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                  <text>Resultados positivos da gestão pública no âmbito das Bibliotecas
do Poder Legislativo federal: parcerias e trabalho cooperativo.

Fabyola LIMA MADEIRA (Câmara) - fabyola.madeira@camara.leg.br
Resumo:
Traz uma pesquisa exploratória sobre as práticas de gestão nas bibliotecas da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal, com um breve histórico das parcerias entre elas, baseadas
em seu modelo de gestão, mostrando as vantagens relacionadas e os motivos que impulsionam
cada vez mais nesse sentido de uma gestão mais cooperativa e sustentável no âmbito das
bibliotecas.
Palavras-chave: parceria institucional, biblioteca parlamentar, modelo de gestão, rede de
bibliotecas, trabalho cooperativo
Eixo temático: Eixo 1: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

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�Eixo 1: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS): Objetivo 17:
Parcerias em prol das metas: Fortalecer os meios de implementação e revitalizar
a parceria global para o desenvolvimento sustentável.
---------------------------------------------------------------------------------------------------------Segundo Carnut e Narvai (2016) em resposta a expectativas, um novo
paradigma de gerenciamento dos recursos públicos emergiu nos anos 1990
(Behn, 1998), no qual a questão dos “resultados” aparece como forma de
solucionar o “problema” de uma máquina pública complexa, burocrática e
processualista: trata-se da nova gestão pública, administração pública gerencial
ou paradigma gerencialista. Embora haja questionamentos quanto à potência do
paradigma gerencialista para assegurar uma prestação a contento (Secchi,
2009), a nova administração pública vem se consolidando no Brasil e no exterior.
Um dos reflexos dessa nova gestão pública, em meio à crise políticoeconômica em que o Brasil se encontra, é a restrição de gastos públicos cada
vez maior. É preciso se fazer mais com menos! Com isso, a percepção de que
os recursos e o patrimônio público são bens que devem ser utilizados com
atenção e com vistas a trazer resultados positivos para a sociedade, tem se
tornado cada vez mais forte, atuando paulatinamente na mudança da cultura
organizacional das instituições brasileiras.
As tecnologias da informação e da comunicação, em especial, são
também responsáveis por grandes transformações na gestão pública. As formas
de trabalho e relacionamento, por exemplo, foram enormemente afetadas. Essas
inovações trouxeram agilidade e organização às atividades diárias, propiciando
mais eficiência e controle dos processos de trabalho, facilitando com isso o
melhor dimensionamento das demandas e consequentemente uma aplicação
mais equânime dos recursos públicos.
Com o apogeu da “Era pós-digital”, onde a tecnologia substitui seres
humanos, as mudanças nas formas de adquirir conhecimento têm repercutido
de forma revolucionária no universo das bibliotecas, pois significa redução de
custos e até mesmo de erros. É um caminho sem volta, como a substituição das
máquinas de datilografia por computadores. Os aplicativos de celular são ótimos
para exemplificar isso.
Então, como utilizar essas facilidades tecnológicas e outras soluções para
agilizar, diversificar e melhorar o trabalho de quem tem como principal insumo a
informação? Essa resposta, as bibliotecas do Poder Legislativo brasileiro vêm
respondendo por meio de muitas ações, que constituem o objeto desse estudo.
Por isso, esse trabalho tem por objetivo mostrar como a Biblioteca da
Câmara dos Deputados e a Biblioteca do Senado Federal, por meio de modelos
de gestão que primam pelo melhor aproveitamento dos recursos públicos e
alinhadas em suas políticas e ações estratégicas, vêm mostrando como é
possível otimizar o oferecimento de serviços e produtos de informação através
do estabelecimento de parcerias institucionais e com seus clientes.
Por meio do compartilhamento de recursos, do uso das tecnologias e de
soluções integradas, as bibliotecas vêm dando resultados expressivos e
mostrando que essa unificação de planejamento e ações se mostra muito
positiva no atendimento do público-alvo de ambas e da sociedade como um todo.
A metodologia utilizada foi a pesquisa exploratória, a partir da qual se
realizou um levantamento sobre a origem das parcerias entre as duas
bibliotecas, e se analisou como o modelo de gestão tem influência sobre o

1

�contexto da cooperação institucional onde se busca uma unificação de esforços
cada vez maior com vistas à uma atuação mais eficiente e sustentável.
Origem das parcerias entre as Bibliotecas
Ainda na década de 1970, houve a primeira iniciativa de compartilhamento
de informações bibliográficas, culminando na criação do Subsistema de
Administração de Bibliotecas (Rede Sabi), coordenada pelo Senado Federal.
Os avanços tecnológicos das décadas de 1990 e 2000 trouxeram
mudanças significativas para a biblioteca da Câmara dos Deputados, como a
assinatura de diversas bases de dados bibliográficas online, ingresso na Rede
Virtual de Bibliotecas do Congresso Nacional (RVBI), e o lançamento da
Biblioteca Digital.
A RVBI, atualmente, é composta por 12 bibliotecas de órgãos federais e
do Distrito Federal, dos Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, resultando
em um catálogo que reúne mais de um milhão de registros. Trata-se da maior
rede de informações bibliográficas do país na área de Ciências Sociais (BRASIL,
2016).
Contudo, as redes de cooperação assumiram papel preponderante,
quebrando barreiras espaciais e temporais. A biblioteca do Senado Federal
esteve na vanguarda ao iniciar o processo de integração em rede na década de
1970, o que só foi possível para a biblioteca da Câmara dos Deputados no ano
de 1985. Atualmente, o arranjo formal dessas unidades de informação encontrase representado pela RVBI, a qual proporciona o relacionamento e a
cooperação, com serviços intercomunicantes baseados em acordos de
cooperação.
Algumas vantagens da RVBI
 Compartilhamento do tratamento técnico e organização da informação;
 Celeridade na recuperação e disseminação da informação para os órgãos
envolvidos e para a sociedade, tendo em vista a unificação virtual dos
acervos;
 Racionalização do trabalho, evitando duplicidade de tarefas;
 Otimização de produtos e serviços;
 Redução de custos;
 Empréstimo entre bibliotecas mais ágil e eficiente;
 Intercâmbio de conhecimentos, possibilitando a inovação e o surgimento
de ideias pelos profissionais das bibliotecas.
Modelo de gestão
Dentro de um modelo de gestão, a informação configura-se como
elemento inerente aos processos organizacionais. Pode-se dizer, no caso da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, que a informação está presente
em todas as etapas do processo legislativo. Entretanto, como bem representa
Choo (2006, p. 27), sem uma clara compreensão dos processos organizacionais
e humanos pelos quais a informação se transforma em percepção,
conhecimento e ação, as empresas não são capazes de perceber a importância
de suas fontes e tecnologias da informação.
Como a informação é recurso intrínseco nas organizações e em suas
ferramentas tecnológicas, seus principais usuários podem incorrer no risco de
2

�não a perceberem em toda a sua extensão. Perceber o fluxo de informação e do
conhecimento na organização nem sempre é intuitivo, porque a informação e o
conhecimento costumam estar embutidos e diluídos em processos de trabalho,
rotinas, documentos ou repositórios (DAVENPORT, 1998).
As bibliotecas fazem parte desse conjunto de processos e rotinas
distintivas e características da gestão institucional, e, como bibliotecas
parlamentares, têm como função primordial servir como fontes de informação ao
parlamento dando apoio às atribuições constitucionais. Esse apoio configura-se
na absorção de informação externa e interna às instituições (Câmara dos
Deputados e Senado Federal), bem como sua organização, tratamento e
disseminação.
A disseminação ocorre, por exemplo, nas pesquisas de dados e
informações que são atendidas diariamente, nos documentos e estudos que são
produzidos com base nessas informações e que circulam nos ambientes de
debates. Para que toda essa informação chegue às mãos dos tomadores de
decisão, no caso, os deputados e senadores, ela já foi devidamente trabalhada
e filtrada de um vasto universo informacional com aplicação de inteligência
acumulada de profissionais com expertise diferenciada.
Exemplo de fluxo da informação possível na Câmara dos Deputados:
Informação

Dado
Dados estatísticos
sobre violência
contra mulher

Documentos
sobre causas da
violência
doméstica

Conhecimento

Lei Maria
da Penha

Inteligência/
Ação
Decisão Judicial
fundamentada na
Lei Maria da Penha

Fonte: Elaboração da autora.

Em relação à similaridade dos acervos, salienta-se que, até há poucas
décadas, as bibliotecas brasileiras viviam o paradigma da autossuficiência de
fontes informacionais. Com o advento das novas tecnologias, essa prática foi
sendo mitigada a partir do desenvolvimento de redes de cooperação.
Gradativamente, o desenvolvimento dos acervos das bibliotecas do
Senado e da Câmara passou a ser complementar, sendo que em 2016, a
duplicidade resume-se a apenas 23%. Esse percentual está amparado na atual
Política de Desenvolvimento de Coleções da Câmara dos Deputados, outorgada
pela Portaria nº 394, de 2013, que prevê a aquisição de obras identificadas como
imprescindíveis para o aporte do processo legislativo e que mesmo presente em
outros acervos da RVBI devem ser adquiridas.
É importante lembrar que entre os princípios descritos na Portaria n. 394,
de 2013, está o alinhamento do acervo informacional à missão da biblioteca e à
estratégia corporativa da Câmara dos Deputados e otimização do uso dos
recursos orçamentários em consonância com as necessidades e demandas de
informação (BRASIL, 2013), assim como ocorre no Senado Federal.
Parcerias estratégicas
As bibliotecas do Legislativo federal, além de atuarem coordenadamente
na RVBI, têm investido em parcerias estratégicas, a fim de integrar processos
similares e aumentar o leque de serviços e produtos aos usuários de ambas as
instituições, compondo também os alguns resultados dessa pesquisa, são elas:
3

� Contrato entre a Câmara dos Deputados e a EBSCO Ltda., que permite o
uso conjunto, pelas bibliotecas, do Sistema de Busca Integrada, ferramenta
que unifica a pesquisa automatizada (recuperação simultânea da RVBI,
bibliotecas digitais das duas Casas e bases de dados assinadas);
 Realização de cursos e treinamentos conjuntos, visando a capacitação
dos servidores de ambas as bibliotecas;
 Realização de aquisição coordenada de bases de dados, de modo a
possibilitar o acesso irrestrito aos usuários de ambas as bibliotecas;
 Planejamento de aquisição conjunta de títulos de periódicos impressos de
forma a possibilitar a racionalização dos custos das aquisições entre as duas
bibliotecas;
 Organização de eventos para profissionais de bibliotecas e estudantes
visando o compartilhamento de conhecimentos e experiências;
 Realização de convênios com disciplinas do curso de Biblioteconomia da
Universidade de Brasília, por meio dos quais profissionais das duas
bibliotecas compartilham seu modelo de trabalho e suas experiências
práticas com os alunos do curso de graduação.
Existe ainda uma lista de parcerias que estão em fase de planejamento, inclusive
com vistas a propor o compartilhamento desse propósito com outras bibliotecas.
Pois como afirma (Farah, 2001, p. 141) a redefinição da esfera pública inclui
também a construção de novos arranjos institucionais, que superam o modelo
de provisão estatal e o padrão uniorganizacional centralizado que caracterizava
o modelo anterior.
Considerações finais
O desenvolvimento de parcerias e do trabalho cooperativo, bem como a
formação de redes de comunicação e trocas de recursos, e a atualização dos
processos de trabalho para alcançar resultados mais significativos, atendem ao
almejado critério de sustentabilidade nas ações. Essas são as principais
diretrizes que vem orientando a gestão das bibliotecas do Poder Legislativo
brasileiro, direcionadas pelas tendências mundiais e pelo avanço tecnológico da
“Era pós-digital” em curso.
A nova gestão pública, baseada em modelos práticos amparados por
informações confiáveis, que analisadas e utilizadas de maneira racional, podem
subsidiar a correção de erros, a promoção de mudanças, melhorias nos
processos e no desempenho das atividades. Destarte, ela vem se mostrando
uma alternativa eficaz para atender as atuais demandas institucionais.
Assim, entende-se que moderno, estratégico e sustentável é, de fato,
o trabalho cooperativo entre instituições. As bibliotecas da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal, com a utilização de modelos de gestão bem
definidos vêm se destacando nesse sentido, além de procurar também
desenvolver práticas inovadoras e criativas, assumindo um protagonismo no
âmbito das parcerias no cenário brasileiro e se mostrando um exemplo a ser
seguido por outras instituições.
Desse modo, as bibliotecas do Poder Legislativo federal esperam que, por
meio desse esforço conjunto, possam proporcionar o maior acesso a informação
e oportunidade para todos, cumprindo com seu papel de contribuir para atingir

4

�os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para transformar o mundo,
conforme determina a Agenda 2030 das Nações Unidas.
Referências
CARNUT, Leonardo; NARVAI, Paulo Capel. Avaliação de desempenho de sistemas de
saúde e gerencialismo na gestão pública brasileira. Saúde Sociedade. São Paulo, v.
25, n. 2, p. 290-305, 2016.
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Institui a Política de Desenvolvimento de Coleções da Biblioteca Pedro Aleixo e cria a
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do Senado, 2006. 203 p., il. color. + 1 CD-ROM.
CHOO, Chun Wei. A organização do conhecimento: como as organizações usam a
informação para criar significado, construir conhecimento e tomar decisões. 2. ed. São
Paulo: Senac, 2006. 425 p.
DAVENPORT, Thomas H., PRUSAK, Laurence. Conhecimento empresarial: como
as organizações gerenciam o seu capital intelectual. 5. ed. Rio de Janeiro: Campus,
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VIEIRA, Helena Celeste Ribeiro L, JAEGGER, Maria de Fátima Pereira. Rede Virtual
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SILVA NETO, Casimiro Pedro da. A construção da democracia. Brasília: Câmara
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PACHECO, Regina Silvia. Os benefícios da nova gestão pública: a mensuração de
resultados permite ao Estado prover serviços aos cidadãos com qualidade, agilidade e
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públicas no nível local de governo. RAP, Rio de Janeiro, v. 35, n. 1, p. 119-144, 2001.

5

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