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                  <text>Análise comparativa de periódicos científicos: um estudo sobre a
normalização das revistas Ciência da Informação e
Transinformação

Mariza Russo (UFRJ) - mariza.russo@facc.ufrj.br
Valeria Carlosso dos Santos Mazui (UFRJ) - valeriamazui@gmail.com
Resumo:
Apresenta uma análise comparativa dos periódicos científicos Ciência da Informação e
Transinformação. Tem como objetivo investigar a compatibilidade da padronização dos
periódicos científicos citados com as normas estabelecidas pela Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para a publicação de seus fascículos e
artigos. A técnica proposta é de natureza qualitativa, do tipo análise documental, sendo o nível
da investigação exploratório e o método de estudo descritivo. Para isto, foi analisada a forma
estrutural das principais partes que compõem os três últimos fascículos publicados de forma
impressa de cada uma das revistas,
referentes ao ano de 2010. Ao final da análise destas revistas técnico-científicas da área de
Ciência da Informação, foram constatadas algumas incompatibilidades com as normas
estabelecidas pela ABNT. Diante deste estudo, sugere-se que os órgãos
responsáveis pelas publicações científicas analisadas revejam e corrijam as eventuais
inconsistências encontradas, tendo em vista que existe uma norma regulamentadora para a
publicação de tais tipos de revistas.
Palavras-chave: Comunicação Científica. Periódicos científicos. Normalização – revistas
científicas.
Área temática: Temática III: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013

Análise comparativa de periódicos científicos:
um estudo sobre a normalização das revistas Ciência da Informação e
Transinformação

RESUMO
Apresenta uma análise comparativa dos periódicos científicos Ciência da Informação
e Transinformação. Tem como objetivo investigar a compatibilidade da padronização
dos periódicos científicos citados com as normas estabelecidas pela Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para a publicação de seus fascículos e
artigos. A técnica proposta é de natureza qualitativa, do tipo análise documental,
sendo o nível da investigação exploratório e o método de estudo descritivo. Para
isto, foi analisada a forma estrutural das principais partes que compõem os três
últimos fascículos publicados de forma impressa de cada uma das revistas,
referentes ao ano de 2010. Ao final da análise destas revistas técnico-científicas da
área de Ciência da Informação, foram constatadas algumas incompatibilidades com
as normas estabelecidas pela ABNT. Diante deste estudo, sugere-se que os órgãos
responsáveis pelas publicações científicas analisadas revejam e corrijam as
eventuais inconsistências encontradas, tendo em vista que existe uma norma
regulamentadora para a publicação de tais tipos de revistas.
Palavras-chave: Comunicação Científica. Periódicos científicos. Normalização –
revistas científicas.
Área Temática: Temática III: Bibliotecas, serviços de informação e sustentabilidade
(Avaliação de bibliotecas e serviços de informação).

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como finalidade analisar, dentre tantos periódicos da
área de Ciência da Informação, dois dos mais importantes – Ciência da Informação
– e – Transinformação, ambos no seu formato impresso. De acordo com o próprio
periódico Ciência da Informação, esta é uma publicação quadrimestral de trabalhos
inéditos relacionados com a área Ciência da Informação ou que apresentem
resultados de estudos e pesquisas sobre as atividades do setor de informação em
Ciência e Tecnologia (C&amp;T). No que se refere à revista Transinformação, esta
publica trabalhos inéditos que contribuem para o estudo e o desenvolvimento
científico

nas

áreas da

Ciência

da

Informação

e

Ciências

de

domínio

conexo. Periódico especializado – está aberto a contribuições da comunidade
científica nacional e internacional.

�2

Diante da grande importância que estes exercem em seu meio, torna-se clara
a necessidade de recuperação e disseminação das informações contidas nos
mesmos. Para isto, é imprescindível que os trabalhos publicados estejam
organizados de forma padronizada, facilitando assim a difusão das pesquisas e a
discussão entre os pares e dos pares com a sociedade. Sendo assim, este estudo
pretende identificar a padronização dos trabalhos que são publicados nas duas
revistas, na medida em que para isto existem normas que devem ser seguidas,
porém muitas vezes não são respeitadas. Quanto a estas normas, este trabalho
refere-se às estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT),
a qual é a maior organização de regulamentação técnica, do Brasil. Foi fundada em
1940, “para fornecer a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro”
(ABNT, 1998 apud VARGAS, 2006) e tem como objetivo principal a uniformização
da documentação técnico-científica.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Na fundamentação teórica serão abordados os tópicos que embasaram este
trabalho, a saber: Ciência da Informação; Comunicação Científica e Normalização.

2.1 Ciência da Informação

Segundo Oliveira (2011), a Ciência da Informação (C.I.) nasceu no bojo da
revolução científica e técnica que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, tendo
sofrido grandes influências da Documentação e da Recuperação da Informação.
Neste sentido, a grande preocupação destas duas disciplinas era a de reunir,
organizar e tornar acessível o conhecimento cultural, científico e tecnológico
produzido em todo o mundo.
A influência da Documentação inicia-se com Paul Otlet e Henri La Fontaine,
em Bruxelas (1892), quando são lançadas as bases para a criação do Instituto
Internacional de Bibliografia (IIB), com a finalidade de estabelecer a compilação
internacional da informação bibliográfica registrada. O IIB foi criado em 1895, sendo
que em 1931 foi transformado em Instituto Internacional de Documentação (IID), já
com a preocupação de fornecer meios de controle para os novos tipos de suporte do
conhecimento, e em 1938 passou a constituir a Federação Internacional de

�3

Documentação (FID), órgão máximo da área, que permaneceu atuante até 2005,
quando completou 110 anos de sua criação (FONSECA, 2005).
Já a influência da Recuperação da Informação se deve ao surgimento dos
sistemas automatizados de recuperação da informação. Nos países desenvolvidos,
a situação após a Segunda Guerra Mundial despertou um grande interesse pelas
atividades de C&amp;T, o que acabou proporcionando um aumento considerável dos
registros sobre o conhecimento científico. Este período pós-guerra foi marcado pela
polarização entre os Estados Unidos e a União Soviética, ou seja, a Guerra Fria. Os
esforços contínuos para manter as respectivas lideranças em um mundo dividido em
dois blocos hegemônicos geraram uma produção científica e tecnológica sem
precedentes. A chamada “explosão informacional” exigia meios cada vez mais
sofisticados e rápidos para que a informação científica e tecnológica pudesse ser
usada como recurso econômico e político.
No Brasil, a C.I. se desenvolveu mais do que nos países centrais,
principalmente por estar interligada com a Biblioteconomia. Outro fator contribuinte
foi a implantação do curso de mestrado em na área, no início da década de 1970,
pelo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD), atualmente Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), com vínculo ao Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão federal de
financiamento à pesquisa no Brasil. Este último adotou uma conceituação para a
C.I., para desta forma administrar a demanda de financiamento à pesquisa, a qual
foi descrita no periódico Avaliação e Perspectiva, (1983) e aponta as suas atividades
no País. O documento foi elaborado por uma comissão composta por consultores
das áreas de Ciência da Informação, Biblioteconomia e Arquivologia, apoiada nas
orientações da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura
(UNESCO), a qual estimula a criação de uma infraestrutura de informação como
base de sistemas nacionais de informação. Neste contexto, a C.I. é definida como:
“o campo mais amplo, de propósitos investigativos e analíticos, interdisciplinar por
natureza, que tem por objetivo o estudo dos fenômenos ligados à produção,
organização, difusão e utilização de informações em todos os campos do saber.”
(AVALIAÇÃO E PERSPECTIVA, 1983 apud OLIVEIRA, 2011, p. 17).
Portanto, pode-se dizer que a C.I. tem como característica uma natureza
interdisciplinar. Entretanto, estudos recentes têm observado que esta ciência se
insere no contexto de ciência moderna, onde o novo modo de produção de

�4

conhecimento envolve diferentes mecanismos de gerar conhecimento e de
comunicá-los.

2.2 Comunicação Científica
De acordo com Meadows (1999, p. 3) “ninguém pode afirmar quando foi que
se começou a fazer pesquisa científica e, por conseguinte, quando, pela primeira
vez, houve comunicação científica”. Muitos pesquisadores afirmam que esta tenha
ocorrido principalmente pela forma oral ou como mais conhecida – comunicação
informal. Para muitos estudiosos, seja por contato pessoal, reuniões científicas,
pequenos colóquios, telefonemas ou troca de cartas e correio eletrônico, esta é a
forma mais comum de se tomar conhecimento das pesquisas que os pares de uma
área estão realizando.

No entanto, esta forma de comunicação pode acarretar

alguns problemas como: a baixa retenção por parte do receptor; pequena amplitude
em termos geográficos e populacionais e a ocorrência de distorções e/ou
acréscimos nas informações transmitidas (POBLACION; WITTER; SILVA, 2006).
Devido a estes problemas, muitos pesquisadores perceberam a necessidade
de desenvolver mecanismos para que estas informações fossem repassadas de
forma eficaz e eficiente. A maneira então encontrada foi utilizando a comunicação
formal, mais precisamente, por meio de publicações como livros e periódicos. Este
último traz como características e benefícios: a facilidade de reprodução do texto
original, permitindo sua distribuição e utilização em diversos locais; a redução dos
custos de difusão; a facilidade de comparação de ideias e da evolução do
conhecimento sobre determinados temas e o crescimento na amplitude em termos
geográficos e populacionais, entre outras1.
Os dois primeiros periódicos científicos surgiram em 1665: o primeiro, Journal
des Savants, em Paris (França) sob a responsabilidade de Denis de Sallo, cujo
primeiro número foi publicado em 05 de janeiro de 1665 e discutido em 11 de janeiro
na Royal Society de Londres. O segundo periódico, lançado em março do mesmo
ano, Philosophical Transactions, criado por um grupo de filósofos ingleses ligados à
Royal Society (Londres), apresentava caráter mais científico, com artigos detalhados

1

Notas de aula da disciplina de Recursos Informacionais I, ministrada no Curso de Biblioteconomia e
Gestão de Unidades de Informação (CBG).

�5

sobre novas ideias e pesquisas, além das cartas trocadas entre membros da
comunidade e correspondentes nacionais e do exterior.
No Brasil, a edição de publicações seriadas na área de Ciência da Informação
teve seu início na década de 1970, com a criação da Revista Ciência da Informação,
em 1972, sob a responsabilidade do IBBD, atualmente IBICT, e a Revista da Escola
de Biblioteconomia da UFMG, atualmente com o título Perspectivas em Ciência da
Informação, sob a responsabilidade da Escola de Ciência da Informação
(ECI/UFMG), entre outras. A partir da década de 1980, muitas outras foram criadas,
porém, algumas começaram a ser vinculadas aos cursos e programas de pósgraduação como a Revista Transinformação, a qual é editada pelo Departamento de
Pós-Graduação em Biblioteconomia da PUC-Campinas, a partir de 1989.
Desde os primeiros periódicos, sua função principal é o registro e a difusão do
conhecimento científico existente, favorecendo a comunicação entre pesquisadores
e

as

comunidades

científicas

e,

consequentemente,

contribuindo

para

o

desenvolvimento, atualização e avanços científicos.
No entanto, existe a difícil tarefa de elaboração deste material bibliográfico,
sua organização e utilização, devido aos vários aspectos específicos que interferem
na publicação do mesmo. Campello, Cendón e Kremer (2000) ressaltam alguns
problemas inerentes às revistas científicas, como: a demora na publicação do artigo
que, às vezes, chega a ser de um ano após o recebimento do original pelo editor; a
rigidez do formato impresso em papel, quando se compara com a versatilidade dos
formatos eletrônicos e, a dificuldade, para o pesquisador, em saber o quê de seu
interesse está sendo publicado, pois são muitos os periódicos e pouco eficientes os
instrumentos de identificação e busca etc.
Para Curty e Boccato (2005, p. 95), um dos elementos que norteiam a
qualidade de um periódico científico é a sua normalização técnica, extensiva aos
artigos que comporão o fascículo. Para as autoras, a normalização de documentos
visa “a padronização e simplificação no processo de elaboração de qualquer
trabalho científico.”
Portanto, é de suma importância a sua padronização, buscando atender às
necessidades de credenciamento e referenciação pelas formas bibliográficas e pelos
órgãos governamentais e de apoio à pesquisa e desenvolvimento.

�6

2.3 Normalização

No Brasil, a normalização teve como marco inicial a fundação, em 1940, da
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Este é o órgão responsável pela
normalização técnica no país, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento
tecnológico brasileiro, ou seja, “[...] compete coordenar, orientar e supervisionar o
processo de elaboração de Normas Brasileiras bem como elaborar e editar as
referidas Normas.” (INMETRO, 1992 apud RODRIGUES; LIMA; GARCIA, 1998, p.
151).
A ABNT é composta por 53 comitês e três organismos de Normalização
Setorial, que atuam nas várias áreas do conhecimento (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE NORMAS TÉCNICAS, 2011). Entre seus comitês, destaca-se o Comitê Brasileiro
de Informação e Documentação (CB-14), responsável pelas edições de normas na
área de documentação e responsável pela edição da norma NBR 6021 – Publicação
periódica científica impressa – apresentação, um dos objetos de estudo dessa
pesquisa. De acordo com a entidade, esta norma especifica os requisitos para
apresentação dos elementos que constituem a estrutura de organização física de
uma publicação periódica científica impressa. Também, destina-se a orientar o
processo de produção editorial e gráfica da publicação, no sentido de facilitar a sua
utilização pelo usuário e pelos diversos segmentos relacionados com o tratamento e
a difusão da informação.
A ABNT vem desde o seu surgimento realizando esforços no sentido de
viabilizar, por meio das normas, a melhoria da qualidade em vários campos,
assegurando a uniformidade do produto e eliminando uma variedade desnecessária
e antieconômica (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2006).
Dentre estes campos, se destaca o da Documentação, pois mediante a melhoria da
qualidade formal das publicações brasileiras, autores, editores, leitores e
bibliotecários terão melhor facilidade em comunicar, trocar ideias e disseminar as
informações em nível nacional e internacional, contribuindo dessa maneira para o
desenvolvimento científico e tecnológico neste âmbito.

�7

3 METODOLOGIA

O levantamento de dados para a presente pesquisa foi iniciado por meio da
consulta ao Programa Qualis2, o qual é parte do sistema de avaliação dos
programas de pós-graduação, conduzido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (Capes). Este programa tem como objetivo avaliar a
qualidade científica da produção intelectual dos cursos de pós-graduação, com a
finalidade de classificar as publicações em categorias indicativas, denominadas
estratos A, B e C, sendo o A1 – o mais elevado – e posteriormente, A2; B1; B2; B3;
B4; B5; C – com peso zero.
O Programa abrange as diferentes áreas do conhecimento e a área a ser
analisada nesta pesquisa é a de Ciências Sociais Aplicadas I, com foco nos
periódicos da área de Ciência da Informação.
Para realizar esta avaliação, devido ao número excessivo de periódicos da
área de C.I, foram utilizados como critérios de seleção para efeito de estudo: a) os
que ainda estão sendo publicados em formato impresso; b) os que estivessem
classificados entre os estratos A1 e B2; c) os que foram publicados no período de
2010 a 2012 e d) os que estivessem acessíveis para consulta. Estes dois últimos
critérios foram decisivos para a escolha dos periódicos que serão analisados. Neste
sentido, o estudo é de natureza qualitativa, do tipo análise documental, sendo o nível
da investigação exploratório e o método de estudo descritivo3.
Mediante a aplicação desses critérios, o universo da pesquisa ficou
constituído pelos seguintes periódicos científicos: Ciência da Informação, com
estrato A2 (v. 39, n. 1; v. 39, n. 2; v.39, n.3) e Transinformação, com estrato B2 (v.
22, n. 1; v. 22, n. 2; v. 22, n.3) – ambos em seu formato impresso - cujos fascículos
foram localizados em duas bibliotecas do Rio de Janeiro: Biblioteca do IBICT e
Biblioteca do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), da UFRJ,
respectivamente. O ano focalizado foi o de 2010, devido à disponibilidade dos
fascículos das revistas, visto que o periódico Transinformação parou de ser
publicado no formato impresso a partir de 2011.

2

http://www.capes.gov.br/avaliacao/qualis.
Escolha fundamentada em notas de aula da disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica
ministrada no Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande/RS (FURG).
3

�8

Nesta amostra, foram analisadas as principais partes que compõem um
periódico científico, a fim de verificar a padronização dos fascículos e artigos
publicados. Ressalta-se que não foi analisado o conteúdo dos artigos, mas somente
sua forma estrutural.
Os instrumentos de padronização utilizados como base para esta análise
foram às normas estabelecidas pelo órgão normalizador no Brasil – ABNT. Este
órgão possui normas específicas para as publicações periódicas, a seguir
relacionadas: NBR 6021 – Publicação periódica científica impressa (2003); NBR
6022 – Artigo em publicação periódica científica impressa (2003); NBR 6023 –
Referências (2002); NBR 6024 – Numeração progressiva das seções de um
documento escrito (2003)4; NBR 6027 – Sumário (2003); NBR 6028 – Resumo
(2003); NBR 6032 – Abreviação de títulos de periódicos e publicações seriadas
(1989); NBR 10520 – Citações (2002); NBR 10525 – Número padrão internacional
para publicação seriada – ISSN (2005).

4 RESULTADOS

Com base na análise documental da amostra selecionada, em conformidade
com as normas da ABNT, chegou-se aos seguintes resultados:


A primeira norma comparada com as revistas foi a NBR 6021 –
Publicação periódica científica impressa (2003). De acordo com a análise,
foram encontradas algumas incompatibilidades com as recomendações
estabelecidas pela NBR 6021, no que diz respeito à capa. São elas:
logomarca da editora responsável; data da publicação; nome do órgão editor
responsável;

nomes

de

autoridades

do(s)

órgão(s)

e/ou

entidades

responsáveis pela edição da publicação; conselho editorial e anúncios
publicitários.

Os demais itens referentes a terceira e quarta capa são

colocados pela norma como – elementos opcionais, ou seja, não há
necessidade de seguir as recomendações estabelecidas pela norma. No que
diz respeito ao quesito – elementos pré-textuais – as incompatibilidades
com a NBR 6021 estão nos seguintes itens: número do volume e fascículo(s)
4

Apesar desta NBR 6024 ter passado por uma atualização, em 2012, utilizou-se como parâmetro a
versão de 2003, face ao período do estudo.

�9

em algarismos arábicos; data da publicação, indicando-se o mês(es) por
extenso e o ano civil em algarismos arábicos; local; código ISSN, colocado
acima da legenda bibliográfica; direito autoral; autorização de reprodução de
artigos ou parte deles; créditos e editorial. Já, no que se refere, a conter
elementos textuais, não foram encontradas incompatibilidades. E, quanto
aos elementos pós-textuais, em nenhuma das duas revistas consta o índice.
Dentre os elementos estudados, volume e número apresentam-se por
extenso, quando deveriam estar abreviados. Portanto, de acordo com todos
os elementos analisados foi constatado que nenhuma das duas revistas
segue todas as recomendações estabelecidas pela ABNT para a publicação
periódica científica impressa, conforme expressa o Gráfico 1.

Gráfico 1 - NBR 6021 (2003)
Ciência da Informação
58%

50%

Compatibilidade

Transinformação
42%

50%

Incompatibilidade

Fonte: Autoria própria.



A segunda norma comparada com as revistas foi a NBR 6022 – Artigo
em publicação periódica científica impressa (2003). Nos elementos prétextuais e textuais não foram encontradas irregularidades. E, nos elementos
pós-textuais – os itens – glossário e apêndice(s) – não foram encontrados.
Quanto ao item – outros elementos – no Indicativo de seção – é utilizado o
recurso de Destaque tipográfico e, o item Numeração progressiva das
Seções de um documento não é utilizado. Cabe ressaltar que em
conformidade com a NBR 6022, também só foi analisada a forma estrutural
dos artigos e não o seu conteúdo. Sintetizando a análise, pode-se inferir que,
de acordo com o observado nas duas revistas, a não conformidade com a
NBR 6022 encontra-se mais evidente nos elementos pós-textuais conforme
demonstra o Gráfico 2.

�10

Gráfico 2 - NBR 6022 (2003) - Elementos pós-textuais
Ciência da Informação

33%

Transinformação
67%

33%

Compatibilidade

67%

Incompatibilidade

Fonte: Autoria própria.

A revista Ciência da Informação ao final de seus fascículos recomenda as
normas para publicação em sua revista, sendo elas: NBR 6023:2002; NBR
10520:2002; NBR 6024:2003; NBR 6028:2003 e, outras duas que não foram
abordadas neste trabalho – NBR 5892:1989 – Norma para datar e Norma de
apresentação tabular do IBGE. Com isto, percebe-se que seus artigos também não
seguem todas as normas estabelecidas pela ABNT para os artigos em publicação
periódica

científica

impressa.

O

mesmo

se

pode

constatar

na

revista

Transinformação, a qual só recomenda como norma para publicação em sua revista
a NBR 6023:2002.


Prosseguindo-se na análise, a terceira norma comparada com os objetos
de estudo foi a NBR 6023 – Referências (2002). Nesta análise, foi
constatado que não há nenhuma irregularidade com as revistas examinadas
conforme aponta o Gráfico 3. Neste sentido, vale ressaltar que foram
analisadas apenas as regras gerais de apresentação das referências, em
conformidade com os tipos de referências que constam nos documentos.

Gráfico 3 - NBR 6023 (2002)
Ciência da Informação
100%

Transinformação

100%
0%

Compatibilidade

0%

Incompatibilidade

Fonte: Autoria própria.



Seguindo a análise documental, a quarta norma estudada foi a NBR 6024 –
Numeração progressiva das seções de um documento escrito (2003).
Percebeu-se que esta norma, apesar de ser recomendada na revista Ciência

�11

da Informação, também não é seguida em conformidade com a ABNT, quanto
aos seguintes elementos analisados: indicativo de seção; seção (primária e
secundária); e no que se refere às regras gerais de apresentação das
seções,

destaque

para

a

numeração

e

pontuação.

Pela

revista

Transinformação, esta não é recomendada, então, nenhuma das duas
revistas está compatível com as recomendações como se pode perceber no
explicitado no Gráfico 4.

Gráfico 4 - NBR 6024 (2003)
Ciência da Informação

25% 25%

Transinformação

75%

75%

Compatibilidade
Incompatibilidade
Fonte: Autoria própria.



A quinta norma em foco foi a NBR 6027 – Sumário (2003). Nesta análise,
pode-se constatar que ocorrem algumas inconformidades das publicações
científicas com o órgão regulamentador (Gráfico 5). São elas: localização do
sumário; localização da palavra sumário e indicativos das seções, que
não às indicações da norma.

Gráfico 5 - NBR 6027 (2003)
Ciência da Informação

Transinformação

78% 67%
22% 33%
Compatibilidade
Incompatibilidade
Fonte: Autoria própria.

�12



A sexta norma analisada foi a NBR 6028 – Resumo (2003). Nesta,
percebeu-se a padronização das revistas com as normas estabelecidas pela
ABNT conforme descreve o Gráfico 6.

Gráfico 6 - NBR 6028 (2003)
Ciência da Informação
100%

Transinformação

100%
0%

Compatibilidade

0%

Incompatibilidade

Fonte: Autoria própria.



Em continuidade ao estudo, a sétima norma analisada desta vez foi a
NBR 6032 – Abreviação de títulos de periódicos e publicações seriadas
(1989). De acordo com esta norma, pode-se verificar que a revista Ciência da
Informação segue as instruções da mesma, no que se refere à Abreviação
de títulos de periódicos e publicações seriadas, diferentemente da
Transinformação. No entanto, isto não pode ser julgado como uma
irregularidade, visto que a norma não é muito clara quanto aos procedimentos
a serem seguidos.



Outra norma analisada foi a NBR 10520 – Citações (2002). No elemento
analisado (citações), foram encontradas duas incompatibilidades com as
normas estabelecidas pela NBR 10520 em comparação com a revista Ciência
da Informação. São elas: nas citações com mais de três linhas, ela apenas
utiliza um pequeno recuo e não o recomendado pela norma (4 cm) e, além
disso, não utiliza a fonte menor que a do texto. Já na revista Transinformação,
no que se refere a este elemento, não foi encontrada nenhuma irregularidade.
Ainda sobre esta norma, quanto ao elemento – notas – nas duas revistas, as
notas de referência estão relacionadas no final de cada artigo e, as notas
explicativas aparecem ao final da página, ou seja, não vêm como elemento
pós-textual, conforme recomendado pela norma. No entanto, verifica-se que a
compatibilidade ainda é maior, de acordo, com o apresentado no Gráfico 7.

�13

Gráfico 7 - NBR 10520 (2002)
Ciência da Informação
76%

Transinformação

88%
24%

Compatibilidade

12%

Incompatibilidade

Fonte: Autoria própria.



A última norma analisada foi a NBR 10525 – Número padrão
internacional para publicação seriada – ISSN (2005). Nesta análise, foi
constatado que a Ciência da Informação não cita o ISSN acima da legenda
bibliográfica da folha de rosto e, na Transinformação, apesar deste dado
aparecer também não está no local correto, apresentando-se na parte
superior da página.

Como se pode perceber, apesar de haver um órgão regulamentador que estabelece
normas para as publicações periódicas científicas impressas, estas não são
devidamente seguidas pelos editores científicos. Nos casos estudados, apesar das
normas da ABNT serem citadas como norteadoras, as revistas apresentam,
também, suas próprias normas que, quase sempre, não se compatibilizam com o
respectivo órgão regulamentador. Ainda, de acordo com os resultados obtidos,
pode-se inferir que a NBR 6023, que descreve o formato das referências dos artigos
de periódicos é a única cuja padronização com a ABNT é exigida. Em uma
comparação final, chegou-se a conclusão que das nove normas analisadas, apenas
duas são seguidas pelos respectivos periódicos como pode ser visto no Gráfico 8.

Gráfico 8 - Parâmetro Final
Ciência da Informação

Transinformação
78%

22%

22%

Compatibilidade
Fonte: Autoria própria.

78%

Incompatibilidade

�14

Assim, torna-se necessário que outros estudos sejam realizados e divulgados
fazendo com que os editores responsáveis, juntamente com sua equipe, revejam a
organização de suas publicações e, se possível corrijam as incompatibilidades com
as normas da ABNT, para que a recuperação e a disseminação das informações
contidas nas revistas científicas estejam descritas de forma padronizada, facilitando
assim a difusão das pesquisas e a discussão entre os pares e destes com a
sociedade.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao término da análise documental, foi constatado que os periódicos
estudados – Ciência da Informação e Transinformação – não estão padronizados
em grande parte com as recomendações das normas estabelecidas para Publicação
Periódica Científica Impressa pela ABNT. No entanto, nota-se que cada um dos
mesmos recomenda normas específicas para publicação dos seus artigos, o que faz
com que nem sempre a norma recomendada pela entidade regulamentadora (NBR
6021), seja seguida de forma correta. Julga-se este fato especialmente preocupante,
na medida em que as duas revistas pertencem à área de Ciência da Informação, a
qual tem a organização do conhecimento como uma das suas subáreas. Sendo
assim, esperava-se que as mesmas deveriam primar pela excelência na
padronização do material sob sua responsabilidade.
Considera-se, desta forma, que os objetivos discriminados nesta pesquisa
foram atingidos; porém, diante deles, vislumbra-se um dos grandes desafios para a
área de Comunicação Científica, que se constitui na padronização dos seus
documentos, facilitando, assim, a difusão das pesquisas e a discussão entre os
pares e destes com a sociedade. Em suma, a partir do momento em que estes
veículos estiverem sendo publicados, de maneira padronizada, tanto a recuperação
quanto a disseminação das informações neles contidas serão facilitadas.
Com a realização deste estudo foi possível perceber, também, a importância
da continuidade do mesmo, não só pelas autoras deste trabalho, como por outros
pesquisadores, que tenham o real interesse em contribuir para a recuperação e
disseminação da informação por meio dos periódicos científicos, fazendo com que
estas atividades se tornem cada vez mais eficientes e eficazes para a sociedade.

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REFERÊNCIAS
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no processo de desenvolvimento do país. In: ______. Desde 1940 promovendo a
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&lt;http://rabci.org/rabci/sites/default/files/Trabalho_FINAL_Normalizacao.pdf&gt;. Acesso
em: 10 maio 2012.

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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Análise comparativa de periódicos científicos: um estudo sobre a normalização das revistas Ciência da Informação e Transinformação</text>
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              <text>Mariza Russo</text>
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              <text>Valeria Carlosso dos Santos Mazui</text>
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              <text>Temática III: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade - Trabalho científico</text>
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              <text>Apresenta uma análise comparativa dos periódicos científicos Ciência da Informação e Transinformação. Tem como objetivo investigar a compatibilidade da padronização dos periódicos científicos citados com as normas estabelecidas pela AssociaçãoBrasileira de Normas Técnicas (ABNT) para a publicação de seus fascículos eartigos. A técnica proposta é de natureza qualitativa, do tipo análise documental, sendo o nível da investigação exploratório e o método de estudo descritivo. Para isto, foi analisada a forma estrutural das principais partes que compõem os três últimos fascículos publicados de forma impressa de cada uma das revistas,referentes ao ano de 2010. Ao final da análise destas revistas técnico-científicas da área de Ciência da Informação, foram constatadas algumas incompatibilidades com as normas estabelecidas pela ABNT. Diante deste estudo, sugere-se que os órgãosresponsáveis pelas publicações científicas analisadas revejam e corrijam as eventuais inconsistências encontradas, tendo em vista que existe uma norma regulamentadora para a publicação de tais tipos de revistas.</text>
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