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                  <text>LEITURA DOS JOVENS NAS MÍDIAS SOCIAIS: O CONTEÚDO AO
ALCANCE DO LEITOR

Johnathan Pereira Alves Diniz (IF Goiano) - johnathan.diniz@ifgoiano.edu.br
Andréa Pereira dos Santos (UFG) - andreabiblio@gmail.com
Resumo:
Discute-se as relações entre o leitor e o movimento das práticas de leitura promovidas pelas
Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s). Aborda também, as possibilidades de
leitura promovidas pelas mídias sociais. O lugar e o tempo são redefinidos e as práticas de
leitura contemporâneas surgem para evidenciar as transformações sociais no campo da
comunicação. A metodologia usada neste artigo parte do método qualitativo-descritivo, onde
procura-se descrever os fenômenos pesquisados e analisar os dados obtidos por meio de
pesquisa bibliográfica, investigando as práticas de leitura dos jovens. Diante desse cenário
tem-se o foco direcionado às leituras dos jovens diante as mídias sociais e a importância da
leitura na vida acadêmica. Ao trocar mensagens, postar conteúdos diversos, os jovens
estimulam e praticam a leitura, mas uma leitura diferente, pois ela não é contemplativa, mas
veloz, simultânea, acompanhando as demandas desses indivíduos. Enfim, é notória a
percepção que as práticas de leitura na atualidade ainda têm grande predominância do
suporte impresso, mas outras mídias estão ganhando espaço, entre elas as mídias sociais,
proporcionando práticas de leitura interativas, onde o leitor também é produtor de conteúdo.
Palavras-chave: Leitura; Mídias sociais; Jovens; Práticas de leitura; Leitores.
Eixo temático: Eixo 10: XI Seminário Brasileiro de Bibliotecas das Instituições da Rede
Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica

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�XXVIII Congresso Brasileiro de
Biblioteconomia e
Documentação
Vitória, 01 a 04 de outubro de 2019.
Videografia: ( ) Sim (X) Não

Modelo 1: resumo expandido de comunicação científica
Eixo Temático: XI Seminário Brasileiro de Bibliotecas das Instituições da Rede
Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica
1 Introdução
Ler é um ato de compreensão da vida, um instrumento que propicia o
contato à distância com outras pessoas, grupos e povos e o conhecimento acerca
do mundo, reforçando a necessidade da aplicação da leitura, de forma
significativa, proporcionando um contato gratificante entre o leitor e o mundo real.
Nesse sentido, este artigo1 aborda o desenvolvimento das práticas de leitura em
ambiente virtual, discutindo o uso das mídias sociais pelos jovens abordando esse
novo tipo de leitor, por consequência, as diversas práticas de leitura.
Se a Sociedade em Rede proporcionou uma mudança no hábito de vida
das pessoas, quais foram suas transformações ocorridas na transição para esta
sociedade em relação aos leitores? O leitor assumiu um novo papel nas mídias
sociais? Chartier (1995, p. 184) afirma que “em toda sociedade, as formas de
apropriação dos textos, dos códigos, dos modelos compartilhados são tão ou mais
geradoras de distinção que as práticas próprias de cada grupo social.” Para o
autor, a leitura pode ser aparentemente, passiva e submissa, porém ela se revela
à sua maneira, inventiva e criadora. A percepção de cada indivíduo antes era
limitada a um pequeno ciclo de amizades, atualmente ultrapassa barreiras
geográficas.

Oriundo de estudo acadêmico de mestrado intitulado “Práticas de Leitura nas Mídias Sociais:
evidências dos Graduandos do IF Goiano – Campus Urutaí”
1

�O aumento de leitores confirma esse novo perfil, pautado na interação e
produção de conteúdo. Sobre os leitores, Kleiman (2012) afirma que o leitor
experiente possui duas características básicas que tornam a leitura uma atividade
consciente, reflexiva e intencional. Primeiro, o leitor lê porque tem algum objetivo,
ou seja, a leitura é realizada mediante conhecimento prévio. Segundo o leitor
compreende o que lê, mediante a ‘bagagem de leitura’ que ele já possui, portanto
ele recorre a diversos procedimentos para tornar o texto inteligível quando não
consegue compreender.

2 Caminho metodológico
O método utilizado neste estudo será qualitativo-descritivo, pois é um
“método que cuida da descrição das características de determinada população ou
fenômeno, bem como o estabelecimento de relações entre variáveis e fatos”
(MATIAS-PEREIRA, 2012, p. 86).
Por se tratar de uma pesquisa descritiva, onde visa descrever as
características de um determinado fenômeno (MATIAS-PEREIRA, 2012), foram
levantados dados das Pesquisas sobre o uso das Tecnologias de Informação e
Comunicação nos domicílios brasileiros, do Comitê Gestor da Internet no Brasil,
de 2015 e da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, publicada em 2016.
Como procedimentos técnicos desta pesquisa foi realizada uma pesquisa
bibliográfica acerca do tema “práticas de leitura dos jovens” a partir em materiais
que já foram publicados, “constituído principalmente de livros, artigos de
periódicos e atualmente com material disponibilizado na internet” (MATIASPEREIRA, 2012, p. 89). O intuito é investigar de que modo esse leitor atual se
comporta ao se deparar com formas de leituras mais interativas, que o convidam
não apenas ler, mas produzir conteúdo, e consequentemente, novas formas de
conhecimento.

3 Os jovens e a leitura: novas formas de interação e o local da leitura
Ao nascer, o indivíduo passa a fazer parte da sociedade, sendo que a
família constitui seu primeiro grupo social. Com o passar do tempo é inserido em

�outros grupos como amigos, escola, trabalho etc. Ao fazer parte de grupos sociais,
o sujeito estabelece diversas relações com outras pessoas que pertencem ao
mesmo grupo social, formando pequenos grupos em sua volta, baseado em
sentimentos, preferências e interesses comuns.
A maioria dos jovens, atualmente, participam de mídias sociais. Quando
falamos em jovens, deve-se pensar nos indivíduos além da (possível)
“imaturidade”. Para Abramo (2005, p. 37) “juventude é desses termos que
parecem óbvios, dessas palavras que se explicam por elas mesmas e assunto a
respeito do qual todo mundo tem algo a dizer, normalmente indignadas ou
esperanças entusiasmadas”. Afinal os adultos de hoje foram jovens algum dia. Os
jovens da atualidade convivem cada vez mais com novas TIC, que permitem
comunicação e interação simultâneas.
As mídias sociais fornecem grau de sociabilidade, conforme relatado por
Bauman (2001) e Maffessoli (1998), e trouxeram consequências culturais para
sociedade. A forma de ler mudou, o leitor é que dá sentido ao texto, este último
depende da situação do texto e do leitor. Afinal, as circunstâncias pessoais influem
na nossa leitura, é o que evidencia o gráfico 1.
Gráfico 1 – Local de leitura
Cafeteria ou bares
Cyber café ou Lan House
Bibliotecas comunitárias
Livrarias
Parques, praças, shopping praia ou clubes
Bibliotecas Públicas
Consultórios, salões de beleza ou barbearia
Ônibus, trem, metrô ou avião
Trabalho
Sala de aula
Casa
0
Em papel

20

40

Digital

Ambos

60

Fonte: Retratos da Leitura no Brasil, 2016

80

100

120

�A presença das mídias sociais na atualidade torna-se um dos componentes
das transformações ocorridas, tudo isso em função da velocidade com que as
informações

circulam,

em

grande

parte

pela

instauração

de

redes

e

aprimoramento dos meios de comunicação.
Jouve (2002, p. 65) afirma que “o texto, em geral, contenta-se em dar
indícios; é ao leitor que cabe construir o sentido global da obra”. A leitura,
portanto, depende das inferências realizadas pelo leitor e esse leitor é dotado de
mecanismos que o possibilitam além de ler, debater o texto e, também, produzir
um outro texto, possibilitando assim novas formas de leitura e novos significados.
Chartier (1998, p. 104) salienta que é fundamental utilizar aquelas leituras
que são rejeitadas pelas normas escolares para dar acesso “à leitura em sua
plenitude, isto é, ao encontro de textos densos e mais capazes de transformar a
visão de mundo, as maneiras de sentir e pensar.
Os jovens hoje podem manter uma relação harmoniosa entre a leitura em
suporte impresso ou digital. Um suporte não desmerece o outro. As leituras
acadêmicas podem ser feitas utilizando as mídias sociais e os jovens nos
convidam a participar desse mundo juntamente com eles.

4 Considerações finais
Não se pode negar que a Internet revolucionou a forma de interação do ‘eu’
com o mundo. As relações sociais ganharam novas amplitudes com essa nova
forma de comunicação. Foram criadas formas de relacionar com as pessoas,
surgiram às mídias sociais, sendo um misto de interação e integração entre, texto,
imagem e som.
Cabe ao leitor no século XXI estar preparado para dicotomia entre o
impresso e o digital, uma vez que a leitura feita na Rede às vezes se torna
descontínua e fragmentada, porém tem enorme potencial de expansão entre os
leitores. Uma prova disso são os variados dispositivos criados para permitir ao
leitor comodidade e facilidade em levar suas leituras.

�O espaço virtual, ou ciberespaço, existe e devemos pensar em como
interagir com ele. Com base nos teóricos se pode afirmar que o local de encontro
é outro. Não estamos mais fixados a um só lugar, a leitura permite estarmos em
vários lugares e com as mídias sociais isso ficou mais evidente.
Instiga-se saber em quais mídias essas leituras são realizadas. É aí que
se discute as práticas de leitura nas mídias sociais. O leitor é, também, produtor
de conteúdo e está em contato por meio da Internet com outros leitores e
produtores de conteúdo. O ato de comunicar hoje está pautado na interação e o
meio hoje proporciona velocidade e novas formas de ação. E os jovens têm papel
primordial nesta nova prática de leitura, a leitura nas mídias sociais.

Referências
ABRAMO, Helena Wendel. Condição juvenil no Brasil contemporâneo. In:
Retratos da juventude brasileira: análises de uma pesquisa nacional.
Organizadores: Helena Wendel Abramo; Pedro Paulo Martoni Branco. São Paulo:
Instituto Cidadania : Fundação Perseu Abramo, 2005. p. 37-72.
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Tradução [de] Plínio Dentzien. Rio de
Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001. 258 p.
CHARTIER, Roger. A aventura do livro: do leitor ao navegador. Trad. Reginaldo
de Moraes. São Paulo: Editora UNESP/ Imprensa Oficial do Estado, 1998.
CHARTIER, Roger. Cultura popular: revisitando um conceito historiográfico. In:
Estudos históricos. v. 8, n. 16. Rio de Janeiro: 1995. p. 179-192.
JOUVE, Vicent. A leitura. Tradução de Brigitte Hervot. São Paulo: UNESP, 2002.
KLEIMAN, Angela. O ensino da leitura: a relação entre método e aprendizagem.
In: KLEIMAN, Angela. Oficina de leitura: teoria e prática. 14. ed. Campinas, SP:
Pontes, 2012. p. 73-97.
MAFFESOLI, Michel. O tempo das tribos: o declínio do individualismo nas
sociedades de massa. 2. ed. Tradução de Maria de Lourdes Menezes. Rio de
Janeiro: Forense Universitária, 1998. 232 p.
MATIAS-PEREIRA, José. Estrutura de um trabalho de pesquisa científica. In:
MATIAS-PEREIRA, José. Manual de metodologia da pesquisa científica. 3. ed.
rev. São Paulo, Atlas, 2012. p.71-102.

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