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                  <text>Realidade do usuário autista nas unidades de informação: estudo
de caso

Vinicius Alves dos Santos (UFMG) - viniciusalves102011@hotmail.com
Resumo:
Apresenta as inferências e resultados preliminares de uma pesquisa em andamento, objetivada
na busca pelo aprimoramento dos serviços de referência nas unidades de informação, visando
atender com maior inclusão e potencial adaptativo do local e dos serviços prestados, para
sujeitos que são autistas de alto e moderado funcionamento. O Transtorno do Espectro Autista
é exposto com suas principais peculiaridades e dificuldades, frente à uma sociedade
despreparada para recepcioná-los. Similarmente é indicada a metodologia de investigação que
ocorre por intermédio de questionário e entrevistas com autistas dentro das categorias
informadas anteriormente, para a partir de seus respectivos relatos serem tracejadas medidas
de adequação dos trabalhos desenvolvidos nas bibliotecas. Além disso, alguns resultados
preliminares são mostrados servindo de apontamento para as questões que carecem de ser
melhoradas nas unidades de informação. Os resultantes foram questionamentos dos autistas
acerca da mobília, iluminação, estruturação dos locais de estudo e medidas de inclusão. O que
se conclui é que os bibliotecários carecem de assumir seu papel de gestor, para
proporcionarem um ambiente mais integralizador e desenvolvimentista para as capacidades
dos autistas.
Palavras-chave: Autismo; Serviços de Referência; Acessibilidade e Inclusão; Gestão.
Eixo temático: Eixo 2: Não devemos deixar ninguém para trás

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�1 INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio neurológico que é
designado por uma variação na comunicação social, e com a apresentação de
comportamentos repetitivos e estereotipados. Os indivíduos que apresentam essa
condição, encontram diversas dificuldades em sua inserção no corpo social, em
relação à apreensão de informações e interação com o meio. Um dos mais
expressivos fatores para essa realidade dificultosa, são as fundamentações dos
processos cognitivos do ‘sujeito comum’, serem a oralidade e a escrita, ou seja, a
“vigente” no corpo social. Brito et. al. (2016) corroboram:
Este “fazer sentido”, ainda não pode acontecer para alguns
indivíduos porque os elementos com os quais comumente se
constróem os códigos de linguagem, simplesmente estão
ausentes para eles. A oralidade está na base de nosso
sistema de escrita e para muitos ela não pode existir, devido
a barreiras funcionais. Para indivíduos nascidos surdos,
autistas e tantos outros, certas conexões cognitivas não se
realizam porque encontram-se no estado do “sem nome”, do
vazio indiferenciado. (BRITO et. al., 2016, p. 4, grifo do
autor).

Ponderando acerca de tal problemática, este artigo possui o propósito de retratar uma
pesquisa em andamento, que busca reflexionar em relação à estrutura das bibliotecas
e/ou centros de documentação, e o serviço de referência, tencionando construir uma
proposta de proximidade para dialogar com esses usuários, oportunizando o seu
desenvolvimento e acesso facilitado à informação.
A principal hipótese da investigação, é que as bibliotecas pelo que se verifica
na literatura desenvolvem poucas ações voltadas para esse tipo de usuário; não há
adaptação ou intencionalidade em atender ou contribuir para o desenvolvimento de
utentes dentro do espectro autista. Isso acaba excluindo e/ou afastando alguns, ou
contribuindo para que outros não tenham suas necessidades informacionais,
comunicacionais e relacionais aprimoradas e adaptadas.
A proposição a ser desenvolvida e concebida, se justifica quando se analisa o
cenário das bibliotecas brasileiras e as debilidades encontradas pelos profissionais
atuantes nessa dada conjuntura, pensando nos usuários pertencentes ao Transtorno
do Espectro Autista. Os indivíduos que se enquadram no TEA apresentam limitações
referentes às competências interpessoais, que encaminham consequências como:
deficiência na comunicação verbal e não verbal, anormalidade do contato visual,
internalização de sentimentos, interesses obsessivos, e padrões ritualísticos e
restritivos. A motivação para a realização do trabalho, foi a efetuação de um estágio
em uma biblioteca escolar numa escola federalizada no período de 9 meses onde
havia uma criança autista. Seu isolamento, repetições comportamentais e sua
distinção dos demais sujeitos, incitaram a procurar saber sobre o que era o autismo.
A partir daí, vêm-se buscando sistematizar um projeto aplicável, que procure

�contribuir minimamente na adaptação do local e dos serviços de referência prestados
nas bibliotecas. Além disso, é quase inexistente a literatura que trata desse assunto
na biblioteconomia, por isso a escolha.

2 METODOLOGIA
De acordo com Bosa (2006), o Transtorno do Espectro Autista é categorizado
como um transtorno invasivo do desenvolvimento que abarca debilidades sociais e
comunicativas, além de disposições restritivas e repetitivas. A Sociedade Brasileira
de Pediatria (2017) corrobora aclara dizendo que:
O TEA é caracterizado por déficits e dificuldades na comunicação e interação
social, associados a interesses e atividades restritas e circunscritas. O TEA
é classificado, de acordo com a última versão do Manual Diagnóstico e
Estatístico de Transtornos Mentais (DSM5), como sendo um transtorno do
desenvolvimento, cujas características clínico-sintomatológicas iniciam nos
primeiros anos da infância. (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA,
2017, p.1).

Perscrutando cooperar com a adaptação e inclusão dos autistas na sociedade
da informação, o projeto está investigando usando de coleta de dados dos sujeitos
autistas de alto e moderado funcionamento (níveis do transtorno), acima de 14 anos
da cidade de Belo Horizonte-MG, região metropolitana e cidades vizinhas. Chegouse a esses critérios por meio de leitura sobre o transtorno, concomitantemente
analisando os focos iniciais da pesquisa, que não possuem intenções muito
pretensiosas e revolucionárias. Essa parcela da pesquisa está se dando por dois
passos; primeiro, um pré-teste foi aplicado em 6 autistas com 16 perguntas, por meio
da plataforma da Google, o “Google Forms”; e na segunda parte outros participantes
estão respondendo 32 perguntas em um questionário melhor elaborado na mesma
plataforma, devido à primeira experiência que permitiu seu aprimoramento. Ambos de
caráter quantitativo, ajudarão a pensar o que deve ser acondicionado ou modificado
nos serviços de informação, para a inserção dos autistas de modo participativo,
partindo da visão deles, e dos problemas que constatam. Pretende-se alcançar pelo
menos 100 respondentes, para a investigação retratar um pouco da realidade da
questão.
Após esse processo, no questionário haverá um espaço para a pessoa dizer
se quer ou não, participar da próxima etapa da pesquisa. Caso seja positiva a
resposta, se farão entrevistas (com pelo menos 10 indivíduos) e eles relatarão com
maior riqueza de detalhes se possível, seus dramas, dificuldades, desafios e jornada
trilhados. Posteriormente, uma discussão será elaborada em outra oportunidade, num
artigo e provavelmente em um Trabalho de Conclusão de Curso na graduação de
bacharelado em Biblioteconomia, onde haverá a relação dos dados coletados com a
realidade dos serviços de referência das bibliotecas, e serão analisadas e propostas

�medidas que busquem auxiliar os bibliotecários em como se relacionar e tratar os
usuários autistas.

4 PRÉ-RESULTADOS E DISCUSSÃO
Como já foi dito, a pesquisa se encontra em andamento na primeira parcela de
seu percurso. Os autistas de diferentes localidades na capital mineira e de cidades
próximas, estão respondendo ao questionário que foi enviado por intermédio de
núcleos de acessibilidade e inclusão de universidades, instituições educacionais que
trabalham com a temática, bibliotecas públicas, grupos de sala de Whatsapp das
universidades, conhecidos que possuem contato com pessoas autistas, entre outros.
O que se percebe no primeiro momento da investigação, diante de resultados
preliminares é que um considerável número de autistas, sente a ausência de locais
separados para estudo, com estímulos sensoriais para eles entrarem em hiperfoco.
Além disso, não foram poucos os que postularam acerca de uma melhor iluminação
direcionada nas bibliotecas, pisos que não façam barulho, mesas e cadeiras mais
estáveis, melhor sinalização dos itens e orientação diferenciada. Essas foram alguma
das queixas expressas por autistas. As responsabilidades do bibliotecário e do serviço
de referência são estar atentos às essas especificidades do usuário autista, e com os
recursos e influência oportunizar maior inclusão e acessibilidade do local.
Accart (2012) em sua obra Serviço de referência: do presencial ao virtual,
define o serviço de referência presencial citando Calenge (1996) como:
uma função organizacional que presta respostas personalizadas a uma
consulta explícita em busca de informações [...]. (CALENGE, Bertrand, 1996
apud ACCART, Jean-Philippe, 2012, p. 13).

Mangas (2007) citando Malmierca (1998) expressa sobre os serviços de referência
como uma ação de:

ajudar os estudantes; desenvolver o papel da biblioteca como instituição
educativa; ajudar os leitores a fazer as melhores selecções no universo da
informação recolhida e; justificar a existência da biblioteca demonstrando o
seu valor àqueles que a apoiam. Estes elementos vão ao encontro dos ideais
que consideram que a biblioteca deve prestar um serviço à comunidade
disponibilizando não só os recursos de informação que possui, bem como
ajudando os utilizadores a localizar e a utilizar esses mesmos recursos.
(MALMIERCA, Rollán, 1998, p. 2 apud MANGAS, Sérgio Filipe Agostinho,
2007, p. 2).

�Compreende-se que as unidades de informação, ainda mais em um país detentor de
uma cultura que não valoriza bibliotecas e os bibliotecários, possuem muitas
dificuldades no tocante ao capital financeiro e humano, todavia, é necessário pensar
na classe de pessoas portadoras de deficiência, que já têm muitos embaraços
cotidianos e precisam ter seu acesso à informação mais facilitado. O papel do
bibliotecário de referência juntamente da chefia da unidade, é pensar na identificação
dos seus usuários por meio de estudos de usuários, e ao tomar conhecimento de que
existem pessoas abarcadas dentro do espectro, procurar considerar as demandas
levantadas na estrutura de seu local de trabalho.
Se atentar para os instrumentos de indexação, desenvolvimento de coleções,
etc., é de extrema importância; não está se abolindo ou até mesmo demonizando as
práticas, mas é importante começar a olhar a organização e disposição da biblioteca,
visando proporcionar um local acolhedor, de aprendizagem, desenvolvimento,
crescimento e que atende às especificidades de seus usuários. Pela falta da atenção
do bibliotecário de referência e sua equipe, ou a ausência de um bibliotecário
especialmente para essa função, essa elocução contribui para que muitos dos
autistas não tenham suas demandas informacionais atendidas na totalidade, ou os
que são de moderado funcionamento se afastem das bibliotecas, não conseguindo
se adaptar. Cabe ao bibliotecário a sensibilidade e ação de assumir seu papel gestor,
na organização, sistematização e especialização dos serviços que são prestados.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Por tratar-se de uma pesquisa em andamento, o que se conclui é que
antecipadamente pôde-se constatar a invisibilidade e o desamparo, que essas
pessoas têm nas unidades de informação. Questões que alguns dos respondentes
citaram, para um ser humano típico é algo irrisório talvez, entretanto, para o
desenvolvimento, adaptação e conforto de um autista no ambiente é de suma
importância. Os respondentes mencionaram objetos, condições e mecanismos que
ainda na literatura e que em suas sentenças, percebeu-se que as unidades de
informação não se atentaram.
O espaço de escrita não permite a exemplificação com mais precisão das
competências de um bibliotecário de referência, no entanto, no livro já citado de Accart
(2012), durante sua obra ele caracteriza-o como gestor, incumbido de pensar na
estrutura e disposição dos materiais e serviços da biblioteca e/ou centro de
documentação que trabalha. Ter os itens e um local para a acomodação de
documentos, sem uma efetiva mediação e personalização para cada perfil de usuário,
inviabiliza as bibliotecas, e não demonstra à sociedade o potencial transformador que
o bibliotecário e as unidades de informação possuem. Ter serviços de referência
eficazes, capazes de fornecer um guia na decisão e escolha de fontes de informação,
sinalizações chamativas, cabines de estudo apropriadas correspondendo às
necessidades dos autistas, com móveis conservados e favoráveis aos mesmos, e

�programações para a sua inclusão, auxiliarão para que encontrem na biblioteca, uma
parceira no seu desenvolvimento e integração social.

REFERÊNCIAS
ACCART, J. P. Serviço de Referência: do presencial ao virtual. Brasília: Briquet de
Lemos, 2012.
BOSA, C. A. Autismo: intervenções psicoeducacionais. Rev Bras Psiquiatr., Porto
Alegre, v. 28, p. 47-53, 2006. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S151644462006000500007&amp;script=sci_abstract&amp;tlng=pt&gt;. Acesso em: 07 abr. 2019.
BRITO, M. L. et al. Indexação imagética aplicada ao modelo frsad: uma metodologia
conceitual. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO, v. 17., 2016, Salvador. Anais… Salvador: PPGCI, UFBA, 2016. p.
Disponível em:
&lt;https://www.researchgate.net/profile/Marcilio_De_Brito/publication/311271540_IND
EXACAO_IMAGETICA_APLICADA_AO_MODELO_FRSAD_UMA_METODOLOGIA
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Acesso em: 28 Mar. 2018.
MANGAS, S. F. A. Como planificar e gerir um serviço de referência. Biblios.,
Portugal, n. 28, p.1-31, 2007. Disponível em:
&lt;http://eprints.rclis.org/12155/1/smangas1.pdf&gt;. Acesso em: 07 abr. 2019.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Departamento Científico de Pediatria
do Desenvolvimento e Comportamento. Triagem precoce para autismo/transtorno
do espectro autista. Documento científico, n.1, 1 abr. 2017.Disponível em:
&lt;https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2017/04/19464b-DocCientAutismo.pdf.&gt;. Acesso em: 19 abr. 2019.

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