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                  <text>A política de indexação do Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal de Goiás

Enderson Medeiros (UFG) - enderbass@hotmail.com
Resumo:
Apresenta a política de indexação do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Goiás,
destacando a metodologia utilizada para sua construção. Discorre sobre as características e
peculiaridades que formataram o direcionamento da construção de uma política de indexação
focada num sistema de bibliotecas que abarca desde biblioteca escolar até biblioteca
especializada. Sintetiza que a tomada de decisão para construção de uma politica de
indexação no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Goiás, resultou em benefícios
imediatos para atividade de indexação no que diz respeito a padronização de procedimentos,
controle de vocabulário e clareza no uso da linguagem que poderá ser explicitada aos usuários
com o mínimo de equívocos para controle de recuperação da informação.
Palavras-chave: Indexação, Política de Indexação
Eixo temático: Eixo 12: V EEPC Encontro de Estudos e Pesquisas em Catalogação

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�XXVIII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e
Documentação
Vitória, 01 a 04 de outubro de 2019.
VIDEOGRAFIA:
( ) SIM (X) NÃO
MODELO 2: RESUMO EXPANDIDO DE RELATO DE
EXPERIÊNCIA

INTRODUÇÃO
O conceito de política de indexação que envolve o procedimento técnico e
intelectual que direciona as formas de representar tematicamente um item
informacional para pesquisa em seu catálogo, é um conceito que exige um amplo
esforço por parte de qualquer biblioteca que almeja defini-lo em sua prática e
complexidade. Deste modo, a implantação de uma política de indexação é uma
tarefa que implica um empenho participativo dos atores envolvidos, pois seu
sucesso de implantação depende de sua adaptação na filosofia institucional.
Assim, a preocupação no que se refere a pensar uma politica de indexação, ou
seja, a determinação adequada dos termos ou assuntos atribuídos aos registros
informacionais, deriva de um estudo preciso que proporcione o suporte adequado
para aprofundar nos conhecimentos teóricos e práticos da indexação. A política de
indexação do Sistema de Bibliotecas da UFG (SIBI-UFG) se constitui a partir
dessas premissas procurando primeiramente conhecer os procedimentos já
existentes para realizar a indexação com a proposta de estabelecer parâmetros
comuns a serem adotados por todas as bibliotecas que o formam. Nesse sentido,
o foco da política de indexação do SIBI-UFG é buscar uma solução uniforme e
padronizada para as possíveis incoerências que surgem no processo de
representar tematicamente um item no catálogo.
A POLÍTICA DE INDEXAÇÃO DO SIBI
O SIBI-UFG é um órgão suplementar da Universidade Federal de Goiás,
oficialmente responsável por gerenciar toda coleção bibliográfica de suporte físico
e digital acumulada entre as 9 (nove) bibliotecas que compõe o sistema. Nesse
âmbito, o SIBI-UFG possui a função de direcionar políticas, técnicas e
instrumentos que sejam capazes de promover o acesso dos seus usuários as
informações que ele gerencia. Para o alcance deste objetivo o SIBI-UFG dispõe
em sua estrutura organizacional divisões funcionais que englobam o processo de
tratamento da informação. No que tange fundamentalmente a atividade de
indexação, os elementos que consubstanciaram a elaboração da politica foram:cobertura temática; - seleção e tipos de documentos; - público alvo, indexador; concordância; - exaustividade; - especificidade; - consistência; - sistema de busca
e recuperação por assuntos.
Cada um desses elementos que protocolarmente corrigem o trabalho de
indexação foi trabalhado de forma hierárquica, prática e processual em um
documento que pudesse além de apresentar as diretrizes, também pudesse
discorrer de forma operacional o modo de fazer a indexação de acordo as regras
apresentadas. Neste sentido, a política de indexação do SIBI-UFG primou em ser

�além de um documento que apresenta os princípios da organização da atividade
de indexação, mas, também um documento que explicitasse de forma prática
como realizar estes procedimentos. De modo oportuno, a equipe envolvida em
formatar a política de indexação apresenta então um documento que se
caracteriza como uma politica e manual de indexação. A construção deste
documento percorreu um período de 2 (dois) anos (2017-2018) estabelecidos em
um planejamento que seguiu as etapas de:
a)compreender atividade de indexação existente: Nesta etapa os
responsáveis tomaram depoimentos de bibliotecários que realizavam a tarefa de
indexação há mais tempo. O objetivo foi anotar todas peculiaridades do processo
na visão de quem realizava a tarefa. Os dados compilados deste trabalho
sintetizaram uma indexação feita pelo SIBI-UFG que a priori buscava acompanhar
a base conceitual implantada pela Rede BIBLIODATA1, e esta por sua vez remetia
aos ditames e padrões da Biblioteca do Congresso Americano (Library of
Congress). As regras de cabeçalho de assunto, linguagem usada para indexação
no SIBI-UFG durante um período foi controlada por um consórcio de bibliotecas
que formavam a REDE BIBLIODATA. No entanto, com a decadência da rede e a
famigerada busca pela automação juntamente com os vários eventos históricos
que acompanharam o ensino superior nos anos 90, culminou em circunstâncias
que corroboraram para falta de controle e atualização do vocabulário que era
promovido pela REDE BIBLIODATA. Este cenário somado a fatores como
escasso recurso humano designado para tarefa, à falta de um amparo institucional
que pudesse conduzir os procedimentos acordados pela rede BIBLIODATA, além
é claro do descompasso social de diversas instituições bibliotecas no Brasil,
tornou a indexação no SIBI-UFG amadora. Entendendo o amadorismo como falta
de conhecimento adequado para responder demandas e dirimir soluções. Foi
possível registrar que entre os responsáveis pela indexação não existia amplo,
claro e profundo conhecimento sobre a linguagem utilizada para indexar, o que de
fato impedia e distorcia a base conceitual para dialogar e propor regras e padrões.
Em suma, ocorria um descompasso entre a compreensão de como fazer uso
padronizado de um vocabulário controlado e o trabalho propriamente dito da
indexação.
b)capacitação profissional : os diálogos entorno da elaboração de uma
política de indexação para SIBI-UFG perpassavam recorrentemente ações de
capacitação que retomariam abordagens e perspectivas práticas e teóricas que
coordenam o processo de indexação. Neste âmbito, foi realizado duas ações de
capacitação em que envolveu um seminário de 2 (dois) dias com palestras sobre
o tema de indexação e um curso especifico de 40 horas voltado para elaboração
de uma politica de indexação.
1

O SIBI-UFG desde década de 1990 foi cooperante da Rede BIBLIODATA, entretanto a partir de junho de
2017 por questões de reestruturação de seu catálogo de autoridades deixou de ser cooperante. O motivo
explicitado pelos bibliotecários do SIBI-UFG foi o controle de entrada dos registros que a rede BIBLIODATA
fornece. Segundo depoimento dos bibliotecários ao longo dos anos a rede perdeu o controle de qualidade
dos registros e a confiabilidade das atualizações do vocabulário o que dificultava a validade e integridade do
seu uso. Para maiores informações sobre histórico e embasamentos da Rede Bibliodata : SOUZA, Terezinha
Batista de. Catalogação cooperativa na rede BIBLIODATA/CALCO: a questão da repetitividade dos títulos no
catálogo coletivo.Campinas, 1999. Dissertação (mestrado) – Pontificia Universidade Católica de Campinas.

�c) vocabulário controlado: a escolha do vocabulário para estabelecer o nível
de concordância da indexação foi à tarefa que mais exigiu atenção, pois existia a
necessidade de controle, contudo havia também a preocupação em não se perder
todo um trabalho de anos que já existia no SIBI. Desta forma, a decisão foi por
seguir rigorosamente o vocabulário da Biblioteca Nacional (BN) no que tange ao
seu catálogo de autoridades. A fixação deste padrão foi influenciada pelo
aproveitamento do trabalho já realizado pelo SIBI no que diz respeito ao controle
de autoridades, e também pela explanação da base conceitual da BN feita por
Grings (2015), que na compreensão da equipe adaptava com maior facilidade o
trabalho de controle de vocabulário que já vinha sendo feito pelo SIBI.
d)reelaborar o saber e o fazer : o empenho em refletir e corrigir o processo
da indexação no SIBI-UFG auxiliado pelas diversas falas de especialistas que
estudaram sobre o tema, trouxe um indicador consensual entre toda a equipe que
foi a necessidade inadiável de buscar meios de controlar seu catálogo de
autoridade. As tomadas de decisões neste âmbito culminaram na designação de
responsáveis dentro da equipe para elaborar documentos metodológicos de
orientação para representação documental, que resultou no Manual Política de
Indexação do SIBI-UFG.
O Manual Política de Indexação do SIBI-UFG procurou considerar as
peculiaridades de todas as bibliotecas no que tange o trabalho de indexação
reelaborando substancialmente a compreensão do seu objetivo por parte da
equipe. Neste aspecto, foi enfatizado e registrado que o público alvo deste
documento seria toda a comunidade de usuários das Bibliotecas, em especial os
professores e discentes, no intuito de apresentar e se fazer compreender em todo
processo metodológico de construção de uma autoridade no catálogo, com vistas
a disponibilizar um vocabulário inteligível e controlado. O foco como aborda Fujita
(2016, p.17) é que a elaboração de uma política de indexação emane sempre de
um
“consenso entre usuários, indexadores, bibliotecários
de referência e dirigentes, atores principais envolvidos
no processo cotidiano onde as ações e mudanças
acontecem e não dependem de um padrão de conduta
uniforme, mas essencialmente de necessidades,
comportamentos, decisões estratégicas e, sobretudo,
de sociocognição”.
A ideia de redefinir o público alvo da política foi de retirar a perspectiva
fechada do corpo técnico bibliotecário, de um trabalho dividido socialmente sem
comunhão intrínseca com as atividades de atendimento e recuperação da
informação. Nesse sentido, a política de indexação também redefiniu a divisão
social do trabalho de indexação no SIBI-UFG criando 3 (três) níveis de
responsabilidade no processo de alterar, incluir, substituir ou subtrair autoridade.
O nível colegiado é o nível que permite uma interlocução de todos os
usuários da biblioteca com a política de indexação, este nível foi denominado
Grupo de Estudo de Autoridade do SIBI/UFG (GAS), formado por 1 (um)
bibliotecário representante de cada biblioteca que compõe o sistema. Cabe ao

�representante de cada biblioteca, colher e reunir as sugestões e reclamações que
surgirem sobre o processo de indexação. Está também ao encargo do GAS
responder questionamentos feitos em formulário próprio reclamações ou
sugestões demandadas à politica de indexação usada no SIBI-UFG. O segundo
nível sênior vincula-se ao perfil de bibliotecário catalogador denominado
“Processamento técnico - Supervisor”. Este perfil está habilitado apenas aos
bibliotecários que no exercício de suas atividades demonstrem capacidade,
habilidades e experiência que será comprovada por meio de avaliação da chefia
imediata. Este perfil concentra toda permissão de incluir, alterar, substituir e
subtrair qualquer registro de autoridade disposto no catálogo. A disposição desse
nível de permissão está subordinada as decisões e diretrizes do GAS. E por fim, o
nível básico, que se encontra o perfil de bibliotecário catalogador denominado
“Processamento técnico - Apoio”. Este perfil está habilitado aos bibliotecários para
fazerem uso das autoridades dispostas no catálogo em concordância com
linguagem adota, não sendo permitido por controle do catálogo Sophia incluir,
alterar, substituir e subtrair quaisquer autoridade disposta.
Essa organização sistemática de responsabilidades com o trabalho de
indexação adotou princípios reguladores que procuraram não somente uma
padronização dos procedimentos, mas também a impulsão pela qualidade na
indexação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS OU CONCLUSÕES
A implementação de uma política de indexação no SIBI-UFG trouxe
diversas melhorias no processo de representar o conhecimento dentre as quais se
destacam:
a)controle rigoroso do vocabulário : a adoção rigorosa e fixada da
linguagem documentária do SIBI-UFG aos Termos da Linguagem da Biblioteca
Nacional Brasileira (BN) solucionou por definitivo a problemática das
incongruências advindas pela falta de um vocabulário controlado.
b)especialização do trabalho: a necessidade de criar perfis de autorização
para inserir, apagar e corrigir os campos de autoridade no catálogo de acordo com
o conhecimento e experiência apresentado pelo bibliotecário, proporcionou
segurança a equipe e eliminou por completo problemas relacionados aos erros e
inconsistência no processo de inserção de autoridades.
c)Procedimento Operacional Padrão (POP): a constituição de uma política
de indexação que pudesse funcionar também como um manual de instrução
detalhando todas as operações necessárias para a realização da indexação,
garantiu a padronização de todos procedimentos e facilitou o trabalho de todos
que realizam a indexação. Em síntese a implementação da política de indexação
do SIBI-UFG traduziu toda sistemática do trabalho que já era realizado
aperfeiçoando os processos e corrigindo as incoerências de todas as sequências
que envolvem a indexação.
REFERÊNCIAS:
FUJITA, M. S. L. et al. A política de indexação para as bibliotecas universitárias da
Unesp: da elaboração da proposta à implantação. In: FUJITA, M. S. L. FUJITA, M.
S. L. (Org.). Política deindexação para bibliotecas: elaboração, avaliação e
implantação. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2016. p. 41-65. Disponível em:

�&lt;https://www.biblioteca.unesp.br/portal/arquivos/pdf/politicas-de-indexacao-parabibliotecas_ebook.pdf&gt;. Acesso em: 19 set. 2017.
GRINGS, Luciana. Controle de autoridades na Biblioteca Nacional do Brasil :
breve histórico e práticas atuais. Revista Brasileira de Biblioteconomia e
Documentação, São Paulo, v.11, n.2, p.139-154, jul./dez. 2015.

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