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                  <text>CARTA DE AQUISIÇÃO; UM HISTÓRICO E UMA POSIÇÃO
A EXPERIÊNCIA DA DIVISÃO DE BIBLIOTECAS
E DOCUMENTAÇÃO DA PUC/RJ

CECILIA MALIZIA ALVES
(Chefe da Biblioteca Central da PUC/RJ)

Resumo
Descreve a experiência da Divisão de Bibliotecas e Dot'umentação da PUC/RJ para elaboração de sua Carta de
Aquisição, analisada à luz das mudanças organizacionais
decorrentes da reestruturação dos serviços de bibliotecas.
Conclui que a melhoria do relacionamento entre bibliotecários e corpo docente da universidade é o maior benefício
'Obtido, ressaltando, entretanto, que o sucesso da experiência vai depender da reformulação de atitudes conservativas
fie organização e planejamento, as quais devem incorporar
uma filosofia de critérios orientada pelo conhecimento das
características de seus usuários.
'Apresentação
Este trabalho tem como objetivo descrever a experiência da Divisão de Bibliotecas e Documentação da FUC/RJ
discussão e definição de sua "Carta de Aquisição".
Sendo a "Carta de Aquisição" apenas uma dentre várias mudanças decorrentes da reestruturação dos serviços
"Ç bibliotecas da DBD, apresentamos uma breve explanação das medidas de definição e planejamento que antecederam sua elaboração.
^ Reestruturação Organizacional
^ ■1 Análise do sistema
Se

difícil reconstruir a história da formação e denvolvimento do sistema de bibliotecas coordenado pela
— 337 —

�D.B.D., principalmente pela dificuldade de acesso aos relatórios anuais das administrações anteriores à nossa gestão
e na falta de informações precisas, podemos supor que as
bibliotecas da PUC desenvolveram-se através dos anos graças a esforços altamente louváveis de pessoas que sentiram
a carência de serviços de bibliotecas, mas às quais faltou,
em ocasiões decisivas o apoio de conhecimentos profissionais
adequados ao planejamento e/ou desenvolvimento dos referidos serviços.
Anteriormente a nossa admissão para o cargo de Bibliotecária-Chefe (dez. de 1975), a Comissão de Bibliotecas,
após seis meses de análise e debates sobre a situação da
D. B. D., recomendava a ordenação de seus serviços, tendo-se
constituído um Grupo de Trabalho para a elaboração do
organograma. Esse primeiro organograma, por nós analisado não se adaptava, a nível de eficácia operacional, ao tino de funcionamento desejado: havia já um consenso de
centralização de "serviços técnicos", não devidamente explicitado ao Grupo de Trabalho.
Como tarefa prioritária, dedicamo-nos à detecção dos
principais problemas encontrados, destacando-se dentre eles:
—
—
—
—
—
—
—

estrutura organizacional fragmentada, ocasionando
dispersão geográfica do acervo e divisão artificia)
do conhecimento;
falta de definição de objetivos para tomada de decisão quanto a critérios de organização e funcionamento internos;
distorção e fragmentação da função Aquisição;
concepção errônea dos serviços de referência e atendimento ao usuário;
quadro de pessoal insuficiente e inadequado;
disponibilidade espacial das bibliotecas, insuficiente e inadequada;
organização das Bibliotecas Setoriais da PUC, que
não podiam ser caracterizadas como bibliotecas de
pós-graduação, já atendiam a todo o corpo discente
de seus respectivos centros, devido a práticas inadequadas de seleção e composição dos acervos.

Tal organização não seria tecnicamente errada, pois
teríamos no futuro bibliotecas especializadas para cada cen— 338 —

�I
tro, sem distinção do nível de usuários a que se destinam.
Dois fatores, no entanto levaram-nos ao planejamento cor1'etivo dessa organização:
• a definição expressa nos Estatutos da PUC.
• a disponibilidade espacial existente, que nos levou
à constatação da necessidade de se preparar a Biblioteca Central para operar as funções que por estatuto lhe competem, ou seja, manter um acervo centralizado de interesse geral e especificamente de interesse da graduação, operando um sistema de coleções descentralizadas para pós-graduação.
1-2 Plano Organizacional
Visando a centralização dos serviços técnicos das bibliotecas da PUC/D.B.D. foi proposta a seguinte estrutura, aprovada pela Comissão de Bibliotecas em. 0(5/02/76 e pelo Magnífico Reitor através da PR-293/76, de 22 de abril de 1976, o organograma apresentado no anexo 1 delineia as principais características do plano organizacional ora desenvolvido pela
d.b.d.
^•2.1 Estrutura da rede
Vinculada à Vice-Reitoria Acadêmica, a Divisão de Bibliotecas e Documentação é o órgão responsável pelo planejamento geral do sistema, de bibliotecas. O planejamento se
faz por definição de objetivos gerais, cuja inspiração política
se vincula aos valores e interesses da Pontifícia UniversidaCatólica do Rio de Janeiro, concernentes ao desenvolvi^lento dos meios necessários para o estudo e a pesquisa, e
^03 conceitos de inserção na realidade brasileira e de intercâmbio e cooperação com instituições congêneres, nacionais e estrangeiras, de acordo com os incisos I, II, III, IV
V, do Art. 19 do Estatuto que rege.
Para consecução de seus objetivos, a D.B.D. coordena
todos os níveis de processamento técnico, administrarão de pessoal e definição de política de informação, uma
rede de bibliotecas, com a seguinte estrutura:
— Biblioteca Central, cujo acervo é centralizado, reul^indo principalmente material de graduação e uma forte

— 339 —

�coleção de referência de caráter interdisciplinar. A Biblioteca Central é depositária das coleções de periódicos e documentos especiais, na proporção definida pela política de
informação.
— Bibliotecas Setoriais de Pós-Graduação, reunindo coleções especializadas em cada Centro, referentes às atividades de pós-graduação e pesquisa de suas unidades constitutivas, a nível de especificidade adequada.
1.2.2 Objetivos do Sistema
O principal objetivo do sistema de bibliotecas coordenado pela DBD é selecionar, adquirir, organizar, armazenar
e disseminar toda a informação registrada, para apoio às
atividades de ensino e pesquisa desenvolvidas na PUC/RJ,
bem como ao desenvolvimento de suas atividades técnicas
e administrativas.
Em decorrência, compete-lhe:
a)
b)
c)
d)

e)
f)
g)
h)
i)

colocar, em menor tempo possível, as obras adquidas à disposição do usuário;
prover material para leitura e trabalhos de cursos
de graduação e de pós-graduação;
prover referência e informação bibliográficas;
prover material de leitura como suporte geral às
atividades da PUC, quer acadêmicas, quer administrativas;
prover material de estudo nas áreas correlatas aos
cursos;
prover material de pesquisa;
prover serviços de recuperação de informação;
prover facilidade de pesquisa onde necessário;
atuar como instrumento dinâmico do ensino, estimulando hábitos de leitura e pesquisa.

2 Programa de Desenvolvimento
Definida a estrutura da Divisão, preocupamo-nos a seguir com o estabelecimento de um Programa de Desenvolvimento, o qual obedece a critérios gerais expressos em foi"
ma de metas operacionais, princípios de ação e políticas
operacionais.
340 —

�2.1 Metas Operacionais
A complexidade de tarefas decorrentes da implantação
da nova estrutura, levou-nos a formular, para o sistema a
ser desenvolvido, metas a curto, médio e longo prazo.
(a) a curto prazo: desenvolver um sistema coordenado
de bibliotecas, implementando técnicas biblioteconômicas
para atendimento de um usuário não individualizado.
(b) a médio prazo: implementação de estudos para obtenção de indicadores das necessidades gerais e especificas
dos usuários e conseqüente planejamento dos serviços compatíveis às necessidades detectadas,
(c) a longo prazo: desenvolvimento de serviços e técnicas de recuperação e disseminação da informação, tomando
por base os indicadores obtidos.
I
2.2 Princípios de ação
Esses principies foram estabelecidos para orientação geJ"al ao desenvolvimento futuro de políticas operacionais:
(a) Centralização de registros e sistemas — embora a
centralização esteja explícita no organograma é conveniente
que a DBD desenvolva junto à comunidade um trabalho de
divulgação para que haja o entendimento de que o objetivo
da centralização técnica é tornar disponível, para toda a comunidade de usuários qualquer serviço básico desenvolvido,
evitando-se duplicação de esforços e atendendo-se aos aspectos eficiência e eficácia.
(b) Automação — quaisquer planos para automação
dos serviços de biblioteca deverão ser desenvolvidos de acordo com a política de informação da D.B.D., levando-se em
consideração a capacidade do sistema para absorver as mudanças decorrentes e a disponibilidade de recursos orçamentários.
A título de sugestão, já que não nos pudemos basear
huma análise de sistemas devido à ausência de indicadores,
três estágios para automação das bibliotecas: (1) rotinas
internas; (2) armazenagem e recuperação da informação em
campos selecionados — através de estudos realizados pela
Save — da literatura científica e tecnológica; (3) redes
^experimentais de bibliotecas cooperantes.
— 341 —

�(c) Desenvolvimento de cooperação regional para solução de líroblemas comuns — Como sabemos é totalmente
impossível a qualquer biblioteca adquirir, armazenar e recuperar todo o conhecimento necessário ao desenvolvimento
de seus programas de ensino e pesquisa; tal situação leva-nos
a buscar, no desenvolvimento de novas formas de cooperação inter-bibliotecas, a solução para possíveis problemas
comuns.
A cooperação inter-biblioteca deverá dirigir-se à instalação de planos de aquisição cooperativa, extensão de privilégio para empréstimo entre bibliotecas, redes de informação e/ou centros de referência, para obtenção da literatura
descentralizada via modernos meios de transmissão, catalogação cooperativa, etc.
(d) Profissionalização — A grande maioria dos funcionários da DBD não possui formação ou treinamento profissional necessário ao desempenho de funções técnicas, o que
acarreta sérias deficiências na qualidade dos serviços desenvolvidos. O despreparo técnico aliado à indefinição de
rotinas criava uma situação de duplicação de tarefas. Paralelamente, chamou-nos a atenção as discrepâncias encontradas na classificação de cargos da DBD. A titulo de colaboração ,aplicamos um questionário de avaliação de funções
e enviamos à Gerência de Pessoal estudo corretivo sobre o
assunto, recomendando que, no futuro, as funções técnicas
fossem preenchidas por profissionais qualificados. Quanto
ao pessoal já admitido, sugerimos que freqüentassem cursos
de treinamento profissional.
(e) Serviços de Comunicação — A ausência de um sistema interno de comunicação eficaz prejudicava o desenvolvimento dos serviços da DBD. Internamente, algumas providências estão sendo tomadas para melhoria de contato entre a DBD e seus usuários;
— elaboração de um guia para uso de bibliotecas.
— criação de cursos introdutórios ao uso da literatura
científica e técnicas de levantamento bibliográfico em vários níveis.
(
2.3 Política Operacional
As mais sérias deficiências encontradas no desenvolvimento de nossos serviços de bibliotecas relacionavam-se com
a ausência de políticas estabelecidas. Considerando impera— 342 —

�I
i

eivo que qualquer sistema de bibliotecas — em particular
um sistema de tal porte e complexidade como o operado pela
DBD — funcionasse sob um conjunto de políticas escritas,
flexíveis e conhecidas, alertamos a Comissão de Bibliotecas
sobre a necessidade de se elaborar a Carta de Aquisição e o
Regimento Interno para a DBD, Paralelamente o corpo de
bibliotecas reuniu-se para redação dos Manuais de proceaimentos das diversas seções, enquanto elaboravam-se os
fluxogramas da Seção de Aquisição Centralizada e da Seção
de Processamento Técnico.
Passaremos a descrever especificamente os procedimentos adotados para a elaboração da Carta de Aquisição. Para
melhor exposição do material, colocamo-la em item à parte.
3 Elaboração da Carta de Aquisição
Em 16 de julho de 1976, foi apresentada à Comissão de
Bibliotecas uma proposta formal para estudo de políticas de
seleção e composição dos acervos da Universidade,
Adotou-se como método de trabalho a discussão sistemática de "Documento de Trabalho" elaborados pela Bibliotecária-Chefe e equipe de bibliotecários da DBD, Cada um
desses documentos foi discutido e analisado à luz da realidade PUC e de suas peculiaridades comunitárias e institucionais.
Após quase um ano de trabalho, em maio de 1977, a
Comissão de Seleção chegou à redação final da "Carta de
■^-quisição", documento normativo onde se exprimem as di-1'etrizes gerais para seleção e aquisição de material bibliográfico.
O documento em questão (ver anexo 2) foi então submetido à aprovação do Magnífico Reitor, que o fez de maneira extremamente honrosa para a D.B.D. — já que a
aprovação deu-se por Ato Normativo e não por simples portaria— em 18 de agosto de 1977.
Após a aprovação da "Carta de Aquisição", a Divisão
^e Bibliotecas e Documentação iniciou, junto^ aos vinte e
quatro departamentos de ensino da PUC, gestões para dar
continuidade ao processo de definição de políticas de seleção
^ nível mais específico, para atender critérios implícitos na
Carta, a saber:
— 343 —

�1°) constituição das Comissões Departamentais e indica*
ção de bibliotecárias para assessoria (Cf. item 4 11)
2'') estabelecimento de rotinas de trabalho para declaração escrita de política de seleção de cada unidade de ensino (Cf. item 4.1..3.).
Até o momento, estão constituídas dez Comissões de Seleção Departamentais (Física, Matemática, Teologia, Filosofia, Educação, Letras, Psicologia, Artes, Engenharia Industrial, Sociologia e Política). Como método de trabalho, cada
membro de determinada Comissão deve preencher um formulário-padrão planejado em conformidade com os critérios de seleção expressos no item 4.1.5. da Carta de Aquisição (ver anexo 3); a seguir a Comissão de Seleção deverá
aprovar sua declaração escrita, para inclusão na edição final da Carta de Aquisição.
4 Conclusões
Poder-se-ia argumentar sobre a validade do trabalho
aqui exposto, considerando-se que a "Carta de Aquisição
ainda é, do ponto de vista da aplicabilidade, um document
embrionário. Profissionais mais "práticos" certamente considerarão que o tempo gasto em discussões de normas e po
líticas poderia ser melhor canalizado para, por exemplo, solu
cionar problemas de processamento técnico. Entretanto, po
demos dizer que a experiência foi altamente proveitosa, u
vez que está nos ajudando a resolver o velho problema
relação entre bibliotecários e corpo docente de universidades
Em decorrência desse melhor relacionamento, a imagem o
DBD e conseqüentemente das bibliotecas foi totalmente modificada: a demanda crescente dos serviços disponíveis atesta a aceitação de um trabalho sério, embora lento e pouco
inovador. O contato informal decorrente das discussões políticas, no momento mesmo em que acontecem diversas mudanças administrativas tem sido proveitosos para remoção
de áreas de atrito e vencimento das barreiras institucionais
e comportamentais existentes, tanto por parte dos professores quanto por parte dos bibliotecários. Quanto as práticas
de seleção, estas foram aprimoradas, via melhoria do diálogo.
_ Estamos cientes de que a continuidade da Carta de Aquisição vai exigir toda nossa capacidade de argumentação c
isenção de ânimos para solução de conflitos, já agora maiá
diretos e difíceis de serem resolvidos.
— 344 —

�Entretanto, como administradores e planejadores do sistema DBD não podemos nos furtar à responsabilidade de
ouscar, na definição de nossos critérios de trabalho o consenso e a aprovação daqueles que são o "leitmotiv" de nossa
existência os usuários.
Esta posição é decorrente de evolução dos objetivos da
oiblioteca universitária que, se em épocas mais remotas era
íl-ominada pelas restrições conservativas decorrentes da posição liumanistica dominante, passou, com o advento da;,
técnicas biblioteconômicas e computacionais a desempenhar,
ttum segundo estágio de evolução, funções técnicas de consta, aimazenagem e organização do material bibliográfi•-o. Entretanto, as mudanças ocasionadas pela democratização da educação provocaram alterações profundas nos
objetivos funções e organização das bibliotecas university
rias. Para citar Edson Nery da Fonseca (1): a biblioteca universitária tem "... importância decisiva na consecução dos
objetivos perseguidos pela universidade. O professor HarolVallaaão definiu uma vez a Faculdade de Direito como
Uma biblioteca cercada de salas de aula ...".
Assim, estamos dirigidos à revisão de suas posições tr£
üicionais que compõem a imagem usual e convencional dc
nessas bibliotecas: de um lado, os professores que vêem a
biblioteca somente no contexto da visão tradicional de sui
íunções de centro de erudição e humanismo; de outro lado
bibliotecários cuja tradição está mais dirigida aos "objetos" que vem pela porta dos fundos do que às pessoas que
entram pela porta da frente. Precisamos, nós, os componentes dessas duas correntes, incorporar um terceiro elen^ento ao quadro geral: os usuários. Enquanto essa incorporação não for verdadeira, nossas bibliotecas, por mais
btm organizada e aparelhadas que sejam, não passarão de
depósitos de livros sofisticados e ineficientes.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
1 Fonseca, Edson Nery da. Roteiro para organização de
bibliotecas universitárias. Brasília, Graf. Piloto da
UnB, 1967.
2 Thompson, James. An introduction to university library administracion. London, C. Bingley, 1974.
^ PUC/RJ. Divisão de Bibliotecas e Documentação. Relatório anual 1976. Rio de Janeiro, 1976. 48 p. dat.
— 345 —

�ANEXO 2

ATO NORMATIVO N? 01/77

Aprova a CARTA DE AQUISIÇÃO da
Divisão de Bibliotecas e Documentação

O Rev. Pe. João Augusto Mac Dowell, S.J., Reitor da
PUC/RJ considerando o volume crescente de produção na
Jiteratura universal bem como o alto custo das publicações
e a necessidade de uma definição clara e objetiva da politick
de aquisição e seleção de material bibliográfico das bibliO'
tecas da PUC/RJ, no uso de suas atribuições,

RESOLVE:
Art. P Aprovar a CARTA DE AQUISIÇÃO de material
bibliográLÍco das biblictccas da PUC/RJ, anexa a este ATO.
Art. 2°
hoje.

O presente ATO entrará em vigor na data de

Rio de Janeiro, 18 de agosto de 1977.

Pe. João Augusto A. Mac Dowell, S-JReitor
— 346 —

�ANEXO 3
PUC — DBD
POLÍTICA DE SELEÇÃO
DEPARTAMENTO:

—

responsáveis pela seleção

OBJETIVO GERAL:

Línguas;

"'^REAS GEOGRÁFICAS:

1'IMITAÇÕES CRONOLÓGICAS:

— 347 —

ASSUNTO:

�TIPO DE MATERIAL A
ÊER INCLUÍDO

AREAS DE ASSUNTO

NÍVEL DE ESPECIFICIDADE

OUTRAS
ESPECIFICAÇÕES
Rio,
— 348

�CARTA DE AQUISIÇÃO
Política para seleção e aquisição de material bibliográ^po das bibliotecas da Pontifícia Universidade Católica do
^10 de Janeiro.
'Apresentação
Dado o volume crescente de produção na literatura universal, bem como a elevação constante do custo das publi|'ações, torna-se impossível a qualquer biblioteca poder conar com todo o material bibliográfico indispensável ao atenittiento de seus usuários.
Em decorrência, impõe-se a necessidade de uma definiSS'O clara e objetiva da política de aquisição da Universidaapta a orientar as práticas de seleção e formação da.s
coleções.
V,.

janeiro de 1976, foi apresentada à Comissão de Biotecas da DBD — órgão consultivo e representativo das di®rsas bibliotecas e unidades acadêmicas — uma proposta
Para o estudo da CARTA DE AQUISIÇÃO, que deveria exPrimir as diretrizes aplicáveis à seleção e aquisição.
O documento ora apresentado é o resultado desse estu'iP. Nele são estabelecidos os princípios gerais para a poli«loa de aquisição, os tipos de material bibliográfico que deerão formar as coleções da Universidade, bem como os proessos de seleção e aquisição a serem adotados.
A CARTA DE AQUISIÇÃO ora formulada, bem como os
de seleção nela indicados, não pretende descrever as
Seções já existentes. Seu objetivo é orientar o corpo doente e a equipe de bibliotecários na complexa tarefa inteim
de selecionar, uma coleção adequada e satisfazer os
^teresses de seus usuários, considerando-se o volume de pu
Jicações anuais e as restrições financeiras existentes.
... A despeito dos esforços desenvolvidos para definir cri ■
erios facilmente aplicáveis à seleção, a criatividade humana
Q °^uz constantemente uma infinita variedade de livros (
^tros tipos de aquisição.
— 349 —

�Embora as diretrizes forneçam orientação e informa
ções úteis às Comissões de Seleção, o julgamento daqueles
que participam do processo de seleção não poderá jamais
ser substituído por normas formais e rígidas, as quais somente se destinam a fornecer critérios. Por essa razão, ^
CARTA DE AQUISIÇÃO está sujeita a revisões que se fizerem necessárias, no decorrer do tempo.
Coube à Bibliotecária-Chefe, Cecília Malízia Alves, assistida pela Bibliotecária Supervisora Maria Clara P. Wilken
Bicudo, a formulação original dos documentos de trabalhf'
para discussão a nível de Comissão. A proposta para a definição das políticas de seleção, correspondente às diferentes unidades acadêmicas, foi, em sua maior parte, baseado
na sistemática adotada pela Standford University Libra
ries (1).
Finalmente, não podemos concluir essa introdução sem
recordar a participação interessada e cuidados dos membros
da Comissão de Bibliotecas, sem a qual esse estudo não seria variável: Prof^ Suzana Gonçalves, Diretora da DBD, Presidente da Comissão, Prof. João Christovão Cardoso, representante do CTC, Prof. Sergio Cativo e Prof^ Miriam Limoeiro Cardoso, representante do CCS, Prof''' Creusa Capalho f
Prof® Zélia Mediano, representantes do CTCH, Cecília Malízia Alves, Bibliotecária-Chefe e Anna Maria Thompson de
Carvalho, Assessora de Diretoria da DBD.
1

Definição

A CARTA DE AQUISIÇÃO é o documento básico orientador da política de seleção e aquisição de bibliotecas.
Vincula-se, pois, aos OBJETIVOS da Biblioteca —Sistema de Bibliotecas — à qual se destina, decorrentes da
natureza da instituição a cujas finalidades deve servir.
2

Princípios Gerais

2.1 Os programas de ensino e pesquisa da Universidade devem ser os elementos fundamentais para a política de aquisição .
2.2 A DBD deve adquirir ,em bases regulares, qualquer tipo
de material bibliográfico, quer coleções de âmbito geral, Q^er
— 350 —

�'-oleções específicas, enfatizando as áreas em que os interesses de estudantes e professores sejam eficazmente atendidos.
^'•3 Os processos de seleção e compra de material bibliográfico devem ser estabelecidos em função de planos relativos
^0 desenvolvimento da Universidade. A centralização desses
processos visa à eliminação de rotinas repetitivas e a assegurar rapidez de recepção e processamento.
5

Tipos de Material Bibliográfico

3.1 As coleções das bibliotecas da PUC são compostas de vários tipos de material bibliográfico, em suas diversa^s formas
■^e apresentação: impressão, off-set, foto-reprodução e duplicação por mimeógrafo, filmes e microfilmes revelados, microfichas transparentes ou opacas, fitas perfuradas, fitas
•Magnéticas, diapositivos, mapas, globos, fotografia e gravuras.
'^•2 Visando melhor administração do acervo as coleções
serão divididas em material bibliográfico e material especial
3.2.1 Material Bibliográfico: subdivididos em dois tipos, ou
'^sja, os documentos primários e os documentos secundários
3.2.1.1

Documentos primários

Livros, monografias, coleções de documentos (documenescritos pelo mesmo autor ou por autores diferentes, seSundo um plano, sem pretensão de exaurir o assunto), atas
reuniões e conferências, livros textos e rnanuais, publicações oficiais, publicações periódicas (publicações seriadas,
revistas, jornais), normas, folhetos, patentes, teses e disserta
Ções relatórios técnicos-científicos.
^■2.12

Documentos secundários

Literatura de referência; enciclopédias, guias e manuais,
êiossários, vocabulários, dicionários, biografias, revisões de literatura, periódicos de resumo, bibliografias e índices .
^•2.2 Material especial:
Livros raros, coleções especiais de alto custo, manuscri®s, códigos, fotografias, gravuras, mapas, plantas, englobando os documentos suscetíveis de apropriação indébita e mu— 351 —

�tilações, e que, portanto, requerem normas especiais para
acesso e controle de circulação.
3.2.2.2

Segundo Grupo:

Filmes e microfilmes revelados, microfichas transparentes ou opacas, edições em microfilmes, filmes educativos,
slides, diapositivos .cartões perfurados, fitas ou discos magnéticos, ou qualquer outro tipo em que sua forma de apresentação difira do material descrito no item 3.2.1.
3.3 Como norma geral, não devem ser acervados apostilas,
trabalhos escolares, catálogos comerciais e foto-reproduções
f xerox, heliografia, fotostática, etc.) de documentos já existentes na DBD ou disponíveis no mercado editorial.
4
4,1

Critérios de Seleção
Seleção de compras

4.1.1 Em cada unidade, a seleção bibliográfica deverá ser
efetuada por uma Comissão de Seleção, integrada por representantes das diferentes áreas de ensino e pesquisa dessa
unidade e assistida tecnicamente por uma bibliotecária indicada pela DBD, preservando-se a autonomia de cada Departamento.
4.1.2 Serão também constituídas Comissões de Seleção pa*
ra aquisição de material especial relacionado no item 3.2.2.1-1
tais como: livros raros, manuscritos, códices, mapas e coleções especiais.
4.1.3 À Comissão de Seleção compete declarar sua política
de seleção específica.
4.1.4 Cada Comissão de Seleção deverá definir sua política
de seleção em termos de:
a.
b.
c.
d.
e.
f.

objetivo geral;
línguas a serem cobertas e restrições;
áreas geográficas abrangidas (quando aplicável);
delimitações cronológicas (datas das edições);
tipos de material a serem incluídos;
tipos de material a serem excluídos;
— 352 —

�g.
h.

áreas de assunto a serem cobertas e correspondente
nível de especificação das coleções;
outras especificações.

4.1.5 Os seguintes critérios, devem ser indicados quando
da definição da política de seleção, tendo em vista os níveis
de especificidade do material bibliográfico:
— nível geral — suprir necessidades gerais dos programas, tanto presentes quanto futuras;
— Nível de graduação — servir de suporte efetivo ao
ensino de graduação, incluindo todos os tipos de material de
referência, principalmente índices, bibliografias e publicações periódicas;
— nível de pesquisa — suprir as atividades acadêmicas
de meios que lhe permitam associar o ensino à pesquisa e
servir de base aos programas de Mestrado;
— nível intensivo — atender, de forma exaustiva, às li"
tthas de pesquisa da Universidade e aos cursos de Doutorado
4.1.6 Duplicação de Coleções
A qualidade do acervo não deve ser sacrificada à duplicação desnecessária de títulos, adotando-se, como critérios de
duplicação, a intensidade de uso, a localização das bibliotet^as do sistema, bem como a disponibilidade do acervo da
DBD,
4.1.7 Em se tratando de publicações periódicas, em princípio, haverá na DBD uma única assinatura para cada título,
ficando a virtual duplicação subordinada a justificativa fundamentada e competente aprovação pelo Conselho^ Departamental do setor interessado, ouvindo-se a Comissão de Seleção.
4.2

Seleção de doações

4.2.1 Serão aplicados tanto para recepção de^ doações
quanto para permuta os mesmos critérios de seleção adotados para compra.
^•2.1.1 A seleção das obras aceitas em doação será efeti^^•da, segundo o determinado no item 4.2.1, pela Comissão
«e S^ção da Unidade interessada.
— 353 —

�4.2.1.2 Caso discorde da seleção efetuada sob a responsabilidade da Comissão de Seleção, a Diretoria da DBD submeterá o assunto à Comissão de Bibliotecas, cabendo ainda
recurso ao Vice-Reitor Acadêmico.
4.2.2 Como norma geral, a PUC deve evitar a aceitação de
doações com restrições específicas, tais como localização especial e uso limitado, nos casos em que essas doações sejam
qualitativamente importantes, será ouvida a Comissão de
Bibliotecas, para parecer a ser encaminhado à decisão do
"Vice-Reitor Acadêmico.
4 2.3 Caberá à Bibliotecária Supervisora da Seção de Aquisição Centralizada, assistida pela Bibliotecária-Chefe da DBD,
efetuar a pré-seleção das obras ofertadas.
4.2.4 Em se tratando de coleções acima de 20 volumes, o
doador deverá, para fins de pré-seleção, enviar à DBD uma
relação das obras que pretende doar ou solicitar, para tanto, o auxílio de uma bibliotecária.
4.2.5 A PUC se reserva o direito de descartar ou permutar
as doações não selecionadas.
4,3

Retirada e descarte de material

4.3.1 Para manutenção da qualidade das coleções serão
adotadas práticas de seleção negativa aplicáveis ao material
acervado.
4.3.2 Sistematicamente, deverá ser efetuado o descarte do
material efêmero e a retirada do material obsoleto, preservando-se entretanto os títulos e coleções que sejam de interesse dos programas de pesquisa da Universidade.
4.3.2.1 Por descarte entende-se a eliminação de material
bibliográfico acervado.
4.3.2.2 Por retirada entende-se a transferência de documento acervado para o processo de permuta. Todo documento transferido deverá pois ser tratado como duplicata.
4.3.2.3 Será considerado material efêmero qualquer dO'
cumento cujo conteúdo tenha valor informativo temporário
ou relativo.
— 354 —

�4.3.2.4 Será considerado material danificado todo (documento que apresente mutilações graves ou cujas condições materiais sejam tão más que não se justifique sua
restauração.
'1.3.2.5 Será considerado material obsoleto qualquer documento que comprovadamente não tenha sido utilizado
nuni período de tempo superior a 10 anos ou cujas novas
edições existentes na DBD superem o documento em questão.
4.3.3

Descarte de material

4.3.3.1 O material efêmero bem como o material danificado deverão ser descartados.
4 3 3 2 O descarte será efetuado rotineiramente e em con
«^ordancia com a temporalidade do material efêmero ou com
^ grau de mutilação ém questão.
^3.4
4 3 4 1
acervo

Retirada de material
Todo material obsoleto dever ser

retirado do

4 3 4 5
rpitirada do material obsoleto será efetuada
i-&gt;pn*n''írnmpnt'.e, nor ocasião da realização dos inventários
f'Prf'Ls das bibliotecas, obedecendo-se aos seguintes critérios:
— Os critérios de seleção nep^ativa para retirada devem
"^asear-se nos princípios gerais de aquisição:
— a seleção negativa será efetuada pela bibliotecária
a&lt;Jsistente de cada Comissão de Seleção;
— _à Comissão de Seleção da unidade interessada caberá
^ decisão quanto à retirada das obras selecionadas negativamente;
— caso discorde da decisão da Comissão de Seleção, a
piretoria da DBD submeterá o assunto à Comissão de Biblio
tecas.

T,,

GRIEDER, e. M., ed. Book Selection Policies o/ the
Standford University, Stanford, Cal., Standford UnlverLibraries, 1970. mlmeog.
355 —

�</text>
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Tema: A biblioteca como suporte do ensino e da pesquisa no desenvolvimento nacional.</text>
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Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Descreve a experiência da Divisão de Bibliotecas e Documentação da PUC/RJ, em 1976, para elaboração de sua Carta de Aquisição, analisada à luz das mudanças organizacionais decorrentes da reestruturação dos serviços de biblioteca. A Carta de Aquisição, documento normativo que exprime as diretrizes gerais para seleção e aquisição de material bibliográfico.</text>
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