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                  <text>Memória digital e organização de pesquisas com uso das TICs:
competência informacional e midiática

Vera Lucia Marques (SENAC SP) - veracantoia@gmail.com
Resumo:
Este artigo propõe levantar a questão de como, dentro do campo da pesquisa com o uso das
TICs, os ambientes digitais de memória, organização e recuperação da informação impactam a
aprendizagem e podem incidir sobre o trabalho educacional do bibliotecário. Apresenta uma
análise de como jovens estudantes estão gerenciando, organizando e recuperando seus
materiais de pesquisa e estudo, por meio das TICs. Considera que para a competência
informacional e midiática os bibliotecários podem auxiliar e orientar novas soluções
informacionais, que compreendam a complexidade de gerir informações nos ambientes
digitais.
Palavras-chave: Organização da pesquisa; Tecnologias de informação e comunicação;
Biblioteconomia escolar; Ambientes digitais
Eixo temático: Eixo 2: 3º Fórum Brasileiro de Biblioteconomia Escolar: pesquisa e prática.

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�XXVII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
Fortaleza, 16 a 20 de outubro de 2017.

INTRODUÇÃO

Atualmente por meio de tecnologias, é possível acessar, conhecer e produzir
milhares de informações e conteúdos que são gerados a todo o momento.
Trilha-se o caminho do aprendizado e do conhecimento ao longo da vida,
através de inúmeras informações e que são acessadas e armazenadas ora na
memórias biológica, ora em memória digital, ou ainda arquivadas em meio
físico e virtual.
As tecnologias de informação e comunicação (TICs) permitem e requerem
cada vez mais que se utilize recursos de armazenamento digital e memória
virtual como aliados ao aprendizado, onde ferramentas tecnológicas e
colaborativas,
permitem criar, registrar e arquivar os caminhos que
percorremos até aprender algo novo.
Conceitos que fundamentam as teorias de aprendizagem como o
construtivismo, teorizado por Asubel (2000) se explica pela construção do
aprendizado sobre bases já existentes, ou seja, a aprendizagem ocorre quando
se relaciona um novo conhecimento ao conhecimento prévio e nesta
perspectiva o uso da tecnologia pode ser essencial no cenário atual, para o
alcance de organização e revisão, para criar relações que resultem em
aprendizado eficiente.
Uma das dificuldades atuais é conciliar a extensão da informação, a variedade
das fontes de acesso, com o aprofundamento da sua compreensão, em
espaços menos rígidos, menos engessados (Moran, 2000). Diante de tantas
informações acessadas em meios digitais, é um desafio selecionar quais são
significativas e conseguir integrá-las dentro da mente e da vida.
Este artigo lança um olhar sobre como estão sendo geridas, arquivadas e
acessadas as pesquisas e estudos escolares dentro deste universo. Quais as
tecnologias e estratégias são usadas pelos alunos para organização e
recuperação de seus materiais de estudo? Conhecendo o potencial das TICs
para organização e colaboração, o bibliotecário pode ajudar alunos a
desenvolver habilidades de competência informacional e midiática?
Para começar a levantar hipóteses para responder as questões mencionadas,
pode -se consultar o relatório apresentado pela American Library Association
(ALA), através do Comitê presidencial de educação para a informação, onde
indica que todo ser humano precisa aprender a pesquisar e lidar com
informação, desenvolvendo “habilidades de localizar, avaliar, manejar e usar a
informação em variados contextos” (ALA, 1989), incluindo competências para o
uso de mídias em geral.

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Bibliotecas e bibliotecários atuam como facilitadores do acesso á informação e
exploram o potencial de seu papel educacional, quando o seu trabalho abrange
a capacitação em tecnologias, pois o acesso jã não é mais suficiente, como
afirma Lankes (2016 p. 78) “precisamos esperar que nossas bibliotecas ajudem
a preparar a comunidade para se envolver num aprendizado ativo”.
A abordagem de tendências comportamentais para organização de pesquisas
que são realizadas na web e nas redes sociais são assuntos cada vez mais
relevantes, pois estes se tornam um dos principais recursos para acesso a
informação e para interação humana, e com isso uma fonte interminável de
novos conhecimentos.

MÉTODO DA PESQUISA

O desenvolvimento desta pesquisa se deu em três etapas. Na primeira, por
meio de levantamento bibliográfico, buscou-se identificar a relação das TICs
com a organização da pesquisa escolar e o aprendizado de jovens estudantes,
relacionando as produções acadêmicas atuais que permeiam este cenário. Na
segunda etapa foi desenvolvido questionário como instrumento de coleta de
dados e aplicado a
alunos do ensino médio e de cursos técnicos,
pertencentes ao universo desta pesquisa. Na terceira e última etapa foi feita
uma análise dos dados coletados, através de estatística descritiva, analisando
as modalidades separadamente por cada variável e por cruzamento de
variáveis.

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Na área de biblioteconomia e ciência da informação verifica-se que ainda são
modestas as investigações que relacionam a pesquisa de cunho informacional,
não acadêmica com as TICs. Encontra-se abordagens sobre a intervenção de
novos processos de pesquisa envolvendo redes colaborativas e convergentes,
mas poucos exemplos da aplicabilidade de métodos que demonstrem práticas
ou avaliem os impactos destas intervenções, sobretudo no universo de jovens
estudantes.
A pesquisa aplicada por meio de questionário a 115 estudantes do ensino
médio e técnico, obteve 85 respostas e por amostragem, procurou-se iniciar um
levantamento sobre a relação destes estudantes com a gestão de suas
pesquisas. Investigou-se a relevância e a utilização de tecnologias como o
armazenamento em nuvem, o uso dos dispositivos móveis, de softwares

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disponíveis para armazenamento e organização de dados, visando quantificar
qual o nível de familiaridade destes estudantes com estas novas tecnologias de
organização da informação e qual a perspectiva quanto ao uso futuro.
Do total de entrevistados, 62% declaram utilizar como fonte de pesquisa livros
e materiais digitais, priorizando uma pesquisa híbrida, ao contrário de 35% que
declararam que pesquisam apenas por meio da internet e materiais digitais.
Quando perguntados sobre como organizam os materiais digitais, que
acreditam ser relevantes para suas pesquisas e aprendizado, 50%
responderam faze-lo utilizando pastas, na área de trabalho dos computadores
utilizados e em mídias externas como pendrive e HD externo e 35% utilizam
armazenamento de dados em nuvem ou plataformas digitais.
Também foi levantada a questão da recuperação da informação armazenada,
onde a maioria afirmou ter todo o material de estudo que considera relevante
organizado, mas que gasta bastante tempo para reencontrar o que precisa.
Perguntados sobre o que viam como necessário para organizar suas pesquisas
hoje, 54% responderam que a maior necessidade é saber como separar e
organizar os materiais de forma eficiente para localizá-los rapidamente e em
seguida 29% vêem como necessário conhecer plataformas e aplicativos para
organização destes materiais.
No campo de observações da pesquisa, onde os entrevistados puderam
comentar sobre o assunto, obteve-se algumas respostas manifestando a
necessidade de se familiarizar com novas ferramentas: ...​“aos poucos a
dificuldade se torna menor e acredito que o conhecimento digital melhorará a
minha perspectiva de pesquisa e aprendizado”. Isso demonstra que apenas o
acesso a ferramentas não capacita o estudante a utilizar o potencial digital a
favor de seu aprendizado.
De maneira geral, estudantes do ensino médio já utilizam ferramentas para
organização e armazenamento digital de suas pesquisas e quando não o
fazem é por desconhecer ferramentas, aplicativos ou plataformas digitais para
este fim. Mas apontam e sentem a necessidade de conhecer e explorar os
recursos existentes, para que possam dinamizar seus estudos, criando uma
forma de facilitar o armazenamento e o acesso a seus materiais digitais.
Certamente formas de organização e recuperação da informação, inerentes ao
trabalho biblioteconômico, adaptados a realidade das plataformas digitais serão
importantes na orientação dos estudantes para a pesquisa, visando nortear
processos de aprendizagem dentro de uma realidade informacional cada vez
mais complexa.

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Fortaleza, 16 a 20 de outubro de 2017.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo objetivou estimular o debate sobre como as tendências
comportamentais de estudantes frente a organização de seu aprendizado, em
ambiente digital, podem promover novas possibilidades de conectar saberes,
diante de um universo informacional cada vez mais amplo.
Ao levantar a questão de como, dentro do campo da pesquisa com o uso das
TICs, os ambientes digitais de memória, organização e recuperação da
informação são relevantes, entende-se a necessidade de que os profissionais
bibliotecários conheçam e compreendam os mecanismos de gerenciamento da
informação digital para que possam estimular a construção da aprendizagem
por meio das TICs e com isso estimular a competência em informação.
O trabalho para a competência informacional e midiática, requer de
profissionais que trabalham com pesquisa, informação e aprendizagem, novos
conhecimentos e novas soluções informacionais, considerando a complexidade
das novas interfaces que consolidam a construção do aprendizado.

REFERÊNCIAS

AUSUBEL, D. P. ​Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva
cognitiva.​ 1. ed. New York: [s.n.], 2000.
MORAN, José Manoel. ​Mudar a forma de ensinar e de aprender com
tecnologias. São Paulo: ​Revista Interações​, 2000. vol. V, p.57-72 .Disponível
em:
h​ttp://www.eca.usp.br/prof/moran/site/textos/tecnologias_eduacacao/uber.pdf
AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. Presidential Committee on Information
Literacy.
Chicago:
​ALA​,
1989.
Final
report.
Disponível
em:
.​http://www.ala.org/acrl/publications/whitepapers/presidential
LANKES, R. David. ​Expect More: melhores bibliotecas para um mundo
complexo.​ São Paulo: Febab, 2016.

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