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                  <text>Qualidade da Informação: elaboração de uma sistemática para
diagnóstico

Antonio Carlos Santos Silva (UFSCar) - antoniocss@hotmail.com
Roniberto Morato do Amaral (UFSCar) - roniberto@nit.ufscar.br
Resumo:
A informação tornou-se fundamental para o desempenho organizacional e a tomada de
decisões mais racionais e sustentáveis acerca dos processos de trabalho e competitivos no
contexto organizacional. Com base no modelo de qualidade apresentado por Albrecht (1999),
este trabalho tem como objetivo geral enfatizar a competência de cientista da informação em
elaborar uma sistemática para o diagnóstico e avaliação da qualidade da informação no
contexto organizacional. Para atingir esse objetivo foi utilizado o método de pesquisa estudo
de caso exploratório e a unidade caso foi uma organização prestadora de serviços baseados
em informação, localizada em uma cidade do interior paulista. Os resultados obtidos foram: 1]
proposta de uma sistemática para o diagnóstico e avaliação da qualidade da informação no
contexto organizacional; 2] Mapeamento do fluxo de informação da unidade caso; 3]
Identificação dos postos de trabalho chave e das suas necessidades informacionais; 4] Coleta e
análise das percepções dos trabalhadores da unidade caso sobre qualidade da informação.
Conclui-se com base nos resultados alcançados, que os conhecimentos gerados neste trabalho
podem contribuir para a eficiência e eficácia da atuação das organizações que prestam
serviços baseados em informação ao prover uma sistemática que viabiliza o diagnóstico e
avaliação da qualidade da informação no contexto organizacional.
Palavras-chave: . Fluxo de Informação. Qualidade da Informação.
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil,
07 a 10 de julho de 2013

Qualidade da Informação: elaboração de uma sistemática para diagnóstico

Resumo
A informação tornou-se fundamental para o desempenho organizacional e a tomada
de decisões mais racionais e sustentáveis acerca dos processos de trabalho e
competitivos no contexto organizacional. Com base no modelo de qualidade
apresentado por Albrecht (1999), este trabalho tem como objetivo geral enfatizar a
competência de cientista da informação em elaborar uma sistemática para o
diagnóstico e avaliação da qualidade da informação no contexto organizacional.
Para atingir esse objetivo foi utilizado o método de pesquisa estudo de caso
exploratório e a unidade caso foi uma organização prestadora de serviços baseados
em informação, localizada em uma cidade do interior paulista. Os resultados obtidos
foram: 1] proposta de uma sistemática para o diagnóstico e avaliação da qualidade
da informação no contexto organizacional; 2] Mapeamento do fluxo de informação
da unidade caso; 3] Identificação dos postos de trabalho chave e das suas
necessidades informacionais; 4] Coleta e análise das percepções dos trabalhadores
da unidade caso sobre qualidade da informação. Conclui-se com base nos
resultados alcançados, que os conhecimentos gerados neste trabalho podem
contribuir para a eficiência e eficácia da atuação das organizações que prestam
serviços baseados em informação ao prover uma sistemática que viabiliza o
diagnóstico e avaliação da qualidade da informação no contexto organizacional.
Palavras-chave: Informação. Fluxo de Informação. Qualidade da Informação.
Área Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação.

1. INTRODUÇÃO
As organizações operam em um ambiente em transformação, tornando o
processo produtivo cada vez mais complexo e competitivo, em uma dinâmica auto
alimentadora, na qual as mudanças tecnológicas decorrentes de inovações em
processos, produtos e serviços engendram necessidades que, por sua vez,
alimentam outras soluções, processos, produtos e serviços em uma dinâmica
contínua e interativa. Para enfrentar os atuais desafios desse ambiente complexo,
competitivo e dinâmico, se faz necessário manter-se em permanente processo de
melhoria. Nesse contexto, a informação tornou-se uma ferramenta fundamental para
o desempenho organizacional e a tomada de decisões mais racionais e sustentáveis
a cerca dos processos de trabalho e competitivos da organização (FLEISHER;
BENSOUSSAN, 2002).

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Para Calazans (2008) nas organizações a informação deve ser tratada como
produto a ser definido, medido, analisado e aperfeiçoado para que a necessidade de
informações dos usuários seja atendida. A autora afirma que a qualidade da
informação é a diferença entre o valor atribuído pelo usuário nas propriedades
presentes na informação e o padrão de qualidade desejável, pois os ambientes
informacionais, na maioria das empresas, de modo geral, possuem um desempenho
insatisfatório. Os recursos informacionais, se possuírem uma correta gerência,
sempre poderão ser mais bem distribuídos e aproveitados, ajudando, assim, as
empresas a se adaptarem às mudanças, tornando a informação mais significativa.
Em seus estudos Albrecht (1999) afirma que depois de aperfeiçoar a
qualidade de processos, produtos e serviços, é preciso unir forças para melhorar a
qualidade da informação. Pois, os prejuízos resultantes de informações erradas
podem ser enormes para a organização e para a sociedade. O autor cita uma série
de exemplos que realçam os transtornos da informação de má qualidade para as
organizações, o excesso de papéis com informações incompressíveis e redundantes
é um dos mais comuns. As atrocidades cometidas no campo das informações são
tão habituais nos negócios e nos órgãos governamentais que, normalmente, se
aceita sem protestos, parecendo normal e rotineiro. Ainda, segundo Karl Albrecht é
possível elaborar métodos a fim de medir a qualidade da informação nas
organizações e diminuir os graves prejuízos causados. Para isso, o autor apresenta
um modelo que compreende cinco dimensões: Logística dos dados, Proteção de
dados e realimentação, Apresentação da informação, Comportamento das pessoas
em relação à informação e Criação de conhecimento. Porém, para instrumentalizar o
modelo proposto por Albrecht (1999) se fazem necessários mais estudos, visando à
identificação de critérios e de referencias para a avaliação da qualidade da
informação no contexto organizacional.
Os profissionais da informação, em especial os atuantes na Ciência da
Informação, contemplam competências no tratamento da informação, vários
trabalhos demonstram tais competências Souza e Amaral (2011), Valetim e Woida
(2004) entre outros. Esses profissionais contribuem para a temática da melhoria da
qualidade da informação no contexto organizacional, ao fornecerem insights que
podem potencializar a instrumentalização de uma sistemática para a avaliação da
qualidade da informação no contexto organizacional, com base no modelo proposto
por Albrecht (1999).

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Sendo assim, a avaliação da informação é um instrumento de vital
importância para a qualidade dos serviços oferecidos. Esse instrumento pode ser
desenvolvido por intermédio do estabelecimento de padrões, medidas e indicadores,
os quais servirão de guias aos administradores no que se refere à avaliação da
qualidade dos processos, produtos e serviços (NASCIMENTO; FILHO, 2005).
2. FLUXO DE INFORMAÇÃO
O fluxo da informação é um processo de mediação da informação gerada por
uma fonte emissora e aceita por uma receptora, realizando uma das bases
conceituais da ciência da informação: a transmissão da informação do ponto A
(emissor) para o ponto B, C(receptores), etc (BARRETO,1998).
Pode-se definir fluxo de informação como conjunto de procedimentos
relacionados à veicular informação no seio de uma organização, na forma de
relatórios, jornais de empresa, correspondência administrativa, avisos, meios de
comunicação de massa e contatos pessoais de membros da organização com o
ambiente. O estudo dos fluxos de informação, pode-se compreender como a
informação flui, circula e é compartilhada, e como são constituídos os vínculos de
interação para colaboração. Os atores integram-se aos fluxos de informação quando
reconhecem a existência de opções da informação que estão circulando na rede,
selecionando as mais adequadas segundo o contexto em que se encontram. Deste
modo, tão importante quanto à oferta da informação é a capacidade de perceber o
que realmente é informação relevante, pois esta percepção pode tanto impulsionar
os fluxos existentes quanto propiciar o desenvolvimento de novos fluxos na rede
(SUGAHARA, 2007).
3. NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO
Alguns estudos mostram que, para o usuário buscar e usar informação deve
primeiro, estar consciente das fontes e serviços de informação disponíveis em seu
ambiente. As necessidades de informação são também influenciadas pela
organização dos sistemas, adequação do conteúdo às necessidades do usuário,
incluindo o formato, a quantidade e pela atualização das informações (DUARTE,
2000).

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Sendo assim, o aumento da eficiência e eficácia no trajeto percorrido pela
informação, o entendimento das necessidades informacionais dos clientes internos e
externos, assim como o aperfeiçoamento dos processos são fundamentais para
ganho significativo de produtividade e atingir um nível de qualidade perceptivo aos
olhos do cliente/usuário, sendo que, o termo qualidade pode ser relativo a cada
individuo pertencente ao ambiente organizacional.
4. QUALIDADE
Quando se pergunta a várias pessoas leigas, “O que é qualidade?”,
provavelmente serão recebidas várias respostas diferentes. A qualidade está ligada
a sentimentos subjetivos que refletem as necessidades internas de cada um. As
pessoas avaliam a qualidade pela aparência; Outras se voltam à qualidade do
material com que é feito o produto. Outras, ainda, avaliam a qualidade de algo pelo
preço.
A qualidade resgata o valor de quem trabalha, respeita o cliente e da
legitimidade social à organização. A qualidade, portanto não é apenas um
instrumento e uma técnica de venda de bens e serviços, nem uma simples tática de
redução de custos e de aumento de produtividade e competitividade. Ela tem
relação com o íntimo das pessoas e de toda a organização (GRIEBELER, 2006).
A qualidade existe aos olhos do consumidor e baseia-se em sua percepção e
em como suas necessidades são atendidas e satisfeitas. Existem muitas propostas
de medi-la e mensurá-la utilizando medidas básicas, isto só possível, pois se trata
de um conceito intangível. O 1º passo em direção a qualidade é entender seus
conceitos de forma a poder aplicá-los corretamente, visto que a definição do termo
depende do âmbito em que ocorre (CALAZANS, 2008).
Para caminharmos em direção à qualidade é preciso primeiramente entender
seus conceitos antes de avaliá-la, de forma a poder aplicá-los corretamente.
Observa-se que os consumidores/clientes definem qualidade como um produto, algo
tangível - um automóvel, uma peça de vestuário - mas poucos acrescentam serviços
a sua definição de produto de qualidade. A qualidade na prestação de serviços é de
vital importância para as organizações, mesmo para aquelas que não possuem
contato direto com o consumidor, pois assistência técnica, help desk via telefone em
ambiente on-line são considerados serviços essenciais para a satisfação do cliente.

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Diversos autores ressaltam a importância da qualidade em serviços como, por
exemplo: Nascimento (2005), Nogueira (2010), Chiavenato (2004), Longo (2003) e
Freitas (2008).
5. QUALIDADE EM SERVIÇOS
O conceito de serviços é de difícil definição. Além das atividades econômicas
de fácil identificação para o consumidor como sendo um serviço, cada dia mais os
serviços têm sido usados pelos fabricantes de produtos tangíveis para diferenciar
sua oferta. A qualidade em serviços tornou-se um importante tópico de pesquisa
dada a sua aparente relação com custos, lucratividade, satisfação do cliente,
retenção de clientes e marketing involuntário favorável, influenciando diretamente
nos resultados financeiros de uma organização (NOGUEIRA, 2010).
No setor de serviços, a qualidade ajuda a manter a confiança dos
consumidores, sendo essencial para a manutenção da vantagem competitiva da
organização. A prestação de serviços apresenta vários desafios aos gestores das
organizações, sendo que um dos desafios mais debatidos na literatura é a
impossibilidade controlar a qualidade de um serviço antes que ele chegue ao
consumidor (LONGO, 2003).
Uma forma de melhorar a qualidade dos produtos/serviços é através da
avaliação/observação do cliente interno, ou seja, o trabalhador possui uma visão
privilegiada de todos os processos que antecedem a fase final, a chegada ao cliente.
A capacidade de investir para melhorar os serviços provém da aprendizagem
contínua sobre as expectativas e percepções dos clientes e não-clientes. Assim, no
contexto organizacional os trabalhadores são clientes dos serviços internos,
portanto, as únicas pessoas capazes de avaliar a qualidade antes do produto/serviço
chegar ao cliente/consumidor final (NOGUEIRA, 2010).
No âmbito do setor de serviços, a qualidade é percebida e determinada pela
diferença entre o serviço esperado e o serviço percebido, ou seja, é a diferença
entre as expectativas e as necessidades do cliente em relação ao serviço e à
percepção do serviço pelo cliente. Para a compreensão correta do conceito da
qualidade percebida, precisa-se primeiro entender o que são necessidades,
expectativas, percepções e satisfação, e como estão relacionadas (CHIAVENATO,
2004). O quadro 1 detalha cada tópico:

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Percepções Expectativas Necessidades

Quadro 1 – Necessidades, expectativas e percepções.
Estado de desequilíbrio interno do indivíduo, que é resultado de uma privação da
satisfação.
A Teoria das necessidades de Maslow classifica as necessidades humanas em cinco
categorias: fisiológicas, de segurança, sociais, de estima e de auto-realização
Representam o que o cliente espera do serviço, sendo formadas a partir das
necessidades.
As expectativas podem ser mais ou menos exigentes que as reais necessidades.

Trata-se da visão do cliente sobre como o serviço foi prestado.
As percepções variam de pessoa para pessoa e também de acordo com a situação
específica, porém são importantes para determinar a qualidade percebida pelo cliente
em relação ao serviço como um todo, tanto o seu resultado como o processo que o
gerou.

Fonte: Adaptado de Chiavenato (2004).

A qualidade percebida determina o grau de satisfação do cliente em relação
ao serviço prestado. Existem três possibilidades na comparação das expectativas
(serviço esperado) e percepções do cliente (serviço percebido) o Quadro 2 ajuda a
compreender a satisfação como o resultado da comparação entre o serviço
esperado e o serviço recebido (CHIAVENATO, 2004):
Quadro 2 – Comparação entre expectativas e percepções
Expectativa

Menor que

Percepção

Gera

Qualidade ideal

=

Cliente muito
satisfeito

Expectativa

Igual

Percepção

Gera

Qualidade
satisfatória

=

Cliente satisfeito

Expectativa

Maior que

Percepção

Gera

Qualidade
inaceitável

=

Cliente insatisfeito

Fonte: Adaptado de Chiavenato (2004).

Griebeler (2006) afirma que clientes não compram bens ou serviços,
compram os benefícios que eles proporcionam. Quanto maiores e mais variados os
benefícios adicionados ao produto central, seja este um bem físico ou um serviço,
maiores as chances de alcançar melhor desempenho do que concorrentes com a
mesma qualidade e preço de produtos centrais. Sendo assim, a informação surge
como diferencial que agrega valor ao serviço prestado.
Sendo assim, conclui-se que a qualidade em serviços é de vital importância
para o sucesso da organização. Dentre os fatores que levam a um serviço de

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qualidade, está a informação. Ela deve ser disseminada de forma eficaz para que os
envolvidos nos processos de trabalho tenham acesso e consequentemente a
transformem em conhecimento.
6. QUALIDADE DA INFORMAÇÃO NO CONTEXTO ORGANIZACIONAL
A informação de qualidade possibilita a redução da incerteza na tomada de
decisão e permite que as escolhas sejam feitas com menor risco e no momento
adequado. O acesso as informações certas aumenta a probabilidade de sucesso da
decisão, ao assegurar visibilidade para os fatores que afetam a seleção das opções
mais apropriadas (BEAL, 2004).
Nas organizações é essencial um bom gerenciamento informacional, para que
sejam evitados excessos de informação e que a tomada de decisão tenha mais
subsídios para que sejam assertivas ao máximo. A soma de profissionais
capacitados e informação com qualidade, dentro deste ambiente, facilitam para que
os processos sejam executados de forma eficaz. O excesso de informação e a
necessidade de rapidez nas decisões organizacionais tende a relativizar a
necessidade de se ter informações de qualidade para a tomada de decisão (SOUZA;
AMARAL, 2011).
As organizações que possuem a informação como instrumento essencial para
seu sucesso, deve possuir um serviço de qualidade que seja rápido, eficaz e com o
menor risco de erros, de forma a não causar ao usuário perda desnecessária de
tempo. O serviço de atendimento, em particular, deve ser capacitado para contribuir
com a qualidade da informação, de modo que esta satisfaça a necessidade do
usuário, isto é, faça com que ele sinta confiabilidade na informação obtida
(NASCIMENTO, 2005).
A falta de qualidade na informação em uma organização pode proporcionar
impactos sociais e no negócio, devendo ser diagnosticada, e esforços devem ser
implementados para sua solução. Informações com múltiplas origens, utilização de
julgamentos subjetivos, sistemáticos erros na produção da informação, além do seu
armazenamento em grande quantidade são alguns dos fatores que influenciam a
qualidade da informação (CALAZANS, 2008).
Este tema chamou a atenção de um dos gurus da qualidade, Karl Albrecht
(1999), que constatou em seus estudos que, a produção indisciplinada de

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informação pode acarretar prejuízos às organizações; alguns exemplos citados são
a diminuição das vendas, credibilidade, erros de diagnóstico e prognóstico. O
excesso de informação faz com o trabalhador, por exemplo, deixe de lado a criação
de novos processos ou métodos de venda, além de repassar uma grande
quantidade de informação ao cliente, que por sua vez não assimila corretamente o
que foi transmitido. É então que o autor analisa o problema e apresenta um modelo
denominado “estrela de cinco pontas”, que tem a finalidade de auxiliar na avaliação
da qualidade da informação. O mesmo pode ser observado na Figura 1, o qual será
utilizado como base metodológica para este trabalho.

Figura 1 - Modelo de Qualidade de Informação.

Fonte:
Karl Albrecht (1999)

Em sua visão do modelo, Albrecht define as cinco pontas:
Logística de dados trata-se do primeiro aspecto da qualidade da informação,
ou seja, os suportes da informação como software, papel e outras mídias de
gerenciamento de dados;
Proteção de dados como o nome já exemplifica trata-se da segurança da
informação, a fim de evitar perdas, destruição, roubo ou sabotagem dos dados;
Apresentação da informação o autor define como ferramentas que
transformam dados em informação e informação em conhecimento, como softwares,
processadores de texto, bancos de dados e paginas da web;
Criação do conhecimento trata-se da capacidade humana de compreender e
criar novas idéias, realizando a concepção de novas estratégias e construindo novos
pontos de vista;

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Comportamento em relação á informação é aquilo que os seres humanos
fazem trabalhando com dados e informações, desde a procura por fontes de
informação até a sua obtenção e transmissão a outros colegas de trabalho.
7. A SISTEMÁTICA PARA DIAGNÓSTICO
A elaboração da sistemática apresentada no presente trabalho visa à coleta
de percepções dos trabalhadores em relação à qualidade da informação no contexto
organizacional compreende:
a) A seleção dos critérios a serem avaliados;
b) A aplicação de um pré-teste, visando à melhoria do instrumento de pesquisa;
c) Consolidação da ferramenta com a seleção dos critérios necessários ao
diagnóstico e avaliação da qualidade da informação, pertinentes ao contexto
da unidade caso.
A sistemática proposta neste trabalho compreende um conjunto de atividades
e ferramentas que viabilizam o diagnóstico e a avaliação da qualidade da informação
no contexto organizacional, com base no modelo proposto por Albrecht (1999) e nas
percepções coletadas, em especial junto aos trabalhadores de uma organização
prestadora de serviços baseados em informação e à literatura da área da ciência da
informação. A sistemática proposta pode ser visualizada no Quadro 3.
Quadro 3 – Proposta de sistemática de avaliação da qualidade da informação
Atividades

Descrição

Resultados

Identificação
fluxo
de informações

Mapeamento do fluxo de informação,
identificação dos meios de acesso a
informação e às pessoas detentoras das
informações vitais aos processos, assim
como responsáveis pela restrição de
acesso a informações classificadas como
confidenciais.

Fluxo informacional
Meios de acesso
Disseminação
Suporte
Volume
Conteúdo
Segurança

Identificação
necessidades
de
informação
nos
postos de trabalho
chave

Os trabalhadores procuram por fontes de
informação que possam sanar suas
dúvidas. Geralmente as respostas são
encontradas através do contato com
outros trabalhadores.

Necessidades informacionais

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Seleção requisitos
de qualidade

A organização tem a opção de escolha
sobre as dimensões e requisitos que
pretende utilizar. A organização deverá
selecionar as dimensões e os requisitos
para a avaliação da qualidade mais
relevantes para as suas necessidades. A
organização poderá utilizar todos os
requisitos caso haja necessidade.

Personalizar a ferramenta de
avaliação para o contexto da
organização.

Formatar
a
ferramenta de coleta
de percepções

Disponibilizar na forma de questionários
as dimensões e requisitos a serem
avaliados. A organização deverá garantir
a compreensão dos trabalhadores sobre
os objetivos da sistemática e em especial
sobre a importância da qualidade da
informação para o seu sucesso como
organização prestadora de serviços
baseados em informação
Coleta das percepções dos trabalhadores
da organização sobre a percepção da
qualidade da informação no contexto
organizacional.

Compreensão da importância
da qualidade para o sucesso
organizacional e acesso a
ferramenta de avaliação.

Análise das percepções e divulgação dos
resultados.

Diagnóstico da qualidade da
informação
no
contexto
organizacional; Aumento da
compreensão da importância
da qualidade da informação
pelos
trabalhadores
da
organização; e Identificação
de oportunidades de melhoria.

Aplicação
da
ferramenta de coleta
de percepções

Avaliação
percepções

das

Coleta das percepções sobre
qualidade da informação no
contexto organizacional.

Fonte: autor.

Após o levantamento bibliográfico junto à literatura pertinente ao contexto
deste trabalho, foi identificado um conjunto de requisitos para a avaliação da
qualidade da informação no contexto organizacional, com base no modelo proposto
por Albrecht (1999), conforme pode ser visualizado no Quadro 4.
Quadro 4 – Conjunto de requisitos para diagnosticar a qualidade da informação no contexto
organizacional.

Logística de Dados

Dimensão

Descrição

Autores

Transmissão da informação - trata-se dos meios/formas que a
informação é transmitida aos colaboradores. Podendo ser fonte
formal ou informal.
Mecanismos de busca – São os locais ou equipamentos que a
organização disponibiliza para a recuperação da informação.
Reuniões – São fontes de informação disponibilizada pela
organização que podem ocorrer em dois tipos: face a face ou em
grupo.

BEAL (2004,
p.44)
ALBRECHT
(1999)
PEREIRA (2008)
TALAMO (2004)
BARRETO
(1999)

�Comportamento das pessoas
em relação à informação

Criação do conhecimento

Apresentação da
informação

Proteção de dados e realimentação

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Segurança da informação – Trata-se das formas e meios
existentes para evitar que as informações sejam utilizadas por
pessoas mal-intencionadas.
Confidencialidade – Toda informação deve ser protegida de
acordo com o grau de sigilo de seu conteúdo, visando à limitação
de seu acesso e uso apenas às pessoas para quem elas são
destinadas.
Sigilo dos dados – Pode ser interpretado como a Ética pessoal.
Como os envolvidos são orientados e treinados para evitar o
“vazamento” de informações pessoais dos clientes.
Integridade – Toda informação deve ser mantida na mesma
condição em que foi disponibilizada pelo seu proprietário, visando
protegê-las contra alterações indevidas, intencionais ou
acidentais.
Disponibilidade – Toda informação gerada ou adquirida por um
indivíduo ou instituição deve estar disponível aos seus usuários
no momento em que os mesmos dela necessitam para qualquer
finalidade.
Feedback – Refere-se à possíveis falhas existentes nos
processos de transmissão da informação ou em sistemas de
segurança da informação, visualizadas pelos usuários e
repassada à equipe técnica e supervisores para correções.
Distribuição da informação – Trata-se da forma com que a
informação é disseminada (coletiva ou individual) com mais
frequência ou exclusivamente e quais os formatos disponíveis.
Treinamentos – Como a organização realiza a transmissão da
informação sobre novos processos e serviços ou até reciclagens
operacionais.
Incentivos de acesso á informação – trata-se da visão da
organização em divulgar as fontes de informação disponíveis,
como intranet, meios eletrônicos, revistas, jornais e folhetos
explicativos.
Acesso livre às informações relevantes – Busca visualizar se
a empresa disponibiliza acesso as informações relevantes aos
processos realizados de forma que todos tenham acesso e
saibam onde encontrá-las.
Insuficiência de informação – Trata-se da visualização do
conhecimento adquirido pelos colaboradores sobre suas funções.
As informações básicas sobre os processos são transmitidas de
forma eficaz.
Sobrecarga de informação – Busca visualizar se a quantidade
de informação disseminada aos envolvidos é de certa forma
excessiva, causando danos aos receptores finais e prejudicando
a eficiência/eficácia dos processos.
Troca de informações – Busca a visualização da existência da
troca de informações entre os colaboradores, através de
conversas informais em intervalos de refeição e até mesmo após
o expediente de trabalho, ou meios eletrônicos como as redes
sociais, medindo o nível de interesse dos envolvidos.
Recuperação da informação – Trata-se da visualização se
através de seus conhecimentos os colaboradores conseguem
recuperar, sozinhos ou com ajuda de outro colaborador, a
informação relevante e pertinente ao seu problema.
Assimilação da informação – Buscar obter informações sobre
os colaboradores, no âmbito de possuírem dificuldades em
assimilar a informação transmitida nos formatos disponibilizados
pela organização.

Fonte: Autor.

ALBRECHT
(1999)
BARRETO
(1999)
BEAL (2004, p.
52-67)
OLIVEIRA (2001)
PLETSCH (2003)
SÊMOLA (2003)

BEAL (2004, p.
43-44)
ALBRECHT
(1999)
PEREIRA (2008)
TALAMO (2004)

BEAL
(2004,
p.45)
ALBRECHT
(1999)
TALAMO (2004)
BARRETO
(1999)

BEAL
(2004,
p.45-46)
ALBRECHT
(1999)
PEREIRA (2008)
TALAMO (2004)
BARRETO
(1999)

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Com base no contexto e especificidades da unidade caso foi selecionado um
conjunto de requisitos necessários à avaliação da qualidade da informação. Os
requisitos foram distribuídos e organizados em uma ferramenta de coleta de
percepções dos trabalhadores da unidade caso com relação à qualidade da
informação no seu contexto organizacional:
Quadro 5 – Ferramenta para coleta de percepções
Questões sobre a percepção e expectativa do
ambiente informacional do seu trabalho

No seu trabalho
este fator ocorre?
(Sua percepção)

Considera
importante que
isso ocorra? (Sua
expectativa)

01

Incentivo de acesso à informação

( )Sim ( ) Não

( )Sim ( ) Não

02

Livre acesso a informação relevante

( )Sim ( ) Não

( )Sim ( ) Não

03

Proteção a informação sigilosa

( )Sim ( ) Não

( )Sim ( ) Não

04

Reuniões em grupo

( )Sim ( ) Não

( )Sim ( ) Não

05

Treinamentos

( )Sim ( ) Não

( )Sim ( ) Não

06

Grande volume de informação

( )Sim ( ) Não

( )Sim ( ) Não

07

Facilidade de acesso às fontes de informação

( )Sim ( ) Não

( )Sim ( ) Não

08

Eficácia na transmissão da informação

( )Sim ( ) Não

( )Sim ( ) Não

09

Os trabalhadores recebem informação necessária
para um bom desempenho profissional
O supervisor transmite a informação de forma
clara
Quando uma informação é transmitida de forma
errada, existe o feedback por parte dos
supervisores para corrigir o erro
Quando uma informação é transmitida de forma
errada, existe o feedback por parte dos outros
companheiros de trabalho
As informações relevantes são expostas em
quadros de aviso
Os trabalhadores estão capacitados a informar
corretamente o cliente
Os trabalhadores trocam informações sobre novos
serviços
Os colegas de trabalho transmitem a informação
de forma clara
Existe confiança na informação transmitida pelos
supervisores
Existe confiança na informação transmitida pelos
trabalhadores

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Fonte: Autor

A Figura 2 disponibiliza uma moldura analítica para facilitar a tomada de
decisão referente às ações que deverão ser implementadas na organização visando
à melhoria da qualidade da informação no contexto organizacional. A matriz é

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07 a 10 de julho de 2013

formada por duas dimensões, com base nas percepções dos trabalhadores: 1] o
quanto o trabalhador reconhece que determinado critério de qualidade ocorre na sua
situação de trabalho; 2] o quanto o trabalhador reconhece que determinado critério
de qualidade é importante que ocorra na sua situação de trabalho.
Figura 2 – Moldura analítica das percepções.

Fonte: Autor.

Este trabalho apresentou uma sistemática para o diagnóstico e avaliação da
qualidade da informação no contexto organizacional, com base no modelo proposto
por Albrecht (1999), visando diminuir as atrocidades causadas pela falta de
qualidade da informação no contexto organizacional. Os resultados apresentados
externalizaram o quão complexo pode ser um fluxo informacional em uma
organização. O método de pesquisa estudo de caso exploratório se mostrou
satisfatório, pois permitiu alcançar o objetivo deste trabalho de elaborar e aplicar
uma sistemática para o diagnóstico e avaliação da qualidade da informação no
contexto organizacional. Porém, se faz necessário identificar a sua principal
limitação, a não viabilidade da generalização dos seus resultados. Conclui-se que os
resultados aqui alcançados podem contribuir para conscientizar os trabalhadores
sobre a importância da qualidade da informação a eficiência e eficácia da atuação
das organizações que prestam serviços baseados em informação ao prover uma
sistemática que viabiliza o diagnóstico e avaliação da qualidade da informação no
contexto organizacional. Constatou – se também que, o cientista da informação,
dentre outras competências, está capacitado a elaborar sistemáticas para
diagnostico da qualidade da informação nas organizações, independentemente da
área de atuação.

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07 a 10 de julho de 2013

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Qualidade da Informação: elaboração de uma sistemática para diagnóstico</text>
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              <text>Roniberto Morato do Amaral</text>
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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
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              <text>A informação tornou-se fundamental para o desempenho organizacional e a tomada de decisões mais racionais e sustentáveis acerca dos processos de trabalho e competitivos no contexto organizacional.  Com base no modelo de qualidade apresentado por Albrecht (1999), este trabalho tem como objetivo geral enfatizar a competência de cientista da informação em elaborar uma sistemática para o diagnóstico e avaliação da qualidade da informação no contexto organizacional. Para atingir esse objetivo foi utilizado o método de pesquisa estudo de caso exploratório e a unidade caso foi uma organização prestadora de serviços baseados em informação, localizada em uma cidade do interior paulista. Os resultados obtidos foram: 1] proposta de uma sistemática para o diagnóstico e avaliação da qualidade da informação no contexto organizacional; 2] Mapeamento do fluxo de informação da unidade caso; 3] Identificação dos postos de trabalho chave e das suas necessidades informacionais; 4] Coleta e análise das percepções dos trabalhadores da unidade caso sobre qualidade da informação. Conclui-se com base nos resultados alcançados, que os conhecimentos gerados neste trabalho podem contribuir para a eficiência e eficácia da atuação das organizações que prestam serviços baseados em informação ao prover uma sistemática que viabiliza o diagnóstico e avaliação da qualidade da informação no contexto organizacional.</text>
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