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                  <text>COMUNIDADE ACADÊMICA E INFORMAÇÃO:
EXPECTATIVAS, FRUSTRAÇÕES E PERSPECTIVAS
Lena Vania Ribeiro Pinheiro
Professora da Escola de Comunicação
ECO/UFRJ.
Serviços de informação de bibliotecas universitárias brasileiras estudados
através de dois motivos condutores: a transformação das bibliotecas em centros
de documentaçãolinformação e os avanços tecnológicos da informática e das telecomunicações. Redes de bibliotecas e sistemas de informação e acesso a bancos e bases de dados. O modelo de universidade brasileira e a importância da informação para a comunidade acadêmica, politica de educação e Programa Nacional de Bibliotecas Universitárias-PNBU. Situação atual dos serviços de informação
em bibliotecas universitárias brasileiras e sua problemática. Atividades dos profissionais de informação no planejamento e avaliação de serviços. Propostas para
superar alguns problemas visando a alcançar a integração das bibliotecas universitárias às atividades acadêmicas de ensino, pesquisa e extensão.
INTRODUÇÃO
Um trabalho sobre serviços de informação de bibliotecas universitárias
pressupõe a discussão dos conceitos de universidade, de bibliotecas universitárias e de serviços de informação, estabelecendo relações entre os três. Nesse
sentido, é fundamental pensar a biblioteca de uma instituição de ensino superior
como "a complexa e dinâmica interrelação que ocorre no processo de comunicação na universidade, especialmente na criação de novos conhecimentos" - "o elo
vital entre coleções e usuários". (1,2)
Assim, a biblioteca não é um armazém, nem um trabalho meramente administrativo e nem um lugar - é um serviço.(1,2) E é exatamente o serviço que atuará nessa intermediação entre coleções e usuários, transformando "conteúdos
inertes da instituição em informação, comunicação viva que altera o comportamento do usuário".(1,2) Esses serviços são, segundo SHERA(3), o terceiro componente do conceito de biblioteca, além de aquisição, o primeiro, e organização, o
segundo.
Através da analogia entre as funções da biblioteca universitária e as da bússola, leme, eixo, roda; enfim, todos os termos na sua acepção de orientação e força propulsora, VEANER(1 ,2) atribui à biblioteca um papel essencial na criação de
novos conhecimentos. Aí reside uma das facetas do bibliotecário, como parte do

25:

�processo educativo. E, para o cumprimento desse papel, o bibliotecário tem que
ser bem formado e altamente treinado, o que é um outro aspecto da questão.
É nesse momento que deve ser analisada a atuação do Programa Nacional
de Bibliotecas Universátias-PNBU, que a partir de um leque de ações, tem apoiado
especialmente a formação e manutenção de coleções de periódicos (PAP - Programa de Aquisição Planificada), a aquisição de monografias (BIBLOS) e a especialização de bibliotecários (Curso de Especialização para Bibliotecários de Instituições de Ensino Superior).(4,5)
Se, por um lado, o PNBU contribui para a atualização e expansão de coleções e, de outro, capacita o pessoal de informação, o Programa está atacando os
problemas fundamentais, a base para o fornecimento de serviços de informação,
objeto do presente trabalho.
Sob o título de "Formação e Desenvolvimento de Coleções", o PNBU(4)
estabeleceu a sua diretriz VI: "favorecer a formulação de políticas institucionais de
formação, desenvolvimento e conservação de coleções de materiais informacionais, embasadas nos objetivos da universidade e em suas características".
Quanto à capacitação de recursos humanos, consta da diretriz IV do
PNBU(4), no item de planejamento de recursos humanos, que pretende dotar as
instituições universitárias de condições para formação e qualificação adequada de
recursos humanos para as bibliotecas, o que vem sendo efetivado através do Curso já mencionado. Entretanto, todos esses assuntos aqui abordados, pela diversidade de bibliotecas universitárias, conforme ressalta GOVAN (6) , não são tarefa
fácil e tornam "uma discussão ampla virtualmente impossível". Pode-se entender o
ampla, aqui, como generalizável, ressaltando-se que as conclusões deste trabalho,
e mesmo a sua abordagem, talvez não se apliquem a todas as bibliotecas universitárias brasileiras, mas àquelas que estejam num determinado estágio de organização que torne possível a implementação das ações propostas.
Porque, no Brasil, além das diversidades de bibliotecas universitárias, enfrenta-se os desníveis e disparidades sócio-econômicas entre regiões, onde coexistem um Estado industrializado, como São Paulo, e Estados do norte e nordeste,
de baixo índice de industrialização e situação de pobreza em muitos lugares. Além
disso, as potencialidades e recursos muito diversos também, de Estado para Estado, região para região e, muito naturalmente, o meio cultural onde se inserem as
bibliotecas universitárias, de natureza também diversificada, assim como as necessidades de informação de suas comunidades.
Os serviços de informação têm como condição "sine qua non" conhecer a
comunidade acadêmica e a universidade como instituição. Cabe, aqui, mencionar
as metodologias desenvolvidas em Ciência da Informação com essa finalidade, por

�exemplo, estudos de usuários e estudos de necessidade e demanda da informação. Tais metodologias, geralmente transportadas de outras áreas, vêm sendo
aplicadas sem nenhuma criatividade, com um conjunto de questões-padrão repetitivo e que parece não levar a nada, já que os resultados, na maioria das vezes,
não têm sido revertidos para as instituições.
Este trabalho terá, basicamente, dois motivos condutores: o primeiro, a
transformação das bibliotecas em centros de informação/documentação, na medida em que surgiram novas atividades e serviços, privilegiando a disseminação e, o
segundo, o aparecimento de novas tecnologias, sobretudo o computador e as telecomunicações, que vão afetar profundamente a estrutura das bibliotecas e suas
funções. Essas mudanças teriam o propósito de se adaptar a novas necessidades
e circunstâncias criadas pelo computador(7). E esbarraram na rigidez e inflexibilidade de organização das bibliotecas.
Reconhece-se, ainda, a partir das disparidades sócio-econômicas e culturais brasileiras, também os desequilibrios de nivel de organização e qualidade de
serviços de bibliotecas universitárias, onde se encontram grandes sistemas, parcial ou totalmente automatizados, a minoria, é verdade, e outros em que não foram
resolvidos os problemas de base. E mais, essas oscilações coexistem, muitas vezes, dentro de um mesmo sistema ou universidade, cidade, Estado ou região.
Ainda assim, como já foi dito, o trabalho considera necessária e inevitável o
processo de automatização em bibliotecas, pela disponibilidade de recursos das
modernas tecnologias de informação e comunicação.
Uma reflexão sobre o assunto pode ser embasada nas idéias de COYAUD,(8) na medida em que ele discute a necessidade real e o momento de automatizar, considerando o nível de organização do arquivo, o volume de dados, o
custo e benefício da operação. Para uma biblioteca sem infra-estrutura de pessoal,
equipamentos, etc, a automação pode não resolver e sim complicar, tanto que
COYAUD(8) condiciona a entrada na automação a quando "os problemas mais incertos estejam resolvidos, isto é, formalizados, em vias de um tratamento automatizado". Ele(8) conclui que a automação da informação só interessa e se justifica
"por uma concepção verdadeiramente renovada dos problemas documentários".

2 TRANSFORMAÇÃO DAS BIBLIOTECAS EM CENTROS DE INFORMAÇÃOIDOCUMENTAÇÃO
A transformação se deu na instituição, a biblioteca, na medida em que foi
ampliado o universo da disciplina, a Biblioteconomia, do profissional que nela atua,
o bibliotecário, e ao objeto de estudo, o livro. Assim, da biblioteca passou ao Cen-

27

�tro de documentaçãolinformação, da Biblioteconomia à Documentação e à Ciência
da Informação, do bibliotecário ao documentalista e cientista da informação, e do livro ao documento e, hoje, a informação. Deu-se, então, a passagem da ênfase no
tratamento técnico à ênfase na disseminação.
A biblioteca deixou de exercer sua atividade dentro de seu próprio espaço
e foi ao encontro do usuário, através da introdução de novas atividades e serviços.
O bibliotecário não pode restringir sua atividade, atualmente, à seleção, aquisição,
catalogação e classificação, elaborando fichas, sem divulgar esse trabalho à comunidade e permitir o acesso.
A biblioteca, originalmente privilégio de uns poucos iniciados é, na década de
70, um organismo onde se "coleta, cataloga, armazena e empresta fontes primárias de informação científica e técnica, na forma de livros, periódicos, mapas,
etc". (9)
Mas a idéia de centro de documentação é anterior, do início do século XX,
quando Paul Otlet e Henri La Fontaine, no Instituto Intemacional de Bibliografia,
lançaram esta definição: "o centro de documentação reúne, classifica e distribui
documentos de todos os gêneros nos campos da atividade humana",(9) o que amplia o conceito de biblioteca tradicional pela inclusão dos termos "documentos" e
"distribuição". Nessa fase, a idéia que se fazia era de que o bibliotecário teria conhecimentos mais gerais e o documentalista, mais especializados, principalmente
na área de especialização do centro. O bibliotecário mais especializado seria,
portanto, o de bibliotecas especializadas.
ATHERTON(9) introduz a idéia de avaliação e de tipologia de fontes, ao
afirmar que o centro de documentação "examina e avalia fontes primárias e secundárias de informação técnico-científica que incluem publicações comerciais e
documentos geralmente não tratados pelos bibliotecários". Para ela, que escreveu
uma obra clássica sobre serviços de informação,(9) uma biblioteca é parte de um
Centro de documentação e sua coleção é básica para os serviços, pois o centro
tem três setores principais:
- divisão de bibliotecas;
- divisão de documentação; e
- divisão de publicação.
O centro trabalha para responder a perguntas muito específicas de especialistas e pesquisadores e elabora índices, resumos, relatórios, etc, podendo fomecer traduções e serviços reprográficos da literatura original.(9)
Aqui são introduzidos novos serviços, inclusive a reprografia, que é um dos
mais utilizados e que no Brasil mereceu a criação de um programa especial - o
COMUT, e a idéia de recuperação da informação.

28

�o conceito de ATHERTON(9) já indica um trabalho mais voltado para serviços, o que é corroborado por WEISMAN,(1 O) na sua afirmativa de que o centro de
documentação é "mais distribuidor do que arquivo".
Outro organismo é o centro de análise da informação que, no Brasil, não
existe isoladamente e integra o próprio centro de documentação, incorporando algumas de suas atividades. Para BRADY,(11) "centro de análise da informação é
uma unidade organizacional formalmente estruturada, com o objetivo de adquirir,
selecionar, armazenar, recuperar, avaliar, analisar e sintetizar um corpo de informações dentro de uma área bem definida e apresenta novas informações abalizadas, oportunas e úteis à sociedade à qual se dirige". Portanto, a qualidade do serviço depende da rapidez, da economia e da autoridade da informação fornecida.
Um centro de análise de informação se incumbiria de:
- "reunir tudo o que se conhece sobre um campo em particular, bem definido;
- analisar e avaliar essa informação; e
- resumir e armazenar a informação em arquivos, formulários de dados e
revisões e comunicar essa informação através de boletins de alerta, publicações e respostas a perguntas".(9)
Nessa definição, o novo é mostrado pela inclusão da automação e produtos de
informação como os boletins de alerta.
Não se pode deixar de ressaltar, também, que para os serviços de análise e
avaliação de documentos é pré-requisito conhecer a área em questão.
Portanto, pode-se deduzir a necessidade de equipes multidisciplinares, urna
vez que o profissional de informação conhece as técnicas e o especialista, o assunto.
Há, além das entidades já citadas, muitas outras como centro de dados,
centros de disseminação seletiva da informação-DSI, centros de serviços de informações tecnológicas, terminologias não adotadas no Brasil.
ATHERTON(9) faz, em seu manual, uma comparação entre funções, produtos e operações de serviços de tipos de organizações de informação, nos Estados Unidos, sem interesse para este trabalho, por não ser seu objetivo elucidar
questões terminológicas e conceituais.
Outro tipo de organismo de informação é o Centro Referencial (Referral
Center) , que indica aos usuários as fontes, sejam elas instituições, pessoas ou
documentos, nas quais pode obter informações sobre um determinado assunto ou
problema.
As funções do centro referencial, segundo ATHERTON,(9) seriam:
- "Coletar, em bases mundiais, informações sobre dados e recursos de in-

�formação, dentro de um assunto ou missão;
- preparar um inventário com os tipos de dados/informações/serviços disponíveis com índice de assunto para acesso; e
- orientar usuários para fontes apropriadas de dados ou informações solicitadas".
O Centro referencial é tão importante que a UNESCO publicou um manual
especialmente com o objetivo de orientar a criação de centros referenciais.
No Brasil, conhece-se a unidade referencial do IBICT e sabe-se que a UFRJ
está iniciando um projeto de centro referencial, parte do seu sistema de informação.
O serviço referencial, e não o de referência, que é diferente, merece destaque também porque há poucos diretórios, guias e catálogos e os existentes, na
maioria das vezes, estão desatualizados. Por este motivo, entre outros, persiste
em nosso País a dificuldade de se conhecer o cenário da informação científica e
tecnológica. Um trabalho importante, nessa linha, é o de GARCIA(12), escrito err
1980, no qual ela inclui um quadro com os principais serviços de informação/documentação, assinalando os em andamento, implantação e planejamento.
O usuário não recorre à biblioteca por não conhecer as suas potencialidades
e o bibliotecário, por sua vez, pode deixar de orientar o seu usuário a um serviço
especializado, por desconhecê-lo.
As redes de bibliotecas são abordadas neste estudo pelas vantagens que
apresentam como serviços cooperativos e pelas possibilidades da atividade em
rede, através do uso do computador. São incluídos outros serviços cooperativos,
por exemplo, o empréstimo entre bibliotecas que, juntamente com a catalogação
centralizada e a aquisição cooperativa, deram origem a redes.
Há uma interminável discussão teórica dos termos redes e sistemas, muitas
vezes confundidos e utilizados como sinônimos, o que revela ser o trabalho em rede passível de se constituir em sistema e vice-versa, ou melhor, essas formas de
atuação não são excludentes. Sobre esse assunto, BALDUíNO(13) desenvolveu
interessante trabalho, dissertação de mestrado em Biblioteconomia. Este e outros
aspectos de redes e sistemas são ampla e exaustivamente debatidos em pesquisa
recém concluída(14), apoiada pelo PADCT.
Finalmente, os sistemas de informação, a forma atual mais articulada de
operação buscada pelos organismos desse setor.
Segundo WEISSMAN(10), "sistema de informação abrange métodos, material, meios, produtores e receptores envolvidos num meio organizado para efetuar
a transferência de informação dentro de um campo específico, atividade ou organização".

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�Para ATHERTON(9), o principal requisito do sistema é determinar as necessidades especificas de informação que os serviços vão satisfazer. Entrariam ai
os estudos de usuários da informação e avaliação de desempenho, nas suas diversas modalidades, mas que, tal como vem sendo desenvolvido, em geral, no
Brasil, não têm sido de grande utilidade, o que foi discutido no capítulo anterior.
Não seria válido o contato informal e permanente com pesquisadores e professores, permitindo detectar os seus "sistemas" de informação? Na UFRJ, por exemplo, um pesquisador de biofísica identifica os trabalhos de seu interesse em fontes
secundárias e requisita separatas diretamente aos autores. De posse das mesmas, fotocopia e expõe em lugar de fácil acesso pelos alunos e colegas. Não caberia ao bibliotecário apoiar e participar do processo? "Descobrir" esta e outras
iniciativas semelhantes, por parte de pesquisadores, depende mais de iniciativa
e interesse do que de estudos formalmente desenvolvidos com esse objetivo.
Finalmente, a definição do IBICT: "sistema de informação especializado é
um conjunto de atividades interrelacionadas de geração, análise e difusão de informações, numa ou em várias áreas do conhecimento, visando à consecução de
um objetivo. Quando várias instituições se articulam formalmente para a consecução desse objetivo, tem-se um sistema em rede".(13)
Nesta e em outras definições de sistemas de informação percebe-se, claramente, as idéias de BERTALANFFY(15), preconizadas na sua teoria geral de sistemas.
3 A REVOlUÇÃO DOS COMPUTADORES E DAS TELECOMUNICAÇÕES: AS
REDES E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO E O ACESSO A BANCOS E BASES
DE DADOS
Tanto redes quanto sistemas de informação estão muito associados ao uso
de computadores, dependem dos avanços tecnológicos e criam situações de interdependência que afetam a estrutura, as funções e os serviços de informação. É
inegável o quanto a introdução dos novos avanços tecnológicos, a chamada "informatização da sociedade", acionou mudanças organizacionais nas bibliotecas.
Pode-se considerar que a primeira rede como parte de automação operacional é a de bibliotecas universitárias, da Ohio College Library Center- OClC, criada em 1967. A OClC foi tão bem sucedida que, em 1975, tinha 500 bibliotecas
participantes, em 1976, mais de 750 e, em 1977, mais de 900, com número superior a um milhão de ti'tulos.(16, 17)
A OClC produz fichas catalográficas, usa o MARC 11 e recebe insumos de
todas as bibliotecas da rede, prestando uma série de serviços;(18, 19)
- catálogo coletivo em linha e sistemas de catalogação;
- sistemas de comunicação para empréstimo entre bibliotecas;
- controle de periódicos;

31

�- acesso à distância a catálogo pelos usuários e controle de circulação; e
- acesso por titulo e assunto.
Alguns sistemas e redes começaram em âmbito estadual ou regional e depois se expandiram, sendo os últimos criados para permitir que as bibliotecas fora
do Estado de Ohio, usassem a OCLC.(18)
Em outros países, redes foram implantadas para facilitar o processamento
automatizado ou centralizado de grupos de bibliotecas.
De GENNARO(18) identifica três fases distintas da automação:
- de centralização;
- de descentralização; e
- de sistemas locais.
Na década de 70,(18) os sistemas e redes implantados nos EUA, como a já
citada, de Ohio, e outros como o de Washington (The Washington Library Network), regional, e o RLG (Research Libraries Group Inc.), que engloba o Research
Libraries Information Network (RLlN) operavam com computadores de grande
porte, tecnologia vigente à época. É a fase das grandes redes de bibliotecas de
muitos tipos e funções - grandes redes nacionais, com ampla aceitação do uso do
formato MARC (Machine Readable Cataloguing), um marco no desenho de grandes redes e sistemas.
Esses computadores tornaram-se elefantes brancos depois dos seguintes
avanços tecnológicos:(18)
- surgimento de micro e minicomputadores;
- sistemas "on line" sofisticados; e
- desenvolvimento do poder e capacidade das telecomunicações.
A tendência atual nos EUA é a volta à descentralização para atender às necessidades de informação local. Há, a partir de 1980, uma distribuição de funções
locais, com a proliferação rápida de uma variedade de poderosos e versáteis sistemas de microcomputadores em bibliotecas individuais.(18, 19)
Nesse sentido, as novas tecnologias não acentuam a interdependência, libertam as bibliotecas para atuar independentemente. Se as redes regionais podem
oferecer assistência financeira e técnica às bibliotecas, no uso de pequenos computadores, as redes estão aptas à transição da centralização para o processamento disperso. Essa tendência permite aos sistemas descentralizados atender a
uma variedade de funções locais, incluindo catálogos públicos "on line". Cada biblioteca, no entanto, pode conectar um sistema centralizado, sem a imposição de
uma organização secundária ou rede.(18,19) Deve-se discutir, a partir daí, as
vantagens e desvantagens da atuação em rede. A tendência inicial de formar redes nasceu da excitação e estímulo das disponibilidades do computador. Mas as
redes não levam em conta as idiossincrasias da cooperação entre bibliotecas. Não
se pode esquecer os problemas de perda de autonomia e controle de orçamento e
operação, problemas políticos e econômicos.(18, 19)
No Brasil, no início da década de 70, foi implantada a Rede de Bibliotecas da
Amazônia-REBAM, que não chegou a ser automatizada e suspendeu suas atividades, como rede, em 1976.(20)

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�Um exemplo de rede bem sucedida é o da BIBLlOOATAlCAlCO, da Fundação Getúlio Vargas, que vem-se expandindo muito, ultimamente, inclusive pela
participação de bibliotecas universitárias. Um dos objetivos dessa rede é a catalogação cooperativa, com fornecimento de fichas catalográficas. O objetivo principal
da OClC também é o de construir uma grande base de registros bibliográficos em
computador, como apoio a processamento técnico e administrativo das bibliotecas,
em operação "on line".
Esta é a função primordial de redes, tanto que MARTYN(19) afirma que bancos de dados bibliográficos continuarão a ser fonte de catalogação de dados e
empréstimo entre bibliotecas mas a maioria de outras funções, computadorizadas,
pode ser transferida para um sistema local.
No Brasil, outra rede de muito sucesso, senão a melhor, é a BIREME, na
área de Medicina, e que atua com as modernas tecnologias, inclusive discos óticos.
Foi a partir da metade de 1960 que apareceram os serviços de acesso "on
line" a bases de dados. Segundo o plano CYCLAOES,(21) "este encontro da informática e das telecomunicações deu lugar ao nascimento da teleinformática, e a
evolução desta ocasiona o fenômeno das redes". Muito contribuíram para a indústria da informação o desenvolvimento de terminais de computador, redes de comunicação de dados e linhas telefônicas.(22)
No início da década de 80, centenas de bases de dados bibliográficos e
bancos de dados estavam disponíveis, "on line", através dos:(21 )
- System Oevelopment Corporation (SOC);
- Bibliographic Retrieval Service (BRS);
- British Library Automated Information Service (BLAISE);
- European Space Agency (ESA); e
- loockheed Information Service (LlS).
Muitas das bases de dados bibliográficos são distribuídas também na forma
impressa, em microficha e, mais recentemente, em fitas e disquetes.
No entanto, SAllES(23) cita estudos recentes que demonstram que os produtores de bases de dados privilegiam "a comercialização de seus produtos finais
através de sistemas "on line", abandonando as formas mais convencionais". Isto,
segundo ele, porque essas formas que eram anteriormente as mais lucrativas foram se tornando mais caras e com menor retorno.
Esses bancos e bases de dados apareceram principalmente nos Estados
Unidos, Europa e Canadá, permitindo "a consulta interativa e simultânea para milhares de utilizadores, independentemente de sua localização física ou geográfica,
através de um terminal de vídeo ou impressora acoplado a uma linha telefônica ou,
ainda, via rede pública de telegrafia".(22)
Mas há, segundo SAllES,(23) a tendência a ampliar o número de usuários
através da distribuição de CO-ROMs, de custo menor por eliminar os custos de
telecomunicações e de informação.
Outra tendência recente, ainda de acordo com SAllES,(23) se manifesta

33

�"na inclusão de mais bases de dados contendo informação retrospectiva, no oferecimento de maior número de bases de dados ''full texl" e na sofisticação dos
programas de recuperação, tomando-os mais acessfveis a usuários leigos".
No Brasil, esses sistemas "on line" começaram a operar no final da década
de 70, em contatos considerados por SALLES(23) precários e lentos, através de
terminais de video, telex ou microcomputadores, via rede de telex ou telefonia internacional.
Depois surgiu a rede de telecomunicação de dados o INTERDATA, da EMBRATEL.
O IBICT foi um dos pioneiros no acesso "on line" a bases de dados, serviço
que iniciou no final de 1977, sob a forma de um Cenlro-Piloto que visava, ao mesmo tempo, avaliar as bases de dados para selecioná-Ias, e formar recursos humanos nessa área.(22) Começou operando o ORBIT, depois o DIALOG e QUESTEL
e apresentou, em 1983, um crescimento de 176%, num posto de serviço que fim·
cionava no Rio de Janeiro, já que o IBICT havia sido transferido para Brasilia. Em
1965, esse posto foi instalado no Inst~uIo Nacional de Propriedade Industrial-INPI,
por força de convênio entre CNPqlIBICT-INPI, onde funciona até hoje, enquanto o
IBICT acessa as mesmas bases em Brasflia.
As universidades acessam bases e bancos de dados ou solicitam esse serviço? Segundo dados da dissertação de SALLES, as universidades e institutos de
pesquisa representam 12% dos usuários e a área de ensino e pesquisa corresponde a 9%. Os assuntos predominantes são: qufmica (53,5%), economia/mercados (14,5%), patentes (10%), mineração (6%), fisicalciência (4%), saúdelmedicina
(3,25%) e meio-ambiente (2,75%).
~ oportuno destacar a existência de produlores de bases de dados, no Bra-

sil, como o IBICT, o Centro de InformaçOes Nucleares-CIN, a BIREME, o Departamento Nacional da Produção

Minera~DNPM

e a Companhia de Pesquisa e Re-

cursos Minerais-CPRM. Estes úHimos produzem, em convênio, um conjunto de
bases e bancos, bibliográficos e não-bibliográficos, num total de nove.
As inst~uições que interessam especialmente a este trabalho, as universidades, aparecem entre os maiores usuários, duas, com o número de buscas entre
100 e 300, juntamente com um institulo de pesquisa.(23)
Portanto, as universidades são usuários potenciais de bancos e bases de
dados e deveriam ser concentrados maiores esforços para que mais e melhor
usufruíssem do acesso e, ao mesmo tempo, se ampliasse o acervo de coleções
em áreas de grande interesse para o ensino e pesquisa no Brasil.
O que se observa é que não há divulgação suficiente das bases e bancos,
exceto os do CIN, que têm melhor trabalho na promoção de serviços. Faltam guias

34

�e diretórios pois apenas a revista INFO dedicou parte de um de seus números a
divulgação de bancos e bases brasileiros, o que parece não ser suficiente. Há que
se fazer uma divulgação ampla nas universidades.
4 UNIVERSIDADE E CONHECIMENTO - BIBLIOTECAS E INFORMAÇÃO
Este capítulo aborda as questões da universidade, naquilo que se refere especificamente a bibliotecas universitárias ou o que, como política e ideologia universitárias, interfere, na atuação dessas bibliotecas.
Esses trabalhos, por terem sido elaborados por autores não bibliotecários,
poderão mostrar a questão do outro lado, na medida em que o enfoque é sob o
ponto de vista do professor e do pesquisador e, portanto, da comunídade acadêmica usuária de bibliotecas universitárias. Outro objetivo é dimensionar a importância
da biblioteca na política de ensino e pesquisa.
BORSTEIN,(24) em artigo escrito em 1983, avalia a crise e evasão da universidade e aponta, entre as dificuldades, as condições de trabalho de professores
e pesquisadores por "falta de equipamento para ensino e pesquisa, bibliotecas e
laboratórios cada vez mais deficientes, diminuição de bolsas e dos auxílios para
pesquisa ... ", afirmando que todos esses problemas "têm piorado sensivelmente
nas universidades".
Considerando-se a política educacional brasileira dos últimos 15 anos, "a
expansão do ensino superior é um fenômeno que marca a política educacional
brasileira".(25) Houve, ao mesmo tempo, grande expansão da pós-graduação,
anteriormente incipiente. Essa expansão ocorreu mais pela importação do modelo
americano de mestrado e doutorado, que levou a obrigatoriedade da titulação do
corpo docente como avaliação e promoção de carreira.
Esses fatos ocorreram simultaneamente à expansão de ensino superior "evidente e maciça".(15)
Em decorrência, foram criadas bibliotecas diretamente vinculadas a programas de pós-graduação. Era de se esperar que as bibliotecas, suporte dessas atividades, recebessem igual apoio e incentivo, o que não ocorreu.
Foi a partir de 1968, mais precisamente através da Lei n9 5.540/68, da reforma de ensino, que houve a redefinição do papel das instituições de ensino superior, estabelecendo o princípio de indissociabilidade entre ensino e pesquisa. Assim, a atividade de pesquisa passou a estar ligada ao ensino, galgando igualdade
de condições e importância.(26) Os pressupostos teóricos do modelo de instituição preconizado pela lei reconhecem duas vertentes: uma, a concepção da educação vinculada ao desenvolvimento econômico e, outra, fundada em paradigmas

�humanistas e liberais, com ênfase ao desenvolvimento "do individuo enquanto
ser". (26)
O modelo brasileiro parece tender mais para a primeira vertente e tem recebido criticas de autores como SCHAWARTZAN(27) e CHAUf(28), o primeiro afirmando que "as tarefas mais clássicas da universidade, como a da produção cultural, da ciência pura, de participação politica, ficariam relegadas a um plano secundário e marginal do trabalho universitário", o que se coaduna com o modelo capitalista.
Em que medida esses modelos afetam as bibliotecas e os seus serviços?
Se o modelo brasileiro de universidade associa ensino e pesquisa e está vinculado
ao desenvolvimento econômico, as bibliotecas tanto deveriam ser suporte das atividades de ensino, quanto precisariam acompanhar os programas de pesquisa e
também apoiá-los. Além dessas atividades intra-universidade, as bibliotecas deveriam estender e divulgar seus serviços, elas também, ao setor produtivo, levando o
conhecimento gerado nas universidades, sob a forma de informação, ás indústrias
e à sociedade civil em geral, estreitando os laços entre pesquisa básica, tecnologia
e indústria.
O ponto mais importante, incluido no relatório já mencionado anteriormente, é
que o "GRUPO EXECUTIVO PARA A REFORMULAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR" esboçou algumas ações correlatas, relacionadas a laboratórios e bibliotecas, estas últimas visando a criação do Programa Nacional de Bibliotecas Universitárias-PNBU, inclusive prevendo a instalação de sua Secretaria Executiva,
voltada sobretudo à atualização dos acervos de bibliotecas universitárias, através
do Programa Nova Universidade (Projeto BIBLOS) e o Programa de Aquisição
Planificada para assegurar coleção de títulos correntes de periódicos.
Estava lançado o embrião do PNBU que, instituido, assegurou continuidade
e expansão das primeiras atividades planejadas e criou novas ações, em prol das
bibliotecas universitárias brasileiras.
Encerrada a primeira parte do capítulo, sobre universidade, inicia-se a segunda, com bibliotecas universitárias e informação.
Embora o primeiro plano bibliotecário(29) date de 1811, Edson Nery da Fonseca,(30) em 1967, no seu "Roteiro para organização de bibliotecas universitárias", escreveu, no prefácio, que as bibliotecas "estão instaladas em locais adaptados, as coleções são obsoletas, os consulentes não dispõem de orientadores
nem de móveis confortáveis, os atendentes são analfabetos, porque as universidades preferem pagar salário de fome e os bons bibliotecários fogem para repartições ou indústrias onde são condignamente remunerados. Pode haver exceção
mas esta é, de modo geral, a situação das bibliotecas universitárias brasileiras".

36

�Este foi o perfil traçado por FONSECA, há exatamente 21 anos atrás.
Em 1981, MIRANDA, no prefácio do livro de Maria Carmen Romcy de Carvalho,(31) "Estabelecimento de padrões para bibliotecas universitárias", afirmava
que "a realidade é melancólica" porque os dados desse trabalho revelam "niveis
de excelência que são lamentáveis. Revelam mais o que não deve ser a biblioteca
universitária do que aquilo que ela deveria ser". Estávamos em 1981 e, comparando-se as conclusões de MIRANDA com as de FONSECA, parece que quase nada
mudou. Ambos apontaram serviços pouco orientados à comunidade.
Passados mais de 20 anos do primeiro trabalho e oito do segundo, o que
mudou ou não mudou no panorama da biblioteca universitária, hoje?
A reforma de ensino de 1968 não chegou a definir universidade e, muito menos, se deteve em abordar bibliotecas universitárias. Conseqüentemente, as bibliotecas universitárias não sofreram mudanças em função da reforma.
Do ponto de vista de planejamento bibliotecário, um dado novo e da maior
relevância, já mencionado anteriormente, é o PNBU,(4) iniciado em 1986. O MEC,
através da SESU, lançava o plano, baseado num documento do 4° Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, de 1985, elaborado pelo IBICT. O Plano, de
ampla discussão e repercussão, inclui planejamento organizacional, financeiro, de
recursos humanos e fisicos ; formação e desenvolvimento de coleções, processamento técnico dos documentos, automação de bibliotecas, usuários e serviços e
atividades cooperativas.(4)
No relatório(5) de 1988, o PNBU descreve as suas principais atividades,
tendo como carro-chefe o Programa de Aquisição Planificada-PAP, já tratado em
capitulo anterior, BIBLOS, programa de desenvolvimento de recursos humanos,
centro de catalogação cooperativa, rede sul de automação de bibliotecas, etc. Merece destaque, também, o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento de Recursos
Humanos para Bibliotecas Universitárias, do CNPq e FINEP,(32) do qual algumas
pesquisas foram empreendidas, por exemplo, a de linguagens documentá rias especializadas por área de conhecimento e estudo de caso de automação de função
de bibliotecas universitárias brasileiras.
Sobre os problemas observados por MIRANDA, CHASTINET,(33) em contundente trabalho, traz já no seu título uma indagação inquietante: "Bibliotecas universitárias federais de ensino superior: remontar ou desmontar?", no qual faz uma
análise dos acervos e orçamentos de bibliotecas universitárias, com o objetivo de
fornecer subsídios aos órgãos universitários que detêm o poder de decisão. A autora,(33) Coordenadora do PNBU, foi movida pela preocupação com a crise financeira e a conseqüente desativação de projetos e fontes que têm como finalidade
garantir recursos para a manutenção e expansão de coleções. Nesse trabalho,

37

�CHASTINET(33) constata, ainda, a deficiência dos acervos, considerando-se os
padrões da UNESCO de 75 volumes por estudante, na década de 80. Com base
nesses padrões, os acervos teriam que quadruplicar.
Enfatiza-se, aqui, coleções, embora não sejam objeto especifico deste estudo porque serviços dependem, basicamente, de acervo, e o acesso aos documentos é um dado crucial na satisfação do usuário.

5

METODOLOGIA

Para a coleta de dados optou-se por questionário, por ser a técnica mais
adequada à população geograficamente dispersa.
O questionário contém cinco conjuntos de perguntas com vários itens de informação em cada (Anexo 1) e foi expedido por correio, a partir de 28 de março.
Foram distribuídos 88 questionários a 48 bibliotecas centrais de universidades federais, 19 de universidades privadas, 18 de estaduais e 3 de isoladas. Uma carta
acompanhou o questionário, explicando os objetivos do trabalho, estabelecendo o
prazo máximo de devolução de 10 dias e solicitando a reprodução do mesmo por
tantas quantas fossem as setoriais do sistema.
Foram recebidos questionários preenchidos por 21 bibliotecas ou sistemas
de bibliotecas, assim considerados em seu conjunto e isoladas, o que representa
um índice de resposta de 23,8%. A amostra é considerada representativa porque
contempla bibliotecas de todas as regiões, de diversas formas de administração
(federais, privadas, estaduais, etc.) e diferentes estruturas (centrais, setoriais,
isoladas). Incluindo-se as bibliotecas setoriais e de universidades ou faculdades
isoladas, foram recebidos 109 questionários que correspondem ao total da amostra
e sobre a qual foi feita a tabulação.
Os dados referentes à coleta de dados podem ser vistos no quadro seguinte.
QUADRO DA COLETA DE DADOS
QUESTIONÁRIOS
RECEBIDOS

DISTRIBUíDOS
Bibliotecas/Sistemas e isoladas

88

Bibliotecas/Sistemas e isoladas
21

%

Total
recebido

23,8

38

Setoriais

88

109

�Foram tabuladas apenas as questões referentes a serviços de informação,
objeto deste estudo. Entre os dados não tabulados estão os de identificação e os
demais que foram excluídos por não estarem diretamente relacionados ao trabalho
e por serem numerosos e exigirem o processamento por computador, o que não foi
possível. Esses dados, complementares, poderiam enriquecer as discussões e
poderão ser analisados em outra oportunidade.
Algumas questões foram reunidas, como as consultas (local, por telefone e
por correspondência), o empréstimo entre bibliotecas (solicitação e atendimento), a
comutação bibliográfica (solicitação e atendimento, serviço próprio) e reprodução e
duplicação (microficha e microfilme).
Foram tabuladas as questões referentes à qualidade dos serviços, ou melhor, aquelas em que se pedia a identificação de estudos visando ao planejamento
de serviços ou avaliação de desempenho de serviços implementados.
6 SERViÇOS DE INFORMAÇÃO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS - SITUAÇÃO ATUAL
A situação dos serviços foi medida, na primeira parte, de forma quantitativa
e, na segunda, qualitativa. Os resultados gerais da parte 1 são mostrados no Ane-

x02.
Os primeiros serviços analisados, os de consulta, são realizados por praticamente todas as bibliotecas, isto é, 102 (93,5%).
O empréstimo de documentos, considerado um dos mais tradicionais serviços, é franqueado em 100 (91,7%) bibliotecas. É de se estranhar esse resultado,
que deveria ser de 100%, em pleno final do século XX, quando tanto se apregoa a
democratização da informação. É surpreendente, também, que entre essas bibliotecas, 11 (10%) de um mesmo sistema emprestem apenas livros. Essas restrições, ainda que por decisão superior, como alguns bibliotecários alegam, têm que
ser contestadas e, sob fortes e evidentes argumentos, e estes são muitos, suspensas.
Serão os bibliotecários bons interlocutores, suficientemente consistentes na
sua argumentação? E a pressão por parte da comunidade universitária? Ou a administração é autoritária e insensível às solicitações de bibliotecários e usuários, a
ponto de tomar decisões irreversíveis?
É incompreensível tal fechamento, traduzido por uma postura medieval e,
portanto, anacrônica. E nem os extravíos, roubos e outras perdas são justificativas, como alguns querem, para a ausência desse serviço.
O empréstimo entre bibliotecas é realizado por 90 (82,5%) bibliotecas, re-

39

�sultado muito próximo do de um trabalho do PNBU,(34)* no qual 81,6% das bibliotecas aparecem como participantes desse tipo de empréstimo.
E um dado importante porque o empréstimo entre bibliotecas é uma das primeiras formas de trabalho cooperativo. Essa prática pode ampliar e intensificar as
relações entre as diversas bibliotecas e até vir a facilitar o serviço referencial que
exige, entre outras coisas, uma forte rede de comunicação informa! entre bibliotecários, cujo ponto de partida pode ser o empréstimo entre bibliotecas.
Das bibliotecas da amostra, 84 (77%) realizam comutação (COMUT), assim
considerando as que solicitam e as que fornecem cópias e as que possuem serviço próprio. Portanto, nesta pesquisa não foram considerados separadamente, na
tabulação, a comutação como programa, o COMUT, e o serviço próprio e independente das bibliotecas. O PNBU(34) aponta 88,6% de bibliotecas participantes do
COMUTo Juntamente com o empréstimo entre bibliotecas, o fornecimento de cópias, em rede, reforça as atividades cooperativas.
A circulação de periódicos, procedimento dos mais comuns da disseminação, é realizada por 81 (74,3%) bibliotecas. Cabe, aqui, destacar o resultado do
PNBU(34) quanto a sumários correntes de periódicos, que mostra a sua elaboração em 60,3% das bibliotecas.
Outro estudo, de TEIXEIRA e ROSA(36), realizado para o PNBU, demonstra que os sumários circulam nos limites da própria biblioteca e não chegam aos
Departamentos, refletindo baixa interação entre biblioteca e corpo docente.
Deve-se destacar que os sumários correntes de periódicos são um produto
de relativo baixo custo - podem ser feitos artesanalmente - e muito eficientes como boletins de alerta. Neste momento, é pertinente discutir outros resultados relativos a periódicos, de interesse para o PNBU, na medida em que o PAP é um de
seus programas mais importantes e caros.
O estudo de TEIXEIRA &amp; ROSA(35) é um relatório de diagnóstico das bibliotecas sobre a fase 1 do Projeto "Estudo da demanda de periódicos financiados
através do PAP", abrangendo 19 universidades e 196 bibliotecas. Um dos seus
resultados preocupantes diz respeito a acesso ao documento, onde os autores
constataram entraves, já que 16% das bibliotecas impedem o acesso dos usuários
às estantes de periódicos. Acrescente-se a esse fato, que em 32% das bibliotecas
dessa pesquisa, o fichário de periódicos também não é acessível aos usuários, e
que somente 55 bibliotecas têm seus periódicos representados em catálogos.
Então, como buscar informação em periódicos, usá-los, se não são conhecidos, por ausência de disseminação e seu acesso é dificil ou impossível?

* O documento do PNBU não traz os percentuais, calculados para efeito
deste trabalho.

40

�o fechamento das bibliotecas, voltadas mais para si mesmas, é comprovada
no relatório de TEIXEIRA &amp; ROSA(35). Quando são levantados os dados de listas
de novas aquisições é surpreendente que 47,3% as "afixem na biblioteca".
Pode ser até o caso de utilização de murais como recurso, já que no presente estudo esse serviço atinge o indice de 67%, atividade presente em 74 bibliotecas.
Um serviço que alcançou taxa relativamente alta foi o de normalização de
documentos, realizado em 85 (77,9%) bibliotecas. Esse pode ser um elo de fortalecimento da comunicação não só entre bibliotecas e corpo docente e discente,
como também de âmbito institucional, na medida em que a biblioteca pode realizar
este trabalho junto às editoras universitárias, na publicação de livros, periódicos,
etc.
Foi a pesquisa bibliográfica que, entre os serviços, alcançou um dos mais
altos índices, 88% (96 bibliotecas). Resta saber a quantidade, a regularidade e a
qualidade com que é prestado o serviço, o que não foi possivel medir através dos
dados levantarlos por esta pesquisa.
O resultado sobre disseminação seletiva da informação-OSI levanta dúvidas
sobre a compreensão de sua definição, enquanto serviço, uma vez que algumas
bibliotecas que o assinalaram, não realizam serviços mais simples e comuns. Isso
pode significar que o número de bibliotecas, 26 (23,8%) poderia ser menor se a
pergunta fosse interpretada corretamente. A própria questão abria a resposta, pela
possibilidade de considerar o OSI também manual, como algumas bibliotecas fazem, dentro da realidade brasileira. Uma das bibliotecas que assinalou esse serviço, por exemplo, não faz empréstimo. Se não é possível o acesso ao documento,
para que disseminá-lo? Esta seria, no mínimo, uma atitude incoerente.
Outro serviço mais sofisticado, a busca retrospectiva, teve índice relativamente alto, o que pode revelar o mesmo problema anterior, mal-entendimento
quanto à sua definição. Há, nessa área, uma certa confusão terminológica entre
pesquisa bibliográfica, levantamento bibliográfico, busca retrospectiva e OSI. Das
bibliotecas consultadas, 81 (74,3%) fazem busca retrospectiva. Parece não ser um
resultado coerente pelas mesmas razões da questão anterior. A maioria das bibliotecas também aponta a busca retrospectiva manual, excetuando-se casos raros, inclusive uma biblioteca da área médica que utiliza CO-ROM da BIREME.
As duas questões (buscas e OSI), se consideradas processadas automaticamente e o acesso a bases e bancos de dados nacionais e estrangeiros, formariam um conjunto de questões que avaliaria, indiretamente, o quanto as bibliotecas
estão usufruindo dos avanços tecnológicos.
Quanto ao acesso a bases de dados, 4 (3,6%) bibliotecas afirmam acessar

41

�bases de dados nacionais e 3 (2,7%) a bases de dados no exterior. Neste caso,
uma das bibliotecas faz contatos com o Centro de Informações Nucleares-CIN e
esse Centro é que, de fato, faz o acesso. Recorrer ao CIN já demonstra conhecimento do cenário nacional da informação, e iniciativa, principalmente porque esta
biblioteca está localizada no Pará.
Mas se há poucos guias, diretórios e catálogos de serviços de informação e
ausência de centros referenciais, como saber se há serviços disponiveis? Só
através de "marketing" das instituições geradoras e produtoras de bases e bancos
de dados. E que estejam disponíveis através do INTERDATA e RENPAC. Isto,
sem falar nos recursos financeiros indispensáveis.
O serviço de tradução é oferecido por apenas 2 (1,8%) bibliotecas, índice
muito baixo. Este era um resultado do esperado porque, por conhecimento de causa, sabe-se que as bibliotecas não possuem equipe especializada para tal. Além
disso, das duas que afirmaram realizar o serviço, não se sabe também da sua regularidade na prestação do mesmo, que pode ser uma atividade esporádica. Mais
uma vez o desconhecimento de serviços pode ser uma das causas de tão baixo
índice. O Centro de Documentação da Secretaria de Tecnologia Industrial-STI publicou um guia de tradutores, aos quais pesquisadores, individualmente, poderiam
recorrer para tradução de artigos técnicos e científicos.
Outro serviço cujas taxas são muito baixas, tanto quanto o de tradução, é o
de reprodução de microfichas e microfilmes, inclusive em papel, realizado por apenas 2 (1,8%) bibliotecas. Isto ocorre, certamente, pela inexistência de equipamentos apropriados. O questionário adotado neste trabalho possibilitava a inclusão de
outros serviços, além dos nele relacionados. Foram acrescentados: referência legislativa, serviço de informação sobre cursos, microfilmagem, sumários correntes,
treinamento de usuário, etc.
Quanto ao último, o PNBU(34) indicou ser um serviço realizado por 71,5%
das bibliotecas. Precisaria ser verificado se o treinamento é formal ou informal,
sistemático ou assistemático.
Finalmente, é oportuno ressaltar que todos os serviços foram vistos, até
aqui, numa avaliação quantitativa, e não qualitativa. Para a avaliação qualitativa,
tentou-se levantar informações sobre estudos realizados quando do planejamento
dos serviços e avaliação de desempenho para os já em operação. Com este objetivo, para cada serviço foi pedida a explicitação do estudo ou pesquisa correspondente, se fosse o caso.
Algumas bibliotecas incluíram relatórios anuais e estatísticas, respostas não
consideradas por não se enquadrarem à pergunta. Apenas 10 (9,17%) bibliotecas
deram respostas pertinentes, índice desanimador. Significa que não há estudos pa-

42

�ra embasar a implantação de serviços e que não há preocupação em avaliar os
que estão implementados. Em ambos os casos, o usuário não é envolvido no processo e deixa de ser o objetivo primeiro da biblioteca, razão da criação de serviços. O bibliotecário, responsável pela criação dos mesmos, não ouve a comunidade acadêmica.
Das respostas positivas, chamaram a atenção aquelas que, mesmo sem
realizar pesquisas formais, refletem abertura e receptividade às necessidades de
informação dos usuários e, mesmo, uma interação com a comunidade acadêmica.
Uma dessas bibliotecas respondeu que a normalização dos documentos foi exigência da comunidade, a avaliação foi feita pela Comissão de editoração e que a
listagem da produção científica foi exigência também da comunidade, sendo a listagem de acervos de livros "planejada e desenhada por professores".
Outras bibliotecas criaram serviços a partir da comunidade acadêmica, entre
os quais sumários correntes de periódicos, eventos em ciência e tecnologia, guia
de biblioteca, ementário de resoluções, necessidades detectadas durante o treinamento de usuários. Uma biblioteca realizou um trabalho, para usuários, com base na norma brasileira 66, da Associação Brasileira de Normas Técnicas-ABNT.
Outra resposta que também merece destaque é a da biblioteca que elaborou
indicadores estatisticos para dois serviços e desenvolveu uma nova metodologia
para treinamento de usuários.
A maioria das nove bibliotecas que identificaram estudos e pesquisas incluíram, entre estes, estudos de uso de periódicos, ação liderada pelo PNBU. Esta
pode ser uma medida de avaliação do PNBU, o programa mesmo exigindo e incentivando avaliações de desempenho e um trabalho mais intelectual por parte dos
profissionais de informação, altamente positivo e que só pode contribuir para o desenvolvimento de recursos humanos e aperfeiçoamento dos serviços de bibliotecas universitárias.
7 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Os resultados deste trabalho demonstram que, em termos de serviços de
informação, a situação é, ainda, desanimadora - as bibliotecas universitárias têm
muito caminho pela frente até a sua modernização. Nesse panorama, o que mudou
se deve sobretudo à politica da área, sob a responsabilidade do PNBU que, na
medida em que apoia a formação e manutenção de acervos, possibilita a realização de serviços de informação. E, através da especialização de recursos humanos da área, permite a melhoria de nivel dos serviços.
No geral, as bibliotecas continuam dentro de suas fronteiras e não consegui-

43

�ram se integrar ao organismo universitário, sobrevivendo mais como um apêndice
do que como elemento integrador e integrado. Falta maior comunicação com professores e alunos e um trabalho mais articulado com Departamentos, Programas,
cursos de pós-graduação, projetos de pesquisa; enfim, com as atividades vitais de
uma universidade. A biblioteca não pode nem deve ficar à margem e, para emergir
desse estágio, cabe a ela chamar a si mesma o seu papel.
A biblioteca universitária brasileira, às portas do século XXI e com tecnologias de informática e telecomunicações, não lança mão delas. Reconhece-se, é
verdade, o pouco empenho das administrações universitárias em privilegiar bibliotecas, sequer de lhes dar um papel equivalente ao de outras unidades dentro da
instituição universitária. Mas se, de um lado, esta é uma realidade, é verdade também que as dificuldades existem para ser superadas - transpô-Ias é tarefa dos
profissionais de informação.
Há um fechamento que está na cabeça e na postura de cada um: acervos
inacessiveis, fichários trancados, atividades somente dentro do espaço da biblioteca.
As bibliotecas universitárias, além de seu hermetismo, têm dificuldades de
atuar de forma cooperativa. Isto é inquietante porque a automação e a organização
em redes e sistemas de informação pressupõem a existência de normas, padrões;
enfim, decisões comuns. Sem compatibilidade, as bibliotecas praticarão um monólogo estéril.
Ainda que se reconheça que há problemas de base e de organização por resolver, não se pode fechar os olhos à automação, inevitável. Diferentemente dos
Estados Unidos, o Brasil não tem infra-estrutura de informação satisfatória, há
muito por organizar e muitos volumes para processar. As bibliotecas devem estar
aptas a participar do processo de informatização da sociedade elas mesmas, valiosos e insubstituíveis instrumentos para a geração de novos conhecimentos, invenções e inovações. A universidade deveria estar na vanguarda das conquistas
científicas, tecnológicas e sociais e, nisso, a informação tem papel proeminente.
É necessária a aproximação das bibliotecas com a comunidade acadêmica.
Não é necessário sequer a formalização, e sim, uma ação conseqüente. Convém
lembrar o caso do pesquisador brasileiro de biofísica, mencionado no início do trabalho, que constrói o seu próprio sistema de informação, paralelo à biblioteca. Não
poderia o bibliotecário estar atento a esses fatos e, ao invés das eternas lamúrias,
ser mais criativo, receptivo, acessível - ele mesmo e não só o acervo - ligar as
antenas para perceber, detectar "sintomas" e interferir, tentando .chamar a si essa
responsabilidade e, assim, tornar seu trabalho mais presente e visível no meio
acadêmico?

44

�As recomendações serão dirigidas ao PNBU, como órgão politico das bibliotecas
universitárias, naquilo que a ele cabe, e às bibliotecas universitárias. Ao PNBU
recomenda-se:
- sugerir, incentivar e apoiar a "abertura" das bibliotecas universitárias, no
que diz respeito a empréstimo, acesso a estantes e catálogos;
- orientar as universidades, reitorias, CRUB etc. sobre a disponibilidade de
horas/máquina nos Centros de processamento de dados das universidades para atividades de informação e sobre a necessidade de formalizar
equipes estáveis de analistas com esse objetivo;
- continuar estimulando a participação em rede e a adoção do formato
CALCO, chamando a atenção de problemas de compatibilidade;
- captar recursos para aquisição de microcomputadores e/ou terminais para
a instalação, ao menos, em bibliotecas centrais;
- incentivar o acesso a bases de dados bibliográficos e não-bibliográficos
nacionais, tais como as do CIN, BIREME, BIBLlODATNCALCO e
DNPM/CPRM e IBICT;
- estimular a criação de centros referenciais, responsáveis pela elaboração
de guias, diretórios e catálogos;
- apoiar a elaboração de guias, diretórios e catálogos de bibliotecas, fontes
de informação para atualizar informações referenciais e disseminá-Ias,
permitindo que bibliotecas com acervos mais pobres e infra-estrutura mais
frágil possam usufruir dos serviços de grandes bibliotecas, centros e sistemas de informação, bancos e bases de dados;
- fomentar a construção de catálogos coletivos locais de monografias, importantes principalmente para a graduação;
- estimular e apoiar a realização de cursos de extensão com o objetivo de
facilitar o processo de automação de bibliotecas e melhorar o diálogo entre bibliotecários e analistas de sistemas;
- incentivar a elaboração de boletins de alerta, sobretudo de periódicos e
divulgar metodologias existentes para a sua elaboração.
As recomendações às bibliotecas universitárias, na pessoa de seus profissionais, agentes do processo de transferência de informação, são as seguintes:
- criar grupos de estudos especiais e serviços específicos, em função de
programas, projetos de pesquisa, etc;
- elaborar projetos aos órgãos de fomento, tais como CNPq, FINEP e
CAPES e programas tipo o PADCT, para obter recursos extra-orçamentáriàs e expandir seus serviços;
- formar grupos multidisciplinares, com professores, pesquisadores, alunos

45

�e bibliotecários para decidir sobre aquisição de material bibliográfico e
acompanhar as atividades da biblioteca, em geral, do tipo comitês, comissões, etc;
- constituir grupos mistos, de bibliotecários e analistas, para planejamento
de ações referentes à automação, sua implantação e implementação;
- fazer a promoção de bibliotecas através de "folders", boletins, guias, palestras e planejar atividades para eventos como "Semana Nacional da Biblioteca", "Jornada de Iniciação Científica" e outros, convocando a participar representantes de todos os segmentos da comunidade acadêmica;
- manter contatos, ainda que informais, com professores, pesquisadores e
alunos para identificar necessidades de informação e detectar a formação
de "sistemas" paralelos, para deles participar e até liderar;
- realizar treinamento de usuário, com metodologia apropriada e de forma
regular;
- participar de sistemas de informação de controle da produção científica
e técnica das universidades existentes ou em vias de implantação, em alguns casos sob a responsabilidade de Sub-Reitorias de Pesquisa e pósgraduação ou de CPDs, para participar na área de sua competência e fazer da biblioteca o seu escoadouro natural, quer seja sob a forma de relatórios de saída, quer "on line";
- abrir espaço para eventos culturais de toda a natureza, por exemplo, exposições, concertos, conferências, etc, em lugar destinado especialmente para esses eventos, nas bibliotecas; e
- estender os seus serviços à comunidade em geral, não só em atividades
de extensão como para o setor produtivo, através da ampla circulação de
suas publicações e divulgação de serviços, tornando-se em agente ativo
do desenvolvimento do País.
Estas são, em síntese, as recomendações para que as bibliotecas universitárias possam solucionar os problemas identificados neste trabalho e ocupem um
lugar, na vida acadêmica, à altura de sua missão, sobretudo no processo educativo, na geração de novos conhecimentos e no desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil.
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remontar ou desmontar? Brasília, PNBU, 1988.
34. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SESU. PNBU. Dados sobre sistemas de bi-

bliotecas (versão preliminar). Brasília, novo 1987.
35. TEIXEIRA, José Carlos A. &amp; ROSA, Regina Célia P. Diagnóstico das bibliote-

cas - relatório (Fase 1 do Projeto Estudo da Demanda dos Periódicos financiados através do PAP). Niterói, PNBU, 1988.

49

�ANEXO
PESQUISA:

Serviços e produtos de informação em
bibliotecas universitárias brasileiras
QUESTIONARIO

I.

Dados de identificação:
Nome completo da biblioteca

Endereço completo:

Bairro_ _ _ _ _ _ _ Cidade _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ UF,
CEP _ _ _ _ _ _ _ Caixa Postal _ _ _ _ _ _ _ _ __
Telefone(s) (indicar ramal, quando houver)

Área(s) de especialização do acervo (quando a especialização for em mais de
uma área, especificar por grau de importância, isto é, iniciando pela coleção
mais representativa).

_____________ D ___

o

Biblioteca Setorial/Seccional
(considerar setorial as de centros, departamentos, unidades, programas, etc.)
* No caso de biblioteca central indicar, abaixo, o número total de bibliotecas que
constituem o sistema ou rede.
Número total de bibliotecas setoriais do sistema ou rede
Nome do(a) chefe: (da biblioteca que está respondendo ao
questionário)

50

�11.

Usuários (indicar em números)
a) Usuários potenciais*
- Alunos da graduação
- Alunos da pós-graduação - Professores da graduação*"
- Professores da pósgraduação ____________________________________________
- Outros (inclusive funcionários administrativos)
- Total de usuários potenciais
* Considerar em usuários potenciais apenas os vinculados á Universidade.
** Geralmente os professores da graduação também dão aulas na pósgraduação. Assim sendo, reunir os dois num único item, o do meio.

b) Usuários inscritos na biblioteca*
- Alunos da graduação ----------------------------------------------. ------------------------ Alunos da pós-graduação ___________ -------------------------------------------- Professores da graduação** _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __

- Professores da pós-graduação _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ ___
- Outros
- Total de usuários inscritos
* Considerar, aqui, todos os usuários inscritos na biblioteca, sejam eles
da Universidade ou externos. ** Neste ítem é válida a observação do item a,
relativo a professores da graduação.

51

�111.

Recursos humanos (indicar em números exatos, se possivel)
Bibliotecários ----------------------------------------------------------------------------------AuxiliaresfTécnico/Administrativo _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
Bolsistas/Estagiários _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
Outros (inclusive profissionais de outras áreas)
Total geral_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ , _ _ _ ,

IV. Acervo
Monografias (livros, folhetos, teses, etc.)
Total de volumes/exemplares
Periódicos nacionais (total de titulos). _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
Periódicos nacionais correntes (total de titulos) _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
Periódicos estrangeiros (total de títulos) _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __
Periódicos estrangeiros correntes (total de títulos) -----------------------------------Total de títulos de periódicos (nacionais e estrangeiros) _ _ _ _ _ _ __
Multimeios (filmes, microfilmes, diapositivos, fotografias, etc.)
Total
No caso de uma coleção cujo volume seja significativo e apresente grande
importância para as atividades de uma determinada área como, por exemplo,
mapas para geociência, especificar.
Tipo de material da coleção

V.

Total

Serviços e Produtos (a relação de serviços e produtos de informação reproduz itens do formulário do Projeto Centro Referencial da UFRJ).
a) Serviços
Assinalar os serviços oferecidos pela biblioteca indicando, quando for o
caso, se são manuais, automatizados, pagos, gratuitos, para usuários internos, para usuários externos, desativados, planejados ou avaliados

52

1

�Considere as seguintes abreviaturas e explicações:
Man. = manual
Aut. = automatizado
Pg. = pago
G. = gratuito
U. int.

= usuário interno

U. ext. = usuário externo
Des. = desativado
Assinalar nesta coluna quando o serviço tiver sofrido alguma interrupção, por algum periodo, ou tiver sido descontinuado ou desativado, não sendo oferecido atualmente.
Planej. = planejado
Assinalar nesta coluna quando para o serviço, antes de ser implantado, foi realizado algum estudo como, por exemplo, estudo de
necessidade e demanda da informação.

53

�Aval = avaliado Assinalar nesta coluna se o serviço, depois de ser
implantado, passou por alguma avaliação do tipo estudo de uso, estudo de
usuario, etc.

Produtos

Man Aut. Pg.

Serviços
Consulta local
Consulta por telefone
Consulta por correspondência
Empréstimo de documentos
Empréstimo entre Bibliotecas (solicitação)
Empréstimo entre Bibliotecas (atendimento)
Comutação bibliográfica (solicitação)
Comutação bibliográfica (atendimento)
Circulação de periódicos
DSI
Busca retrospectiva
Pesquisa bibliográfica
Tradução de documentos
Normalização de documentos
Mural
Acesso à Bases de Dados (nacional)
Acesso à Bases de Dados (estrangeiros)
Serviço de cópias (próprio)
Duplicação de microfichas
Duplicação de microfilmes
Reprodução de microfichas em papel
Reprodução de microfilmes em papel
Outros

54

G. v.h. v.et Des

Pnj.

.......

�Produtos

Bibliografia
Banco de Bibliografias
Periódico/Revista
Divulgação de Normas Técnicas/
Especificações
Divulgação de Patentes
Guia de Instituições
Guia de Especialistas/Pesquisadores
Guia de Pesquisas
Catálogo de DissertaçõeslTeses
Boletim de Resumos
Boletim de Novas Aquisições
Calendário de Eventos
Notícias Tecnológicas
Sumários Correntes de Periódicos
Relatório de Atividades
Catálogo Coletivo de Monografias
Catálogo Coletivo de Periódicos
Outros

55

�b) Tendo sido assinalados serviços e produtos planejados ou avaliados especlfi.

car, abaixo, identificando o serviço/produto e o tipo de estudo realiz.ado.
Seryiços/Produtos

Estudo Realiz.ado

1

2

3

4

5

c) Assinalar, abaixo, os principais problemas que têm dificultado ou impossibilitado
a implantação de serviços e produtos de informação, utilizando números e partindo do problema maior (1) ao menor
- Recursos bibliográficos
- Recursos financeiros
- Recursos humanos
- Equipamentos

D
D
D
D

- Outros: Observações
gerais:
Nome do responsável pelo preenchimento do questionário

Cargo ou função:

56

�ANEXO

2

QUADRO GERAL DE SERViÇOS DE INFORMAÇÃO OFERECIDOS
POR BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

Número de

SERViÇOS

bibliotecas

%

Consulta (local, telefone e por correspondência)

102

93,5

Empréstimos de documentos

100

91,7

90

82,5

84

77,0

Empréstimo entre bibliotecas (solicitação/atendimento)
Comutação (solicitação/atendimento e serviço próprio)
Circulação de periódicos

81

74,3

Mural
Normalização de documentos

74
85

67,0
77,9

Pesquisa bibliográfica

96

88,0

Disseminação seletiva da informação-DSI

26

23,8

Busca retrospectiva

81

74,3

Acesso a bases de dados nacionais

4

3,6

Acesso a bases de dados estrangeiros

3

2,7

Tradução

2
2

1,8
1,8

Duplicação de microficha e microfilme e reprodução
em papel

57

�UNIVERSIDADE, BIBLIOTECA E PRESTAÇÃO DE SERViÇOS: A
REALIDADE BRASILEIRA
Leila M. Z. Mercadante
Diretora da Biblioteca Central da UNICAMP

Aborda o tema de prestação de serviços aos usuários a partir de coleta de dados
efetuada junto às bibliotecas das Universidades brasileiras. Expõe quadros demonstrativos dos serviços aos usuários, atividades
cooperativas e participação da comunidade
na avaliação dos serviços prestados. Discute
esses aspectos e apresenta o desconhecimento por parte dos usuários como um dos
fatores da baixa utilização dos serviços. Conclue sugerindo: a) medidas práticas para melhor informar os usuários dos serviços e dos
recursos, gerar maior uso das coleções e
fortalecer a imagem da biblioteca na Universidade; b) desenvolvimento de metodologia que
facilite o treinamento do usuário nas fontes de
informação e no uso de biblioteca; c) incentivo
aos estudos de avaliação de serviços de informação nas bibliotecas acadêmicas.

581

�INTRODUÇÃO
A proposta desse trabalho é a de apresentar a situação das bibliotecas das
Universidades brasileiras no que se refere à prestação de serviços aos usuários,
com a finalidade de levantar esse assunto para discussão, abordando alguns
pontos que podem levar a ações globais, capazes de conduzir ao que parece ser o
objetivo maior da biblioteca acadêmica: "colocar seu usuário em contacto com a
informação que necessita, e treiná-lo no uso adequado dos recursos informacionais, através da prestação de serviços diretos ou indiretos".
Não se pretende aqui traçar uma politica de serviços para as bibliotecas universitárias, mas tudo indica que sendo esse um assunto tão complexo, o levantamento de questões, e muito mais o debate podem contribuir para definições de politicas para o setor.
É necessário ressaltar que se trata de abordagem bastante genérica do assunto, e que não se chegou a um panorama de todas as bibliotecas universitárias
do País, uma vez que o estudo tomou por base somente as bibliotecas ligadas às
Universidades e não incluiu as bibliotecas de IES isoladas, o que aumentaria muito
o quantitativo de dados, e de certa forma, poderia mudar o resultado.
De acordo com o documento elaborado para servir de guia para o SIDES/ICFES (11), a "diversidade crescente das necessidades dos usuários e o
surgimento de novos sistemas de informação exigiram uma mudança nas formas
tradicionais de prestação de serviços". Assim, ao lado dos serviços básicos (consulta e empréstimo), espera-se que as bibliotecas ofereçam outros serviços, capazes de atender as várias demandas, seja com a própria coleção, seja acessando acervos ou bases de dados.
2

METODOLOGIA
Para levantar os dados da questão proposta, optou-se por trabalhar com um

questionário nos tópicos que aborda o assunto de serviços aos usuários e que foram objeto de análise para esse trabalho (Anexo).
- questão específica sobre prestação de serviços, onde foram considerados não somente os serviços para atendimento das necessidades e acesso aos
documentos, como também os que habilitariam o leitor no uso da biblioteca e das
fontes de informação;
- questão sobre serviços cooperativos;
- consulta sobre a inclusão do tópico serviços como assunto debatido junto
ao Comitê de Usuários/Comissão de Biblioteca.

59

�A remessa às 78 Universidades foi feita tendo como base o (2), conforme
quadro abaixo. O recebimento até a data limite atingiu 76%, e um dos questionários
foi anulado por não ter sido preenchido corretamente.

UNIVERSIDADES

QUESTIONÁRIOS

QUESTIONÁRIOS

ENVIADOS

RECEBIDOS

Federais

35

45%

29

83%

Estaduais

12

15%

11

91%

Municipais

02

2%

01

50%

Particulares

29

38%

18

62%

TOTAL

78

-

59

-

DATA DE ENVIO: 17/02/89
DATA LIMITE DE RECEBIMENTO: 20/04/89
É preciso esclarecer que ao serem elaboradas as questões, por se tratar de

instrumento que estuda as estruturas organizacionais foi importante estabelecer se
a operacionalização dos serviços era feita centralizada ou pelas bibliotecas setoriais. Na presente análise essa distinção não foi feita, e a resposta obtida generalizada para a Universidade.
3 RESULTADOS OBTIDOS 3.1
Serviços Prestados
O quadro (1) apresenta os resultados quanto à existência dos serviços, e o
quadro (2) se eles são ou não extensivos à comunidade externa. Por não terem
todas as bibliotecas preenchido o item de extensão à comunidade externa, o universo aproveitado de cada item é diferente.
A análise dos dados demonstrou:
- Ao lado do empréstimo e consulta, oferecidos por todas as unidades,
agregou-se a comutação, também prestada pela maioria das bibliotecas, indicando
sua incorporação praticamente como um dos serviços básicos, o que parece ser
devido à existência e sucesso do Programa COMUT.

60

�- Quase 50% das bibliotecas oferecem serviços de acesso às bases de dados, surgindo um indício de modernização e de emprego de novas tecnologias.
Esse índice pode ser em parte devido à introdução pela BIREME da base LlLACS
em CD-ROM nas Instituições com área de saúde.
- Apesar do empréstimo entre bibiotecas ser praticado por uma alta porcentagem - 84,48%, acredita-se que ainda é uma atividade baseada principalmente ao relacionamento informal entre as Instituições, e que poderia ser melhor
explorado.
- O que surpreende é que a freqüência de educação do usuário é maior para
a modalidade formal que para a informal.
- Com exceção da tradução que acusa a porcentagem mais baixa, os serviços de SOl, de grande importância para os usuários são oferecidos por um número
menor de Universidades e desses somente o de sumários correntes é efetuado
por mais de 50% das bibliotecas. Essa tendência já havia sido constatada por MIRANDA(7) " ... as bibliotecas universitárias brasileiras são pobres quanto à organização dos serviços de alerta, excluindo-se a elaboração de boletins bibliográficos de novas aquisições". É importante observar também que algumas respostas
anotaram que os sumários correntes "não estavam sendo feitos" ou "tinham sido
interrompidos por falta de recursos financeiros", demonstrando a precariedade dos
mesmos.
- Quanto ao quadro (2), verifica-se que, com exceção dos serviços de resumos, todos os outros são oferecidos à comunidade externa, alguns em proporções razoáveis. Essa questão merece uma abordagem à parte que inclua discussão sobre: gratuidade versus taxas cobradas, comunidade atingida, etc.
Ao especificar outros serviços, o mais indicado foi o de cópias de documentos que não foi incluído como item no questionário.
3.2 Serviços Cooperativos
Incluiram-se aqui os programas cooperativos que são básicos para os serviços aos usuários.
- 75% aproximadamente das Instituições participam dos programas coope
rativos mais significativos, e essa concentração é maior entre as Universidades
Federais e Estaduais, e menor entre as Particulares. (Vide quadro 3)
3.3 Comitês de Usuários
Procurou-se saber a freqüência dos que tem espaço para discutir com seus

61

�usuários as questões da biblioteca, e desses quantos abordam a avaliação de
serviços. Apesar de parecer razoável a porcentagem de 72,41 % dos que incluem
esse item nas pautas dos Comitês de Usuários, na verdade ainda é muito pouco,
porque somente 50% das Instituições possuem esse canal de discussão. Portanto, de 58 Universidades, somente 21 assim procedem. (Vide quadro 4)
4

DISCUSSÃO
Examinando os quadros detidamente, constata-se que foram listados servi-

ços considerados essenciais para uma comunidade que tem no ensino e na pesquisa seu objetivo maior. O universo estudado constitui a fatia mais forte e importante do ensino superior no País - as universidades, e então os dados levantados
são muito preocupantes. De 20 itens mensurados, somente 14 são praticados em
porcentagem de 50% para mais. Parece ainda ser muito pouco o que se faz e é
necessário que os serviços sejam incorporados à rotina, e não executados esporadicamente, e excepcionalmente.
Um outro ponto a ressaltar é que como o questionário não solicitou dados
numéricos de prestação de serviços, afirmar que "tudo vai razoavelmente bem"
seria um pouco como MARTIN coloca (6): " ... a coleção é organizada, o catálogo é
criado, a informação inicial é dada no balcão de referência e depois acredita-se que
tudo vai bem com o usuário". Sabe-se que não é bem assim.
Ao observar o dia a dia de uma comunidade universitária, ao indagar dos
usuários o que as bibliotecas oferecem, o que se defronta é um grande desconhecimento dos leitores quanto às facilidades e capacidades das bibliotecas, mesmo
as que estão muito próximas. Em estudo recentemente desenvolvido entre usuários discentes de uma universidade os autores OHIRA &amp; OHIRA (9) constataram,
entre outros problemas, que existe largamente tanto o desconhecimento dos serviços que a biblioteca oferece como também o desconhecimento dos recursos de
informação existentes na biblioteca. Na verificação dos "serviços prestados por
uma biblioteca que o aluno conhece, foram indicados empréstimo de material e
serviço de fotocópias como os mais conhecidos". Os autores colocam em questão
que a própria "utilização em grande escala, do serviço de empréstimo pode ser
decorrência de a maioria dos alunos conhecer apenas esse serviço".
Fatores como a falta de divulgação sobre a prestação de serviços e a inexistência de orientação no uso da biblioteca e das fontes de informação contribuem
para a baixa utilização dos recursos informacionais disponíveis.
Põe-se portanto, uma indagação a respeito da prestação de serviços: de um
lado a maioria das bibliotecas apresenta "uma boa folha de serviços", de outro lado

621

�uma grande parte dos usuários desconhece esses serviços, e portanto não faz
uso deles. Talvez até se pudesse trocar o termo de serviços prestados para serviços oferecidos, uma vez que parece as bibliotecas estão dispostas a operacionalizá-los, e até o fazem, mas uma grande massa de usuários os desconhece.
Essa questão não é nova, tendo sido levantada por CUNHA (3): "somente
uma parcela relativamente pequena de professores e estudantes realmente usa e
tira proveito do potencial de informação existente em uma biblioteca universitária".
Também CARVALHO (1) afirma: "A fim de gerar procura é importante desenvolver
no usuário, ou possivel usuário, um bom nível de competência e de habilitação para
que compreenda a biblioteca e a complicada rede que abrange todo o mundo da
informação; do qual a biblioteca é parte".
Se for considerado que uma das principais metas da biblioteca é o de maximizar o uso bem sucedido dos serviços que provê, todo o esforço deve ser dispendido para diminuir essa falha, e aproximá-Ia de seus leitores, fazer com que a
interação bibliotecário-usuário tenha como resultado um melhor aproveitamento
dos serviços aos leitores.

631

�QUADRO 1
SERViÇOS
N

=58 QUESTIONÁRIOS RESPONDIDOS

NU

= NÚMERO DE UNIVERSIDADES QUE POSSUEM O SERViÇO EM
SUAS BIBLIOTECAS NPOS = NÚMERO DE UNIVERSIDADES QUE

NÃO POSSUEM O SERViÇO
ATIVIDADE

NU

%

NPOS

Empréstimo

58

100.00

-

Consulta

58

100.00

-

-

Levantamento bibliográfico
com acervo próprio
em obras de referência

48

82.76

10

17.24

41

70.69

17

29.31

em base de dados
Comutação

27
51

46.55
87.93

31
7

53.45
12.07

Tradução
Empréstimo entre bibliotecas

5
49

8.62
84.48

53
9

91.38
15.52

Educação do usuário:

40

68.96

18

31.04

informal
formal

47

81.03

11

18.97

Treinamento em:

49

84.48

9

15.52

%

-

uso de catáloqo
uso de obras de referência

49

84.48

9

15.52

normalização de referência

47

81.03

11

18.97

apresentação de documentos
organização de curriculum vitae

36
29

62.07
50.00

22
29

37.93
50.00

Disseminação seletiva de Informação
circulacão de oeriódicos
sumários correntes

25

43.10

33

56.90

37

63.79

21

36.21

serviços de resumos
boletim informativo

7
20

12.07
34.48

51
38

87.93
65.52

boletim bibliográfico

26

44.82

32

55.18

Outros serviços

16

27.58

42

72.42

�</text>
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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Belém (Pará)</text>
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          <name>Date</name>
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              <text>Serviços de informação de Bibliotecas Universitárias brasileiras estudados através de dois motivos condutores: a transformação das bibliotecas em centros ed documentação/informação e os avanços tecnológicos da informática e das telecomunicações. Redes de biblitecas e sistemas de informação e acesso a bancos de dados. O modelo de universidae brasileira e a importância da informação para a comunidade acadêmica, política de educação e Programa Nacional de Biblitoecas universitárias- PNBU. Situação atual dos serviços de informação em biblitoecas universitárias e sua problemática. Atividades dos profissionais de informação no planejamento e avaliação de serviços. Propostas para superar alguns problemas visando a alcançar a integração das biblitoecas universitárias às atividaeds acadêmicas de ensino, pesquisa e extensão.</text>
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