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                  <text>Educar pela pesquisa na educação básica
Raquel Pinto Correia (IASBE) - raquel.correia@educadventista.org.br
Alex Amilton Costa Retamero (IASBE) - fisicaalex7@gmail.com
Fabiana Paulino Alexandre Retamero (IASBE) - fabiana.retamero@adventistas.org.br
Jeferson Elias de Souza (UNASP) - jeferson.souza@adventistas.org.br
Gildene do Ouro Lopes Silva (UNASP-EC) - gildene.lopes@ucb.org.br
Resumo:
Este trabalho é o relato de uma experiência vivido na educação básica, em todas as suas
etapas, cujo objetivo é descrever a vivência didática de um projeto a partir da perspectiva do
educar pela pesquisa, visando compartilhar um percurso metodológico facilitador dessa
experiência. A pesquisa na educação básica é compreendida neste relato como inerente ao ato
educativo próprio da escola, no contexto do exercício da cidadania, revisando o papel docente
e discente no processo ensino e aprendizagem. A metodologia baseou-se em uma abordagem
qualitativa, pois nessa abordagem a preocupação com o processo é maior do que a
preocupação com o produto, o que permite explicar o dinamismo interno das situações. O
cenário desse relato de experiência foram dez unidades escolares, situadas na área central do
Estado do Paraná (Curitiba, Araucária, Ponta Grossa, Castro, Telêmaco Borba e Guarapuava),
de uma rede de ensino privada, com aproximadamente 5.600 alunos. Todas as unidades estão
ligadas a uma mesma mantenedora. Os sujeitos da pesquisa foram a equipe pedagógica, os
professores e os alunos dessas dez unidades escolares. Os resultados apontaram a pesquisa
como alternativa metodológica, que pode enriquecer as práticas pedagógicas na educação
básica, apresentando-se como uma alternativa metodológica para a prática docente, o que
tornar os professores e seus alunos sujeitos ativos no processo da construção do
conhecimento, produtores associados.
Palavras-chave: Educar pela pesquisa. Formando pesquisadores. Escola Básica
Eixo temático: Eixo 2: 3º Fórum Brasileiro de Biblioteconomia Escolar: pesquisa e prática.

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�XXVII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
Fortaleza, 16 a 20 de outubro de 2017.
Resumo expandido de relato de experiência
Eixo Temático: 2: 3º Fórum Brasileiro de Biblioteconomia Escolar:
pesquisa e prática

Resumo expandido
Este trabalho é o relato de uma experiência vivido na educação básica, em todas
as suas etapas, cujo objetivo é descrever a vivência didática de um projeto a
partir da perspectiva do educar pela pesquisa, visando compartilhar um percurso
metodológico facilitador dessa experiência. A pesquisa na educação básica é
compreendida neste relato como inerente ao ato educativo próprio da escola, no
contexto do exercício da cidadania, revisando o papel docente e discente no
processo ensino e aprendizagem. A metodologia baseou-se em uma abordagem
qualitativa, pois nessa abordagem a preocupação com o processo é maior do
que a preocupação com o produto, o que permite explicar o dinamismo interno
das situações. O cenário desse relato de experiência foram dez unidades
escolares, situadas na área central do Estado do Paraná (Curitiba, Araucária,
Ponta Grossa, Castro, Telêmaco Borba e Guarapuava), de uma rede de ensino
privada, com aproximadamente 5.600 alunos. Todas as unidades estão ligadas
a uma mesma mantenedora. Os sujeitos da pesquisa foram a equipe
pedagógica, os professores e os alunos dessas dez unidades escolares. Os
resultados apontaram a pesquisa como alternativa metodológica, que pode
enriquecer as práticas pedagógicas na educação básica, apresentando-se como
uma alternativa metodológica para a prática docente, o que tornar os professores
e seus alunos sujeitos ativos no processo da construção do conhecimento,
produtores associados.
Introdução
A procura por possibilidades de caminhos para que professores
construam referências que justifiquem uma mudança paradigmática
comprometida com a formação de cidadãos críticos e produtores de
conhecimento tem sido um dos desafios da educação escolar no século XXI.
Emerge neste tempo a busca por uma abordagem educacional na qual a relação
entre teoria e a prática sejam capazes de atender a formação de cidadãos
capazes de intervir na sociedade por meio da construção de conhecimento. Com
este desafio posto, buscou-se investigar o educar pela pesquisa na educação
básica, numa perspectiva metodológica, possibilitando que alunos e professores
sejam produtores de conhecimento associados.
Assim, o objetivo deste trabalho é relatar a possibilidade de um roteiro
teórico-prático referente ao desafio de educar pela pesquisa, numa perspectiva
metodológica, visando contribuir com reflexões sobre a educação básica

�brasileira e possíveis caminhos metodológicos para a construção de uma escola
que elabore conhecimentos.
O que diferencia a educação escolar de outros tipos e espaços educativos
é fazer-se e refazer-se na e pela pesquisa. A vida é naturalmente um tempo de
aprendizagem. Desde o nascimento aprendemos, acumulamos experiências,
formamos e alteramos nossas percepções, gostos e projetos. Entretanto,
conforme Demo (1997) explica, “todos esses espaços e agentes educam através
de outros expedientes que não seja a pesquisa. Podem recorrer a ela
ocasionalmente, mas não como propriedade específica, como seria o caso da
escola”. Desse modo, Demo explica (1997) que a proposta da educação escolar
é a pesquisa e não a aula, ou o ambiente de socialização, ou o mero
relacionamento entre professor e aluno. Essas experiências e aprendizagens
podem ser alcançadas em outras instituições sociais, independentemente da
escolarização.
À escola, como instituição social formadora, compete não somente o
compartilhamento do conhecimento sistematizado, mas a produção de novos
conhecimentos, o que se dá através da pesquisa. Para Demo (1997, p. 1), “o
que distingue a educação escolar e acadêmica de outras tantas maneiras de
educar, é o fato de estar baseada no processo de pesquisa e formulação
própria”.
O ato de pesquisar não é visto, nessa perspectiva, como atividade
especial apenas para acadêmicos do Ensino Superior, mas é percebido como
possibilidade metodológica e alternativa para o sucesso do processo ensino e
aprendizagem, uma vez que apender de forma significativa (que aliás, é o
objetivo e discurso da escola) pressupõe, ampliar, elaborar e reelaborar ideias,
o que traduzindo não tem relação com apenas dar aulas, mas com pesquisar,
orientar e avaliar durante todo o processo de ensino e aprendizagem, ou seja,
educar pela pesquisa.
Vale ressaltar, que uma escola básica pesquisadora não é constituída
apenas de alunos que pesquisem, mas também de professores “autores”,
profissionais da docência que fundamentam sua prática na pesquisa,
relacionando prática a teoria e teoria à prática, afinal uma sem a outra é ineficaz.
Dessa forma, segundo Demo (1997) a pesquisa precisa ser internalizada
como prática escolar cotidiana, e não apenas como um projeto especial que
acontece na escola, realizada por poucos e ofertada para alguns, e pior,
opcional, como se pesquisar nada tivesse a ver com o processo ensino e
aprendizagem. Contudo, a mudança de paradigma exige trabalho pedagógico
em conjunto, envolvendo todos os sujeitos que fazem a escola. A ideia é que a
escola seja pesquisadora e não apenas um ou outro sujeito tornem-se
pesquisadores.
Conforme Demo (1997, p. 33) “professores apenas treinados dificilmente
seriam capazes de evitar o treinamento dos alunos”. Assim, a formação
continuada que reconhece o docente como pesquisador será organizada de
modo a 1. chamar a atenção dos professores para a necessidade de expressarse de maneira fundamentada; 2. exigir questionamento e significados; 3.
exercício de formulação própria, bom uso de lógica, argumentação, da crítica e
da autocrítica; 4. incitar a reconhecer nos outros (a si próprio, pares e alunos) os
procedimentos criativos que indicam a capacidade de questionar e reconstruir
conhecimento; 5. tornar o questionamento reconstrutivo atitude cotidiana.

�Demo (1997, p. 38) ainda coloca que “é condição fatal da educação pela
pesquisa que o professor seja pesquisador”. E essa é uma das razões porque
professor deveria ganhar mais, para ter tempo e condições de pesquisar. Afinal,
como alguém que lecione 40 a 50 aulas semanais poderá ser pesquisador? Mas
se não for, como poderá ser professor, visto que a pesquisa é a essência da
educação escolar? Estamos diante de uma situação paradoxal que exige
vontade política.
Por essa razão o Projeto Insignare não apenas oportuniza aos alunos a
possibilidade de submeterem trabalhos, mas também possibilita que os
professores possam participar como autores, pois escola é local de
aprendizagem para todos os sujeitos que formam a comunidade escolar.
Relato da experiência
Os recursos utilizados durante todo o processo de investigação partiram
da questão proposta, e para tanto foram indicados textos para leitura, os quais
foram estudados ao longo da formação continuada docente e também da
formação da equipe pedagógica, na perspectiva metodológica da sistematização
coletiva do conhecimento e a elaboração de um projeto interdisciplinar que
propõe a pesquisa como princípio metodológico e a socialização dos trabalhos
resultantes das pesquisas, em um seminário.
A avaliação do processo investigatório aconteceu durante todo o
processo, através de entrevistas, análise dos resultados bimestrais (notas),
número de envolvidos e observação.
O presente estudo envolveu dez unidades escolares de uma rede de
ensino privada, a qual atende da Educação Infantil ao Ensino Médio, situadas na
área central do estado do Paraná (Araucária, Castro, alguns bairros de Curitiba,
Guarapuava, Ponta Grossa e Telêmaco Borba). O grupo de escolas pesquisadas
possui aproximadamente 5800 alunos, 275 professores, 30 pedagogos, 13
diretores. O relato descreve uma vivência de professores e alunos durante o ano
letivo de 2016.
Em 2016 a instituição educacional lócus de pesquisa lançou o projeto
“Insignare”, o qual motiva alunos e professores a pesquisarem a partir de um
tema proposto, dividido em eixos de pesquisa.
Através de uma sequência didática, alunos e professores adquirem e
elaboram novos conhecimentos, tornando-se autores de elaboração própria.
Em 2016 o tema proposto foi Astronomia, dividido em seis eixos de
pesquisa: 1. cosmologia; 2. astrofísica; 3. astroquímica; 4. astrobiologia; 5.
astroarqueologia, e; 6. tecnologia espacial.
Os alunos puderam escolher o eixo que gostariam de pesquisar, e a partir
de uma sequência didática que contemplava: pesquisa e aula teórica, aulas
experimentais e lúdicas, aulas de campo e elaboração de ideias (através de
artigos, resenhas, cartazes – conforme o ano/série do aluno).
Todos os alunos puderam escolher um professor orientador, conforme o
eixo, que participava da pesquisa discente como um coautor.
Os professores e alunos trabalharam a partir de “ilhas de racionalidade”,
que conforme Schmitz e Pinho (2001) explicam, são perguntas interessantes
levantadas para e/ou pelos alunos, envolvendo duas ou mais disciplinas, a fim
de que a busca das respostas (por meio da pesquisa) resulte em aprendizagem
significativa, numa perspectiva interdisciplinar, sendo essa proposta uma

�alternativa para o ensino e a aprendizagem significativa. Vale ressaltar que as
situações problematizadoras e perguntas interessantes de caráter
multidisciplinar ou interdisciplinar são exercícios do espírito investigativo, logo a
aprendizagem significativa é possível através da educação pela pesquisa.
Na perspectiva do proposto por Ausubel (2003), alunos e professores a
partir de questões problematizadoras, e conforme eixo de pesquisa selecionado,
buscaram respostas através de pesquisa, tomando por ponto de partida o
conhecimento que já tinham e acomodando e elaborando novos conhecimentos.
A necessidade de questões problematizadoras também aparece em
Vaillant e Marcelo (2012), quando os autores explicam que “a reflexão não
aparece espontaneamente: provoca-se, suscita-se, aviva-se na inquietude do
estudante”. Assim, é essa provocação docente que proporciona um ambiente
possível de aprendizagem.
Os trabalhos resultantes dessas pesquisas foram publicados e
apresentados (comunicação oral, pôster e exposição) em seminário, no dia 23
de outubro de 2016, das 9h às 18h. O evento foi aberto para a comunidade em
geral, e assim mediante inscrição, pais e familiares de alunos, professores,
funcionários e outros, podiam inscrever-se como participantes, e os trabalhos
foram socializados para a comunidade, em evento próprio, fechando o ciclo de
aprendizagem.
A avalição dos trabalhos, em todas as modalidades, foi realizada por
pesquisadores vinculados à academia, e que atuam na área educacional ou em
uma das áreas dos eixos propostos.
Como forma de valorização, a instituição lócus de pesquisa propôs um
prêmio para os cinco melhores trabalhos (artigos) dos alunos, cinco melhores
trabalhos (artigos) dos professores, e 12 melhores cartazes dos alunos.
Por meio dos trabalhos socializados no 1º Seminário Insignare foi possível
observar a princípio: (i) o grande envolvimento dos alunos e professores de todas
as etapas da educação básica, (ii) que de fato houve aprendizagem significativa,
pois, os alunos puderam apresentar de forma oral seus trabalhos explicando
suas conclusões, (iii) a predileção por essa proposta metodológica por parte de
alunos, professores e equipe pedagógica e (iv) o engajamento de toda
comunidade escolar.
Em razão dos itens acima elencados, o Projeto Insignare permanece para
os próximos anos. Em 2017 o tema proposto para investigação é a Terra, e para
tanto foram selecionados quatro eixos: (i) geociências, (ii) meio ambiente, (iii)
arqueologia e (iv) paleontologia.
É interessante observar que em 2017, os alunos, por iniciativa própria têm
buscado os professores para serem seus orientadores para o próximo Insignare.
Considerações Finais ou Conclusões
Assim, a partir da vivência descrita neste artigo, foi possível observar que
a prática da pesquisa na escola básica que possibilita alunos e professores
trabalharem como produtores associados, elaborando e reelaborando
conhecimento.
Nessa perspectiva uma escola que educa pela pesquisa não reduz sua
função a dar aulas, mas fundamenta-se na pesquisa, habilitando os sujeitos a
intervirem conscientemente no meio em que estão inseridos.

�Nesse contexto o professor não é meramente expositor de conhecimento,
mas um orientador do aluno, e enquanto orienta, avalia, a fim de garantir o direito
dos educandos a aprendizagem, visando dessa forma a promoção discente.
A socialização dos trabalhos dos alunos e professores, por meio de
publicação, comunicação e exposição do registro das pesquisas realizadas
“fecha” o ciclo do processo ensino e aprendizagem, e eleva a função da
instituição perante a comunidade escolar, uma vez que educa para emancipar,
formando dessa forma cidadãos pensantes, sujeitos produtores de
conhecimento.
Referências
AUSUBEL, David. Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva
cognitiva. Lisboa: Grafo, 2003.
DEMO, Pedro. Educar pela pesquisa. Campinas: Autores Associados, 1997.
SCHIMTZ, César; PINHO FILHO, José. Ilhas de racionalidades e a situação
problema: o desafio inicial. In: Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de
Física (IX: 2001: Florianópolis, SC). Anais... Florianópolis: ENPEF, 2001.
VAILLANT, Denise; MARCELO, Carlos. Ensinando a ensinar: as quatro etapas
de uma aprendizagem. Curitiba: UTFPR, 2012.

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