<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="3544" public="1" featured="0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.org.br/items/show/3544?output=omeka-xml" accessDate="2026-05-21T14:40:08-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="2627">
      <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/26/3544/SNBU1987_030.pdf</src>
      <authentication>fd74d9f1ba5410e482bc3bd2c4d30ee1</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="40886">
                  <text>CARRO BIBLIOTECA: POSSIBILIDADES DE AçAO CULTURAL
BOOKMOBILE : ITS POSSIBILITIES FOR A CULTURAL ACTION
Anna Maria Rezende Cabral*
Relata a participação do carro-biblioteca
da Escola de Biblioteconomia no Festival
de Inverno da UFMG, e descreve o trabalho
de ação cultural bibliotecãria desenvolvido em integração com profissionais
de
outras ãreas. Inclui a metodologia de tra
balho e as atividades desenvolvidas, aT~~
das contribuições que o trabalho do carro-biblioteca trouxe para o ensino, a pe~
quisa e a extensão na Universidade.
1. I NTRODUÇAo
O carro-biblioteca ~ um serviço de extensão bibliotecã
ria de extrema importância especialmente em paises subdesenvolvidos como o Brasil, onde a maioria da população por suas prec~
rias condições financeiras, não tem acesso ao livro e ã leitura.
A escassez de bibliotecas publicas e escolares, e mesmo a impossibilidade de frequentã-las por seu
distanciamento
geogrãfico, o baixo poder aquisitivo do povo, a falta de hãbito
de leitura, entre outros fatores, afastam cada vez mais o leitor real ou potencial do livro. Sem falar no não-leitor,aqueles
que não dominam as t~cnicas de leitura ou mal compreendem o que
l~em, incluindo-se aqui os analfabetos ou
semi-alfabetizados,
que constituem a maioria dos brasileiros.
Atingir toda essa faixa da população ~ tarefa dificil
a ser enfrentada pelos bibliotecãrios que desejam realizar
um
trabalho de ação-cultural efetivo, ou seja, buscar
promover o
diãlogo dos individuos entre si e com o livro, numa postura crI
t

i C a.

Como fazê-lo ~ um desafio, que exige do
profissional
dar um sentido polltico ã sua prãx i s.
Com esta disposição partimos para o 189 Festival de I~
verno da UFMG, levando o carro-biblioteca da Escola de Bibliote
conomia carregado de 1 ivros: literatura brasileira e estrangeira, para ser emprestada aos participantes do festival, e litera
tura infanto-juvenil para ser trabalhada com crianças e jovens.
* Professora do Departamento de Biblioteconomia da Escola de Bi
blioteconomia da UFMG.

553

�2. O CARRO-BIBLIOTECA INTEGRADO AO FESTIVJ\l...DE INVERNO
O Festival de Inverno da UFMG vem se ralizando hã 18
anos em Minas Gerais e tem sido um espaço privilegiado para
a
formação cultural e artistica do pais, assim como para a reflexão sobre o fazer artistico, abrangendo neste ano de 1986 todas
as ãreas da manifestação artistica: teatro, dança, literatura,
artes plãsticas, musica, fotografia, etc.,e incluindo atividades
prãticas abertas ã participação da comunidade, dentro de
sua
filosofia de privilegiar a cultura regional.
O 189 Festival de Inverno teve como sede a cidade de
são João del Rey, cuja origem data de fins do siculo XVIII, importante centro cultural de Minas, com inumeras obras de arte e
importante nucleo musical.
Segundo o Coordenador-Geral do Festival, ele apresentou este ano uma proposta artistica inovadora, buscando
" ... uma integração da produção cultural da região onde o festival estã sediado, com um trabalho de maior fôlego a nivel nacional, privile
~ando as manifestações artisticas locais,
para
que a comunidade possa mostrar sua cultura."(5)
Dentro desta filosofia foi realizado o trabalho
do
carro-biblioteca da Escola de Biblioteconomia da UFMG, integrado
ao Nucleo de Arte-Educação, ãrea do festival voltada para o fazer artistico e a vivência cultural de crianças e jovens da com~
nidade, abrangendo 3 põlos da cidade: Tijuco, Matosinhos e
Senhor dos Montes. Alem da participação nas atividades de integração do nucleo, o carro-biblioteca desenvolveu trabalho independente, visitando outros locais alem dos referidos pólos,como os
bairros Alto das Mercês e São Geraldo, todos na periferia da cidade.
3. OBJETIVOS DO CARRO-BIBLIOTECA NO FESTIVAL
A atuação do carro-biblioteca no festival contou com
a participação de 2 professores, 1 bibliotecãrio e 2
monitores
da Escola de Biblioteconomia da UFMG, que juntos estabeleceram
os objetivos do trabalho, após discutir os principios que deveriam nortear suas atividades, tendo sempre em vista as caracteristicas do evento.
A proposta foi realizar um trabalho de animação cult~
ral,esta encat&lt;ada como um meio de libertação social e cultural,em
que crianças e jovens fossem motivados a criar e expressar suas
idiias e opiniões, enfim, desenvolver atividades visando a emer-

554

�gência cultural da comunidade.
Como bem afirma CAMARGO,
"O papel educativo do animador cultural é menos
o de liderar prãticas de lazer e mais o de mostrar as infinitas possibilidades de
participação social e de auto-realização através do
lazer." (2.)
A partir destes pressupostos e tendo-se em vista o obj~
tivo primordial do carro-biblioteca de criar e incentivar o hãbito de leitura e introduzir a leitura como recreação e lazer,
foram estabelecidos outros objetivos:
Desenvolver atividades ludico-artisticas com crianças e
jovens, estimulando uma vivência cultural intensa, diversificada e equilibrada com suas obrigações;
Despertar a criatividade nas crianças e jovens a pa~tir
do
texto, levando-as ãs diversas formas de manifestação artisticolet"ivas,
ca: dramatizações, desenhos, colagens, estórias
etc. ;
- Motivar a comunidade a expressar suas ideias atraves da palavra e das multiplas formas de criação;
- Conscientizar a comunidade da realidade que a cerca, levandoa a refletir sobre seu estar no mundo através da manifestação
cultural;
- Levantar e discutir, a partir do texto, conceitos implicitos
numa convivência social democrãtica, tais como: igualdade, amizade, cooperação, solidariedade, união, organização, etc.
Sabe-se que as possibilidades de desenvolver o
hábito
de leitura são m~is promissoras qLóando se inicia o trabalho na
infância. A escola e a familia, através de professores e
pais
não têm conseguido realizar esta dificil tarefa com sucesso,pe~
dendo-se ai muitos futuros leitores. Analisando a questão
de
forma simplificada, já que não caberia aprofundã-la aqui, acredita-se que, em relação ã escola o insucesso deve-se ã utilização da leitura como instrumento paradidãtico, tornando-a uma obrigação enfadonha; já com relação ã familia a questão é mais
complexa, interferindo fatores de ordem econômica e social ,sendo que a maioria dos pais não possui o hábito de leitura, e des
ta forma torna-se impossivel transmiti-lo aos filhos.
Segundo CADEMARTORI,
"se, adquirindo J ~;ãb~to Q2 leitura, a
ct'ianç~
passa a escrever melho~ l a dispor de um reperto
rio mais amplo de informações, a princi~al
função que a literatura cumpre junto a seu leitor é

555

�a apresentação de novas possibilidades existenciais, sociais, po1iticas e educacionais. t
nessa
dimensão que ela se constitui em meio emancipatô
rio que a escola e a fami1ia, como instituições,não podem oferecer." (1)
Esta foi a abordagem que direcionou o trabalho do carrobiblioteca no festival, procurando-se criteriosamente trabalhar
a leitura adequada aos interesses, motivações e faixa et-aria do
publico, sobretudo procurando mostrar às crianças e jovens que a
leitura e tambem atividade de lazer e fonte de prazer,
podendo
lhes dar tanta satisfação como um jogo de bola ou um bom programa de rãdio ou televisão.
4. METODOLOGIA DE TRABALHO
Uma discussão que precedeu o estabelecimento dos objetivos, foi sobre a forma de condução dos trabalhos, que seria realizado com uma população de baixo nive1 sôcio-econõmico, sem acesso aos bens culturais oferecidos à sociedade em geral. enfim,
marginalizados do processo cultural vigente.
A preocupação bãsica era não percorrer os caminhos
de
uma ação cultural de "domestic~ção", como chama Paulo Freire,(4)
mas optar por outro posicionamento, ou seja, uma
ação cultural
transformadora, emancipatôria, que considera a cultura como meio
de expressão criativo e a animação cultural como instrumento para promover a emergência cultural.
Com base neste referencial teôrico partimos para a ação
propriamente dita, jã conhecendo as condições culturais e sôcioeconômicas da população periferica de São João de Rey e imbuidos
de um compromisso profissional consciente.
O primeiro passo foi conhecer de perto os bairros anteriormente definidos como pô10s de atuação pela coordenação
do
festival, para ter um primeiro contato com a comunidade e
com
ela escolher o ponto de parada do carro-biblioteca. Em geral, o
contato era feito com presidentes de associações de bairro ou m~
radores antigos, que nos informavam sobre as caracteristlcas do local, seus problemas, suas lutas e reivindicações. Com sua co1ab~
ração foram determinados o local e horãrio que o carro-biblioteca atuaria, e feito o cronograma incluindo os bairros do Tijuco,
Matosinhos, Senhor dos Montes, Alto das Mercês e São Geraldo.
A divulgação da programação foi feita atraves do boletim
do festival, das rãdios locais, que deram ampla cobertura ao evento e a oportunidade de falarmos sobre nosso trabalho em entre
vista e pelos presidentes de associações de bairro, que espontâ-

556

�neamente convidavam a comunidade a participar.
5. AIIVIDADES
Depois de bem divulgada a programaçao, o carro-bi1iote
ca em g~ra1 ji era esperado pela comunidade. Ainda assim, aproveitando os equipamentos disponiveis no veiculo, utilizava-se o
toca-fitas pera musicas e estórias, e o alto falante para chamar a criançada no local e iniciar as atividades.
Num primeiro momento, os livros eram expostos as crian
ças em caixas espalhadas pelo chão, para que tivessem oportunidade de folhear ã vontade, ver as gravuras, ler.
Nesse clima descontraido o diilogo com as crianças sur
gia naturalmente, fazendo-se comentirios em torno do texto
e
procurando sempre relacioni-lo com a realidade e experiência de
vida da criança.
Observando-se as preferências e faixa-etiria das crian
ças presentes, era escolhida uma estõria para ser contada pelos
monitores, utilizando recursos tais como, o flanelõgrafo, a televisão de papelão, ou simplesmente a narração com participação
ativa das crianças, que eram motivadas a dar opiniões,
trabalhar a voz cantando ou reproduzindo sons, expressar atraves de
gestos os temas das estórias. Procurava-se tambem incentivi-las
a falar, contar estórias ou casos, assim como a cantar no a1tofalante, dando-lhes a oportunidade de manifestar sua cultura.
Depois de trabalhado e explorado o texto 1iterãrio, e
a partir dele, despertava-se o fazer 1udico-artistico das crian
ças atraves da ex~ressão livre em dramatizações, pinturas
ã
guache, desenhos com lipis de cera, redações, criação coletiva
de textos, etc.sendo o encerramento das atividades do dia sempre motivo de pesar para as crianças.
Muito importante foi a atuação conjunta com o
Nucleo
de Arte-Educação, e nas atividades de integração programadas o~.
servou-se com satisfação que o trabalho do carro-biblioteca obteve em igualdade de condições o mesmo entusiasmo e participação das crianças, no meio de outras atividades
consideradas
mais atrativas como o circo, a musica, o teatro, etc., demonstrando assim, que o livro e a leitura têm tambem seu espaço no
lazer infantil.
A avaliação de desempenho era feita continuamente pela
equipe, o que permitia-nos a chaoce de refletir sobre o trabalho desenvolvido para aprimorã-lo e, ãs vezes, reformular alguma coisa.

557

�Alem disto, havia semanalmente as atividades de reflexao do núcleo, oportunidade em que cada grupo relatava seu trabalho, trocava ideias e desenvolvia uma atividade sua com os in
tegrantes das outras ãreas, o que resultou numa rica troca
de
experiências.
Houve ainda a preocupação de documentar todo o trabalho desenvolvido, o que foi feito atraves de fotos (slides,
e
P&amp;B) e da produção de um video-tape sobre arte-educação,
pela
equipe do Departamento de Fotografia e Cinema da UFMG, no qual
ficaram registrados nosso depoimento e nossas atividades.
6. CONCLUSJ\O
Deixamos o festival com a sensação de quero-mais e a
vontade de dar continuidade ao trabalho que se interrompe abruE
tamente ao final de um mês, tamanha a receptividade e particip~
ção da comunidade.
Apesar de não ser possível avaliar o alcance dos objetivos, lançamos a semente para a continuidade da ação cultural
bibliotecãria, visto que o trabalho despertou c interesse
de
pessoas que direta ou indiretamente têm ligação com bibliotecas
e livros, como funcionãrios da Delegacia Regional de Ensino, da
Biblioteca Pública Municipal e professores locais, o que revela
um aspecto altamente positivo.
A Biblioteca Pública Municipal, cogitada para ser biblioteca-pólo dentro do programa de rede de bibliotecas a
ser
implantado pela Biblioteca Pública Estadual e Secretaria de cul
tura de Minas Gerais, pretende implantar sua seção infantil, e
dois de ~eus funcionãrios participaram de nosso trabalho no Tijuco, interessados em tirar idêias para uma atuação futura.
Da Delegacia Regional de Ensino, recebemos com prazer
a Supervisora de Bibliotecas Escolares e do Programa Salas
de
Leitura na região, que pretende passar ãs professoras de outras
cidades que visita, informações sobre as atividades do carrobiblioteca que podem ser desenvolvidas nas escolas.
Tambem com algumas professoras locais foram discutidos
problemas relativos ã criação do hãb~to de leitura, das dificul
dades encontradas para trabdlhar a leitura nas escolas,
pela
falta de recursos humanos e materiais, e a falta de reconhecimento das autoridades locais sobre a necessidade de
bibliotecas.
Acreditamos que toda essa troca de idêias, opiniões e

558

�experiências enriqueceram as duas partes e pelo menos sensibililizaram a população para a importâncid do livro e da leitur~, o
que poderâ levâ-los a futuras reivindicaç~es nesse sentido.
Alêm dis~o, acreditamos que o Programa Carro-biblioteca
integração
no festival contribuiu decisivamente para a desejada
ensino/pesquisa/extensão na Universidade por:
a) possibilitar novas situações de treinamento aos monitores pa~
ticipantes e o contato intenso com a população, de forma que
realidade
se possa aprofundar o estudo e o conhecimento da
brasileira;
b) trazer para o âmbito universitãrio elementos para a discussão
da ação cultural bibliotecãria.
No mais, muitas idêias brotaram para o prõximo festival, inclusive a promoção de cursos a partir de demandas locais,
tais como, "Literatura Infantil" e "Atividades culturais na biblioteca", que darão condições para que o nosso trabalho
possa
ser continLiado.
BIBLIOGRAFIA
1.
2.
3.

4.
5.

CAOE~ARTORI,

Ligia. O que ê literatura infantil. S.P., Brasi
1 i e n se, 1 9 8'6 .
CAMARGO, LGiz O. Lima. O que ê lazer.S.P., Brasiliense,1986.
FLUSSER, Victor. A biblioteca como instrumento de ação cult~
r a 1. R. E5 c. Bi b I i o t e c o n . UFMG, Belo Ho r i z o n te ,]1. ( 2 ) : 1 45 - 6 9 ,
set. 1983.
FREIRE, Paulo. Ação cultural para a libertação. Lisboa, Moraes, 1977.
ITINERANTE, inovador, voltado para a produção. Alternativa,
32: 3, julho 1986.
ABSTRACT
Description of the bookmobile partipation
at the Winter Festival in são João del
Rey
(State of Minas Gerais- Brazil) sponsered
by tre Universidade Federal de Minas Gerais.
A.cultural action was
performed
by
llbrarlans and profissionals of
other
fields. The methodology is included
as
well as an exposition of the
activities
performed by the bookmobile
and
its
contribuition to teaching, research
and
extension work of the University.

PALAVRAS-CHAVE
1. Ação cultural

bibliotecãria
2. Extensão universitâria

559

�024 . 1·0:i 6 . "6 : O? 7 . 7

DEFICIENTES FlsICOS E VISUAIS: barreiras na utilizRção das bibliotecas da Universidade Federal de Minas
Gerais
Gilberto da Costa Magalhães*
Bibliotecãrio da Faculdade de Economia e Administração/UFF
Julia Gonçalves da Silveira*
Bibliotecãria Chefe da Escola de Bibl ioteco~omia/UFMG
Maria Beatriz Almeida S. Bretas'
Professora do Departamento de Comunicação/UFHG
Fãtima Serio Silva*
Bibliotecãria da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais
Estudo das barrei ra~ que i nterferern ria ut i 1 i za\;ãu

das bibliotecas da UFMG pelos deficientes ffsicos
e visuais.

t~pl'esentação

da metodologiil

e de resultados das entrevistas, dos

c:tili,'ada
depoimentos

de do experimento gravado em vídeo-cassete.

Con-

clusões.
DESCRITORES:
Bibliotecas universitárias - Usuários - Deficientes fÍsicos.
Bibliotecas universitárias - Usuários - Cegos.

1.

INTRODUÇI\O

A Organização das Nações Unidas, em sua Declaração

dos

Direitos do Deficiente, afirma que "o termo deficiente designa

toda pessoa em estado de incapacidade de prover por si mes-

ma, no todo ou em parte, as necessidades de uma

vida pessoal

ou social normal, em consequência de uma deficiência congênita ou não, de suas faculdades fis'icas ou mentais". (1)
* Alunos do Curso de pôs .. Graduaçao em Bibl ioteconomia da UF,iG.

561

�A1nda na Declaração, encontramos as seguintes

afirma-

ções:
o deficiente tem os mesmos direitos civis e

po1iticos dos

demais seres humanos;
o deficiente tem direito às medidas

perni-

destinadas a

tir-1he alcançar a mãxima autonomia possive1;
o deficiente tem direito â ... educação; â formação e readaptação profissionais;
o deficiente tem direito a que sejam levadas em conta suas
necessidades particulares em todas as etapas do planejamento econômico e social.
Direitos são prescritos. Entretanto, a distância

entre

o discurso e a ação constitui-se em uma grave constatação,

a

partir da existência de barreiras fisicas e sociais, que

im-

pedem a integração do deficiente na sociedade. Em muitos

ca-

sos essa mesma sociedade e responsãve1 pelo quadro de deficiência, atraves de atitudes be1icas, exercicio ditatorial
poder, provocando debilidade ate congênitas ao concentrar

do
a

riqueza e disseminar a pobreza e a fome.
Amadou Mahtar, Diretor Geral da

Unesco,

em declaração

durante o Ano Internacional do Deficiente, em 1981, colocou a
seguinte questão: "Terão as sociedades contemporâneas a coragem e a lucidez necessãrias para modificar radicalmente o seu
comportamento para com os deficientes, quando esse

comporta-

mento decorre da meSIra especie de raciocinio que alimenta o
mo?" (2)

rac i s-

Na verdade, ê dentro de uma õtica de inferioridade

constitucional e de diferenciação exp1icita nas formas de tra-

562

�tamento, no sentido mais amplo, que o quadro do

hand~cap

se

manifesta de maneira reforçada. *
As iniciativas para a integração do deficiente

configu-

ram-se, em muitos casos, como soluções de paternalismo, demedidas assistencialistas, retirando do individuo o seu direito
de conviver em igualdade de condições com os membros da comunidade, ficando então confinado a instituições especiais.

A

posição torna-se cômoda na medida em que os membros "normais"
se redimem diante do problema.

No entanto, os

incapacitados

físicos, diante dessa segregação, deixam de atuar nos espaços
de participação e, como consequência, não têm

a oportunidade

do exercicio político mais efetivo.
O deficiente fÍsico é responsabil idade da sociedade muito
embora esta o veja como um peso morto, sem condições de
par

do processo produtivo. Isso ocorre principalmente

partici-

nas sociedades

de economia capitalista e e mais acentuada em paises em desenvolvimento.
A educação nao é sô um direito do deficiente, mas também
um dever da sociedade e do Estado.

"A educação, inspirada no

principio de unidade nacional e nos ideais de liberdade e

de

solidariedade humana, é direito de todos e dever do Estado, e
serã dada no lar e nas

Escolas"

(Constituição da Republica,

artigo 176).
As preocupações referentes ã educação se concentram muito
mais nos deficientes em fase infantil,
cia deveria ser dada

muito embora a mesma importân-

também a programas efetivos de readaptação

de deficientes em fase adulta.

*

limitações experimentadas pelo individuo em virtude da deficiência
e da incapacidade; o handicap reflete portanto as relações do individuo
com o seu meio, bem como sua adaptação ao mesmo". (3)

563

�Nada proibe o deficiente fisico de frequentar escolas e
participar do sistema educacional.

Isso ocorre em termos

discurso, pois na realidade o que se vê são

cidades,

de

edifl-

cios, escolas e bibliotecas que reforçam a marginalização das
pessoas de mobilidade limitada.
Muito embora existam grupos preocupados com o

processo

educativo do deficiente fisico, essa preocupação não acontece
na sociedade como um todo.

O problema torna-se

ainda

pior

quando se trata da readaptação do deficiente ao sistema
cativo.

Poucos são aqueles que, quando se vêem diante de

fato que limite sua mobilidade, conseguem continuar
dos no processo educacional.

eduum

integra-

Raras São as escolas e

univer-

sidades que possuem profissionais e estruturas adequados para
reabsorver este tipo de deficiente. A nivel publico, então, ê
praticamente inexistente.
Destacando as bibliotecas dentro do contexto

universi-

tãrio brasileiro, verifica-se que são projetadas para as pes,soas fisicamente perfeitas, enquanto
deficientes apresentam, muitas vezes,

que para

os

barreiras

usuãrios
intranspo-

nlveis, refletindo o desinteresse e a discriminação dentro da
prõpria universidade.

Os responsãveis pelos projetos de cons-

trução dos predios baseiam-se no pequeno numero de deficientes
fisicos para justificar seu desinteresse pelos problemas
deficientes.

dos

Porem, as estatisticas apontam um numero eleva-

do de incapacitados, dentro de uma faixa etãria que constitui
o publico universitãrio em potencial.

Como afirma

sor Paulo Saturnino Figueiredo,em depoimento
esta

pesquisa,

trata-se na verdade de um

564

o profes-

prestado
caso de

para
demanda

�reprimida". *
Claro está que a culpa desses fatos nao é
dos profissionais de Biblioteconomia.
conjunto de preconceitos estabelecidos

inteiramente

Isto faz parte de
contra

f;sico que parte da sociedade como um todo.

o

deficiente

Mas,

biblioteca universitária que exercer o seu papel

um

tendo

a

educacional

junto ã comunidade ã que serve, e tendo o deficiente f;sico o
direito pleno ã educação, faz-se necessãrio que a

biblioteca

se antecipe e implemente alternativas que influenciem de

al-

guma forma outros setores envolvidos na responsabilidade

da

integração do deficiente.
Este trabalho, que tenta refletir sobre o uso da biblioteca universitãria pelo deficiente f;sico da

Universidade Fe-

deral de Minas Gerais-UFMG, foi definido a partir de uma série
de fatores.

No decorrer das discussões da disciplina "Estudo

de Comportamento e Educação de Usuários", do Curso de Põs-Graduação em Biblioteconomia da UFMG, o tema em questão sensibilizou o grupo de alunos, tendo em vista constatações

surpre-

endentes, entre elas a inexistência de infra-estrutura
quada ao atendimento a esse tipo de usuãrio.
foi verificada

ta~bém

ade-

Por outro lado,

a carência e a precariedade

de

traba-

lhos nessa linha temática, o que suscitou a curiosidade
motivou os alunos a desenvolverem um estudo sobre o
l~que

de problemas advindos dessas constatações.

da proposta preponderou então, como um dever de

e

variado

A execução
consciência

profissional no sentido de discutir a questão, e possibilitar
elementos que subsidiem alternativas para o problema de defi-

* Vice-Diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas FAFICH. Paraplégico.

565

�ciente f'sico na Universidade, e mais especificamente nas bib1iotecas.

2.

HIPOTESE

A hipótese que norteou este estudo
barrei~as

que dificultam o acesso dos

foi a existência de

deficientes f'sicos

visuais às bibliotecas da UFMG, devido a

e

uma infra-estrutura

inadequada.
Restringiu-se o trabalho ao estudo de alunos, ex-alunos
(formados a partir de 1970), professores e funcionãrios

da

UFMG, portadores das seguintes deficiências: visual (incluin-

do somente os portadores de cegueira total) e paralisia
tipos: hemip1egia, monop1egia, paraplegia, trip1egia,

dos
tetra-

p1egia. *

3.

METODOLOGIA

Devido ã escassez de trabalhos publicados que abordem a
prob1emãtica do deficiente f'sico enquanto usuãrio de bibliotecas universitãrias no Brasil, optou-se por um estudo exploratório dividido em etapas.

*

Cegueira: queda ou privação parcial ou total/transitória ou
permanente da visão.(4)
Paralisia: incapacidade total de realizar movimentos vo1untãrios.
Hemip1egia: paralisia dos membros superiores e inferiores de um
mesmo lado; monop1egia: paralisia de um só membro; parap1egia:comprometimento dos membros superiores e dos dois inferiores; trip1egia: comprometimento dos três membros; tetrap1egia: comprometimento dos quatro membros.(S)

566

�Numa primeira fase, procedeu-se ã identificação dos deficientes

e

f~sicos

visuais que fazem

parte da

comunidade

universitãria ( alunos, professores e funcionãrios

da UFMG).

Não existindo na UFMG um órgão que fornecesse dados
sibilitassem

essa

identificação, foram feitas

que pos-

visitas

as

seguintes Unidades: Direito, Belas Artes, Biblioteconomia,Veterinãria, Letras, Educação, Odontologia, Engenharia, Medicina, Ciências Econômicas, Instituto de Ciências Biológicas,Música, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Geociências.
Mesmo nesses locais, através das seções de ensino, houve
ficuldade para levantamento de nomes,

tendo sido

di-

necessãrio

recorrer ã Coordenadoria de Apoio ao Deficiente e ao Instituto São Rafael, onde conseguiu-se complementação dos nomes

jã

levantados. * Assim, com o objetivo de tornar mais significativos os resultados, decidiu-se incluir neste estudo os ex-alunos da UFMG, formados a partir de 1970, identificados através
daqueles dois órgãos.
Foram identificados trinta e cinco deficientes,
dez mulheres e vinte e cinco homens.

sendo

Desse total entrevista-

ram-se vinte e seis dos quais dez sao deficientes visuais, divididos igualmente entre alunos e ex-alunos e dezesseis deficientes

f~sicos,

divididos em dois funcionários, dois profes-

sores, onze alunos e um ex-aluno.
Procurou-se, através das entrevistas, verificar aspectos

* Coordenadoria de Apoio ao Deficiente: Orgão de apoio

e implementação de programa especifico para deficientes. ( Belo
Hori zonte).
Instituto são Rafael: Instituto especializado para deficientes visuais. (Belo Horizonte).

567

�referentes ao relacionamento deficiente/biblioteca, procurando identificar seus principais problemas.

As quest6es formu-

ladas foram semi-dirigidas de forma a permitir uma maior

li-

berdade de expressão por parte dos entrevistados, procurandose abordar aspectos referentes a: frequência ãs bibliotecas da
UFMG, posslveis dificuldades de

ace~so,

qualidade do

atendi-

mento, adequação do acervo (no caso de deficientes visuais).
Para comprovar a validade das informaç6es fornecidas, adotouse a têcnica do incidente crítico, solicitando-se a descrição
de um incidente marcante ocorrido durante uma ida

a

alguma

biblioteca da UFMG.
Alem das entrevistas, foram gravados depoimentos com

o

professor Paulo Roberto Saturnino Figueiredo (deficiente

fl-

sico) e com o professor Pedro Americo Souza Sobrinho, da

Es-

cola de Educação Física da UFMG, que desenvolve um
de readaptação do deficiente físico.

trabalho

Essa atividade teve como

objetivo subsidiar o desenvolvimento do projeto, na medida em
que a literatura existente apresentou-se ineficaz quanto

a

uma abordagem mais profunda do problema.

4.

RESULTADOS DAS ENTREVISTAS

Os dez deficientes visuais entrevistados pertencem

ou

pertenceram aos cursos de Direito, Letras, Geociências, Comunicação Social,

Hist~ria,

Pedagogia

e

M~sica.

Constatou-se

que a maioria frequentava bibliotecas antes de entrar para
Universidade, sendo mais citadas a
São Rafael, Biblioteca

P~b1ica

biblioteca do

a

Instituto

de Belo Horizonte e algumas do

interior, destacadas por possuirem um setor específico para o

568

�d e F i c i e n l-' '; v -i

S

lo'

aI

cionada foi a Central,

ri

resp&lt;'i to d? qU21

entrevistarlc:i

os

apontaram a falta de segurança apresentada pela rampa de

en-

trada, pois suas laterais não possuem corrimãos.
Outro problema apontado, e que atinge tanto

os

quanto os outros deficientes físicos, refere-se ã

cegos

limitação

de locomoção rãpida, que os coloca em desvantagem na obtenção
de material bibliogrãfico apos as aulas, pois esse
~

r.laterial

geralmente emprestado a quem chegar primeiro ã bibliotecd.
Em uma das unidades da UFMG, para se tentar resolver os

problemas dos deficientes visuais, criou-se em 1985
para uso exclusivo desses deficientes.

Contudo,

uma sala

al~m

de

es-

tar separada da biblioteca, essa sala não apresenta condiç6es
adequadas para o estudo individual, pois e muito pequena
apresenta um unico ambiente, impossibilitando assim, a
ção de uma fita gravada ou mesmo uma leitura silenciosa

e
audiem

Braille.
Todos os entrevistados
bibl iotecas como bom.

qualificaram o atendimento

Porem, quando questionados a

das

respeito

da necessidade de Um atendimento especial, foi detectada

a

falta de pessoas disponíveis para ler em voz alta e para

au-

xiliã-los em trabalhos de pesquisa, comparação de textos

e

gravação de fitas.

Foi sugerida inclusive a transcrição

em

Braille das apostilas utilizadas nas diversas disciplinas dos
cursos como forma de melhorar o atendimento

nas bibliotecas.

Alem disso, a narraçao de um fato marcante quanto ao uso

de

bibliotecas acabou por realçar a contradição relacionada

ao

atendimento qualificado como bom, pois através

569

desta

foram

�detectados problemas como: dificuldade
que atendam os usuários na

em

localizar pessoas

Biblioteca Central,

do pessoal da biblioteca em relação ao

roubo de

plicãncia quanto ã leitura em voz alta e ao uso

desconfiar.ça
livros, imde gravador,

alem de engano por parte de funcionário quanto ao livro solicitado por um deficiente visual.
Quanto ao serviço oferecido pela Fundação Universitária
"Mendes Pimentel",

atraves do qual se coloca ã disposição dos

defi-

cientes visuais estagiários para leitura, foram detectados os
guintes problemas: a) os estagiários não têm conhecimentos

se-

especi-

ficas das âreas de estudo dos deficientes; b) numero insuficiente de estagiârios disponiveis para atendimento; c)

atendi-

mento condicionado ã disponibilidade de horârio dos estagiârios.*
Dentre os doze alunos e ex-alunos
entrevistados, dez são portadores de

deficientes

fisicos

deficiências mais grave

que os obriga a utilizar aparelhos, possuindo os dois restantes menor grau de dificuldade de locomoção.
Analisando-se a utilização de bibliotecas antes do

in-

gresso na Universidade, constatou-se que os deficientes fisicos, assim como os visuais, frequentavam em
bibliotecas publicas e escolares.

maior numero

as

A respeito do acesso fisi-

co a essas bi bl iotecas foram detectadas vârias barreiras,
como: piso escorregadio, espaço insuficiente

para circulação

entre as estantes, excesso de escadas, falta de rampas,
sença de rol etas, ausênci a de el evadores,

tai s

pre-

altura dos ca tâl ogos,

filas, ãrea de estacionamento de dificil acesso,

inadequação

das dependências do predio em geral.
Constatou-se que na UFMG

os

deficientes

fisicos fre-

* Entidade que tem por objetivo prestar serviços de apoio aos
estudantes da UFMG.

570

�quentam a Biblioteca Cent 'al e as bibliotecas de Medicina, de
P~s-Graduação

do Instituto de Ciências Bio15gicas, de

Enge-

nharia, de Direi to, de Veterinária, da Faculdade de Filosofia
e Ciências Humanas e do Departamento de Medicina Social. Nessas bi bl

iotE.~as

repetem-se as mesmas barreiras encontradas nas

publicas e escolares.
Quanto ao atendimento há um consenso geral de que

os

funcionãrios das bib] iotecas possuem boa vontade, mas não demonstram aptidão para o atendimento especifico de deficientes.
Dentre os fatos marcantes relatados destacam-se: uma
da no recinto da biblioteca devido ao piso es:orregadio
impossibilidade de entrada com a pr5pria pasta, o que

~ue­

e

a

impede

o deficiente levar o material nas maos e, ao PleSê10 tempo, apoiarse nos aparelhos.
Dos dois

fu~cionários

portadores de deficiência

fisica

entrevistados, um frequenta raramente a biblioteca da

unidade

onde trabalha, enquanto o outro nunca o faz.
ficuldades apontadas para o uso e nao uso

As principais di-

da

bibl ioteca são

as escadas e, no caso do segundo funcionário, o fato de

usar

c a d e i r a d e r o das t o r '1 a d i fi c i 1 o a c e s s o as b i b 1 i o t e c as. En t r e tanto, conforme ele próprio sugeriu, essa situação se modificaria se lhe fosse concedido um atendimento especial por

te-

lefone.
Quanto aos professores deficientes, um deles por
sentar baixo grau de dificuldade de

locomoção,

barreiras fisicas no uso da biblioteca de sua

nao

apreapontou

unidade. O ou-

tro que teve uma deficiência temporária que lhe ocasioou

gran-

de dificuldade de locomoção, frequenta várias bibliotecas

na

571

�UFMG, e citou diversos problemas relacionados ao seu uso
rante o tempo de sua
permanecer em

p~

defici~ncia.

Entre

eles~

esperando serviços como xerox

agravados,muitas vezes, pela

exist~ncia

de

a

du-

exig~ncia

e

de

empristimo

filas, o acesso

dificil a banheiros, cantinas, etc., e a dificuldade em subir
rampas e escadas por falta de corrimãos.

Como fato

marcante

citou a dificuldade de pesquisar nos catãlogos, vindo a
cobrir mais tarde, que poderia retirar as gavetas e

des-

utili.zã-

las numa posição mais cômoda.

5.

RESULTADOS DOS DEPOIMENTOS

Os depoimentos tiveram por finalidade subsidiar

o

de-

senvolvimento do projeto, na medida em que a literatura existente apresentou lacunas quanto a uma abordagem especifica do
problema.
Para o professor Paulo Roberto Saturnino Figueiredo,

a

" Universidade deveria ser, em termos prãticos, o ponto final
de treinamento e socialização do deficiente fisico para
ele pudesse se tornar um profissional especializado".

que
Por~m,

a "Universidade representa o fim de uma lõgica perversa contra
a qual a briga i polltica".

O fato dessa polltica

nao

ser

prioritãria se baseia nos argumentos de algumas pessoas, para
as quais não existe um nGmero de deficientes que
essa polltica.
reprimida, em

justifique

Esquecem-se que na verdade ocorre uma demanda
consequ~ncia

da prõpria falta de condições

vorãveis de um atendimento especial

fa-

aos deficientes fisicos,

nas escolas, universidades, circulação publica, etc.
Destacam-se a seguir algumas afirmações presentes no de-

572

�poimento do professor Paulo Roberto:
"A l6gica do Sistema de Ensino ê igual a do Sistema Capitalista".
"Na sociedade brasileira, o deficiente fisico

ê

o c i dadão pa ra o qua 1 nem o fi m de uma cri se econômica, significa a esperança de uma vida integrada
e a possibilidade de garantir sua pr6pria

sobre-

vivência e de caminhar pelos dois eixos fundamentais para o ser humano que ê a possibilidade

de

amar e trabalhar com dignidade e interesse".
"Não existe conceito positivista de deficiência,
a definição ê hist6rica".
"O deficiente constitui-se deficiente pelo outro
e não por ele mesmo e pelas condiçôes ambientais".
"Ninguêm ê deficiente para si mesmo, mas

diante

de condiçôes".
Para o professor Pedro Americo, a inserção

do

defici-

ente no mercado de trabalho depende do tipo de deficiencia que
a pessoa tem, sua escolaridade, sua formação profissional
da educação como um todo.

Destaca o professor que a

e

escola-

ridade ê fundamental para a profissionalização especializada,
porem no que diz respeito ã formação universitãria, a concorrencia torna-se injusta, pois concorrem poucos deficientes com
muitos não-deficientes.
A UFMG não oferece cursos que considerem a situação especifica do deficiente fisico, auditivo, visual, etc., e seus
profissionais não têm capacitação adequada para esse tipo
clientela.

de

Se, por um lado, as escolas especializadas possuem

condições e capacidade para atenderem aos deficientes,

513

por

�outro, acabam por tirar dos mesmos o convívio com os

não-de-

ficientes, prejudicando a interação entre os dois grupos.
Os predios universitários, da forma como são construídos, acabam por impedir o acesso aos indivíduos em cadeiras de rodas,
e ate mesmo daqueles que se locomovem com aparelhos.

Assim,

essas barreiras físicas acabam por não permitir que os

defi-

cientes obtenham uma formação que lhes daria melhores chances
na sua profissionalização.
O professor Pedro Americo ainda destaca a importância da
eliminação das barreiras físicas.
mente isso

não basta.

Entretanto, lembra que so-

Há necessidade tambem de uma

maior

flexibilidade nos currículos, diversificação das areas de conhecimentos, aquisição de materiais especiais, etc.

A partir

daí poderia haver o aproveitamento do potencial do deficiente,
fazendo com que esse se sentisse ALUNO, abrindo-lhe assim,novos caminhos.

6.

RESULTADOS DO EXPERIMENTO

A ideia de realizar um experimento envolvendo deficientes físicos visava comprovar a

hipótese.

Entretanto,

gou-se conveniente fazê-lo atraves da gravação em

jul-

vídeo-cas-

sete, com o objetivo de mostrar as barreiras de uma

maneira

mais realista, e para sensibilizar os vários segmentos

da

Universidade que estariam envolvidos com a questão.
Não seria possível reproduzir essa imagem com fidelidade atraves de um documento escrito ou mesmo atraves de um documento fotográfico.

Necessitava-se de algo que trouxesse as

imagens em movimento, permitindo a visualização mais viva

574

e

�dinãmica das dificuldades encontradas.

Dessa forma, o vTdeo-

cassete mostrou-se adequado para a real ização do teste. Diante da escassez de recursos financeiros e do pouco tempo

dis-

ponTvel, o trabalho de testar todas as bibliotecas da Universidade pareceu inviãvel.

Determinou-se então como base

teste a Biblioteca Central da UFMG.

Essa escolha

de

deveu-se

também ao fato dessa biblioteca ter sido construTda

visando

concentrar todo o acervo da Universidade, o que significa que
ela atenderia a todos os segmentos da comunidade universitãria.
Além disso, seu prédiO foi aberto ao pGblico em 1981, Ano Internacional do Deficiente. Todas condições pareciam favorãveis
ao experimento.
A Coordenadoria de Apoio ao Deficiente FTsico

auxiliou

no sentido de indicar duas moças portadoras de deficiência fTsica para colaborar nos testes.

O experimento em si

constou

de vârias etapas, previamente estabelecidas a partir de

uma

visita ãs instalações da Biblioteca Central, onde detectou-se
barreiras fTsicas, e também de um roteiro para a gravação.

O

primeiro ponto de observação constituiu-se na subida da rampa,
que dã acesso ã entrada principal do prédio, por uma deficiente em cadeira de

r~das.

Essa rampa, muito embora não

tenha

impossibilitado a sua entrada, tornou-a extremamente penosa e
cansativa.

A falta de corrimão ou grades laterais, ladeando a

mesma torna-a perigosa tanto para aqueles que se utilizam
cadeiras de rodas ou outros equipamentos, como para
tes visuais.

de

deficien-

Sobre esses ultimos, apesar de não terem

sido

focalizados no experimento, obtivemos indicações dessas dificuldades através das entrevistas.

Os dois degraus localizados

no final da rampa impediram o acesso das deficientes de forma

575

�que as mesmas não conseguiram ultrapassã-los sozinhas.
Entre o vestibulo e o hall principal do primeiro
mento existem duas roletas para controle
dos usuãrios.

de

pavi-

entrada e saida

Durante o experimento, constatou-se

que

para

passar a cadeira de rodas pelas roletas seria necessãrio

re-

tirar a deficiente da mesma.
Via de regra, o primeiro instrumento

utilizado

usuãrio dentro de uma biblioteca e o catãlogo.
Biblioteca Central, demonstrou-se que um
deficiência fisica tem dificuldades no
trumento.

por um

No caso

usuãrio portador de
uso

pleno desse ins-

A deficiente não conseguiu atingir todas as

tas, muito embora tenham sido abertas

da

pela mesma,

gave-

a leitura

das fichas catalogrãficas foi impossivel.

r

necessãrio esclarecer que o catã10go

da

Biblioteca

Central, alem de fornecer dados sobre o seu acervo, tambem inclui o acervo de todas as outras bibliotecas da UFMG.
Foi verificado que nem todas as mesas para estudo individual

permitem a aproximação adequada de uma cadeira de ro-

das, pois a sua altura obstrui o acesso as mesmas.

Constatou-

se tambem que o balcão de atendimento, no setor de xerox, possui uma altura que naQ permitiu a visualização da

deficiente

pelo funcionãrio.
Em todos os pavimentos da Biblioteca Central
seções situadas em planos diferentes.

existem

No primeiro andar

lo-

caliza-se a Seção de Referência que fica num plano mais baixo.
No segundo e no terceiro pavimento existem planos mais

altos

onde estão localizadas uma sala de leitura e a Seção de Obras
Raras e Teses, respectivamente.

Jã no quarto andar hã a

leria de Arte que tambem fica num plano mais alto.

Ga-

O acesso

a esses planos e feito atraves de escadas, o que, alem de im-

576

�pedir a passagem do deficiente em cadeira de rodas, dificulta
o acesso de deficientes com outros aparelhos.
Os elevadores devem se estender a todos os
de uma edificação.

pavimentos
s~

Contudo, na Biblioteca Central, para

tomar o elevador deve-se descer ao subsolo ou subir ao segundo andar, jã que não existe acesso direto aos elevadores nesse
primeiro pavimento.

O painel de controle dos elevadores estã

localizado a uma altura que não permitiu ã deficiente atingir
os botões que correspondem ao 3Q e 4Q andar.

A pequena

di-

mensão dos elevadores inviabilizou o movimento da cadeira

de

forma rãpida.

do

Verificou-se não haver também apoio dentro

elevador, o que poderia ter provocado sua perda de equilibrio.
Os bebedouros instalados na Biblioteca Central,

embora

estejam localizados em locais de fãcil acesso, com exceção do
bebedouro da Galeria de Arte, não permitiram que a deficiente
conseguisse atingir o jato d'água de maneira que lhe possibilitasse beber da mesma - isso ocorreu devido ã altura dos bebedouros e a inexistência de um porta-copos disponivel, anexo
ao mesmo. *
Quanto aos banheiros, são totalmente inadequados ã utilização por esse tipo de usuário.

As portas possuem uma aber-

tura estreita, dificultando a entrada da cadeira de rodas.
acesso ao vaso sanitãrio é totalmente impossivel, também
vido ã dimensão das port.s, que no caso especifico se

O
de-

apre-

sentam ainda mais estreitas.
Inadequado também se apresentou o telefone público, instalado na cantina, no subsolo, já que sua cabine alem de possuir

* Este bebedouro estã instalado sobre um patamar
aproximação de cadeira de rodas.

577

q~e

impede a

�um vao de entrada bastante estreito, está assentada sobre
patamar de aproximadamente 10cm.

um

Mesmo ao tentar utilizar

o

telefone do lado de fora, com outra pessoa auxiliando na discagem, o fio do fone não possui cumprimento suficiente

para

que esse chegasse às mãos da pessoa na cadeira.
Como a Biblioteca Central não teve em seu

planejamento

a preocupação com esse tipo de usuário, tentou-se fazer de uma
entrada lateral, construída com a finalidade de carga e
carga de material, a via de acesso do deficiente ao

des-

interior

do predio. Isso fica bem claro, na medida em que uma placa

a

qualifica assim, alem de limitar o horário de 8:00 às 16:00 ,
sendo que o horário de funcionamento da Biblioteca e de
às 17:30 horas.

7:30

Se o problema fosse somente a visão negativa

e discriminatória em relação ao deficiente físico, provocando
a comparação desse com um fardo que deve ser descarregado
determinado local, isso poderia ser contornado.

em

Contudo,essa

entrada acaba por tornar-se mais difícil e problemática que a
entrada principal.

O percurso que leva ate a

tiva é acidentado e cheio de obstáculos.

en~rada

alterna-

O deficiente, usan-

do cadeira de rodas ou quaisquer outros equipamentos,

antes

de chegar à porta deve ultrapassar buracos, montes de pedras,
poças d'água e lama em dias de chuva, alem de uma grande distância.

Nessa entrada existe uma rampa, fato que talvez

te-

nha levado a se pensar na mesma como entrada para

deficiente

físico.

totalmente

Todavia a rampa, alem de ser estreita, e

inadequada, devido a sua grande declividade e largura insuficiente.
Caso o deficiente conseguisse romper todas essas barreiras

e chegasse i porta, teria

q~e

578

contar ainda com a

sorte

�rie encontrá-la aberta, já que estâ permanentemente fechada

e

r:io há mei os de se comuni car com a 1 guem no i nteri or do pred i o.
Para tanto, ele teria que voltar, entrar pela porta principal
e solicitar que abrissem a entrada alternativa.

Aliâs,

para

tomar conhecimento dessa entrada improvisada, o deficiente tem
que chegar ate o balcão de informação no interior da

biblio-

teca, já que não existe externamente nenhuma orientação nesse
Supondo que essa entrada em questão fosse viável, o

sentido.

uso do primeiro pavimento seria vedado a esse usuârio

diante

das barreiras das escadas e da inexistência de elevadores nesse espaço fisico.

7.

CONCLUSIIO

o

problema das barreiras enfrentadas pelos

deficientes

fisicos e visuais e um mero reflexo de toda uma estrutura

de

ensino que, por sua forma fechada e bastante autoritâria, determina a exclusão daqueles que não se

comp~tibilizam

modelos requeridos pela ótica capitalista.
que nao se identificam
produtivo.

Ou seja,

com

os

aqueles

com as demandas exigidas pelo sistema

"A Universidade representa a continuação de

uma

lõgica perversa, contra a qual a briga e politica ". ( 6)
A Universidade, só pelo fato de não apresentar o registro das pessoas portadaras de deficiencia fisica, já demonstra
um descaso na forma de enfrentar o problema.

Assim

transpa-

rece a sua omissão, que se desdobra atraves de suas politicas
de ensino, pesquisa e extensão, onde aspectos relativos

ao

deficiente não são evidenciados e, se o são, acontecem de maneira acidental a partir do voluntarismo e da sensibilidadede

579

�alguns membros da comunidade universitãria.

existam

Embora

essas iniciativas, a Universidade nio as assimila, reproduzindo toda uma estrutura externa, omissa e discriminatória.
Uma iniciativa digna de nota é a da Escola de

Educação

Fisica, que vem desenvolvendo um programa de extensio voltado
para os deficientes fisicos e visuais, objetivando sua
integração ã sociedade através do esporte.

Cabe

maior

ressaltar

que essas iniciativas têm sido levadas graças ao esforço

de

alguns poucos professores e alunos, enfocando atividades

que

permitam a maior independência desses individuos. Entretanto,
esse trabalho permitirã em curto espaço de tempo a
desse enfoque ao curriculo escolar.

inclusão

Isso representa um passo

no sentido da formação de profissionais voltados para o deficiente.
A UFMG não tem cumprido o papel de adiantar-se ã demandas da sociedade.

Nessa posição de retaguarda, ela passa sim-

plesmente a reproduzir situações jã consolidadas, o que

no

caso de sua relação com o deficiente fisico torna-se patente,
ao deixar de propor soluções que o incorpore ao seu cotidiano.
A sua própria prãtica reflete esse descaso: os curriculos são
rigidos; a metodologia de ensino não é voltada para

atender

as limitações desse publico; apresenta uma série de barreiras
arquitetônicas que dificultam o seu acesso.

Sob esse ponto de

vista, nem só os deficientes seriam afetados, também se

en-

quadrariam ai o idoso que poderia vir a enfrentar, com o avanço da idade, as mesmas barreiras colocadas aos

deficientes

fisicos e os portadores de deficiência temporãria causada

por

acidente.
Apesar de nao serem os unicos responsãveis pelos

580

pno-

�ble!~a5

enfrentados pelos deficientes

aos bibliotecãrios

na

Universidade,

impedir que essas contradições

dentro de seu espaço de atuação.
atingir efetivamente

Deveriam

aconteçam

então,

objetivos vinculados a sua

cabe

procurar
função mais

ampla, de transformar a biblioteca em um espaço aberto tambem

ã discussões de natureza politico-social.
Não adianta falar em biblioteca para todos,

se

na sua

entrada degraus e uma roleta excluem a

possibilidade de

um

deficiente ter acesso ao seu interior.

E, uma vez lã dentro,

não poder ser o mais independente possivel para exercer o seu
direito de se informar, realizar pesquisas ou simplesmente se
sentir aluno da Universidade da qual faz parte como
outro não-deficiente.

qualquer

Nesse caso, tambem o deficiente visual

ve-se alijado do processo universitãrio
recursos que o subsidiem no uso

do

quando

não encontra

acervo biDliogrãfico

ponivel ou quando, munindo-se por conta

pr~pria

desses recur-

sos não pode exercer seu direito de uso da biblioteca
suas atividades "incomodam" o leitor normal.

dis-

porque

Ate que ponto a

criação de uma sala especial para esses deficientes fora

da

biblioteca, não se torna tambem um mecanismo de exclusão

ca-

muflado pelo argumento de que o espaço da

biblioteca não

o

comporta?
Parece que a conclusão

~bvia

para

a qual

se

caminha,

analisando os resultados deste trabalho, e a de que os serviços, ou qualquer condição que favoreça o deficiente

na

Uni-

versidade, deve ser revisto ou proposto a partir da õtica desse,
atendendo ãs suas expectativas e aprendendo com ele como atendê-lo melhor.
Assim, o serviço de leitores

581

para deficientes

visuais

�oferecido pela Fundaçio Universitiria "Mendes Pimentel",

o

trabalho desempenhado pelos biblioteciriose funcionirios nas
bibliotecas da UFMG, as condições ambientais e arquitetõnicas
no conjunto da Universidade poderiam refletir uma politica democrãtica mais condizente com seu papel de inovar e propor soluções.
Finalmente, baseando-se nos resultados deste estudo, pode-se afirmar que a hipõtese que orientou o mesmo foi
mente confirmada.

total-

Ou seja, as bibliotecas da UFMG, devido

uma infra-estrutura inadequada

a

possuem barreiras que limitam

e, muitas vezes, impedem o acesso e utilizaçio pelos deficientes fisicos e visuais.

Obs.:

O projeto desta pesquisa foi apresentado i disciplina
"Estudo de Comportamento e Educaçio

de

Usuários" do

Curso de Põs-Graduaçio em Biblioteconomia da UFMG.
Orientaçio de: Profa. Jeannete Marguerite Kremer
Equipe:

Evelin Rodriguez Antunes
Fitima Serio Silva
Gilberto da Costa Magalhies
Jülia Gonçalves da Silveira
Maria Augusta B. de Sampaio
Maria Beatriz Almeida S. Bretas
Maria de Lourdes Côrtes Romanelli

582

�í' .

1.

B I BLI OGRAF I A
DECLARAÇAO dos direitos do deficiente.
~(3):7,

Rio de Janeiro,
2.

M'BOW, Amadou-Mahtar.

mar.

1981.

O Ano Internacional

Correio da Unesco, Rio de Janeiro,
3.

CORREIO DA UNESCO.

4.

ENCICLOPÉDIA MIRADOR INTERNACIONAL.

Rio de Janeiro.

paedia Britannica do Brasil.

s.

são Paulo,
v.16,

6.

Correio da Unesco,

do Deficiente.

~(3):4,

v.9,

mar.

1981.

n.3, mar.

1981.

São Paulo,

1975. v.5,

p.2206.

Encyclopaedia Britannica do Brasil, 1975.

p.8587-9.

FIGUEIREDO,

Paulo Roberto Saturnino.

/Depoimento sobreos

problemas dos deficientes nas universidades/o
rizonte, 1981.

9.
1.

Belo Ho-

1 fita cassete.

OUTRAS FONTES CONSULTADAS
ANSTINE,

Francesca.

persons.
set.
2.

Encyclo-

ARAUJO,

A library instruction and disabled

Illinois Libraries,

Springfield,

~(7):535-~,

1981.
Fernando.

Br~~~,

Visão e audição - ensino integrado.

Belo Horizonte, 1.(1):5-13, mar./maio 1985.

(Entrevi sta).
3.

BOPP, Richard E.

Consumer publications for disabled persons.

Illinois Libraries, Springfield, 63(7):540-6,
4.

FARIA, M.A.

de.

1981.

A biblioteca e o deficiente visual; uma

visão da situação.
jun./ago.

set.

Braille, Belo Horizonte, 1(2):65-8,

1985.

583

�5.

GARDINI, Marllia Junia de Almeida; MAFRA, Clâudio i
Vera Glâucia Mourão.

SOARES,

Um predio de bibl ioteca central: o

modelo da UFMG. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇAO, 10., Curitiba, 1979. Anais ...
tiba, Associação Bibliotecâria do Paranâ, 1979.

Curiv.2,

p.698-735.
6.

GUIMARAES, Marcelo Pinto. Construir para ir e vir.

Belo

Horizonte, Coordenadoria de Apoio ao Deficiente, 1985.
7.

GRUPO DE BIBLIOTECARIOS DE CItNCIAS SOCIAIS E HUMANIDADES
DA ASSOCIAÇAO DE BIBLIOTECARIOS DE MINAS GERAIS. Bibliografia sobre o deficiente. Belo Horizonte, Imprensa Oficial, 1982. 101p.

8.

MATOS, L.G. Integração-profissionalização. Braille, Belo
Horizonte, l(2):91-2, jun./ago. 1985.

9.

MAYOR,

Federico. Uma humanidade marginalizada. Correioda

Unesco, Rio de Janeiro, 2(3):4, mar. 1981.
10.

OLIVEIRA, L.L, Educação de deficientes visuais no mundo.
Braille, Belo Horizonte, l(2):60-l, jun./ago.

11.

1985.

PAIVA, '4arcelo. Uma voz da juventude. Veja, são Paulo, 27
abro 1983. (Entrevista)

12.

ROBERTS, Edward. A coragem de se arriscar. Correio da Unes~,

13.

Rio de Janeiro, 2(3):10-11, mar. 1981.

SOUZA SOBRINHO, Pedro Americo. IDepoimento sobre os problemas dos deficientes flsicos e visuais nas universidades/.

Belo Horizonte, 1986.

584

fita cassete.

�14.

VILAS BOAS, Crisolon Ter'to.

Ponto de encontro.

Bra:i.ll~,

Belo Horizonte, l(2):100-6, jun. 1985. (Entrevista concedida ã Marta Betânia Queiroz T.Antunes).
15.

ZELNIK, J.P.M.

Tecnologia - traço de união. Braille, Be-

lo Horizonte, ].(2):B6-90, jun./ago. 1985.

585

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="26">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="39565">
                <text>SNBU - Edição: 05 - Ano: 1987 (UFRGS - Porto Alegre/RS)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="39566">
                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="39567">
                <text>Tema: Plano Nacional de Bibliotecas Universitárias.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="39568">
                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="39569">
                <text>UFRGS</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="39570">
                <text>1987</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="39571">
                <text>Português</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="39572">
                <text>Evento</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="39573">
                <text>Porto Alegre (Rio Grande do Sul)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="40878">
              <text>Carro biblioteca: possibilidades de ação cultural.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="40879">
              <text>Cabral, Anna Maria Rezende</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="40880">
              <text>Porto Alegre (Rio Grande do Sul)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="40881">
              <text>UFRGS</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="40882">
              <text>1987</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="51">
          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="40884">
              <text>Evento</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="40885">
              <text>Relata a participação do carro-biblioteca da Escola de Biblioteconomia no Festival de Inverno da UFMG, e descreve o trabalho de ação cultural bibliotecária desenvolvido em integração com profissionais de outras áreas. Inclui a metodologia de trabalho e as atividades desenvolvidas, além das contribuições que o trabalho do carro-biblioteca trouxe para o ensino, a pesqisa e a extensão da Universidade.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="67409">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
  <tagContainer>
    <tag tagId="13">
      <name>snbu1987</name>
    </tag>
  </tagContainer>
</item>
