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                  <text>O PAPEL DA BIBLIOTECA PÚBLICA E A LEITURA EM REGIÕES DE
POBREZA: UM ESTUDO DE CASO NA BIBLIOTECA PÚBLICA
MUNICIPAL DE FUNDÃO

Gabriela de Oliveira Gobbi (IFES) - gobbi.gabriela@gmail.com
Resumo:
O presente trabalho foi apresentado como monografia no curso de Especialização em
Educação, Pobreza e Desigualdade Social, da Universidade Federal do Espírito Santo. Foi
realizado alguns apontamentos sobre bibliotecas públicas e leitura em regiões de pobreza e
verificou através de um estudo de caso o desempenho escolar dos usuários da Biblioteca
Pública Municipal de Fundão e do Programa Bolsa Família que residem nos bairros Orly
Ramos e Campestre. Para coleta de dados foi utilizado o relatório de empréstimo e as fichas
cadastrais dos usuários. O segundo instrumento de coleta foi uma entrevista semiestruturada
com a equipe pedagógica e com os professores das escolas Eloy Miranda e Nair Miranda que
identificou o desempenho e a vida escolar dos usuários e sobre os programas de leitura das
escolas. Constatou-se que os usuários do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental não
têm dificuldades no processo de ensino aprendizagem e os usuários do sexto ao nono ano do
ensino fundamental têm um senso crítico diferenciado e um desenvolvimento maior na
linguagem oral e escrita.
Palavras-chave: Pobreza, Biblioteca Pública, Leitura
Eixo temático: Eixo 2: Não devemos deixar ninguém para trás

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�XXVIII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
Vitória, 01 a 04 de outubro de 2019.
Videografia: ( ) Sim (x) Não - Modelo 1: resumo expandido de comunicação científica
Eixo Temático: 2 Ninguém fica para trás
O PAPEL DA BIBLIOTECA PÚBLICA E A LEITURA EM REGIÕES DE POBREZA:
UM ESTUDO DE CASO NA BIBLIOTECA PÚBLICA MUNICIPAL DE FUNDÃO
Resumo expandido
O presente trabalho foi apresentado como monografia no curso de Especialização em
Educação, Pobreza e Desigualdade Social, da Universidade Federal do Espírito Santo. Foi
realizado alguns apontamentos sobre bibliotecas públicas e leitura em regiões de pobreza e
verificou através de um estudo de caso o desempenho escolar dos usuários da Biblioteca
Pública Municipal de Fundão e do Programa Bolsa Família que residem nos bairros Orly
Ramos e Campestre. Para coleta de dados foi utilizado o relatório de empréstimo e as fichas
cadastrais dos usuários. O segundo instrumento de coleta foi uma entrevista semiestruturada
com a equipe pedagógica e com os professores das escolas Eloy Miranda e Nair Miranda que
identificou o desempenho e a vida escolar dos usuários e sobre os programas de leitura das
escolas. Constatou-se que os usuários do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental não
têm dificuldades no processo de ensino aprendizagem e os usuários do sexto ao nono ano do
ensino fundamental têm um senso crítico diferenciado e um desenvolvimento maior na
linguagem oral e escrita.
Introdução
As bibliotecas públicas se configuram em um poderoso instrumento de transformação social e
de acesso à informação e a leitura e, nos últimos anos vem trabalhando para reverter à
tendência histórica de restrição do acesso a livro e a leitura, visando diminuir as desigualdades
informacionais fortalecendo a inclusão social. O papel da biblioteca pública que
aprofundamos no decorrer da pesquisa foi desenvolvido neste sentido, do direito à leitura e
literatura como forma de cultura e lazer. Para Bamberger (1991, p.7) “o direito de ler significa
igualmente o de desenvolver as potencialidades intelectuais e espirituais, o de aprender e
progredir”. A relação da leitura não será fundada somente nas perspectivas utilitaristas da
instrução.
As indagações que nortearam a pesquisa foram: Qual é o papel da Biblioteca pública e o
impacto da leitura em regiões da pobreza? E mais especificamente qual é o desempenho
escolar dos usuários leitores da Biblioteca Pública Prof. Mário José Jahel que residem em
regiões de pobreza? Portanto, o objetivo principal do trabalho foi identificar o papel da
Biblioteca Pública e da leitura em regiões de pobreza, e verificar através de um estudo de caso
o desempenho escolar dos usuários leitores da Biblioteca Pública Municipal de Fundão que
residem nos bairros Orly Ramos e Campestre.
Tomando como ponto de partida a preocupação com o direito à cultura e a leitura em regiões
da pobreza, o estudo é de grande relevância e ainda precisa de um aprofundamento.
Abordamos primeiro o papel da Biblioteca pública na formação de leitores, em seguida o

�direito a leitura e seu impacto na formação dos indivíduos, e em especial em regiões de
pobreza. Em um terceiro momento apresentamos o estudo de caso para confirmação das
hipóteses levantadas durante a pesquisa da qual nos trará novas reflexões sobre o tema
abordado.
Método da pesquisa
A presente pesquisa é classificada sob o critério de seu objetivo geral em exploratória, pois
proporcionou maior familiaridade com o problema com vista de torná-lo mais explícito e
aprimorou a
discussão
sobre
o
tema.
Já
a
classificação
segundo
seudelineamento, foi bibliográfica, ou seja, desenvolvidas com base em materiais já
elaborados e publicados em livros, revistas, anais, rede eletrônica etc. Além de bibliográfica
para levantar algumas reflexões, foi empírica, pois me baseei no trabalho em que
executava na Biblioteca Pública Municipal Professor Mario José Jahel realizando um Estudo
de caso, caracterizado por ser um estudo profundo de um ou poucos objetos, de maneira que
permita o seu amplo e detalhado conhecimento, ele é recomendado nas fases iniciais de
investigações obre temas complexos, para construção de hipóteses ou reformulação do
problema. Classificações essas definidas por Gil (2008).
Para o desenvolvimento da pesquisa foi feito um levantamento de usuários ativos da
Biblioteca Pública Municipal Professor Mário José Jahel que residem em bairros que tem o
menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da sede do município de Fundão: Bairros
Orly Ramos e Campestre. Os sete usuários selecionados frequentam a Biblioteca no mínimo
uma vez por semana. Dois deles são do sexo masculino e os outros cinco do sexo feminino,
eles têm entre 7 a 14 anos de idade. As obras emprestadas são de literatura infantil
e infantojuvenil, há poucos registros de obras didáticas em seus históricos de empréstimo.As
entrevistas foram realizadas em duas escolas. A primeira: Escola Municipal de Ensino
Fundamental Professor Ernesto Nascimento localizada no centro da cidade, e posteriormente
na Escola Municipal de Ensino Fundamental Eloy Miranda localizada no bairro do Oseias.
O instrumento de coleta de dados utilizado nas escolas consistiu em uma entrevista com a
Coordenação Pedagógica para investigar o comportamento destes leitores e se há algum
projeto de leitura na escola. As participantes da primeira entrevista foram à diretora, a
coordenadora pedagógica e uma das professoras e as três perguntas que nortearam
as entrevistas foram: Quantos são usuários do Programa Bolsa Família? Qual é o desempenho
dos alunos em sala de aula? Existe algum projeto que a escola organiza com foco na leitura?
Resultados e Discussão
Em relação ao estudo de caso dos cinco alunos apenas um é beneficiado do Programa Bolsa
Família, porém dois deles já receberam o benefício. No geral todos têm boas notas, são
desenvolvidos e interessados. A professora conta que um deles foi destaque na turma, não
teve dificuldade ao começar a ler e até compartilha seus conhecimentos com os colegas na
sala de aula. A diretora conta que não tem nenhum projeto específico para o desenvolvimento
da leitura como contações de história, mas que outros projetos envolvem a leitura
indiretamente. A entrevista na Escola Municipal de Ensino Fundamental Eloy Miranda
participaram a coordenadora pedagógica, a diretora, e os professores de ciências e português.
Foram levantadas as mesmas questões, dentre os três usuários apenas um é beneficiado do
programa Bolsa Família, os outros dois já foram beneficentes.

�O desempenho escolar de dois usuários é excelente, segundo o professor de Língua
Portuguesa “um deles é um dos melhores alunos senão o melhor, inclusive tirou nove na
última prova, valendo 10” o professor ainda relata que um dos alunos tem uma boa escrita e
ótimos argumentos, o que foi reafirmada pela professora de Ciências. Quanto a uma das
usuárias, os entrevistados relatam que não veem um diferencial como nos outros dois, mas
que também não tira nota ruim. Os entrevistados contaram que há dois anos a escola tinha um
projeto de leitura, quando ainda havia uma servidora disponível para atuar na biblioteca, o
projeto “Leitor nota 10” um dos usuários pesquisados já foi selecionado como leitor do mês
diversas vezes. O estudo de caso e a pesquisa bibliográfica confirmou a hipótese levantada,
nos mostrou que a biblioteca pública é um potencial transformador da sociedade uma vez que
se configura em um espaço para desenvolver o espírito crítico de quem a utiliza.
Quanto a pesquisa bibliográfica trouxe alguns exemplos como Bibliotecas Parques, modelo
inicialmente implantado na Colômbia que se tornou referência no enfrentamento a violência
urbana e serviu de base para as Bibliotecas Parques do Rio de Janeiro é um modelo de
Biblioteca moderna, um verdadeiro centro cultural, que tem por objetivo mostrar o quanto
podem contribuir com a transformação de regiões onde a pobreza e a violência fazem parte da
vida cotidiana da população, onde os locais para instalações obedeceram aos baixos Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH), Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), e
ainda altos índices de violência. No estudo de Silva (2016) a autora cita o exemplo
colombiano e o impacto que a Biblioteca Parque exerceu sobre a comunidade do entorno: “em
dois anos de funcionamento, já foi percebida a admiração e a gratidão das pessoas, que se
identificaram com as atividades oferecidas pela biblioteca e souberam usufruir do
equipamento instalado naquela localidade.”
A Biblioteca Parque visa a participação de um cidadão ativo diante dos problemas sociais e
das regiões marginalizadas, ela é voltada para a produção cultural onde a população cria, e
não apenas consume a cultura, 75% da população residem nestas regiões em que as
Bibliotecas foram instaladas, ou seja, conhecem a realidade local. Essas bibliotecas trabalham
com atividades de promoção a leitura em diferentes suportes. Ainda segundo a autora as
Bibliotecas Parques tentam consolidar a leitura como um todo assim como ler um livro, é
possível ler uma peça, uma obra de arte, uma exposição. Possuem espaços para teatro,
exibição de filmes, músicas, contações de história entre outros.
Além das Bibliotecas Parques outra inspiração para a pesquisa foi da antropóloga e
pesquisadora francesa Michèle Petit que durante anos dedicou suas pesquisas a respeito da
importância da leitura em lugares de crise e ainda coordena estudos sobre o papel das
bibliotecas públicas na luta contra os processos de exclusão e segregação. Em seu livro “A
arte de ler” a autora aborda a questão da leitura, e como ela pode ser reparadora, não no
sentido que ela irá reparar os problemas econômicos e sociais, mas colocará o pensamento em
ação, para trabalhar o pensamento crítico, o autoquestionamento, para que esses indivíduos
busquem por algo novo.
A autora trata a leitura não só como aquisição de conhecimento, mas também como um
direito fundamental. Pensamento que dialoga com o Antônio Candido, estudioso da literatura
brasileira e estrangeira, que diz sobre o direito à literatura que a relaciona com os direitos
humanos “Uma sociedade justa pressupõe o respeito dos direitos humanos, e a fruição da arte
e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um direito inalienável”.
Michèle Petit enxerga a leitura de maneira complexa, como por exemplo, uma leitura
“descompromissada” por prazer e distração às vezes podem despertar o espírito crítico.

�Segundo Ferreira (2014) “O mundo dos livros tem a capacidade de ultrapassar as fronteiras do
imaginário e fazer com que o leitor encontre nesse ambiente um mundo de possibilidades”
Outros autores que se influenciaram pela corrente filosófica da Escola de Frankfurt e que
trabalha com a leitura e a literatura em uma perspectiva crítica são Britto (2009), Pucci (2015)
e Silva (2013). Para eles a leitura é considerada uma atividade essencial tanto para a cultura
burguesa tanto para o pensamento crítico. A primeira considera o leitor como um sujeito
passivo, que apenas codifica o texto, de acordo com a própria forma de pretensão do autor,
visão puramente funcionalista que proporciona o aprendizado mecânico, para melhoria
econômica, acesso ao trabalho e aumento da produtividade. Entretanto, a leitura quando
entendida como prática social transformadora, precisa romper com a lógica da cultura
burguesa, superando esse pragmatismo e proporcionado a capacidade de leitura interpretativa
e crítica gerando a autorreflexão.
Considerações Finais
Podemos concluir com os apontamentos levantados que as bibliotecas públicas têm um papel
fundamental em regiões de pobreza, e que atualmente esta rompendo com os paradigmas da
biblioteca pública tradicional com novas formas de atrair o usuário e de trabalhar com a
leitura, além de esta ampliando o acesso à cultura. As bibliotecas públicas nem sempre
desenvolvem seus potenciais para prestar serviços para comunidades menos favorecidas
economicamente, a dificuldade de romper com a cultura erudita trouxe e ainda traz um grande
atraso neste sentido. Além de a biblioteca pública ser um potencial devido aos seus serviços
prestados.
Quanto ao estudo de caso, a hipótese levantada no início da pesquisa foi confirmada, os
usuários da Biblioteca Pública Professor Mário José Gael e do Programa Bolsa Família de
ambas as escolas têm um bom desempenho escolar, os alunos do primeiro ao quinto ano do
ensino fundamental não tem dificuldades no processo de ensino aprendizagem, já os alunos
do sexto ao nono ano tem a linguagem oral, a escrita e o desenvolvimento crítico
desenvolvidos em relação aos outros alunos. Portanto, a Biblioteca Professor Mário José Gael
e a leitura tiveram e ainda tem influência na formação destes usuários. Levando em
consideração estes aspectos a Cultura é um elemento essencial para formação humana e é
indispensável para conhecer o mundo e modificá-lo. Dessa forma a falta de acesso à leitura, as
bibliotecas públicas e aos bens culturais também é um fator no processo de exclusão social e
que afeta diretamente a desigualdade social e o desenvolvimento crítico.
Referências
BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito da leitura. 5. Ed. São Paulo: Ática, 1991.
BRITTO, Luiz Percival Leme. Leitura e formação na educação escolar: algumas
considerações inevitáveis. In: SOUZA, Renata Junqueira de (Org.) Biblioteca escolar e
práticas educativas: o mediador em formação, Campinas-SP, Mercado das Letras, 2009.
FERREIRA, Priscila. Biblioteca Pública como espaço de segurança. Trabalho de Conclusão
de Curso (Graduação em Biblioteconomia) Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de
Ciências da Educação, 2014.
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

�PETIT, Michèle. A arte de ler ou como resistir à adversidade. Trad. Arthur Bueno e Camila
Boldrini. São Paulo: Editora 34, 2009.
PUCCI, Bruno. Teoria Crítica e Educação: contribuições da Teoria Crítica para a formação
do professor. Disponível em:&lt;http://www.unimep.br/~bpucci/teoria-critica-eeducacao.pdf&gt; Acesso em: 28 set. 2015
SILVA, Jéssica Souza da. A formação de leitores na biblioteca parque estadual do Rio
de Janeiro. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Federal Fluminense. 2016. 55f. il.

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