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                  <text>Trilha dos sentidos - encontro com a natureza: relato de
experiência de um projeto de extensão da Biblioteca Setorial da
Pós-Graduação em Educação Ambiental Sala Verde Judith Cortesão
da Universidade Federal do Rio Grande

Cibele Vasconcelos Dziekaniak (FURG) - cibelevasconcelos@gmail.com
Resumo:
Relata a experiência da Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental Sala
Verde Judith Cortesão da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) no desenvolvimento de
um projeto de extensão de Educação Ambiental denominado “Trilha dos sentidos: encontro
com a natureza”. Descreve o projeto em relação ao seu público-alvo, objetivos, metodologia e
resultados atingidos. A Trilha dos Sentidos trabalha com o imaginário dos participantes e
proporciona um momento de debate e reflexão sobre as responsabilidades dos indivíduos e as
consequências de suas ações em relação à preservação ambiental. O projeto foi um elemento
importante para o cumprimento da missão da Sala Verde da FURG, no que diz respeito ao
desenvolvimento de ações educacionais voltadas à questão ambiental, uma vez que cumpriu
papel dinamizador, articulador e integrador dos diversos segmentos da sociedade. Os
resultados atingidos foram satisfatórios, uma vez que o projeto atingiu a sensibilização dos
alunos das séries iniciais e comunidade em geral em relação à preservação ambiental, além de
ter possibilitado aos professores, alunos de graduação e pós-graduação tornarem-se
multiplicadores da ação.
Palavras-chave: Meio ambiente. Educação Ambiental. Preservação ambiental. Projeto de
extensão. Sala Verde.
Área temática: Temática III: Bibliotecas, serviços de informação &amp; sustentabilidade

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Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Trilha dos sentidos - encontro com a natureza: relato de experiência de um
projeto de extensão da Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação
Ambiental Sala Verde Judith Cortesão da Universidade Federal do Rio Grande
Resumo:
Relata a experiência da Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação
Ambiental Sala Verde Judith Cortesão da Universidade Federal do Rio Grande
(FURG) no desenvolvimento de um projeto de extensão de Educação Ambiental
denominado “Trilha dos sentidos: encontro com a natureza”. Descreve o projeto em
relação ao seu público-alvo, objetivos, metodologia e resultados atingidos. A Trilha
dos Sentidos trabalha com o imaginário dos participantes e proporciona um
momento de debate e reflexão sobre as responsabilidades dos indivíduos e as
consequências de suas ações em relação à preservação ambiental. O projeto foi um
elemento importante para o cumprimento da missão da Sala Verde da FURG, no
que diz respeito ao desenvolvimento de ações educacionais voltadas à questão
ambiental, uma vez que cumpriu papel dinamizador, articulador e integrador dos
diversos segmentos da sociedade. Os resultados atingidos foram satisfatórios, uma
vez que o projeto atingiu a sensibilização dos alunos das séries iniciais e
comunidade em geral em relação à preservação ambiental, além de ter possibilitado
aos professores, alunos de graduação e pós-graduação tornarem-se multiplicadores
da ação.
Palavras-chave: Meio ambiente. Educação Ambiental. Preservação ambiental.
Projeto de extensão. Sala Verde.
Área Temática: Bibliotecas, serviços de informação e sustentabilidade.

1 INTRODUÇÃO
A questão ambiental ultrapassou o parcialismo e passou a ser transversal nas
diversas áreas do conhecimento. A compreensão, conscientização e a própria ação
em prol do meio ambiente dependem efetivamente da concentração de esforços,
inclusive, do profissional bibliotecário.
A responsabilidade ambiental dos profissionais da informação vem ganhando
espaço e sendo debatida com maior ênfase. Este engajamento se propagou e
ganhou forças, principalmente, depois da Conferência das Nações Unidas sobre
Meio Ambiente e Desenvolvimento, celebrada no Rio de Janeiro em 1992, em que
foi aprovada a Agenda 21, a qual dedicou o capítulo 40 - Informação para a Tomada
de Decisões - para tratar da importância da informação no desenvolvimento
sustentável.

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Para alguns autores, a informação ambiental é um dos pontos-chave para a
efetivação da Educação Ambiental. Mousinho (2003, p. 158) define Educação
Ambiental como:
Processo em que se busca despertar a preocupação individual e
coletiva para a questão ambiental, garantindo o acesso à informação
em linguagem adequada, contribuindo para o desenvolvimento de
uma consciência crítica e estimulando o enfrentamento das questões
ambientais e sociais. Desenvolve-se num contexto de complexidade,
procurando trabalhar não apenas a mudança cultural, mas também a
transformação social, assumindo a crise ambiental como uma
questão ética e política.

Sendo assim, o bibliotecário pode ser visto como um elemento importante nos
processos de construção do conhecimento e de acesso/disseminação/mediação da
informação ambiental, haja vista seu foco de atuação, a informação. Segundo Sousa
(2010, p. 1), a informação ambiental pode ser vista como o “insumo básico para a
práxis da Educação Ambiental”. Para Vieira (1992, p. 2) “é base e aliada da
Educação e tem como objetivo a conscientização e a mobilização social”.
Neste contexto, surge o Projeto Sala Verde do Ministério do Meio Ambiente
(MMA), coordenado pelo Departamento de Educação Ambiental do MMA e que visa
incentivar a implantação de espaços socioambientais, a fim de que se tornem
potenciais centros de informação e formação ambiental. O projeto foi concebido
inicialmente com foco no caráter “biblioteca verde” que estes espaços poderiam
assumir e, a partir do desenvolvimento e da evolução do projeto, visualizaram-nas
como espaços com múltiplas potencialidades, que além da disponibilização e
democratização do acesso às informações, pudessem desenvolver atividades
diversas de Educação Ambiental (MMA, 2003).
Por meio do Projeto Sala Verde1 gerou-se uma oportunidade para o
bibliotecário atuar como educador ambiental, além de difusor e mediador da
informação ambiental, uma vez que o projeto dispõe de uma série de
potencialidades, tais como: ambientais, culturais, sociais, informacionais, de
pesquisa, articuladoras, dentre outras. Pode-se dizer que este projeto tornou-se um
meio facilitador para a aplicação prática dessas ações e uma oportunidade para o
exercício da responsabilidade ambiental e desenvolvimento social do profissional,
1

Atualmente, estão cadastradas no site do Ministério do Meio Ambiente 159 Salas Verdes
em todo o território brasileiro. Sendo, 42 na Região Sul, 53 na Região Sudeste, 08 na
Região Norte, 34 na Região Nordeste e 22 na região Centro-Oeste. Encontra-se em
processo de seleção, por meio de edital, 100 novas vagas (MMA, 2013).

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podendo auxiliar no fortalecimento da discussão e tomada de decisão em busca de
um desenvolvimento sustentável.
Percebe-se, atualmente, que diversos bibliotecários começaram a atuar como
difusores e mediadores da informação ambiental em diversas Salas Verdes e
excelentes trabalhos vêm sendo desenvolvidos nesse sentido. Entretanto, não há
exigência e nem obrigatoriedade de um profissional bibliotecário no momento da
implantação do Projeto Sala Verde pela instituição requerente e, sendo assim, cabe
ao

profissional

bibliotecário

conquistar

seu

espaço,

bem

como

adquirir

conhecimento/formação para também se tornar um educador ambiental.
Após dois anos de existência do Projeto Sala Verde, a Universidade Federal
do Rio Grande (FURG) e seu Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental
(PPGEA) foram contemplados no Edital 1/2005 do referido projeto. Em 2006, além
de Sala Verde, tornou-se Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação
Ambiental Sala Verde “Judith Cortesão” e passou a contar com a coordenação de
um bibliotecário com dedicação exclusiva.
Compõem seu acervo as obras da Profª. Drª. Judith Cortesão - doadas por
sua família após falecimento da nobre ambientalista, obras publicadas pelo
Ministério do Meio Ambiente, teses e dissertações defendidas no PPGEA,
aquisições realizadas pelo Sistema de Bibliotecas da FURG e doações diversas,
com ênfase em Ecologia, Educação, Educação Ambiental e Meio Ambiente.
Entretanto, após a organização técnica de todos os materiais bibliográficos,
sentiu-se a necessidade de efetivas ações/atividades práticas de Educação
Ambiental junto à comunidade acadêmica e comunidade em geral, levando-as
também para além das fronteiras da FURG, a fim de cumprir com sua missão
enquanto Sala Verde.
Segundo o MMA (2003), as Salas Verdes têm como missão desenvolver
projetos, ações e programas educacionais voltados à questão ambiental, cumprindo
papel dinamizador, articulador e integrador, devendo viabilizar iniciativas que
propiciem a participação dos diversos segmentos da sociedade na gestão ambiental
e que caminhem em direção à sustentabilidade e é nesse sentido que a Sala Verde
da FURG tem procurado desenvolver suas atividades.
Dessa forma, no ano de 2012, foi desenvolvido o projeto de extensão “Trilha
dos sentidos: encontro com a natureza”, a fim de incentivar a participação da
comunidade em ações/atividades práticas de Educação Ambiental. O detalhamento

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metodológico do projeto, objetivos e os resultados obtidos serão apresentados a
seguir.
2

PROJETO DE EXTENSÃO TRILHA DOS SENTIDOS - ENCONTRO COM A
NATUREZA
“Trilha dos sentidos: encontro com a natureza” é um projeto de extensão,

submetido ao Edital PROEXC/FURG 01/2012 - Fluxo contínuo das ações de
extensão

2012,

protocolo

123157.477.54542.31122012,

desenvolvido

e

implementado pela equipe da Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação
Ambiental Sala Verde Judith Cortesão da FURG.
No referido projeto se trabalhou, de forma lúdica e curiosa, a conscientização
e sensibilização em relação à preservação do meio ambiente, não só com a
comunidade acadêmica, mas também com a comunidade em geral, sendo
realizadas duas edições da Trilha no ano de 2012.
O objetivo principal do projeto foi sensibilizar os participantes para a formação
de uma consciência ecológica, a fim de possibilitar a reflexão e construção do
pensamento/ação ambiental, proporcionando aos participantes um conjunto de
experiências e situações práticas, por meio do estimulo dos sentidos e da
imaginação. Com isso, procurou-se também despertar nos participantes o senso de
responsabilidade individual e coletiva em relação à preservação do meio ambiente e
debater as consequências de suas ações.
3 METODOLOGIA
A “Trilha dos sentidos” trabalha com o imaginário dos participantes. Para isso,
é montado um ambiente simulador de floresta, em forma de trilha. Neste espaço são
distribuídos diferentes recursos naturais (areia, pedras, conchas, pinhas, alimentos,
água, grãos, diversas espécies de plantas, árvores, frutas, folhas e flores). O cheiro
dos recursos naturais aguça, inclusive, o olfato dos participantes. Todos os recursos
naturais são da região, a fim de se trabalhar de forma contextualizada com o
ambiente em que os participantes estão inseridos.
Também são reproduzidos, por meio do computador, sons da natureza (sons
dos pássaros cantando e de diversos animais, de cachoeira, da chuva caindo, do
vento soprando), bem como são introduzidos neste ambiente “natural” objetos

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eletrônicos (celular, calculadora, computador...) e materiais recicláveis (plásticos,
vidros, sacos, garrafas...).
O participante, com os olhos vendados, toca com o corpo, mãos e pés os
materiais espalhados pela sala, estimulado a sentir o que realmente faz parte da
natureza, o que tem vida, o que é produzido pelo homem, o que é poluente e jogado
na natureza, o que pode ser reciclado, entre outros questionamentos. Ao final da
trilha, retira-se a venda dos olhos do participante, que deve ler um cartaz com a
seguinte pergunta: Quem é responsável pela preservação do meio ambiente? Após
a leitura, o participante é virado para um espelho, onde sua imagem é refletida.
Automaticamente entende a resposta: “você”.
Posteriormente, se estabelece uma conversa informal com os participantes
sobre desenvolvimento sustentável, reciclagem, preservação ambiental, entre outras
temáticas, conforme faixa etária e curiosidades. Os participantes registram suas
sensações e sentimentos em um mural. As crianças que ainda não estão
alfabetizadas também as registram em forma de desenhos. O mural e os desenhos
são expostos do lado de fora da trilha, o que desperta ainda mais a curiosidade do
público em geral, compartilhando-se assim o que foi sentido e vivenciado na 'Trilha
dos Sentidos' e estimulando a participação de novas pessoas na atividade.
O público-alvo escolhido na primeira edição da Trilha foram os alunos das
séries iniciais do Centro de Atenção Integral à Criança – CAIC-FURG, com o objetivo
de despertar a sensibilização e conscientização ambiental nas séries iniciais, além
de oferecer também a atividade para os servidores, professores e alunos de
graduação e pós-graduação da universidade.
A segunda edição da Trilha dos Sentidos foi realizada no V CPEASUL Colóquio de Pesquisadores em Educação Ambiental da Região Sul e IV EDEA Encontro e Diálogos com a Educação Ambiental, eventos organizados pelo
Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental da FURG, devido ao grande
público de toda a Região Sul do Estado que se faria presente, além de participantes
de outros países (Colômbia, Argentina, Uruguai, Chile, entre outros) e das escolas
municipais. Durante as duas edições, participaram da Trilha 256 pessoas.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

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A atividade de promover um encontro dos participantes da Trilha com a
natureza, aguçando seus sentidos e imaginação gerou resultados muito positivos,
uma vez que proporcionou um momento de debate e reflexão sobre as
responsabilidades dos indivíduos e as consequências de suas ações em relação à
preservação ambiental. Comprova-se isso no momento em que os participantes
fazem seus relatos no mural, por escrito, de suas sensações e aprendizados durante
a atividade, assim como as crianças, em forma de desenhos.
Os resultados atingidos com o público-alvo escolhido foram satisfatórios,
sendo possível despertar a sensibilização em relação à preservação ambiental nas
séries iniciais, além de ter possibilitado aos professores, alunos de graduação, pósgraduação tornarem-se multiplicadores da ação. Alguns participantes relataram a
intenção de levar a atividade para suas escolas, regiões e Estados. Outros
cogitaram a possibilidade da equipe da Biblioteca Sala Verde levar a atividade para
as escolas locais.
Sendo assim, o projeto foi uma grande oportunidade para se trabalhar ações
de Educação Ambiental e de responsabilidade social, de forma lúdica, promovendo
uma sensibilização inicial, desde as crianças, até os adolescentes e adultos.
Futuramente, pretende-se levar o projeto Trilha dos Sentidos para as feiras da
cidade de Rio Grande/RS (Feira do Livro, FEARG, Expofeira, entre outras).
O projeto de extensão Trilha dos Sentidos tornou-se um elemento importante
para o cumprimento da missão da Sala Verde da FURG, no que diz respeito ao
desenvolvimento de ações educacionais voltadas à questão ambiental, pois cumpriu
papel dinamizador, articulador e integrador dos diversos segmentos da sociedade.

REFERÊNCIAS
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE (MMA). Secretaria de Articulação Institucional e
Cidadania Ambiental. Departamento de Educação Ambiental. Projeto Sala Verde.
2003. Disponível em: &lt;http://www.mma.gov.br/educacaoambiental/educomunicacao/salas-verdes#oprojeto&gt;. Acesso em: 15 mar. 2012.
______. Salas Verdes no Brasil. 2013. Disponível em:
&lt;http://www.mma.gov.br/publicador/item/8837-salas-verdes-no-brasil&gt;. Acesso em:
15 abr. 2013.

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MOUSINHO, Patrícia. Glossário. In: TRIGUEIRO, A. (Coord.) Meio ambiente no
século 21. Rio de Janeiro: Sextante. 2003.
SOUSA, Tiago Lincka de. O bibliotecário como educador ambiental. RevIU: Revista
Informação &amp; Universidade, Rio de Janeiro: CBBU, v. 2, n. 1, 2010.
VIEIRA, Anna da Soledade. Meio ambiente e desenvolvimento sustentável: fontes
para compreensão do discurso político-ambiental do governo brasileiro. Ciência da
Informação, Brasília, v. 21, n. 1, p. 7-13, jan./abr., 1992.

7

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