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                  <text>WATSON: inteligência artificial a serviço das bibliotecas
Erik André de Nazaré Pires (UFPA) - erikpires@ufpa.br
Di Téo Calumby (UFPA) - teocalumby@ufpa.br
Resumo:
O presente trabalho irá abordar na sua conjectura a respeito de uma tecnologia que tem na
inteligência artificial, o seu diferencial no mercado de trabalho, intitulada de Watson. Dessa
forma surge como Objetivo Geral: Mostrar como o Watson pode ser utilizado nas bibliotecas; e
nos Objetivos Específicos, têm-se: Compreender o processo de funcionamento de tal
tecnologia e Expressar as quais as vantagens para o bibliotecário ter essa ferramenta no seu
ambiente de trabalho. A partir dos objetivos elencados, chega-se a seguinte problemática:
Quais as possibilidades do Watson ser implementado em conjunto com as atividades realizadas
nas bibliotecas, fazendo com o que essas ações sejam dinâmicas e interativas?. A importância
para o desenvolvimento do trabalho acontece pelo fato de que essa tecnologia pode apresentar
em termos de novidades para as bibliotecas. Para o processo metodológico, foi adotado
primeiramente a Pesquisa Bibliográfica, no segundo momento aplicou-se a Pesquisa
Exploratória. Conclui-se que o bibliotecário deve investir com frequência na educação
permanente, visando a atualização profissional, principalmente no que tange a conhecer e
utilizar as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s) e que o Watson é viável para ser
utilizada nas bibliotecas, principalmente no que diz respeito a potencializar o atendimento ao
usuário.
Palavras-chave: Watson. Inteligência Artificial. Tecnologia. Bibliotecas.
Eixo temático: Eixo 4: A expansão desenfreada das tecnologias

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�XXVIII Congresso Brasileiro
de Biblioteconomia e
Documentação
Vitória, 01 a 04 de outubro de 2019
Videografia: ( ) Sim ( x ) Não
Modelo 1: Resumo expandido de comunicação científica
Introdução
As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) surgem nas bibliotecas
com o intuito de agregar valor aos trabalhos realizados pelos bibliotecários, pois
apresentam características que proporcionam a otimização do tempo na execução
de tarefas, sobretudo as que tenham caráter de repetição.
Diante desse cenário, no qual as TICs possuem um papel importante na
Sociedade em Rede, sendo que as bibliotecas realizam várias tarefas com os
aportes das tecnologias (desde a catalogação até o marketing), cabe ao
bibliotecário desenvolver a competência informacional, a qual segundo diz a
AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION (1989, online) “[...] para ser competente em
informação, uma pessoa deve ser capaz de reconhecer quando a informação é
necessária e ter a habilidade para localizar, avaliar e usar efetivamente a
informação”, juntamente com habilidade e atitude para fazer o uso adequado das
ferramentas tecnológicas que estão disponíveis.
A partir do conhecimento de que as tecnologias estão presentes no cotidiano
profissional bibliotecário de maneira consolidada, faz-se necessário possuir aptidão
e qualificação no uso correto dos aportes tecnológicos, caso se queira alcançar
resultados satisfatórios, principalmente no que tange ao atendimento das
necessidades informacionais dos usuários. Diante do contexto apresentado,
chegamos a seguinte problematização: quais as possibilidades do Watson1 ser
implementado em conjunto com as atividades realizadas nas bibliotecas, fazendo
com o que essas ações sejam dinâmicas e interativas?
Sendo assim, o objetivo geral desta pesquisa é mostrar como o Watson
pode ser utilizado nas bibliotecas como um diferencial na busca por informações.
Já os objetivos específicos visam compreender o processo de funcionamento de tal
tecnologia; e explicar quais as vantagens o bibliotecário terá ao possuir essa
ferramenta no seu ambiente de trabalho.
O tema em estudo é relevante, no que tange para verificar como essa
ferramenta tecnológica traria novidades às bibliotecas, sobretudo no que se refere
ao atendimento dos interagentes (usuários).
1

Plataforma de serviços cognitivos da IBM para negócios, a cognição consiste no processo que a
mente humana utiliza para adquirir conhecimento a partir de informações recebidas.

�Quando se pensa em tecnologias com características avançadas, a
cronologia tende a ser recente. Entretanto, a Inteligência Artificial foi apresentada
pela primeira vez em 1956, pelo cientista John MacCarthy. De acordo com o
estudioso “[...] é uma área de pesquisa que envolve disciplinas como computação,
cognição e aprendizagem, e pretende fazer com que as máquinas sejam capazes
de ter inteligência” (HAYKIN, 1994, p. 35).
A segmentação da Inteligência Artificial foi apresentada da seguinte forma:
IA Fraca e IA Forte. Na primeira, teríamos computadores que podem simular
algumas tarefas realizadas pela mente humana e seriam denominadas de IA Fraca.
Na segunda, os computadores seriam autônomos e totalmente capazes de
raciocínio e emoções (IA Forte) (SEARLE, 1987). O Watson está englobado na IA
Forte, pois o trabalho realizado pela tecnologia está diretamente relacionado ao
atendimento direcionado para pessoas.
As Redes Neurais, outro tipo de Inteligência Artificial, são entendidas,
conforme Martins, (2010, p. 6) como “[...] sistemas que geram classificações de
forma automática ou semiautomática a partir do que elas conhecem, ou seja, elas
podem ser treinadas para reconhecer ou classificar informações”.
A partir do levantamento histórico e tipologias de Inteligência Artificial, na
próxima seção apresentar-se-á a metodologia para o desenvolvimento da referida
pesquisa.
Método da pesquisa
O procedimento metodológico foi dividido em duas vertentes: no primeiro
momento foi caracterizado pela pesquisa bibliográfica, que apresenta como
características o fato de ser “[...] elaborada com base em material já publicado,
tradicionalmente, esta modalidade de pesquisa inclui material impresso [...].
Todavia, em virtude da disseminação de novos formatos de informação, [...] o
material disponibilizado na internet é inserido nessa tipologia de pesquisa” (GIL,
2017, p. 28).
Após essa primeira etapa, passou-se utilizar a pesquisa exploratória, a fim
de “proporcionar maior familiaridade com o problema e o tema pesquisado, com
vistas a torná-los mais explícitos ou a construir hipóteses” (GIL, 2017, p. 35). O
objetivo é fazer o levantamento de informações sobre uma tecnologia em
específico, delimitando, dessa forma, um campo de pesquisa a ser explorado.
As escolhas dessas tipologias metodológicas se deram pelo fato de estarem
em alinhamento com o desenvolvimento da pesquisa sobre a referida temática,
apresentando consonância no que diz respeito ao “levantamento bibliográfico e
análise de exemplos que estimulem a compreensão” (GIL, 2017, p. 35).
Resultados e Discussão
Para entendemos melhor o que seria o Watson, Rhodin (2017, online),
assevera que:

�O Watson é a plataforma de inteligência artificial da IBM que combina
Machine Learning e softwares sofisticados de análise de dados para
entender perguntas mais complexas que os seres humanos fazem, inclusive
em sua linguagem natural, e dar respostas compreensíveis sobre as mais
diversas áreas e aplicações.

A partir dessa conceituação, pode-se perceber quantas características
valorosas essa tecnologia tem a oferecer ao ser humano e, com isso, fazer um
paralelo com os serviços e produtos implementados nas bibliotecas, visando a
disseminação de informações aos usuários. Para visualizar melhor esse contexto,
Scala (2017, online) esclarece que:
O IBM Watson é capaz de entender e captar dados de documentos, artigos,
anotações feitas à mão, fotos, vídeos, desenhos, áudios, pdfs, páginas da
internet, posts de redes sociais etc, os chamados dados não estruturados.
Trata-se de um sistema cognitivo que pode entender esses dados, aprender
com eles e raciocinar a partir deles. A plataforma se vale da linguagem
humana, da forma como ela se apresenta, e da inteligência artificial para
analisar quantidades gigantescas de dados, fazer análises preditivas e
fornecer respostas.

Passando para o histórico, remonta-se a fevereiro de 2001, no qual,
consoante Scala (2018, online):
O IBM Watson ganhou notoriedade ao vencer dois campeões históricos do
programa americano Jeopardy! No confronto máquina x homens, Watson
levou a melhor, durante 3 episódios do programa, ao analisar 200 milhões
de páginas de livros para responder, em segundos, às perguntas feitas pelo
apresentador do programa. E que perguntas! Watson é capaz de entender a
linguagem, o jogo de palavras, o duplo sentido, a ironia e separa a
informação relevante daquela “enrolação” que muitas vezes acompanha o
raciocínio humano.

Foi projetado por especialistas com o intuito de vencer o programa, o que
desencadeou uma série de outras possibilidades para o uso da tecnologia, levando
ao seu aprimoramento. O Watson representa uma nova geração de softwares, que
pode encontrar respostas em dados não estruturados de forma mais eficiente do que
a atual tecnologia de buscas e pesquisas (SCALA, 2018). A seguir, tem-se uma
imagem representativa dessa tecnologia.
Imagem 1 – Logomarca

Fonte - Google Imagens (2019, online)

A cerca de um exemplo prático do seu uso, temos a Pinacoteca de São

�Paulo, na exposição ‘As vozes da Arte’ no qual foi possível interagir com o Watson,
que está treinado para tirar dúvidas a respeito das esculturas e pinturas, a interação
acontece da seguinte forma:
[...] Por meio de um kit com celular e fones de ouvido entregues no início da
exposição, bem similar com os acessórios tradicionais de visita guiada por
áudio. A diferença é que, em vez de um guia contínuo, você interage no
momento que preferir e com qualquer pergunta. Ao entrar numa sala com
uma das obras disponíveis, a voz feminina do Watson comenta brevemente
sobre o trabalho e instiga o visitante a querer saber mais – foram instalados
pequenos beacons que identifica a presença do visitante com o celular. No
espaço da obra “Ventania” de Antônio Parreiras, por exemplo, ela comenta
sobre a sensação de frio que a personagem da pintura poderia estar
sentindo (FEITOSA JÚNIOR, 2017, online).

Diante do conceito, histórico e aplicabilidade, o que essa tecnologia pode
fazer para empresas, bibliotecas, Centros de Informação e Documentação? Scala
(2017, online) apresenta as seguintes possibilidades:
 Responder dúvidas, sejam elas de pesquisadores, do mercado, de
clientes, do SAC;
 Extrair informações importantes, analisando milhares de documentos;
 Revelar insights,
estruturados;

padrões

e

correlações

entre

dados

não

 Fazer análises preditivas para identificar a probabilidade de
resultados futuros.

Essas perspectivas podem ser aplicadas nas bibliotecas, abrangendo desde a
Referência e se aprofundando aos Estudos de Usuários. O funcionamento acontece
por meio da aplicação da Inteligência Artificial, o qual venha ter autonomia para
dialogar com os usuários. Cabe ao bibliotecário aplicar seu capital intelectual aliado
às técnicas biblioteconômicas, fazendo uso da criatividade para tornar essa
tecnologia atrativa ao interagente (usuário).
Durante a implantação, um indivíduo “[...] especialista em determinada área
irá alimentar o sistema com as regras necessárias, para que posteriormente o
sistema possa dar respostas coerentes para um determinado problema” (MARTINS,
2010, p. 5). Portanto, a ideia global é que, a partir de um questionamento formulado
pelo usuário, seja possível obter respostas que sejam compatíveis com a questão
apresentada, de forma proficiente.
Nas bibliotecas, um exemplo prático da aplicabilidade do Watson seria no
acervo, no qual o interagente (usuário) dirige-se a um livro e, por meio da
comunicação com a TIC, poderia fazer perguntas referentes à obra e teria a
resposta ao seu questionamento, de maneira dinâmica e interativa. Além disso,
bibliotecas com acervos especiais (cartografia, partituras, discografia, dentre outras
modalidades) também podem fazer uso do Watson.
Diante desse cenário, percebe-se que as vantagens para o bibliotecário estão
em torno da possibilidade de disponibilizar ao usuário um serviço atrativo, interativo
e dinâmico.

�Considerações Finais
No transcurso do trabalho, os objetivos, tanto geral como específicos, foram
alcançados com êxito, tornando a pesquisa satisfatória, principalmente nos
resultados obtidos.
Para estudos futuros, o Watson, pode ser pesquisado na perspectiva de
poder auxiliar nas demais atividades realizadas pelas bibliotecas, além do Serviço
de Referência, como por exemplo no que se refere a: catalogação, indexação,
classificação, dentre outras atividades. No contexto do empreendedorismo, pode
ser estudado no segmento das Startups, por exemplo: direcionar as possibilidades
em termos de gerenciamento, organização, disseminação da informação e demais
atividades que podem vir a ser exploradas com essa tecnologia.
O Século XXI está sendo marcado pela Sociedade da Informação, no que
tange à expansão desenfreada das tecnologias. Em razão disso, as bibliotecas não
podem deixar de ter na tecnologia um aliado que venha otimizar e qualificar tanto o
tempo como a eficiência no serviço efetuado, visando atender com presteza as
necessidades informacionais dos interagentes.
Referências
AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. Presidential Committee on Information
Literacy: final report. Washington, D.C., 1989. Disponível em:
http://www.ala.org/ala/mgrps/divs/acrl/publications/whitepapers/presidential.cfm.
Acesso em: 16 fev. 2019.
FEITOSA JÚNIOR, Alessandro. Batendo um papo com o Watson sobre obras
de arte na Pinacoteca de São Paulo. 2017. Disponível em:
https://gizmodo.uol.com.br/exposicao-a-voz-da-arte-pinacoteca-ibm/. Acesso em:
14 jun. 2019.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo:
Atlas, 2017.
HAYKIN, Simon S. Neural networks: a comprehensive foundation. New York:
Macmillan College Publishing, 1994.
MARTINS, A. L. Potenciais aplicações da inteligência artificial na ciência da
informação. Informação &amp; Informação, Londrina, PR, v. 15, n. 1, p. 1-16, 2010.
Disponível em: http://www.brapci.inf.br/index.php/res/download/44515. Acesso em:
30 jan. 2019.
RHODIN, Mike. Revolução em campo: a resposta da inteligência artificial aos
desafios humanos. Rio de Janeiro, 2017. Disponível em:
https://endeavor.org.br/estrategia-e-gestao/desafios-inteligencia-artificial-ceosummit/. Acesso em: 10 fev. 2019.
SEARLE, J. R. Mente, Cérebro e Ciência. Lisboa: Edições 70, 1987.
SCALA, Stefanini. Computação cognitiva. São Paulo, 2018. Disponível em:
http://scalait.com/computacao-cognitiva/. Acesso em: 9 fev. 2019.

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