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                  <text>REDE DE DADOS BIBLIOGRÁFICOS NO BRASIL: UMA NECESSIDADE REAL

Murilo Bastos da Cunha
Universidade de Brasília
Departamento de Biblioteconomia
Brasília, DF 70910

As bibliotecas já estão reconhecendo a impossibilidade de, isoladamente, possuirem todos os recursos informacionais para atenderem as necessidades de seus usuários. Assim, esforços cooperativos visando a criação de uma rede eletrônica ligando os acervos das bibliotecas devem ser
enfatizados. O trabalho analisa também as definições, as funções e os
produtos de uma rede. Comenta as ações que deverão ser feitas para que o
Plano Nacional de Bibliotecas Universitárias possa estimular a LLiação
dessa rede, tais como: a necessidade de uma rede, a existência de um
banco de dados central, identificação do ponto focal da rede, uso de
computador dedicado e o uso do formato CALCO pelas bibliotecas cooperanteso
Termos para indexação: Rede de bibliotecas, Rede de dados bibliográficos, Bibliodata, Fundação Getúlio Vargas, Automação de Bibliotecas,
Banco de dados bibliográficos.

71

�I - Rede: uma idéia já nos anos quarenta
"Uma

biblioteca a mais

nao resolve o problema

de um centro cultu-

ral. Do que necessitamos é de um sistema de bibliotecas, trabalhando
conjunto,
das de

umas suprindo as deficiências

em

das outras, cooperando. Estra-

ferro construídas a esmo nada adiantam para os transportes de um

um país. O que é útil é uma rede ferroviária. Pois o que precisamos,

no

nosso caso, é uma rede bibliotecária"(1).
Este parágrafo foi extraído de um texto publicado em 1943 - portanto
há mais de quarenta

anos - pelo nosso

saudoso e querido mestre

Rubens

Borba de Moraes em seu pequeno e importante livro intitulado O problema das bibliotecas brasileiras. Hoje se fôssemos analisar as bibliotecas brasileiras como um todo suas palavras ainda seriam proféticas, clamando em alto e bom som para uma rápida e patriótica solução.
As bibliotecas há muito que reconheceram a impossibilidade de isoladamente possuirem todos os recursos necessários para atender as necessidades de seus usuários. No caso das bibliotecas universitárias esse sentimento de que alguma coisa precisa
Existem

ser feita já começa a tomar

grandes dificuldades para atender,

as demandas geradas
pós-graduação,

pelos professores,

corpo.

com um mínimo de qualidade,

pelos alunos

de graduação,

de

pesquisadores, técnicos e também o grande número de lei-

leitores não ligados à

universidade que

frequentam nossas

bibliotecas

devido à falta de bibliotecas públicas decentes.
O tremendo incremento no volume de informação e a impossibilidade de
uma

independência econômica para arcar com todas as pressoes para aten-

der as novas necessidades de documento e
te

informações geradas no ambien-

universitário tem estimulado, em outros

países, a criação de siste-

mas, consórcios, redes e outras formas de cooperação.

72

�No caso brasileiro essa cooperaçao é mais urgente e premente na area
de processamento técnico das

bibliotecas universitárias. De acordo

com

o Anuário estatístico do Brasil (2) existiam, em 1979, mais de 3 milhões
de livros

nao

catalogados nas

bibliotecas universitárias brasileiras.

Assim, programas visando a aquisição de novos livros (como o BIBLOS) poderão deixar de atingir os seus objetivos de forma plena pois" certamente,

irão esbarrar nesse grande volume de livros não catalogados, preju-

dicando, por conseguinte, esforços governamentais para se conseguir
var

os novos documentos aos leitores

le-

universitários. Por isso, mais do

que necessário, em termos econômicos, há uma necessidade urgente de pensar

em esforços cooperativos entre as universidades, notadamente as fe-

derais que possuem parque computacional,

visando a criação de uma

rede

eletrônica ligando os acervos das maiores bibliotecas. Tal ação propiciaria:
redução do volume de livros nao catalogados pois bastaria somente
localizar os dados catalográficos no
chas

para o catálogo

banco de dados e pedir

e/ou transferir esses

fi-

dados para arquivos

magnéticos;
aceleração da velocidade de chegada do livro às estantes,

redun-

dando em grande proveito para os diversos tipos de usuários

des-

sas bibliotecas;
possibilidade de se manter outros
exemplo:

tipos de cooperação, como

localização de um documento de difícil

aquisição

por
numa

determinada universidade, e solicitação de seu empréstimo para atender um leitor interessado, num verdadeiro processo democrático
de compartilhamento de recursos escassos;
redução nos custos de catalogação/classificação dos livros;
otimização dos recursos humanos existentes nas bibliotecas e des-

73

�locamento de bibliotecários da catalogação para os servi~os ligados ao atendimento do público - notoriamente carentes e deficientes.
Vale ressaltar que o Brasil
rios

já possui os recursos huaanos

ao desenho e desenvolvimento desse

tipo de rede. Bastando soaente

decisão pOlítica para a alocação de recursos financeiros e
çomputacionais

necessÁ-

equipamentos

- muitos deles já fabricados no País - e também a for.a-

lização da rede.

2 - Rede:

Em

al~s

definições e funções

nossa àrea de Biblioteconomia não é fácil se chegar a um acordo a

respeito da definição de rede de dados biblio&amp;táficos. Tal fato é talvez
ocasionado pela grande dependência que temos da tecnologia quando

USaBDS

os serviços e/ou produtos de uma rede de dados bibliográficos (doravante
chamada simplesmente de rede). Em virtude dos rápidos progressos da tecnologia

as nossas definições precisam

sofrer atualizações e refinamen-

tos.
Para facilitar nossa compreensão, uma rede pode ser definida como:
a) "duas ou mais organizações
câmbio

de informações

através de

engajadas num padrão
ligações de

CQDD

de

inter-

telecomunicações, com o

propósito de atingir objetivos comuns .. ( •••••• )j
b) "um grupo de nós interconectados e interrelacionados" (3).
Uma rede também pode
através

mais facilmente ser

descrita do que

definida

de sua classificação em categorias ou pontos de vista diversos,

como estabelecido por BECKER (4) em 1978, em documento sobre administraçao

e estrutura de redes. Segundo tal autor as redes podem ser classi-

ficadas em:

74

�I) Segundo os sinais que elas enviam:
- rede digital
- rede de vídeo
- rede analógica
11) Segundo a estrutura ou topologia lógica:
- rede centralizada ou tipo estrela
- rede descentralizada
- rede hierárquica
111) Segundo o foco institucional:
- rede de bibliotecas públicas
- rede de bibliotecas universitárias

-

rede de bibliotecas especializadas

-

rede de vários tipos de bibliotecas

IV) Segundo as funções que desempenham:

-

rede de catalogação

-

rede de comutação bibliográfica

-

rede de informações referenciais

rede de dados bibliográficos

V) Segundo os assuntos tratados:

-

rede de informação biomédica
rede de informação agrícola
rede de informação energética

VI) Segundo o tipo de equipamento que empregam:
- rede de teletipos
- rede telefônica
- rede radiofônica
- rede de televisão
- rede computadorizada

75

�VII) Segundo a área geográfica abrangida:
- rede estadual
- rede regional
- rede interestadual
- rede nacional
- rede internacional
Quanto aos produtos (bens e serviços) que uma rede é capaz de fornecer a seus membros, ou processos que podem se beneficiar da participação
em rede

GALVIN &amp; KENT (5) apresentam a seguinte lista:

1. empréstimo interbibliotecário
2. referência
3. provisão de documentos
4. aquisição
5. catálogo coletivo de periódicos
6. educação continuada
7. acesso bibliográfico
8. fotocópias
9. circulação
10. comunicações
11. publicações
12. catalogação
13. processamento técnico
14. armazenagem/depósito
15. busca bibliográfica
16. "desenvolvimento de coleções
17. resumo/indexação
18. centro referencial
19. consultoria

76

�20. contabilidade e administração
21. microfilmagem
Nessa lista pode-se observar algumas funções tradicionais, e há muitos anos utilizadas pelas bibliotecas, tais como o catálogo coletivo

de

periódicos, provisão de documentos e catalogação cooperativa. Mas, se analisarmos a lista com certeza compreenderemos que ainda há muito espaço
a

ser preenchido pelas

rede, desde uma

catalogação cooperativa até um

sistema de busca on-line baseado em bancos de dados.
Uma rede nao deve prover somente uma economia financeira a seus participantes.
conseguida

É

claro que uma economia de escala pode, por exemplo,

com o

compartilhamento de

banco de dados residente
uma

informações contidas

numa rede. A rede

ferramenta vital para que a

acima de tudo,

ser

num grande
possibilita

biblioteca consiga mais rapidamente a-

tingir seus objetivos, que em última análise são o de levar uma informaçao

relevante a um usuário num menor tempo possível. Além disso uma re-

de pode servir de agente de mudanças em muitas areas do ambiente bibliotecário. MARKUSON aponta que as redes podem influenciar três importantes
e críticas areas, a saber:
a) pesquisa e desenvolvimento:
"Não
lidade

temos nenhuma organização permanente que assuma a
da pesquisa e desenvolvimento

responsabi-

bibliotecário; não temos especia-

listas que coletem dados e formulem estratégias de longo prazo;não temos
laboratórios que testem os novos equipamentos e nos alertem para os seus
impactos potenciais, custos e benefícios.
quisa

e desenvolvimento nao era tão

si;nples. ( ... ) Portanto,
d' itre

( ..• ) A inexistência de

importante quando a tecnologia era

énql.lanto geralmente se

das redes toma cr~o base

pes-

assume que a

raisoD

~ nossa tradição de cooperação in-

terbibliot eoíri8, .lm argumento q\le pode ser igualmente importante é o de

77

�que as redes poderão ser uma resposta para nossa falta de know-bow
para lidar com a inovação e

mudança quando nos envolvemos com

tecnolo-

gias complexas". Assim, "as redes poderão agregar recursos para auxiliar
projetos de pesquisa e desenvolvimento." (6).
b) Aquisição de capital
É

sabido

que a automação exige um alto emprego de recursos finan-

ceiros e que, devido à alta

velocidade de mudanças tecnológicas,

novos

recursos devem ser assegurados para suportar aumentos de memórias, novos
terminais, implementações no bardware

e software e também

para

fazer frente aos custos crescentes de manutenção. "As redes podem desempenhar um importante papel na
habilidades

transmissão de tecnologia devido às

para assistir na obtenção

do capital necessário à mudança.

( .•• ) Somente grandes empresas, o governo federal, alguns
dos,

suas

e grandes bibliotecas é que terão

grandes esta-

condições para empreender o in-

vestimento de capital necessário para manter redes em linha complexas
de

grande tamanho

e para

possibilitar a

contínuos necessários para a montagem

e

pesquisas e desenvolvimentos

de novos serviços. Na

comunidade

bibliotecária a rede provê a estrutura requerida para concentrar o capital necessário. ( ••• )
xima

É

importante que as organizações tenham uma

ma-

flexibilidade nas estratégias de alocação de recursos e que as bi-

bliotecas participantes honram

os compromissos contratuais

que a

rede

faz em seus nomes" (7).

c) Transferência de tecnologia

A

rede,

por utilizar

as

idéias de

economia

de escala,

pode se

transformar num mecanismo rápido e flexível de transferência de tecnolo-

78

�gia.

"As redes também podem influenciar a rápida mudança pela centrali-

zaçao de equipe de especialistas cujas habilidades podem estar
veis

para muitas bibliotecas. Como

as novas tecnologias requerem cres-

cente perícia e equipe especializada,
transformará

disponí-

esta característica das redes

se

num fator crítico para o desenvolvimento continuado, espe-

cialmente levando-se em conta os salários crescentes desses

especialis-

tas" (8).
Assim, determinados tipos de profissionais, tais como engenheiros de
telecomunicações,
çao

analistas, programadores, etc. podem estar à disposi-

de pequenas bibliotecas participantes da rede. Há portanto uma mai-

or otimização dos recursos existentes e também uma verdadeira democratização das potencialidades existentes.

3 - Rede no Brasil: o .amento já chegou?

No Plano Nacional de Bibliotecas Universitárias (lo.PNBu), na

parte

referente à automação de bibliotecas, consta uma diretriz específica relativa a açoes

que objetivem "estimular

a automação dos

procedimentos

técnicos e administrativos das bibliotecas universitárias, visando a facilitar o atendimento aos usuários"(9). E entre as ações mencionadas está

a de "desenvolver uma rede

de intercâmbio de dados bibliográficos e

documentários, com um grande banco de dados central, para viabilizar
serviços

de catalogação cooperativa, empréstimo, comutação bibliográfi-

ca, etc., considerando, entre outros, fatores como:localização da unidade

central e instituição com vocação para o serviço; utilização

computador de grande
maiores

porte, dedicado;

início de

operações com

os

acervos de bibliotecas universitárias (preferencialmente que a-

dotem normas semelhantes

para processamento

79

técnico) e

com acervo

de

�documentos nacionais da Biblioteca Nacional" (lO, grifo nosso).
Mais adiante o mesmo documento sugere açoes para "apoiar a adoção do
formato

de intercâmbio CALCO,

de maneira a assegurar

estimulando seu constante aprimoramento,

uma compatibilidade" aos padrões

internacionais"

(11).

Assim, depreende-se do lo. PNBu que: 1) há necessidade de se
volver

uma rede de dados

desen-

catalográficos para viabilizar, entre outros,

os serviços de catalogação cooperativa; 2) é necessário um grande

banco

de dados central; 3) existe a necessidade de se selecionar o ponto focal
dessa rede numa instituição com alguma vocação para esse tipo de
ço;

servi-

4) é necessário utilizar um computador de grande porte dedicado aos

serviços de processamento de dados e/ou telecomunicações exigidos

pelos

componentes da rede; 5) o formato CALCO seja o formato de intercâmbio de
dados catalográficos e ser utilizado pela rede com intuito de
cer

compatibilidade com os padrões

estabele-

vigentes em outros países (predomi-

nando formatos compatíveis com o MARC).
A seguir passaremos a comentar alguns aspectos mais críticos de possível implementação de uma rede de dos bibliográficos e documentários.
3.1 - Necessidade de uma rede
Quando

se fala na criação de uma

de processamento técnico

rede para a solução dos problemas

de bibliotecas brasileiras é

comum se

pensar

que é uma coisa nova. Entretanto, já em 1942 o antigo Departamento Administrativa do Serviço
impressas

Público

(DASP) distribuía fichas

catalográficas

para bibliotecas cooperantes do Serviço de Intercâmbio de Ca-

talogação (SIC). Em 1947

esse Serviço foi

transferido para a

Fundação

Getúlio Vargas e, em 1959, foi incorporado ao antigo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação

(IBBD, hoje IBICT). Infelizmente,

80

em

�função

dos atrasos

impressão das fichas

catalográficas e

da falta de

participação da maioria das bibliotecas brasileiras esse serviço foi interrompido no início dos anos setenta.
Assim, os preceitos básicos para a criação de uma rede perduram desde a década de quarenta. Estudos sistemáticos sobre os benefícios advindos do antigo SIC inexistem. Entretanto, é
econômicas

que

tradicionalmente afetam

de se supor que as
os orçamentos

pressões

das bibliotecas

brasileiras e a necessidade de se aproveitar ao máximo o dinheiro investido

tenham sido fatores que estimularam a adoção, durante alguns anos,

das fichas impressas do SIC.
E agora, quarenta anos depois, ainda existe a necessidade de uma rede? Se formos basear somente na copiosa literatura estrangeira sobre

os

benefícios de uma rede certamente a resposta será positiva. No caso brasileiro, uma rede que conte com um grande respaldo das modernas tecnologias de informática e de telecomunicações, não será somente uma economia
de divisas para os participantes. Ela também poderá ser um grande

fator

estimulador para o atingimento dos objetivos de dezenas de bibliotecas e
centros de documentação/informação, servindo, além disso, de um privilegiado

forum para discussão dos problemas

e busca de estratégias para a

solução dos mesmos. Assim, a rede pode formalizar a cooperação entre
bibliotecas

que, quase sempre, existe de uma maneira aleatória e volun-

tária. No presente caso, há uma intervenção do Estado tentando,
lar

as

a institucionalização de uma

estimu-

rede entre as bibliotecas universitá-

rias.
Entretanto,

vale a pena aqui ressaltar

que a intervenção do Estado

provocando a formalização de rede de dados bibliográficos nem sempre
tingiu

resultados positivos. No Brasil, o

exemplo mais clamoroso foi a

tentativa feita com a Rede de Bibliotecas da Amazônia (REBAM)

81

a-

analisado

�em

1985 numa dissertação por Maria

que nos convida à
formas

Cristina G. Loureiro. E

reflexão ao afirmar

de organização e

que" é hora

estruturação dos nossos

para serem criados sistemas e

redes só porque o

é

ela mesma

de repensarmos

as

projetos. Não dá mais
ator do momento dá

a-

poio, esquecendo que depois dele outros virão e, como é de praxe, as linhas de ação também serão modificadas. ( ••• )

Enquanto

redes e sistemas

de informação forem criadas vinculadas as administrações governamentais,
independentes das esferas
Nacionais,

e seguindo as

diretrizes dos grandes

Planos

que carregam consigo a desvinculação entre o ato de planejar

e a possibilidade concreta de executar, o viés político vai estar sempre
presente" (12).

3.2 - Banco de dados central

o

desejo de se encontrar num único arquivo o máximo de dados catalo-

gráficos é bem antigo
centralização

no meio

de uma rede

biblioteconômico. Assim,

para possibilitar a

a política

existência de um grande

banco de dados sempre arrebanhará adeptos. Segundo SEGAL (13) as
motivadoras

de

forças

para a existência de um banco de dados central no meio nor-

te-americano incluem:
a)

o desejo de construir enormes

bases de dados para um índice bi-

bliográfico universal;
b)

a necessidade de se ter informações sobre o acervo nacional para

uma possível utilização na

comutação bibliográfica e

empréstimo-entre-

bibliotecas;
c) a necessidade de se impor e manter normas e padrões;
d) a disponibilidade de telecomunicações baratas;
e) as pressões

econômicas e temporais

82

para o compartilhamento

dos

�registros em vez de duplicá-los.
Entretanto, os recentes avanços nas tecnologias dos

superminicompu-

tadores, nas nov~s aplicações dos discos compactos (CD-ROM) e dos discos
rígidos fazem com que se possa repensar a filosofia centralizadora. Também merece reflexão o conceito de gateway, isto é, sistema que

per-

mite o acesso a bancos de dados residentes em diversos computadores.

3.3 - Ponto focal da rede

o
ção

10.PNBu ao se referir à rede diz que há necessidade de identifica-

da unidade central e instituição com vocação para o serviço. A esta

respeito parece-nos que "uma rede

nao pode pertencer a uma

instituição

apenas. Uma rede se baseia na cooperação e, portanto, se caracteriza pela ausência de propriedade definida" (14). Desta forma, é provável que o
Bibliodata/Calco,

mantido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) não se ca-

racteriza como uma real rede

de dados bibliográficos, funcionando,

se-

gundo os preceitos legais constantes no contrato padrão como uma prestadora de serviços de automação bibliográfica e de assistência técnica,
nao

menciona a possível existência de

tantes eleitos pelas
linhas

de ação do

bliográficos,

um comitê diretor, com represen-

bibliotecas cooperantes, para
Bibliodata. Tais fatores porém

possível escolha da FGV

e

como unidade central de

decidir as

grandes

não devem inibir uma
uma rede de dados

bi-

desde é claro, que mecanismos mais democráticos sejam in-

troduzidos para aumentar o poder de decisão das bibliotecas cooperantes.
Vale

a pena discutir

também aspectos relativos

registros bibliográficos inseridos na
serao

ao direito autoral dos

base de dados pelas

os registros de propriedade da FGV

bibliotecas:

e como tal as bibliotecas co-

operantes deverão "apagar ou destruir, de alguma forma, qualquer

83

regis-

�tro relacionado com o CALCO, ao desfazer-se do respectivo mais físico em
que se encontrar" (15), ou serão de propriedade da biblioteca que introduziu o registro e que pagou pela sua inclusão no Bibliodata?
Caso não seja a
entidade(s)

teria experiincia e tradição

maiores bibliotecas
UFRGS)

FGV a escolhida como

universitárias

teriam condições

(USP,

de juntas ou

unidade central qual

para executar essa tarefa? As
UNICAMP,

através do

Brasileiros (CRUB) criar mecanismos cooperativos?
centralização

verificada na

rede de comutação

existe uma biblioteca-base única, mas
sante

(quais)

UFRJ,

UFMG,

UNB,

Conse.Lno de Rei tores
À semelhança da

des-

bibliográfica, onde não

dezenas delas, nao será

interes-

replicar a idéia na criação da rede de dados bibliográficos e do-

cumentários proposta pelo 10. PNBu? Ou, em caso
com as idéias de BUNCH

&amp;

contrário, e de

acordo

ALSBERG (16), não sÉ!rá importante ter um mínimo

de centralização para reduzir os problemas de alocação de recursos, controle, segurança, detecção de falhas e sincronização?
Como se pode notar, a escolha do ponto focal da futura rede necessita de reflexão por parte dos interessados visando, principalmente, a melhor utilização dos recursos públicos (menor custo de processamento técnico) e a otimização no nível de satisfação dos usuários das bibliotecas
universitárias (acesso mais rápido à informação, possibilidade de uso de
empréstimo-entre-bibliotecas, etc.).

3.4 - Computador dedicado

°

PNBu propõe a existincia e

utilização de um computador de grande

porte (mainframe) dedicado às operações da rede. A idéia de um grande

computador é interessante quando a

de participantes, obtendo-se, por

rede é formada por grande número

conseguinte, uma economia de

84

escala.

�Tal

fato é percebido

pelos usuários

do OCLC

&lt;Online Computer Library

Centerl que em 1968 iniciou suas atividades com pouco menos de vinte bihoje congrega mais de 4.800

bliotecas;

cooperantes e um banco de dados

com mais de 12 milhões de registros bibliográficos.
É

por demais conhecida a necessidade dos bancos de dados biblio-

gráficos ocuparem grande espaço de

memória magnética. Comumente um

re-

gistro catalográfico alcança 2.000 caracteres. Assim, além da necessidade de se ter um computador dedicado -- funcionando pelo menos 10-12
ras diárias para o atendimento das bibliotecas cooperantes

ho-

é necessá-

rio que o mesmo seja de grande porte e com capacidade para gerenciar teleprocessamento.

Dependendo da configuração proposta, um computador com

tais características seria
quantia é

da ordem de

por demais alta para a

uns 3 milhões

de dólares.

Tal

maioria dos orçamentos dos centros de

processamento de dados das nossas universidades. Entretanto, se para cada

livro não catalogado nas nossas bibliotecas universitárias investís-

semos um dólar (ou o
computador

seu equivalente em cruzados)

de porte, o

equ~amento

para a compra de

estaria amortizado

em pouco tempo,

trazendo enormes benefícios para as nossas comunidades universitárias
outras

um

e

clientelas que certamente participarão do esforço cooperativo no

futuro.

3.5 - Uso do formato CALCO

Por princípio nao se pode ter

uma verdadeira rede sem a

existência

de um mínimo de compatibilidade entre seus diversos componentes/participantes. No caso das redes de dados bibliográficos uma das causas de
estrondoso

seu

sucesso no exterior foi devido ~ assistência por elas feitas

na catalogação dos acervos das bibliotecas que podem acessar seus bancos

85

�de dados. E, como consequência, a catalogação está se transformando numa
das áreas de biblioteconomia que mais impactos sofreu com a informática.
Vale

ressaltar tamb~m que os serviços meios de uma hihlioteca tipica --

os chamados processos
envolvem

t~cnicos

que

a criaçio, o armazenamento, R reCllperaç~o, nlodifi,caç~o e mani-

pulação. Assim, o computador
sua

-- sâo quase torios movi rios por dados

utilização. E ~ isto

encontra aqui um

habitat propICIO para

que os bihliotecários

a

começaram a fazer, com

grande intensidade, no inicio dos anos sessenta. Mas, para que os recursos

aplicados nessa área tivessem um maior grau de otimização havia ne-

cessidade de um formato padrão.

O surgimento do MARC (Machine

Readable

Cataloging) que havia sido desenvolvido em 1968 pela Library of Congress
propiciou o

formato padrão

para intercâmbio

de dados

catalográficos.

Posteriormente diversas variaç5es do MAR C começaram a aparecer em todo o
mundo como por exemplo, o UK MARC no Reino Unido, o Canadian MARC no Canada e o CALCO no Brasil.
Nem todas as bibliotecas terão as facilidades para aquisição de computadores de porte para a manipulação dos arquivos com fitas com formato
MARC (no caso do Brasil das fitas
bliográficos

CALCO), assim, as redes de dados

darão a possibilidade de

bi-

se acessar esses registros legi-

veis por máquina sem necessidade de enormes investimento em hardware
Parece

ser pacífico que o uso do formato CALCO-- por ser ele compa-

tível com o MARC-- deva ser incentivado. Entretanto, vale a pena indagar
aqui

se devemos continuar a

independentes nao

gastar recursos governamentais em formatos

compatíveis com

O

MARC.

Vale a

pena indagar

ainda

quais serão os mecanismos para estimular a conversa0 de dados existentes
em sistemas automatizados
Por

para formatos

que ainda nao temos uma norma da

compatíveis com o

CALCO/MARC?

ABNT que seja baseada na norma da

ISO 2709 e que trata da estrutura do registro em formato de comunicação?

86

�4 - Conclusão

o

computador vai,

ao longo dos últimos

anos, conquistando enormes

espaços na vida diária do brasileiro. Novos progressos nas areas de
formática

e comunicações estão ampliando, cada

formatização de nossa sociedade.
já

possuímos uma rede

vez mais, o grau de in-

Fibras óticas já são fabricadas

de comutação por pacotes

satélites domésticos que irão facilitar,

in-

aqui;

(RENPAC) e também dois

epormente a transmissão e

re-

cepção de dados. Com o advento da política Nacional de Informática grande parte dos equipamentos de processamento de dados sao aqui produzidos,
democratizando o acesso à informática a vários segmentos da sociedade
produzindo recordes de faturamento em taxas cada vez mais altas.
esse

cenário que encontramos os fatores

rede de bibliotecas. Para

a criação dessa

t

e
com

propícios para o início de uma
rede ainda persistem

alguns

problemas técnicos relativos à tipologia de rede a ser adotada, decisões
sobre a utilização

do modelo

OSI (Open

Systems Interconnection)

para

permitir a interconexão de sistemas computacionais com diferentes arquiteturas, etc. Entretanto, uma rede é uma instituição social,
em

sua constituição e objetivos uma

refletindo

gama enorme de interesses institu-

cionais, heterogêneos a princípio, porem

homogêneos quando se trata

de

Assim, os aspectos técnicos sao básicos, mas os políticos ocupam

VI-

lutar para o bem comum.

tal

importância para a genese e sObrevivência de uma rede. E entre elas

podem ser ressaltados (17):
1)

a estrutura legal da rede - a organização formal e o ordenamento

das atividades através das quais derivarão sua existência e autoridade;
2) os membros ou a clientela primária - aqueles que nortearão o segmento de mercado a ser atingido, os recursos financeiros e as necessida-

87

�des a serem satisfeitas;
3) a direção da organização -

a estrutura e administração do

rela-

cionamento do poder entre os membros que compartilharão as atividades da
rede. Parece-nos conveniente ressaltar aqui que estamos falando dos

as-

pectos ligados à alta administração e não naqueles de nivel operacional.

o
é

grande harmonia e coesão entre os três aspectos acima

que indicarão

O sucesso

mencionados

de uma rede. Com muito esforço e trabalho se-

ra possivel se conceder os recursos tecnológicos e humanos necessários à
implantação de uma rede de dados bibliográficos e documentários incluída
no 10.PNBu e, de novo com esforço e trabalho, será possível se chegar ao
consenso

e decisão política para

que tal rede se

torne viável a médio

prazo. O sonho dos anos quarenta poderá ser tornar um fato concreto

nos

anos oitenta!

Referências

1 - MORAES R.B. de. Q problema das bibliotecas brasileiras. 2.ed.
Brasília, ABDF, 1983. p. 28.
2 - ANUÁRIO estatístico do Brasil 1983, p. 695.
3 - SIPlPSON, D.B. Bibliographic network. In: ·ALA World Encyclopedia of
Library and Information Services. Chicago, American Library
Association, 1980. -p.80.
4 - BECKER, J. Functions of existing networks, a reaction. in: KENT, A.
&amp; CALVIN, T. J., ed. Structure and governance of library
networks. New York, Marcel Dekker, 1979. p. 86-89.
5 - KENT, A. &amp; GALVIN, T.J, eds.The structure and governance Q[
library networks .. Chicago, American Library Association,1979.
6 - MARKUSON, B. E. Cooperation and library network development.
College ~ Research Libraries 40(2): 127, March 1979.
7 - Idem, p., 127.
8 - Ib., p. 128.
9 - BRASIL. Ministério da Educação. Programa Nacional de Bibliotecas
Universitárias. Brasília, MEC/SESU, 1986. p. 6
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11 - Ib., p. 6.
12 - LOUREIRO, M.C.G. Rede de Bibliot~cas da Amazonia (REBAM), da ~
~ ~ desaparecimento. Belo Horizonte, Universidade Federal
de Minas Gerais, Escola de Biblioteconomia, 1985. p.1l2 (Dissertação de mestrado).

88

�13 - SEGAL, J. A. S. Networking and decentralization.
Annual Review of Information Science and Technology 20: 209,
1985.
14 - LOUREIRO, M.C.G.Opus cit, p. 74.
15 - FUNDAÇXO
Getúlio Vargas.Contrato de prestação de serviços.
Rio de Janeiro, 1986. 7p. &lt;cláusula 4 , subc1áusu1a única).
16 - BUNCH, S.R.&amp; ALSBERG, P. A. Computer communication network.Annual
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17 - MARKUSON, B.E. &amp; WOOLLS, B., eds.Network for networkers: criticaI
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Neal-Schuman, 1980. p.191-192.

89

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              <text>As bibliotecas reconhecem que  sózinhas não conseguem atender todas as demandas de seus usuários. Enfatiza os esforços cooperativos visando criar uma rede eletrônica, ligando os acervos das bibliotecas. Analisa também as definições, as funções e os produtos de uma rede. Comenta as ações necessárias  para que o Plano Nacional de Bibliotecas Universitárias-PNBU possa estimular a criação dessa rede.</text>
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