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                  <text>O DISCURSO DO BIBLIOTECÁRIO DA BIBLIOTECA PÚBLICA DE
SANTA CATARINA SOBRE EXCLUSÃO SOCIAL

Aline Viani Brito (UFSC) - lini_liviani@hotmail.com
Ana Cláudia Perpétuo de Oliveira (UFSC) - anacpo72@gmail.com
Resumo:
Resumo: O estudo aborda a questão dos processos de exclusão social através do discurso do
bibliotecário. Objetiva analisar as representações dos bibliotecários da Biblioteca Pública de
Santa Catarina a respeito dos processos de exclusão social em seu ambiente de atuação.
Apresenta a Biblioteca Pública de Santa Catarina, expõe sobre o bibliotecário atuante em
biblioteca pública e trata a respeito de situações de exclusão em ambientes de biblioteca. A
pesquisa, do tipo qualitativa, utiliza como base metodológica a Teoria das Representações
Sociais (TRS) e o tratamento por parte do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Realiza a análise
com base no discurso de sete bibliotecários atuantes na Biblioteca Pública de Santa Catarina.
Busca informações sobre as circunstâncias culturais, sociais e econômicas em que se situam
os informantes, sobre seu ambiente de trabalho, levanta posições acerca da função social da
biblioteca pública e da atuação ética do bibliotecário. Por fim, analisa os conceitos de exclusão
expressos por estes profissionais, fazendo a reflexão com a vivência ética prestada nos
serviços e os conceitos de exclusão social.
Palavras-chave: Biblioteca pública - Santa Catarina. Bibliotecário. Exclusão social.
Eixo temático: Eixo 3: Cultura do privilégio

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�Eixo Temático: Eixo 3: Cultura do privilégio
Resumo expandido
Os indivíduos modificam e impactam sua própria vida e a das pessoas ao seu redor
no agir e no não agir, na ação e na ausência dela. O bibliotecário em seu contexto de
atuação também se insere nessa dinâmica. Ele pode atuar em vários tipos de bibliotecas
(escolares, públicas, especializadas, universitárias...). Os que atuam em bibliotecas públicas, por exemplo, que atendem usuários diversos, tem como responsabilidade acolher os
interesses da comunidade sem qualquer tipo de distinção ou discriminação.
Introdução: A forma de lidar com indivíduos diversos é um desafio colocado permanentemente diante dos profissionais que atuam nestes ambientes como os de bibliotecas
públicas e comunitárias. Muitas vezes os bibliotecários podem ou não estar preparados
para este tipo de atendimento e, portanto, atitudes de exclusão podem influenciar a prestação de serviço que é dada ao público usuário desta categoria específica de bibliotecas,
fatos revelados, por exemplo, em estudos como os de Silva (2017) e Machado (2008).
Nesse sentido, seu papel enquanto aparato do mecanismo estatal para promover o acesso
à informação a todos os cidadãos, pode ser afetado. O problema central abordado está
apoiado na percepção dos bibliotecários que atuam nas bibliotecas públicas acerca de processos de exclusão social, já que são uma parte fundamental para construção e efetividade
dos serviços prestados nestes ambientes, responsáveis por sua gestão e pela defesa do
direito dos usuários, principalmente, aqueles que necessitam da informação para se colocar
diante das questões cotidianas como a desigualdade social. Nesse sentido, que pensam
sobre a questão? Este estudo objetivou analisar as representações dos bibliotecários que
atuam nesta Instituição a respeito dos processos de exclusão social em seu ambiente de
atuação.
A abordagem conceitual da pesquisa foi elaborada a partir das temáticas sobre bibliotecas públicas, mais precisamente a Biblioteca Pública de Santa Catarina, sobre os bibliotecários e a questão da exclusão social. Para ter acesso às percepções dos bibliotecários foi necessário escutar os profissionais que atuam na biblioteca pública em questão
sobre a temática da exclusão nestes ambientes.
Metodologicamente, considerando uma perspectiva fenomenológica, este estudo utiliza a Teoria das Representações Sociais (TRS) de Moscovici, fazendo uso de questionário
para a coleta dos dados e entrevista semiestruturada para a coleta dos discursos.

�Os discursos são o material mais importante para o alcance do principal objetivo
desta pesquisa. Ele foi tratado e analisado conforme a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) de Fernando Lefévre e Ana Maria Lefévre. A partir da fala coletiva resultante
da aplicação desta técnica, que será referida no estudo como a fala do “sujeito coletivo”, foi
possível realizar a análise para reflexão posterior nas considerações finais.
Método da pesquisa: Pesquisa de abordagem qualitativa em perspectiva fenomenológica
e com apoio na Teoria das Representações Sociais (TRS) – teoria que valida o senso comum e saberes da vida cotidiana. Foram utilizados como instrumento metodológico o questionário e a entrevista. O questionário complementa no processo de aprofundamento e é
responsável por coletar questões socioeconômicas dos entrevistados. A entrevista constitui
o principal instrumento metodológico por ser mecanismo para a produção do discurso e
resgate das percepções. As entrevistas foram realizadas presencialmente com o auxílio de
um gravador de áudio. As entrevistas foram transcritas posteriormente para tratamento e
análise dos dados que teve como técnica o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). No artigo,
as falas transcritas aparecem em itálico.
A identidade dos respondentes foi preservada e a pesquisa se deu pautada nos
pressupostos de ética na pesquisa. Foi elaborado o Termo de consentimento livre e esclarecido, assinado por todos sete entrevistados, explicando sobre o estudo e tornando-o
consciente de sua participação livre e consciente. As questões elaboradas para a entrevista
pretenderam provocar a percepção sobre a questão da exclusão social de sete bibliotecários que atuam na Biblioteca Pública de Santa Catarina.
Resultados e discussão: Nos dados coletados pelo questionário, percebe-se a predominância do sexo feminino, indivíduos solteiros, de cor branca, um coletivo que abrange duas
gerações diferentes, nascidos entre 1964 e 1985. Na amostra total de sete questionários
aplicados, uma pessoa se declarou como homossexual e seis como heterossexuais e nenhum se declarou deficiente. É um coletivo de indivíduos que, em sua maioria, buscou qualificação em nível de pós-graduação e que revela na atuação na Biblioteca Pública em questão, sua primeira experiência profissional como bibliotecário, via concurso público, com exceção de um entrevistado que ingressou através de indicação política. As atividades que
os entrevistados julgam que ocupam mais seu tempo e que eles percebem como mais relevantes em sua função são as relacionadas ao atendimento ao usuário e ao tratamento
técnico da informação.

�Como resultado das entrevistas o “sujeito coletivo” manifestou o que representa
como função social da biblioteca pública, como boa prática ética do Bibliotecário que atua
nestes serviços, sua definição de exclusão social e a percepção destes profissionais sobre
situações de exclusão que podem acontecer nas bibliotecas e fora dela. Em ideias gerais
o sujeito coletivo destaca sobre a função social da biblioteca a questão do atendimento,
que também é predominante nas respostas do questionário. Mais especificamente em seu
discurso aparece o atendimento indiscriminado que se relaciona com as recomendações
da IFLA (1994). Para além do atendimento informacional foi mencionada, também, uma
atitude convidativa do bibliotecário para a frequencia nestes ambientes, [...] atender as necessidade não só de informação, mas de esclarecimento de questões do dia a dia[...], [...]
promover oportunidade,[...]oferecer serviços além do contato livro e com a pesquisa e sim
o diálogo a introdução as letras, a introdução ao enxergar a cidadania[...]. De fato, Castrillón
(2011) estabelece um entendimento mais ampliado destes ambientes, que promovem o
encontro, propiciam o debate que incluem temas sobre maiorias e minorias e que faixas
etárias diferentes, em condições diversas, leitores e não leitores, com escola e sem escola,
possam encontrar resposta para seus problemas e percebam perspectivas.
Outra percepção relevante no contexto deste estudo, é a percepção de que o acolhimento também é função social da biblioteca pública. Acolher significa “receber em sua
casa, receber com agrado, recolher-se, refugiar-se” (AURELIO, 2018). O acolhimento está
para além do atendimento, tem algo de afeto, de bem querer. Parece atribuir ao bibliotecário
ou demais agentes que atuam nestes ambientes, uma necessidade de sentir o usuário,
construir proximidade, buscar o usuário para fazer parte da biblioteca e a mesma, ter o
papel de local seguro para os indivíduos.
Outro contexto expressivo foi levantado como função social no discurso coletivo
a[...]questão da identidade e da memória documental [...] (LE GOFF, 1984) trata a memória
coletiva como ferramenta importante para a não dominação dos mecanismos de manipulação que se utilizam dos esquecimentos e silenciamento. “Tornar-se senhores da memória
e do esquecimento é uma das grandes preocupações das classes, dos grupos, dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades históricas. ” (LE GOFF: 1984, p.13)
O sujeito coletivo destaca como boa prática ética do bibliotecário que atua nestes ambientes
o atendimento e a satisfação dos usuários, bem como a questão de se manter neutro. A
questão da neutralidade pode ser contestada em frase pontual de Desmond Tutu (nascido
em 7 de outubro de 1931), bispo sul-africano que se tornou conhecido na década de 1980
graças à sua oposição ferrenha ao apartheid. Ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1984. "Se
você é neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor."

�O sujeito coletivo define exclusão social como a [...]não oportunidade, [...]o impedimento[...]da produção cultural, produção escolar, [...]produção [...] política[...]. Mencionam
também sobre [...] limitar o acesso de um morador de rua[...]preconceito, discriminação com
as pessoas[...] e destacam situações de exclusão social que podem ocorrer em diversos
ambientes, inclusive na biblioteca pública. Alguns processos de exclusão destacados tiveram relação com [...]morador de rua vindo para cá malcheiroso; [...]biblioteca tem muito
preconceito com moradores de rua [...] limitar a entrada de moradores de rua[...][...] ser
retirado daqui[...]. Vieira; Bezerra; Rosa, (1994), expoem que os moradores de rua são parte
de um grupo inserido em processos de exclusão social, numa sociedade que os rechaçam
e nutrem um preconceito.
Considerações Finais: Ao expressar-se o sujeito coletivo coloca questões que se relacionam com a exclusão que são relativas a ideia de não oportunidade, de preconceito, de
limitação. Como trabalhar em bibliotecas públicas para romper “muros” que impedem o
acesso de grupos de pessoas, se ainda trabalhamos com a ideia da neutralidade? Se desejamos ver grupos incluídos em ambientes de emancipação como é o caso das bibliotecas
públicas, não podemos ser neutros. Essa ideia de neutralidade pode colaborar para uma
postura de não envolvimento, de não comprometimento.
Os bibliotecários atuantes na Biblioteca Pública de Santa Catarina, destacaram
como função social da biblioteca o atendimento, ficando como um desejo revelado, o atendimento para além de qualquer barreira, elevando o atendimento para a satisfação do usuário, tornando a biblioteca um local possível para todos. Outra questão bastante evidenciada foi a limitação, quando perguntado a respeito da postura ética dos profissionais, bem
como nos posicionamentos a respeito das questões acerca de processos de exclusão social.
A definição deste termo foi muitas vezes associada aos ambientes não acessíveis para
pessoas com deficiência física ou dificuldade de locomoção, não considerando outros tipos
de exclusão que possam superar essa dimensão.
Grande parte destacou a limitação, também acerca dos moradores de rua que frequentam a biblioteca, ao qual podemos agregar outros sentidos, não só a restrição de
acesso ao ambiente, mas a privação de todos os outros serviços e oportunidades que a
biblioteca possa vir a oferecer para esse indivíduo. Com isso, é possível perceber que o
bibliotecário atuante em biblioteca pública é uma das peças mais importantes para os processos de democratização e promoção do acesso igualitário dentro do ambiente e que por
vezes a exclusão social é tratada como uma questão secundária.

�Referências:
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Porto Alegre, v. 11, n. 2, p. 337-368, jul./dez. 2005. Disponível em: &lt;https://seer.ufrgs.br/EmQuestao/article/view/124/82&gt;. Acesso em: 13 nov. 2018.
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&lt; http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/1257/970&gt;. Acesso em: 13 nov.
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UNIDOS PELOS DIREITOS HUMANOS. DEFENSORES DOS DIREITOS HUMANOS DESMOND
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