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                  <text>A ESCUTA SENSÍVEL SOB O OLHAR DO BIBLIOTECÁRIO: UM
DIÁLOGO CENTRADO NA SENSIBILIDADE E NA ATENÇÃO AO
USUÁRIO

Diana Silva dos Santos (UFPB) - diana092santos@gmail.com
Edna Gomes Pinheiro (UFPB) - ednagomespi@yahoo.com.br
Resumo:
Mostra a preocupação em inserir as práticas da escuta sensível nas bibliotecas, visando a
valorização destas práticas. Ressalta que o referencial teórico está centrado no pensamento de
Barbier (1993; 1998) e de Freire (1985). Aborda como problematica de pesquisa as questões:
Qual a dimensão da escuta sensível nas práxis bibliotecária que podem fortalecer a mediação
das necessidades e desejos informacionais dos usuários? A escuta sensível pode contribuir
para otimizar a qualidade no atendimento aos usuários de Bibliotecas?. Tem como objetivo
geral: analisar a arte de ouvir dos bibliotecários-gestores no cotidiano das seguintes
bibliotecas: Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba; Biblioteca da Faculdade
Internacional da Paraíba; Biblioteca Pública Juarez Gama Batista e; Biblioteca do Instituto
Federal de Educação, Ciência/Tecnologia da Paraíba. È uma pesquisa de caráter exploratória,
descritiva de abordagem qualitativa, construida por meio de entrevistas. Conclui, que no
contexto de diálogos da Biblioteconomia e da Ciência da Informação, é necessário um debate
sobre a arte de ouvir com respeito, frente os desafios de uma relação significativa entre
bibliotecário e usuário no processo ouvir/dialogar. E, ainda, que a escuta sensível é
considerada uma ferramenta de suma importância para os bibliotecários captarem as
necessidades dos usuários da biblioteca, pois saber escutar é uma tarefa imprescindível para o
sucesso das relações interpessoais.
Palavras-chave: Escuta sensível. Bibliotecário. Arte de ouvir – bibliotecário
Eixo temático: Eixo 6: Gestão de bibliotecas

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�XXVIII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e
Documentação
Vitória, 01 a 04 de outubro de 2019.
EIXO TEMÁTICO 6 - Gestão de Bibliotecas
INTRODUÇÃO
A concepção e visão de organização com foco na necessidade de mudança de
padrões e enfoques, trazendo como consequência fundamental a valorização do
seu staff tem se tornado uma realidade a partir da década de 1980 (JURAN,
1992). Assim sendo, as Bibliotecas na busca de compreender melhor as
mudanças de paradigmas decorrentes do surgimento das tecnologias de
informação e comunicação e, das exigências do mundo do trabalho, não podem
prescindir do que Barbier (1993; 1998), denomina escuta sensíva, visto que os
bibliotecários precisam captar as necessidades dos usuários, precisam ter a
habilidade da escuta para fazer uma análise e intepretação dos desejos e
necessidades informacionais dos usuários da biblioteca.
Assim, a significancia do ato de escutar, de saber ouvir com respeito se torna
um valor relevante nas relações interpessoais dentro das bibliotecas, pois
nesses espaços temos a necessidade de ser ouvido e aceito, de ser ouvido e
compreendido.
Nesse vies, o bibliotecáriio deve saber sentir o universo afetivo, o imaginário e o
cognitivo do usuário para compreender porque deve volver sua atenção para ele,
conhecer suas atitudes e seus comportamentos, suas necessidades de
informação, afim de instaurar um espaço de acolhimento e de segurança para
sos usuários (internos e externos), no qual possam expressar suas
necessidades, angústias, anseios, a fim de tornar significativo o cotidiano no
contexto de trabalho.
Face ao exposto, justificamos a realização dessa pesquisa, na crença de que
uma escuta atenta, instituída nas bibliotecas, pode apresentar um efeito capaz
de perceber além dos detalhes, dos olhares e da postura que o usuário
apresenta, diante dos seus desejos e suas necessidades informacionais.
À luz dessas considerações, a temática despertou em nós o desejo de averiguar
como a praxis bibliotecária está articulada aos valores da escuta sensível na arte
de ouvir nas bibliotecas, haja vista a constatação de que o ato de escutar com
respeito, está cada vez mais escasso dentro das organizações.Outro motivo, não
menos importante, para justificar a realização dessa pesquisa, diz respeito ao
fato da escuta sensível ser um assunto, ainda incipiente na área da
Biblioteconomia e da Ciência da Informação.
Para os propósitos desta pesquisa, fizemos recortes balizados, contemplando
quatro unidades de informação sediadas em João Pessoa-PB-Brasil, a saber:
Sistema de Biblioteca da Universidade Federal da Paraíba (UFPB); Biblioteca da
Faculdade Internacional da Paraíba (FPB); Biblioteca Pública Juarez Gama

�Batista, na Fundação Espaço Cultural e Biblioteca Nilo Peçanha do Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB).
Os fatos mencionados, além de pontos norteadores para a escolha do tema de
pesquisa, serviram como fonte de inspiração para constatarmos se a escuta
sensível faz parte do habitual e do cotidiano dessas bibliotecas, quando
buscamos respostas precisas e necessárias para contemplar os objetivos
estabelecidos
Com esse pensamento entramos em sintonia com a problemática de pesquis:
Os bibliotecários gestores da pesquisa se apropriam da escuta sensível para
promover melhoria no desempenho profissional da equipe? De que forma a
escuta sensível pode contribuir para um melhor entendimento e relacionamento
entre bibliotecário-gestor e sua equipe? O Bibliotecário-gestor está voltado para
a cultura da escuta sensível em seu ambiente de trabalho?
Diante desses questionamentos, inferimos o objetivo geral da pesquisa: analisar
a arte de ouvir entre o staff das Biblioteca Central da Universidade Federal da
Paraíba; Biblioteca da Faculdade Internacional da Paraíba; Biblioteca Pública
Juarez Gama Batista e; Biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia da Paraíba. Partindo do objetivo geral da pesquisa, elencamos os
seguintes objetivos específícos: constatar a concepção de escuta sensível na
ótica do bibliotecário-gestor; identificar os benefícios da escuta sensível no
ambiente de trabalho com a equipe; verificar se a cultura organizacional das
bibliotecas pesquisadas propícia a escuta sensível, na relação bibliotecário x
usuário.
Método da pesquisa
Evidenciamos que o percurso metodológico está ancorado nos princípios da
escuta sensível, enquanto instrumento metodológico, apóia-se na escuta
científico-clínica como fase diagnóstica e realiza-se também através de um eixo
de vigilância, sustentado em três tipos de imaginários: o pessoal-pulsional ; o
social-instituciona (BARBIER, 1993; 1998). É uma pesquisa exploratória,
descritiva com destaque na abordagem qualitativa (GIL, 2010). Utilizamos como
técnicas de coleta dos dados, a entrevista semiestruturada apoiada na escuta
sensível articulada harmonicamente em dois tipos de escuta, a saber:
a) Escuta autônoma – momento que o pesquisador procura sentir o universo
afetivo, imaginário e cognitivo do entrevistado, para poder compreender de
dentro de suas atitudes, comportamentos e sistemas de ideias e de valores, de
forma sensível.
b) Escuta de si - momento em que o pesquisador destaca que as narrativas
podem oportunizar espaços nos quais o sujeito seleciona suas idéias, possibilita
a reconstrução de sua experiência de vida e numa visão auto-reflexiva, busca
compreender a trajetória de si e do (s) outro (s), sem perder de vista as próprias
itinerâncias formativas.

�Isso posto, consideramos que a inspiração de cunho qualitativo dessa pesquisa
está fundamentada nos dois tipos de escuta supracitadas e, ainda, nos
instrumentos de coleta de dados,assinalados no quadro 1.
Quadro1 – Instrumentos de coleta de dados/desejo de conhecer
Instrumentos de
DESCRIÇÃO
coleta de dados
Entrevistas
narrativas
Diário itinerante

Como narram, falando de si, sobre si para o outro; como
reconstrói sua história de vida‒formação
Analisar como os bibliotecários falam sobre si; como
vivenciam os dilemas do cotidiano.

Fonte: informações do pesquisador, 2018

Ressaltamos, que os sujeitos da pesquisa foram cinco (05) Bibliotecários
gestores, assim caracterizados: três(03) de biblioteca universitária federal; um
(01) de biblioteca universitária privada e; um (01) de biblioteca pública. As
entrevistas realizadas com esse contigente deram forma e contorno a pesquisa,
posto que os gestores tomam as decisões que envolvem a identificação de
problema, bem como analisam, escolhem alternativas e verificam a eficácia das
decisões.
Resultados
Os resultados alcançados corroboram para instigar a realização de pesquisas
sobre a arte de ouvir com respeito no contexto bibliotecário, especialemente, da
competência informacional. O resultado dessa pesquisa nos remete, ainda, a
uma reflexão sobre as relações entre o fazer dos bibliotecários e a mediação
implícita da informação. Sinalizam também que, após uma revisão da literatura,
a escuta sensível não tem sido adequadamente discutida à luz da
Biblioteconomia e da Ciência da Informação (CI), apesar dessas ciências
sofrerem influências das teorias relativas ao dialogismo, enunciado, produção de
sentidos e autoria, que ajudam a pensar os acontecimentos que permeiam as
práticas dialógicas e informacionais. Possibilitou, ainda,
observar que um
mundo novo abriu-se para os gestores envolvidos na pesquisa, apesar das
difíceis escolhas que têm de fazer e das dificuldades a serem enfrentadas. A
vivência em uma biblioteca, convivendo em novas relações com os seus
usuários oportuniza aos gestores, novas leituras e novas experiências na arte de
ouvir os usuários e colaboradores desse lócus privilegiado como o espaço
acadêmico.
Discussão
A análise e interpretação dos resultados obtidos, á luz da literatura publicada
sobre a tema da pesquisa, revelou que os princípios da escuta sensível
possibilitaram escutar os sujeitos envolvidos, na partilha de experiências e
construção de conhecimentos no cotidiano das bibliotecas. Nos levou a crer que
não é fácil preludiar-se a ouvir, principalmente porque ouvir significa
compreender o outro a partir do olhar alheio, da lógica alheia. Significa
concentração para ouvir com consciência, silenciar o próprio pensamento no

�momento da escuta. É uma escuta do dito, do não dito, do silêncio, da hesitação,
de tudo que não audivel.
Nessa perspectiva focamos as analises e as dissurssões no olhar dos sujeitos
da pesquisa, no tocante a escutá-los. Todos os entevistados, acham que é de
extremo valor a prática da escuta sensivel nas bibliotecas. Percebemos que os
sujeitos da pesquisa chamam a atenção para o fato dos bibliotecários não cairem
na mecanicidade. Devem ser atentos as práticas de contato humanizado. O
bibliotecário organiza informação e tem a função de fazer a ponte entre a
informação e quem dela necessita, todavia, para que isso aconteça de forma
satisfatória, é necessário fazer o uso das práticas de escuta sensível.
Corroborando nessa direção Juran (1992) salienta que: a qualidade é a
adequação ao uso através da percepção das necessidades dos usuários, ou
seja, é a capacidade de promover a satisfação de uma necessidade de forma
adequada às preferências dos usuário
Considerações finais
Constatamos, diante dos achados da pesquisa, a relevancia do bibliotecário
estar atento ao que usuário não diz, ou seja, ouvir as entrelinhas, saber
interpretar o não evidente, pois é imprescindível que a escuta seja feita de
maneira atenta, de forma que os gestos,também, sejam observados e o usário
seja atendido de forma digna e humanaizada. Isso fortalece o pensamento de
Oliveira (2014, p. 29) quando ressalta. Atender o usuário “Não é responder as
perguntas com frase de efeitos. É ficar atento aos mínimos detalhes, olhando-o
nos olhos e deixando que se manifeste em relação ao que está sendo dito”.
Ressaltamos que a pesquisa evidencia a necessidade de uma maior interação
entre bibliotecário e usuário, pois os resultados revelam que raro foram os
momentos de diálogos nessa interação, fato que nos remete a complexidade da
profissão e do perfil exigido ao profissional Bibliotecário, na dificil arte de escutar
o usuário com respeito.
A pesquisa, ao constatar descobertas inerentes a importância de motivar,
compreender e ouvir sensivelmente as pessoas, mais precisamente, usuários de
bibliotecas, nos leva a considerar que a pratica da escuta sensível tem efeitos
positivos e geram resultados satisfatórios nos relacão bibliotecário x usuário.
Enfim, a análise das categorias delineadas nessa pesquisa permitiu alguns
achados acerca da escuta sensível como perspectiva de investigação e como
elemento relevante na formação do bibliotecário.
A defesa expressa nessa pesquisa, destancando a escuta sensivel como prática
imprencidivel na práxis bibliotecária, aponta que os bibliotecários, também,
precisam ser escutados, enxergados e acolhidos. Escutados quando reivindicam
melhorias nas condições de trabalho. Enxergados e acolhidos quando
desempenham suas funções com ética e compromisso, quando lutam por salário
digno e por políticas e estratégias de formação continuada.

�Sugerimos que os bibliotecários pesquisados atentem de modo singular para as
necessidades e desejos dos usuários, tentando saná-las porque isso se torna
uma ligação essencial na vivência e na convivência no ambiente da biblioteca.
Posto isso, almejamos que o estudo possa inspirar novas pesquisas sobre a
escuta sensível do bibliotecário nos diversos tipos de bibliotecas. Se faz notório
que uma prática em que se coloca o respeito à frente de quaisquer conteúdos
tem o poder de transformar não somente a realidade das bibliorecas, mas
também de contribuir para a constituição de um bibliotecário sensível as
necessidades e a atenção do usuário.

Referências
BARBIER, R. . A escuta sensível em educação. Cadernos ANPED, v. 5, p. 86–
216, 1993.
BARBIER, R. A escuta sensível na abordagem transversal. In: BARBOSA,
Joaquim (Coord.). Multirreferencialidade nas ciências e na educação. -São
Carlos: Editora da UFSCar, 1998, p. 168-99.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido.- Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.
GIL, A. C. (2010). Métodos e técnicas de pesquisa social (5th ed.).- São Paulo:
Atlas.
JURAN, J. M. Planejamento para a qualidade.- São Paulo: Pioneira, 1992..
OLIVEIRA, N. C. O voo da borboleta: escuta sensível, respeito e cuidado na
relação pedagógica em mutação na educação infantil. Brasília: UNB, 2014.

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