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                  <text>SEMIÓTICA NA DOCUMENTAÇÃO ESPANHOLA: CONSIDERAÇÕES
SOBRE A DÉCADA DE 1980

Ilana Lopes Matias (UNESP) - ilana.matias@outlook.com
Carlos Cândido de Almeida (UNESP) - carlos.c.almeida@unesp.br
Resumo:
A organização do conhecimento é um processo de construção de modelos de representação do
conhecimento que converte o mundo das ideias – seu objeto de estudo – em um aglomerado de
conceitos que devem ser analisados para verificar suas relações num dado domínio do
conhecimento. A codificação simbólica responsável por representar a informação produzida,
encontra-se em todos os processos comunicacionais e a linguagem, sua matéria-prima,
necessita de uma convenção social para se estruturar. Examina a literatura especializada da
Documentação na Espanha para obter um panorama dos conceitos semiótico-linguísticos na
década de 1980, período de formação teórica da Linguística Documental (LD) e da Semiótica
Documental. Representa uma oportunidade de expor o âmbito de construção epistemológica
de um novo campo disciplinar na década de 1980 no contexto espanhol. Utiliza o método
qualitativo e a pesquisa bibliográfica nas bases de dados Dialnet e Brapci para identificar
referenciais teóricos já publicados a respeito do tema. Recuperou na Dialnet 43 revistas e 149
documentos, sendo 52 selecionados pelos conceitos documentação, semiótica, linguagens
documentais, linguística documental, semiótica documental e outros relacionados com o tema.
Na Brapci localizou 11 documentos de autores brasileiros que abordaram o assunto da LD.
García Gutiérrez (1984) definiu a LD como uma “interdisciplina de linguagens documentais”
produzida através da fusão de dois campos científicos – a documentação e a linguística).
Porém, Izquierdo Arroyo (1990) propõe a substituição do termo LD para Semiótica
Documental, pois a Semiótica se ocupa de qualquer processo de semiose, o que torna
presença desse termo na expressão pertinente.
Palavras-chave: Documentação Espanhola. Linguística Documental. Semiótica Documental.
Eixo temático: Eixo 8: Ciência da Informação

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�XXVIII Congresso Brasileiro de
Biblioteconomia e
Documentação
Vitória, 01 a 04 de outubro de 2019.

1. Introdução
A organização do conhecimento é um processo de construção de modelos
de representação do conhecimento, no qual converte o mundo das ideias – seu
objeto de estudo – em um aglomerado de conceitos que devem ser analisados para
verificar suas relações em um dado domínio do conhecimento.
Nesse contexto, a pesquisa examinou a literatura especializada da
Documentação na Espanha, a fim de obter um panorama dos conceitos semióticolinguísticos na década de 1980, período de formação teórica da Linguística e da
Semiótica Documental. As teorias semióticas foram divididas em duas vertentes:
teorias peirceanas, que recorrem à proposta de Charles S. Peirce (1839-1914), e
teorias não peirceanas, vinculadas às propostas linguístico-semiológicas.
Considerando a abordagem teórica dos fundamentos da Semiótica no campo
da Documentação, tivemos os seguintes objetivos: a) revisar a literatura espanhola
que trata do conceito de documentação na década de 1980; b) analisar os conceitos
semiótico-linguísticos mais relevantes na perspectiva da linguística (García
Gutiérrez) e semiótica documental (Izquierdo Arroyo); c) examinar as teorias e as
abordagens conceituais utilizadas; d) sistematizar um quadro com as escolas
semióticas e linguísticas encontradas.
A pesquisa representou uma oportunidade de expor o âmbito de construção
epistemológica de um novo campo disciplinar (Linguística Documental) através da
identificação de referenciais teóricos e elementos conceituais semiótico-linguísticos
que introduziram os princípios de teóricos influentes (García Gutiérrez e Izquierdo
Arroyo) na década de 1980 no contexto espanhol.
2. Materiais e Métodos
De âmbito qualitativo, a pesquisa procurou identificar os principais conceitos
semiótico-linguísticos no contexto da Documentação espanhola na década de 1980,
período de surgimento dos principais debates teóricos.
Além do método qualitativo, empregamos a pesquisa bibliográfica, pois,
houve a necessidade de verificar estudos anteriores sobre a temática, a fim de

�destacar as teorias principais. Nesse sentido, desenvolvemos as seguintes
estratégias metodológicas: a) identificar as monografias/livros-texto relacionadas ao
campo da Documentação no período abrangido; b) analisar os artigos de periódicos
sobre o assunto, selecionados na base Dialnet (https://dialnet.unirioja.es/); c)
realizar a leitura do material coletado; d) elaborar fichamentos e apontamentos de
textos sobre os temas: semiótica, linguística documental e semiótica documental; e)
seleção de conceitos e autores para a discussão dos resultados.
O levantamento executado na base Dialnet (https://dialnet.unirioja.es/)
resultou em 43 revistas classificadas nos rankings In-Recs e Dice, segundo o índice
de impacto. Entre as revistas, 4 não estavam relacionadas com a área Informação
e Documentação e, de 39 revistas restantes, foram localizados 149 documentos
sendo 52 selecionados pelos conceitos documentação, semiótica, linguagens
documentais, linguística documental, semiótica documental e outros termos
correlacionados com a temática em questão. Alguns materiais utilizados na escrita
do relatório foram extraídos da base de dados brasileira Brapci
(http://www.brapci.inf.br/index.php), pois houve a necessidade de incluir autores
brasileiros que estudam aspectos relativos à Linguística Documental e à
Documentação e que têm como base os princípios de autores espanhóis. No total,
foram selecionados 11 documentos na Brapci.
3. Resultados e Discussão
Salientamos que os autores espanhóis se basearam nos estudos de Otlet,
devido a magnitude e significância desses estudos, perpetuados mundialmente e
recorridos na contemporaneidade. Temos como propósito desta seção discutir
sobre a construção epistemológica da Linguística Documental, destacando seus
conceitos e objetos de estudo.
A Linguística Documental, segundo García Gutiérrez (1984) – precursor da
teoria – é uma fusão de dois campos científicos: a documentação (estudo do
processo científico-informativo dependente da linguagem como um meio de
comunicação) e a linguística (estudo da linguagem como um sistema para
comunicar informações). Dessa fusão surgiu uma “interdisciplina de linguagens
documentais [...] ligada aos processos informativos documentais que visa
estabelecer o controle documental efetivo utilizando mecanismos léxicos” (GARCÍA
GUTIÉRREZ, 1984, p. 137-138). Ao se ocupar da resolução dos problemas que
permeiam o controle documental, utiliza as denominadas linguagens documentais
– sistema de signos naturais ou artificiais que intentam caracterizar o documento e
representá-lo, de modo a assegurar seu armazenamento e recuperação (ALMEIDA;
GARCÍA MARCO, 2015) – como instrumento de seu ofício.
Para García Gutiérrez (1984) os problemas relacionados à informação são,
impreterivelmente, problemas de linguagem. Desse modo, o autor acredita que a

�Linguística Documental, enquanto disciplina, fornece subsídios teóricos ao campo
da recuperação da informação. Na medida em que reúne e transforma conceitos de
outras disciplinas, procura representar e sistematizar os conteúdos dos documentos
para recuperá-los posteriormente, a LD se aproxima de outras disciplinas com fins
análogos, destacando sua interdisciplinaridade.
Izquierdo Alonso (2000) em uma de suas contribuições para a área, intenta
ampliar o objeto de estudo da Linguística Documental/Semiótica Documental (a
última denominação é considerada mais adequada segundo a autora), analisando
pragmaticamente sua competência comunicativa, isto é, verificar, através de uma
perspectiva pragmática, sua capacidade de interdisciplinaridade. Para tanto, ao
introduzir a Semiótica nos sistemas de organização e representação do
conhecimento, a diferencia de Linguística.
Quanto às propostas da Linguística Documental no Brasil, elas são
analisadas através do Grupo Temma, criado por Johanna Smit. A Universidade de
São Paulo (USP), no curso de graduação e Biblioteconomia, ofereceu a disciplina
Linguística Documentária, sedimentando a linha investigativa francesa no contexto
brasileiro. Curiosamente, o plano de ensino não sugere na bibliografia os estudos
de García Gutiérrez, levantando um questionamento quanto a utilização do termo
para denominar a disciplina, uma vez que o teórico espanhol foi o pioneiro nesses
estudos. Ressaltamos que no contexto brasileiro há uma alteração na
nomenclatura, proveniente das vertentes teóricas e conceituais que dialogam com
a área da Ciência da Informação.
Para Tálamo e Lara (2006) a Linguística Documentária é uma disciplina no
subdomínio da Ciência da Informação, com o intuito de estudar as características
da linguagem em ambientes informacionais e, através dessa análise, produzir uma
linguagem documental, enquanto vocabulário controlado, que atenda às
necessidades do usuário, estreitando os vínculos entre os acervos e o uso da
informação. Compreendemos que os estudos de Tálamo e Lara (2007) apresentam
pontos comuns no que tange aos interesses de entender o funcionamento da
linguagem para o tratamento da informação e propor metodologia para auxiliar na
construção da linguagem documentária.
Nessa perspectiva, José Maria Izquierdo Arroyo propôs a substituição do
termo Linguística Documental por Semiótica Documental. Izquierdo Arroyo (1990)
elabora um plano de ensino para implantar a disciplina Linguística Documental na
Universidade de Múrcia. Desse modo, utiliza a estrutura da Fórmula Conceitual –
dividida em Subfórmula Operacional (SO) e Subfórmula Definicional (SD) – para
explicar o conceito de LD.
A SO consiste na definição pragmática da Linguística Documental, isto é,
trabalha sua concepção teórico-prática a fim de solucionar problemas referentes ao
armazenamento racional e à recuperação do conteúdo, utilizando mecanismos
léxicos como instrumentos/meios auxiliares do processo documental: as

�denominadas linguagens documentais. A SD refere-se à definição semântica da
Linguística Documental e destaca três componentes principais:
a) índole epistêmica da disciplina: atua como disciplina teórica (investigação
sobre um determinado objeto), técnica (atividade prática sistematizada mediante
instrumentos) e normativa (estabelecimento de diretrizes para normalizar o
tratamento semiótico da informação);
b) objeto próprio (dinâmico): é constituído pelo conteúdo do documento;
c) objeto imediato ou processual: é o tratamento semiótico, assim como o
controle sistemático e racional do conteúdo mediado.
Para Izquierdo Arroyo (1990), a LD é uma disciplina em vias de construção e
suas distintas linhas de análise são reflexo da busca pela estruturação do campo.
Nesse contexto, a Linguística Documental é estabelecida como disciplina técnica
baseada em teorias que possibilitam identificar o conteúdo dos documentos,
organizá-los e indexá-los para recuperação.
Fundamenta-se, portanto, o seu pertencimento ao campo da Documentação
e seu âmbito interdisciplinar. Apontamos o seu objeto – linguagens documentais –
como sistemas de descrição e representação linguística e semiótica da informação,
responsáveis por garantir o armazenamento e busca sistemáticos.
Izquierdo Arroyo (1990) utiliza os estudos de Morris (1975) para fundamentar
o tratamento semiótico, afirmando que ele possui três dimensões: pragmática
(inclinada para os problemas práticos que contornam o tratamento), semântica
(originam a disciplina, desde as classificações bibliográficas até os sistemas
hierárquicos), e sintática (dimensão da estruturação sintática das linguagens
documentais e, consequentemente, da representação da informação).
Izquierdo Arroyo (1990), ainda que concordando com o destaque conceitual
atribuído a Linguística Documental ao admitir que se trata de uma disciplina teóricoprática que lida com problemas relativos ao armazenamento e recuperação da
informação, propõe a adoção da nomenclatura Semiótica Documental.
4. Considerações Finais
No período de 1980 foram desenvolvidas teorias que contribuíram para a
construção epistemológica de uma nova disciplina baseada na documentação,
linguística e semiótica – tanto na vertente peirceana quanto na vertente não
peirceana (linguístico-semiológica). Desse modo, Izquierdo Arroyo (1990),
considerando as propostas de García Gutiérrez, propõe a substituição do termo
Linguística Documental para Semiótica Documental, pois a Semiótica se ocupa de
qualquer processo de semiose (e não somente dos processos que aborda a
Linguística), a presença desse termo na expressão torna-se pertinente. Nesse
sentido, a Semiótica Documental é compreendida como uma ciência que estuda a

�semiose documental (processo comunicacional responsável pelo armazenamento
e busca controlados dos conteúdos documentais).
5. Referências
ALMEIDA, C. C.; GARCÍA MARCO, F. J. Aportaciones Semióticas de la
Documentación en España a la Organización Del Conocimiento: un análisis
preliminar. In: RODRÍGUEZ MUÑOZ, J.V.et al. (eds.). Organización del
conocimiento: sistemas de información abiertos. Actas del XII Congreso ISKO
España y II Congreso ISKO España y Portugal, 19 y 20 de noviembre. Murcia,
2015. p. 498-507. Disponível em: &lt;http://www.iskoiberico.org/wpcontent/uploads/2015/11/88_Almeida.pdf&gt;. Acesso em: 26 abr. 2017.
GARCÍA GUTIÉRREZ, A. Lingüística documental. In: GARCÍA GUTIÉRREZ, A.
Lingüística documental: aplicación a la documentación de la comunicación
social. Barcelona: Mitre, 1984. cap. 6.
IZQUIERDO ALONSO, M. Nuevos enfoques en el estudio del tratamiento
documental de contenido desde los presupuestos de las ciencias del lenguaje.
Scire, v. 6, n. 1, p. 143-163, 2000. Disponível em:
&lt;https://www.ibersid.eu/ojs/index.php/scire/article/view/1129&gt;. Acesso em: 28 out.
2017.
IZQUIERDO ARROYO, J. M. Esquemas de lingüística documental. Barcelona:
Promociones y Publicaciones Universitarias, 1990. Tomo I – p. I-242.
TÁLAMO, M. F. G. M.; LARA, M. L. G. O campo da Linguística Documentária.
Transinformação, Campinas, v. 18, n. 3, p. 203-211, set./dez. 2006. Disponível
em: &lt;http://www.brapci.inf.br/v/a/443&gt;. Acesso em: 28 out. 2017.
TÁLAMO, M. F. T. G. A. M.; SMIT, J. W. Ciência da informação: pensamento
informacional e integração disciplinar. Brazilian Journal of Information Science,
v. 1, n. 1, p. 33-57, 2007. Disponível em: &lt;http://www.brapci.inf.br/v/a/8749&gt;.
Acesso em: 25 ago. 2018.

Agências financiadoras
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq

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