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                  <text>Mediação da informação e acessibilidade: a função social do
profissional da informação para a inclusão e reconhecimento
político das diferenças

Ana Paula Meneses Alves (Unesp) - anameneses@fclar.unesp.br
Uilian Donizeti Vigentim (UNESP) - uilian@fclar.unesp.br
Resumo:
O papel do profissional da Ciência da Informação, perante comunidades que experimentam
diversas formas de exclusão, é mediar a informação ao delinear um caminho para a inclusão
social. E é por observar que esta função e este papel que optamos para tratar da
responsabilidade social do profissional da informação na inclusão de pessoas com deficiência a
partir do conceito de mediação da informação, como toda ação de interferência em prol da
satisfação de uma necessidade informacional. Para demonstrar tais considerações relataremos
brevemente alguns aspectos teóricos sobre mediação da informação, acessibilidade, inclusão e
deficiência.
Palavras-chave: Mediação da informação. Acessibilidade. Inclusão. Deficiência
Área temática: Temática III: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade

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Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Mediação da informação e acessibilidade:
a função social do profissional da informação para a inclusão e
reconhecimento político das diferenças
Resumo: O papel do profissional da Ciência da Informação, perante comunidades
que experimentam diversas formas de exclusão, é mediar a informação ao delinear
um caminho para a inclusão social. E é por observar que esta função e este papel
que optamos para tratar da responsabilidade social do profissional da informação na
inclusão de pessoas com deficiência a partir do conceito de mediação da
informação, como toda ação de interferência em prol da satisfação de uma
necessidade informacional. Para demonstrar tais considerações relataremos
brevemente alguns aspectos teóricos sobre mediação da informação, acessibilidade,
inclusão e deficiência.
Palavras-chave: Mediação da informação. Acessibilidade. Inclusão. Deficiência.
Área Temática: Selecionar uma dentre as áreas temáticas do Congresso.
1 INTRODUÇÃO
Vivemos tempos de grandes mudanças em um ambiente sócio-profissional e
educacional transformado por vários aspectos contemporâneos. O excesso de
informação, o encurtamento de distâncias, a multiplicidade de oportunidades e
demandas resultam em novos paradigmas e novas posturas no âmbito das
organizações, instituições de ensino e indivíduos.
Conforme Freire (2001), o papel do profissional da Ciência da Informação,
perante comunidades que experimentam diversas formas de exclusão, é disseminar
a informação ao delinear um caminho para a inclusão social.
E é por observar que esta função e este papel vão além do conceito
tradicional de disseminação da informação1 é que optamos para tratar da
responsabilidade social do profissional da informação na inclusão de pessoas com
deficiência a partir do conceito de mediação da informação, como toda ação de
interferência em prol da satisfação de uma necessidade informacional.
A partir deste viés consideramos que a mediação da informação é também a
ação concreta para promover a inclusão de pessoas com deficiência no âmbito dos
equipamentos informacionais. Para demonstrar tais considerações relataremos

1

Segundo Almeida Júnior (2008, p.43) “[...] o conceito de disseminação ainda é entendido como mero acesso
físico ao documento e outros termos surgidos deixam ainda mais clara essa relação: disponibilizar, oferecer
veicular, divulgar, etc.”

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brevemente alguns aspectos teóricos sobre mediação da informação, acessibilidade,
inclusão e deficiência.
2 MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO
Segundo Marco de Almeida (2008), para as Ciências Sociais, de modo geral,
a noção de mediação está ligada a ação, situada e analisada segundo a vida pública
e fundamentada por meio da comunicação. Segundo o autor, as ações são as
conexões estabelecidas entre as ações sociais e as motivações (individuais e/ou
coletivas). O autor também chama atenção para um dos sentidos de senso comum
ponderado por Davalon (2003): a ideia de que mediação é a ação de servir de
intermediário ou de ser o que serve de intermediário. Sentido idêntico ao identificado
por Almeida Júnior (2009) com a constatação da ideia de ponte: a mediação,
segundo o senso comum dos profissionais da área, permite, assim como a ponte, a
relação entre dois pontos que, de certa forma, podem/estão impedidos de interagir
por algum obstáculo ou empecilho.
Almeida Júnior (2009), logo apresenta o porquê esta noção é inapropriada:
trata-se de algo estático, sem interferência, de algo que leva alguma coisa de um
ponto a outro.
E com base nestas concepções que o autor define mediação da informação
como sendo:
[...] toda a ação de interferência – realizada pelo profissional da informação
– direta ou indireta; consciente ou inconsciente; singular ou plural; individual
ou coletiva; que propicia a apropriação da informação que satisfaça, plena
ou parcialmente, uma necessidade informacional. (ALMEIDA JÚNIOR,
2008, p.46).

Dada esta conceituação observamos que trata-se de uma ação relacionada a
todas as atividades do fazer do profissional da informação, inerente ao seu próprio
objeto e como afirma o estudioso, o seu REAL objeto: “Muitas são as áreas que tem
a informação como seu objeto de estudo, de análise, de preocupação. O que
diferencia a área da Ciência da Informação das outras áreas que lidam, também,
com a informação, seria o fato de que o objeto da Ciência da Informação não é a
informação em si, mas a mediação dela.” (ALMEIDA JÚNIOR, 2008, p.46).
Segundo Marco Almeida (2008) a compreensão de mediação envolve ideias
diferentes entre si, que abordam desde as concepções tradicionais de atendimento
ao usuário, perpassando pela atividade de agente cultural até a construção de
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produtos destinados a induzir o público a determinado universo de informações e
vivências.
Três conceitos são importantes para completar esta discussão e entender
melhor o conceito de mediação da informação: mediação implícita e explícita,
neutralidade e interferência.
A mediação implícita acontece em espaços - dentro dos equipamentos
informacionais - nos quais não há a presença física e imediata de usuário, locais
estes onde normalmente são desenvolvidas atividades de seleção, armazenamento
e processamento técnico da informação. Já a mediação explícita, ocorre em espaços
onde é imprescindível a presença do usuário, seja esta presença física (presencial)
ou remota (como em acessos à distância). A questão da mediação implícita e
explícita é melhor explicada por Almeida Júnior (2009, p.93) na observação descrita
a seguir:
[...] Além das ideias já salientadas, estamos sendo levados a dividir o que
chamamos de mediação implícita em dois momentos: um explícito e outro
implícito. O primeiro compreenderia as ações desenvolvidas de maneira
consciente e tendo como base os conhecimentos que dominamos e
exteriorizamos com razoável controle. O segundo abarcaria as ações que
deixam transparecer um conhecimento inconsciente, não passível de
controle e que se imbrica com os conhecimentos conscientes. Toda ação se
constitui da junção desses conhecimentos amalgamando a mediação da
informação com ações controláveis e não controláveis. A mediação
explícita-explícita e a mediação explícita-implícita – por falta ainda de
denominações melhores – impediriam o controle do sujeito mediador,
criando condições para a interferência – como veremos a seguir – possa se
tornar, mesmo que contrariando intenções, em manipulação.

Já a noção de neutralidade também é rebatida pelo autor. Almeida Júnior
(2009) reafirma que a mediação da informação é um processo histórico-social, dada
a esta condição, a ideia de neutralidade é totalmente inapropriada, pois não se trata
de um momento dissociado do tempo, espaço e do entorno e contexto social,
político, econômico e cultural dos atores envolvidos. Sendo assim, mediação da
informação sofre influência deste entorno e, mais do que isso, pode e deve ser
caracterizada como uma interferência.
Sanches e Rio (2010), seguindo a linha de Almeida Júnior, também reforçam
que as atividades de interferência vão além da relação usuário/informação,
passando por todas as atividades do fazer biblioteconômico. Bicheri (2008, p.93)
também reitera esta discussão:

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Mediação envolve a ação de quem intercede, interfere por algo e por outro;
implicando em vários caminhos, opções e escolhas. Constatamos que na
mediação alguém está entre duas ou mais pessoas/coisas, facilita uma
relação, serve de intermediário, sugere algo, sem agir pela pessoa ou lhe
impor alguma coisa.

O fazer do profissional da informação, bem como sua relação com a
informação em si, são sempre marcados pelas suas concepções, interesses,
ideologias. Deste modo não há imparcialidade e nem neutralidade.
A interferência não deve ser negada, mas sim, explicitada, afirmada,
tornada consciente para que, criticamente, o profissional possa lidar com ela
de maneira a amenizar/minimizar possíveis problemas que dela recorrem.
(ALMEIDA JÚNIOR, 2009, p.94).

Deste modo, a mediação da informação coloca o usuário como o ator central
do processo de apropriação. Ela nos permite deixar de lado a concepção de que o
usuário é passivo e mero receptor de informações, mas nos permite olhar para o
mesmo como quem determina ou não a existência da informação. E ao chegarmos a
estes termos, temos a consciência que o papel do profissional da informação, na
mediação da informação, ao reconhecer a sua não neutralidade, o valor de sua
interferência e o papel determinante e decisivo do usuário como ator central do
processo, é imprescindível para delinear seu papel social, sua responsabilidade e
conhecimento de que tem em suas mãos um dos instrumentos/insumos de poder da
atualidade: a informação. E é exatamente com esta consciência e este poder que
permitem a este profissional agir e reagir em prol da mudança de realidades, e em
especial promover a inclusão e reconhecimento político das diferenças, temas dos
quais trataremos na seção seguinte.
3 ACESSIBILIDADE, INCLUSÃO, DIFERENÇA E DEFICIÊNCIA
Toda pessoa que dificuldade, deficiência ou mobilidade reduzida, tem seus
direitos assegurados por legislações distintas. A Declaração Universal dos Direitos
Humanos, a Constituição Brasileira de 1988, a Organização das Nações Unidas, a
Organização Mundial da Saúde e os governos estaduais e municipais apresentam
prerrogativas e/ou legislações específicas que tem como objetivo a concretização
efetiva da cidadania, permitindo o acesso a todos os direitos que são garantidos a
todos os cidadãos, assim como a locais públicos e privados, garantindo-lhes
inclusão social, no que concerne: acessibilidade a pessoas com diversidades

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funcionais motoras, visuais, auditivas, intelectuais e múltiplas, conforme sua
peculiaridade.
Mas, infelizmente, a História pode contar-nos as imensas atrocidades
cometidas contra as pessoas com deficiência graças a ignorância, falta de
informações e incompreensão. A partir da década de 60 desenvolveram-se, em todo
mundo, correntes ideológicas inovadoras com o objetivo de desenvolver uma luta
social

e

política,

afim

de alcançar

a

emancipação e

os

direitos de

um

coletivo composto por mais de 600 milhões de pessoas que possuem deficiências
diversas.
Os autores Palacios e Romañach (2006), por meio da obra El modelo de la
diversidad: la Bioética y los Derechos Humanos como herramientas para alcanzar la
plena dignidad en la diversidad funcional, apresentam que ao longo do tempo é
possível distinguir três formas ou modelos de percepção social das pessoas com
deficiência e que, em maior ou menor grau, ainda coexistem no tempo presente.
O primeiro modelo, denominado em espanhol pelo termo prescindencia,
indica que as causas que dão origem a diversidade funcional tem um motivo
religioso. Esta primeira percepção declara que as pessoas com essas diferenças são
consideradas desnecessárias, objetos de cuidados de caridade, impossibilitadas de
contribuir para as necessidades da comunidade. Considera que estas pessoas
abrigam as mensagens do mal ou são conseqüência da ira dos deuses, ou em
algumas culturas, tão miseráveis, que suas vidas não valem a pena ser vivida.
O segundo modelo é chamado de reabilitação e indica que as causas que dão
origem a diversidade funcional tem um motivo científico. A partir desse modelo, as
pessoas com deficiência não são mais consideradas inúteis ou desnecessárias,
desde que sejam reabilitadas. Deste modo, o principal objetivo perseguido por este
modelo é normalização de pessoas com diferenças, mesmo que isso signifique
forçar o desaparecimento ou ocultação da diferença que representa a diversidade
funcional.
O terceiro modelo, chamado de social, é aquele que acredita que as causas
da deficiências não são nem religiosas nem científicas, mas sociais. Este modelo
propõe que as pessoas com deficiência podem contribuir para as necessidades da
comunidade na mesma medida que outras pessoas sem deficiência, mas sempre a
partir do reconhecimento e respeito de sua condição de pessoa diferente. Segundo
Palacios e Romañach (2006) este modelo está intimamente relacionado com a
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incorporação de certos valores intrínsecos dos direitos humanos, e visa promover o
respeito pela dignidade humana, igualdade e liberdade pessoal, promovendo a
inclusão social, com base em certos princípios, como: vida independente, nãodiscriminação, acesso universal, a padronização do ambiente e do diálogo civil, entre
outros.
Pelo enfoque médico, em 1980, a Organização Mundial da Saúde (OMS)
publicou um sistema de classificação de deficiências que objetivava a criação de
uma linguagem comum para a pesquisa e a prática clínica, intitulado de
“Classificação internacional de deficiências”. Tal publicação gerou inúmeras críticas
e polêmicas principalmente pelo conceito de desvantagem, o que provocou um
processo de revisão promovido pela própria OMS. Esta revisão deu origem à
publicação da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde
(CIF). Segundo Farias e Buchalla (2005, p.189) para a OMS:
[...] a CID-10 e a CIF são complementares: a informação sobre o
diagnóstico acrescido da funcionalidade fornece um quadro mais amplo
sobre a saúde do indivíduo ou populações. [...] Segundo esse modelo, a
incapacidade é resultante da interação entre a disfunção apresentada pelo
indivíduo (seja orgânica e/ou da estrutura do corpo), a limitação de suas
atividades e a restrição na participação social, e dos fatores ambientais que
podem atuar como facilitadores ou barreiras para o desempenho dessas
atividades e da participação.

Um exemplo de conceituação “social” é a levantada pela Organização das
Nações Unidas (1975), para qual o termo "pessoas deficientes" refere-se “[...] a
qualquer pessoa incapaz de assegurar por si mesma, total ou parcialmente, as
necessidades de uma vida individual ou social normal, em decorrência de uma
deficiência, congênita ou não, em suas capacidades físicas ou mentais.”
Vem

desta

linha

de

pensamento

a

proposta

para

o

termo

"diversidade funcional"2. Este termo considera a diferença entre as pessoas e seu
papel nos processos de construção social e meio ambiente, sem se pautar na
capacidade ou incapacidade do indivíduo e na opressão social, resultado de uma
sociedade que não considera homens e mulheres com deficiência. O termo é

2

“Diversidade funcional”, do espanhol diversidad funcional, é um termo cunhado pelo Fórum da
Vida Independente, desde o início de 2005, para designar o que comumente referimos como
deficiência, deficiente, incapacidades entre outros termos que podem apresentar um sentido
pejorativo. Este termo visa eliminar a negatividade na definição de coletivos e reforçar a sua essência
da diversidade (PALACIOS; ROMAÑACH, 2006). O Fórum da Vida Independente é uma comunidade
constituída por pessoas de toda a Espanha e mais outros países, que formam um fórum para a
reflexão e luta pelos direitos das pessoas com diversidades funcionais.
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semanticamente correto e consegue expressar por si só todos os conceitos
defendidos pelo movimento e, principalmente, a riqueza existente na diversidade da
espécie humana, excluindo a idéia de discriminação. O termo esta pautado na
dignidade e respeito às diferenças, preservando a autonomia das pessoas com
diversidade funcional para decidir sobre sua própria vida, e se concentra na
eliminação de qualquer barreira, a fim de proporcionar igualdade de oportunidades
adequadas.
Com enfoque mais acadêmico, Humberto Lippo (2012b), em sua revisão
acerca da terminologia sobre pessoas com deficiências, ressalta que diferentemente
de fatores como etnia e gênero, os padrões de “normalidade” são socialmente
construídos, variando em tempo e espaço, e por isso, são concepções socioculturais
e históricas. Mas, infelizmente, com o passar dos anos as pessoas com deficiência
tem sido rotuladas sempre pelo que as difere e não pelo que as assemelha.
Para sintetizar a discussão sobre terminologia, apresentamos o quadro
abaixo, com as principais denominações acerca da questão das pessoas com
deficiência,

demonstrando

que

as

representações

feitas,

mesmo

quando

inconscientes, tem seu impacto.
Quadro 1- Terminologia histórica acerca da questão “deficiência”.
Época
Primeiros
séculos da
História

Termos e significados
“Os inválidos”
O termo significava “indivíduos sem valor”

Século
XX
até mais ou
menos 1960

“ Os incapacitados”
O termo significava “indivíduos sem capacidade”
e mais tarde evoluiu para designar “indivíduos
com capacidade residual”

De mais ou
menos 1960
até mais ou
menos 1980

“Os defeituosos”
O
termo
significava
“indivíduos
com
deformidade” (principalmente física).
“Os deficientes”
Este termo significava “indivíduos com
deficiência” física, intelectual, auditiva, visual ou
múltipla, que os levava a executar funções
básicas da vida de uma forma diferente daquela
como as pessoas sem deficiência faziam.
“Os excepcionais”
O termo significava “indivíduos com deficiência
intelectual”

Valor da pessoa
Aquele que tinha deficiência era tido
como socialmente inútil, um peso
morto para a sociedade, alguém sem
valor profissional.
Foi um avanço da sociedade
reconhecer que a pessoa com
deficiência poderia ter capacidade
residual mesmo que reduzida. Mas,
ao mesmo tempo, considerava-se
que a deficiência, qualquer que fosse
o tipo, eliminava ou reduzia a
capacidade da pessoa em todos os
aspectos: físico, psicológico, social,
profissional, etc.
A sociedade passou a utilizar estes
três termos, que focalizam as
deficiências em si, e reforçam o que
as pessoas não conseguiam como a
maioria.

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De 1981 até
mais
ou
menos 1987

De mais ou
menos 1988
até mais ou
menos 1993

“Pessoas deficientes”
Pela primeira vez em todo o mundo, o
substantivo “deficientes” passou a ser utilizado
como adjetivo, sendo –lhe acrescentado o
substantivo “pessoas”.
“Pessoas portadoras de deficiência”
Termo que, utilizado somente em países de
língua portuguesa, foi proposto para substituir o
termo “pessoas deficientes”. Logo foi reduzido
para “portadores de deficiência”.

De mais ou
menos 1990
até hoje

“Pessoas com necessidades especiais”.
O termo surgiu em primeiro lugar para substituir
“deficiência” por “necessidades especiais”. Daí a
expressão “portadores de necessidades
especiais”. Depois este termo passou a ter
significado próprio sem substituir o nome
“pessoas com deficiência”.

De mais ou
menos 1990
até hoje

“Pessoas especiais”. Surgiram também
expressões como “crianças especiais”, “alunos
especiais”, “pacientes especiais” e assim por
diante, numa tentativa de amenizar a
contundência da palavra “deficientes”.
O termo apareceu como uma forma reduzida da
expressão
“pessoas
com
necessidades
especiais”,
constituindo
um
eufemismo
dificilmente aceitável para um segmento
populacional.
“Pessoas com deficiência” e pessoas sem
deficiência, quando tiverem necessidades
educacionais especiais e se encontrarem
segregadas, têm o direito de fazer parte das
escolas inclusivas e da sociedade inclusivas e
da sociedade inclusiva.

Em junho de
1994

Em maio de
2002

De mais ou
menos 1990
até hoje e
além

“Portadores de direitos especiais”
Frei Betto escreveu um artigo no jornal O Estado
de S. Paulo que propõe o termo “portadores de
direitos especiais e a sigla Pode. Alega que o
substantivo “deficiente” e o adjetivo “deficientes”
encerram o significado de imperfeição enquanto
a sigla Pode exprime capacidade. O termo foi
considerado contraditório porque as pessoas
com deficiência exigem equiparação de direitos
e não direitos especiais
“Pessoas com deficiência”
Passa a ser o termo preferido por um número
cada vez maior adeptos e conclamado pelas
próprias pessoas com deficiência, no qual as
mesmas esclarecem que não são portadoras de
deficiência.

Foi atribuído o valor “pessoas”
àqueles que tinham deficiência,
igualando-se em direitos e dignidade
à maioria dos membros de qualquer
sociedade ou país.
O “portar uma deficiência” passou a
ser valor agregado à pessoa. A
deficiência passou a ser um detalhe
da pessoa.
O termo foi adotado como nome
oficial
em
diversos
tipos
de
legislações pertinentes ao campo das
deficiências.
De início “necessidades especiais”
representava apenas um novo termo.
Depois, com a vigência da Resolução
CNE/CEN, n.2, de 11/09/2001,
“necessidades especiais” passou a
ser um valor agregado tanto à pessoa
com deficiência quanto a outras
pessoas.
O adjetivo “especiais” permanece
como uma simples palavra, sem
agregar
valor
diferenciado
às
pessoas com deficiência. O “especial”
não é qualitativo exclusivo das
pessoas que têm deficiência, pois ele
se aplica a qualquer pessoa.

O valor agregado às pessoas é o de
elas fazerem parte do grande
segmento dos excluídos que, com o
seu poder pessoal exige sua inclusão
em todos os aspectos da vida da
sociedade.
Trata-se
do
empoderamento.
Não há valor ser agregado com a
adoção deste termo, e mesmo se
defendesse direito especiais, o nome
“portadores de direitos especiais” não
poderia ser exclusivo das pessoas
com deficiência, pois qualquer outro
grupo vulnerável pode reivindicar
direitos especiais.

Os valores agregados ao termo são:
1.O do empoderamento (uso do
poder de fazer escolhas, tomar
decisões e assumir o controle da
situação de cada um);
2.O da responsabilidade de contribuir
com seus talentos e poder mudar a
sociedade rumo à inclusão de todas
as pessoas, com ou sem deficiência.
Fonte: Adaptado do quadro de terminologia histórica de Sassaki (1997, p.12-16 ) reproduzido por
Lippo (2012b, p.66-72).

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Apresentamos esta breve síntese terminológica exatamente para entender um
dos fatores que cerca a questão da deficiência. Adotamos o termo “pessoa com
deficiência”, mas é importante frisar que o mais necessário são as mudanças
atitudinais, de valores e conhecimentos, rebatendo assim o preconceito, a
discriminação e resultando no respeito às diferenças, independente do termo
adotado. E para isso é imprescindível mudanças nas condições materiais e
simbólicas da vida em sociedade, e a promoção da acessibilidade e da inclusão são
dois fatores capazes de tornar a sociedade mais capacitada e apta a reconhecer que
as diferenças são alguns dos seus constituintes.
É aí que entra o papel da mediação da informação e do profissional.
Acreditamos que por meio da mediação da informação, o profissional poderá exercer
sua responsabilidade social, promover e incorporar aos seus fazeres a
acessibilidade e a inclusão de pessoas com deficiência nas suas áreas de atuação,
possibilitando assim, aos usuários nestas condições, o contato, a relação e a
apropriação da informação, independente da forma como esta será veiculada.
econômicas, políticas, sociais e culturais.
Battisti (2010, p.42) apresenta detalhes do conceito de inclusão:
O conceito de inclusão inverte a lógica da integração e prevê que os
currículos se adaptem para atender os deficientes, assim como também os
espaços sociais devem facilitar o acesso e eliminar barreiras para o trânsito
e o exercício da cidadania das pessoas com deficiência.

A autora aborda que a inclusão supõe um sentimento de pertencimento, uma
relação identitária do sujeito com o grupo e com o profissional responsável pela
mediação, de tal modo que a tal relação complexa também pode ser estendida ao
espaço informacional quando se trata de incluir sujeitos com deficiência.
O sucesso da inclusão depende do empenho das pessoas com e sem
deficiência, de mudanças atitudinais, além de todo um contexto físico e social composto
de recursos que contribuam para a independência da pessoa com deficiência. Neste
sentido fazemos a interface com as questões que envolvem o termo acessibilidade.

Segundo Brumer, Pavel e Mocelin (2004, p.319):
[...] considera-se acessibilidade [...] “a possibilidade e condição de alcance
para a utilização, com segurança e autonomia” especificamente dos
espaços, mobiliários (objetos existentes nas vias e espaços públicos, tais
como semáforos, postos de sinalização, cabines telefônicas. Lixeiras) e
equipamentos urbanos (componente das obras de urbanização, como
pavimentação), das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de
comunicação.

Lippo (2012a, p.81) ao abordar o conceito de acessibilidade apresenta que:
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A acessibilidade, portanto, entendida no sentido de ação constitutiva do
todo social, engloba todo o conjunto do espaço construído, incluindo os
aspectos da edificação, do urbanismo, das comunicações e do transporte
em suas múltiplas interfaces. Espaços ou equipamentos que não
proporcionem essas condições são possuidores de barreiras arquitetônicas.

Nesta breve revisão ficou claro, conforme pontuam Torres, Mazzoni e Alves
(2002), que “[...] a acessibilidade é um processo dinâmico, associado não só ao
desenvolvimento

tecnológico,

mas

principalmente

ao

desenvolvimento

da

sociedade.” Atualmente, a expressão acessibilidade representa o direito de acessar
informações, o direito de eliminação de barreiras arquitetônicas, de disponibilidade
de comunicação, de acesso físico, de equipamentos e programas adequados, de
conteúdo e apresentação da informação em formatos alternativos, ou seja, a
acessibilidade representa a qualidade de vida para quem apresenta uma determina
diversidade funcional. Schneider (2012, p.88) completa:
Há, portanto, a necessidade de se compreender o acesso não só nas
estruturas físicas, mas também em toda e qualquer forma de comunicação e
observância no que se refere aos direitos e deveres tanto de indivíduos
quanto da sociedade e das concepções políticas desenvolvidas por parte
dos governos e das empresas. Ter acesso é oferecer ao indivíduo a
possibilidade de independência e autonomia. Essa deve ser a meta diante
da qual os movimentos sociais e a sociedade civil precisam postular.

Atualmente, as tecnologias de informação e comunicação são grandes
aliadas dos indivíduos com deficiência e podem ser consideradas a diferença entre o
acesso e o não acesso a determinados serviços, produtos e ambientes
informacionais promovendo, deste modo, mudança social e autonomia expressiva na
vida destas pessoas. Estas quando aplicadas com a intenção de promover
autonomia e a inclusão social, são denominadas tecnologias assistivas que
atualmente emergem
[...] como uma área do conhecimento e de pesquisa que tem se revelado
como um importante horizonte de novas possibilidades para autonomia e
inclusão social da pessoa com deficiência. No Brasil, 14,5% da população
são pessoas com deficiência – cerca de 27 milhões de brasileiros, segundo
o IBGE. A Tecnologia Assistiva, entendida como qualquer recurso, produto
ou serviço que favoreça a autonomia, a atividade e a participação dos
indivíduos. Pessoas até com graves comprometimentos começam a poder
realizar atividades ou desempenhar tarefas que, até bem recentemente,
lhes eram inalcançáveis. (GALVÃO FILHO, 2009).

Após entendermos tais conceitos, retomamos agora nossa tese central, ao
fazer a relação entre responsabilidade social, mediação da informação, ação do
profissional da informação e inclusão e acessibilidade de pessoas com deficiência.
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3 RESPONSABILIDADE SOCIAL, MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO E A AÇÃO DO
PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO PARA A ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO DE
PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
Diante do exposto, ponderamos que a ação do profissional da informação, por
meio da mediação da informação, é um dos meios de promover um melhor acesso a
informação, preservando a autonomia das pessoas com deficiência, dignidade e
respeito às diferenças e assim proporcionar igualdade de oportunidades a este
público.
Observemos esta constatação de Sanches e Rio (2010)
Mediar é construir em conjunto espaços que ative no profissional
bibliotecário, agora não mais um profissional passivo, uma postura
comprometida com sua classe profissional e com a comunidade a qual
atende culminado em um compromisso com a sociedade fazendo que seu
ramo de atividade seja reconhecido socialmente por sua importância.

Ao discorremos sobre o tema, duas abordagens da área de Ciência da
Informação foram relevantes para refletirmos as interações entre a mediação da
informação e a ação do profissional da informação para a acessibilidade e inclusão
de pessoas com deficiência. A primeira abordagem se refere aos estudos sobre a
dimensão social do conhecimento, neste texto trabalhando a partir do olhar de
Suaiden (2007). A segunda abordagem se refere à responsabilidade social da
Ciência da Informação, como trabalhado por Freire (2001) e Farias e Freire (2011).
Suaiden (2007, p.23) reafirma em suas constatações que a produtividade e o
crescimento econômico, assim como a geração de riquezas e de poder, estruturamse socialmente sobre o controle do conhecimento e da informação. Neste contexto,
conhecimento e informação precisam ser observados como valores sob a ótica da
educação, da economia e da cultura. Segundo o autor é “[...] fundamental identificar
a dimensão humana, onde a educação é o cerne da questão; a dimensão
tecnológica, onde o fator econômico tem fundamental importância e; a dimensão
social, onde a cultura se apresenta como resultado das transformações ocorridas na
sociedade.”
Para o autor, ao tratarmos da dimensão social do conhecimento:
[...] estamos identificando um nível de consciência coletiva que exige a
melhor distribuição dos saberes e das riquezas geradas pela sociedade. É
uma sinalização para a necessidade de diminuir as desigualdades e
socializar o bem estar, a qualidade de vida, a cidadania e a dignidade
humana. Nesse sentido é necessária uma grande mobilização da sociedade
onde cada órgão, instituição, empresa e indivíduo trabalhem pela equidade
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social. Dessa forma é possível pensar na construção de uma nova
mentalidade que resultará na formação de uma cultura que represente uma
sociedade mais justa, baseada na tecnologia, na informação e no
conhecimento, solidários. (SUAIDEN, 2007, p. 25).

O texto de Suaiden (2007) evidencia que a dimensão social do conhecimento
se manifesta pela integração da sua dimensão humana e tecnológica, com o objetivo
de contribuir para o desenvolvimento social de toda uma nação. O autor chama a
nossa atenção ao afirmar que quando uma sociedade não tem espírito e
posicionamento crítico para rebelar-se contra a falta de políticas e estruturas
informacionais, a alternativa mais adequada é o apoio decisivo dos profissionais da
informação para mudar a situação existente.
Foi ao pensarmos nestas constatações que insistimos no papel de mediador
do profissional da informação. E é esta também a nossa ligação com a obra de Isa
Maria Freire.
Apesar da autora tratar do tema inclusão digital (FREIRE, 2001; FARIAS;
FREIRE, 2011), a forma como a mesma aborda o tema, reflete a sua preocupação
com a ideia central de uma responsabilidade social para a Ciência da Informação.
Tal ideia tem como objetivo despertar nos profissionais da área a necessidade de
pensar, desenvolver modos e meios para inclusão de populações social e
economicamente carentes por meio de ações concretas pela cidadania e inclusão
social. Em sua abordagem observa-se que a relevância da informação para o
desenvolvimento social está no seu potencial de minimizar desigualdades e com isso
otimizar as ações vinculadas ao fortalecimento da cidadania. Nesse contexto o indivíduo
é levado a desenvolver “[...] uma consciência crítica em relação ao que é apresentado,
ao analisar a relevância disso para suas necessidades, ao assumir posturas pró-ativas
de busca e uso da informação e ao estabelecer relações entre as informações
processadas, para então produzir conhecimento.” (FARIAS; FREIRE, 2011, p.154).

Ao refletirmos sobre estes dois aspectos, em conjunto com as questões de
acessibilidade e inclusão, percebemos que o segmento de mediação da informação,
conforme o conceito de Almeida Júnior (2009), ao englobar e ter como base a
apropriação e a interferência, que se dá em diversos âmbitos (do usuário, do
profissional da informação, do suporte informacional, do produtor da informação, das
mídias, dos meios, dos equipamentos informacionais, etc) é o constructo ideal para
as ações referentes à responsabilidade social do profissional frente aos temas até
aqui constituídos, e com isso contribuir para que a pessoa com deficiência tenha
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acesso a informação e subsídios para a tomada de decisão e para se tornarem mais
críticos e transformadores da sua realidade.
Para que isso aconteça, o profissional deve conhecer tantos os aspectos da
mediação, quanto o reconhecimento das diferenças. O profissional da informação
deve saber o seu papel transformador dentro de sua unidade de informação e
comunidade usuária, reconhecendo

as diversidades funcionais de seu público;

sendo responsável pelo trabalho de sensibilização contínuo e projetos por meio dos
quais capacite sua equipe e promova para todos conhecimento suficiente para lidar
com as questões das deficiências e diferenças sendo flexível e atendendo

as

necessidades de mudança, estando preparado e apto para o uso e implantação de
tecnologias assistivas; e, principalmente, esteja apto para lutar e exigir que a sua
instituição atenda aos dispositivos legais, promova a equiparação de oportunidades,
a interação entre pessoas com e sem deficiências, tornando a inclusão e a
acessibilidade uma responsabilidade social sua, de cada um e de todos
coletivamente.

4 CONSIDERAÇOES FINAIS

Em nossa proposta apostamos na mediação da informação e em sua ação na
amplitude do fazer do profissional da informação como a promotora da
acessibilidade e da inclusão de pessoas com deficiência no âmbito das unidades de
informação e, deste modo, na promoção e reconhecimento político das diferenças.
Consideramos que a apropriação e a não neutralidade, ou seja a
interferência, que cerca o fazer biblioteconômico, como postulado no conceito de
mediação da informação, são as bases para a responsabilidade social do
profissional da informação para promover o acesso a informação que pode contribuir
para o crescimento, desenvolvimento, criticidade e tomada de decisão de pessoas
com deficiência.
O estudo atual é apenas uma primeira consideração, sendo necessárias
melhores reflexões e práticas. Mas consideramos que o conhecimento das
postulações descritas já seja o primeiro passo para que o profissional da informação
tenha cada vez mais consciência do seu importante papel como transformador no
cenário sociocultural, de sua ação como democratizador efetivo da informação e
principalmente na sua atuação no reconhecimento político das diferenças
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