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                  <text>O papel da biblioteca como espaço de divulgação científica
Rita de Cássia do Vale Caribé (UNB/FCI) - rita.caribe@gmail.com
Resumo:
Este trabalho apresenta resultado de estudo sobre comunicação científica para o público leigo
no Brasil enfatizando as bibliotecas que foram identificadas pela
população em geral como espaços de divulgação científica. Tece reflexões quanto aos
conceitos de comunicação científica para leigos, no qual está subjacente uma
nova textualização. Contrapõem com o papel das bibliotecas de mediadores da
informação entre o produtor e o usuário que não inclui uma nova textualização de
conteúdos. Reflete sobre os quantitativos de bibliotecas que são incompatíveis com
a demanda bem como as necessidades de capacitação dos bibliotecários para o
atendimento da sociedade brasileira nesse campo.
Palavras-chave: Divulgação científica. Biblioteca. Capacitação do bibliotecário
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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O papel da biblioteca como espaço de divulgação científica

Resumo:
Este trabalho apresenta resultado de estudo sobre comunicação científica para o
público leigo no Brasil enfatizando as bibliotecas que foram identificadas pela
população em geral como espaços de divulgação científica. Tece reflexões quanto
aos conceitos de comunicação científica para leigos, no qual está subjacente uma
nova textualização. Contrapõem com o papel das bibliotecas de mediadores da
informação entre o produtor e o usuário que não inclui uma nova textualização de
conteúdos. Reflete sobre os quantitativos de bibliotecas que são incompatíveis com
a demanda bem como as necessidades de capacitação dos bibliotecários para o
atendimento da sociedade brasileira nesse campo.
Palavras-chave: Divulgação científica. Biblioteca. Capacitação do bibliotecário
Área Temática: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

1 INTRODUÇÃO

Este trabalho apresenta parte dos resultados do estudo sobre comunicação
científica para o público leigo no Brasil (CARIBÉ, 2011). Vários estudos de
percepção pública da ciência foram realizados por instituições de pesquisa
brasileiras, juntamente com o MCT, entre 1987 e 2010, nos quais as bibliotecas
foram citadas como espaços científicos e culturais que a sociedade utiliza para ter
acesso à informação científica, juntamente como os museus de ciências,
exposições, planetários etc., ou seja, espaços de divulgação científica.
Com o objetivo de esclarecer o conceito de divulgação científica, foi
realizada uma revisão conceitual do termo, a partir da qual percebe-se que o
conteúdo científico passa, necessariamente, por uma nova textualização com o
objetivo de adequá-lo ao público para o qual se destina.
A biblioteca tem como papel precípuo a mediação da informação entre o
autor e o usuário que dela necessita, o seu trabalho não inclui a produção de textos
em linguagem acessível ao usuário. Porém, considerando que é um espaço
considerado pela sociedade para buscar informação científica questiona-se qual
seriam as atividades a serem desenvolvidas pelas bibliotecas.

2 CARACTERIZAÇÃO DA SOCIEDADE PÓS-MODERNA

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Nesta sociedade que estamos vivendo, constata-se uma necessidade cada
vez maior de conhecimento científico e tecnológico, Bauman (2003), por meio de
uma metáfora, denominou a sociedade da pós-modernidade de sociedade líquida,
caracterizada por um “esforço de modernização compulsiva e obsessiva” em que
tudo é temporário, em constante desmonte, sem nenhuma perspectiva de
permanência. Ele ressaltou que os riscos a que a sociedade está sujeita são muito
maiores do que em qualquer outra época e exemplificou citando as condições
climáticas, os níveis de radiação, a poluição, a diminuição de matérias-primas e de
fontes de energia não-renováveis, bem como os processos de globalização sem
controle político e ético. Tudo isso vem sobrecarregar os indivíduos com um grau de
incerteza e ansiedade que não houve precedentes na história.
Bernal (1939, 1997) já na década de 1930 e Morin (2000) afirmam que é por
meio da ciência que toda a nossa civilização está sendo transformada muito
rapidamente, e que a própria ciência está se desenvolvendo de modo cada vez mais
rápido e de forma cada vez mais perceptível para os indivíduos, o que vai ao
encontro do conceito de sociedade líquida defendida por Bauman (2003).
A inserção da ciência e da tecnologia no dia a dia dos indivíduos é uma
realidade, porém não consiste em um processo singelo, uma vez que não são
neutras. Podem ter implicações políticas, econômicas, sociais e culturais, e têm o
potencial de interferir, direta ou indiretamente, em todos os aspectos da vida
cotidiana. Inversamente, a ciência e a tecnologia podem ter suas concepções
afetadas pelo contexto socioeconômico, ou seja, o seu desenvolvimento não é
endogenamente determinado. Com base nesses pressupostos, ciência e tecnologia
não devem ser tratadas como variáveis isoladas e independentes da sociedade em
que está inserida (DAGNINO, 2002; MORIN, 2000).

3 ESTUDOS DE PERCEPÇÃO PÚBLICA DA CIÊNCIA NO BRASIL

Em 1987, o Instituto Gallup publicou o resultado de uma pesquisa realizada
nas áreas urbanas sob o título O que o brasileiro pensa da ciência e da tecnologia.
Do total pesquisado pelo Instituto Gallup, 71% demonstraram interesse em
descobertas científicas, contrariamente, 80% do total pesquisado não se interessam
ou não procuram estudar alguma ciência. A percepção da influência da ciência nas
condições da existência humana indica que os resultados dos avanços científicos e

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tecnológicos estão distantes da vida diária das pessoas, pois apenas 38% dos
brasileiros destacaram alguma descoberta científica ou tecnológica que os ajudou a
viver melhor a vida cotidiana. Deste valor, 52% consideraram as telecomunicações
como a descoberta científica que lhes ajuda a viver melhor. Por outro lado, 48,3%
perceberam a presença da ciência e tecnologia nas questões relativas à
humanidade em geral, porém, apenas 36,3% tinham essa percepção no que se
refere a sua atividade profissional (INSTITUTO GALLUP, 1987).
Outra pesquisa de opinião foi realizada, em 2002, em cidades de quatro
países – Buenos Aires, Argentina; Campinas, Brasil; Salamanca e Valladolid,
Espanha e Montevidéu, Uruguai. Seus resultados ratificaram a confiança que a
sociedade deposita na ciência, ao mesmo tempo em que se considera pouco
informada. No relatório final publicado, em 2003, pela Unicamp e Fapesp, sob o
título Percepção Pública da Ciência, constata-se que 72% dos entrevistados
acreditavam que o desenvolvimento da ciência e da tecnologia era o principal motivo
de melhoria da qualidade de vida da sociedade, porém, 85,9% negaram que a
ciência e a tecnologia pudessem solucionar todos os problemas. A grande maioria
dos entrevistados, 94,5%, assinalou a importância de participar de questões de
ciência e tecnologia, apesar de reconhecer que não tinha conhecimento suficiente
para exercer essa prática (VOGT; POLINO, 2003).
Após a fase internacional, essa pesquisa foi expandida para outras cidades
do estado de São Paulo – Ribeirão Preto e São Paulo – e seus resultados foram
publicados no capítulo 12 da obra Indicadores de Ciência e Tecnologia, editada pela
Fapesp, em 2004. Desses resultados destacou-se que 78% dos entrevistados
concordaram com a frase “a causa principal da melhoria da qualidade de vida
humana é o avanço da ciência e da tecnologia” que se constituiu em uma das
perguntas relativas à utilidade da ciência. Por outro lado, apenas 19% concordaram
com a frase “a ciência e a tecnologia podem resolver todos os problemas”,
entretanto, admitiram que para uma boa parcela dos problemas a ciência e a
tecnologia não têm resposta. Com relação ao consumo de informação científica e
tecnológica, os resultados demonstraram que o cidadão adquire informação por
meio da imprensa escrita (67%) e televisiva (78%), dessa forma, o papel dos meios
de comunicação como vetores de acesso à informação científica é central no
processo de constituição da percepção pública sobre o tema. Com relação ao
conjunto de perguntas sobre a informação científica que os indivíduos incorporavam

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em uma auto-avaliação, 84% das respostas majoritárias situaram-se nas categorias
pouco e nada informada (FAPESP, 2004).
Em 2006, outra pesquisa foi realizada pelo Ministério da Ciência e
Tecnologia, juntamente com a Academia Brasileira de Ciências (ABC), Fiocruz,
Unicamp e Fapesp, com o objetivo de identificar o interesse, grau de informação,
atitudes, visão e conhecimento dos brasileiros sobre ciência e tecnologia. Cabe
ressaltar que, do total pesquisado, 25% eram analfabetos ou possuíam apenas o
primário incompleto e 31% não trabalhavam. Com relação à ciência e tecnologia,
41% demonstraram muito interesse pelo tema; 27% do total afirmaram que se
informavam muito sobre ciência e tecnologia; 37% do total daqueles que tinham
pouco ou nenhum interesse por ciência e tecnologia atribuíram a razão da falta de
interesse ao não entendimento do assunto. Para os que assinalaram que se
informavam pouco ou nada sobre assuntos de ciência e tecnologia, 32% afirmaram
que a causa é também o não entendimento.
Quanto à especificação dos assuntos de interesse em ciência e tecnologia,
36% assinalaram informática e computação como um dos temas de maior interesse.
Com relação aos locais ou acontecimentos públicos de ciência e tecnologia, 25%
assinalaram a biblioteca pública, 28% assinalaram o zoológico. Quanto aos meios
de informação destacaram-se os programas de TV (15%), os jornais (12%), as
revistas (12%) e 11% conversas com amigos (BRASIL, 2006).
Destas evidências percebe-se um desconhecimento por parte da maioria da
sociedade brasileira quanto à informação científica e tecnológica, com um percentual
significativo de não compreensão dos conteúdos. Há, também, a percepção de uma
quantidade limitada de fontes de informação em ciência e tecnologia para o público
leigo, pois as fontes mais utilizadas são as mídias impressa e televisiva, já em
relação às instituições a preferência foram as bibliotecas públicas e os jardins
zoológicos, em detrimento dos museus de ciências por exemplo.

4 CARACTERIZAÇÃO DE PÚBLICO LEIGO

Para efeito deste trabalho entende-se como público leigo todos os indivíduos
que não são especialistas na área científica que esteja sendo abordada, ou seja, são
aqueles indivíduos que não integram a comunidade científica responsável pela
geração de um conhecimento específico.

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Neste caso, considerando o alto nível de especialização em todos os
campos da ciência e tecnologia, um cientista conhece apenas seu campo e,
portanto, torna-se leigo em relação a outro, pois apesar de cientista, não possui os
elementos para compreender um artigo científico de outra área especializada, assim
será considerado leigo quando a produção científica for de uma área temática
específica diversa da sua.

5 CONCEITOS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Na área de comunicação científica para o público leigo observa-se uma
quantidade significativa de termos e conceitos relacionados ao tema, portanto, falta
consenso quanto aos termos e seus significados. Na literatura consultada observase que a comunicação científica para o público leigo é tratada ora como processo,
ora como resultado que se deseja do receptor, ora como competências a serem
desenvolvidas no receptor. No Brasil os termos mais utilizados são divulgação
científica, popularização da ciência, embora na literatura estrangeira sejam
identificados outros termos tais como: compreensão pública da ciência (Public
understanding of science – PUS); percepção pública da ciência (Public awareness of
science – PAS); cultura científica; alfabetização científica (scientific literacy); cultura
científica, por exemplo.
Bueno (1984, 2010) e Calvo Hernando (2006), baseados no trabalho do
filósofo venezuelano Antônio Pasquali, apresentam análise conceitual relativa aos
termos difusão, disseminação, divulgação e jornalismo científico. Afirmam que, entre
esses termos existe uma relação de inclusão ou de complementaridade, ou seja,
uma estreita relação do tipo gênero-espécie. Os parâmetros que diferenciam os
termos difusão e divulgação são os denominados: nível de codificação (linguagem) e
universo receptor deliberado (público-alvo).
Difusão científica é todo e qualquer processo ou recurso utilizado na
veiculação de informações científicas e tecnológicas, ou seja, o envio de mensagens
elaboradas em códigos ou linguagens universalmente compreensíveis, à totalidade
do universo receptor, em uma unidade geográfica, sócio-política, cultural. A difusão
constitui-se em um conceito genérico, que pode ser pensada em dois níveis: de
acordo com a linguagem e o público ao qual se destina, assim, há difusão para
cientistas que é denominada disseminação da ciência – e difusão para o público em

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geral que é denominada divulgação científica (BUENO, 1984, 2010; CALVO
HERNANDO, 2006).
A difusão científica, por ser o termo mais genérico, portanto com
características mais abrangentes inclui diversos processos e recursos como os
periódicos especializados, bancos de dados, sistemas de informação acoplados aos
institutos e centros de pesquisa, serviços de alerta das bibliotecas, reuniões
científicas (congressos, simpósios, seminários etc.), seções especializadas das
publicações de caráter geral, páginas de ciência e tecnologia de jornais e revistas,
programas de rádio e televisão dedicados à ciência e à tecnologia, cinema dito
científico e os colégios invisíveis. Dada a sua abrangência, incorpora a divulgação
científica, a disseminação científica e o jornalismo científico que são considerados
como espécies ou termos mais específicos de difusão científica. (BUENO, 1984,
2010; CALVO HERNANDO, 2006).
Bueno (1984, 2010) e Calvo Hernando (2006) definiram disseminação da
ciência como a transferência de informação científica, transcrita em códigos
especializados, direcionada a um público seleto, formado por especialistas, ou seja,
é o envio de mensagens elaboradas em linguagens especializadas a receptores
selecionados e restritos. Classificaram-na de comunicação horizontal. De acordo
com essa definição a disseminação científica abrange dois níveis:
_ Intrapares – compreende a circulação de informações científicas e tecnológicas
entre especialistas de uma área ou de áreas conexas. Caracterizam-se por público
especializado, conteúdo específico e código fechado, portanto uma linguagem
hermética entendida apenas por aqueles que participam do mesmo grupo de
especialidade. É a comunicação científica realizada no âmbito interno da
comunidade científica. Incluem os periódicos especializados ou reuniões científicas
orientadas a um universo limitado de interessados.
_ Extrapares – compreende a circulação de informações científicas e tecnológicas
para especialistas que estão fora da área temática que está sendo comunicada,
portanto, compreende um público especializado, porém não necessariamente
especializado no domínio específico. Incluem os periódicos que apresentam pontos
de interesse para diferentes especialistas, constituindo-se, de certa forma, em
abordagem multidisciplinar que podem ser consumidos por diferentes especialistas e
não obrigatoriamente por apenas um grupo. Há ainda informações especializadas

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disseminadas deliberadamente para públicos, também especializados, mas de outra
área.
A divulgação científica constitui-se em termo específico de difusão científica,
é o processo de transmitir informações científicas e tecnológicas ao grande público,
em linguagem decodificada e acessível. É o envio de mensagens, elaboradas a
partir da recodificação de linguagens científicas para linguagem comum, a todos
receptores disponíveis e interessados. Assim, a principal característica da
divulgação é o processo de recodificação, de transposição de uma linguagem
especializada para uma linguagem não especializada, com o objetivo de tornar o
conteúdo acessível a um vasto grupo de receptores (BUENO, 1984, 2010; CALVO
HERNANDO, 2006).
A divulgação científica inclui jornais e revistas, livros didáticos, aulas de
ciências do ensino fundamental e médio, cursos de extensão para não especialistas,
histórias em quadrinhos, suplementos infantis, folhetos utilizados na prática da
extensão rural ou campanhas educativas, fascículos produzidos por editoras,
documentários, programas de rádio e de televisão etc.
Para José Reis, divulgação científica é a “veiculação em termos simples, da
ciência como processo, dos princípios nela estabelecidos, das metodologias que
emprega” (REIS, 2002, p. 76). Almeida (2002) complementa as palavras de José
Reis ao afirmar que a divulgação científica deveria produzir, como resultado, a
familiaridade dos indivíduos com as coisas da ciência, gerando, como consequência,
uma confiança proveitosa nos métodos científicos, uma consciência esclarecida dos
serviços que a ciência pode prestar. Dessa forma, pode-se inferir que a divulgação
científica gera como resultado a percepção pública da ciência.
Para Monteiro e Brandão (2002, p. 92) o compromisso de divulgar “é o de
fazer circular informações que atraiam as pessoas para que aprofundem e
consolidem seu saber científico e seu conhecimento tecnológico”, com intenção de
imprimir um valor ético a esses saberes e conhecimentos. Assim, o conceito de
divulgação é estratégico e pressupõe a adequação dos veículos e suportes da
informação aos contextos (públicos e audiências) a que se dirige.
Candotti (2002) discutiu que há uma dimensão ética na divulgação científica,
na circulação de ideias e resultados de pesquisas sendo fundamental avaliar seu
impacto tanto social quanto cultural. Diante disso, a divulgação científica constitui-se

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em exercício de reflexão sobre os impactos sociais e culturais das descobertas
científicas.
A divulgação científica conforme defendeu Candotti (2002) é função do
Estado, pois empresas privadas dificilmente iriam investir em promover discussão
sobre repercussões éticas das inovações ou descobertas científicas por elas
financiadas ou desenvolvidas.

6 A BIBLIOTECA COMO ESPAÇO DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA PARA O
PÚBLICO LEIGO

Do estudo realizado, por meio de entrevista a 27 (vinte e sete) especialistas
da área de comunicação científica para o público leigo, foram identificados
processos e recursos que devem ser utilizados na comunicação da ciência para o
público leigo: museus de ciências, planetários, observatórios, museus de arte,
jardins zoológicos, jardins botânicos e bastante citadas as bibliotecas.
As bibliotecas foram também citadas pelos entrevistados das pesquisas do MCT,
realizadas em 2006 e 2010, conforme pode ser observado no gráfico a seguir, como
espaços de divulgação científica. A população vê as bibliotecas como um espaço
científico e cultural e 28,7% responderam que visitaram bibliotecas públicas em
2010.

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Gráfico 1 - Comparativo da visitação dos espaços científicos e culturais (n=2016 pessoas)
35%
30%
25%
20%
15%
10%
5%
0%
Museus de
ciência e
tecnologia
ou centro
de ciência
e
tecnologia

Feiras de
Jardim
Atividades
ciências e
zoológico,
da Semana
olimpíadas
Museu de
jardim
Nacional Biblioteca
de ciências
arte
botânico
de Ciência pública
ou de
ou parque
e
matemátic
Tecnologia
ambiental
as

2006

4%

3%

25%

13%

12%

2010

8,30%

4,80%

28,70%

16,40%

14,10%

Jardim
botânico

Jardim
zoológico

21,80%

21,90%

28%

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados dos estudos de Percepção Pública da Ciência e
Tecnologia realizados pelo MCT, em 2006 e 2010.

No entanto, ainda existem poucas bibliotecas no País; em relação às
bibliotecas escolares, apenas 30,40% das escolas que trabalham com os primeiros
anos do ensino fundamental possuem bibliotecas, enquanto 58,70% das escolas
que trabalham com os últimos anos do ensino fundamental possuem bibliotecas. As
bibliotecas escolares e públicas existentes carecem de infra-estrutura, recursos e
pessoal capacitado, e ainda não estão preparadas para atender essa demanda.

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Gráfico 2 - Infra-estrutura existente nas escolas de ensino
fundamental e médio no Brasil
Ensino fundamental - anos iniciais

Ensino fundamental - anos finais

Ensino médio

94,30%
89,30%
75,70%

74,00%
67,60%

70,00%

58,70%

55,70%

49,30%
38,90%
26,40%

32,30%

30,40%
23,80%

31,10%
23,40%
12,20%

7,60%

Quadra de
esportes

Biblioteca

Laboratório de
ciências

Laboratório de Acesso a internet Dependências e
informática
vias adequadas

Fonte: Elaboração própria a partir dos dados do Censo Escolar 2010 (MEC/INEP)

Uma das entrevistadas da área de Ciência da Informação ressaltou a
importância das bibliotecas nesse contexto, que são espaços subaproveitados e os
bibliotecários precisam também se engajar nesse trabalho de comunicação da
ciência para o público leigo. Os bibliotecários estão despreparados para atender o
público, precisam conhecer e se inteirar das fontes de informação de comunicação
da ciência para o público leigo, precisam conhecer as principais obras da literatura
infanto-juvenil sobre comunicação científica para leigos.

7 CONCLUSÕES

A biblioteca tem como papel precípuo a mediação da informação entre o
autor e o usuário que dela necessita. Para isso analisa o documento, na sua forma e
conteúdo extraindo informações, produzindo um documento secundário a partir do
documento primário, que vai possibilitar a sua busca e recuperação. A análise da
informação que o bibliotecário realiza não produz um novo texto a partir da
recodificação do documento primário.

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No caso da comunicação científica para o público leigo, trata-se de um
processo de comunicação em que o emissor, pessoa ou instituição, tem como
objetivo levar ao público leigo a informação científica e tecnológica de forma que
possa ser compreendida pelo indivíduo que não integra a área científica de origem
do documento. Corresponde à elaboração de um novo texto a partir do texto original
gerado no âmbito da comunidade científica.
Essa nova textualização deve ter como característica o uso de uma
linguagem acessível ao leigo, ser apresentada de forma que o conteúdo possa ser
compreendido; isso inclui, muitas vezes, explicações adicionais relativas a
conhecimentos básicos das ciências com o objetivo de suprir deficiências de
conteúdo que não foram abordados no ensino fundamental e médio ou o foram de
forma muito superficial.
Os conteúdos de ciência e tecnologia requerem muitos conhecimentos
básicos para serem compreendidos, especialmente quando sua aplicação não está
relacionada ou facilmente identificada com o cotidiano dos indivíduos. Por exemplo,
nos estudos de percepção pública da ciência citados, os indivíduos, quando
consultados, percebem apenas o impacto da ciência e tecnologia no uso de
aparelhos celulares e computadores, não percebem que a ciência e a tecnologia
estão inseridas no seu cotidiano em todos os campos, como na alimentação, na
área de saúde como medicamentos, vacinas, equipamentos para diagnósticos, na
área de transporte, habitação, saneamento básico, água tratada etc.
Se a biblioteca não desenvolve esse tipo de atividade porque foi mencionada
pelos usuários? Será que os usuários compreendem com clareza o que significa
divulgação científica? Será que conhecem e fazem uso dos serviços e produtos que
uma biblioteca tem o potencial de oferecer? Será que os indivíduos associaram a
biblioteca ao local onde se pode encontrar informação científica e tecnológica,
porém não consideraram que essa informação encontra-se disponível na linguagem
e forma utilizadas pelo autor, e que, portanto não foi recodificada, traduzida para o
seu entendimento?
Por outro lado, se a sociedade reconhece a biblioteca como um espaço de
comunicação científica, sem entrar em detalhes se esta comunicação destina-se ao
ambiente interno ou externo à comunidade científica, não seria o caso de aproveitar
essa oportunidade para conquistar e ampliar seu espaço de atuação?

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Nesse contexto a biblioteca poderia inovar, incorporando outros serviços e
produtos de informação tais como, conforme sugerido por uma das entrevistadas da
pesquisa, divulgar as fontes de informação em divulgação científica, a exemplo do
Canal Ciência (http://www.canalciencia.ibict.br/) um portal desenvolvido pelo IBICT.
As bibliotecas poderiam identificar as principais fontes de informação em divulgação
científica em determinadas áreas temáticas, os principais programas de TV,
programas de rádio, filmes, literatura infanto-juvenil, peças de teatro, locais como
museus de ciências, zoológicos, pesquisadores que realizam atividades de
divulgação científica em sua área de atuação.
Outra linha de serviços e produtos pode ser a promoção de palestras e
discussões sobre temas de ciência e tecnologia que impactam a vida das pessoas,
convidando cientistas e pesquisadores para apresentar, de forma simples e em
linguagem comum as pesquisas que estão desenvolvendo, discutir com a
comunidade os impactos, pontos positivos e negativos da ciência na sociedade.
Cabe ressaltar, no entanto, que esse tipo de atividade não deve ser
desenvolvida por todas as bibliotecas indiscriminadamente, é necessário considerar
o contexto em que a biblioteca está inserida. Esse novo serviço ou produto pode ser
perfeitamente aplicável às bibliotecas públicas, escolares, universitárias, pois
contribuem para a formação de pessoas capazes de exercer sua cidadania.
A divulgação científica, conforme defendeu Candotti (2002), é função do
Estado, pois empresas privadas dificilmente iriam investir em promover discussão
sobre repercussões éticas das inovações ou descobertas científicas por elas
financiadas ou desenvolvidas. Assim, esse tipo de atividade caberá em empresas
públicas ou privadas, apenas se na sua missão, objetivos estratégicos, valores
essenciais ou como responsabilidade social existir alguma abertura que possibilite a
sua inserção.
As bibliotecas sozinhas não podem transformar a sociedade, são
necessárias, porém não suficientes para promover as mudanças da sociedade.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Miguel Osório de. A vulgarização do saber. Rio de Janeiro: ARIEL, 1931.
p. 229-240. In.: MASSARANI, Luisa; MOREIRA, Ildeu de Castro; BRITO, Fátima.
Ciência e público: caminhos da divulgação científica no Brasil. Rio de Janeiro: Casa
da Ciência, UFRJ, 2002. 230p.

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BAUMAN, Zygmunt. A sociedade líquida. Folha de São Paulo, domingo, 19 de
outubro de 2003. Entrevista concedida a Profª. Drª. Maria Lúcia Garcia PallaresBurke.[10p].
BERNAL, John D. The social function of science. London: George Routledge &amp;
Sons, 1939. 482p.
_____. História social de la ciencia 1: la ciência em la historia. 7. ed. Barcelona:
Península, 1997. 543p.
BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia. Percepção pública da ciência e
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&lt;http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/50875.html&gt;. Acesso em: 8 set. 2007.
BUENO, Wilson Costa. Jornalismo científico no Brasil: os compromissos de uma
prática dependente. 1984, 364f. Tese (Doutorado)-Escola de Comunicação e Artes,
USP, 1984.
______. Comunicação científica e divulgação científica: aproximações e rupturas
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Disponível em:
&lt;http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/6585/6761&gt;.
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
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              <text>Este trabalho apresenta resultado de estudo sobre comunicação científica para o público leigo no Brasil enfatizando as bibliotecas que foram identificadas pelapopulação em geral como espaços de divulgação científica. Tece reflexões quanto aos conceitos de comunicação científica para leigos, no qual está subjacente umanova textualização. Contrapõem com o papel das bibliotecas de mediadores dainformação entre o produtor e o usuário que não inclui uma nova textualização deconteúdos. Reflete sobre os quantitativos de bibliotecas que são incompatíveis coma demanda bem como as necessidades de capacitação dos bibliotecários para oatendimento da sociedade brasileira nesse campo. </text>
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