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                  <text>DESAFIOS DA BIBLIOTECA DIANTE DAS REDES SOCIAIS NO
PROCESSO DE FORMAÇÃO DE LEITORES

Marcos PASTANA SANTOS (IFRJ) - marcos.pastana@ifrj.edu.br
JUREMA ROSA LOPES (UNIGRANRIO) - jlopes@unigranrio.edu.br
Resumo:
Este trabalho procura refletir os impactos das comunicações convergentes na formação do
leitor. Para se ter biblioteca que proporcione ao usuário não apenas conforto, mas informação
utilitária para sua vida, para seus estudos é necessária a construção da formação deste leitor
crítico, dinâmico, que consegue decifrar as informações manipuladas por veículos de
comunicação. A metodologia da pesquisa foi bibliográfica e utilizou o Portal de Periódicos da
Capes para ter acesso aos artigos nos campos da biblioteconomia e ciências sociais.
Utilizamos também como consulta os autores, Buckland (1991) sobre o conceito de
informação, Burke (2012) sobre a sociologia do conhecimento e para debater as questões
sociais do mundo virtual, o sociólogo Bauman (1999). Nosso campo de investigação é sobre a
formação de leitores no ambiente das bibliotecas brasileiras. Oferecer informação, pesquisa
bibliográfica, não forma um cidadão leitor. Não basta mais disponibilizar informação, se faz
necessário capacitar o usuário a buscar de forma autônoma a informação em sites confiáveis.
Essa oferta é pertinente, porém é preciso ir além da coisificação da informação. Considerando
que a leitura é primordial para a competência informacional, a biblioteca com o auxílio dos
profissionais que atuam no ambiente, pode proporcionar ações educativas que promovam uma
aprendizagem colaborativa.
Palavras-chave: Formação de leitores. Conhecimento. Redes sociais.
Eixo temático: Eixo 1: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

�N°8 - Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável,
emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos
N°10 - Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.
Introdução
A propaganda que as mídias de comunicação massificam em divulgar que a
internet aumentou o mercado consumidor por informação parece ser verdadeira. A
avalanche de informações que recebemos diariamente nos smartphones, tem
possibilitado ao usuário escolher as informações que lhe despertam interesse. O
questionamento que se faz é se temos tempo de consumir tanta informação no mundo
atual.

O

compartilhamento

de

informação

não

significa

que

estaremos

necessariamente gerando conhecimento para outras pessoas. O conhecimento é um
atributo do indivíduo que leva tempo para se adquirir. Mesmo com a internet
oferecendo todo tipo de informação, mesmo que o usuário não tenha mais que pegar
um ônibus e levar duas horas para ir à biblioteca que fica localizada no centro de outra
cidade para saber se existe o material bibliográfico que seja útil para seu
conhecimento. O acesso rápido a informação que a internet nos permitiu fazer de
dentro de casa, não encurtou o tempo de aprendizagem, de maturação de um saber.
Se antes uma jovem levava oito anos para se formar em balé, com acesso as redes
sociais e plataformas de vídeos, a estudante levará o mesmo tempo de formação
profissional para se tornar uma bailarina. Este trabalho procura refletir os impactos
das comunicações convergentes na formação do leitor. A biblioteca, utilizada em
outros períodos históricos, com maior frequência, era considerada um local de culto
ao saber, atualmente encontra-se em processo de reencontrar seu real significado na
formação de leitores. Para isso, não é o melhor caminho desafiar as mídias virtuais,
pelo contrário, agregar essas tecnologias informacionais no processo crítico de
formação do indivíduo. Não basta mais disponibilizar informação, se faz necessário
capacitar o usuário a buscar de forma autônoma a informação em sites confiáveis.
Metodologia
A metodologia da pesquisa foi bibliográfica e utilizou o Portal de Periódicos da
Capes para ter acesso aos artigos nos campos da biblioteconomia e ciências sociais.
Utilizamos também como consulta os autores, Buckland (1991) sobre o conceito de
informação, Burke (2012) sobre a sociologia do conhecimento e para debater as

�questões sociais do mundo virtual, o sociólogo Bauman (1999). Nosso campo de
investigação é sobre a formação de leitores no ambiente das bibliotecas brasileiras.
Discussão
Para se ter biblioteca que proporcione ao usuário não apenas conforto, mas
informação utilitária para sua vida, para seus estudos é necessária a construção da
formação deste leitor crítico, dinâmico, que consegue decifrar as informações
manipuladas por veículos de comunicação. A leitura de várias fontes documentais
poderá trazer para o usuário a capacidade de interpretar a realidade social a partir da
sua opinião sobre as volatilidades do cenário político, econômico e cultural da
sociedade. Oferecer informação, pesquisa bibliográfica, não forma um cidadão leitor.
Essa oferta é pertinente, porém é preciso ir além da coisificação da informação. Ter
acesso a livros, revistas, portais de websites, redes sociais, comunicação interativa e
em tempo real, podem ser apenas transmissão de dados e no caso, dos livros e
revistas, quando não lidos, são apenas objetos. Para Buckland (1991) esses
elementos não constituem conhecimento, são apenas dados:
“Portanto, informação-como-coisa”, qualquer que seja o nome, tem um
interesse especial relacionado a informação de sistemas, porque sistemas de
informação incluem “sistemas específicos” e sistemas de recuperação podem
relacionar-se diretamente com informação nesse sentido. O desenvolvimento
de regras para esboçar inferências sobre informação armazenada nessas
áreas é de interesse prático e teórico. Mas essas regras operam sobre e
somente em “informação-como-coisa”. O propósito dessa avaliação de
“informação-como-coisa” é:
(1) Esclarecer seu significado em relação a outros usos do termo
“informação”;
(2) Estabelecer a regra fundamental de “informação-como-coisa” no sistema
de informação; e
(3) Especular o possível usos da noção de “informação-como-coisa” trazendo
ordem teórica a campos heterogêneos, mal ordenados associados com a
“ciência da informação”. A distinção entre intangíveis (conhecimento e
informação-como-conhecimento) e tangíveis (informação-como-coisa) é
fundamental para o que se segue. Se você pode tocar ou medi-lo, não é
conhecimento, mas deve ser alguma coisa física, possivelmente informaçãocomo-coisa. (BUCKLAND, 1991, p.352)

Diante da disponibilidade de informação inesgotável, passa a ser um desafio
para a biblioteca equiparar o interesse dos jovens que são os jogos online, redes
sociais, aplicativos de relacionamentos sociais, entretenimento em tempo real. A
leitura cada vez se torna um desafio para as instituições culturais e de formação
educativa. Cresce o número de crianças desinteressadas pela aprendizagem escolar.
Esta dificuldade reflete no ambiente da biblioteca. Sem o domínio da leitura, a pessoa

�muita das vezes sequer frequenta o espaço, por achar que ali não é um ambiente
também de aprendizagem.
Corroborando o discurso de Buckland, para o autor existe três tipos de
informação a saber: informação como coisa, informação como processo e informaçãoconhecimento. Apenas o último possibilita a formação de leitores. Na imagem 1 temos
uma melhor compreensão da informação.

Imagem 1: Da esquerda para a direita, temos a informação como coisa, informação como processo e
por último a informação como conhecimento.
FONTE: Imagens coletas pelo autor na Internet (2017)

Com a atomização da informação, diminuiu o interesse pela leitura. No
compreender de García Canclini (2008) não há um triunfo das imagens sobre a leitura,
mas o cenário é preocupante, principalmente para o mercado editorial.
Nas universidades massificadas, os professores com trinta anos de
experiência comprovam que cada vez se lê menos livros e mais xerox de
capítulos isolados, textos curtos obtidos na internet, que comprimem a
informação. Diminuem os “leitores fortes” (extensivos ou intensivos),
enquanto aumentam os “leitores fracos” ou “precários”, que, face aos “livros
de adultos”, sentem que “perdem tempo”, mantêm imóvel o corpo, “como uma
forma de morte”. (GARCÍA CANCLINI, p.58, 2008).

O imaginário social das comunicações massivas que a ciência está ao alcance
de todos, com a expansão da informação, não parece ser uma unanimidade entre os
sociólogos. Para Burke (2012) o conhecimento estava se popularizando cada vez
mais. Este último conceito, porém, é escorregadio.

�O ideal da “ciência para todos” ou do “conhecimento para todos” não pode
ser implementado na prática tratando todos da mesma maneira. Por isso,
alguns autores sobre o tema preferem o termo neutro “exposição”, em vez de
“popularização”. Um segundo problema diz respeito ao processo de difusão
ou disseminação, muitas vezes visto pelos próprios comunicadores como um
mero processo de passagem ou transmissão. No entanto, como têm
ressaltado os teóricos da “recepção” literária, a distinção entre um emissor
ativo e um receptor passivo é demasiado esquemática. Comunicar o
conhecimento não é um processo de “transportar informação como batatas
numa esteira rolante”, ponto que fica especialmente evidente nos estudos
sobre os vários usos de um mesmo livro – no isolamento, em conversas
pessoais, em debates públicos e assim por diante. (BURKE, 2012, p.113).

Como podemos identificar na fala de Burke, o compartilhamento da informação
não significa que produzimos mais leitores. Percebe-se que as pessoas estão mais
informadas acerca dos debates políticos e econômicos, mas isso não significa maior
engajamento social na luta pelos direitos coletivos.
Para Bauman (1999) as comunidades virtuais tendem a não criar o hábito de
dialogar, trazer assuntos para o debate, pois geralmente são grupos que possuem a
mesma opinião. Conversar com um grupo de pessoas que pensam a mesma coisa,
compartilham as mesmas ideias, é como ouvir o próprio eco.
As chamadas “comunidades intimamente ligadas” de outrora foram
produzidas e mantidas, como agora podemos ver, pela defasagem entre a
comunicação quase instantânea dentro da pequena comunidade (cujo
tamanho era determinado pelas qualidades inatas dos wetware e assim
confinado aos limites naturais da visão, audição e capacidade de
memorização do homem) e a enormidade de tempo e despesas necessários
para passar informação entre as localidades. Por outro lado, a atual
fragilidade e curta duração das comunidades parece ser sobretudo resultado
da redução ou completo desaparecimento daquela defasagem: a
comunicação intracomunitária não leva vantagem sobre o intercâmbio entre
comunidades, uma vez que ambos são instantâneos. (BAUMAN, 1999, p.16).

Corroborando com o autor, a informação para se tornar utilitária para a pessoa,
o bibliotecário poderá desenvolver competências informacionais1 para o usuário se
apropriar do conteúdo informacional disponibilizado em material impresso e digital.
Como comensurar uma informação diante de tantas fontes de pesquisa? Isto é
particularmente perceptível com os usuários a quem foi atribuído um papel de
investigar sobre determinado tema. Pode ser percebido diante da tarefa de pesquisa,
sinais de hesitação, confusão e incerteza nos estágios iniciais de busca de
informações através da internet. Não há indicadores sobre o número de fracassos de

Refere-se à capacidade do aprendiz de mobilizar o próprio conhecimento que o ajuda a agir em
determinada situação. Ao longo do processo de letramento informacional, os aprendizes desenvolvem
competências para identificar a necessidade de informação, avaliá-la, buscá-la e usá-la eficaz e
eficientemente, considerando os aspectos éticos, legais e econômicos. (GASQUE, 2013, p.5).
1

�pesquisas realizadas na internet, procurando informações verídicas sobre um tema,
mas há desconfiança que o número de tentativas infrutíferas seja bastante
considerável diante do caos informacional.
Considerações finais
Considerando que a leitura é primordial para a competência informacional, a
biblioteca com o auxílio dos profissionais que atuam no ambiente, pode proporcionar
ações educativas que promovam uma aprendizagem colaborativa.
É necessária uma reflexão dos bibliotecários relativo aos desafios de
desenvolver competências informacionais para o usuário. Uma biblioteca tradicional
consegue reter a atenção do usuário diante dos seus celulares, com conectividade
com o mundo virtual, com as redes sociais, no qual a interação ocorre a todo vapor?
Que informação é disponibilizada para os usuários, de que forma a biblioteca pode
potencializar o processo de conhecimento? O usuário é desafiado a procurar fontes
de informação seguras que corroborem com sua pesquisa? É necessário um debate
para saber se os usuários estão se deixando se seduzir pelas armadilhas das redes
sociais. As redes sociais desempenham um papel preponderante na interação, na
aproximação de pessoas, que estão separadas fisicamente por milhares de
quilômetros; mas, ao mesmo tempo, pode criar um mundo ilusório, onde todas as
nossas manifestações de carinho, raiva, inconformismo, preconceito, ameaças,
ilusões, namoros e outras situações do cotidiano não saiam do mundo virtual.
Referências
BAUMAN, Zygmunt. Globalização: as consequencias humanas. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar, 1999.
BUCKLAND, Michael Keeble. Information as thing. Journal of the American
Society for Information Science, v.45, n.5, p.351-360, 1991.
BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento – II: da enciclopédia à
Wikipédia. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.
GARCIA CANCLINI, Néstor. Leitores, espectadores e internautas. São Paulo:
Iluminuras, 2008.
GASQUE, K. C. G. D. Competência em Informação: conceitos, características e
desafios. AtoZ: novas práticas em informação e conhecimento, Curitiba, v. 2, n. 1, p.
5-9, jan./jun. 2013. Disponível em: &lt;http://www.atoz.ufpr.br&gt;. Disponível em: &lt;
http://revistas.ufpr.br/atoz/article/view/41315/25246&gt;. Acesso em: 11 jul. 2017.

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