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                  <text>Biblioteca Volante e as práticas de leitura no Projeto Escola Zé
Geysa Flávia Câmara de Lima (UFPB) - geysaflavia@gmail.com
Daiana Silva Amaral (UFPB) - daianaambiblio@gmail.com
Resumo:
O estudo tem como objetivo principal Analisar as práticas de leituras aplicadas com os alunos
do Programa Escola Zé Peão, identificando as dificuldades de leitura dos alunos, bem como
verificar a eficácia das práticas de leituras. A metodologia utilizada é de cunho
quali-quantitativa, em função das principais características que a definem como uma forma de
buscar conhecer o fenômeno no seu contexto. Foi utilizada a técnica da coleta de dados
através da entrevista e do questionário. O universo da pesquisa constituiu-se de 27 alunos
operários matriculados, sendo que desses apenas 18 atendem ao objetivo dessa pesquisa, pois
os demais não possuem o nível de compreensão necessária para desenvolver práticas de
leitura. Esta pesquisa mostrou que diante da realidade dos alunos-operários obtivemos um
retorno satisfatório no que tange as práticas de leitura realizadas por eles que percebem nela
um meio para se obter melhores oportunidades. Porém, Apesar de perceptível a valorização da
leitura pela maioria dos participantes, apenas palavras de apoio, oferta de suportes à prática
de leitura não são suficientes para a construção de hábitos de leitura e para a diminuição das
atitudes negativas acerca da leitura.
Palavras-chave: Leitura. Práticas de leitura. Biblioteca volante.
Área temática: Temática III: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Biblioteca Volante e as práticas de leitura no Projeto Escola Zé

Resumo:
O estudo tem como objetivo principal Analisar as práticas de leituras aplicadas com
os alunos do Programa Escola Zé Peão, identificando as dificuldades de leitura dos
alunos, bem como verificar a eficácia das práticas de leituras. A metodologia
utilizada é de cunho quali-quantitativa, em função das principais características que
a definem como uma forma de buscar conhecer o fenômeno no seu contexto. Foi
utilizada a técnica da coleta de dados através da entrevista e do questionário. O universo da
pesquisa constituiu-se de 27 alunos operários matriculados, sendo que desses apenas

18 atendem ao objetivo dessa pesquisa, pois os demais não possuem o nível de
compreensão necessária para desenvolver práticas de leitura. Esta pesquisa
mostrou que diante da realidade dos alunos-operários obtivemos um retorno
satisfatório no que tange as práticas de leitura realizadas por eles que percebem
nela um meio para se obter melhores oportunidades. Porém, Apesar de perceptível
a valorização da leitura pela maioria dos participantes, apenas palavras de apoio,
oferta de suportes à prática de leitura não são suficientes para a construção de
hábitos de leitura e para a diminuição das atitudes negativas acerca da leitura
Palavras-chave: Leitura. Práticas de leitura. Biblioteca volante.
Área Temática: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade

1 INTRODUÇÃO
Em minha trajetória acadêmica, durante a graduação, tive a oportunidade de
trabalhar como bolsista de extensão do Projeto intitulado “Biblioteca Volante:
instrumento de lazer, cultura e informação nas salas de aula do Projeto Escola Zé
Peão”. Por 7 meses, foi-me propiciada a participação em diversas discussões sobre
leitura e escrita, principalmente, sobre o tema alfabetização, mais precisamente
história da alfabetização. A experiência obtida, durante a extensão, permitiu a
construção de conhecimentos sobre a elaboração de um projeto de pesquisa e
procedimentos de coleta e análise de dados empíricos. Desde então, iniciei a busca
por um objeto de estudo que pudesse ser apresentado ao Curso de Graduação em
Biblioteconomia da UFPB e que fosse compatível com os conhecimentos adquiridos
no decorrer da graduação e da extensão universitária. Esse artigo é produto da
monografia defendida em 2012.

�Fiquei maravilhada ao ver o que era, realmente, o meu trabalho e ao
conhecer o público que frequentava o Projeto Escola Zé Peão - PEZP.

São

trabalhadores, que buscam uma oportunidade de estudo depois de uma longa
jornada de trabalho, em busca de um sonho abandonado por vários motivos.
Segundo Oliveira (1999, p. 59)
Ele é geralmente o migrante que chega às grandes metrópoles proveniente
de áreas rurais empobrecidas, filho de trabalhadores rurais não qualificados
e com baixo nível de instrução escolar (muito freqüentemente analfabetos),
ele próprio com uma passagem curta e não sistemática pela escola e
trabalhando em ocupações urbanas não qualificadas, após experiência no
trabalho rural na infância e na adolescência, que busca a escola
tardiamente para alfabetizar-se ou cursar algumas séries do ensino
supletivo.

Assim dentro desse contexto, o objetivo do artigo é analisar as práticas de
leituras aplicadas com os alunos do Programa Escola Zé Peão.

2 BIBLIOTECA VOLANTE: instrumento utilizado para estimular a leitura
Os índices de analfabetismo e de baixa escolaridade da população
contrastam com as exigências da atual sociedade grafocêntrica, na qual a nãohabilidade para usos sociais da leitura e da escrita constitui limites às pessoas. Com
os avanços das tecnologias, sintonizadas com a competitividade mercadológica de
economias globalizadas, vem se dando a diminuição de postos de trabalho e
aumento das cobranças às pessoas, exigindo-lhes escolarização e níveis de
competência cada vez mais elevados, não somente em relação aos diversos usos
sociais da leitura e da escrita, mas, também, à capacidade de buscar e de construir
conhecimentos. Consequência dessa conjuntura, aos menos escolarizados resta a
vivência de uma cidadania de segunda classe, quando lhes são delegados papéis
subalternos e mal remunerados.
Experimentam assim impedimentos no usufruto das possibilidades de
comunicação e expressão e vivem dificuldades no exercício da liberdade em ações
que cobram saberes do campo da leitura e da escrita.
Buscando ampliar os meios pelos quais os operários-alunos teriam acesso à
informação, a coordenação do Programa, considerou fundamental a implantação de
um Projeto de biblioteca que viabilizasse a satisfação das necessidades
informacionais tanto dos alunos-operários, quanto dos educadores, pois “[...]uma
escola sem biblioteca é uma instituição incompleta, e uma biblioteca não orientada

�para um trabalho escolar dinâmico torna-se um instrumento estático e improdutivo
dentro desse contexto” (MARTINS, 2007, p.11).
Entretanto, apesar de serem conscientes da necessidade de se implementar
uma biblioteca dinâmica e contextualizada na realidade da Escola Zé Peão, surgiram
alguns questionamentos, tais como: as salas de aula ficam distantes umas das
outras; a ausência de disponibilidade de tempo por parte dos operários, pois os
mesmos trabalham de segunda à sexta-feira, fora os serões e alguns sábados,
estudam de segunda à quinta-feira das 19 às 21 horas; a própria sala de aula que é
instalada dentro do canteiro de obras, não oferece condições para a conservação do
acervo.
Apesar da Universidade Federal da Paraíba, ceder uma sala no Centro de
Educação para o trabalho da Coordenação e, da equipe pedagógica da Escola Zé
Peão, a mesma não serviria como um espaço para se acomodar uma biblioteca
centralizada que atendesse a todos os operários-alunos, pelos motivos já citados.
Então observou-se que seria interessante levar a biblioteca – informação aos
canteiros de obras, optando-se assim, por uma biblioteca volante. Devemos
visualizar a biblioteca como um espaço alternativo de aprendizagem e ação cultural,
desvinculando a visão estática daqueles que a considera ainda, um “depósito de
livros” retratando uma imagem ultrapassada, em seu caráter de lugar sagrado. A
biblioteca em sua dinamicidade contribui para a educação e o aprendizado através
do acesso e uso da informação e, portanto, da leitura favorecendo que os sujeitos
construam uma visão crítica e social (SILVA; SILVA,2005).
Esse importante instrumento pedagógico, passou a ser parte integrante da
Escola Zé Peão em 1995, como ferramenta de ensino, estímulo e gosto pela leitura.
Lourenço Filho (apud SILVA, 2008), “assegura que ensino e biblioteca são
instrumentos

complementares[...];

ensino

e

biblioteca

não

se

excluem,

complementam-se”. Uma escola sem biblioteca é um instrumento imperfeito. A
biblioteca sem ensino, ou seja, sem a tentativa de estimular, coordenar e organizar a
leitura, será, por seu lado, instrumento vago e incerto.
Como tentativa de ser realmente um meio de acesso à informação, a
Biblioteca Volante contribui no desenvolvimento da leitura e escrita, através de
ações dinamizadoras, empréstimos de material bibliográfico e na inserção do
operário-aluno com as práticas informacionais.

�Apesar deste Projeto (Biblioteca Volante) está inserido num cenário
conflituoso e contraditório da Indústria da Construção Civil, que reúne atividades de
cunho tecnológico e artesanal, pois acreditamos que iniciativas desta natureza
procuram retirar a cera dos nautas e dar-lhes instrumentos, dentre eles a
informação/conhecimento, que possibilitam quem sabe, tomadas de consciências
para vôos maiores. Esta é a nossa esperança!
Diante do exposto a biblioteca é parceira na construção de práticas culturais e
educacionais, fortalecendo a formação de cidadãos leitores. É, portanto, “como
serviço de informação, [que] insere-se no âmbito dos recursos pedagógicos, ou
melhor, constitui-se como laboratório, por excelência, da práxis educativa [e
informacional]” (NEVES, 2000, p.218). É “um conjunto de discursos [...] milhares de
aulas impressas, das quais os alunos aproximam-se sem imposições e bloqueios [...]
é mais do que livros, é informação” (MILANESI, 1988, p.49). Serve como ambiente
de aprendizagem, apoiando o desenvolvimento do programa escolar.
Segundo Freire (1999),
[...] a finalidade da biblioteca é atingir as pessoas através de livros e outros
materiais bibliográficos, proporcionando-lhes condições de encontrar
informação, aprimoramento e lazer. Atingir pessoas – o maior número de
pessoas que estiver ao seu alcance. Não apenas esperar que as pessoas a
procurem, mas ir ao encontro delas, tirar a biblioteca acervo de dentro da
biblioteca prédio, levando-a até aqueles que por desconhecimento,
desinteresse, empedimentos por problema de distância, falta de tempo,
reclusão, saúde e, todo um contexto sócio-político-cultural que as impedem
de ir ao encontro do livro.

Nessa perspectiva, acentuamos o papel da Biblioteca Volante, estendendo os
serviços e produtos informacionais a uma determinado local e clientela que,
geralmente, não teria acesso a uma biblioteca.

3 DESVENDANDO AS PRÁTICAS DE LEITURA

Não é exagero dizer que o ato de ler tem muitas faces. Lê-se para ampliar os
limites do próprio conhecimento, para obter informações simples e complexas; lê-se
para saber mais sobre o universo factual; lê-se em busca de diversão e de
descontração e, por meio da literatura de ficção da poesia, lê-se para chegar ao
“prazer do texto”. Prazer que resulta de um trabalho intelectual intenso, de um corpoa-corpo, em diferentes níveis, que se instaura entre o leitor e sua experiência prévia
do mundo e o autor e seu texto de arte.

�São muitos os gestos de leitura e diferentes os textos que circulam nas
instituições e grupos sociais. Obras teóricas, menos e mais complexas,
juntam-se, em estantes de residências até em bibliotecas escolares, a
manuais didáticos. Textos literários refinados convivem com escritas
voltadas ao puro entretenimento, versões simplificadas de obras clássicas,
dividem espaço com os originais que lhe deram vida. Além de revistas,
quadrinhos e jornais, os textos que aparecem na mídia eletrônica estreitam
mais e mais seus laços com produtos tradicionais. Diante de tal visão
caleidoscópio, é preciso administrar diferenças e proceder a escolhas
cuidadosas para orientar as múltiplas leituras possíveis (ROCCO,2003).

O hábito de ler permite ao indivíduo crescimento cultural quando o dota de
saberes diversos que o ajuda a compreender a realidade que vive e que o ajuda a
resolver questões em seu dia a dia o instigando a criar e recriar realidades. “[...] o
homem antes de contextualizar a prática da leitura com o seu cotidiano, deve
discutir, contestar ou aceitar para daí então construir o seu pensamento próprio”.
(ALBUQUERQUE, 2007, p.14). Logo, a prática da leitura forma um indivíduo crítico,
conhecedor de seus direitos e deveres assim como o torna capaz de criar suas
concepções acerca de seu contexto social.
De forma geral, podemos dividir as práticas de leitura em recreativa e
informativa. Na prática de leitura recreativa englobamos duas posturas:
Fruição do texto: Caracterizada pela gratuidade da leitura, quando o leitor se
faz valer de leituras de textos literários ou de fontes que lhe forneçam informações.
Pelo prazer de se manter informado, o sujeito pratica a leitura de jornais, revistas,
livros preferidos, etc.
Texto como pretexto: Quando o texto é utilizado como ponto de partida para a
realização de uma outra atividade. Em geral atividades criativas que recriem a
escrita antes estática, contribuindo para um movimento chamado por Geraldi (1984)
de “dessacralização do texto”.
E na prática de leitura informativa destaca-se:
Busca de informação: Esta postura tem como finalidade extrair do texto
informações. O leitor que precise responder a questionários ou encontrar no texto
as informações que nele estejam contidas, sem roteiro prévio, recorre a este tipo de
interlocução com o texto.
Estudo do texto: Mais comum nas aulas de outras disciplinas do que na aula
de língua portuguesa, encontra no texto, através de um roteiro específico, a tese
defendida pelo autor, os argumentos a favor e os contra. Segundo Geraldi (1984),

�este tipo de interlocução pode ser aplicado tanto ao texto dissertativo quanto ao
texto narrativo.

3 TRILHA METODOLÓGICA

A abordagem aplicada é de cunho quali-quantitativa, em função das principais
características que a definem como uma forma de buscar conhecer o fenômeno no
seu contexto; coletar dados descritivos a partir de observações, entrevistas,
depoimentos, materiais produzidos e outras documentações existentes; preocuparse constantemente com a compreensão do significado, incluindo a interpretação que
o próprio sujeito faz sobre o assunto; reconhecer o instrumento humano como
mediador dos dados. Além de mensurar o grau de concordância e/ou discordância
dos sujeitos que responderam os questionários (LUDKE; ANDRÉ, 2004).
Quanto aos objetivos propostos, esta pesquisa se caracteriza como
exploratória cuja finalidade consiste em “levantar informações sobre um determinado
objeto, delimitando assim um campo de trabalho, mapeando as condições de
manifestação desse objeto” (SEVERINO, 2007. p. 123).
Optou-se por utilizar enquanto técnica de abordagem, a entrevista semiestruturada aberta e o questionário. As entrevistas ocorreram em sua maioria no
turno da noite no mês de novembro durante as aulas do Projeto Escola Zé Peão de
2012.

3.1 O CONTEXTO DA PESQUISA

O Programa Escola Zé Peão teve início em 1991, por iniciativa do
SINTRICOM (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e do
Mobiliário) que convidou a UFPB e pediu para ela que desenvolvesse um projeto de
alfabetização para os trabalhadores com o intuito de proporcionar aos mesmos um
ensino sistematizado e com isso possibilitar-lhes a compreensão de assuntos
pertinentes ao seu trabalho e outros de cunho pessoal contribuindo assim para sua
formação enquanto cidadão.
A partir dessa iniciativa foi estabelecida uma parceria entre a UFPB e o
SINTRICOM que perdura até hoje e que vem alcançando bons resultados na
perspectiva de formar e tornar operários esclarecidos, capazes de saber de seus

�direitos e não serem enganados. Além da intenção formativa o projeto, ele contribui
sem dúvida, para uma sociedade menos excludente permitindo um direito que é
para todos os cidadãos.
As aulas são lecionadas nos próprios canteiros de obras e conta com duas
turmas: Alfabetização na Primeira Laje (APL), para alunos-operários que possuem
nenhum domínio da leitura e da escrita; e Tijolo sobre Tijolo (TST), para os alunosoperários que já possuem algum domínio da lecto-escrita.
A decisão de levar as salas de aula para o canteiro de obras tem sido, para o
Projeto, uma marca importante da escola. Julgamos que assim facilitamos a
participação do operário. Porém, reconhecemos que este espaço ocupado pela
escola não é isento de contradições:
A sala ocupa um espaço à noite depois das atividades produtivas terem
terminado, mas o espaço da obra, por mais que o enfeitemos com cartazes,
mapas, desenhos dos alunos e outros materiais pedagógicos, ainda é um
espaço regido por regras impostas pelas relações sociais de produção
(IRELAND, 1996).

3.2 SUJEITOS DA PESQUISA

O universo da pesquisa constituiu-se de alunos-operários dos canteiros de
obras do Programa Escola Zé Peão, que é de totalidade do gênero masculino com
faixa etária que varia de 20 a 60 anos. O total de alunos dos 09 (nove) canteiros
perfaz o total 27 alunos operários matriculados, sendo que desses apenas 18
atendem ao objetivo dessa pesquisa, pois os demais não possuem o nível de
compreensão necessária para desenvolver práticas de leitura.

4 ANÁLISES DOS DADOS

Em 2012, o ano letivo começou com 16 salas de aulas instaladas nos
canteiros de obras na cidade de João Pessoa, solicitadas pelas empresas
registradas

no

SINTRICOM

perfazendo

um

total

de

78

alunos-operários

matriculados. No decorrer dos meses, a evasão assolou as salas de aulas e
restaram 9 canteiros com 27 alunos-operários frequentando as aulas assiduamente.

�Para preservar o anonimato dos entrevistados estes foram identificados
apenas pela vogal ‘A’ e números. Este cuidado ajuda o processo de interpretação e
análise dos dados.
Quanto análise da entrevista realizada, foi perguntado inicialmente ao alunooperário como ele obtém informação e do universo de 18 (dezoito) alunos-operários,
10 (dez) disseram obter exclusivamente através do jornal televisivo, 02 (dois)
internet e jornais televisivo simultaneamente, 01 (um) através da internet e rádio
(CBN), 01(um) internet jornal televisivo e impresso, 01 (um) revistas jornais impresso
televisivo, 03 (três) jornal impresso e televisivo.
Diante dessa situação podemos observar que os alunos-operários se
informam através do jornal televisivo, pelo seu fácil modo de transmissão e retenção
de informação. Visto que os alunos da pesquisa não dispõem de tempo para ler os
jornais impressos. Os jornais e alguns programas da TV como os informativos,
porém toma bastante tempo, muitas vezes como os programas fúteis sem conteúdo
o que faz com que muitas pessoas não leiam um livro, visite uma biblioteca para
aumentar em busca de aumentar seu nível de conhecimento.
Perguntados sobre a quantidade de livros que possuem em casa 04 (quatro)
responderam que não possui nenhum livro, 11(onze) possuem de 01 a 10 livros,
01(um) de 11 a 20 livros, 0 (zero) 21 a 50 livros e 02 (dois) acima de 50 livros.
O número de alunos que possuem livros em casa supera os que não
possuem, com isso percebemos que de alguma forma dão certa importância para os
livros. Nessa percepção observa-se que eles veem a leitura como melhoria de vida.
Em relação a frequência com que lêem 06 (seis) disseram ler todos todos os
dias, 06 (seis) disseram ler uma vez por semana, 02 (dois) leem duas vezes, 04
(quatro) raramente leem e nenhum respondeu que nunca ler.
A leitura frequente é muito importante, principalmente para os alunos dessa
pesquisa que estão nos passos iniciais da aprendizagem. Ela proporciona ao
indivíduo habilidade na dicção e facilita no processo de comunicação, pois o contato
constante com os livros exercita a mente e raciocínio rápido para resolver situações.
Indagados se compram livros, em geral 01 (um) responde que compra
cordéis, 01 (um) só compra para os filhos e 01 (um) que compra, mas que
raramente. 97% respondeu que não tem o hábito de comprar livros.
Esse fato se caracteriza por esse grupo possuir baixo nível de escolarização,
por não ter frequentado uma escola regular onde é pouco, mas há o incentivo pela

�leitura, mostrando sua importância e até mesmo por não ter tido o incentivo pelos
familiares, eles não despertaram para essa prática porque não foram instigados e
por isso desconhecem tal importância.
Perguntados sobre onde gostam de ler: 05 (cinco) disseram gostar de ler na
sala de aula, 06 (seis) em casa, 03 (três) em casa e na sala de aula, 01 (um) na rua,
01 (um) na empresa, 01 (um) em casa e na rua, 01 (um) em casa, na empesa, na
sala de aula e na rua.
A opção por ler em sala de aula se deu pelo incentivo que os alunos-operários
têm das

educadoras e já que estão em sala para aprender eles se dispõem. Em

casa, não tem muito barulho. A leitura requer silêncio o que não há nos canteiros de
obras onde há muito barulho e operários então fica difícil para lerem nesse local.
Eles têm essa consciência e responderam que dispensam maior tempo para a
leitura em casa. E o três alternam entre ler em casa e no trabalho sempre que
podem, demonstrando com isso uma maior frequência na prática de leitura.
E sobre a preferência de tipos de leituras dentre as opções romance, contos,
cordéis, política, esporte e outros, tivemos a seguinte configuração: 03 (três) gostam
de romance, 02 (dois) esporte, 01 (um) esporte e assuntos de maneira geral, 01
(um) poesia, 01 (um) poesia e educação, 01 (um) cordel, 01 (um) cordel e romance,
03 (três) história em geral, 01 (um) romance, poesia, política e assuntos de maneira
em geral, 01 (um) poesia, esporte e assuntos de maneira geral, 01 (um) romance e
assuntos de maneira geral, 01 (um) romance, poesia, política e esporte, 01 (um)
romance, contos, poesia, esporte e cordel.
Dentre os tipos de leitura preferida pelos sujeitos dessa pesquisa, notamos o
romance que está na maioria das repostas dos alunos. Os alunos-operários gostam
mais desse gênero textual por expressar sentimentos, emoções e as estórias
românticas que tanto captam a atenção desses sujeitos.
Esporte por ser uma preferência no grupo masculino, não teve grande
destaque nessa população que não tem muito interesse pelos assuntos relativos.
O cordel por abordar os textos de maneira cômica e ao mesmo tempo
informativa, desperta muito interesse dos trabalhadores que após dia cansativo de
trabalho pode encontrar na leitura um momento de distração.
O segundo momento da entrevista teve a preocupação de saber a
importância que os alunos-operários atribuem a leitura, aqui elencamos as algumas
falas.

�Em relação a primeira pergunta destacamos algumas falas:
Por que acha que a leitura lhe ajuda na escola e no trabalho?
A3 - “Fazer assinatura e ler os informes”.
Com a leitura esse aluno passou a assinar seu nome e agora consegue ler os
informes transmitidos pela empresa algo que sem a leitura ele não fazia. É muito
importante saber escrever o nome sem precisar colocar o dedo, não ficamos se tão
envergonhado.
A4 – “Quanto mais lê mais aprende, quanto mais lê aprimora a leitura”.
Esse aluno-operário reconhece que quanto mais lê melhor aperfeiçoa sua fala e
adquire novos saberes.
A13 – “Ajuda em tudo, no trabalho pra ler os projetos e mudar de emprego ela
contribui para o crescimento da pessoa”.
Esse aluno percebe que com a leitura é importante para todos os segmentos da
vida, e inclusive pra conseguir melhor trabalho. Sua fala deixa claro também que
quem possui um nível maior de leitura tem a possibilidade de progredir na vida.
Conhecer mais assuntos.
A15 – “Porque no trabalho a empresa pede pra preencher fichas e se não souber ela
não ler e escrever ela não aceita, é importante também pra ler endereço e pegar
ônibus”.
As mencionadas fichas possuem a descrição dos materiais existentes na empresa,
então para pegar o material tem que discriminar e pra dá baixa também para que
haja um controle, por isso há exigência de funcionários possuam certo grau de
leitura. Esse aluno-operário também ressalvou a importância da leitura para saber
pegar ônibus.

O que a leitura lhe traz?
A7 – “Traz conhecimento, desenvolvimento e felicidade”.
A leitura informa e forma o indivíduo no momento em que o forma ela lhe atribui um
saber específico, ou geral, seja de interesse do leitor ou que ele precise para
determinado fim. Ele se desenvolve, pois a medida que vai avançando nas leituras,
seus conhecimentos são ampliados, oportunizando ao indivíduo fazer importantes
escolhas de acordo com o que desejar.
A8 – “Sabedoria, importância na vida de cada um”.

�Observamos na opinião desse aluno-operário a leitura permite a obtenção de
conhecimento, o que de fato só é alcançado através dela, não há outro caminho a
ser esse que o indivíduo adquira o saber.
A12 – “Conhecimento, quando não se sabe ler não se enxerga, e quando se ler
enxerga outro mundo outra realidade, assuntos novos, novos conhecimentos”.
As palavras desse aluno nos remetem ao muno das descobertas, quando não se
sabe ler, é como se a pessoa não enxergasse, e a partir do momento que se
aprende é como se tudo fosse novo, e se começa a fazer parte do mundo das
palavras antes desconhecido.

Porque é importante saber ler?
A4 – “Ajuda pra ter um melhor cargo no trabalho, saber fazer contas e ter melhor
entendimento de mundo”.
Os trabalhos dos alunos sujeitos dessa pesquisa exigem mais força física do que
expansivo grau de leitura, muitos deles estão nessa profissão por possuir um baixo
nível de leitura o que os impede de conseguir um trabalho melhor, diante dessa
realidade eles percebem que a leitura pode permitir ao sujeito adquirir um trabalho
que exija menos esforço e mais domínio em certa área do conhecimento.
A14 – “Pra saber ler os avisos contra os acidente de trabalho ganhar emprego
melhor”.
Em todo o contexto de mundo a leitura se faz presente, e nos locais de trabalho não
é diferente, no trabalho desses alunos a leitura se direciona no sentido alertar o
funcionário contra acidentes, por isso ele deve saber ler para não correr esse risco.
O aluno-operário percebe também que se pode conseguir um melhor trabalho a
partir de continuados estudos.
A16 – “A leitura ajuda dependendo do estudo se você for mais avançado tem mais
oportunidade”.
Quem estuda mais consegue um melhor emprego, isso é fato, tem mais opções de
trabalho, mas pra isso faz-se necessário que a busca seja constante o que permitirá
que essas oportunidades surjam.
Diante dos relatos do público-alvo dessa pesquisa podemos verificar que as
práticas de leitura já se tornaram hábito de muitos trabalhadores mesmo em meio as
dificuldades enfrentadas em seu dia-a-dia eles reconhecem a importância da leitura
para o trabalho e para a vida, vedo que essa facilita o desempenho das atividades.

�Eles percebem que a leitura é o passo inicial para a conquista de muitos objetivos na
vida.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sabe-se, pela história, que o simples fato de ser letrado não viabiliza a
construção e manutenção de sociedades democráticas. Concordamos que saber ler
e escrever se constituem em uma das condições necessárias. A par desta, outros
marcos como as políticas públicas educacionais e econômicas são necessárias para
que uma vida digna possa ser usufruida em sociedades mais justas.
Diante da realidade dos alunos-operários obtivemos um retorno satisfatório no
que tange as práticas de leitura realizadas por eles que percebem nela um meio
para se obter melhores oportunidades. Apesar das adversidades que os aflige e
dificuldades pra ler eles estão fazendo dessa prática uma constante em suas vidas o
que será proporcionado com o tempo o domínio desse da leco-escrita. A leitura dota
o homem de conhecimento ao mesmo tempo em que o liberta tornando-o
independente para construir um futuro de melhores dias. Esses alunos-operários
tem o direito de conhecer sua realidade e saber interpretar as situações por eles
vivida, com o objetivo de também poder contribuir para essa sociedade.
Apesar de perceptível a valorização da leitura pela maioria dos participantes,
apenas palavras de apoio, oferta de suportes à prática de leitura não são suficientes
para a construção de hábitos de leitura e para a diminuição das atitudes negativas
acerca da leitura.
Nesse contexto o programa alfabetiza o aluno que muitas vezes não sabe ao
menos escrever seu nome e com o decorrer da aprendizagem esse aluno vai
evoluindo mostrando bons avanços escrevendo o seu nome e já reconhecendo as
leituras encontradas no dia-a-dia como placas, faixas, ônibus dentre outras.
Logo, todos nós temos uma grande responsabilidade social diante dos
sujeitos com quem atuamos. Nós mesmos muitas vezes não tivemos nosso direito
respeitado, não nos tornamos leitores, temos medo de escrever, deixamos de ler,
não gostamos que leiam o que escrevemos. Trata-se de propiciar a todos – inclusive
a nós, também, oportunidades de ler, escrever, voltar a ler ou perder a vergonha de
escrever.

�Recomendamos ao Programa Escola Zé Peão que periodicamente reúnam
alunos e professores para falarem de suas relações com a leitura, suas
experiências, que contem suas trajetórias, se gostam ou não de ler e porquê; criem
rodas, círculos, grupos de leitura; construam práticas de leitura para o
despertamento nos alunos-operários.
Nessa perspectiva, a Biblioteca Volante do Projeto Escola Zé Peão poderá
atuar na construção de práticas culturais e educacionais, fortalecendo a formação de
cidadãos leitores. É, portanto, “como serviço de informação, [que] insere-se no
âmbito dos recursos pedagógicos, ou melhor, constitui-se como laboratório, por
excelência, da práxis educativa [e informacional]” (NEVES, 2000, p.218). É “um
conjunto de discursos [...] milhares de aulas impressas, das quais os alunos
aproximam-se sem imposições e bloqueios [...] é mais do que livros, é informação”
(MILANESI, 1988, p.49). Servindo como ambiente de aprendizagem, apoiando o
desenvolvimento do programa escolar, estendendo os serviços e produtos
informacionais a uma determinado local e clientela que, geralmente, não teria
acesso a uma biblioteca.
É necessário antes de tudo despertar.

REFERÊNCIAS

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Biblioteca Livro em Roda Disseminando Informação junto aos Alunos do Ensino
Fundamental. 2007. 65f. Monografia (Graduação em Biblioteconomia) -Universidade
Federal da Paraíba, João Pessoa, 2007.
FREIRE, Bernadina Maria Juvenal. Paixão de (in) formar: práticas alfabetizadoras no
Projeto tijolo sobre tijolo. Projeto Escola Zé Peão em canteiros de obras. 1999. 298f.
Dissertação (mestrado em Ciência da Informação) – Universidade Federal da
Paraíba, João pessoa, 1999.
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construção em João Pessoa. Alfabetização e Cidadania, n. 4, p.38, 1996.
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MARTINS, M. H. O que é leitura. 19. ed. São Paulo: Brasiliense, 2007.

�MILANESI, L. O que é Biblioteca. São Paulo: Brasiliense, 1988.
NEVES, I. C. B. Ler e escrever na biblioteca. In: NEVES, I. C. B. [et. al] (Org.). Ler e
escrever: compromisso de todas as áreas. 3.ed. Porto Alegre: Editora UFRGS,
2000.
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aprendizagem. Revista Brasileira de Educação, São Paulo, n. 12, p. 59-73,
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ROCCO, M. T. F. Literatura / Ensino: uma Problemática. 2. ed. São Paulo: Ática,
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SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho cientifico. 23. ed. São
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como um exercício da cidadania rumo à Sociedade Aprendente. Biblionline, João
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2008. 57f. Monografia (Graduação em Biblioteconomia) - Universidade Federal da
Paraíba, João Pessoa, 2008.

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                <text>CBBD - Edição: 25 - Ano: 2013 (Florianópolis/SC)</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Daiana Silva Amaral</text>
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              <text>Temática III: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade - Trabalho científico</text>
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              <text>O estudo tem como objetivo principal Analisar as práticas de leituras aplicadas com os alunos do Programa Escola Zé Peão, identificando as dificuldades de leitura dos alunos, bem como verificar a eficácia das práticas de leituras. A metodologia utilizada é de cunho quali-quantitativa, em função das principais características que a definem como uma forma de buscar conhecer o fenômeno no seu contexto. Foi utilizada a técnica da coleta de dados através da entrevista e do questionário. O universo da pesquisa constituiu-se de 27 alunos operários matriculados, sendo que desses apenas 18 atendem ao objetivo dessa pesquisa, pois os demais não possuem o nível de compreensão necessária para desenvolver práticas de leitura. Esta pesquisa mostrou que diante da realidade dos alunos-operários obtivemos um retorno satisfatório no que tange as práticas de leitura realizadas por eles que percebem nela um meio para se obter melhores oportunidades. Porém, Apesar de perceptível a valorização da leitura pela maioria dos participantes, apenas palavras de apoio, oferta de suportes à prática de leitura não são suficientes para a construção de hábitos de leitura e para a diminuição das atitudes negativas acerca da leitura.</text>
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