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                  <text>INTERNACIONALIZAÇÃO DE PERIÓDICOS CIENTÍFICOS
BRASILEIROS: EXIGÊNCIAS REQUERIDAS.

Danielle Borges Pereira (UDESC) - danielle.borges.pereira@gmail.com
Irajayna de Sousa Lage Lobão (UDESC) - iraph13@gmail.com
Elaine Rosangela de Oliveira Lucas (UDESC) - lanilucas@gmail.com
Resumo:
A Internacionalização dos periódicos científicos aparece como uma maneira de proporcionar
visibilidade à pesquisa possibilitando o aumento da colaboração internacional. Tendo em vista
esse contexto, essa pesquisa objetiva reunir os critérios de internacionalização dos periódicos,
apontando características requeridas, bem como, sua importância e seus benefícios para a
comunicação cientifica brasileira. A pesquisa é qualitativa e exploratória, realizada por meio
de levantamento bibliográfico-documental. Trata das características e critérios instituídos
pelos órgãos de fomento Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES) e a Scientific Electronic Library Online (SciELO) no que diz respeito à
internacionalização de periódicos científicos brasileiros e aos relatos de caso descritos na
literatura da área, além da revisão bibliográfica em bases de dados referentes aos objetivos
dessa pesquisa. Foi possível visualizar uma relação de critérios de internacionalização como:
Admissão e permanência de periódicos; Avaliação de manuscritos; Idioma; Afiliação de
autores; Marketing e divulgação; Avaliação de formato, representatividade e distribuição
institucional, temática e geográfica; Indicadores de internacionalização dos periódicos. Por
fim, tem-se como ponto importante a se destacar os questionamentos decorrentes da real
necessidade de internacionalização, tendo em vista que para os periódicos trata-se de um
processo decorrente da pressão do ambiente cientifico-institucional brasileiro e não de uma
estratégia deliberada pelos próprios periódicos.
Palavras-chave: Internacionalização de periódicos.
cientifica. Periódicos científicos.

Produção

cientifica.

Comunicação

Eixo temático: Eixo 7: Comunicação científica, formação do bibliotecário e o ensino de
Biblioteconomia.

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�INTERNACIONALIZAÇÃO DE PERIÓDICOS CIENTÍFICOS
BRASILEIROS: EXIGÊNCIAS REQUERIDAS
Introdução: A ciência vem se modificando durante os séculos,
acompanhando o desenvolvimento das Tecnologias de Informação e
Comunicação. Gulka (2016) aponta que, para a ciência ser legitimada e
aceita pelos pares, é necessário que ela seja comunicada, o que
justificaria os recursos investidos para sua execução. No período
medieval, a comunicação científica ocorria na forma oral e através dos
registros manuscritos de monges copistas (BURKE, 2003). No início do
século XVII, o principal meio utilizado para comunicação pelos
pesquisadores eram as cartas (SILVEIRA, 2016). Assim, após o advento
da imprensa, os cientistas necessitaram de um meio de comunicação
rápido e eficaz. Nesse contexto, surgem os periódicos científicos (GULKA,
2016). Na segunda metade do século XX, as tecnologias de informação e
comunicação iniciam um vertiginoso desenvolvimento, modificando
diversos aspectos do fazer científico. Nesse esteio, nascem os periódicos
eletrônicos, que vêm a se sobrepor aos impressos por suas caraterísticas
que propiciam uma maior difusão, diminuição de custos e celeridade no
desenvolvimento de suas edições. A atual sociedade apresenta condições
de compartilhamento global de informações e conhecimentos, assim
sendo, surge o conceito de internacionalização, conceito amplo, que
agrega o caráter internacional universalizador das instituições de ensino
superior, espaços de diferentes visões e modos de pensar dos seres
humanos, de partes distintas do planeta (STALLIVIERI, 2004, p. 2). A
internacionalização dos periódicos científicos aparece nesse cenário como
uma maneira de proporcionar visibilidade à pesquisa, de modo a aumentar
a colaboração internacional. Tendo em vista esse amplo contexto, esta
pesquisa objetiva reunir os critérios de internacionalização dos periódicos
– apontando características requeridas, bem como sua importância e seus
benefícios para a comunicação científica brasileira.
Método da Pesquisa: A pesquisa é qualitativa e exploratória, realizada
por meio de levantamento bibliográfico referente às características e
critérios instituídos pelos órgãos de fomento Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Scientific
Electronic Library Online (SciELO) no que diz respeito à
internacionalização de periódicos científicos brasileiros e aos relatos de
caso descritos na literatura da área, além da revisão bibliográfica em
bases de dados referentes aos objetivos deste trabalho. O material
estudado e analisado para a formação do corpus da pesquisa é
constituído por documentos publicados no período entre 2000 e 2016, das

�diversas áreas do conhecimento correspondentes à produção científica
brasileira, sobretudo na pós-graduação.
Resultados e Discussão: A internacionalização de periódicos vem sendo
um forte e recorrente tema nas discussões e debates realizados em
diferentes eventos ocorridos nos últimos anos, e nos quais as
universidades brasileiras têm debatido a respeito da visibilidade da sua
produção científica. Por outro lado, esse tema atingiu instituições como a
CAPES e iniciativas como o SciELO, fazendo com que elas constituíssem
critérios próprios de reconhecimento da internacionalização nos periódicos
(FORTES, 2016).
Com a chegada dos periódicos eletrônicos na década de 1990, foram
instituídos alguns critérios para que as revistas conseguissem o
financiamento oferecido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq), como a avaliação dos periódicos pela
CAPES, por exemplo. Nessa mesma época surgiu o SciELO, “uma
metodologia para publicação eletrônica” (GUEDES, 2013, p. 2). No
mesmo período, houve um aumento da produção científica, sobretudo
pela ampliação dos programas de pós-graduação nas universidades
brasileiras. Com os critérios estabelecidos, porém, tornou-se mais difícil
publicar, bem como manter uma revista científica de qualidade, segundo
avaliação da CAPES (GUEDES, 2013).
Nos anos 2000, o formato de periódico eletrônico avançou como forma de
publicação e divulgação de resultados científicos, e tornou-se necessário
publicar em revistas que estivessem indexadas em bases de dados
internacionais, com esse intuito o SciELO desenvolveu critérios de
internacionalização que devem ser cumpridos afim de entrar e
permanecer na base de dados. A internacionalização dos periódicos
possui três vias de efetivação: a primeira corresponde à admissão das
revistas nacionais em grandes editoras internacionais com editores
influentes (HIMURA et. al, 2014; TRZESNIAK, 2000); a segunda via fica
encarregada da internacionalização autoconduzida, e mesmo não
participando de uma editora de renome, procura ajustar e adaptar os
periódicos aos requisitos das bases de dados de acesso aberto, como
SciELO e Redalyc (PACKER, 2014); a terceira e última via diz respeito ao
alcance da indexação em bases de dados internacionais, tais como Web
of Science (JCR - Journal Citation Reports) e Scopus (SJR - SCImago
Journal &amp; Country Rank). (BORINI; FERREIRA, 2015).
As revistas científicas não precisam necessariamente estar em uma base
de dados internacional de grande porte ou seguir todos os requisitos
estabelecidos pelo SciELO, no entanto, essas duas alternativas auxiliam
no processo de internacionalização, uma vez que a indexação em bases
de dados fortes, além de ser uma das formas de divulgação mais
reconhecidas, fomenta a visibilidade internacional e consequentemente o
aumento de citações de artigos contidos em revistas que atendem a esses
critérios. (BORINI; FERREIRA, 2015).

�Existe uma incisiva exigência pela internacionalização dos periódicos
científicos imposta pela CAPES. Segundo Guedes (2013), essas
exigências estão estabelecidas no Sistema de Avaliação dos Periódicos
(Qualis) e na consequente avaliação dos programas de pós-graduação
com base nesse sistema. Tal feito é atingido quando o periódico possui
reconhecimento científico em sua área, boa disseminação, indexação em
bases de renome e publicações de diferentes instituições. Com isso, a
qualificação dos periódicos será rapidamente atingida com a
internacionalização, principalmente a partir da diversificação, institucional
e geográfica, de autores e pareceristas. (FRIGERI; MONTEIRO, 2014).
Sendo assim, é possível visualizar uma relação quanto aos critérios de
internacionalização estabelecidos pelo SciELO (2014), os quais se
dividem nas seguintes categorias:
Admissão
e
permanência
de
periódicos:
Maximizar
a
internacionalização do corpo de editores, atendendo às porcentagens
estabelecidas pelo SciELO.
Avaliação de manuscritos: Na revisão dos documentos, os pareceristas
devem ser nacionais e estrangeiros; maximizar a participação de
pareceristas afiliados a instituições do exterior, atendendo às
porcentagens estabelecidas pelo SciELO.
Idioma: Os textos dos periódicos devem ter ênfase no português e inglês,
permitindo publicação simultânea em duas ou mais línguas; maximizar a
quantidade de artigos originais e de revisão em inglês, atendendo às
porcentagens estabelecidas pelo SciELO.
Afiliação de autores: Aumentar a participação de autores com afiliação
estrangeira, atendendo às porcentagens estabelecidas pelo SciELO.
Marketing e divulgação: Apresentação de uma lista atualizada de
pesquisadores potenciais, autores, usuários nacionais e internacionais e
de instituições relacionadas.
Avaliação de formato, representatividade e distribuição institucional,
temática e geográfica: A internacionalização do corpo de editores,
pareceristas e autores são considerados um indicador positivo.
Indicadores de internacionalização dos periódicos: Aumento da
presença nas mídias sociais; crescimento de pesquisadores estrangeiros
com funções de editores-chefes, editores associados e pareceristas;
aumento dos artigos publicados em língua inglesa, autores com afiliação
estrangeira e de artigos elaborados em colaboração internacional;
evolução de downloads originários do Brasil no exterior e evolução da
quantidade de citações por artigos concedidas por autores estrangeiros.
Considerações Finais: Neste documento, compilamos critérios de
internacionalização no contexto da publicação dos periódicos científicos
brasileiros, ou seja, uma coletânea de critérios propostos pela CAPES e
SciELO. Em 2016, o SciELO estabeleceu novos critérios de
internacionalização com finalidade de aumentar a visibilidade e o impacto
de artigos de revistas no cenário internacional. Dentre os fatores
estratégicos estava o aumento do percentual de artigos originais em inglês

�nas revistas científicas indexadas, com diferenças que variam de acordo
com a área do conhecimento, de modo a motivar a leitura e citações aos
artigos no exterior. Ponto importante a se destacar – e que pode ser um
questionamento para estudos futuros – diz respeito a real necessidade de
internacionalização, tendo em vista que, para os periódicos, trata-se de
um processo decorrente da pressão do ambiente científico-institucional
brasileiro, e não de uma estratégia deliberada pelos próprios periódicos.
A pergunta a fazer é: até que ponto a pressão das autoridades científicas
brasileiras não eclipsa a real necessidade da internacionalização dos
periódicos, tendo em vista suas especificidades? Critérios como os do
SciELO, que exigem determinados percentuais de artigos em inglês,
podem subvalorizar o uso do espanhol como língua influente, sobretudo
considerando a ciência latino-americana, além de outras línguas
relevantes para determinadas áreas do conhecimento, como o francês
para a sociologia e linguística ou o alemão para a filosofia. (MEDEIROS,
2017).
Referências:
BORINI, F. M.; FERREIRA, J. Internacionalização de periódicos científicos
brasileiros: estudo de caso à luz da teoria de redes e da teoria
institucional. RIAE, [S.l.], v. 14, n. 4., p. 24-40 out./dez. 2015.
BURKE, P. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a
Diderot. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
FORTES, R. Política científica no Brasil: dilemas em torno da
internacionalização e do inglês. Interfaces Brasil/Canadá, Canoas, v. 16,
n. 1, p. 142-180, mar. 2016.
FRIGERI, M.; MONTEIRO, M. S. A. Qualis periódicos: indicador da política
científica no Brasil? Estudos de Sociologia, Araraquara, v.19, n. 37, p.
299-315, jul./dez. 2014.
GUEDES, M. do C. Internacionalização de periódicos científicos em
ciências humanas: há ainda o que pensar ou só resta obedecer? Boletim
da ANPEPP, Vitória, n. 46, jul. 2013.
GULKA, J. A. Análise de presença digital: um estudo do Portal de
Periódicos UFSC. 2016. 203 p. Dissertação (Mestrado profissional) Universidade do Estado de Santa Catarina, Centro de Ciências Humanas
e da Educação, Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação.
Florianópolis, SC, 2016.
HIMURA, H. et al. O processo de internacionalização de periódicos
nacionais. Revista de Administração Contemporânea, v. 18, n. 6, p. 24, 2014. Disponível em:

�&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S14156555201400
0600002&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt; Acesso em: 10 jul. 2017.
MEDEIROS, C. F. Internacionalização para além dos artigos em inglês.
Ciência em Revista, 3 mar. 2017. Disponível em:
&lt;http://www.blogs.ea2.unicamp.br/cienciaemrevista/2017/03/03/internacio
nalizacao/&gt;. Acesso em: 10 jul. 2017.
PACKER, A. L. A internacionalização dos periódicos foi tema central da IV
Reunião Anual do SciELO. SciELO em Perspectiva, dez. 2014.
Disponível em:
&lt;http://blog.scielo.org/blog/2014/12/16/ainternacionalizacao-dosperiodicos-foi-tema-central-da-iv-reuniao-anualdoscielo/#.WWgm8xXyvIU&gt; Acesso em: 10 jul. 2017.
SCIELO. Critérios, política e procedimentos para a admissão e a
permanência de periódicos científicos na coleção SciELO Brasil. São
Paulo: SciELO, set. 2014. Disponível em:
&lt;http://www.scielo.br/avaliacao/20141003NovosCriterios_SciELO_Brasil.p
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SILVEIRA, L. da. Portais de periódicos das universidades federais
brasileiras: documentos de gestão. 2016. 222 p. Dissertação (Mestrado
profissional) - Universidade do Estado de Santa Catarina, Centro de
Ciências Humanas e da Educação, Programa de Pós-Graduação em
Gestão da Informação, Florianópolis, 2016.
STALLIVIERI, L. Estratégias de internacionalização das universidades
brasileiras. Caxias do Sul: EDUCS, 2004. Disponível em:
&lt;http://iglu.paginas.ufsc.br/files/2014/08/SLIDES-LUCIANE.pdf&gt; Acesso
em: 10 jul. 2017.
TRZESNIAK, P. A concepção e a construção da revista científica. In:
ENCONTRO NACIONAL DE EDITORAÇÃO CIENTÍFICA E CULTURAL,
2., 2000, Belém, 2000. Anais... Belém: UFPA. 2000.

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Documentação&#13;
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