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                  <text>As tecnologias e o processo de ensino-aprendizagem: um caminho
para a cidadania.

Ana Paula Matos Bazílio (UFF) - anapaulambazilio@yahoo.com.br
Verônica de Souza Gomes (UFF) - veronisg@yahoo.com.br
Resumo:
O presente trabalho é fruto da disciplina: Educação, Tecnologias e Cultura Digital do
Programa de Doutorado em Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade Federal de São
Carlos. Esse artigo, parte do seguinte princípio: Como o processo de letramento digital pode
influenciar nos processos de inclusão social e inclusão digital? O texto aborda reflexões sobre
as categorias de classificação de sociedade: ágrafa, grafocêntricas tradicionais e
grafocêntricas digitais. Enfatizando assim, o processo de letramento e sua relação com o papel
de democratização, e o emprego das tecnologias na educação. O presente artigo é um ensaio
teórico. Sendo realizado um breve levantamento bibliográfico sobre os seguintes temas:
educação, tecnologia, letramento tradicional, letramento digital, letramento digital crítico.
Conclui-se que, as novas tecnologias digitais na educação promove uma maior integração de
lugar e tempo, e interliga o mundo físico e o mundo digital.
Palavras-chave: Letramento digital. Letramento digital crítico. Cidadania.
Eixo temático: Eixo 4: A expansão desenfreada das tecnologias

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�XXVIII Congresso Brasileiro
de Biblioteconomia e
Documentação
Vitória, 01 a 04 de outubro de 2019.

INTRODUÇÃO:
A opção de breve análise, neste trabalho é debater sobre o processo de
letramento na educação, onde em países subdesenvolvidos como o Brasil
grande parte da população encontra-se excluída dos direitos básicos. O Brasil,
ainda é um país fortemente marcado pelas desigualdades sociais e mazelas
como: fome, pobreza, analfabetismo, analfabetismo funcional, saúde e
educação precária. Em um país extremamente desigual como o Brasil a
educação e a tecnologia digital ainda não é para todos. Neste sentido, como
configura-se os processos de letramentos tradicionais e letramento digitais? O
letramento digital pode contribuir para o letramento tradicional?
Os sujeitos que não dominam o código escrito em um processo de
alfabetização, e mais ainda não conseguem entender, questionar e avaliar as
informações recebidas, em um processo mais amplo, que se configura como
letramento, ou seja, esses sujeitos correm o risco de ficarem à margem da
sociedade contemporânea. Por tudo isso, faz-se necessário a discussão sobre
letramento e letramento digital no contexto da educação.
Assim, este trabalho é um ensaio teórico, realizado a partir de um
levantamento bibliográfico que partiu do ​seguinte princípio: como os conceitos
de letramento, letramento digital podem influenciar nos processos de inclusão
social e inclusão digital?
LETRAMENTO DIGITAL NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO:
Inicialmente traremos ​uma noção muito ampla de tecnologia, como aquilo que
o ser humano desenvolve para si e para se relacionar com o mundo.
Perpassando pela noção de utilidade. Podendo ser dividi​d​a em: tecnologia,
tecnologia digital, tecnologia de informação e comunicação, tecnologia digital
de informação e comunicação, tecnologias educacionais.
Faz-se necessário refletirmos sobr​e os processos de ensino-aprendizagem,
analisando brevemente como a tecnologia e a educação se relacionam. Visto
que ao longo dos anos a educação vem utilizando diferentes dispositivos
tecnológicos na melhoria do processo de ensino-aprendizagem.

�Antes de iniciarmos essa discussão podemos depreender na perspectiva de
Mill (2018, p. 2) como a sociedade pode ser classificada segundo a tecnologia
de informação e comunicação utilizada: “sociedades ágrafas, grafocêntricas
(tradicionais) e grafocêntricas digitais”. De acordo com o autor, a sociedade
ágrafa é marcada pela oralidade, lembranças com poucos registros. Já as
sociedades grafocêntricas surgem com a invenção da escrita como forma de
produzir, registrar e produzir conhecimento.
Na sociedade grafocêntrica tradicional surge um processo de exclusão, de
quem não domina o código escrito, configurando-se no analfabetismo.
Atualmente, com acelerada expansão das tecnologias digitais de informação e
comunicação (TDIC) surge a sociedade grafocêntrica digital que tem como
predominância a leitura e escrita no ambiente digital. Neste tipo de sociedade,
emerge mais um tipo de exclusão: a digital.
Conforme Buzato (2009), a escrita da língua nacional institui uma pré-condição
para o exercício de cidadania, fundamentada e defendida com base na letra da
Lei. Escolas e bibliotecas públicas são uns dos mecanismos e canais mínimos
de acesso ao letramento, devendo ser uma obrigação do Estado o
oferecimento desses ambientes. O letramento também é uma forma de abrir
possibilidades de acesso do cidadão a espaços de participação política. Assim,
quanto maior for o domínio do conhecimento, melhores serão as condições de
participação ativa do cidadão na sociedade.
Mill e Jorge (2012, p. 9) ressaltam que o processo de inclusão na sociedade
digital tem uma problemática mais agravante para ser incluído digitalmente, o
indivíduo precisa saber no ​mínimo ​ler, escrever e conhecer as tecnologias. O
conhecimento não pode ser apenas superficial da sociedade tecnológica, exige
um certo domínio dos signos da linguagem e do código. ​A falta dessas
práticas, mesmo que de forma não intencional, já demonstra que as
tecnologias já na sua origem acabam por serem excludentes.
Destarte, o letramento digital pode ser conceituado como:
Um certo estado ou condição que adquirem os que se
apropriam da nova tecnologia digital e exercem práticas de
leitura e de escrita na tela, diferente do estado ou condição do
letramento dos que exercem práticas de leitura ou de escrita no
papel (SOARES, 2002, p. 151).

Podemos depreender ​que de uma forma bem ampla​, letramento digital
relaciona-se com a habilidade de leitura e escrita em ambientes digitais. Sendo
que o letramento tecnológico em sua noção mais ampla tem relação com a
fluência do uso da tecnologia em geral.

�Deste modo, o que buscamos problematizar neste trabalho foi a noção de
letramento digital crítico:
Em que não se pressupõe apenas o uso da leitura e da escrita
em suas múltiplas linguagens em ambientes digitais, mas
também o questionamento da produção e da circulação desse
material na rede de computadores. Esse processo exige níveis
mais elaborados de manipulação de determinadas tecnologias,
além da leitura e da escrita. (PINHEIRO; ARAUJO, 2018, p.
386).

Consequentemente, o letramento digital crítico e​nvolve a navegação, ou seja, a
busca pela informação (saber localizar, filtrar e avaliar)​, a leitura propriamente
dita, e o questionamento crítico dos materiais da rede. Não basta os indivíduos
saberem apenas ler e escrever nos ambientes digitais, os indivíduos precisam
estar aptos para questionar, criticar e interagir com essas informações na
cultura digital. O sujeito deixa de ser um ser estático, receptor de informações,
e passa ser um sujeito ativo, que interage com a informação no ambiente
digital.
Vários autores na literatura usam a expressão letramentos no plural, porque
não se tem condições de ser letrado em tudo. Por esse motivo, a necessidade
de abordarmos a expressão multi letramentos. O letramento digital vai ser
sempre infinito, ou seja, sempre vai haver uma nova tecnologia em que os
sujeitos não dominam.
Letramento ou mais precisamente letramentos, são práticas
sociais e culturais que têm sentidos específicos dentro de um
grupo social, que ajudam a manter a coesão e a identidade do
grupo, e são apreendidos em eventos coletivos do uso da
leitura e escrita, e por isso são diferentes em diferentes
contextos sociais (BUZATO, 2006, p. 4).

Acompanhado as mudanças na sociedade de ágrafas, para grafocêntrica
tradicional e por fim para a sociedade grafocêntrica digital é conveniente
refletirmos sobre o tema letramento digital crítico, pois acreditamos que esse
tipo de letramento pode auxiliar na formação do cidadão questionador, crítico e
ativo na sociedade contemporânea. Por tudo isso, na educação começa a
emergir vários tipos de letramentos para acompanhar as mudanças advindas
da sociedade.
METODOLOGIA:
A metodologia adotada no presente trabalho é um ensaio teórico, tendo como
embasamento os textos debatidos na disciplina Educação, Tecnologias e
Cultura Digital do Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciência,
Tecnologia e Sociedade da UFSCar. A fim de, enriquecer os nossos
questionamentos realizamos um breve levantamento bibliográfico nas

�seguintes bases de dados: BRAPCI, SCIELO e Google Scholar. O tema que
norteou a nossa pesquisa foi: a relação entre educação, tecnologia e
letramento (tradicional e digital).
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
A possibilidade de fazer parte dos considerados letrados digitais, traz maiores
possibilidades de inclusão e condições de ter mais poder de influência na
sociedade. O combate à exclusão digital deve fazer parte do conjunto de
práticas sociais e da luta contra a desigualdade social.
O conceito de letramento digital crítico foi o que norteou o nosso trabalho, pois,
essa noção envolve a emancipação e a capacidade crítica dos sujeitos no que
diz respeito ao acesso às tecnologias digitais. Essa criticidade depende da
formação do cidadão que prioritariamente acontece através primeiramente da
alfabetização e posteriormente do letramento e mais ainda do letramento digital
crítico.
Portanto, a ideia de criar um ambiente inovador, fortalecer a capacidade de
pesquisa e a formação de recursos humanos, desenvolver programas
estratégicos de forma colaborativa, tudo isso se insere no processo
Educacional, na busca pela melhoria do processo ensino-aprendizagem.
Assim, considera-se que também seja interessante a realização de estudos
que abordem o papel que as bibliotecas tendem a desenvolver como um canal
para o desenvolvimento do cidadão, por meio do letramento.
Por fim, destacamos que a sociedade se transforma, e nem sempre a
educação consegue acompanhar essas mudanças sociais. Em nosso breve
levantamento bibliográfico acreditamos que a educação e o processo de
letramento propiciam a formação de um cidadão mais ativo, participativo e
consciente. Conclui-se que as novas tecnologias digitais na educação, traz
consigo o processo de integração de lugar e tempo, e interliga o mundo físico e
o mundo digital.
REFERÊNCIAS:
BUZATO, Marcelo El Khouri. Letramento digital: um lugar para pensar em
internet, educação e oportunidades. In: CONGRESSO IBERO-AMERICANO
EDUCAREDE, 3., São Paulo, 2006. ​Anais​… São Paulo: CENPEC, 2006.
_____________. Letramento e inclusão: do estado-nação à era das TIC.
D.E.L.T.A.​, v. 25, n. 1, p. 1-38, 2009.
MILL, D. Reflexões sobre a relação entre Educação e Tecnologias: algumas
aproximações. In: CAVALCANTI, M. J.; HOLANDA, P.; TORRES, A. L. (Org.).

�M ​Tecnologias da educação​: passado, presente e futuro. Fortaleza: Edições
UFC, 2018. p. 27-47.
MILL, Daniel; JORGE, Glaucia. Sociedades grafocêntricas digitais e educação:
sobre letramento, cognição e processos de inclusão na contemporaneidade. In:
MILL, Daniel (Org.). ​Escritos sobre educação: ​desafios e possibilidades para
ensinar e aprender com as tecnologias emergentes. São Paulo: Paulus, 2012.
PINHEIRO, R.; ARAÚJO, J. Letramento tecnológico (verbete). In: MILL, D.
(Org.).​ Dicionário crítico de Educação e Tecnologias e de Educação a
Distância​. Campinas: Papirus, 2018. p. 390.
SOARES, M. Novas práticas de leitura e escrita: letramento na cibercultura.
Educação e Sociedade​, Campinas, v. 23, n. 81, 2002.

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