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                  <text>A agenda 2030 e a mediação na biblioteca escolar : um relato de
experiência em uma biblioteca escolar internacional

Marcelly Chrisostimo Silva (UNIRIO) - mchrisostimo@britishschool.g12.br
Alberto Calil Junior (UNIRIO) - caliljr@unirio.br
Resumo:
As bibliotecas escolares possuem importante papel na formação do indivíduo. A Lei 12.244
datada de 2010 vem contribuindo para o aumento da discussão e pesquisa da temática da
biblioteca escolar. Destaca-se a publicação de um documento da International Federation of
Library Associations and Institutions (IFLA) que busca discutir a agenda de 2030 da ONU, cujo
objetivo é oportunizar acesso a todos os indivíduos. Este trabalho pretende relacionar e
iniciar uma reflexão, sugerindo atividades de mediação voltadas para uma biblioteca escolar
internacional localizada no Rio de Janeiro. Pretende-se relacionar algumas das metas
apresentadas no documento da Access to All da IFLA com sugestões de atividades de
mediação adequando às necessidades e rotina da biblioteca escolar em questão. Este trabalho
tem a intenção de relacionar as atividades de mediação realizadas em uma BE internacional
aos objetivos da Agenda, contribuindo para a acessibilidade. Os métodos utilizados foram
baseados em cooperação e compartilhamento de informações por parte dos bibliotecários.
Palavras-chave: Biblioteca escolar. Agenda 2030. Mediação. Relato de experiência.
Eixo temático: Eixo 2: 3º Fórum Brasileiro de Biblioteconomia Escolar: pesquisa e prática.

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

�XXVII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação
Fortaleza, 16 a 20 de outubro de 2017.
As bibliotecas escolares possuem importante papel na formação do indivíduo. O
aumento da produção acadêmica na temática das bibliotecas escolares tem a partir
da Lei 12.244 datada de 2010 vem contribuindo para o aumento da discussão e
pesquisa da temática. Destaca-se a publicação de um documento da International
Federation of Library Associations and Institutions1 (IFLA) que busca discutir a agenda
de 2030 da ONU cujo objetivo é oportunizar acesso a todos os indivíduos. Este
presente trabalho pretende relacionar e iniciar uma reflexão, sugerindo atividades de
mediação voltadas para uma biblioteca escolar internacional localizada no Rio de
Janeiro. Pretende-se relacionar algumas das metas apresentadas no documento da
Access to All da IFLA com sugestões de atividades de mediação adequando às
necessidades e rotina da biblioteca escolar em questão. O objetivo foi incluir e
adequar as atividades de mediação realizadas nesta biblioteca às necessidades dos
parâmetros internacionais estabelecidos pela IFLA, contribuindo para a
acessibilidade. Os métodos utilizados foram baseados em cooperação e
compartilhamento de informações por parte dos bibliotecários.
1.

INTRODUÇÃO
As bibliotecas escolares (BE), espaço potencial para a construção do hábito de

leitura, pesquisa e acesso à informação dos indivíduos, ainda na infância, tem
fundamental importância na formação do indivíduo enquanto cidadão crítico e capaz
de articular informações e relacionar conceitos. A Lei 12.244/10, além de indicar a
necessidade de haver pelo menos um bibliotecário responsável qualificado e
devidamente registrado no Conselho Regional equivalente à sua área geográfica de
atuação, trouxe consigo um destaque e reflexão acerca de temas relativos à biblioteca
escolar, gerando assim, um crescimento nas pesquisas e produção acadêmica na
área. (BRASIL, 2010).
Aliados à inserção ou aumento de debates e discussões acerca da BE, temos a
publicação em 2016 de um documento da International Federation of Library
Associations and Institutions (IFLA) que busca incentivar os bibliotecários e bibliotecas
a refletir de que forma as bibliotecas podem contribuir com a agenda de 2030 da ONU.
Pretende-se relacionar algumas das metas apresentadas no documento da IFLA com
sugestões de atividades de mediação adequando às necessidades e rotina de uma
biblioteca escolar internacional situada na cidade do Rio de Janeiro. Nesta
perspectiva, tem-se por objetivo a adequação das atividades de mediação realizadas
nesta biblioteca às necessidades dos parâmetros internacionais estabelecidos pela
1 Federação Internacional de Bibliotecas Associadas (Tradução

nossa).

�IFLA. Os métodos utilizados foram baseados na observação e no compartilhamento
de informações por parte dos bibliotecários da instituição em análise.

2.

RELATO DE EXPERIÊNCIA
As bibliotecas escolares têm importante função no processo educativo, em se

tratando da construção de habilidades informacionais na sociedade contemporânea,
na medida em que a presença efetiva da biblioteca no ambiente escolar

é um fator

diferencial nos processos de inserção do indivíduo na sociedade e nas suas
interações (MANIFESTO, 2002). Conforme colocado por Hillenbrand, “Existe um
entendimento de que a biblioteca constrói capital social quando oferece um espaço
que, utilizado por diferentes grupos sociais da comunidade, acomoda diversas
necessidades e encoraja a interação social e confiança” (HILLENBRAND apud
SENNA, 2015, p. 109).
A agenda 2030 consiste em uma declaração com 17 objetivos de
desenvolvimento sustentável (ODS). Cada um dos objetivos traz metas a serem
atingidas até o ano de 2030. Ao olhar para os objetivos nós podemos imaginar
possíveis campos para a pesquisa no campo da biblioteconomia e para a ação das
bibliotecas. E, conforme ressaltado nos documentos da Agenda, os 17 ODS são
integrados e indivisíveis, e mesclam de forma equilibrada, as três dimensões do
desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental. Nesta perspectiva,
o presente trabalho busca apresentar alternativas e sugestões de atividades
envolvendo as bibliotecas escolares em direção à realização desses objetivos. Para
isso, o foco será o ODS de número 4 “Promover a educação inclusiva de qualidade
promover ensino a longo prazo e oportunidades para todos.” e o de número 10
“Reduzir desigualdade com e entre os países.” (INTERNATIONAL FEDERATION OF
LIBRARY ASSOCIATIONS, 2016).
Conforme preconiza o o Manifesto IFLA/UNESCO das bibliotecas escolares
(MANIFESTO, 2002), o incentivo à leitura aos adolescentes e a conversão de um “não
leitor” em uma idade mais próxima de sua fase adulta, contribui para uma melhor
inserção desse leitor no mercado de trabalho, sendo assim um fator auxiliador para
elevação da renda e da saída de determinada família ou núcleo de uma situação
socialmente vulnerável. E, apesar das bibliotecas escolares internacionais
representarem um grupo muito específico, na medida em que seu público é

�majoritariamente de crianças com elevada renda e acesso franqueado aos bens
culturais e de consumo, considera-se estas bibliotecas como importantes espaços
para implementação de ações que colaborem com o atendimento aos objetivos da
Agenda 2030.
As atividades de mediação de leitura realizadas na biblioteca da Escola
Britânica têm por base a cooperação entre as bibliotecárias e os professores de
diferentes áreas do conhecimento presentes na escola. Atualmente, existem um
conjunto de ações que são desenvolvidas a partir de um efetivo diálogo entre o staff
da biblioteca e o corpo docente, materializando um dos preceitos do letramento
informacional, que advoga a participação efetiva e ativa da biblioteca nas atividades
curriculares. Dentre estas atividades, selecionamos uma, que serve como ilustração
para a possibilidade do desenvolvimento de ações convergentes à Agenda 2030.
Trata-se de um projeto realizado pelo Departamento de Inglês em parceria com
a biblioteca. Na atividade, cada aluno(a) seleciona um livro de ficção para desenvolver
um projeto sobre o mesmo. Após a leitura individual dos títulos, que em geral têm sido
de ficção contemporânea, os alunos apresentam à turma as histórias lidas do ponto
de vista do autor. Os alunos “vendem” a história, desenvolvem novas capas e com
isso, se aproximam das narrativas apresentadas nos livros, criando empatia com
realidade, por vezes distintas daquelas que conhecem. A observação realizada, bem
como o relato da experiência por parte do staff da biblioteca, mostra que com a
realização do projeto, há o aumento do interesse dos alunos pela leitura literária.
A partir desse exemplo, nota-se que os projetos de leitura podem ser
importantes instrumentos para que a biblioteca crie parcerias nas escolas. Nesse
sentido, atividades como essa podem ser uma das “portas de entrada” das questões
levantadas na Agenda 2030, na medida em que, abre-se o espaço para fomentar
projetos que abordem temas relacionados aos ODS, em consonância com o conteúdo
visto em sala de aula.
Em outra frente, a biblioteca escolar pode adotar ações que visem à formação
continuada de seu staff, a partir do desenvolvimento de atividades conjuntas entre
diferentes unidades de informação. No caso, por exemplo, das bibliotecas de escolas
internacionais, seria possível a construção de uma rede, ou de uma comunidade2

2 Tatyanne

Valdez, em sua dissertação de mestrado, propõe a criação de uma comunidade de
práticas, para compartilhamento de informação e de ações, entre as bibliotecas dos Colégios de
Aplicação. (VALDEZ, 2015).

�visando o compartilhamento de ações e o desenvolvimento de atividades conjuntas
para a formação do staff. Troca de experiências, debates, clubes de leitura, enfim,
uma gama de atividades (a serem identificadas a partir das necessidades e demandas
de cada grupo) poderiam ser desenvolvidas a partir dessas redes. Em se tratando das
questões relacionadas aos ODS e a relação com as bibliotecas, poder-se-ia através
de levantamento bibliográfico mapear a produção acadêmica que aborde experiências
de leitura e a implementação de projetos de leitura e de formação de leitores de
diferentes países, a fim de aproximar o staff das bibliotecas dessas questões. O
estudo de uma obra como a de Michele Petit (PETIT, 2009), que traz trajetórias de
indivíduos que utilizaram a leitura como ferramenta para resistir à adversidade e
mudar suas realidades, poderia auxiliar a compor projetos de leitura junto aos alunos,
com vistas a construir o entendimento da leitura como direito do cidadão e como tal,
fator essencial para a construção do desenvolvimento sustentável.
Dito isso, justifica-se a importância das bibliotecas escolares serem sujeitos
ativos nesses debates e principalmente, junto à comunidade escolar. A inserção da
AGENDA 2030 no cotidiano da biblioteca escolar oferece a mesma, uma
oportunidade, não só do estreitamento dos laços com a comunidade docente da
escola, a partir de ações de leitura que dialoguem com questões presentes nos
currículos das diversas disciplinas, mas também a possibilidade de incidir diretamente
sobre a realidade com a realização dos projetos de extensão, que estejam
relacionados aos ODS, como por exemplo, redução da desigualdade; educação para
todos; agricultura sustentável, direito à agua e ao saneamento, dentre outros.

3.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
As bibliotecas escolares possuem importante missão, pois são muitas vezes o

primeiro contato de crianças e adolescentes com o universo da pesquisa e da
literatura, tendo a capacidade de expandir a visão de mundo e a visão de cada criançacidadã no mundo. Dito isso, podemos assinalar a importância da aproximação das
bibliotecas escolares da reflexão e do debate sobre a Agenda 2030 e sobre cada um
dos 17 ODS e de suas metas.
Nesse contexto, destaca-se a relevância que as bibliotecas escolares podem ter
na redução das desigualdade e no atendimento aos direitos básicos do cidadão questões contempladas pelos ODS. A implementação de ações de mediação de
leitura, em diálogo constante com o corpo docente, pode favorecer a permanência da

�biblioteca escolar, não apenas como resposta a uma determinação legal, mas como
parte essencial da vida da escola e dos sujeitos que nela circulam.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Senado Federal. Lei 12.244/10 de 24 de maio de 2010, 2010. Disponível
em:&lt;http://www6.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?id=240379&amp;no
rma=261310&gt;. Acesso em : 12 abr. 2016.
FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE ASSOCIAÇÕES DE BIBLIOTECÁRIOS E
INSTITUIÇÕES. Manifesto IFLA/UNESCO para Biblioteca Escolar. Traduzido por
Neusa Dias de Macedo. São Paulo, 2002 Disponível em: Acesso em: 21 abr. 2016.
IFLA. Access and opportunity for all: How libraries contribute to the United Nations
2030 Agenda. Haia: IFLA, 2016. Disponível em:
&lt;https://sustainabledevelopment.un.org/sdgs &gt;. Acesso em: 21 abr. 2016.
PETIT, Michele. A arte de ler: ou como resistir à adversidade. São Paulo: Editora
34, 2009.
SENNA, Ana. Capital social e capital cultural na Biblioteca Comunitária Paulo
Coelho das favelas Pavão-Pavãozinho/Cantagalo no Rio de Janeiro. 2015. 193
f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) – Instituto Brasileiro de Informação
em Ciência e Tecnologia), Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: &lt;
http://repositorio.ibict.br/bitstream/123456789/846/1/ANA_SENNA_FINAL.pdf &gt;.
Acesso em: 21 de out. 2017.

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