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                  <text>OUTRO OLHAR SOBRE OS USOS DA BIBLIOTECA ESCOLAR
Marcela Lopes Mendonça Coelho De Amorim (IFES) - marcelamedm@gmail.com
Eduardo Valadares da Silva (UFMG) - edu-valadares@eci.ufmg.br
Resumo:
Apresenta um relato de atividades cotidianas desenvolvidas na biblioteca da Escola Municipal
de Ensino Fundamental Aristóbulo Barbosa Leão da Prefeitura Municipal de Vitória no
Espírito Santo no que diz respeito aos usos do espaço pelos alunos e que são observados pela
bibliotecária da unidade como formas de aproximação e afetividade à biblioteca.
Palavras-chave: Biblioteca escolar. Espaço. Leitor
Eixo temático: Eixo 11: IV Fórum de Biblioteconomia Escolar: pesquisa e práticas rumo ao
desenvolvimento humano

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�XXVIII Congresso Brasileiro de
Biblioteconomia e Documentação
Vitória, 01 a 04 de outubro de 2019.

INTRODUÇÃO
Apresentamos algumas reflexões baseadas em vivências e atividades desenvolvidas no espaço da
biblioteca da Escola Municipal de Ensino Fundamental Aristóbulo Barbosa Leão (EMEF ABL),
da cidade de Vitória – ES que conta com aproximadamente 500 alunos.
Acreditamos que as atividades aqui compartilhadas podem ser potencializadoras e inspiradoras a
outras bibliotecas, principalmente no que diz respeito à adoção de posturas mais
horizontalizadoras e promotoras de uma maior aproximação com seus estudantes.
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Uma situação recorrente nas bibliotecas escolares do país, principalmente no contexto das escolas
públicas, é a solicitação da equipe pedagógica para que a biblioteca receba turmas de alunos que
se encontram sem professores devido à falta imprevista desses profissionais por motivos
variados. Contudo, na biblioteca da EMEF ABL, a bibliotecária Marcela Amorim tem buscado
potencializar e transformar o que seria um horário ocioso e improdutivo em momentos de
aprendizagens diferenciadas.
Um exemplo interessante a se compartilhar se deu com uma turma do 8º ano que estava sem
professor, e a coordenação da escola solicitou que Marcela ficasse com os alunos por um horário.
Como não havia nada programado para a turma, Marcela optou por deixa-los livres para ler, usar
o telefone celular, conversar moderadamente, enfim, deixou que eles ficassem à vontade na
biblioteca utilizando o espaço da maneira que preferissem, desde que não ultrapassassem os
limites de um comportamento compatível ao ambiente escolar (Foto 1).

�Foto 1 – Ocupação do espaço da biblioteca

Na observação de como os alunos se distribuíram pela biblioteca, um grupo chamou mais
atenção, pois era formado por seis meninos e meninas, deitados ou sentados no chão entre as
estantes, uns sobre as pernas e ombros dos outros. Ao mesmo tempo em que uma das alunas lia
um livro em voz alta para o restante desse grupo, outros iam procurando outros livros na estante e
outros manuseavam o telefone celular. O que, em princípio, poderia ser interpretado como
indisciplina, foi uma demonstração de pertencimento daquele espaço, sem que para isso fosse
necessária a manutenção de uma postura rígida e disciplinadora que muitas vezes é exigida em
uma biblioteca (Foto 2).
Foto 2 – Alunos do 8.º ano acomodados entre as estantes

A postura desses alunos mostra a clara transformação da biblioteca que deixa de ser um lugar
vazio e passa a condição de um espaço habitado, marcado pela complexidade de movimentos
para os quais ela não fora planejada, mas que vão ao encontro das operações momentâneas
daqueles que a ocupam sem a obediência às condições de um próprio (CERTEAU, 1994).

�O olhar educativo de Marcela sobre esses contextos, principalmente os inesperados como o
anteriormente relatado, normalmente ocorre em maneiras e artes de fazer, como enunciado por
Certeau (1994), por meio dos seus usos e pondo em xeque uma forma de refletir materializada no
seu modo de agir.
Destacam-se também atividades planejadas pela bibliotecária que acabam por deflagrar
momentos criativos e de extrema sensibilidade. Por exemplo, quando na realização de uma
atividade com o poema “O Segredo das Palavras” do livro Minha Rua de Neusa Jordem com os
alunos do 5º ano, na qual pequenos fragmentos do texto eram distribuídos aos alunos e pedido
que eles associassem esses trechos a alguma palavra. Uma aluna (foto 3) perguntou então, se
poderia escrever Biblioteca como uma palavra que lhe remetia às cores. Marcela então
perguntou:
_ Qual cor a biblioteca te faz lembrar?
_ Me faz lembrar o colorido professora! (Respondeu a aluna à Marcela.)

Foto 3 – Olhar da aluna que associou a biblioteca ao colorido

Consideramos que situações que rompem com o conceito de que a biblioteca é lugar exclusivo de
ordem, silêncio, de guarda de livros, ou com outras concepções que não a remetem a um espaço
colorido, como na associação feita pela aluna do 5º ano, insistem em se manter em muitas
bibliotecas escolares. Certamente a relação feita pela aluna, se deu em virtude da decoração da
biblioteca, de seus armários, janelas e paredes (Foto 4), mas cremos também, que a principal
razão que deflagrou este olhar foi a complexidade de acontecimentos que ocorrem na biblioteca.

�Foto 4 – Armários estilizados da biblioteca

Outro momento potente que chama atenção, no que se refere aos usos na biblioteca da EMEF
ABL, diz respeito aos recreios, pois, na maioria das escolas, há um impasse recorrente quanto ao
funcionamento ou não das bibliotecas durante esses momentos. Bibliotecários, via de regra,
argumentam que o momento do recreio é uma oportunidade de fazer um intervalo para lanchar e
interagir com os professores e que essa pausa fora do horário do recreio os deixam isolados do
restante da equipe da escola ou compromete o atendimento às turmas agendadas.
Na EMEF ABL, a prática adotada é que a biblioteca esteja aberta durante os recreios. Diante
disso, os alunos criaram um ponto de encontro no conforto do ar condicionado e longe da
correria, realizando atividades espontâneas, ou simplesmente tornando a biblioteca em um espaço
de encontro, ficando nítida a liberdade de uso nesse momento (Foto 5)
Foto 5 – A leitura praticada durante o recreio

�Esses movimentos, ao invés de serem interpretados negativamente, se mostram como
catalisadores das transformações que rompem com um comportamento instituído e viabilizam a
auto-organização.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A construção de um ambiente de liberdade como o aqui relato por meio de fragmentos de
experiências cotidianas numa biblioteca escolar, tem a possibilidade de favorecer uma série de
questões importantes ao estreitamento da relação dos alunos com esse espaço, dentre eles, a
ampliação da concepção de leitura por parte dos próprios estudantes. Baseados em Ezequiel
Teodoro da Silva (1999) que fala sobre o “mistério” da leitura e a “alquimia” em torno do
processo de formação de leitores, acreditamos que a liberdade e descontração dos encontros com
a leitura, favorecem a relação criada entre o leitor e o texto, permitindo que este se sinta à
vontade nesta prática.
Se esses processos puderem ser desfrutados em espaços e situações acolhedoras como as
apresentadas neste relato, acreditamos que os usuários perceberão essas condições como refúgios,
nos quais poderão se entregar aos mistérios da leitura, tornando a biblioteca um espaço ocupado
espontaneamente.
REFERÊNCIAS
CERTEAU, M. de. A invenção do cotidiano: artes de fazer. 12. ed. Petrópolis: Vozes, 1994
SILVA, Ezequiel Theodoro da. Concepções de leitura e suas consequências para o ensino.
Perspectiva, Florianópolis, v.17, n. 31, p. 11 - 19, jan./jun. 1999. Disponível em:
https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/viewFile/10708/10213 Acesso em 01 abr.
2019.

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