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                  <text>A Biblioteca, o Bibliotecário e o Usuário Surdo: o processo de
mediação da informação na Biblioteca Central da Universidade
Federal da Paraíba

Giulianne Monteiro Pereira (UFPB) - giulianne.monteiro@gmail.com
Alex Salustino (UFPB) - alexsalustino@hotmail.com
Carla Maria dos Santos (UFPB) - karlinha.maria@hotmail.com
Cristiana da Silva Dantas (UFPB) - criiisufpb@hotmail.com
Naíma Gomes Vilôr (UFPB) - naimavilor@gmail.com
Resumo:
Pesquisa exploratória, que apresenta um panorama sobre a temática da pessoa
surda contextualizando esses indivíduos no âmbito da Universidade Federal da
Paraíba – UFPB, concentrando atenção sob a potencialidade desses estudantes na
Biblioteca Central. Utilizou-se questionário presencial aos bibliotecários que atuam
diretamente nos serviços de atendimento aos usuários da Biblioteca Central da
UFPB, mais exatamente aos lotados na Divisão de Serviços aos Usuários visando
obter um mapeamento das habilidades e dificuldades encontradas por esses
profissionais no atendimento à pessoa surda.
Palavras-chave: Mediação da informação – usuário surdo. Biblioteca Universitária – UFPB.
Biblioteca Central – UFPB. Usuário surdo. Atendimento especializado.
Área temática: Temática III: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

A Biblioteca, o Bibliotecário e o Usuário Surdo: o processo de mediação da
informação na Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba
Resumo:
Pesquisa exploratória, que apresenta um panorama sobre a temática da pessoa
surda contextualizando esses indivíduos no âmbito da Universidade Federal da
Paraíba – UFPB, concentrando atenção sob a potencialidade desses estudantes na
Biblioteca Central. Utilizou-se questionário presencial aos bibliotecários que atuam
diretamente nos serviços de atendimento aos usuários da Biblioteca Central da
UFPB, mais exatamente aos lotados na Divisão de Serviços aos Usuários visando
obter um mapeamento das habilidades e dificuldades encontradas por esses
profissionais no atendimento à pessoa surda.
Palavras-chave: Mediação da informação – usuário surdo. Biblioteca Universitária –
UFPB. Biblioteca Central – UFPB. Usuário surdo. Atendimento especializado.
Área Temática: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade.
1 INTRODUÇÃO
A informação e a transmissão do conhecimento tem sido objeto de estudos há
muitos anos por parte dos profissionais da informação, bem como as habilidades dos
bibliotecários no papel de facilitador e mediador da informação, principalmente no
tocante a importância do aprendizado de outras línguas como ainda a utilização de
recursos tecnológicos, ou seja, a incessante busca da atualização e capacitação que
o mercado de trabalho atual tem cobrado.
Um dos locais de atuação do bibliotecário é a biblioteca universitária, presente
obrigatoriamente nas universidades/faculdades públicas ou particulares.
Podemos verificar que é crescente a demanda do ingresso de pessoas com
algum tipo de deficiência no ensino superior, logo se tornando usuário de todos os
serviços oferecidos pela universidade, dentre esses serviços está o da biblioteca.
Apesar de existirem estudos voltados para a temática de inclusão
informacional desses usuários, o que se percebe é que ainda é um segmento de
usuários de informação, seja ela científica técnica ou de utilidade pública, não tem
sido tão amplamente contemplada com materiais informacionais como deveria.
Visto que a base da formação do bibliotecário é mediar, disponibilizar e
disseminar a informação sistematizada, selecionada e de acesso rápido, assim, não

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seria aceitável um usuário, com qualquer que seja suas limitações, ser discriminado
de atendimento qualificado por falta de capacidade profissional.
Além de que “o acesso à informação, e consequentemente à leitura, é um
direito social garantido constitucionalmente. Portanto, a garantia deste direito está
relacionada à democratização da sociedade como um todo e exercício da
cidadania.” (MARTINS, 2002, p. 158).
Nesse ambiente se desenvolveram os questionamentos: “será que os
bibliotecários da Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba (BC/UFPB)
estão preparados ou em processo de capacitação a essa nova demanda de
usuário?”, “como se dá o processo de mediação da informação entre bibliotecário e
o usuário surdo?” e ainda “como devemos tratar um usuário surdo?”.
A partir desses questionamentos estipulamos os seguintes objetivos.
2 OBJETIVOS
2.1 GERAL
Identificar as dificuldades encontradas no processo de mediação da
informação para o usuário surdo na Biblioteca Central da Universidade Federal da
Paraíba (BC/UFPB).
2.2 ESPECÍFICOS
a) Verificar se os Bibliotecários da BC/UFPB estão preparados/capacitados para
atender os usuários surdos;
b) Aplicar questionário com os Bibliotecários da Divisão de Serviço ao Usuário
(DSU) da BC/UFPB a fim de identificar suas habilidades/competências para
mediar a informação com o uso da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).
3 BIBLIOTECA UNIVERSTIÁRIA
As bibliotecas fazem parte do processo educacional, pois seu acervo
possibilita ao cidadão a ampliação de seus conhecimentos. Elas possuem papel
essencial para a democratização do conhecimento, a biblioteca universitária
especializada tem atribuição fundamental no desenvolvimento do país, uma vez que
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desempenha seu trabalho em consonância com os objetivos da instituição na qual
está vinculada.
Se as bibliotecas são importantes para o ensino em geral, no ensino
superior seu papel é proeminente em virtude do valor da própria
universidade, pois nenhuma outra instituição ultrapassa em magnitude a
contribuição universitária, a qual torna possível o formidável avanço
tecnológico e científico que se registra atualmente em todos os campos do
conhecimento. [...] em todo processo educacional, é decisiva a influência da
biblioteca, que se pode constituir num dos principais instrumentos de que a
universidade dispõe para atingir suas finalidades. (FERREIRA, 1980, p. 23)

Fica evidente como a biblioteca universitária tem que estar junto à
comunidade acadêmica dando suporte no desenvolvimento de ensino, pesquisa e
extensão, além de ter como foco as necessidades educacionais e culturais. Para
melhor compreender o contexto de uma biblioteca especializada, é interessante
conhecermos seu conceito:
A biblioteca especializada é uma biblioteca quase exclusivamente dedicada
a publicações sobre um assunto ou sobre um grupo de assuntos em
particular. Inclui também coleções de uma espécie particular de
documentos. (SALASÁRIO, 2000, p. 106)

Portanto é indispensável destacamos o que Wright ([1981]) nos apresenta
como biblioteca especializada quando diz: “a biblioteca especializada é uma
biblioteca quase exclusivamente dedicada a publicações sobre um assunto ou sobre
um grupo de assuntos em particular” (WRIGHT, [1981], p. 01).
Entende-se que a elaboração do acervo de uma biblioteca especializada está
direcionada área ou especialidade científica do saber, ou para campos que dialoga,
direciona seus estudos entorno de um interesse comum.
A tipologia da biblioteca especializada corresponde a: bibliotecas de
faculdades, de escolas ou universitárias; as ligadas a sociedades científicas ou de
organizações profissionais e/ou departamentais; as de investigações e as das
entendidas privadas de comércio e indústria (WRIGHT, [1981]).
Segundo Wright ([1981]), as bibliotecas especializadas caracterizam-se
principalmente por dois aspectos:
a) Maior parte de seu acervo compreende publicações periódicas;

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b) Mais do que a quantidade de materiais em acervo é a informação o seu
maior capital.
Está claro que uma das funções da biblioteca especializada é disponibilizar
informações de áreas específicas do conhecimento ou grupo de conhecimento,
atendendo as necessidades de informações dos usuários para desenvolver suas
pesquisas.
3.1 BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
A criação da Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
está inserida no regimento desde o ano de 1961, mas só começou-se a criação a
partir de 11 de agosto de 1967.
Em 1976 foi que se teve início ao processo de estruturação e implantação da
Biblioteca no prédio onde se encontra hoje próxima a Reitoria da UFPB no campus I,
a partir da junção das treze bibliotecas setoriais.
A Biblioteca Central é formada pela Diretoria, Vice-Diretoria, Secretaria
Administrativa, Setor de Contabilidade e por 3 (três) Divisões, que subdividem-se em
11(onze) Seções:
a) Divisão de Desenvolvimento de coleções (DDC): Seção de compras,
Seção de intercâmbio e Seção de seleção;
b) Divisão de Processos técnicos (DPT): Seção de Catalogação e
Classificação e Seção de manutenção do Patrimônio Documental;
c) Divisão de Serviço ao usuário (DSU): Seção de referência, Seção de
Periódicos, Seção de coleções especiais, Serviço Braille, Seção de circulação,
Seção de Multimeios e Seção de informação e documentação (SID).
A Biblioteca Central tem como missão dar suporte informacional aos
programas de ensino, pesquisa e extensão da UFPB, funciona de Segunda-feira a
Sexta-feira das 7hrs30min as 22hrs e nos sábados de 8hrs as 13hrs.
4 O SURDO NA SOCIEDADE: desde os tempos passados até hoje
Na idade antiga acreditava-se que os surdos se comunicavam em segredo
com os Deuses. Havia um forte sentimento humanitário e de respeito, protegiam e

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tributavam aos surdos à adoração. No entanto, os surdos tinham vida inativa e não
eram educados.
Na idade Média não davam tratamento digno aos surdos, eles eram sujeitos
estranhos e motivo de curiosidade da sociedade. Aos surdos era proibido receber a
comunhão por serem considerados incapazes de confessar seus pecados e também
havia decretos bíblicos contra o casamento de duas pessoas surdas, só sendo
permitidos aqueles que recebiam autorização do Papa.
Existiam leis que proibiam os surdos de receber heranças e votar, enfim, de
todos os direitos como cidadãos.
Na idade Contemporânea Jean Marc Gaspard Itard Médico cirurgião e
psiquiatra alienista francês, se torna médico residente do instituto Nacional de
Surdos em Paris. Estudou junto com Philipe Pinel, seguindo os pensamentos do
filósofo Condillac, para quem as sensações eram a base para o conhecimento
humano e que reconhecia somente a experiência externa como fonte de
conhecimento.
Para descobrir as causas visíveis da surdez, Itard: dissecou cadáveres de
surdos; aplicou cargas elétricas nos ouvidos de surdos; furou as membranas
timpânicas de alunos (um aluno morreu por esse motivo); fez várias experiências e
publicou artigos sobre uma técnica especial para colocar cateteres no ouvido de
pessoas com problemas auditivos, tornando-se famoso e dando nome á Sonda de
Itard; fraturou o crânio de alguns alunos; infeccionou pontos atrás das orelhas deles
e usou sanguessugas dentro dos ouvidos.
Em 1821, Itard publicou o livro “Tratando das doenças do ouvido e da
audição”, no qual considerava o surdo primitivo do ponto de vista emocional e
intelectual.
No Brasil, em 2006 foi iniciado o primeiro curso universitário de
Letras/LIBRAS na modalidade Licenciatura (formação de professores de LIBRAS) da
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em Florianópolis-SC e mais pólos
em outros estados.
Em 2008 iniciou-se também o primeiro curso universitário de Letras/LIBRAS
Bacharelado (formação de tradutores e intérpretes) em Florianópolis- SC.
Na UFPB a primeira turma a ingressar no curso de Letras/LIBRAS ocorreu em
2010.

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Um ponto interessante de mencionar, é que cada vez mais os surdos estão
adentrando no universo acadêmico da Universidade.
Em 2013 na UFPB constatou-se que há 141 (cento e quarenta e um) alunos
matriculados que se declararam deficiente auditivo/parcial ou surdo/usuário de
LIBRAS, como mostra a figura abaixo.
Figura 1 – Quantidade de alunos matriculados na UFPB por deficiência

Fonte: NTI-UFPB, 2013.

Acredita-se que essa quantidade de alunos com algum grau de deficiência
auditiva ingressando na Universidade pode ser resultado das políticas de cotas da
instituição.
4.1 SURDO, SURDO-MUDO OU DEFICIENTE AUDITIVO?
A maioria dos ouvintes desconhece a carga semântica que os termos mudo,
surdo - mudo e deficiente auditivo evocam. É facilmente observável que, para muitos
ouvintes alheios á discussão sobre a surdez, o uso da palavra surdo pareça imprimir

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mais preconceito, enquanto o termo deficiente auditivo parece-lhes ser mais
politicamente correto:
É incorreto dizer surdo-mudo ou que o surdo é mudo. Ele não é mudo, pois
as pessoas não apresentam deficiência ou limitações no aparelho fonador.
Apague esta ideia. É um termo pejorativo, inadequado e sem fundamento
científico. Muitas pessoas surdas não falam porque não aprenderam a falar,
outras fazem a leitura labial e outras não. Os surdos podem aprender a falar
se forem estimulados junto ao profissional de fonoaudiologia. (VELOSO;
MAIA, 2012, p. 19)

O termo surdo é visto, pela grande maioria das pessoas, como uma maneira
ofensiva de se dirigir ao sujeito que tem perda auditiva. Devido a isso, preferem
utilizar uma forma mais suave e optam por chamá-lo de deficiente auditivo.
Entretanto, esta forma suave pode ser considerada até mesmo agressiva para
os surdos. Eles preferem ser chamados de surdos. Deficiente remete a não ser
capaz, insuficiente, insatisfatório.
Infelizmente, o povo surdo tem sido encarado em uma perspectiva
exclusivamente fisiológica (déficit de audição), dentro de um discurso de
normalização e de medicalização, cujas nomeações, como todas as outras,
imprimem valores na forma como o outro é significado e representado. Os
preconceitos podem estar disfarçados até mesmo nos discursos que dizem assumir
a diferença e a diversidade.
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O SURDO COMO USUÁRIO DA INFORMAÇÃO
Com o aumento das novas tecnologias o comportamento do usuário vem se

modificando cada vez mais, para tanto, Costa e Ramalho (2010) ressaltam desde o
fenômeno da explosão informacional que novas relações foram manifestadas e,
diante delas, um sentimento humano foi provocado, ou melhor, potencializado: a
“ansiedade da informação” (COSTA; RAMALHO, 2010, p. 58) caracterizada por
fenômenos somáticos comportamentais instaurados em face da informação em
contextos como: necessidade, vontade, falta, excesso, presença, uso.
Muitos usuários possuem dificuldades para acessar a informação, para
localizar a base de dados mais adequada para um determinado tipo de pesquisa e o
tipo de publicação indexado pela base de dados. Outro problema que merece
destaque é a falta de profissionais adequados para ajudar e facilitar na busca a essa
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informação. De acordo com Silva et al (2007, p. 107) o usuário da informação pode
ser definido como:
Aquele indivíduo, grupo ou entidade que utiliza os serviços prestados por
uma biblioteca, centros de informação, arquivos, entre outras fontes, e deles
tiram algum proveito, modificam suas estruturas cognitivas, comportamentos
e desenvolvimento pessoal.

Segundo Lima (1994) existem algumas vertentes em relação ao usuário.
Primeiro, a biblioteca/unidade de informação teria que se articular junto ao sistema
para fornecer condições adequadas para o usuário recuperar a informação desejada
com êxito. Se há obstáculos em recuperar a informação pelos os usuários comum,
imagina quando a situação é com os surdos.
De modo geral as bibliotecas não dispõem de materiais informacionais para
atender os usuários surdos. Pelo fato de o acervo das bibliotecas se constituírem
predominantemente por materiais tradicionais, concebidos em linguagem escrita
como livro e periódico, as pessoas surdas que não dominam a língua escrita
encontram dificuldade no acesso a informação disponibilizada pelas unidades de
informação.
É neste sentido que Portela Miguel e Portela Daniel (2011, p. 57) apontam
para reforçar a necessidade de um acervo com informação mais visual, mais
recursos audiovisuais adaptados, legenda detalhada e janela com intérprete em
atenção a esse público.
Para essa comunidade o acesso a informação e comunicação têm
especificidades que devem ser observadas para garantir o desempenho social
desses sujeitos. Neste sentido o Decreto n° 5.626 de 22 de dezembro de 2005,
capítulo IV art. 14 diz que:
As instituições federais de ensino devem garantir, obrigatoriamente, às
pessoas surdas acesso à comunicação, à informação e à educação nos
processos seletivos, nas atividades e nos conteúdos curriculares
desenvolvidos em todos os níveis, etapas e modalidades de educação,
desde a educação infantil até a superior.

Esse contexto permite observar que as necessidades de serviços qualificados
para o grupo de usuários surdos faz parte de praticamente todos os setores da
esfera social. Da mesma forma que as pessoas comuns precisam de serviços
qualificados, os surdos também e de acordo com as suas necessidades e limitações.
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Ainda conforme o decreto referido acima no capítulo VIII art. 26 “as
instituições de que trata o caput devem dispor de, pelo menos, cinco por cento de
servidores, funcionários e empregados capacitados para o uso e interpretação da
LIBRAS”.
A excelência no atendimento reflete na satisfação das reais necessidades
informacionais dos usuários. No caso de clientes surdos é primordial que a unidade
de informação disponha de profissionais conhecedores da Língua Brasileira de
Sinais (LIBRAS) para oferecer seus serviços com eficiência e eficácia.
6 METODOLOGIA
Caracteriza-se uma pesquisa exploratória, do tipo descritiva com abordagem
qualiquantitativa, com pesquisas em bases bibliográficas e eletrônicas como ainda a
utilização de relatos de experiência, podendo assim entender e conhecer
terminologias e conceitos voltados às pessoas com necessidades especiais,
podendo estabelecer um ponto de partida para os questionamentos, possibilitando a
aplicação de questionário em uma Biblioteca universitária na cidade de João
Pessoa/PB, mais especificamente com os bibliotecários de uma Divisão da
biblioteca.
O local de pesquisa escolhido fora a Divisão Serviço ao Usuário (DSU) da
Biblioteca Central da UFPB, a escolha do local se deu em vista da capacitação da 1ª
turma de LIBRAS da UFPB com bibliotecários da supracitada biblioteca, bem como
por se tratar de uma Divisão com setores que trabalham diretamente com o
atendimento ao usuário.
Os sujeitos da pesquisa foram os Bibliotecários da DSU da Biblioteca Central
da UFPB. A BC possui 35 bibliotecários ao total, na DSU trabalham
aproximadamente

20

(vinte),

desses

apenas

13

(treze)

responderam

ao

questionário. (SIC)
O instrumento utilizado para coleta de dados fora um questionário com 7
(sete) questões, sendo 6 (seis) fechadas e 1 (uma) aberta, o questionário fora
aplicado com os bibliotecários in loco sem tempo limite para responder.
Após a coleta e análise dos dados, foi possível visualizar várias informações
pertinentes, o que resultou na análise e interpretação dos dados.

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7 7 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
Conforme o Gráfico 1 a maioria dos bibliotecários que atuam diretamente com
atendimento ao usuário são do sexo feminino.
Gráfico 1 – Perfil dos bibliotecários (sexo)

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

Podemos afirmar que a equipe de atendimento é composta por bibliotecários
que possuem mais de 43 (quarenta e três) representando 77% (setenta e sete por
cento) conforme Gráfico 2.
Gráfico 2 – Perfil dos bibliotecários (Idade)

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

Quanto a ter feito curso de LIBRAS, 9 (nove)/69% (sessenta e nove por
cento) afirmaram não ter feito e apenas 4 (quatro)/31% (trinta e um por cento) dos
indivíduos afirmaram ter feito.

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Gráfico 3 – Já fez curso de LIBRAS?

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

Mesmo com a informação do Gráfico 3, onde 4 (quatro) que equivale 31%
(trinta e um por cento) dos bibliotecários que afirmaram ter feito o curso de LIBRAS,
apenas 2 (dois)/15% (quinze por cento) afirmam que conseguem se comunicar com
o usuário surdo utilizando essa língua e 11 (onze)/85% (oitenta e cinco por cento)
afirmam não conseguirem se comunicar utilizando-a, conforme mostra o gráfico 4.
Gráfico 4 – Se comunica em LIBRAS com os Surdos?

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

Um dado espantoso é o fato de que nenhum bibliotecário afirmou estar
preparado para atender um usuário surdo, conforme Gráfico 5. O grupo considera
esse dado alarmante, uma vez que a Biblioteca Central possui 30 (trinta) anos de
funcionamento e aproximadamente 20 (vinte) bibliotecários que atuam diretamente
no atendimento.

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Gráfico 5 – Está preparado para atender um usuário surdo?

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

Mesmo com a afirmativa de não estarem preparados para atender um usuário
surdo, duas pessoas afirmaram que a Biblioteca Central está preparada para
atender o usuário surdo, gráfico 6. Esse dado se contradiz com o anterior.

Gráfico 6 – A BC/UFPB está preparada para atender ao usuário surdo?

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.

Conforme mostra o Gráfico 7 a comunicação/compreensão é a dificuldade
mais encontrada pelos entrevistados, sendo 62% (sessenta e dois por cento).
Gráfico 7 – Dificuldade encontrada no processo de mediação com o usuário surdo?

Fonte: Dados da pesquisa, 2013.
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8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após leitura e análise da revisão de literatura e dos dados coletados, é
possível tecer as seguintes considerações:
É perceptível que o surdo já representa uma parcela considerável na UFPB e
na BC-UFPB, porém a realidade que percebeu-se é incompatível com a demanda
que se apresenta, ao menos no tocante a capacitação/habilidades dos bibliotecários
que atuam no atendimento/na mediação da informação com o usuário.
Os dados obtidos nessa pesquisa são alarmantes uma vez que nenhum
bibliotecário entrevistado afirmou estar preparado para atender um usuário surdo,
essa afirmativa se torna mais assustadora quando consideramos que a UFPB possui
87 (oitenta e sete) estudantes surdos e usuários de LIBRAS, conforme dado do
Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI/UFPB) conforme demonstrado na figura 1.
Um dado ainda não compreendido em sua totalidade pelo grupo é o fato de
que dois bibliotecários afirmaram que a BC está preparada para atender o usuário
surdo. Acreditamos que essas afirmativas sejam em vista de que os cursos de
LIBRAS ofertados às equipes do Sistema de Bibliotecas não eram exclusivos para
Bibliotecários, podendo existir na equipe outras pessoas com algum conhecimento
da Língua Brasileira de Sinais. Ressaltamos que essa afirmativa é apenas uma
especulação do grupo, pois essa incoerência só foi percebida após a tabulação dos
dados e os questionários não eram identificados.
Podemos afirmar que por mais que existam dados afirmando que a BC está
preparada para atender um usuário surdo, é notório que essa afirmação não condiz
com o nível de capacitação dos bibliotecários em LIBRAS.
Por mais que existam outros servidores que consigam se comunicar em
LIBRAS com um usuário, é extremamente importante que o bibliotecário também
possua essa habilidade, uma vez que esse profissional é o responsável e que
responde diretamente pela gestão dos serviços de uma unidade informação, como
ainda pelo processo de mediação da informação.
É sabido pela comunidade biblioteconômica que há na BC outros
bibliotecários com conhecimentos em LIBRAS, contudo, não estão lotados em
setores de atendimento direto aos usuários, uma vez que há 7 (sete) bibliotecários
na lista dos alunos da 1ª Turma de LIBRAS da UFPB e que ao menos 3 (três) dos
que concluíram estão lotados na Biblioteca Central.
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O resultado demonstra que os bibliotecários lotados na DSU da Biblioteca
Central da UFPB não estão preparados para atender / se comunicar com um usuário
surdo, logo, pode-se afirmar que o processo de mediação da informação, com o
usuário surdo, não ocorre de forma satisfatória em vista da função do bibliotecário
em uma unidade de informação.
Sugere-se que como continuidade deste estudo, visto a importância e
necessidade, procurar saber as necessidades informacionais dos usuários surdos
que frequentam a Biblioteca Central UFPB como ainda uma análise detalhada da
gestão de competências na tomada de decisão para definição das lotações dos
bibliotecários a fim de aproveitar melhor os potenciais e conhecimentos da equipe
como ainda de tornar o atendimento da BC mais eficiente.
Outro ponto importante é que se percebe a necessidade da inclusão da
disciplina LIBRAS Instrumental como disciplina obrigatória na estrutura curricular do
curso de Biblioteconomia, uma vez que todos os que afirmaram terem feito/iniciado o
curso de LIBRAS o fizeram após concluírem a graduação.
REFERÊNCIAS
BIBLIOTECA CENTRAL. Histórico. Disponível em: &lt;http://www.biblioteca.ufpb.br/&gt;.
Acesso em: 20. mar. 2013.
BRASIL. Decreto n° 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei Nº
10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais –
Libras, e o art. 18 da Lei Nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Disponível em:&lt;
http://www.libras.org.br&gt;. Acesso em: 07 abr. 2013.
CAPELÂO, Letícia. Deficiente auditivo ou surdo ou surdomudo. Disponível em:
&lt;http://parasurdos.blogspot.com.br/2010/07/deficiente-auditivo-ou-surdo.html&gt;.
Acesso em: 29. mar. 2013.
COSTA, Luciana Ferreira da, RAMALHO, Francisca Arruda. Novas Perspectivas dos
Estudos de Satisfação de Usuários. Enc. Bibli: Arquivol. Bibliotecon. Ci. Inf.,
Florianópolis, v. 15, n. 30, p.57-73, 2010. ISSN 1518- 2924.
DANTAS, C. da S.; SILVA, T. V. G. da; SOUZA, A. C. B. Processo de Recuperação
da Informação: barreiras encontradas pelos usuários. In ENCONTRO REGIONAL
DE ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO, CIENCIA E
GESTÃO DA INFORMAÇÃO, 15, 2012, Juazeiro do Norte. Anais... Juazeiro do
Norte: Erebd, 2012.
FERREIRA, Lusimar Silva. Bibliotecas universitárias brasileiras: análise de
estruturas centralizadas e descentralizadas. São Paulo: Pioneira, 1980.
14

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GESSER, A. O surdo: surdo, surdo-mudo ou deficiente auditivo? In: ______.
LIBRAS? Que língua é essa?: crenças e preconceitos em torno da língua de sinais
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              <text>Pesquisa exploratória, que apresenta um panorama sobre a temática da pessoasurda contextualizando esses indivíduos no âmbito da Universidade Federal daParaíba – UFPB, concentrando atenção sob a potencialidade desses estudantes naBiblioteca Central. Utilizou-se questionário presencial aos bibliotecários que atuamdiretamente nos serviços de atendimento aos usuários da Biblioteca Central daUFPB, mais exatamente aos lotados na Divisão de Serviços aos Usuários visandoobter um mapeamento das habilidades e dificuldades encontradas por essesprofissionais no atendimento à pessoa surda. </text>
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