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                  <text>A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO DISCURSO DOS
PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO: análise de conteúdo de
periódicos

Georgete LOPES FREITAS (UFMA) - georgete.lf@gmail.com
Resumo:
A Sociedade da Informação e o discurso proveniente de revistas científicas em Educação.
Objetiva analisar os discursos dos pesquisadores em Educação sobre os desenhos do Currículo
na Sociedade da Informação, divulgados na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Revista
Educação e Sociedade e Revista Currículo sem Fronteiras, no período de 2001 a 2011. Tipifica
a pesquisa como documental e campo relacionada à análise dos periódicos científicos
representantes das vertentes, respectivamente, do governo, grupos de pesquisa e operadores
do currículo. Conclui que os pensadores da Educação na sua teoria pedagógica referem o
demérito da Sociedade da Informação vinculada ao pensamento neoliberal de desempenho.
Palavras-chave: Sociedade da Informação. Currículo. Produção Científica. Educação. Brasil.
Eixo temático: Eixo 7: Comunicação científica, formação do bibliotecário e o ensino de
Biblioteconomia.

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�1 INTRODUÇÃO
As ciências vivenciam nas diferentes épocas históricas as ideias de
mudanças, de rupturas, de novos paradigmas. Tais mudanças não são prerrogativas
apenas da segunda metade do século XX e século XXI, mas é parte inerente a todas
as grandes contestações e transformações sociais operadas no mundo, pois as
sociedades vivem os seus processos históricos, que podem ser entendidos como
pós-modernos na concepção do termo de hoje.
Esse paradoxo ocorre no discurso pós-moderno de Lyotard (1993, p.28) onde:
O si mesmo é pouco, mas não está isolado; é tomado numa textura de
relações mais complexa e mais móvel do que nunca. Está sempre, seja
jovem ou velho, homem ou mulher, rico ou pobre, colocado sobre os „nós‟
dos circuitos de comunicação [...]. E ele não está nunca, mesmo o mais
desfavorecido, privado de poder sobre estas mensagens que o atravessam
posicionando-o, seja na posição de remetente, destinatário ou referente.

É com esse jogo de linguagens que o educador e os demais profissionais
como o bibliotecário, se deparam: o ser não é o que parece; o estar nem sempre é o
que se representa à frente; o viver junto nem sempre é agradável (quase sempre
não é); o fazer nem sempre pode ser feito porque não existem os meios e interesses
para realizá-lo, o aprender a aprender carece da própria experiência dos professores
que não aprenderam a aprender e, por vezes, nem querem que os alunos aprendam
a aprender. Há coisa mais complexa do que essa realidade? Um eterno jogo de
querer e não querer no qual o professor não confessa nem a si próprio no mais
escondido recanto.
O Periódico científico é apresentado como instrumento para a pesquisa por se
caracterizar como o meio por excelência de publicação, do fazer e das reflexões de
uma comunidade de pesquisadores e por se entender que houve a descrição densa
da cultura, os conhecimentos estabelecidos a partir da análise do discurso dos
pesquisadores da área da Educação.
Objetivou-se abordar as discussões dos pesquisadores na área de Currículo
sobre a Sociedade da Informação.
2 MÉTODO DA PESQUISA
A pesquisa foi caracterizada como documental e campo, pautada na
abordagem qualitativa do estudo de caso (YIN, 2005) e análise de conteúdo
(BARDIN, 2000), com vistas a debruçar um novo olhar sobre os trabalhos referentes

�à Sociedade da Informação e Currículo pela via da comunicação escrita, a partir dos
relatos científicos provenientes de artigos de periódicos.
Os Periódicos pela sua importância na comunidade científica em geral e na
Educação, especificamente, foram selecionados a partir de critérios de qualidade
como:
a) a Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, veiculada desde 1944, ligada
ao Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP), vinculado ao
Ministério da Educação, por ser responsável por discutir e divulgar as
pesquisas sobre as políticas em Educação; a Revista Educação e
Sociedade, publicada desde 1978, do Centro de Estudos Educação e
Sociedade (CEDES), sediado na Universidade de Campinas (UNICAMP)
pela sua atuação voltada para a divulgação e discussão das pesquisas
acadêmicas e ensino, nos seus diversos prismas e a Revista Currículo sem
Fronteiras, por visar uma abordagem crítica sobre currículo desde 2001;
b) critérios científicos de qualidade embasados num coeficiente avaliador por
uma agência de fomento da pesquisa brasileira, como a base de dados
Qualis, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES), respectivamente, com conceitos B1, A1 e A2. A base de dados
Qualis da CAPES caracteriza-se por ser o resultado do processo de
classificação dos periódicos utilizados pelos programas de pós-graduação
para a divulgação da produção intelectual de seus docentes e alunos. É
uma importante fonte de informação para as diferentes áreas do
conhecimento e indexa os periódicos com maior relevância.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A literatura científica, o texto e o discurso constituem recortes do
pesquisador/autor e como tal condicionam a descrição à realidade abordada.
Estabelecido o corpus, delineei a configuração dos seus limites, fazendo recortes;
retomada dos conceitos e noções, no ir – e – vir constante entre teoria, consulta ao
corpus e análise; observação do modo de construir, estruturar e circular ideias
contidas no texto e foram tecidas e buscadas as pistas para a interpretação e a
compreensão do tema Currículo na/e Sociedade da Informação (ORLANDI, 2003).

�As etapas seguidas para proceder à análise dos textos científicos veiculados
pela Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Revista Educação e Sociedade e
Revista Currículo sem Fronteiras, no período de 2001 a 2011, foram:
a) a pré-análise, constituída pela organização do material;
b) a descrição analítica, em que os artigos de periódicos selecionados
constituintes do corpus foram submetidos a um estudo aprofundado,
orientado pelo referencial teórico citado no trabalho, com as especificações
das palavras-chave concernentes ao campo de Currículo na/e Sociedade
da Informação;
c) interpretação inferencial, apoiada na pré-análise e na descrição analítica,
em que se intensificou a reflexão, a intuição, com embasamento no
material empírico, estabelecendo relações com a realidade educacional do
Brasil por meio das abordagens sobre Currículo na/e Sociedade da
Informação, entrevista para verificar as ações do MEC e MCTI e, ainda, a
opinião dos pesquisadores por meio de questionário, objetivando
aprofundar as ideias e se idealizar propostas de transformação (TRIVIÑOS,
1987).
Então, na descrição de relatos por meio da cultura formal representada pelo
periódico científico, importa a mensagem veiculada que representa o contexto social,
histórico e ideológico do produtor, do pesquisador e configura a sua posição oral e
refinada para a linguagem escrita e os seus produtos, objeto desta pesquisa.
Assim, analisou-se o instrumento da cultura constituído pelas revistas
científicas que se constitui o meio mais utilizado pelos pesquisadores para divulgar
seus trabalhos (SILVA; MENEZES; PINHEIRO, 2003) e, ainda, o cerne dos
periódicos. Nessa assertiva, Martyn (1979, p. 69) afirma que “[...] a essência da
ciência está num número muito pequeno de periódicos, e a maioria dos periódicos
representa, de fato, a minoria da literatura científica.”.
O texto científico, devido à sua busca pelo reconhecimento dos pares é
representante não “[...] apenas de um desejo de saber, mas viria em troca da
notoriedade existente no interior do meio científico visado.” (MAINGUENEAU, 1997,
p.61). Segundo Bourdieu (1983), há o monopólio da “autoridade científica”, definida
como capacidade técnica e como poder social da “competência científica”, que
representa a capacidade de falar e agir com autoridade perante uma determinada
clientela em face de temáticas da frente de pesquisa.

�A linguagem é a representante do avanço do homem em sociedade e os seus
significados na emissão de posicionamentos. Tal vertente apresenta possibilidades
de trabalhar a cultura representada pelos relatos formais provenientes da literatura
científica, visando apresentar os registros dos educadores sobre os Currículos na/e
Sociedade da Informação utilizando para tal os métodos da análise de conteúdo,
com a técnica da análise do discurso (BARDIN, 2000).
4 CONCLUSÃO
Verifiquei uma abordagem homogênea por parte dos pensadores da
Educação na sua teoria pedagógica, quando se referiram à Sociedade da
Informação, pois a citaram com demérito vinculado ao pensamento neoliberal de
desempenho e, quando aludiam ao “aprender a aprender” constante, ressaltavam-no
como algo novo, esquecendo-se que a ideia estava preconizada na educação
primitiva e nos pensamentos do escolanovismo, referenciada na história das ideias
pedagógicas em Cambi (1999) e outros.
Referindo aos posicionamentos feitos, destaca-se Foucault (2000, p.146), ao
dizer que “O discurso não tem apenas um sentido ou uma verdade, mas uma
história [...], cujos principais conceitos são: enunciado, prática discursiva, sujeito do
discurso e heterogeneidade discursiva.”.
Especificamente, saliento a heterogeneidade discursiva, que obviamente tem
o seu aspecto crucial na literatura em Educação, entretanto, não se percebeu
diferenciações nos discursos dos pesquisadores em Educação do Brasil acerca da
temática Sociedade da Informação, pois as abordagens, em sua maioria, seguiram o
tom de diminuí-la caracterizando-a como a serviço do capitalismo.
REFERÊNCIAS
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2000. 225p.
BOURDIEU, P. O campo científico. In: ORTIZ, Renato (Org.). Textos de Pierre
Bourdieu. São Paulo: Ática, 1983. 191p. cap. 4, p. 122-155.
CAMBI, Franco. História da pedagogia. São Paulo: Editora da UNESP, 1999.
FOUCAULT, Michel. Arqueologia do saber. 6. ed. Rio de Janeiro: Forense
Universitária, 2000. 239p.
LYOTARD, J. F. O pós-moderno. Rio de Janeiro: José Olympio, 1993.

�MAINGUENEAU, Dominique. Novas tendências em análise do discurso. 3. ed.
Campinas: Pontes: Editora da Universidade Estadual de Campinas, 1997.
MARTYN, J. Proliferation and fragmentation of journals. In: MEADOWS, A. J. (Ed.).
The scientific jornal. London: Aslib, 1979.
ORLANDI, Eni Puccinelli. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 5. ed.
Campinas: Pontes, 2003.
SILVA, E. L.; MENEZES, E. M.; PINHEIRO, L. V. Avaliação da produtividade
científica dos pesquisadores nas áreas de ciências humanas e sociais aplicadas.
Informação e Sociedade: estudos, v. 15, n. 2, 2003.
TRIVIÑOS, Augusto N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa
qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.
YIN, R. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman,
2005.

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