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                  <text>REDE DE BIBLIOTECAS, UMA SOLUÇÃO PARA AS UNIVERSIDADES

Luiz Fernando Cysneiros
Fundação Getúlio Vargas
Centro de Processamento de Dados
Rio de Janeiro

Uma visão parcial das bibliotecas universitárias, as

premi~

sas necessárias a um processo cooperativo e uma .'ivaliação da
blioteca como

sistema. O trabalho analisa o PNBu em relação

biàs

colocações acima e faz uma breve avaliação do sistema CALCO e

da

rede BIBLIODATA, concluindo pela importância da implantação

de

uma rede de bibliotecas universitârias.

Termos de indexação. Rede bibliotecas. Bibliodata.Automação
bibliográfica. Sj.stema CALCO. Fundação Getúl,io Vargas. !'lanD
cj.onal de Bibliotecas Uni versi tárias. Catalogação Cooperativa.

61

Na-

�1 - As bibliotecas universitárias

"O Seminário (Ibero-Americano sobre planejamento de servir.os bi
bliotecários e de documentação - Madrid,196B) considerou a

impres-

cindível necessidade da existência de uma perfeita rede de bibliote
cas universitárias, coordenadas por uma biblioteca central,

orient~

da por regulamentos que estabeleçam a estrutura interna da bibliote
ca e suas várias funções téonicas e administrativas, assim como

a

participação do bibliotecário no organismo de governo da universida
de ou faculdade.

"(1)

Este texto, baseado em fatos de 18 anos atrás, ainda é

atual

uma vez que o quadro que se apresenta nas universidades brasileiras
mostra, com algumas

ex.::eções, uma descentralização dos processos

b~:.

biblioteconômicos. A biblioteca central é um prédio, geralmente novo, sem que esta exerça efetivamente qualquer controle sobre as demais bibliotecas da universidade. Isto pode ser justificado pela
pria evolução das faculdades para as atuais universidades, mas
inércia ainda nao permitiu que este quadro fosse mudado. Dentro

p~

a
da

proposta do Plano Nacional de B-ibliotecas Universitárias (PNBu), as
diretrizes e ações devem ser vistas primeiramente no âmbito

intra-~

niversidade, antes de poderem ser colocadas extra-universidade. Isto porque, em termos de normas, métodos e objetivos, é dificil

en-

contrar, salvo poucas exceções, um úniocinterlocutor em uma universidade que possa de fato

falar por todas as bibliotecas.

Reforçando esta proposta podemos citarKAEGBEIN (2) " g muito im
portante que as bibliotecas que se encontram separadas fisicamente,
embora

parte

sistema...

integrante de

uma institutição,

se integrem

A biblioteca central deveria realizar certas

ao
tarefas

para outras bibliotecas, mas trabalharia cooperativamente com

as

bibliotecas departamentais a fim de servir às outras partes da universidade."

62

�2 - A biblioteca como sistema

" Existe um infinidade de definições de sistema, mas todas estão de acordo em que um sistema é um conjunto de partes

coordena-

das para realizar um conjunto de finalidades." (3)
No caso da biblioteca podemos relacionar estas partes como:
- seleção e aquisição de material bibliográfico
- processamento técnico
- referência
- circulação
Se nos reportarmos ao PNBu, veremos que existe previsão de diretr.izes e ações para atendimento à todas estas áreas, portanto '8e!!.
do o PNEu consequência de consultas as universidades, temos um importante fato que é a separação do problemâ em quatro grandes sistemas que podem ser vistos e tratados isoladamente.

3 - O Plano Nacional de Bibliotecas Universitárias

Segundo CARVALHO (4)

"A eficiência da cooperação entre

biblio

tecas dependerá especialmente de:
existência de uma política para a determinação de programas
a nível local, regional, nacional e internacional
- adequação destes programas com a utilidade social em que

se

inserem os órgãos participantes
- infra-estrutura básica para que estes órgãos possam executar
as tarefas que lhe são próprias
-

sensibilização da comunidade para os programas oferecidos

- continuidade e aprimoramento destes programas."
O PNBu pretende ser o instrumento pelo qual se possa chegar,efetivamente, a esta eficiência, uma vez que propõe ações para

vá-

rios tópicos importantes a fim de permitir que as dependências aci

63

�ma citadas possam ser atendidas:
- planejamento organizacional, financeiro e de recursos humanos
e físicos
- formação e desenvolvimento de coleções
- processamento técnico dos documentos
- automação de bibliotecas
- usuários e serviços
- atividades cooperativas
Novamente

~os

vemos diante de uma divisão, que podemos

chamar

de sistemas, alguns deles já mencionados anteriormente como sistemas
da biblioteca, e outros introduzidos aqui mas com caracterlsticasde
apoio àqueles já definidos. Daremos ênfase daqui para diante ao aspecto de automação.

4 - Automação de bibliotecas

A primeira ação da automação de bibliotecas do PNBu (5) diz
"Desenvolver uma rede de intercâmbio de dados bibliográficos
documentários, com um grande banco de dados central, para

e

viabili-

zar serviços de catalogação cooperativa, empréstimo, comutação

bi-

bliográfica, etc, considerando, entre outros fatores, como: - localização da unidade central em instituição com vocação para o serviÇo; utilização de computador de grande porte; início de operação com

os maiores acervos de bibliotecas universitárias, preferencialmente
as que adotem normas semelhantes de processamento técnico e com

o

acervo de documentos nacionais da 'Biblioteca Nacional;" e segue com
outras ações inclusive o apoio à adoção do formato de

intercâmbio

CALCO.
Vemos nesta proposição os quatro grandes sistemas citàdos~ante­
riormente, adotados quase que como uma única ação.

64

�4.1 - Sistema CALCO da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

O trabalho desenvolvido na FGV desde

1~77,

tomou como base

formato CALCO da Biblioteca Nacional(6) e foi dividido em

o

vários

subsistemas interdependentes, dos quais destacamos alguns:
- Catalogação
- Cabeçalho-de-Assunto
- Cooperação
- Autoridades
- Emissão de Catálogos
- Emissão de Fichas e etiquetas

Dentro dos objetivos maiores do sistema, destacamos:

- Constituir um cadastro central único para toda
ca

a

bibliote-

que se utilizar do sistema;
- Permitir que as informações de catalogação de uma obra

se utilizada

fos-

por qualquer outra instituição que a possuisse sem que

se tenha que realimentar os dados.
Consoante

estes dois grandes objetivos está a capacitação pa-

ra o desenvolvimento de um SOFTWARE nacional para tramento de infor
mações bibliográficas.

5 - A Rede BIBLIODATA

De acordo com a filosofia de cooperação, após a implantação

do

sistema na Biblioteca Central, a FGV colocou os serviços à disposição das instituições que dele quizessem se utilizar.

65

�Apesar da aparente função de prestadora de serviços, a

~0stura

filosófica da FGV neste processo é a de um desenvolvimento

integr~

do com as bibliotecas participantes da rede, urna vez que, longe de
oferecer um produto acabado, oferece o desafio de participar de um
processo pioneiro.
Todo o processo de desenvolvimento de novas funções é feito através de consultas e reuniões com as bibliotecas participantes e,
na parte de cabeçalho-de-assunto e entradas, são mantidas reuniões
semanais com representantes de bibliotecas, para que se

estabele~

os termos que serão utilizados. Dentro deste processo está o de de
senvolvimento local de parte dos softwares, de modo a que
se comunicar com o

SISTE~ffi

possam

CALCO, servindo como exemplo o controle

de periódicos desenvolvido pela PUC/RJ (PERI/PUC), que está

sendo

usado pela Biblioteca Central da FGV e por outras bibliotecas participantes da rede.

5.1 - Bibliotecas Cooperantes

Biblioteca CentraJ da FGV, Rio de Janeiro
Fundação Joaquim Nabuco, Recife
Escola Superior de Guerra, Rio de Janeiro
Biblioteca do Exército, Rio de Janeiro
Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro
Fundação IBGE, Rio de Janeiro
Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, Brasília
Faculdade Júlio de Mesquita, Botucatu
Escola Brasileira de Administração Pública (FGV) ,Brasília
Instituto do Açúcar e do Alcool, Rio de Janeiro
Centro de Pesquisa e Documentação em Histórica Contemporânea
(FGV) , Rio de Janeiro

66

�Centro de Tecnologia Mineral, Rio de Janeiro
Pontifícia Universidade Católica (PUC) , Rio de Janeiro
Centro João XXIII, Rio de Janeiro
Escola de Administração de Empresas (FGV), são Paulo
Escola de Guerra Naval, Rio de Janeiro
Biblioteca Euclides da Cunha, Rio de Janeiro
Centro Interamericano de Comercialização (FGV) , Rio de Janeiro
Diretoria de Hidrografia de Nav.gação, Rio de Janeiro
Universidade do Rio de Janeiro (UNI-RIO), Rio de Janeiro
Serviço de Documentação Geral da Marinha, Rio de Janeiro
Estado Maior das Forças Armadas, Brasília
Banco de Desenvolvimento do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

6 - A Rede de Bibliotecas Universitárias

A experiência da FGV mostra um grande potencial no

trabalho

em rede, com um aproveitamento maior no aspecto cooperativo quando
se trabalha com acervos afins, o que é o caso das bibliotecas universitárias. O grandes desafio que cada uma das bibliotecas terá-que
enfrentar é a uniformização dos procedimentos de catalogação

e,

quando possível, os de indexação, de modo a tirarem o máximo proveito da cooperação.

e

o caminho mais eficiente para a mimizaçãodos

acervos não processados e para uma política de aquisição mais objetiva através do conheoimento efetivo da coleção.
A proposta do PNBu tem que ser encarada como um processo

gra-

dual ue automação, começando pela parte de catalogação, que irá
mitir um

~i~

conhecimento do conteúdo das coleções,

e

~

faci

litar o fluxo da informação, inclusive pela uniformização dos procedimentos técnicos. A partir daí terá que ser definida uma

polít~

ca para o desenvolvimento dos demais softwares, atendendo ao maior
número de funções em diferentes tipos de computadores.

67

�7 - Conclusões

KENT (7) afirma: "O uso comum de recursos mostra um modo de

op~

rar aonde funções são compartilhadas por várias bibliotecas. Os objetivos são o de prover o adequado efeito de rede: 1) nos

usuários

da biblioteca, através do acesso a um maior número de ítens ou serviços, e/ou 2) no orçamento da biblioteca, com um mesmo serviço

a

um menor custo, um aumento dos serviços prestados pelo mesmo custo,
ou muito mais serviços a um custo muito menor do que se feito individualmente. Estes objetivos devem ser alcançados sem mudar os
bibliotecas participantes, embora seus métodos de trabalho
que ser invariavelmente ajustados. Do mesmo modo, estes
são alcançados somente com a

mudan~a

das

tenham
objetjvos

de alguns hábitos dos

usuá-

rios."

Isto nos mos"tra que o instrumento que vai permitir que se

pos-

sa sair da inércia esta aí, o PNBu, e que para a decisão a ser toma
da para tornar realidade a rede de bibliotecas, devemos pensar

de

modo universal, considerando a possibilidade de integração dos esfor
ços já realizados no país.
Referências.
(1) FIGUEIREDO, Nice.

(Bibliotecas universitárias e especjlizadas

paralelos e contrastes. - Revista de Biblioteconomia de Brasília
Brasília, D.F., 7(1):9-25, jan./jun. 1979.
(2) KAEGBEIN, P. As bibliotecas como sistema especiais de informação. - Revista de Biblioteconomia de Brasília, Brasília, D.F.,7(1):
26-35. jan./jun. 1979.
(3) CHURCHMAN, C. West. Introdução à teoria geral de sistemas.
Rio de Janeiro: Vozes, 1971. 309p.
(4)

CARVALHO, Thereza de sá. A cooperação a nível das bibliotecas.

- Revista da Escola de Biblioteconomia UFMG, Belo Horizonte, 11(1):
73-81, mar.1982.

68

�(5)

BRASIL. Ministério da Educação. Plano Nacional de Bibliotecas U-

niversitáris. Diário Oficial, Brasília,28j5j86,Seção I pag.6050j6053.
(6) CONVENIO MECjCNPq. Formato CALCO. Brasília, 1977. lv.
(7) KENT, Allen &amp; GALVIN, Thomaz J.

- The goals of resource sharing.

Conference on resources sharing in libraries

(1976

University of

Pittsburgh) Library resource sharing: proceedings. - New York:
Dekker, 1977, Pag

(15-32).

69

M.

�REDE DE DADOS BIBLIOGRÁFICOS NO BRASIL: UMA NECESSIDADE REAL

Murilo Bastos da Cunha
Universidade de Brasília
Departamento de Biblioteconomia
Brasília, DF 70910

As bibliotecas já estão reconhecendo a impossibilidade de, isoladamente, possuirem todos os recursos informacionais para atenderem as necessidades de seus usuários. Assim, esforços cooperativos visando a criação de uma rede eletrônica ligando os acervos das bibliotecas devem ser
enfatizados. O trabalho analisa também as definições, as funções e os
produtos de uma rede. Comenta as ações que deverão ser feitas para que o
Plano Nacional de Bibliotecas Universitárias possa estimular a ~ciação
dessa rede, tais como: a necessidade de uma rede, a existência de um
banco de dados central, identificação do ponto focal da rede, uso de
computador dedicado e o uso do formato CALCO pelas bibliotecas cooperanteso
Termos para indexação: Rede de bibliotecas, Rede de dados bibliográficos, Bibliodata, Fundação Getúlio Vargas, Automação de Bibliotecas,
Banco de dados bibliográficos.

71

�l-Rede: uma idéia já nos anos quarenta
"Uma

biblioteca a mais

nao resolve o problema

de um centro cultu-

ral. Do que necessitamos é de um sistema de bibliotecas, trabalhando
conjunto,
das de

umas suprindo as deficiências

em

das outras, cooperando. Estra-

ferro construídas a esmo nada adiantam para os transportes de um

um país. O que é útil é uma rede ferroviária. Pois o que precisamos,

no

nosso caso, é uma rede bibliotecária"(l).
Este parágrafo foi extraído de um texto publicado em 1943 - portanto
há mais de quarenta

anos - pelo nosso

saudoso e querido mestre

Rubens

Borba de Moraes em seu pequeno e importante livro intitulado O problema das bibliotecas brasileiras. Hoje se fôssemos analisar as bibliotecas brasileiras como um todo suas palavras ainda seriam proféticas, clamando em alto e bom som para uma rápida e patriótica solução.
As bibliotecas há muito que reconheceram a impossibilidade de isoladamente possuirem todos os recursos necessários para atender as necessidades de seus usuários. No caso das bibliotecas universitárias esse sentimento de que alguma coisa precisa
Existem

ser feita já começa a tomar

grandes dificuldades para atender,

as demandas geradas
pós-graduação,

pelos professores,

corpo.

com um mínimo de qualidade,

pelos alunos

de graduação,

de

pesquisadores, técnicos e também o grande número de lei-

leitores não ligados à

universidade que

frequentam nossas

bibliotecas

devido à falta de bibliotecas públicas decentes.
O tremendo incremento no volume de informação e a impossibilidade de
uma

independência econômica para arcar com todas as pressoes para aten-

der as novas necessidades de documento e
te

informações geradas no ambien-

universitário tem estimulado, em outros

países, a criação de siste-

mas, consórcios, redes e outras formas de cooperação.

72

�No caso brasileiro essa cooperaçao é mais urgente e premente na are a
de processamento técnico das

bibliotecas universitárias. De acordo

com

o Anuário estatístico do Brasil (2) existiam, em 1979, mais de 3 milhões
de livros

nao

catalogados nas

Assim, programas visando a

bibliotecas universitárias brasileiras.

aquisi~ão

de novos livros (como o BIBLOS) po-

derão deixar de atingir os seus objetivos de forma plena pois,· certamente,

irão esbarrar nesse grande volume de livros não catalogados, preju-

dicando, por conseguinte, esforços governamentais para se conseguir
var

os novos documentos aos leitores

le-

universitários. Por isso, mais do

que necessário, em termos econômicos, há uma necessidade urgente de pensar

em esforços cooperativos entre as universidades, notadamente as fe-

derais que possuem parque computacional,

visando a criação de uma

rede

eletrônica ligando os acervos das maiores bibliotecas. Tal ação propiciaria:
redução do volume de livros nao catalogados pois bastaria somente
localizar os dados catalográficos no
chas

para o catálogo

banco de dados e pedir

e/ou transferir esses

fi-

dados para arquivos

magnéticos;
aceleração da velocidade de chegada do livro às estantes,

redun-

dando em grande proveito para os diversos tipos de usuários

des-

sas bibliotecas;
possibilidade de se manter outros
exemplo:

tipos de cooperação, como

localização de um documento de difícil

aquisição

por
numa

determinada universidade, e solicitação de seu empréstimo para atender um leitor interessado, num verdadeiro processo democrático
de compartilhamento de recursos escassos;
redução nos custos de catalogação/classificação dos livros;
otimização dos recursos humanos existentes nas bibliotecas e des-

73

�locamento de bibliotecários da catalogação para os serviços ligados ao atendimento do pÚblico - notoriamente carentes e deficientes.
Vale ressaltar que o Brasil
rios

já possui os recursos huaanos

ao desenho e desenvolviaento desse

tipo de rede. Bastando sa.ente

decisão política para a alocação de recursos financeiros e
çomputacionais

necessá-

equipsaentos

- muitos deles já fabricados no País - e taabé. a fo~­

lização da rede.

2 - Rede: alsu-as definiçÕes e funçÕes

Em nossa àrea de Biblioteconomia não é fácil se chegar a um acordo a
respeito da definição de rede de dados biblio&amp;táficos. Tal fato é talvez
ocasionado pela grande dependência que temos da tecnologia quando us&amp;aos
os serviços e/ou produtos de uma rede de dados bibliográficos (doravante
chamada simplesmente de rede). Em virtude dos rápidos progressos da tecnologia

as nossas definições precisam

sofrer atualizações e refinsaen-

tos.
Para facilitar nossa compreensão, uma rede pode ser definida ca.o:
a) "duas ou mais organizações
câmbio

de informações

através de

engajadas num padrão
ligações de

ComuB

de

inter-

telecomunicações, com o

propósito de atingir objetivos comuns .. ( •••••• );
b) "um grupo de nós interconectados e interrelacionados" (3).
Uma rede também pode
através

mais facilmente ser

descrita do que

definida

de sua classificação em categorias ou pontos de vista diversos,

como estabelecido por BECKER (4) em 1978, em documento sobre administraçao

e estrutura de redes. Segundo tal autor as redes poda. ser classi-

ficadas em:

74

�I) Segundo os sinais que elas enviam:
- rede digital
- rede de v:Ídeo
- rede analógica
11) Segundo a estrutura ou topologia lógica:
- rede centralizada ou tipo estrela
- rede descentralizada
- rede hierárquica
111) Segundo o foco institucional:
- rede de bibliotecas públicas
- rede de bibliotecas universitárias

-

rede de bibliotecas espec ia lizadas
rede de vários tipos de bibliotecas

IV) Segundo as funções que desempenham:

-

rede de catalogação
rede de dados bi b liográfícos
rede de comutação bi bliográfíca
rede de informações referenciais

V) Segundo os assuntos tratados:

-

rede de informação biomédica
rede de informação agrícola
rede de informação energética

VI) Segundo o tipo de equipamento que empregam:
- rede de teletipos
- rede telefônica
- rede radiofônica
- rede de televisão
- rede computadorizada

75

�VII) Segundo a área geográfica abrangida:
- rede estadual
- rede regional
- rede interestadual
- rede nacional
- rede internacional
Quanto aos produtos (bens e serviços) que uma rede é capaz de fornecer a seus membros, ou processos que podem se beneficiar da participação
em rede

GALVIN &amp; KENT (S) apresentam a seguinte lista:

1. empréstimo interbibliotecário
2. referência
3. provisão de documentos

4. aquisição

s.

catálogo coletivo de periódicos

6. educação continuada

7. acesso bibliográfico
8. fotocópias

9. circulação

10. comunicações
11. publicações
12. catalogação
13. processamento técnico
14. armazenagem/depósito
lS. busca bibliográfica
16." desenvolvimento de coleções
17. resumo/indexação
18. centro referencial
19. consultoria

76

�20. contabilidade e administração
21. microfilmagem
Nessa lista pode-se observar algumas funções tradicionais, e há muitos anos utilizadas pelas bibliotecas, tais como o catálogo coletivo

de

periódicos, provisão de documentos e catalogação cooperativa. Mas, se analisarmos a lista com certeza compreenderemos que ainda há muito espaço
a

ser preenchido pelas

rede, desde uma

catalogação cooperativa até um

sistema de busca on-line baseado em bancos de dados.
Uma rede nao deve prover somente uma economia financeira a seus participantes.
conseguida

t

claro que uma economia de escala pode, por exemplo,

com o

compartilhamento de

banco de dados residente
uma

informações contidas

numa rede. A rede

ferramenta vital para que a

acima de tudo,

ser

num grande
possibilita

biblioteca consiga mais rapidamente a-

tingir seus objetivos, que em última análise são o de levar uma informação

relevante a um usuário num menor tempo possível. Além disso uma re-

de pode servir de agente de mudanças em muitas áreas do ambiente bibliotecário. MARKUSON aponta que as redes podem influenciar três importantes
e críticas áreas, a saber:
a) pesquisa e desenvolvimento:
"Não
lidade

temos nenhuma organização permanente que assuma a
da pesquisa e desenvolvimento

responsabi-

bibliotecário; não temos especia-

listas que coletem dados e formulem estratégias de longo prazo;não temos
laboratórios que testem os novos equipamentos e nos alertem para os seus
impactos potenciais, custos e benefícios.
quisa

e desenvolvimento nao era tão

simples. ( •.• ) Portanto,
d' être

( ••• ) A inexistência de

importante quando a tecnologia era

enquanto geralmente se

das redes toma como base

pes-

assume que a

raison

a nossa tradição de cooperação in-

terbibliotec.3ria, um argumento que pode ser igualmente importante é o de

77

�que as redes poderão ser uma resposta para nossa falta de know-how
para lidar com a inovação e

mudança quando nos envolvemos com

tecnolo-

gias complexas". Assim, "as redes poderão agregar recursos para auxiliar
projetos de pesquisa e desenvolvimento." (6).
b) Aquisição de capital

t

sabido

que a automação exige um alto emprego de recursos finan-

ceiros e que, devido à alta

velocidade de mudanças tecnológicas,

novos

recursos devem ser assegurados para suportar aumentos de memórias, novos
terminais, implementações no hardware

e software e também

para

fazer frente aos custos crescentes de manutenção. "As redes podem desempenhar um importante papel na
habilidades

transmissão de tecnologia devido às

para assistir na obtenção

do capital necessário à mudança.

( ••• ) Somente grandes empresas, o governo federal, alguns
dos,

suas

e grandes bibliotecas é que terão

grandes esta-

condições para empreender o in-

vestimento de capital necessário para manter redes em linha complexas
de

grande tamanho

e para

possibilitar a

contínuos necessários para a montagem

e

pesquisas e desenvolvimentos

de novos serviços. Na

comunidade

bibliotecária a rede provê a estrutura requerida para concentrar o capital necessário. ( ••• )
xima

t

importante que as organizações tenham uma

má-

flexibilidade nas estratégias de alocação de recursos e que as bi-

bliotecas participantes honram

os compromissos contratuais

que a

rede

faz em seus nomes" (7).

c) Transferência de tecnologia

A rede,

por utilizar

as

idéias de

economia

de escala,

pode se

transformar num mecanismo rápido e flexível de transferência de tecnolo-

78

�gia.

"As redes também podem influenciar a rápida mudança pela centrali-

zação de equipe de especialistas cujas habilidades podem estar
veis

para muitas bibliotecas. Como

as novas tecnologias requerem cres-

cente perícia e equipe especializada,
transformará

disponí-

esta característica das redes

se

num fator crítico para o desenvolvimento continuado, espe-

cialmente levando-se em conta os salários crescentes desses

especialis-

tas" (8).
Assim, determinados tipos de profissionais, tais como engenheiros de
telecomunicações,
çao

analistas, programadores, etc. podem estar à disposi-

de pequenas bibliotecas participantes da rede. Há portanto uma mai-

or otimização dos recursos existentes e também uma verdadeira democratização das potencialidades existentes.

3 - Rede no Brasil: o .amento já chegou?

No Plano Nacional de Bibliotecas Universitárias (lo.PNBu), na

parte

referente à automação de bibliotecas, consta uma diretriz específica relativa a ações

que objetivem "estimular

a automação dos

procediment~s

técnicos e administrativos das bibliotecas universitárias, visando a facilitar o atendimento aos usuários"(9}. E entre as ações mencionadas está

a de "desenvolver uma rede

de intercâmbio de dados bibliográficos e

documentários, com um grande banco de dados central, para viabilizar
serviços

de catalogação cooperativa, empréstimo, comutação bibliográfi-

ca, etc., considerando, entre outros, fatores como:localização da unidade

central e instituição com vocação para o serviço; utilização

coaputador de grande
maiores

porte, dedicado;

início de

operaçoes com

os

acervos de bibliotecas universitárias (preferencialmente que a-

dotem normas semelhantes

para processamento

79

técnico) e

com acervo

de

�documentos nacionais da Biblioteca Nacional" (10, grifo nosso).
Mais adiante o mesmo documento sugere ações para "apoiar a adoção do
formato

de intercâmbio CALCO,

de maneira a assegurar

estimulando seu constante aprimoramento,

uma compatibilidade. aos padrões

internacionais"

(11).
Assim, depreende-se do lo. PNBu que: 1) há necessidade de se
volver

uma rede de dados

desen-

catalográficos para viabilizar, entre outros,

os serviços de catalogação cooperativa; 2) é necessário um grande

banco

de dados central; 3) existe a necessidade de se selecionar o ponto focal
dessa rede numa instituição com alguma vocação para esse tipo de
ço;

servi-

4) é necessário utilizar um computador de grande porte dedicado aos

serviços de processamento de dados e/ou telecomunicações exigidos

pelos

componentes da rede; 5) o formato CALCO seja o formato de intercâmbio de
dados catalográficos e ser utilizado pela rede com intuito de
cer

compatibilidade com os padrões

estabele-

vigentes em outros países (predomi-

nando formatos compatíveis com o MARC).
A seguir passaremos a comentar alguns aspectos mais críticos de possível implementação de uma rede de dos bibliográficos e documentários.
3.1 - Becessidade de uma rede
Quando

se fala na criação de uma

de processamento técnico

rede para a solução dos problemas

de bibliotecas brasileiras é

comum se

pensar

que é uma coisa nova. Entretanto, já em 1942 o antigo Departamento Administrativa do Serviço
impressas

Público

(DASP) distribuía fichas

catalográficas

para bibliotecas cooperantes do Serviço de Intercâmbio de Ca-

talogação (SIC). Em 1947

esse Serviço foi

transferido para a

Fundação

Getúlio Vargas e, em 1959, foi incorporado ao antigo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação

(IBBD, hoje IBICT). Infelizmente,

80

em

�função

dos atrasos

impressão das fichas

catalográficas e

da falta de

participação da maioria das bibliotecas brasileiras esse serviço foi interrompido no início dos anos setenta.
Assim, os preceitos básicos para a criação de uma rede perduram desde a década de quarenta. Estudos sistemáticos sobre os benefícios advindos do antigo SIC inexistem. Entretanto, é
econômicas

que

tradicionalmente afetam

de se supor que as
os orçamentos

brasileiras e a necessidade de se aproveitar ao máximo
tido

pressoes

das bibliotecas
O

dinheiro inves-

tenham sido fatores que estimularam a adoção, durante alguns anos,

das fichas impressas do SIC.
E agora, quarenta anos depois, ainda existe a necessidade de uma rede? Se formos basear somente na copiosa literatura estrangeira sobre

os

benefícios de uma rede certamente a resposta será positiva. No caso brasileiro, uma rede que conte com um grande respaldo das modernas tecnologias de informática e de telecomunicações, não será somente uma economia
de divisas para os participantes. Ela também poderá ser um grande

fator

estimulador para o atingimento dos objetivos de dezenas de bibliotecas e
centros de documentação/informação, servindo, além disso, de um privilegiado

forum para discussão dos problemas

e busca de estratégias para a

solução dos mesmos. Assim, a rede pode formalizar a cooperação entre
bibliotecas

que, quase sempre, existe de uma maneira aleatória e volun-

tária. No presente caso, há uma intervenção do Estado tentando,
lar

as

a institucionalização de uma

estimu-

rede entre as bibliotecas universitá-

rias.
Entretanto,

vale a pena aqui ressaltar

que a intervenção do Estado

provocando a formalização de rede de dados bibliográficos nem sempre
tingiu

resultados positivos. No Brasil, o

exemplo mais clamoroso foi a

tentativa feita com a Rede de Bibliotecas da Amazônia (REBAM)

81

a-

analisado

�em

1985 numa dissertação por Maria

que nos convida à
formas

Cristina G. Loureiro. E é ela mesma

reflexão ao afirmar

de organização e

que" é hora

estruturação dos nossos

para serem criados sistemas e

redes só porque o

de repensarmos

as

projetos. Não dá mais
ator do momento dá

a-

poio, esquecendo que depois dele outros virão e, como é de praxe, as linhas de ação também serão modificadas. ( ••• )

Enquanto

redes e sistemas

de informação forem criadas vinculadas às administrações governamentais,
independentes das esferas
Nacionais,

e seguindo as

diretrizes dos grandes

Planos

que carregam consigo a desvinculação entre o ato de planejar

e a possibilidade concreta de executar, o viés político vai estar sempre
presente" (12).

3.2 - Banco de dados central

o desejo de se encontrar num único arquivo o máximo de dados catalográficos é bem antigo
centralização

no meio

de uma rede

biblioteconômico. Assim,

para possibilitar a

a pOlítica

existência de um grande

banco de dados sempre arrebanhará adeptos. Segundo SEGAL (13) as
motivadoras

de

forças

para a existência de um banco de dados central no meio nor-

te-americano incluem:
a)

o desejo de construir enormes

bases de dados para um índice bi-

bliográfico universal;
b)

a necessidade de se ter informações sobre o acervo nacional para

uma possível utilização na

comutação bibliográfica e

empréstimo-entre-

bi b liotecas j
c) a necessidade de se impor e manter normas e padrões;
d) a disponibilidade de telecomunicações baratas;
e) as pressões

econômicas e temporais

82

para o compartilhamento

dos

�registros em vez de duplicá-los.
Entretanto, os recentes avanços nas tecnologias dos

superminicompu-

tadores, nas novas aplicações dos discos compactos (CD-ROM) e dos discos
rígidos fazem com que se possa repensar a filosofia centralizadora. Também merece reflexão o conceito de gateway, isto

é, sistema que

per-

mite o acesso a bancos de dados residentes em diversos computadores.

3.3 - Ponto focal da rede

o
ção

10.PNBu ao se referir à rede diz que há necessidade de identifica-

da unidade central e instituição com vocação para o serviço. A esta

respeito parece-nos que "uma rede

nao pode pertencer a uma

instituição

apenas. Uma rede se baseia na cooperaçao e, portanto, se caracteriza pela ausência de propriedade definida" (14). Desta forma, é provável que o
Bibliodata/Calco,

mantido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) não se ca-

racteriza como uma real rede

de dados bibliográficos, funcionando,

se-

gundo os preceitos legais constantes no contrato padrão como uma prestadora de serviços de automação bibliográfica e de assistência técnica,
nao

menciona a possível existência de

tantes eleitos pelas
linhas

de ação do

bliográficos,

um comitê diretor, com represen-

bibliotecas cooperantes, para
Bibliodata. Tais fatores porém

possível escolha da FGV

e

como unidade central de

decidir as

grandes

não devem inibir uma
uma rede de dados

bi-

desde é claro, que mecanismos mais democráticos sejam in-

troduzidos para aumentar o poder de decisão das bibliotecas cooperantes.
Vale

a pena discutir

também aspectos relativos

registros bibliográficos inseridos na
serao

ao direito autoral dos

base de dados pelas

os registros de propriedade da FGV

bibliotecas:

e como tal as bibliotecas co-

operantes deverão "apagar ou destruir, de alguma forma, qualquer

83

regis-

�tro relacionado com o CALCO, ao desfazer-se do respectivo mais físico em
que se encontrar" (15), ou

ser~o

de propriedade da biblioteca que introinclus~o

duziu o registro e que pagou pela sua
Caso

n~o

entidade(s)

seja a

teria experiência e tradiç~o

maiores bibliotecas
UFRGS)

FGV a escolhida como

universitárias

teriam condições

(USP,

de juntas ou

no Bibliodata?

unidade central qual

para executar essa tarefa? As
UNICAMP,

através do

Brasileiros (CRUB) criar mecanismos cooperativos?
centralizaç~o

verificada na

rede de comutaç~o

existe uma biblioteca-base única, mas
sante

(quais)

UFRJ,

UFMG,

UNB,

Conselho de Reitores
À semelhança da

des-

bibliográfica, onde não

dezenas delas, n~o será

interes-

replicar a idéia na criaç~o da rede de dados bibliográficos e do-

cumentários proposta pelo 10. PNBu? Ou, em caso

contrário, e de

acordo

com as idéias de BUNCH &amp; ALSBERG (16), n~o sÉirá importante ter um mínimo
de

centralizaç~o

trole, segurança,

para reduzir os problemas de
detecç~o

de falhas e

alocaç~o

de recursos, con-

sincronizaç~o?

Como se pode notar, a escolha do ponto focal da futura rede necessita de

reflex~o

por parte dos interessados visando, principalmente, a me-

lhor utilização dos recursos públicos (menor custo de processamento técnico) e a otimizaç~o no nível de satisfaç~o dos usuários das bibliotecas
universitárias (acesso mais rápido à informaç~o, possibilidade de uso de
empréstimo-entre-bibliotecas, etc.).

3.4 - Computador dedicado

O

PNBu propõe a existência e

utilizaç~o

de um computador de grande

porte (mainframe) dedicado às operações da rede. A idéia de um grande

computador é interessante quando a

de participantes, obtendo-se, por

rede é formada por grande número

conseguinte, uma economia de

84

escala.

�Tal

fato é percebido

pelos usuários

do OCLC

(Online Computer Library

Center) que em 1968 iniciou suas atividades com pouco menos de vinte bibliotecas;

hoje congrega mais de 4.800

cooperantes e um banco de dados

com mais de 12 milhões de registros bibliográficos.
por demais conhecida a necessidade dos bancos de dados biblio-

É

gráficos ocuparem grande espaço de

memória magnética. Comumente um

re-

gistro catalográfico alcança 2.000 caracteres. Assim, além da necessidade de se ter um computador dedicado -- funcionando pelo menos 10-12
ras diárias para o atendimento das bibliotecas cooperantes

ho,
e necessa,

rio que o mesmo seja de grande porte e com capacidade para gerenciar teleprocessamento.

Dependendo da configuração proposta, um computador com

tais características seria
quantia é

da ordem de

por demais alta para a

uns 3 milhões

de dólares.

Tal

maioria dos orçamentos dos centros de

processamento de dados das nossas universidades. Entretanto, se para cada

livro não catalogado nas nossas bibliotecas universitárias investís-

semos um dólar (ou o
computador

seu equivalente em cruzados)

de porte, o

equ~amento

para a compra de

estaria amortizado

em pouco tempo,

trazendo enormes benefícios para as nossas comunidades universitárias
outras

um

e

clientelas que certamente participarão do esforço cooperativo no

futuro.

3.5 - Uso do formato CALCO

Por princípio nao se pode ter

uma verdadeira rede sem a

existência

de um mínimo de compatibilidade entre seus diversos componentes/participantes. No caso das redes de dados bibliográficos uma das causas de
estrondoso

seu

sucesso no exterior foi devido à assistência por elas feitas

na catalogação dos acervos das bibliotecas que podem acessar seus bancos

85

�de dados. E, como consequência, a catalogação está se transformando numa
das áreas de biblioteconomia que mais impactos sofreu com a informática.
Vale

ressaltar também que os serviços meios de uma hihlioteca típica --

os chamados processos técnicos -- sào quase todos movidos por dados
envolvem

a criação, o armazenamento, a recuperação, modificação e mani-

pulação. Assim, o computador
sua

que

utilização. E é isto

encontra aqui um

habitat propício para

que os bibliotecários

a

começaram a fazer, com

grande intensidade, no início dos anos sessenta. Mas, para que os recursos

aplicados nessa área tivessem um maior grau de otimização havia ne-

cessidade de um formato padrão.

O surgimento do MARC (Machine

Readable

Cataloging) que havia sido desenvolvido em 1968 pela Library of Congress
propiciou o

formato padrão

para intercâmbio

de dados

catalográficos.

Posteriormente diversas variações do MARC cm"eçaram a aparecer em todo o
mundo como por exemplo, o UK MARC no Reino Unido, o Canadian MARC no Canada e o CALCO no Brasil.
Nem todas as bibliotecas terão as facilidades para aquisição de computadores de porte para a manipulação dos arquivos com fitas com formato
MARC (no caso do Brasil das fitas
bliográficos

CALCO), assim, as redes de dados

darão a possibilidade de

bi-

se acessar esses registros legí-

veis por máquina sem necessidade de enormes investimento em hardware
Parece

ser pacífico que o uso do formato CALCO-- por ser ele compa-

tível com o MARC-- deva ser incentivado. Entretanto, vale a pena indagar
aqui

se devemos continuar a

independentes não

gastar recursos governamentais em formatos

compatíveis com

o MARC.

Vale a

pena indagar

ainda

quais serão os mecanismos para estimular a conversão de dados existentes
em sistemas automatizados
Por

para formatos

que ainda não temos uma norma da

compatíveis com o

CALCO/MARC?

ABNT que seja baseada na norma da

ISO 2709 e que trata da estrutura do registro em formato de comunicação?

86

�4 - Conclusão

o

computador vai,

ao longo dos últimos

anos, conquistando enormes

espaços na vida diária do brasileiro. Novos progressos nas áreas de
formática

e comunicações estão ampliando, cada

formatização de nossa sociedade.
já

possuímos uma rede

vez mais, o grau de in-

Fibras óticas já são fabricadas

de comutação por pacotes

satélites domésticos que irão facilitar,

in-

aqui;

(RENPAC) e também dois

~ormente

a transmissão e

re-

cepção de dados. Com o advento da política Nacional de Informática grande parte dos equipamentos de processamento de dados são aqui produzidos,
democratizando o acesso à informática a vários segmentos da sociedade
produzindo recordes de faturamento em taxas cada vez mais altas.
esse

cenário que encontramos os fatores

rede de bibliotecas. Para

a criação dessa

t

e
com

propícios para o início de uma
rede ainda persistem

alguns

problemas técnicos relativos à tipologia de rede a ser adotada, decisões
sobre a utilização

do modelo

OSI (Open

Systems Interconnection)

para

permitir a interconexão de sistemas computacionais com diferentes arquiteturas, etc. Entretanto, uma rede é uma instituição social,
em

sua constituição e objetivos uma

refletindo

gama enorme de interesses institu-

cionais, heterogêneos a princípio, porém

homogêneos quando se trata

de

lutar para o bem comum.
Assim, os aspectos técnicos sao básicos, mas os políticos ocupam vital

importância para a gênese e sobrevivência de uma rede. E entre elas

podem ser ressaltados (17):
1)

a estrutura legal da rede - a organização formal e o ordenamento

das atividades através das quais derivarão sua existência e autoridade;
2) os membros ou a clientela primária - aqueles que nortearão o segmento de mercado a ser atingido, os recursos financeiros e as necessida-

87

�des a serem satisfeitas;
3) a direção da organização -

a estrutura e administração do

rela-

cionamento do poder entre os membros que compartilharão as atividades da
rede. Parece-nos conveniente ressaltar aqui que estamos falando dos

as-

pectos ligados à alta administração e não naqueles de nivel operacional.
O grande harmonia e coesão entre os três aspectos acima
é

que indicarão

mencionados

O· sucesso de uma rede. Com muito esforço e trabalho se-

rá possivel se conceder os recursos tecnológicos e humanos necessários à
implantação de uma rede de dados bibliográficos e documentários incluída
no 10.PNBu e, de novo com esforço e trabalho, será possível se chegar ao
consenso

e decisão política para

que tal rede se

torne viável a médio

prazo. O sonho dos anos quarenta pOderá ser tornar um fato concreto

nos

anos oitenta!

Referências

1 - MORAES R.B. de. Q problema das bibliotecas brasileiras. 2.ed.
Brasília, ABDF, 1983. p. 28.
2 - ANUÁRIO estatístico do Brasil 1983, p. 695.
3 - SIMPSON, D.B. Bibliographic network. In: ·ALA World Encyclopedia of
Library and Information Services. Chicago, American Library
Association, 1980 •. p.80.
4 - BECKER, J. Functions of existing networks, a reaction. in: KENT, A.
&amp; GALVIN, T. J., ed. Structure and governance of library
networks. New York, Marcel Dekker, 1979. p. 86-89.
5 - KENT, A. &amp; GALVIN, T.J, eds.The structure and governance of
library networks •. Chicago, American Library Association,1979.
6 - MARKUSON, B. E. Cooperation and library network development.
CoIlege ~ Research Libraries 40(2): 127, March 1979.
7 - Idem, p., 127.
8 - Ib., p. 128.
9. - BRASIL. Ministério da Educação. Programa Nacional de Bibliotecas
Universitárias. Brasília, MEC/SESU, 1986. p. 6
10 - Idem, p.6.
11 - Ib., p. 6.
12 - LOUREIRO, M.C.G. Rede de Bibliot~cas da Amazonia (REBAM), da .&amp;i::.
nese ao desaparecimento. Belo Horizonte, Universidade Federal
de Minas Gerais, Escola de Biblioteconomia, 1985. p.112 (Dissertação de mestrado).

88

�13 - SEGAL, J. A. S. Networking and decentralization.
Annual Review of Information science and Technology 20: 209,
1985.
14 - LOUREIRO, M.C.G.Opus cit, p. 74.
15 ~ FUNDAÇXO
Getúlio Vargas.Contrato de prestação de serviços.
Rio de Jan~iro, 1986. 7p. &lt;cláusula 4 , subcláusula única).
16 - BUNCH, S.R.&amp; ALSBERG, P. A. Computer communication network.Annual
Review of Information Science and Technology 12: 183-216,1977.
17 - MARKUSON, B.E. &amp; WOOLLS, B., eds.Network for networkers: criticaI
issues in cooperative library developments. New York,
Neal-Schuman, 1980. p.191-192.

89

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              <text>Uma visão parcial das bibliotecas universitárias, as premissas necessárias a um processo cooperativo e uma avaliação da biblioteca como sistema. O trabalho analisa o PNBU em relação às colocações acima e faz uma breve avaliação do Sistema CALCO e da Rede Bibliodata, concluindo pela importância da implantação de uma rede de bibliotecas universitárias.</text>
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