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                  <text>Benefícios da implantação de repositório institucional na
preservação da memória institucional

Sheila Maria de Vasconcellos Vianna (CNEN) - sheilamvianna@gmail.com
Rogerio Atem de Carvalho (UFF) - ratem@iff.edu.br
Resumo:
A construção de uma memória organizacional é importante para o processo de criação do
conhecimento, especialmente pelas muitas vantagens e benefícios que
ela apresenta para qualquer instituição. Para que o fluxo de conhecimento e aprendizagem
não se perca no decorrer da vida das organizações é necessária a
utilização de ferramentas que facilitem sua gestão. Neste contexto começaram a surgir no
âmbito da produção, disponibilização e uso do conhecimento científico, os
repositórios institucionais. O objetivo deste artigo é avaliar a percepção dos pesquisadores da
Comissão Nacional de Energia Nuclear-CNEN, quanto aos
benefícios da implantação de seu repositório institucional na preservação da memória
institucional e na melhoria da visibilidade da literatura produzida, bem como buscar subsídios
para a melhoria do serviço. Para alcançar este objetivo foi realizada uma pesquisa e como
resultado se pode concluir que o repositório cumpre o seu papel de preservação da memória
organizacional e melhora a visibilidade da produção técnico-científica dos pesquisadores.
Palavras-chave: Memória institucional. Repositório institucional
Área temática: Temática III: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação – Florianópolis, SC,
Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Benefícios da implantação de repositório institucional na preservação da
memória institucional

Resumo:
A construção de uma memória organizacional é importante para o processo de
criação do conhecimento, especialmente pelas muitas vantagens e benefícios que
ela apresenta para qualquer instituição. Para que o fluxo de conhecimento e
aprendizagem não se perca no decorrer da vida das organizações é necessária a
utilização de ferramentas que facilitem sua gestão. Neste contexto começaram a
surgir no âmbito da produção, disponibilização e uso do conhecimento científico, os
repositórios institucionais. O objetivo deste artigo é avaliar a percepção dos
pesquisadores da Comissão Nacional de Energia Nuclear-CNEN, quanto aos
benefícios da implantação de seu repositório institucional na preservação da
memória institucional e na melhoria da visibilidade da literatura produzida, bem como
buscar subsídios para a melhoria do serviço. Para alcançar este objetivo foi
realizada uma pesquisa e como resultado se pode concluir que o repositório cumpre
o seu papel de preservação da memória organizacional e melhora a visibilidade da
produção técnico-científica dos pesquisadores.
Palavras chave: Memória organizacional. Repositório institucional.
Área Temática III: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade.

1 INTRODUÇÃO
A história revela que a partir da criação da escrita e posteriormente da criação
de Gutenberg até o emprego das novas tecnologias da informação do século XX, os
lugares da memória rumaram da oralidade para os suportes materiais e destes para
os virtuais e digitais (GOUVEIA JUNIOR, 2012).
Para que o fluxo de conhecimento e aprendizagem não se perca no decorrer
da vida das organizações a estruturação de bases de dados tem se tornado
essencial e gerenciar, armazenar e recuperar esses conhecimentos são de grande
importância para as organizações.
Diversas ferramentas foram criadas ao longo do tempo com este intuito,
dentre elas as bibliotecas digitais e mais recentemente os repositórios institucionais.
O objetivo deste artigo é avaliar a percepção dos usuários/pesquisadores da
Comissão Nacional de Energia Nuclear-CNEN, quanto aos benefícios da
implantação de seu repositório institucional na preservação da memória institucional

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e na melhoria da visibilidade da literatura produzida, bem como buscar subsídios
para a melhoria do serviço.
2 MEMÓRIA INSTITUCIONAL-MO

A memória organizacional “é o meio pelo qual o conhecimento do passado é
trazido para ser usado em atividade do presente, tais como: tomada de decisão,
direção,

controle,

reestruturação,

comunicação,

planejamento,

motivação”

(MIRANDA; MORESI, 2010).
A literatura sobre Gestão do Conhecimento reconhece que os trabalhadores
mais velhos, através da sua longa permanência nas organizações possuem
repositórios significativos de memória organizacional e que o seu envolvimento em
iniciativas de compartilhamento de conhecimento bem como de orientação pode
trazer para as organizações recompensas intrínsecas (DUNHAM; BURT, 2011).
Almeida (2006) em sua pesquisa sobre aprendizado, conhecimento, e memória
nas organizações definiu assim MO:
A MO é uma metáfora que privilegia a apreensão do conhecimento
consensual gerado em interações sociais, a construção de uma
linguagem organizacional comum, a captura do contexto em que o
conhecimento é criado e o suporte a aspectos dinâmicos do
conhecimento organizacional. É operacionalizada por um sistema de
informação híbrido, em que a tecnologia suporta atividades de produção
do conhecimento pelos indivíduos, objetivando eficiência organizacional.
Tal sistema, denominado SMO, permite aquisição, representação,
armazenamento e recuperação do conhecimento disperso na
organização, restrito a domínios e tipos explicitados no escopo do próprio
sistema.

A MO interage com elementos básicos da gestão do conhecimento. Na visão
de Abecker et al. (1998) uma estrutura de MO de sucesso, deve conter: coleta e
organização sistêmica do conhecimento derivado de várias fontes; utilização do
feedback para manutenção e evolução; integração dentro do ambiente de trabalho;
apresentação ativa de conhecimento relevante e a minimização da pré-estruturação
do conhecimento.
A MO possui como serviço central o provimento do conhecimento onde ele é
necessário e a sua função é aumentar a competitividade ampliando a maneira como
gerencia o seu conhecimento (ABECKER et al., 1998).
Para gerir MO se torna necessário entender como é que o conhecimento
crítico está organizado em processos de negócios e, principalmente, entender quem
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são os produtores e consumidores deste conhecimento (BARONI et al., 2003).
Para Decker e Maurer (1999) a MO precisa cumprir um conjunto de requisitos
distintos como: Formato representativo: a MO pode conter conhecimentos
formalizados, semiformal e representações completamente informais. Aplicações
geralmente exigem o uso profundamente integrado de todos esses diferentes tipos
de conhecimento. Eles exigem habilidades para gerenciar os pontos de vista de
díspar e heterogêneo know-how para torná-lo acessível e adequado para todos os
membros da organização. Construção e manutenção: a manutenção permanente
de uma MO é cara e tem de ser paga pela organização, e precisa ser um subproduto
do trabalho diário dos usuários. Recuperação e utilização da informação:
processos baseados na indexação, ontologias formais, interfaces cooperativas de
usuário, e recuperação baseada no conhecimento ajudarão a fornecer o
conhecimento de forma ativa e no contexto correto. Ferramentas de suporte são
necessárias para encontrar novos termos necessários para representar uma
consulta ou definir um novo termo.
A coleta e organização sistêmica correspondem aos conhecimentos
necessários para a execução dos processos organizacionais. Tais conhecimentos
estão espalhados por toda a organização através de documentos eletrônicos, emails, desenhos, dissertações, tese, artigos e anotações individuais. A primeira
necessidade de uma MO é prevenir a perda e promover o acesso através de um
repositório de forma estruturada e centralizada (POLITO, et al.2007).
Foi com este objetivo que o Centro de Informações Nucleares - CIN da CNEN
desenvolve o Projeto de Preservação do Conhecimento da CNEN e como fruto
deste projeto foi criada a Biblioteca Digital Memória da CNEN-BDMC. Seu principal
objetivo é o de “preservar a produção técnico-científica da Instituição reunindo as
descrições bibliográficas e, sempre que possível, os textos completos dos trabalhos
elaborados por seu corpo funcional” (CNEN, 2012).
Para conhecer um pouco mais este projeto e avaliar seus objetivos se faz
necessário apresentar o conceito de repositório institucional e apresentar seus
objetivos.
3 REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL-RI

A biblioteca, ao longo de sua história sempre se preocupou em coletar, tratar,
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armazenar e disponibilizar toda documentação encontrada no universo acadêmico e
fora dele, sendo considerado templo de armazenamento de informações e
conhecimentos.
De todos os materiais armazenados nas bibliotecas, os periódicos sempre se
destacaram como fontes de informações atualizadas, onde os pesquisadores
disponibilizam os resultados de suas pesquisas, investigações e indagações dando
aos outros pesquisadores oportunidades de conhecerem e reutilizarem esses
achados para enriquecimento ou para ajudarem nas suas próprias pesquisas.
Por se tratar de fontes tão importantes às assinaturas de periódicos sempre
foram consideradas um ponto crucial no desenvolvimento de coleções das
instituições.
Em meados da década de 1970, muitas fusões, associações, aquisições de
empresas umas pelas outras fizeram com que vários setores da economia
passassem por um processo de concentração econômica e oligopolização. Com as
editoras não foi diferente e grandes grupos de publicadores internacionais, como
Elsevier, Emerald, Kruger, Springer, entre outros, foram formados (MARCONDES;
SAYÃO, 2009).
Estas fusões tornaram o custo das assinaturas de periódicos proibitivos, e
bibliotecas e instituições de ensino passaram a ter grandes dificuldades para
continuar a manter suas coleções de periódicos.
Com o desenvolvimento da WEB, começou a surgir no horizonte uma maneira
de mudar este quadro que já se tornava insuportável. Com a Internet era possível
publicar com um custo mínimo, dando aos artigos um alcance mundial, com rapidez
muito maior entre a submissão do artigo e a sua publicação (MARCONDES;
SAYÃO, 2009).
Neste momento começou um movimento para o livre acesso dos artigos
publicados na Internet conhecido como Open Access Initiative ou OA que BustosGonzalez, Fernandez- Porcel e Jonhson (2007) traduziram da Budapest Initiative
Open Access como:
Disponibilidade gratuita da informação na Internet, para que qualquer usuário
a possa ler, baixar, copiar, distribuir, com a possibilidade de buscar ou
relacionar todos os textos destes artigos. Revisar a informação indexá-la,
usá-la como dado para softwares, ou utilizá-la com qualquer outro propósito
legal, sem empecilhos financeiros, legais ou técnicos, diferentes do
fundamento de ter acesso à própria Internet.

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No Brasil esse movimento foi apoiado pelo IBICT que lança o Manifesto
Brasileiro de apoio ao acesso livre à informação científica.
Neste contexto começaram a surgir no âmbito da produção, disponibilização
e uso do conhecimento científico, os repositórios institucionais-RIs deslocando das
editoras de periódicos para as instituições o poder da guarda, tratamento e do
acesso à informação.
Segundo Ware (2004), os RIs surgem na segunda metade de 2002, a partir do
lançamento do software DSpace, (desenvolvido pelo Massachussetts Institute of
Technology e da Hewlett-Packard Labs, na Universidade de Cambridge, para
possibilitar a criação de RIs), como uma estratégia das instituições para acompanhar
as mudanças aceleradas que ocorrem na comunicação eletrônica técnico-científica
e para: ser um banco de dados baseado na Web (repositório) de material escolar;
ser cumulativo e perpétuo; aberto e interoperável; também para minimizar os
problemas causados pelas falhas nas coleções de periódicos devido ao preço das
assinaturas.
De acordo com Sayão e Marcondes (2009) RI pode ser definido como:
[...] base de dados na Web na qual uma instituição de pesquisa deposita
sistematicamente sua produção acadêmica e a disponibiliza de forma ampla
para as comunidades interessadas. Sobre essa base de dados é oferecido
um conjunto de serviços voltados para a gestão e para a disseminação de
informações em formato digital. Esses serviços incluem captura,
armazenamento, tratamento técnico, organização, preservação e entrega de
conteúdos digitais de toda a natureza – texto, imagens, vídeo, áudio,
apresentações, programas de computador, datasets, etc. considerando-os
como um conjunto de serviços de informação que se materializam por meio
de um site Web.

Costa e Leite (2009) sustentam que os RIs possuem quatro atributos
importantes: institucionalmente definido: seus limites são definidos pelas
fronteiras da instituição, devem ser oficialmente reconhecidos pela instituição por
meio de implementação de políticas que garantam sua existência. Orientação
científica e acadêmica: cientificamente orientado deve significar conteúdo
reconhecido e validado pela comunidade científica. Academicamente orientado
flexibiliza a perspectiva da validação alcançada pelo peer review, e contemplam
também outras formas de comunicação científica, mais informal, inclusive materiais
de ensino. Cumulativo e perpétuo: preservar a produção intelectual de uma
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instituição e garantir acesso amplo e irrestrito. Aberto e interoperável: uma das
principais características responsáveis pelo aumento do impacto dos resultados de
pesquisa e visibilidade da produção, do pesquisador e da instituição.
Por todos os atributos que os define o RI é um tipo de biblioteca digital, porém
nem toda biblioteca digital pode ser considerada um RI.
Costa e Leite (2009) afirmam que os RIs lidam exclusivamente com a
produção intelectual de uma instituição, e a natureza acadêmica e científica do
repositório adverte contra conteúdos que possuem outra finalidade, como podem ser
o caso das bibliotecas digitais.
Outra diferença se refere ao autoarquivamento ou autodepósito, ou seja, o
depósito de conteúdos pelos próprios autores ou por um intermediário e a
interoperabilidade, característica que deve estar presente em um repositório e não
necessariamente em uma biblioteca digital.
Do ponto de vista de sua categoria conceitual pode-se dizer que os
repositórios digitais são espécies combinadas de arquivo e de biblioteca digitais
(DODEBEI, 2009).
Os RIs não substituem nem se conflitam com as bibliotecas digitais e até com
as tradicionais, eles se complementam e estendem significativamente os seus
papéis e assumem um sério compromisso com a preservação da informação em
formato digital.
A implantação de repositório além de preservar e disponibilizar á informação
científica à comunidade acadêmica, “incorpora a facilidade de comunicação, da
colaboração e de outras formas de interação dinâmica entre usuários de um vasto
universo” (MARCONDES, SAYÃO, 2009).
Da mesma forma pode atuar como indicador da qualidade de uma
universidade ou instituição e demonstrar as relevâncias científicas, sociais e
econômicas de suas atividades de pesquisa aumentando a sua visibilidade e a de
seus pesquisadores, bem como ampliando seu valor como instituição pública
(LEITE, 2009).
O autor afirma também que eles também são instrumentos de gestão do
conhecimento produzido, disseminado e utilizado nas e pelas universidades e
instituições, bem como, para a melhoria do ensino, do aprendizado e da pesquisa.

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4 OBJETO DE ESTUDO: A CNEN E A CRIAÇÃO DA BDMC

A Comissão Nacional de Energia Nuclear foi criada em 10 de outubro de
1956, cumprindo as “Diretrizes Governamentais para a Política Nacional de Energia
Nuclear” como órgão superior de planejamento subordinado à Presidência da
República, cabendo à instituição propor medidas necessárias à orientação da
política nacional de energia atômica em todas as fases e aspectos e também
executar diretamente ou através de convênio pesquisas e programas de
desenvolvimento tecnológico ligados à energia nuclear. É uma autarquia federal e
hoje está vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação.
A CNEN, como órgão superior de planejamento, orientação, supervisão e
fiscalização, estabelece normas e regulamentos em radioproteção e licencia,
fiscaliza e controla a atividade nuclear no Brasil, desenvolve ainda pesquisas na
utilização de técnicas nucleares em benefício da sociedade. Ela atua em três
grandes áreas: Radioproteção e Segurança Nuclear, Pesquisa e Desenvolvimento e
Gestão Institucional (CNEN, 2012).
A Instituição investe em pesquisa sendo este um de seu mais importante
negócio. Ela “trabalha para que o uso da tecnologia nuclear seja cada vez mais
amplo e seguro. Sua atuação é pautada na importância da energia nuclear como
fonte de desenvolvimento para a sociedade (CNEN, 2012). Ciclo do combustível
nuclear, aplicações nucleares na área médica, meio ambiente, indústria, agricultura
e alimentos são algumas de suas linhas de pesquisa”.
Ela conta com um Centro de Informações Nucleares-CIN, e sete bibliotecas
em rede, responsáveis pela preservação de toda produção da Comissão e da
memória da instituição.
A produção acadêmica e de pesquisa realizada por a toda força de trabalho é
muito grande, e encontra-se dispersa pela totalidade destas unidades. Para o
gerenciamento de uma rede tão complexa, existe a necessidade de gerenciamento
do conhecimento, para melhorar e inovar a circulação de informação, aumentando o
conhecimento individual, de grupos e institucional (OROSCO; COUTINHO;
MONTEIRO, 2007).
Com a proximidade do cinquentenário da CNEN, o CIN recebeu a missão de
desenvolver um projeto que registrasse a “memória” da CNEN (SAYÃO, 2004).
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Este e outros acontecimentos convergiram para o inicio do projeto de
construção da Biblioteca Digital Memória da CNEN-BDMC, cujo objetivo é
disponibilizar em local único na Internet, gerenciado por um software de busca, os
trabalhos que o corpo funcional da CNEN produziu desde sua criação (OROSCO;
COUTINHO; MONTEIRO, 2007).
O foco da BDMC é a preservação da MO através da localização dos trabalhos
técnico-científicos dos pesquisadores da CNEN, publicados no Brasil e no exterior,
procurando não apenas preservar a produção acadêmica, mas contextualizá-la
frente a acontecimentos históricos ocorridos no Brasil e no mundo. Ela foi
estruturada de forma a possibilitar a consulta da produção de várias dimensões,
além de agrupar em um único ambiente a legislação nacional e os atos
internacionais importantes para as atividades da Instituição (BRAGA; QUADROS,
2007).
Dar visibilidade aos trabalhos efetuados pelos pesquisadores da CNEN é
outro objetivo da Biblioteca, não só no âmbito da instituição, mas também fora dele,
além de permitir acesso a estudantes e pesquisadores da área nuclear a
documentos e pesquisas em andamento ou resultados de pesquisas já finalizadas.
Quadro 01 - Estatística da evolução da BDMC
BDMC

REFERÊNCIAS

PDFS

LINKS

CONSULTAS

2007

Não coletada

8.168

675

2008

Não coletada

12.670

1.366

2009

19.261

14.487

1.410

2010

20.281

14.995

1.767

970

2011

21.440

16.291

1.847

1.135

2012

22.758

14.629

1.894

15.327

1.202
Não coletada
959

Fonte: BDMC, 2012

4 METODOLOGIA

Quanto aos fins esta pesquisa será descritiva que de acordo com Gil (1989)
tem a intenção de estudar as características de um grupo, seu nível de
entendimento sobre algum serviço público, o levantamento de opiniões, atitudes e
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crenças de uma população. Quanto aos meios será bibliográfica, exploratória de
estudo de caso, que é definido por Yin (2010) como: “[...] uma investigação empírica
que investiga um fenômeno contemporâneo em profundidade e em seu contexto de
vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são
claramente evidentes”.
Para a coleta de dados foram selecionados pesquisadores dos Institutos da
CNEN localizados na cidade do Rio de Janeiro, o Instituto de Engenharia Nuclear e
o Instituto de Radioproteção e Dosimetria, e outros usuários dos serviços do CIN,
todos servidores que durante os anos de 2006, ano de criação da biblioteca digital, a
2012 produziram algum tipo de pesquisa e cujas publicações foram incluídas nas
bases de dados INIS-Internatcional Nuclear Information System e Science Direct.
Inicialmente foi avaliada a possibilidade de selecionar servidores sabidamente
usuários da BDMC, porém o CIN não possuiu registro de quem utiliza a BDMC e
apenas o total de visitantes. Assim os pesquisadores que utilizam o CIN foram
selecionados de acordo com a bibliotecária responsável pela biblioteca da Sede que
utilizou o SISCAD (sistema interno de cadastramento de usuários), e listou os
usuários que constantemente utilizam seus serviços.
A escolha deste grupo foi baseada na premissa de que fica mais fácil e menos
oneroso para o pesquisador administrar a distribuição e recebimento das respostas
dos questionários numa área geográfica perto de seu trabalho por causa da
facilidade de acesso.
A escolha da base de dados INIS se deu devido ser a CNEN, através do CIN,
desde 1970, o representante brasileiro desta base internacional, mantido pela
Agência Internacional de Energia Atômica - IAEA. Procura-se indexar na base toda a
produção nacional, na área de energia nuclear, de pesquisadores externos e
internos da CNEN, e também pelo fato de aproximadamente 80% do material já
incluído na BDMC está relacionado à energia nuclear ou disciplinas afim.
Quanto à base de dados ScienceDirect, a escolha justifica-se por disponibilizar
acesso a artigos em texto completo, nas principais áreas do conhecimento, e não
apenas na área nuclear.
Alguns critérios foram utilizados para seleção final do grupo além dos já
citados como: incluir apenas os pesquisadores que possuíam mestrado ou
doutorado; pesquisadores que aparecem na base de dados da Intranet denominada
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“Gente CNEN”, aplicativo que apresenta todos os servidores ativos e sua
localização, pois pesquisadores que estão fora desta base não estão mais nos
quadros ativos da CNEN. Importante salientar que estes critérios foram definidos
após observação de que uma minoria dos selecionados não possuía mestrado ou
doutorado.
Ao final da pesquisa 165 usuários/pesquisadores foram selecionados para
responder ao questionário elaborado tomando como base dois textos selecionados
durante o processo de revisão da literatura: Bustos-Gonzalez, Fernadez-Porcel e
Johnson (2007) e Leite (2009).
O questionário utilizado apresentou afirmativas onde se buscou, através da
Escala de Likert, identificar o nível de acordo ou desacordo dos pesquisadores com
os benefícios encontrados com a implantação da BDMC. Também foram feitas
perguntas abertas onde se buscou subsídio para melhorias no processo da
biblioteca.

5 ANÁLISE DOS RESULTADOS

Dos 165 questionários aplicados 55 pesquisadores responderam o que
corresponde a 33% do total. 85% dos respondentes consideram importante ter
centralizado em um repositório os trabalhos produzidos pelo corpo funcional da
Instituição. Este objetivo é um dos objetivos principais de um RI, que de acordo com
Dodebei (2009) tem caráter coletivo e cumulativo (memória da instituição), e que têlos centralizados em um único local, facilita o seu gerenciamento, armazenamento e
a disseminação das informações.
A segunda afirmativa “A BDMC torna mais acessível e visível a literatura
produzida pelos pesquisadores da Instituição” revelou 69% de concordância com
relação à visibilidade e acessibilidade dos repositórios institucionais. Leite (2009)
destaca que um repositório serve para “...maximizar a acessibilidade, o uso, a
visibilidade e o impacto da produção científica da instituição”. Costa e Leite (2009)
afirmam que os repositórios “...provêm os mecanismos que aumentam tanto a
eficácia da preservação da produção intelectual de pesquisadores e instituições
acadêmicos

quanto

a

visibilidade

de

ambos”.

Neste

aspecto

os

pesquisadores/usuários concordam em grande maioria com a afirmação.
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A pergunta aberta do questionário encontra-se sumarizada no quadro 02
abaixo. A percepção dos pesquisadores sobre a importância da BDMC na
preservação da memória da instituição ficou evidente nas respostas do questionário,
bem como a facilidade de acesso aos trabalhos científicos.
Quadro 02 – Resumo de pergunta aberta do questionário
O que você considera mais útil e menos útil na BDMC?
Ùtil

Total

Menos útil

Total

Acesso aos trabalhos científicos

10

Falta busca por assunto

03

Preservação
Tudo é útil

04
03

Dificuldade para identificar o tipo de documento
Falta de agilidade na inclusão

01
01

Acesso às teses e dissertações
Acesso às normas

03
01

Layout e acesso
Não responderam

01
25

Acesso aos resumos de Congressos
Não acha útil

01
01

Não sabe

06

Não responderam
Fonte: a autora

25

Ao serem questionados sobre o que poderia ser melhorado na BDMC os
pesquisadores afirmaram que a divulgação das potencialidades e funcionalidades da
BDMC precisa ser melhorado. Outros aspectos encontram-se sumarizados no
quadro 03 abaixo.
Quadro 03-Resumo da pergunta aberta do questionário
O que você melhoraria e/ou incluiria na BDMC
Melhorar a divulgação
Inclusão de vídeos e material didático
Melhorar a visualização do site, melhorar a interface e o layout
Pesquisa por assunto
Procedimentos para inclusão do documento
Todo material em PDF
Acesso a produção a partir do Lattes
Inclusão do perfil dos pesquisadores
Inclusão de patentes
Não sabe, não responderam

06
04
04
02
02
01
01
01
01
32

Fonte: a autora

A BDMC já inclui material didático e patente em sua base de dados o que
demonstra o desconhecimento dos usuários/pesquisadores sobre este conteúdo. O
que se percebe é que existe uma dificuldade dos usuários em identificar o tipo de
material incluído na BDMC. Também possui pesquisa por assunto pré-definido,
acredita-se

com

este

resultado

que

esta

busca

não

satisfaz

aos

11

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usuários/pesquisadores que gostariam de ter uma busca por assuntos não
estruturada, mais livre.
Não se buscou nesta pesquisa levantar aspectos das funcionalidades do site,
mas a pesquisa evidenciou que ele precisa ser melhorado, bem como seu layout.
Esperava-se um número maior de respostas às perguntas abertas, o que
demonstra que os usuários/pesquisadores necessitam utilizar mais a biblioteca
digital para que os seus comentários e observações possam melhorar a manutenção
da mesma. Para que isso aconteça é importante que os pesquisadores/usuários
sejam estimulados e incentivados a utilizá-la em sua plenitude para que tenham
assim subsídios para sugerir melhorias.
Kennan e Wilson (2006) afirmam que a realização de pesquisa sobre as
necessidades e exigências dos usuários ajudará na construção de conhecimento
para compreender e resolver questões relativas à construção e manutenção dos
repositórios.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

À medida que o conhecimento se torna um patrimônio essencial e estratégico,
o sucesso organizacional depende cada vez mais da capacidade da empresa de
produzir, reunir, armazenar e disseminar conhecimento (ALMEIDA, et al. 2006).
Para que todo conhecimento gerado pelas instituições não se perca, as
ferramentas ligadas à tecnologia de informação são vitais para a gestão de toda esta
produção, pelo fato de ajudarem a extração do conhecimento de uma pessoa,
estruturação e utilização pelos demais membros da instituição e mesmo pelos seus
parceiros de negócio. Os repositórios institucionais são ferramentas que auxiliam
este processo.
Necessário que seja feita uma divulgação constante através das ferramentas
existentes: Intranet, extranet, Internet, exposição em salas de aulas, troca de
informações com bibliotecários de outros Institutos para que eles também sejam um
disseminador da importância da BDMC. Fachin et al. (2009) alertam para o fato de
que não adianta possuir um repositório bem estruturado se todos ou alguns
trabalhadores não souberem o que é, ou se não estiverem motivados para utilizá-lo
e partilhar do processo. “A utilização e o pleno uso pelas pessoas só ocorrerá se as
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mesmas estiverem treinadas, incentivadas e cientes de que sua participação no
processo é fundamental”.
Como sugestão de melhoria seria interessante incluir na página inicial da
BDMC, além do seu objetivo principal ligado a preservação, os benefícios implícitos
relacionados aos repositórios institucionais.
O site da BDMC encontra-se disponível na página principal da CNEN
&lt;www.cnen.gov.br&gt;, na Intranet da Sede e no Portal do Conhecimento Nuclear.
&lt;http://portalnuclear.cnen.gov.br&gt;. Seria muito importante que o site também estivesse
disponível em todas as Intranets de todos os Institutos, pois é na Intranet que os
servidores buscam acesso a várias informações importantes para o seu dia-a-dia.
Uma

tentativa

de

melhorar

a

coleta

do

material

produzido

pelos

pesquisadores seria a exigência do depósito de teses, dissertações e monografias
elaboradas, quando da solicitação de gratificações por titulação, bem como a
exigência do depósito dos artigos apresentados em conferências e congressos.
Os RIs são ferramentas relativamente novas, em desenvolvimento e em
constante mudança e a percepção de seus resultados positivos ainda é pequeno por
parte de seus usuários. Como ferramenta em desenvolvimento ela necessita de
avaliações constantes e uma integração entre os profissionais da área da Ciência da
Informação e o pessoal de TI, bem como com os seus usuários.

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Rogerio Atem de Carvalho</text>
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          <name>Subject</name>
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              <text>Temática III: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade - Trabalho científico</text>
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          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
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              <text>A construção de uma memória organizacional é importante para o processo de criação do conhecimento, especialmente pelas muitas vantagens e benefícios queela apresenta para qualquer instituição. Para que o fluxo de conhecimento e aprendizagem não se perca no decorrer da vida das organizações é necessária autilização de ferramentas que facilitem sua gestão. Neste contexto começaram a surgir no âmbito da produção, disponibilização e uso do conhecimento científico, osrepositórios institucionais. O objetivo deste artigo é avaliar a percepção dos pesquisadores da Comissão Nacional de Energia Nuclear-CNEN, quanto aosbenefícios da implantação de seu repositório institucional na preservação da memória institucional e na melhoria da visibilidade da literatura produzida, bem como buscar subsídios para a melhoria do serviço. Para alcançar este objetivo foi realizada uma pesquisa e como resultado se pode concluir que o repositório cumpre o seu papel de preservação da memória organizacional e melhora a visibilidade da produção técnico-científica dos pesquisadores.</text>
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          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
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