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                  <text>Explorando a formas de representação descritiva de marginálias
em obras raras

Luziana Jordão Lessa Trézze (FCRB) - luzianaj@yahoo.com.br
Elisa Machado (UNIRIO) - emachado2005@gmail.com
Resumo:
Apresenta parte de pesquisa que tem por objetivo propor diretrizes de representação para as
anotações manuscritas nos catálogos e repositórios de instituições de guarda da memória
coletiva no país. Trata-se de pesquisa aplicada, com abordagem qualitativa e com objetivos
exploratórios. Apresenta os resultados iniciais da pesquisa acerca da forma como as
bibliotecas brasileiras registram as anotações manuscritas, também conhecidas por
marginálias, em seus OPACs. O resultado revelou que não existe um padrão para tal registro
e, de modo geral, não são descritos os atributos desse tipo de registro, a exemplo da
identificação do anotador, do tipo de anotação, da localização, do tipo de marca, quantidade,
entre outros detalhes que colaborariam para qualificar a informação num registro
bibliográfico, justificando a necessidade da elaboração de diretrizes para a representação de
anotações manuscritas de maneira a facilitar o acesso e uso desse tipo de informação.
Palavras-chave: Representação descritiva. Anotações manuscritas. Bibliotecas brasileiras
Eixo temático: Eixo 12: V EEPC Encontro de Estudos e Pesquisas em Catalogação

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

�XXVIII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e
Documentação
Vitória, 01 a 04 de outubro de 2019.
Resumo expandido de comunicação científica
Videografia:

( ) Sim (X) Não

Explorando a formas de representação descritiva de marginálias em obras
raras
Introdução
As anotações manuscritas, também identificadas por marginálias, registradas
em livros e outros tipos de documentos bibliográficos se configuram como um
elemento valioso para a construção de uma identidade literária de seus autores.
O termo marginália, do adjectivo latino marginalis, significa “à margem de”.
No campo da Bibliografia, marginália refere-se aos conjuntos de comentários ou às
anotações escritas nas margens ou em outros espaços em branco próxima do texto
de uma página impressa, nas folhas em branco ou nas folhas de guarda de um livro.
Esse termo foi cunhado por Samuel T. Coleridge, o qual veio a revelar-se um mestre
exímio desta técnica e a tornar-se uma referência na história da anotação
(ESTIBEIRA, 2008; LOPEZ, 2007).
Ao ter acesso e desenvolver estudos acerca de anotações os pesquisadores
tem a possibilidade de conhecer mais sobre a pessoa que as fez, descobrir, por
exemplo, quais eram os seus interesses; quais foram os processos de construção
de pensamentos pontuais; quais os livros mais utilizados pela pessoa; e, se a obra
anotada serviu de embasamento para criação de outro texto dessa pessoa. Além
disso é possível investigar por meio de alguns tipos de anotações como a prática
da leitura era realizada em determinada época, avaliar os aspectos linguísticos
utilizados, bem como, requalificar o referido exemplar agregando um valor
diferenciado exatamente por ter anotações manuscritas.
Em vista disso, as instituições responsáveis pela preservação do patrimônio
e da memória coletiva, por meio dos seus usuários e profissionais da informação,
têm percebido a necessidade de indicar com maior clareza e precisão nos registros
bibliográficos armazenados e disponibilizados em seus Sistemas de Recuperação
da Informação (SRIs) a existência de anotações manuscritas em determinados
itens, quando as mesmas foram realizadas por leitores atentos que tiveram uma
participação ativa na história de uma determinada coletividade. No entanto, os
instrumentos utilizados para apoiar a representação descritiva de um documento
tratam as marginálias de forma superficial e ambígua e não trazem orientações
precisas para apoiar o trabalho dos catalogadores.
Inseridas nesse cenário, destacam-se as anotações realizadas por Rui
Barbosa nos quinze volumes da obra “Os sermões”, do padre Antônio Vieira, objeto

�do presente estudo. Esses volumes integram o acervo da Biblioteca Rui Barbosa,
da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), que está alocado no Museu Casa da
FCRB.
Dentro desse contexto, esta pesquisa tem por objetivo propor diretrizes de
representação para as anotações manuscritas no Repositório Rui Barbosa de
Informações Culturais (RUBI), tendo por base as anotações realizadas pelo Rui
Barbosa na obra “Os sermões”. No entanto, antes de iniciar a pesquisa
propriamente dita foi preciso saber como as bibliotecas brasileiras registram as
marginálias em seus catálogos e repositórios. Essa comunicação descreve o
levantamento realizado junto a 7 bibliotecas e os resultados obtidos.
Método da pesquisa
Trata-se de pesquisa de natureza aplicada, com abordagem qualitativa e, do
ponto de vista de seus objetivos, de caráter exploratório. A execução da pesquisa
foi prevista para ser realizada em 4 etapas, nas quais foram adotadas as técnicas
de pesquisa bibliográfica e documental, bem como o grupo focal e a análise de
conteúdo. Como mencionado anteriormente, essa comunicação apresenta um
recorte da pesquisa e, portanto, o detalhamento apresentado aqui refere-se ao
levantamento de dados acerca das formas de registro das anotações nos registros
armazenados nos catálogos de bibliotecas.
Os critérios para a seleção dessas bibliotecas levaram em consideração os
seguintes aspectos: estar localizada na cidade do Rio de Janeiro; oferecer catálogo
de acesso público online (OPAC); e, possuir coleções de obras raras em seus
acervos. Os resultados apontaram para as seguintes bibliotecas: Biblioteca
Nacional (BN), Biblioteca do Real Gabinete Português de Leitura, Biblioteca da
Academia Brasileira de Letras (ABL) e Bibliotecas da Fiocruz, Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade
Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Resultados
Dentre as 7 bibliotecas pesquisadas optamos por destacar como exemplo
dos resultados obtidos nas buscas, registros de anotações de 5 dessas instituições,
por considerá-los mais representativos para essa comunicação.
No OPAC da Biblioteca Nacional 5 registros bibliográficos merecem
destaque:
- Anotações manuscritas à tinta na p. de rosto;
- Exemplar com texto danificado. Anotação manuscrita a tinta nas
margens laterais;
- Anotações Manuscritas (tinta): marginália, manchetes e frôntis (ao
longo das páginas;
- Notas mss. as margens;
- Manuscrito a tinta na página de rosto.
Vale registrar que a representação das anotações manuscritas nessa
biblioteca foram inseridas no campo de nota geral, 500|a e nota local, 590|a, do

�MARC21.
No catálogo da Biblioteca do Real Gabinete Português foram selecionados 3
registros bibliográficos com exemplos de descrição de marginálias. Ressalta-se que
não foi possível verificar o campo MARC onde a representação de marginália foi
incluída, pois o mesmo não exibe esse formato para o usuário.
- Obra com anotações de leitura;
- Obra com anotação na página de rosto: Rua de Dona Luisa, 45 –
Gloria – Rio de Janeiro;
- Contém texto manuscrito no verso da página de rosto endereçado a
dr. Paulo de Magalhães;
- Obra com anotações manuscritas;
No catálogo da Biblioteca da ABL os campos do MARC utilizados para
representação de marginálias são o 500|a, nota geral e o 590|a, nota local, os
mesmos utilizados pela BN. A seguir encontram-se 3 exemplos:
- A biblioteca possui o v.2 Anotação manuscrita à tinta. Coleção Mario
da Gama Kury. Obra Rara.;
- Exemplar, reg.27617, fotocópia. Título de lombada: Conferências.
[reg.27617] Anotação manuscrita a tinta. [reg.27617] Ao alto título,
manuscrito, a tinta: “Austregedilo de Athaide”. [reg.4741] Abaixo do
título, manuscrito, a tinta: “Pronunciado de improviso.”[reg.4741].;
- Inclui addenda e corrigenda. Inclui esclarecimentos preambulares.
Notas mss. Página de rosto com marca de editor [...];
Nas Bibliotecas da Fiocruz destacam-se 4 registros bibliográficos para
exemplificar a forma como são descritas as marginálias naquela instituição. Nesse
caso, o campo do MARC utilizado é o 500|a, ou seja, nota geral.
- Anotação atrás da página de guarda;
- Assinatura manuscrita à tinta de (Monteiro da Silva) em todos os vols.
na página do rosto;
- Anotação manuscrita à tinta (Hoge de Dionizio Antônio...) na página
de rosto do v.8;
- Marginália na p.56.;
No catálogo das Bibliotecas da UFRJ, 4 registros de representação de
marginálias foram recuperados, todos no campo nota geral, 500|a. do MARC.
- Anotação manuscrita ilegível na página 147;
- Texto manuscrito;
- Anotações ilegíveis manuscritas na página de rosto;
- Marginália: informações manuscritas a tinta nas margens e em folhas
avulsas entre páginas. Carimbo de registro no volume 2 do Instituto
Nacional de Música obra n. 1497 volume .906;
Discussão
A pesquisa acerca da forma como as bibliotecas fazem o registro de
anotações manuscritas em seus catálogos contribuiu para analisar o cenário desse
tipo de representação no contexto de acervos que contém obras raras e especiais,
como é o caso do acervo da Fundação Casa de Rui Barbosa. Trata-se do primeiro
passo para a construção de diretrizes para o registro de marginálias, objetivo geral

�dessa pesquisa.
É preciso lembrar que o levantamento foi realizado com o intuito de identificar
a forma como esse tipo de informação é apresentada para o usuário, e não
pretendeu ser um estudo exaustivo. Aqueles que querem aprofundar esse tipo de
estudo poderão lançar mão, complementarmente, das políticas e manuais de
catalogação dessas bibliotecas. Afinal, vale conferir se existe orientações internas
para os catalogadores?
O resultado obtido nessa primeira etapa revelou que não existe uma
padronização dos termos para representarem as anotações, tampouco orientações
acerca da forma de redação da nota, ou ainda quanto aos seus detalhes, como por
exemplo a identificação do anotador, a classificação dos tipos de anotações, a
localização, tipos de marcas, quantidade, entre outros aspectos que ajudariam o
usuário/pesquisador a optar por obter o referido material.
Além disso, em relação aos campos do MARC 21 utilizados por essas
bibliotecas foi possível verificar o uso de ora do campo 500|a (notas gerais), ora do
campo 590|a (notas locais).
Vale informar que paralelamente a esse levantamento foi realizado um
estudo sobre a forma como os instrumentos de catalogação (ISBD, AACR2r, RDA)
orientam o registro de marginálias e, por meio desse levantamento foi possível
constatar que os mesmos não especificam, ou aprofundam o detalhamento em
relação as características de anotações. Tratam essa questão de forma geral,
deixando que cada biblioteca adote em sua política de catalogação diretrizes locais
para descrever esse tipo de registro.
Os próximos passos da pesquisa envolvem a análise de conteúdo das
anotações na obra “Os sermões” do Padre Antônio Vieira, com vistas a categorizalas e, posteriormente, discutir com os pesquisadores/usuários do acervo da FCRB
suas especificidades e necessidades durante a recuperação desse tipo de registro.
Considerações finais
Importante ressaltar que os resultados aqui apresentados forneceram
subsídios para o desenvolvimento de diretrizes de representação para as anotações
manuscritas no Repositório Rui Barbosa de Informações Culturais (RUBI), objetivo
principal da pesquisa em andamento.
Acredita-se que o estabelecimento de diretrizes para esse tipo de registro
dará maior clareza e consistência à representação de documentos raros,
colaborando para a melhoria da qualidade da recuperação da informação, como é
recomendado pela Declaração de Princípios Internacionais de Catalogação (PIC).
Tratam-se de informações específicas padronizadas sobre um determinado tipo de
coleção e para um determinado perfil de usuário, ou seja, estamos falando de
esforços para assegurar o acesso a dados compreensíveis e adequados para os
usuários, cumprindo assim, os objetivos e funções do catálogo (INTERNATIONAL
FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS, 2016).

�Referências
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Academia Brasileira de letras: terminal.
[Base de dados]. [2018]. Disponível
em:&lt;http://www.academia.org.br/acervo/terminal/index.html&gt;. Acesso em: 10
jun.2018.
BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Sophia biblioteca – Terminal web. [Base de
dados]. [2018]. Disponível em: &lt;http://acervo.bn.br/sophia_web/&gt;. Acesso em: 10
jun. 2018.
ESTIBEIRA, Maria do Céu L. A marginália de Fernando Pessoa. 2008. 328 f.
Tese (Doutorado em Literatura Comparada) - Faculdade de Letras, Universidade
de Lisboa, Lisboa, 2008.
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Bib Fiocruz - versão 23. [Base de dados].
[2018]. Disponível em:&lt;https://acervos.icict.fiocruz.br/F&gt;. Acesso em: 10 jun.2018.
INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS. Statement of
International Cataloguing Principles (ICP). 2016. Não paginado. Disponível em:
&lt; https://www.ifla.org/files/assets/cataloguing/icp/icp_2016-en.pdf &gt;. Acesso em:
06 jun. 2018.
LOPEZ, Telê Ancona. A criação literária na biblioteca do escritor. Ciência e
Cultura, v.59, n.1, p.33-37, 2007. Disponível em:
http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S000967252007000100016 . Acesso em: 22 abr. 2018.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.
UNIRIO - Universidade Federal do Rio de Janeiro Estado do Rio De Janeiro. [Base
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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE. Pergamum-UFF. [Base de
dados]. [2018]. Disponível em:
&lt;https://app.uff.br/pergamum/catalogo/biblioteca/index.php&gt;. Acesso em 10
jun. 2018.

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