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                  <text>ESTILOS GERENCIAIS NO CONTEXTO DAS BIBLIOTECAS DE
INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR EM MANAUS *
Célia Regina Simonetti Barbalho**
Kellem Andrezza de Araújo Freitas***

RESUMO
Analisa o perfil dos administradores de bibliotecas de instituições de ensino
superior que atuam na cidade de Manaus a partir das abordagens
administrativas e os estilos gerenciais oriundos da Teoria Comportamental,
com objetivo de identificar a atuação do bibliotecário enquanto gerente de
bibliotecas, conhecer sua formação e modos de atualização profissional bem
como os estilo gerencial predominante verificando se há relação entre o estilo
identificado pelo próprio gerente com o desempenho dos colaboradores.
Baseia -se, teoricamente em Rensis Likert para determinar a predominância
perfil dos gestores manauenses que manifestaram, através de instrumento do
tipo formulário composto de trinta questões divididas entre identificação,
atividades desenvolvidas e características individuais. Após a interpretação dos
resultados obtidos na análise dos dados relacionados com as teorias e conceitos
apresentados pela literatura pesquisada, conclui-se que os profissionais
pesquisados enquadram-se, predominantemente, no perfil consultivo/
participativo.
Palavras -Chave: Estilos gerenciais; Administradores de Bibliotecas;
Bibliotecas de Instituições de Ensino Superior

Administrar, atualmente envolve uma gama muito mais abrangente e diversificada de
atividades do que no passado. Conseqüentemente o gestor hoje precisa estar apto a perceber,
refletir, decidir e agir em condições totalmente diferentes do que antes tendo em vista que seu
cotidiano envolve diferentes contatos com uma realidade complexa onde os processos
necessitam de equipes de diferentes áreas, perfis profissionais e linguagens, as situações
apresentam cada vez mais um número maior de variáveis de ação; o processo decisório está
comprimido pelo curto espaço de tempo, e os prazos de ação/reação são cada vez mais
*

Baseado nos resultados obtidos pelo projeto de pesquisa intitulado Estilos Gerenciais dos Administradores de
Bibliotecas em Manaus desenvolvido pelo Núcleo de Estudo e Pesquisa em Ciência da Informação do
Departamento de Biblioteconomia da Universidade Federal do Amazonas.
**
Professora adjunta do Departamento de Biblioteconomia da Universidade Federal do Amazonas. Doutora em
Comunicação e Semiótica. simonetti@objetivomao.br
***
Discente do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Amazonas. kfreitas@genius.org.br

�exíguos; as situações de trabalho com elementos externos ao seu ambiente nativo, e, por
conseguinte com outras culturas: clientes, fornecedores, parceiros, terceiros, equipes de outras
unidades

organizacionais,

inclusive

do

estrangeiro

exige

um

perfil

multicultural;

as

tecnologias da informação e da comunicação estão a oferecer constantemente novas
oportunidades e ameaças e o ambiente de mercado é cada vez mais competitivo, não só em
relação aos competidores tradicionais, mas principalmente, pelos novos entrantes e produtos
substitutos.
Com muita propriedade, TEIXEIRA et all (2002) ao discutirem o ensino de
Biblioteconomia por competência afirmam que os gestores contemporâneos necessitam ter a
capacidade de reconhecer e analisar as tendências do ambiente para adaptar-se a elas. Com
efeito, os autores destacam ainda que competências como conhecimento geral, informática,
línguas complementam a capacidade de visão de conjunto, interpessoalidade e o trato com a
informação como fundamentais para a empregabilidade.
Cotejando o cenário de atuação acima descrito e as competências exigidas pelo
mercado de trabalho, este estudo busca responder a uma indagação: qual o indicador apontado
pelo estilo gerencial adotado pelos gestores de bibliotecas de instituições de ensino superior
em relação à manifestação de suas competências, entendidas por habilidades, atitudes e
conhecimentos? Tal questão desdobra-se em dois eixos básicos para a pesquisa: um
relacionado à identificação, através de pesquisa de campo, do estilo gerencial predominante a
partir de valores ajuizados pelos gestores e outro relativo as competências exigidas para o
desempenho da função a partir do estudo da literatura existente.
Como resultado de um trabalho de pesquisa, esse artigo apresenta os aspectos inerentes
ao primeiro eixo básico do estudo, qual seja, o perfil dos administradores de bibliotecas de
instituições de ensino superior que atuam na cidade de Manaus a partir das abordagens
administrativas

e

dos

estilos

gerenciais

oriundos

da

Teoria

Comportamental,

mais

especificamente, da abordagem teórica de Rensis Likert.
Gerência: qualidades, funções e papéis
O termo gerência vem do inglês management e está ligado à administração, tanto nas
empresas como em outras organizações, podendo ser considerada uma função intermediária da

�Direção, estando subordinado a um nível mais alto na hierarquia da empresa e tendo sob sua
direção outras pessoas, ou seja, é a função que tem a supervisão de outro ao mesmo tempo em
que presta serviços a um terceiro.
O gestor ao executar a sua função necessita conhecer os objetivos da tarefa proposta e
transformá-los em uma ação por meio de planejamento que o manterá em uma direção e no
controle de todos os esforços utilizados para o alcance das metas elaboradas.
Dentro deste enfoque, FUNARO (1997) afirma que
o gerente ganha a função de facilitador no desempenho das tarefas,
alcançando os objetivos da organização e motivando os subordinados para
que os mesmos possam agir de forma cooperativa, disciplinada e que tenha a
oportunidade de crescimento e desenvolvimento pessoal.
O gerente deve ter pleno conhecimento de suas funções e de seu papel dentro da
organização para que desenvolva com eficiência e eficácia as tarefas sob sua responsabilidade.
Especialmente quando se trata do gestor de unidades de informação, a Lei 4.084 de
30/06/641

que rege a profissão, estabelece como sendo atribuições profissionais do

bibliotecário, a organização, direção e execução dos serviços técnicos além da administração
de bibliotecas, passando a ter efeito mais ampliado no processo de formação profissional
quando o Ministério da Educação e Cultura – MEC delineou o currículo mínimo, em 1982,
incluindo disciplinas como organização e métodos, administração, marketing, estudo da
comunidade, entre outras indispensáveis à formação curricular e capacitação multidisciplinar
desses que serão os futuros gestores da informação. Recentemente o Conselho Nacional de
Educação (2001) aprovou as Diretrizes Curriculares que definem competências e habilidades
necessárias para o exercício profissional que, marcadamente no processo de gestão, envolvem
a capacidade de:
formular e executar políticas institucionais; elaborar, coordenar, executar e
avaliar planos, programas e projetos; utilizar racionalmente os recursos
disponíveis; desenvolver e utilizar novas tecnologias; traduzir as necessidades
de indivíduos, grupos e comunidades nas respectivas áreas de atuação;
desenvolver atividades profissionais autônomas, de modo a orientar, dirigir,
1

A profissão passou, em 1998, a ser legislada pela Lei nº 9.674/98 de 25/06/1998, conhecida no meio
profissional como a Lei do Veto em função do grande número de artigos vetados pelo Presidente da República.
Essa lei pouco ou nada esclarece sobre a atuação profissional, motivo pelo qual não foi considerada quando das
digressões teóricas desse estudo. O artigo 5º alínea II, IV e V vetadas, tratavam especificamente de delinear a
atividade do administrador de bibliotecas.

�assessorar, prestar consultoria, realizar perícias e emitir laudos técnicos e
pareceres; responder a demandas sociais de informação produzidas pelas
transformações tecnológicas que caracterizam o mundo contemporâneo.
Observa-se que, tanto o espírito da lei que rege a ação profissional quanto a que
sistematiza a sua formação, há uma ampla preocupação com questões voltadas a atividade de
gestão de unidades de informação, seja no entendimento de que ela se constitui em um
organismo a ser gerenciado, seja na percepção de que os mecanismos de gestão do
conhecimento também necessitam ser conhecidos pelo profissional.
MINTZBERG2 , citado por MAXIMIANO (1995: 70-72) define papel como um
conjunto organizado de comportamentos que pertencem a uma função ou posição identificável
e agrupou os papéis gerenciais em três famílias:
§

Papéis Interpessoais , onde o gerente age como líder, como ligação entre sua equipe e
outras no intercâmbio de informações;

§

Papéis de Informação, onde o gerente age como monitor, como disseminador (papel
que complementa o anterior) de informações de fora para dentro, e como porta-voz
(levando as informações de dentro para fora);

§

Papéis de Decisão, onde o gerente age como entrepreneur, ou seja, empreendedor
(planejando e iniciando mudanças), como controlador de distúrbios (relacionado a
crises

conflitos

ou

imprevistos),

como

administrador

de

recursos

(ligado

à

administração do próprio tempo, do trabalho alheio e autorização de decisões tomadas
por terceiros) e como negociador frente a outras empresas ou órgãos.

A diferença entre papel e função reside no fato de que a segunda lida com o saber
fazer o trabalho, enquanto a primeira se atém às atitudes que devem ser tomadas para que o
saber fazer, seja corretamente executado.
Gerenciar é, sobretudo, lidar com pessoas, fator fundamental para o desenvolvimento
de atividades, mas que necessitam de motivação constante podendo ela ser provocada por
estímulo externo ou interno.

2

MINTZBERG, Henry. The nature of managerial work. New York: Harper &amp; Row, 1973.

�A administração está inserida nas mais diversas áreas do conhecimento como elemento
de coordenação e direção profissional e pessoal. Desta forma, a Biblioteconomia e mais
especificamente as bibliotecas de instituições de ensino superior, se utilizam da administração
para gerenciar processos e a informação de forma racional, direcionando-se para satisfazer às
necessidades da comunidade a que atende.

Teoria Comportamental: buscando a essência da práxis gerencial

Comportamento é a maneira pela qual um indivíduo ou uma organização age em
resposta ao seu meio ambiente.
A Teoria Comportamental surgiu em 1947 nos Estados Unidos, dentro de uma
fundamentação

amplamente

democrática,

representando

para

a

maioria

dos

teóricos

comportamentais a aplicação da Psicologia Organizacional à Administração. Seu objetivo
principal é a preocupação em satisfazer as necessidades humanas dentro do contexto
organizacional, apresentando-se como uma das mais democráticas teorias administrativas,
tendo no processo decisorial um importante aspecto que retrata os objetivos e desempenho da
organização.
Os

estilos

de

administração,

originado

nessa

teoria,

caracterizam-se

pelas

manifestações das convicções que os gestores têm a respeito do comportamento humano
dentro da organização.
O desenvolvimento das teorias basilares do comportamento possibilitou significativas
transformações para os estudos sobre a gestão que associou o crescimento da organização ao
do indivíduo. KWASNICKA (1995), afirma que uma organização surge espontaneamente da
associação de pessoas que têm as mesmas necessidades, interesses e objetivos.
Pela necessidade em caracterizar os estilos de administração, Douglas McGregor
apresenta-se como um dos mais conhecidos teóricos behavioristas. Sua teoria compara dois
estilos opostos e antagônicos de administrar: de um lado, um estilo, excessivamente
mecanicista, a Teoria X, e de outro, um estilo baseado nas concepções modernas a respeito do
comportamento humano, denominado Teoria Y. A primeira reflete um estilo rígido, duro e
autoritário, que limita o fazer das pessoas que trabalham dentro de certos padrões previamente

�planejados e organizados, tendo em vista exclusivamente os objetivos das organizações. Dessa
forma, toda vez que um administrador impõe um esquema de trabalho, passando a controlar
externamente o comportamento de seus subordinados, ele se enquadrará na extremidade da
Teoria X. O fato do dirigente impor autoritariamente ou suavemente não faz diferença, para
McGregor ambas são diferentes formas de se fazer Teoria X.
Na Teoria Y, as concepções e premissas atuais a respeito da natureza humana são seus
elementos caracterizadores, que reflete um estilo de administração muito aberto e dinâmico,
extremamente democrático e francamente participativo, baseado nos valores humanos e
sociais. Para a Teoria Y, administrar é um processo de criar oportunidades, encorajar o
crescimento individual e proporcionar orientação quanto a objetivos.
Para McGregor, o X e o Y são o extremo de um contínuo que poderá variar conforme o
modo de ação de cada gestor, sem, contudo delinear as características que compõem o meio
termo das duas variáveis.
Como um complementador dos estilos de administração apresentados por McGregor,
emerge, um outro teórico muito importante dentro desse processo de caracterização do
comportamento humano que é Rensis Likert. Ele fundamenta seus estudos considerando
priorísticamente “a Administração como processo relativo, no qual não existem normas e
princípios universais válidos para todas as circunstâncias e ocasiões” (CHIAVENATO,
1997, p. 548).
Os Sistemas de Administração, assim denominado por Likert, não tem limites
definidos entre si, podendo um administrador estar em níveis intercalados entre um sistema ou
outro, ou seja, ser simultaneamente Autoritário e Consultivo, podendo ser Autoritário em uma
tomada de decisões e Consultivo no relacionamento com seus subordinados.
A teoria de Likert possibilita um melhor enquadramento dos estilos gerenciais
observados, de forma a considerar as características particulares de cada organização,
enfatizando, ainda, questões ligadas ao ambiente interno e externo, suposições do gerente
sobre o funcionário, aspectos diversificados das organizações e de grupos envolvidos e
principalmente como forma de melhor adequar esses estilos à necessidade e realidade de cada
gerente dentro da organização.
Nesse sentido, o autor desenvolveu uma nova teoria de organização baseada nos
princípios e práticas de administração dos dirigentes de empresas norte-americanas que

�obtiveram os melhores resultados quanto aos processos de eficiência, produtividade e,
principalmente, aumento nos índices de satisfação nos membros das organizações que
aplicaram a teoria.

Tais sistemas podem ser mais bem visualizados quando acompanhados

pelo quadro a seguir:
Quadro 1- Sistemas de Administração de Rensis Likert
SISTEMA DE ADMINISTRAÇÃO
AUTORITÁRIO

PARTICIPATIVO

Autoritário forte

Autoritário benévolo

Consultivo

Grupo participativo

Sistema administrativo

Sistema administrativo

Trata-se de um

É o sistema

autocrático, coercitivo

autoritário com

sistema mais

administrativo

e altamente arbitrário,

atenuada variação

participativo do que

democrático por

controlando

comparado ao sistema

autocrático e

excelência. É também

rigidamente tudo o

anterior, ou seja, é um

impositivo,

o mais aberto de todos

que ocorre dentro da

sistema autoritário

representando um

os sistemas descritos

organização.

forte mais condescente

gradativo

por Likert.

Considerado o sistema

e menos rígido.

abrandamento da

mais duro e fechado

arbitrariedade

existente, tornando o

organizacional.

nível institucional
sobrecarregado com a
tarefa decisorial.
Fonte: LIKERT, Rensis. Novos padrões de administração, p. 258.

De acordo com a concepção administrativa estabelecida pelo autor, e que pode ser
observada no quadro acima, percebe-se que os quatro principais Sistemas de Administração
possuem diferentes características que podem ser subdivididas em sete variáveis principais
que compõe a nova teoria administrativa estabelecida pelo autor e que podem ser assim
definidas:
§

Forças motivacionais – Envolvem os sentimentos de crescimento individual, de
reconhecimento profissional e as necessidades de auto-realização. Fazem parte dentre
outros: o elogio, as recompensas salariais, a participação nas decisões e objetivos da
instituição. Ao aplicar tais forças, o gerente eleva o desempenho dos subordinados,
bem como da organização como um todo, fundamental para atingir o que o autor
define como Desempenho Organizacional.

�§

Processo de comunicação – É considerado um dos mais importantes elementos da
administração, uma vez que se bem realizado, proporciona a informação e a
compreensão necessária para a execução correta das tarefas, aumentando o grau de
desempenho e produtividade na organização.

§

Processo de interação-influência – Consiste na junção interdependente dos processos
de motivação, comunicação e decisão, de forma a proporcionar a cooperação e a
interação entre todos os membros da organização. A qualidade de todos esses
processos determina a capacidade da organização em realizar uma comunicação
eficiente, em tomar decisões corretas e em motivar, influenciar e coordenar as
atividades dos membros.

§

Processo decisorial – É o processo de análise e escolha entre várias alternativas
disponíveis do curso de ação que o dirigente deverá seguir. Constitui-se em um dos
mais importantes elementos da Teoria Comportamental por ser o que melhor conduz
aos objetivos e desempenho da organização, fundamentando-se em dois princípios: o
individual e o de grupo, sendo esse último o mais aceito pelos estudiosos em
administração, já que todos os membros afetados pela decisão sentem-se motivados a
participar de sua formulação e também executá-la.

§

Metas e expedição de ordens – Para a nova teoria de Likert, as metas e ordens
estabelecidas pelo gerente deve despertar no subordinado motivação para realizá-la,
utilizando na execução toda sua potencialidade.

§

Processos de controle – Estão intimamente relacionados ao desempenho das funções
decisoriais, ou seja, as chamadas funções de controle podem ser executadas tanto pelos
níveis mais altos da organização, quanto pelos níveis inferiores, de modo que todos os
membros da organização encarreguem-se por executá-la.

§

Desempenho – Está intimamente relacionada a outros mecanismos como: liderança,
comunicação e relações grupais. O autor define que os gerentes

que registram os

melhores padrões de desempenho formam grupos de trabalho eficientes através do
estabelecimento

de

diretos

canais

de

comunicação

entre

seus

subordinados,

confirmando, assim, sua autêntica característica de líder. Atitude essa que reafirma os
elevados níveis de produtividade e desenvolvimento de toda a organização.

�É importante esclarecer que os padrões demonstrados no quadro acima, não abarcam todos
os estilos gerenciais, e sim é mais um delineamento do padrão geral de administração. De fato,
outras categorias podem ser aplicadas nesse Sistema com vistas a se chegar bem mais próximo
do real estilo gerencial encontrado nos administradores.
Likert considera, também, a existência de diferentes formas de organização, que permite
produzir diferentes administradores capazes de operar dentro desses sistemas. Exemplificando:
uma organização autoritária tende a desenvolver gerentes dependentes e pouco líderes,
enquanto que as organizações participativas tendem a desenvolver gerentes socialmente
maduros, eficientes, com iniciativa, abertos a opiniões do grupo e principalmente fazendo
cumprir o exercício de liderança.
O autor salienta que, para a nova tendência de estrutura organizacional baseada no Modelo
Grupal de Organização, todas as decisões são tomadas em conjunto, analisadas sob o ponto de
vista da organização mediante reuniões regulares entre o superior e os demais membros da
organização.
O líder neste modelo de organização exerce a função de ligação entre seu grupo e toda a
organização, representando de maneira efetiva as opiniões, metas, valores e decisões de seu
grupo. Seu papel, neste cenário, é desenvolvido através de eficientes processos de
comunicação, conferindo-lhe melhor informação e mais experiência na tomada de decisões
que, sozinho, não poderia coordenar. Os líderes podem desempenhar, também, papéis duplos,
voltados ora como líder no grupo de subordinados, ora como subordinado perante chefias
superiores.
Decorrente deste mesmo modelo grupal, o autor estabelece como sendo um importante
fator para o desempenho organizacional o Princípio de Relações Solidarizantes, no qual o
superior leva em consideração as experiências e expectativas de cada subordinado, colocandose no lugar do outro a fim de perceber as coisas de maneira coletiva. É necessário, neste
princípio, que cada membro da organização sinta-se motivado, o que concorrerá para uma
consciência de que tanto os objetivos da organização, como sua própria tarefa, são
indispensáveis para a concretização dos objetivos da mesma.
A motivação vem, portanto, como uma das mais importantes características deste
processo, já que através dela, cada membro sente-se identificado e responsabilizado pelo
cumprimento das decisões conjuntamente tomadas.

�Neste

campo

da

motivação

humana,

surgem

dois

importantes

teóricos

comportamentais que vêem como prioridade o conhecimento das necessidades humanas para
uma melhor compreensão acerca do comportamento gerencial do administrador, bem como
um meio para melhorar a qualidade de vida dentro das organizações. São eles: Maslow e
Herzberg.
Maslow apresentou uma teoria baseada nas necessidades do homem, dispostas em
níveis, numa hierarquia em forma de pirâmide, na qual a base é representada pelas
necessidades fisiológicas (alimentação, repouso, abrigo, etc.) e no topo, as necessidades de
auto-realização (realização do seu próprio potencial). Já Herzberg desenvolveu a chamada
teoria dos dois fatores, para melhor explicar o comportamento do indivíduo dentro da
organização, formados pelos fatores higiênicos (salário, ambiente de trabalho, ascensão de
cargo, etc.) e os fatores motivacionais (reconhecimento profissional, auto-realização, etc.).
O que se pode observar nas teorias motivacionais propostas por Maslow e Herzberg é
que ambas apresentam pontos de concordância que permitem desenvolver um quadro mais
amplo sobre o comportamento humano, através da interligação existente entre cada uma delas,
ou seja, os fatores higiênicos de Herzberg referem-se às necessidades fisiológicas de Maslow,
enquanto que os fatores motivacionais referem-se às chamadas necessidades de autorealização.
Todos os princípios e concepções já apresentados são mais um norteamento para se
chegar à identificação dos perfis gerenciais, através dos dados obtidos nesta pesquisa, com
base na fundamentação dos Sistemas Administrativos estudados por Rensis Likert.
A atuação manauense: a analise dos estilos dos gestores
A finalidade desta pesquisa foi conhecer o sistema de gestão e o perfil gerencial dos
administradores de bibliotecas de instituições de ensino superior de Manaus.
Para este estudo foram coletados dados junto aos gerentes de cinco instituições dessa
natureza de num total de oito existentes na cidade.
Observou-se que dentro do perfil organizacional levantado, os gerentes foram
indicados para exercer o cargo, o que pode denotar uma ausência de plano de carreira dentro
das instituições em que atuam. Além disso, mais de 50% dos bibliotecários têm mais de 10
anos de tempo de serviço e não possuem pós-graduação na área gerencial.

�Quanto ao treinamento recebido para o exercício da função, verificou-se que mais da
metade dos profissionais receberam treinamento antes de assumir o cargo. No entanto, para a
maioria dos bibliotecários esta prática não foi suficiente para atender suas necessidades
profissionais; o que pode ser confirmado no que se refere à atualização, onde apontam a gestão
como um ponto importante para o desempenho de suas funções.
A leitura e a participação em eventos foram às formas mais indicadas de atualização na
área, o que não pode ser considerado ideal, pois se sabe que o hábito da leitura também não é
fator preponderante entre os bibliotecários e os eventos voltados para a administração de
bibliotecas são raramente oferecidos na cidade de Manaus.
Com relação às atividades desenvolvidas, percebeu-se que o profissional se preocupa
muito com as atividades burocráticas tendo em vista que as atividades realizadas mais
apontadas foram: reuniões e elaboração de plano de trabalho. Para MAXIMIANO (1995), tais
atividades caracterizam o profissional como um burocrata que está muito mais preocupado
com a manutenção dos procedimentos institucionais do que com os rumos e estratégias a
serem cumpridas na prática.
Quanto ao sistema de comunicação, percebe-se que na elaboração de atividades, os
gerentes são classificados dentro do sistema de Likert como consultivos, pois dependendo da
atividade, estes reúnem apenas os subordinados envolvidos com a atividade para juntos
discutirem suas ações.
Dentro dos padrões de Likert, os bibliotecários–gestores se inserem no perfil
participativo no que diz respeito à forma de se comunicar com seus colaboradores visto que
estes o fazem verbal e pessoalmente.
No relacionamento interpessoal, os profissionais foram definidos como participativos
por interferirem como advogados perante os conflitos, tomando uma posição após analisar a
situação que envolvia seus colaboradores.
Tendo em vista os itens elencados e considerando as variáveis de Likert, os gerentes
das bibliotecas de instituições de ensino superior de Manaus podem se enquadrar em
autoritários benévolos, levando em consideração o tempo na função, onde a produtividade é de
regular para boa. Quanto ao comportamento dos gerentes durante as reuniões estes se
enquadram numa postura participativa, onde o gestor considera todas as sugestões colocadas

�em pauta; já em relação às decisões, o gerente é consultivo/participativo, pois considera todas
as sugestões de consenso da equipe.
Dentro do sistema de organização proposto por Likert, os gerentes podem ser
enquadrados como participativos. Quanto ao sistema de recompensas, estes também são
participativos, pois fazem uso das forças motivacionais de maneira grupal para que todos
tenham conhecimento.

Considerações Finais
Pode-se concluir que os gerentes de bibliotecas de instituições de ensino superior na
cidade de Manaus são profissionais capacitados para o exercício da função, mas, conforme
afirmado por eles mesmos, necessitam de treinamento na área de administração.
Tratando-se de uma função específica, é importante que a formação na parte de
planejamento de tarefas, administração de reuniões e relações humanas seja considerada tendo
em vista a importância do domínio dessas temáticas para uma prática mais qualitativa.
Pode-se afirmar que eles desempenham parcialmente o seu papel, pois cumprem suas funções
internas burocráticas e técnicas, mas, no que tange o seu papel de agente da informação,
colaborador de transformações sociais e animador cultural, os gestores mostram não
possuírem nenhuma ação nesse sentido.
Assim, o conhecimento sobre os resultados desta pesquisa se constituirá num
instrumento de alerta que servirá para que os profissionais busquem soluções para melhor
atender à comunidade, atuando de forma a viabilizar seu crescimento.
É necessário ressaltar que pesquisas devem ser feitas continuamente para que sejam
levantadas novas necessidades a fim de direcionar ações de melhoria. Em se tratando desse
fazer, acredita-se que, o primeiro passo, o do conhecimento foi dado. Resta-nos a partir de
agora, inferir na realidade de modo a produzir mudanças significativas na ação dos
administradores de bibliotecas para assim alterar a visibilidade dos agentes gestores da
informação.

�Bibliografia
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
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