se

14 bibliotecas na

área de Biológicas, 11 bibliotecas na área de Exatas e 5 bibliotecas na área de Humanas.

Os sujeitos da pesquisa foram os bibliotecários que atuam nestas bibliotecas; seus
nomes

foram

obtidos

primeiramente

junto

ao

DT-SIBi;

posteriormente,

foram

confirmados diretamente com cada biblioteca, obtendo-se, também, o endereço eletrônico.
Ao final, chegou-se ao total de 243 profissionais: 107 da área de Biológicas, 73 da área de
Exatas e 63 de Humanas.

Tendo como enfoque metodológico a observação indireta, adotou-se o questionário
como instrumento de coleta de dados. Composto por 20 questões abertas e fechadas, este
instrumento de pesquisa estruturou-se sob três grandes indicadores: 1) Identificação dos
sujeitos; 2) Uso dos recursos da Internet; 3) Efeitos do uso dos recursos da Internet.
Os questionários, juntamente com uma carta convite, foram remetidos via correio
eletrônico em setembro de 2000, por meio de uma conta exclusiva, criada em um provedor
comercial (mest2000@uol.com.br). Os endereços eletrônicos foram previamente testados,
com o envio de uma mensagem. Buscando obter maior participação, repetiu-se o envio, por
mais duas vezes (outubro e novembro de 2000), reforçando-se também por meio de

�mensagens telefônicas e correspondência comum àqueles que não respondiam a solicitação
de colaboração à pesquisa.
Dentre os 243 bibliotecários contatados a participar da pesquisa foram retornados
94 questionários, outrossim, considerados como válidos, ou seja, 39% do universo da
pesquisa. Estes questionários representaram 28 das 30 bibliotecas (93%) de unidades de
ensino e pesquisa da USP, considerando-se, pois, representativa esta população de
informantes.

As respostas às 20 questões foram tabuladas em planilha eletrônica, utilizando-se o
programa Excel (Microsoft). Para o cálculo de freqüências estatísticas transpôs-se a
planilha geral de dados no programa Statistica for Windows, versão 5.1 (Statsoft Inc.),
auxiliado também pelo programa Analyse-it, versão 1.61 (Analyse-it Software). Para cada
questão aberta criou-se um arquivo no editor de textos Word (Microsoft), onde os
participantes foram identificados e suas respostas transcritas. Para a análise do conteúdo
destas respostas, foram identificados os conceitos-chave, na busca de um núcleo comum de
idéias.

4 – Resultados e análise dos dados
Identificação dos participantes
Os participantes atuam nas bibliotecas da USP há em média 10 anos, exercendo
uma parte considerável (55%) algum tipo de função gerencial, o que torna o resultado de
respostas coeso.
Uso dos recursos da Internet
Para a maioria dos participantes (86%), o uso da Internet teve início (ainda que
tardiamente, em comparação a países mais desenvolvidos) na década de 90, dentro da
própria USP, particularmente nas próprias bibliotecas onde atuam (67%). A média deste
uso corresponde a 5 anos, coincidindo com o início de instalação e utilização da Internet
nas bibliotecas.

�A primeira forma de contato com a Internet (48%) deu-se por meio de orientações e
treinamentos na própria USP. Ainda assim, cerca de 40% dos participantes passaram a usar
os recursos da Internet por iniciativa própria, tendo em conta a premente atualização
profissional. Verifica-se, portanto, que mesmo em havendo ambientação favorável no
ambiente de trabalho, o bibliotecário, por si próprio, decide-se pelo uso e responsabiliza-se
por sua reciclagem.

Os meios mais citados como os mais adequados para a “iniciação de uso da
Internet”, configuram-se como treinamento formal,

experiências práticas e treinamentos

por iniciativa própria e a leitura de manuais técnicos.
De qualquer forma, fica claro que os bibliotecários podem decidir-se pela educação
contínua, nesta fase de transição da Biblioteconomia, ou seja, dos conhecimentos e práticas
convencionais às tecnologias emergentes. Todavia, educação formal deve estar aberta a
estes profissionais da informação, pelas universidades, entidades de classe e outros órgãos,
acompanhando-se as constantes modificações dos sistemas e meios eletrônicos.

Os quatro recursos mais conhecidos e utilizados são o correio eletrônico (99%); o
WWW (96%); os anexos enviados por meio de correio eletrônico2 (94%); o FTP (51%).e o
Telnet (51%) Entre os menos conhecidos, na proporção de pouco mais do que 10%, estão
o FTP, grupos de discussão e Telnet. Considerados os mais úteis às atividades
profissionais, o correio eletrônico simples, ou com anexos, e o WWW. Mais uma vez,
verifica-se a pouca utilização das listas de discussão entre os bibliotecários brasileiros.

Parte considerável dos bibliotecários (78%) realiza práticas diversas com a Internet,
fora do ambiente de trabalho, sendo que 73% o fazem em suas residências. Citam buscas
de informações gerais (em bancos, lojas, informações de caráter cultural e de
entretenimento). Interessante observar que parte deste uso destina-se a buscar informações
para amigos e parentes, ou mesmo, para ensinar outros profissionais quanto ao uso da rede.

O uso da Internet é apontado nas mais diversas atividades bibliotecárias: desde
intercomunicações internas e externas, intercâmbio de informações, tanto com colegas ou

�com públicos diversos (fornecedores, usuários e outros), transações de pesquisas, serviços
bibliotecários específicos solução de problemas, divulgação e disseminação de informação,
entre tantos outros. Pesquisas específicas, mais aprofundadas, devem ser feitas neste
particular.

Verifica-se que há uma tendência daqueles que usam a Internet em outras
atividades conhecerem um número maior de recursos, ficando assim, a possibilidade de
novos estudos, na busca de maiores evidências neste sentido. Entretanto, não houve
correlação, estatisticamente relevante, entre o tempo de experiência no uso e número de
recursos conhecidos.
A maioria dos participantes considera como “média” a sua experiência no uso da
Internet, independentemente do número de recursos conhecidos e utilizados. O grau de
experiência demonstrou tendência de correlação com o número de recursos conhecidos e
utilizados, mas sem correlação com o tempo de uso da Internet.

Caracterizam-se diversas práticas bibliotecárias, ligadas a tipos de recursos. Pelo
correio eletrônico - comunicações internas e externas; envio de arquivos já elaborados;
WWW - próprio para pesquisa e criação de serviços; FTP - registros para bases de dados,
pesquisas bibliográficas, programas de informática; listas de discussão - troca de
informação e questões de atualização; bate-papo - solução de problemas e dúvidas; Telnet
– busca de registros catalográficos e envio de informações.

Fica claro que a Internet incrementa os serviços e produtos das bibliotecas.

Por

meio da análise das homepages destas bibliotecas, verificou-se o desenvolvimento de
mecanismos

importante para o acesso à informação, possibilitando a ampliação de acesso

a bases de dados e catálogos internos, anteriormente restritos à consulta local3. Diferentes
serviços

de atendimento ao usuário, com mais dinamismo, são desenvolvidos. As

bibliotecas e as próprias Unidades tornam-se mais conhecidas e divulgadas por páginas e

2

Detectou-se, no pré-teste do questionário, que a transmissão de arquivos (FTP) era confundida com o envio
de arquivos anexos, por correio eletrônico, optando-se, portanto, por separa-los.
3
Catálogos disponíveis: Faculdade de Saúde Pública (FSP) - Acervo, SeCIR (periódicos) e Higéia
(Produção Científica); Instituto de Física de São Carlos (IFSC) - BBI – monografias e teses; Escola de
Comunicação e Artes (ECA) - ACORDE, CENA e SONORA, respectivamente abrangendo partituras, filmes
e vídeos, discos e fitas; Conjunto das Químicas (CQ) - DBDCQ – catálogo de livros e teses.

�portais, versões online de listagens de periódicos e publicações internas com cópias para
serem gravadas, já surgindo as bibliotecas virtuais

4

e acesso controlado por senha, com

serviços exclusivos aos usuários cadastrados, reunidos em uma Intranet.

Efeitos e reflexos do uso da Internet na prática profissional
A Internet, por unanimidade, é considerada influenciadora de renovação nas
práticas convencionais dos bibliotecários. As principais alterações na rotina de trabalho
dizem respeito à gestão de serviços mais rápidos e ágeis, influenciando acesso à
informação, comunicação e uso de recursos informacionais.
Apenas

34%

dos

principalmente relacionada à

participantes
“lentidão” e

apontam

dificuldades

no

uso

da

Internet,

“conexão da rede”. A questão da velocidade

também perpassa pela necessidade de atualização dos equipamentos; a Universidade deve
estar atenta para esta questão, buscando fornecer subsídio para as bibliotecas poderem
periodicamente atualizar seu conjunto de máquinas. Outro ponto levantado, nesta questão,
é a falta de apoio técnico. Enquanto alguns bibliotecários reclamam da falta de
conhecimento

para o desenvolvimento de produtos e serviços (criação de páginas, por

exemplo), aqueles que o fazem continuam dependentes do pessoal técnico de informática
para alocarem em servidores e disponibilizarem serviços mais complexos, como catálogos
e bases de dados. Retorna-se, mais uma vez, a antiga questão da interação entre o
bibliotecário e os profissionais de informática no desenvolvimento de serviços e sistemas.

De outro lado, a maioria declara que são satisfatórios o ambiente e os equipamentos
existentes em suas bibliotecas.

A Internet é reconhecida como ferramenta de trabalho, ressaltando-se seu papel
como fonte de informação e meio de comunicação. Os comentários apontam-na não como
“mais

uma

ferramenta”,

mas

os

adjetivos

a

transformam

em

uma

ferramenta

“fundamental”, “importantíssima”, imprescindível” etc. Esta ferramenta eletrônica tem
facilitado e agilizado trâmites de pesquisa, intercomunicação com pares e usuários,
principalmente a comunidade interna (docentes e pós-graduandos).
4

Biblioteca Virtual de Óptica Básica e Aplicada (IFSC) e Biblioteca Virtual de Saúde Reprodutiva (FSP).

�As transformações se dão tanto na profissão, como no mercado de trabalho, que
sofre uma transformação, de um ambiente arcaico, para outro mais moderno e dinâmico.
Ainda quanto à Internet como ferramenta, uma minoria vincula o seu uso como fator
determinante de qualidade, rapidez e eficiência em suas atividades, possibilitando um
atendimento melhor e a um maior número de usuários.
Como uma “provocação” final, a última pergunta formulada inquiria sobre o que
poderia ocorrer na atividade profissional daquele bibliotecário, caso a Internet não pudesse
mais ser utilizada. Para alguns, sem a Internet, as práticas bibliotecárias se estagnariam,
tanto na obtenção como no fornecimento de dados. Haveria um retrocesso nas atividades,
interrompendo o desenvolvimento das atividades e prejudicando o atendimento ao público.

5 - Conclusão
Diante do exposto, fica evidente que a Internet é considerada ferramenta
imprescindível nas práticas diárias bibliotecárias e, em algumas destas atividades, é grande
a dependência deste recurso. Os efeitos de seu uso são observados na modificação de
serviços e produtos e no comportamento e no mercado de trabalho de seus agentes.
O quadro traçado é situacional, restringindo-se às bibliotecas da USP. No entanto,
registram-se estes dados, sugerindo-se que novos estudos possam advir, com outros
grupos, acompanhando-se as rápidas transformações os constantes desafios,

onde a única

certeza é a da mudança.

Abstract
Searching about the use and effects of the Internet on the brazilian academic
libraries, it was used a structured questionnaire, sent by email, with the identification of the
informants; the Internet uses; their effects in the professional practice. From 243
questionnaires sent to the librarians of the Integrated Library System of the University of
São Paulo, 94 were returned (39%), but representing 93% of the libraries selected to the
research. It was pointed out that the use of the Internet resources starts properly at some
University agencies, in the average in five years, occurring also in its libraries. Librarians
had, as its first manners of Internet access, some trainings promoted by USP, and by the

�own initiative. The simple e-mail and with annexed files, and WWW are the three principal
resources used. The Internet makes the library daily works faster, changing the access to
communication/information, and the use of information resources. A great part of
participants indicates that they have no difficulties in using the Internet and are satisfied
with the number of equipments and their workplaces. The user interaction is mainly
intensified by the internal public (faculty, undergraduate and graduate students). If the
Internet could not be used any more, the fulfillment of library activities would be more
difficult and slow. It concludes that Internet is considered as an important working tool that
transform and open new perspectives to the profession and these librarians are becoming
more dependent of it.
Key-words: Academic Libraries. Librarians. University of São Paulo. Brazil. SIBi/USP.
Use and Effects of Internet. Resources of Internet.

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