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                  <text>A CONVERGÊNCIA DE UM GRUPO DE BIBLIOTECAS DA UNESP
PARA A SOLUÇÃO DE ACESSIBILIDADE VISUAL: RELATO DE
EXPERIÊNCIA

Eliana Katia Pupim (Unesp) - katia.pupim@unesp.br
Breno Luiz Ottoni (Unesp) - breno.ottoni@unesp.br
Vivian Rosa Storti (UNESP) - vstorti@reitoria.unesp.br
Elizabete Cristina de Souza de Aguiar Monteiro (Instituição - a informar) - elizabete.monteiro@unesp.br
Laura Akie Saito Inafuko (UNESP) - laura.inafuko@unesp.br
Resumo:
O presente trabalho relata a experiência da Biblioteca Universitária de Tupã (BUT) na busca
por parceiros que auxiliassem no acolhimento a um aluno com baixa visão, em uma
experiência positiva, obtendo a sinergia de vários elementos da Rede de Bibliotecas da Unesp
em prol da recepção apropriada ao aluno. Em meio a crise que assola as universidades
públicas paulistas, com contingenciamentos de orçamento, a presença de um aluno especial
com necessidades visuais foi um desafio significativo não somente para a BUT, mas para a
instituição como um todo. A metodologia adotada foi sensibilizar as bibliotecas atendidas pelo
Grupo de Acessibilidades e pelo SIAI, que, por meio da ação da CGB possibilitou a adesão de
bibliotecas da Rede de Bibliotecas da Unesp resultando no atendimento das demandas de
acessibilidade visual do usuário da BUT, como também estabeleceu uma metodologia para
possíveis soluções em situações similares.
Palavras-chave: Acessibilidade visual
Eixo temático: Eixo 6: Gestão de bibliotecas

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�XXVIII Congresso Brasileiro de
Biblioteconomia e
Documentação
Vitória, 01 a 04 de outubro de 2019.

A CONVERGÊNCIA DE UM GRUPO DE BIBLIOTECAS DA UNESP PARA
A
SOLUÇÃO
DE
ACESSIBILIDADE
VISUAL:
RELATO
DE
EXPERIÊNCIA
Introdução
A matrícula de um jovem aluno com baixa visão no curso de Administração, da
Faculdade de Ciências e Engenharia (FCE), da Unesp Câmpus de Tupã, apresentou
à equipe da Biblioteca Universitária de Tupã (BUT) uma série de ponderações,
sendo que, as reflexões causaram uma modificação do olhar cotidiano.
Buscou-se embasamento na legislação que ampara os Portadores de Deficiência
Visual (PDV), em especial na Lei n. 7.853, de 1989,
Art. 2º Ao Poder Público e seus órgãos cabe assegurar às pessoas
portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos,
inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à
previdência social, ao amparo à infância e à maternidade, e de outros que,
decorrentes da Constituição e das leis, propiciem seu bem-estar pessoal,
social e econômico. (BRASIL, 1989, p.1).

No Decreto Federal n. 3.298, de 1999, que regulamenta a lei e que, em seu artigo 4.
classifica a cegueira, compreendendo a “[...] a baixa visão, que significa acuidade
visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica”. (BRASIL,
1999, p.1).
Art. 2o Cabe aos órgãos e às entidades do Poder Público assegurar à
pessoa portadora de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos,
inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao desporto, ao
turismo, ao lazer, à previdência social, à assistência social, ao transporte, à
edificação pública, à habitação, à cultura, ao amparo à infância e à
maternidade, e de outros que, decorrentes da Constituição e das leis,
propiciem seu bem-estar pessoal, social e econômico.(BRASIL, 1999, p. 1).

Assim como na Lei 13.146, de 2015, cujo capítulo IV que trata especificamente dos
direitos no tocante a educação da Pessoa com Deficiência, e esclarece que em seu
artigo 68 as bibliotecas devem ter acervos acessíveis em todos os níveis e
modalidades de educação. (BRASIL, 2015).

�Após a compreensão de que era não somente uma questão de empatia, mas de
obrigação por força de lei, olhou-se para o aluno, buscando conhecê-lo mais de
perto, e procurando aniquilar possíveis pré-conceitos
Um olhar diferente
O primeiro passo foi conhecer o aluno, suas demandas e suas expectativas em
relação ao que a BUT poderia contribuir para sua graduação. Convidado para uma
entrevista com a Supervisora da biblioteca, levantou-se algumas informações sobre
o discente que são transcritas na sequência:
Seu nome é ETT, tem 21 anos, é aluno do curso de Administração Diurno, e está
matriculado no segundo ano, morador de Bastos-SP, é portador de baixa visão e
usuário do transporte da prefeitura. Na parte da tarde ajuda nos afazeres em sua
casa, e também auxilia o pai no trabalho.
Ao ser questionado sobre sua identidade quanto à suas necessidades, conforme
várias
terminologias
técnicas
possíveis
classificadas
pela
legislação, ETT mencionou apenas que não gosta de ser identificado como
deficiente, que possui necessidades e que prefere ser chamado de aluno especial.
Sua patologia é a neurofibromatose, uma doença gradual, porém que está
estabilizada já há algum tempo. Há várias implicações para o discente, porém a
mais grave é a sequela na vista, pois atingiu o nervo ótico. Trata-se de uma doença
genética que se manifestou aos 13 anos e meio, quando este morava no Japão. O
aluno relatou que começou a perceber a visão embaçar e seus pais procuraram por
médicos naquele país, os quais afirmaram ser normal a perda da visão. Tal fato
motivou a família retornar ao Brasil para investigar o que estava acontecendo.
Já no Brasil, o diagnóstico foi fechado por médico especialista da cidade de São
Paulo, como neurofibromatose. ETT desconhece outros indivíduos que sejam
portadores da mesma patologia que ele. Em Tupã já visitou uma associação que
ensina o braile, mas ele e a mãe acreditam que o mesmo ainda não necessita dessa
linguagem, pelo menos não neste momento.
Quanto às necessidades específicas sobre o uso da Biblioteca, ETT admite que
sempre leu em razão das insistências de sua mãe, contudo, depois que
apresentou dificuldades na visão, sua vontade de ler foi aguçada naturalmente.
Quanto aos estudos, ele admitiu que há muita leitura e que os professores enviam
para ele o material bibliográfico em PDF ou word, para que possa ter formas de
acompanhar a turma. O que o impede de utilizar mais biblioteca é ter vergonha de
pedir auxílio, pois sempre precisa de ajuda para localizar o livro na prateleira, o que
o desanima de vir até a biblioteca.

�ETT diz ainda que gostaria que houvesse mais livros em PDF na biblioteca, pois é
importante para aumentar a sua capacidade de leitura, já que assim consegue
ampliar as letras. Destaca ainda a necessidade de mesas adequadas e que,
principalmente nas provas, passa por transtornos e dores no pescoço e na coluna.
Pede que sejam instalados softwares que aumentem a tela do computador, pois na
universidade ele não consegue utilizar os equipamentos. Quando há trabalho em
grupo, não consegue se preparar adequadamente, pois há demanda por leitura e ele
não tem os equipamentos à disposição na universidade. Tal fato retarda o
desenvolvimento do trabalho o que o constrange e incomoda, pois acredita
atrapalhar o grupo de estudo. O discente acreditava que se houvesse um
equipamento próprio para atender as necessidades específicas de aumento das
letras, com certeza, haveria maior uso da Biblioteca.
Com base nessa conversa, compreendeu-se, pelo menos minimamente, algumas
das demandas e expectativas de ETT. Essa compreensão levou a Equipe
Bibliotecária a buscar casos semelhantes em outras bibliotecas para conseguir
propor uma solução para o problema encontrado ou ao menos mitigar tais
problemas.
Olhar para os iguais
Ao se compreender algumas das dimensões presentes em ETT, houve a necessidade
de procurar nas demais bibliotecas da Unesp, soluções, modelos, ou projetos que
pudessem ser implantados na BUT.
Optou-se por buscar na Biblioteca do Câmpus de Assis, parâmetros sobre o projeto
de acessibilidade implantado em 2012. Segundo a Diretora de Biblioteca, Laura
Inakufo, o projeto do qual fizeram parte foi de responsabilidade do Grupo de
Acessibilidade da Rede de Bibliotecas da UNESP (GARBU), formado por servidores
da instituição, com o intuito de “[...] estudar, planejar e implementar ações
voltadas à acessibilidade para a comunidade acadêmico-científica da UNESP e ao
cidadão com necessidades especiais, permitindo o acesso à informação e a
utilização dos serviços oferecidos pelas bibliotecas da rede da universidade”.
(STORTI et al., 2014, p.5).
O GARBU estabeleceu uma metodologia denominada Serviço de Inclusão e
Acessibilidade a Informação (SIAI), que consistiu na “aquisição de equipamentos e
capacitação da equipe voltada para o atendimento e manuseio dos equipamentos”.
(OTTONI et al., 2015, p.1).
A partir do conhecimento do Grupo GARBU e da metodologia do SIAI, em 16 de
março de 2018, realizou-se uma visitação à Biblioteca de Assis com o objetivo de
melhor compreender as propostas lá implantadas, os equipamentos utilizados,
assim como seu funcionamento e a relevância para a comunidade atendida.

�No mesmo mês, a Supervisão da BUT entrou em contato com a Coordenadora
Geral de Bibliotecas, Flávia Maria Bastos, e esta por sua vez, acolheu a solicitação e
a encaminhou a demanda aos membros do GARBU.
A partir de então, houve o amparo da situação pelos membros do GARBU, em
especial a bibliotecária Vivian Rosa Storti que mobilizou a Rede de Bibliotecas da
Unesp. Neste momento, o objetivo do Grupo era levantar as unidades que haviam
sido contempladas com o SIAI, mas que, no momento atual, estivessem sem alunos
com necessidades visuais que apresentassem a demanda para os equipamentos. A
partir de então sensibilizar as bibliotecas para que houvesse um empréstimo para a
BUT.
Entreolhares
A notícia de que a Biblioteca de Bauru se prontificou a atender à solicitação de
empréstimo chegou em junho. A partir de então, ocorreu uma intensa troca de
mensagens com o bibliotecário daquela unidade, Breno Luiz Ottoni. As mensagens
tinham como propósito alinhar informações e procedimentos em ambas as
unidades, com orientações e solicitações a vários elementos necessariamente
imbricados.
Ao aluno foram enviadas as especificidades dos equipamentos, a saber: a)
Computador com software leitor de tela instalado; b) Linha Braille conectada a esse
mesmo computador; c) Ampliador eletrônico de caracteres para pessoas com baixa
visão; ou d) Scanner conversor para áudio. Sendo que ETT optou pelo amplificador
de caracteres e scanner.
Para a Seção Técnica de Materiais, foi solicitado a regularização dos trâmites de
empréstimo de bem patrimoniado entre as unidades, de modo legal e transparente.
Ao diretor do Câmpus de Tupã coube emitir ofício requerendo o empréstimo ao
Presidente do Grupo Administrativo da Administração Geral do Câmpus de Bauru.
Para a Seção Técnica de Comunicações e Atividades Auxiliares foi requerido a
retirada e transporte dos equipamentos de Bauru a Tupã.
Por fim, após um período de estruturação do processo de empréstimo o qual
necessitava passar pelas Diretorias Administrativas e Diretores das unidades
implicadas, os equipamentos foram disponibilizados por Bauru e enviados para a
BUT.
Com os equipamentos disponíveis em Tupã, havia a necessidade de instalação das
máquinas e treinamento dos servidores e usuário. Para tanto, mais uma vez a Rede
de Bibliotecas da Unesp amparou a demanda, sendo que a bibliotecária Elizabete
Cristina de S. A. Monteiro, da Biblioteca de Marília, orientou a instalação e
capacitou a bibliotecária de Tupã, que se responsabilizou pela instalação e

�transferência dos conhecimentos para a Equipe Bibliotecária, assim como para o
usuário demandante.
Em abril de 2019, os equipamentos foram instalados e disponibilizados para
utilização, havendo a capacitação do aluno para o manuseio dos equipamentos, e
também da Equipe Bibliotecária para o suporte as demandas do usuário.
Considerações Finais ou Conclusões:
Desde o início do processo em busca de oferecer a atenção adequada às
necessidades de ETT, compreendeu-se que a conjuntura econômica limitava
muitas as possibilidades de solução, contudo, em nenhum momento este cenário
foi determinante para desânimo ou desistência de nenhuma das partes.
A partir do conhecimento da demanda de acessibilidade visual em uma unidade da
Rede de Bibliotecas da Unesp, houve o acolhimento por parte da CGB e uma
movimentação de toda a estrutura da Rede para que o objetivo inicial fosse
atingido e o aluno tivesse acesso às condições apropriadas.
Os trâmites burocráticos necessários geraram documentos de circulação interna e
externas às unidades e que servirão para que novas demandas possam usufruir das
soluções adotadas.
Referências:
STORTI, V. R.; ALMEIDA, S. M. de; OTTONI, B. L.; FANTIN, V. M. S. R. Promover a acessibilidade
aos deficientes visuais e baixa visão à Rede de Bibliotecas da Unesp. In: SENABRAILLE, 8., 2014.
Anais... São Paulo: FEBAB, 2014. Disponível em:
file:///C:/Users/Katia/AppData/Roaming/Microsoft/Windows/Network%20Shortcuts/339-11241-SM.PDF. Acesso em: 12 jan. 2019.
OTTONI, B. L. et al. Serviço de Inclusão e Acessibilidade à Informação (SIAI): Experiência da Rede
de Bibliotecas da Unesp. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E
DOCUMENTAÇÃO, 14., 2015. Anais... Fortaleza: FEBAB, 2015.
BRASIL. Decreto nº. 3.298 de 20 de dezembro de 1999. Regulamenta a Lei no 7.853, de 24
de outubro de 1989, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de
Deficiência, consolida as normas de proteção, e dá outras providências. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3298.htm. Acesso em: 20 nov. 2018.
BRASIL. Lei nº. 7.853, de 24 de Outubro de 1989. Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras
de deficiência, sua integração social, sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa
Portadora de Deficiência - Corde institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos
dessas pessoas, disciplina a atuação do Ministério Público, define crimes, e dá outras providências.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7853.htm. Acesso em: 20 nov. 2005.
Acesso em: 20 nov. 2018.
BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa
com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm. Acesso em: 20 jul.
2019.

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