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                  <text>Projeto Preta Poeta: encontros na Biblioteca Pública Estadual de
Minas Gerais

Alessandra Soraya Gino Lima (SUBSL/SEC) - alessandragino@yahoo.com.br
Adriana Marcia Deus (SUBSL) - referencia.sub@cultura.mg.gov.br
Resumo:
O Projeto Preta Poeta é um grupo para mulheres negras, aberto também às indígenas, para
compartilhar vivências, indicações de leituras de autoras negras, recitar poesias e incentivar a
escrita, acreditando nela enquanto um mecanismo de resistência e pertencimento. Não era
necessário que as participantes já tivessem hábito de escrever ou de recitar. Os encontros
foram quinzenais na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais e mediados por Júlia
Rodrigues, graduanda em Ciências Sociais pela UFMG e idealizadora do Preta Poeta,
aprovado em 2017 Edital PRAE\UFMG.
Foram um total de 17 encontros no período de 14/03/2018 a 31/10/2018 totalizando 176
pessoas e o Sarau em 31/10/2019 no Teatro da Biblioteca totalizando 90 pessoas com o
lançamento do Fanzine Preta Poeta: Escrevivência, resistência e liberdade com identificação e
poesias produzidas pelas participantes.
Palavras-chave: Literatura negra - Poesia - Literatura feminina - Racismo - Mulheres Negras
e Indígenas
Eixo temático: Eixo 2: Não devemos deixar ninguém para trás

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�Projeto Preta Poeta: encontros na Biblioteca Pública Estadual
de Minas Gerais
INTRODUÇÃO

Uma das características da biblioteca pública é a resiliência, uma vez que está sempre se
adequando às mudanças e às demandas do local onde está inserida. É espaço democrático
que atua como ponto de encontro de cidadãos à procura não somente de informação,
cultura, livros e leitura, mas de respostas para questões que afligem o seu dia a dia e de
formas de se sentirem incluídos no contexto sociocultural de suas comunidades.
Segundo a IFLA (2015), as bibliotecas podem servir de apoio para o cumprimento de
diversos objetivos da Agenda 2030, pois são instituições públicas com um papel
importante no desenvolvimento da sociedade, são agentes de transformação que
conseguem atuar de forma igualitária sem distinção de idade, raça, sexo, gênero, religião,
nacionalidade, língua ou condição social.
Nesse contexto, a literatura negra feminina ainda é modesta em relação a autores brancos,
mas é um nicho de bastante destaque no cenário cultural atual. Coletivos de mulheres
negras, que manifestam suas questões étnicas e culturais através de textos literários,
surgem como forma de autoconhecimento e luta, em que a escrita é uma forma de
resistência e afirmação de gênero e raça que, abordando temas como amor, emancipação,
violência, preconceito, estética negra, opressão, entre outros, desperta à reflexão com
forte dose de emoção e consciência de vivências tão específicas.

METODOLOGIA
Em março de 2018, a Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais convidou Júlia
Rodrigues, graduanda em Ciências Sociais/UFMG e idealizadora do projeto Preta Poeta,
para realizá-lo dentro do espaço da biblioteca com intuito de viabilizar fora do âmbito da
universidade encontros de mulheres e literatura.

O Preta Poeta é um grupo para mulheres negras, aberto também às indígenas, para
compartilhar vivências, indicações de leituras de autoras negras, recitar e produzir poesias

�de resistência e pertencimento. Não era necessário que as participantes já tivessem hábito
de escrever ou te recitar. O projeto foi aprovado em 2017 no Edital PRAE/UFMG – Pró
Reitoria de Assuntos Estudantis, modalidade de Ações Afirmativas e realizado no espaço
da universidade.

Já na biblioteca o projeto Preta Poeta teve seu início em 22 de março de 2018 na sala de cursos
do prédio anexo, à rua da Bahia,1889, em Belo Horizonte, quando tivemos dez participantes e
todas satisfeitas em saber que tinham um espaço de exclusividade para tratar de vivências e
literatura. Com os encontros, a biblioteca pretende também atingir o objetivo 5 da Agenda

2030 ao apoiar a igualdade de gênero oferecendo um espaço para o empoderamento das
mulheres.

Os encontros foram quinzenais, com participação da equipe da biblioteca e mediados por
Júlia Rodrigues, no horário das 18h às 20h, também houve alguns encontros aos sábados
das 10h às 12h e ensaios no teatro da biblioteca para apresentação do Sarau aberto com
poesias autorais ao final do projeto.

Durante os encontros, reuníamos em roda para nos apresentar, conversar, trocar ideias,
ouvir, recitar poesias autorais, indicar livros, blogs e filmes, discutir questões sobre
juventude, amor, sociedade, machismo, racismo, preconceito, feminismo e trocar
experiências de vida. Ao mesmo tempo, eram expostos livros de escritoras negras que
pertenciam ao acervo da biblioteca como Conceição Evaristo, Chimamanda Ngozi
Adichie, Grace Passô, Esmeralda Ribeiro, Carolina Maria de Jesus, Ana Paula Maia, Ana
Maria Gonçalves, Maria de Mello e Souza entre outras; incentivando a leitura através do
empréstimo dos livros e a divulgação de renomadas e novas escritoras.

Nas ocasiões também fazíamos um lanche coletivo e discutíamos como seria o sarau final
e a confecção do Fanzine com as poesias criadas durante esses encontros. Cabe ressaltar
que temos até hoje um grupo no whatsaap que fez toda a diferença na comunicação e na
troca de informações sobre eventos afins e referentes aos encontros.

Ao todo tivemos 17 encontros no período de 22/03/2018 a 31/10/2018 totalizando 176
pessoas.

�Conseguimos organizar o Sarau para noventa pessoas, realizado no dia 31 de outubro, às
19h no teatro da biblioteca. Nos ensaios concordamos que teríamos um fundo musical
composto de violão e canto formado por duas participantes do projeto e todas recitariam
de uma a três poesias autorais. Além disso, conseguimos uma fotógrafa para registrar o
evento.

Emitimos os convites nas redes sociais e na biblioteca e imprimimos o Fanzine Preta
Poeta: escrevivência, resistência e liberdade para distribuição no dia com o apoio da
UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Cada participante, no total de doze que
estavam presentes na maioria dos encontros, pôde incluir suas poesias no livreto, além do
mais, foi possível colocar foto e uma identificação de cada uma delas. E, no dia do Sarau,
entregamos o Certificado de participação dos Encontros e Sarau do Preta Poeta a fim de
documentar o projeto realizado por elas na biblioteca.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os encontros trouxeram para a biblioteca um público novo e um olhar para as minorias
que se achavam excluídas ou sem espaço para discussão, criação e identificação. Foram
momentos ricos, tivemos inclusive encontros em que houve participação de alunas de
uma escola de ensino médio da periferia, mulheres com habilidades musicais, contadoras
de histórias, professoras, jovens estudantes que colaboraram com sua diversidade.

A Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, através do acolhimento do Projeto Preta
Poeta em seu espaço, alia a prática da leitura, já bastante trabalhada em suas rotinas, ao
incentivo à escrita para fortalecimento da identidade das mulheres negras, havendo
também uma contribuição efetiva para a formação de novos leitores e a apresentação de
várias autoras negras que compõem o acervo.

O uso da palavra vem com forte significação para o auxílio na compreensão da realidade
de temas que tanto angustiam essas mulheres. A rica troca de experiências e formas de
sentir a literatura negra atua como forma de inspiração, resistência e referências positivas.

�REFERÊNCIAS

FERREIRA, A.C. Escrevivências, as lembranças afrofemininas como lugar da memória
afro-brasileira: Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo e Geni Guimarães.2013.
115 p. Dissertação (Mestrado em Letras) Disponível em:
&lt;http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/ECAP95BHKT?show=full&gt; Acesso em: 25. maio. 2019.
IFLA/UNESCO. Acesso e oportunidade para todos: como as bibliotecas contribuem
para a agenda 2030 das Nações Unidas. Disponível em:
www.febab.org.br/febab201603/wp-content/uploads/2017/02/IFLA-Acesso-eoportunidade-para-todos.pdf Acesso em: 22.maio. 2019.
RASTELI, A.; CALDAS, R. F. Mediação cultural na biblioteca pública para a cultura
de paz e integração social. REBECIN, v.4, n.2, p.44-57, jul./dez.2017. Disponível em:
&lt;http://abecin.org.br/portalderevistas/index.php/rebecin&gt; Acesso em: 22. maio. 2019.
ROCHA, P.F. O discurso da memória e a identidade feminina na literatura afrobrasileira. Entrelinhas, v.5, n.1, p.54-61, jan./jun.2011.

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