<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="2428" public="1" featured="0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.org.br/items/show/2428?output=omeka-xml" accessDate="2026-05-22T02:30:45-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="1510">
      <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/8/2428/1540-1553-1-PB.pdf</src>
      <authentication>4db9201ab86103cd133dc37c3abcd008</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="29258">
                  <text>NOTAS ACERCA DOS INTELECTUAIS ORGÂNICOS NA TAREFA DE
ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO

Jonatas Souza de Abreu (UFPE) - jonatas.souza.abreu@gmail.com
Fábio Mascarenhas Silva (UFPE) - fabiomascarenhas@yahoo.com.br
Resumo:
Com uma proposta de esclarecimento da concepção de intelectuais orgânicos e o papel destes
na sociedade da aprendizagem dentro da ciência da informação, abordaremos as prerrogativas
do bibliotecário em seu campo de trabalho, na perspectiva gramsciana do conceito de
intelectual orgânico e da filosofia da práxis. Objetivamos problematizar a organização da
informação na e protagonizar a participação de intelectuais orgânicos pensando nesse
processo como elementos chave para disseminação da informação e desenvolvimento na
modernidade Propomos para este fim, caracterizar profissionais da informação como
intelectuais orgânicos desenvolvedores de processos de organização da informação na web à
partir de elementos constitutivos da sociedade da aprendizagem. Como resultados,
caracterizamos esses intelectuais e confrontamo-los com suas profissões e demandas sociais
atuais.
Palavras-chave: Gramsci. Intelectuais orgânicos. Bibliotecários. Organização da Informação.
Sociedade do conhecimento.
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

NOTAS ACERCA DOS INTELECTUAIS ORGÂNICOS NA TAREFA DE
ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO

RESUMO
Com uma proposta de esclarecimento da concepção de intelectuais orgânicos e o papel
destes na sociedade da aprendizagem dentro da ciência da informação, abordaremos
as prerrogativas do bibliotecário em seu campo de trabalho, na perspectiva gramsciana
do conceito de intelectual orgânico e da filosofia da práxis. Objetivamos problematizar a
organização da informação na e protagonizar a participação de intelectuais orgânicos
pensando nesse processo como elementos chave para disseminação da informação e
desenvolvimento na modernidade Propomos para este fim, caracterizar profissionais da
informação como intelectuais orgânicos desenvolvedores de processos de organização
da informação na web à partir de elementos constitutivos da sociedade da
aprendizagem. Como resultados, caracterizamos esses intelectuais e confrontamo-los
com suas profissões e demandas sociais atuais.
Palavras-chave: Gramsci. Intelectuais orgânicos. Bibliotecários. Organização da
Informação. Sociedade do conhecimento.
Área temática: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

1

INTRODUÇÃO

No século XXI, com o surgimento dessa nova concepção propondo um contraponto e
superação das fases de desenvolvimento econômico-social anteriores (sociedade da
informação, do conhecimento), urge, destarte a necessidade do resgatar teórico, e
possivelmente histórico e da figura do intelectual orgânico na composição social.
A proposta dessas notas é esclarecer a concepção de intelectuais orgânicos e entender
o bibliotecário enquanto pensador de seu meio e nesse contexto, abordamos também as
prerrogativas atuais da sociedade em relação a sua cadeia de desenvolvimento
intelectual, a sociedade do conhecimento.
Nessa perspectiva, analisaremos as argumentações enunciadas por Antonio Gramsci,
teórico marxista sardo, que trabalhou em suas obras, os Cadernos Do Cárcere, escritos
durante a ditadura fascista da Itália das décadas de 1930 e 1940, desenvolvendo o
aspecto marxista da concepção dos novos intelectuais na sociedade.
Para tanto, utilizamos como metodologia a pesquisa fundamental, que embasa nossos
argumentos em relação a tal assunto, em defesa do auto-reconhecimento, status quo,
destes profissionais organizadores da informação em relação ao seu posicionamentoc

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

omo intelectuais engajados, não-alienado e portanto, cônscios de seu papel na
sociedade1.

2

INTELECTUAIS ORGÂNICOS: QUEM SÃO E O QUE FAZEM
Ao responder a pergunta sobre quem são esses intelectuais orgânicos,

adentramos num campo teórico pouco abordado dentro da ciência da informação, ainda
que predominante nas ciência sociais, o da “filosofia da práxis”. Com relação à palavra
práxis, (que é a transcrição da palavra grega que significa ação), a terminologia marxista
designa o conjunto de relações de produção e trabalho, que constituem a estrutura
social, e a ação transformadora que a revolução deve exercer sobre tais relações.
Marx dizia que é preciso explicar a formação das ideias a partir da práxis
material, e que, por conseguinte, formas e produtos da consciência só podem ser
eliminados por meio da "inversão prática das relações sociais existentes", e não por
meio da "crítica intelectual" (A ideologia alemã, 2; trad. it., p. 34). Portanto, a filosofia da
práxis consiste em um construto onde o conjunto das ações humanas visam criar
condições essenciais à existência da sociedade, e de forma particular, a atividade e
material/produção (TARGINO, 1997).
Nesse sentido, extrapolamos o sentido sinonímico atribuído ao vocábulo “prática”,
cujo sentido demanda algo estritamente utilitário (VAZQUES, 1990), onde as ações tem
tom rotineiro e quotidiano, para o campo onde as ações passam a exercer um papel de
construção empreendido pelo homem, ao mesmo tempo em que se autoconstrói, sendo
este um processo de transformação continuo e ininterrupto (TARGINO, 1997).
Cabe acertadamente mencionar este processo de práxis como teleológico, ou
seja, possui um fim próprio, ou um objetivo elaborado de forma consciente pelo homem,
que

gozará

plenitude

somente

ao

alcance

da

objetivação

do

que

foi

pensado/imaginado/planejado pelo homem. Neste sentido, a práxis consolida-se como
“atitude humana real, transformadora da natureza e da sociedade, em que há
prefiguração ideal do resultado real, e portanto, possui caráter consciente/intencional”
(TARGINO, 1997).

1

Estas notas são dedicadas ao Profº Denis Bernardes (in Memorian), do programa de Pós-graduaçao
em Ciência da Informação, que primeiro instigou em suas aulas o repensar da intelectualidade e
mesmo a repensarmos a nós e a nosso mundo.

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Todavia, no ver de Marx (apud VAZQUES, 1990), o processo de construção da
práxis humana é sempre conflituoso, visto que nega esta realidade presente no plano
ideal em prol da objetivação futura de uma realidade outra. Neste trajeto, pois, o
trabalho humano enquanto atividade prática vai permitir o individuo efetivar tal
transformação. (TARGINO, 1997). Mediante a práxis, o homo sapiens sapiens cria e
transforma seu mundo humano e histórico e a si mesmo, o que o diferencia dos demais
seres.
Na retomada do conceito de intelectual orgânico, ao procurarmos entender o
mundo onde e como este conceito se desenvolve, somos obrigados a retomar o
pensamento de Karl Marx, que primeiro desenvolveu a noção de um pensador social
que pudesse não apenas atuar nas esferas da sociedade consideradas intelectuais, mas
pudessem operar também como um ser, ao mesmo tempo em que cientista, crítico e
revolucionário (MARX, apud SEMERARO, 2005). Nesse sentido, faz-se necessário a
compreensão de que é nessa cadeia denominada superestrutura 2 em que as
transformações de ordem filosófica da práxis podem e devem ocorrer.
A condição de atuação para esse novo intelectual não estaria, portanto,
destinada a produção intelectual alienada às condições estruturais do meio em que se
encontrava e, em certo sentido, imbuída de uma metafísica reducionista do meio, antes
sim na construção complexa advinda em oposição à mentalidade estritamente tecnicista
do positivismo e ao monismo metafísico-idealista, que dualizam os aspectos intrínsecos
e a própria relação homem-natureza de forma abstrata (Martelli apud Semeraro, 2005,
p. 30), e em favor da concepção da organicidade e completude de um pensamento
integrador a partir do modus vivendi dos seres dentro da superestrutura.
O pensamento Marxista propunha uma análise da conjuntura social existente,
ainda que propusesse ferramentais de ação para o sobrepujar da fase da economia
analisada e criticadas; as concepções que Marx apresentou em relação às mudanças
sociais foram retomadas por outros teóricos posteriormente, como Lênin e sua
concepção de hegemonia e ditadura do proletariado e Antônio Gramsci, o marxista
sardo,

2

acerca da construção de uma intelectualidade popular, ou intelectualidade

Termo empregado pelos marxistas para designar a ordenação política e jurídica, bem como as ideologias
políticas, filosóficas, religiosas, etc, na medida em que dependem da estrutura econômica de dada fase da
sociedade. Marx diz: "O conjunto de relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, ou seja,
a base real sobre a qual se ergue a Superestrutura jurídica e política e à qual correspondem formas
determinadas de consciência social. O modo de produção da vida material condiciona, em geral, o processo
social, político e espiritual da vida".

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

orgânica, ainda que não tenha composto uma definição exata do termo, a priori,
(MARTINS, 2011) mas que formulou a concepção de intelectuais advindos das classes
subalternas em contraposição aos intelectuais das classes dominantes , que possuem
capacitações técnicas, políticas e culturais para dialogar com o novo mundo que surge.
Estes novos intelectuais são “politicamente compromissados com o próprio grupo social
para fazer e reescrever a história e, por isso, capazes de refletir sobre o entrelaçamento
da produção material com a controvertida reprodução simbólica.” (SEMERARO, 2005).
De acordo com Martins (2011), Gramsci analisou a f função que os intelectuais
desempenharam na dinâmica da vida para definir

a totalidade social em uma

determinada conjuntura, tendo como referencias disputas que as classes sociais
promoviam entre si visando a formação de um bloco histórico. Segundo Gramsci, o
conceito de intelectual não se define pelas tarefas desempenhadas classificadas entre
“manuais” ou “não manuais”. Todos os homens são intelectuais à despeito de sua
posição social corresponder ou não à tal função. Para ele,
O erro metodológico mais difundido [...] é ter buscado este critério de
distinção no que é intrínseco às atividades intelectuais, em vez de buscá-lo
no conjunto do sistema de relações no qual estas atividades (e, portanto, os
grupos que as personificam) se encontram, no conjunto geral das relações
sociais. Na verdade, o operário ou proletário [...] não se caracteriza
especificamente pelo trabalho manual ou instrumental, mas por este
trabalho em determinadas condições e em determinadas relações sociais
[...] E já se observou que o empresário, pela sua própria função, deve
possuir em certa medida algumas qualificações de caráter intelectual,
embora sua figura social seja determinada não por elas, mas pelas relações
sociais gerais que caracterizam efetivamente a posição do empresário na
indústria. (GRAMSCI, 2000, p. 18)

Nesse contexto de repensamento de bases para o desenvolvimento social, viria a
nascer a concepção de filosofia da práxis. E com ela, “novos intelectuais politicamente
compromissados com o próprio grupo social para fazer e reescrever a história e, por
isso, capazes de refletir sobre o entrelaçamento da produção material com a
controvertida reprodução simbólica.” (SEMERARO, 2005).
Esse pensamento integrador, por sua vez, advindo dessa nova categoria de
indivíduos, os chamados intelectuais orgânicos, seria o responsável por maiores
modificações sociais a partir da compreensão de que as intervenções sociais não
partiriam de alguém “de fora” mas “de dentro”, promovendo assim a transformação
social e a reprodução da mesma (Beired, 1998).
Em contraposição aos modelos intelectuais existentes e analisados por Gramsci
em seus Quaderni, de constituição cosmopolita e cindidos em relação às classes

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

subalternas, há a proposição de uma classe intelectual que, em síntese, venha a
organizar a cultura e os homens e que possa articular o centro do aparelho estatal de
poder com o restante do corpo social (Beired, 1998), apresentando uma ideologia
fornecedora de consciência e homogeneidade às classes que representa, sendo
concebidos, nesse ínterim, como os grandes responsáveis pelo nexo teoria-prática. De
acordo com Beired (1998, p.128) numa análise do discurso de Gramsci sobre a natureza
dessa classe engajada, a intelectualidade orgânica, “o intelectual moderno será aquele
capaz de articular a sua especialidade profissional ao desenvolvimento de uma ação
política e cultural hegemônica”.
Longe da cisão criticada pelo próprio Gramsci, de acordo com Martins (2011,
p.135) o seu conceito de intelectual “advém da análise concreta da gênese e do
desenvolvimento da dinâmica de funcionamento da formação econômica e social
italiana no contexto europeu, suas contradições, seus limites e suas possibilidades”.
Nesse Âmbito, ainda segundo Martins (ibid.), “é justamente por isso que ele pode servir
como parâmetro epistemológico aos que pretendem compreender a função dos
intelectuais na hodierna realidade brasileira e, ao mesmo tempo, como um guia à ação
sociopolítica e educativo-cultural”.
Ainda de acordo com Gramsci,
[...] a relação “nacional” é o resultado de uma combinação “original” única
[...], que deve ser compreendida e concebida nesta originalidade e
unicidade se se quer dominá-la e dirigi-la. [...] o desenvolvimento é no
sentido do internacionalismo, mas o ponto de partida é “nacional”, e é deste
ponto de partida que se deve agir. (Gramsci, 2000, p. 314).

Nesse sentido, podemos observar claramente uma valorização do fazer
intelectual como um fazer não dissociado da sociedade em que se desenvolve, bem
como a validade da concepção gramsciana de intelectualidade para a sociedade
brasileira atual, com todas as suas contradições, visto que é nela que se encontra o
terreno preparado para o florescimento dessa nova estirpe de pensadores, não restritos
somente aos círculos de pensamento tradicionais.
A originalidade da concepção de intelectual de Gramsci se deu porque pensou
em cada ser humano como uma espécie de intelectual e nesse sentido, capaz de
pensar os processos dos quais fazia parte no sistema social concebido como
superestrutura. “Um erro bastante comum,” segundo Gramsci, “é o de crer que toda
camada social elabora sua própria consciência, sua própria cultura da mesma maneira,

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

com os mesmos métodos, isto é, com os métodos dos intelectuais profissionais”
(Gramsci, 1977, apud MARI, 200-?).
Oposição a esta ideia é a de consideração de que, ainda que haja um
adestramento mecanicista de

um trabalhador à moda Taylorista, ainda aí se pode

encontrar o mínimo de atividade intelectual criadora e, portanto, partindo de tal
postulado de intelectualidade universal, seria possível dizer que todos os homens são
intelectuais ainda que não exerçam a função de intelectuais na sociedade, como dito
anteriormente.
A organicidade dos intelectuais de Gramsci se dá nesse contexto, onde cada
pensador faz parte de um sistema novo e crescente; “intelectuais de tipo urbano [que]
cresciam junto com a indústria e estavam ligados às suas vicissitudes” (GRAMSCI,
1975, apud SEMERARO, 2006, p.377), diferentemente dos intelectuais comuns, que se
apresentavam como o “clero”, “os funcionários”, “a Casa militar”, “os acadêmicos”
voltados a manter os camponeses atrelados a um status quo que não fazia mais sentido
(GRAMSCI, 2000).
3

INTELECTUAIS E A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO/APRENDIZAGEM:
NOVO CONTEXTO DE ATUAÇÃO
No contexto de sociedade do conhecimento em cujos padrões submetemos a

análise em curso, temos o delineamento de um perfil intelectual engajado na estética
social da superestrutura vigente. Tal observação pode ser tomada a partir do contexto
de disseminação da informação, processos de aquisição do conhecimento e também
das demandas atuais em relação ao aprendizado na sociedade.
A ambiência atual propõe uma nova análise dos conceitos existentes de
aprendizagem, que se encontram anacrônicos devido aos novos meios de aquisição de
conhecimento. Vive-se em uma sociedade interligada em redes, cujo paradigma deixa
de ser o da aquisição da informação pura para dar lugar aos processos de
transformação dessa informação em conhecimento e por sua vez, no aprendizado
gerador de competências (literacies).
Setzer (2001) compreende que dados constituem-se de símbolos sequenciáveis
quantificados/quantificáveis com algum valor sintático; já a informação, segundo ele, é
uma abstração informal significativa que ocorre na mente do individuo em relação a
dados coletados, quando estes passam a comportar um elemento semântico e que pode
ser representado por meio de dados; o conhecimento, por sua vez, trata-se de uma

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

abstração interior, portanto, de cunho pessoal, advindo, por exemplo, de alguma
experiência de vida.
Diferentemente da sociedade da informação, a sociedade do conhecimento
nasce sob um égide de promoção da politização e da cidadania através da
disseminação do conhecimento, nesse sentido, como podemos perceber, ditam os
novos modos de aquisição desse conhecimento, os novos espaços de aprendizagem,
que não se restringem mais ao ambiente escolar formal, pelo fato de se inserirem em
outro ambiente contextual, notadamente o das multimídias. Nesse ambiente de
aquisição de predominam os valores simbólicos que prescrevem a atuação e valoração
cultural que preceituam uma nova forma de aprendizagem emergente.
Nesse sentido, faz-se necessário pensar sobre os “processos de aquisição desse
conhecimento, uma vez que são as ferramentas mais poderosas para espalhar ou
distribuir socialmente essas novas formas de gestão do conhecimento” e que podemos
denominar ‘sociedade do conhecimento/da aprendizagem3’ (HEARGREAVES, 2003;
POZO, 2004, p. 11-12). Portanto vemos que mais do que um conceito, um processo se
desenvolve para a garantia da denominação desse novo estágio de compreensão da
apreensão do conhecimento, que não necessariamente se configura como um novo
campo, mas como estágio, mas como uma perspectiva de observação sistêmica, no
sentido de que se não há uma contemplação sistêmica do aprendizado para geração do
conhecimento, a informação somente será um conglomerado de dados agrupados por
tipologia.
Ao notarmos a dotação do sistema de aprendizagem para geração do
conhecimento e, por sua vez, transformação, é necessário que passemos pelo viés das
redes de transmissão e mediação da informação presentes na atual configuração
tempo-espacial, para isso retomamos o pensamento de Pozo (200-?) que afirma que
além de estarmos em um tempo reconfigurado em relação aos aspectos econômicos da
informação, precisamos estar atentos a essas novas características, pois
“[...] Conhecer as características que definem essas novas formas de
aprender é não apenas um requisito para podermos adaptar-nos a elas,
criando novos espaços instrucionais que respondam a essas demandas,
como também uma exigência para podermos desenvolvê- las, aprofundá-las
3

A concepção e Sociedade da Aprendizagem nasce adjacente a própria concepção de Sociedade do
Conhecimento, de acordo com Hargreaves (2003) . Partindo deste ponto, entendemos que uma visão não subsiste
sem a outra, de modo que a Sociedade do Conhecimento sedimenta-se sobre as relações estabelecidas no
conceito de aprender a aprender.

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

e, em última análise, através delas, ajudar a transformar essa sociedade do
conhecimento, da qual supostamente fazemos parte. (POZO, 200-?, p.3).

Discutir a ação da escola diante desse redimensionamento se faz necessário por
vários motivos, mas dois se tornam basais para a discussão proposta nesse texto, que é
o reconhecimento da massa intelectual orgânica dentro dos processos de organização
da informação na internet. O primeiro motivo é que essa nova forma de transmissão de
informação via meios digitais, retirou da escola o pressuposto dogmático primevo de que
é nela que se pode formar o saber do individuo, o que demanda, portanto, um
redimensionamento conjunto dos papeis da escola e do professor no processo de
aprendizagem; segundo, o fato de termos um grande volume de informação transmitida
em rede não é de todo benéfico, pois informação sem tratamento e sem correta
mediação em nada contribui para desenvolvimento econômico-social. Informação sem
perspectiva de tratamento não passa de dados agrupados.
A partir desses dois postulados, desenvolvemos a tese de que a intelectuais
formados em ambientes de organização da informação são os elementos necessários
tanto para corrigir problemas referentes a organização da informação em meio virtual
em si, quanto para auxiliar no processo de desenvolvimento e reflexão crítica no
contexto de sociedade da aprendizagem.
Por processos de desenvolvimento destacamos os paradigmas de participação
política, reflexão crítica do sistema econômico bem como do conhecimento e
desenvolvimento constante de ferramentais para a ampliação de oportunidades
econômico-sociais (leia-se desenvolvimento econômico-social) nesse novo “status” da
sociedade atual.
Contudo, analisando os pressupostos, objetivos e demandas da Sociedade da
Aprendizagem, podemos observar alguns descompassos e mesmo, contradições,
partindo ainda do pressuposto considerado por Hargreaves (ibid.) de que sociedade da
aprendizagem e sociedade do conhecimento são a mesma coisa, ou tem uma relação
imbricada.
A primeira destas contradições que podemos perceber situa-se no que diz
respeito a como se constrói o conhecimento. Conforme Duarte (2008, p.9), dentro do
contexto do aprender a aprender “são mais desejáveis as aprendizagens que o
indivíduo realiza por si mesmo, nas quais está ausente a transmissão, por outros
indivíduos, de conhecimentos e experiências”.
Se partirmos da perspectiva de que o conhecimento pode ser adquirido de forma

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

isolada, solitária, em últimas consequências desprezamos a necessidade da figura do
professor/facilitador em prol das ferramentas que levem o educando à auto-informação.
Ainda, de acordo com Duarte (2008, p.11),
as pedagogias do “aprender a aprender” estabelecem uma hierarquia
valorativa, na qual aprender sozinho situa-se em um nível mais elevado que
o da aprendizagem resultante da transmissão de conhecimentos por
alguém. Ao contrário desse princípio valorativo, entendo ser possível
postular uma educação que fomente a autonomia intelectual e moral por
meio da transmissão das formas mais elevadas e desenvolvidas do
conhecimento socialmente existente.

Neste sentido, passamos não a uma pedagogia geradora de autonomia, mas de
individualismo por parte do aprendente. Mesmo porquê, o contexto em que surge o
conceito de autonomia dentro da pedagogia (remetemos diretamente ao princípio
freireano), remete não ao fim do facilitador, mas o inicio e o desvelo de uma busca
conjunta pela emancipação pessoal, política e social através da educação, objetivo este
que não é atingido de forma isolada.
Uma outra contradição que se pode perceber, diz respeito à quem interessa
realmente o aprendizado contínuo.
Nota-se uma sensível mudança de foco em relação à função da informação; esta
deixa de se concentrar na indústria, ou nos problemas de produção desta para “focar no
estudante, nos seus problemas de aprendizagem” (Op. Cit., p. 15), o que representa
uma significativa mudança na missão das universidades, um ensino centrado nas
exigências dos estudantes bem como de politicas de pesquisa que “buscam
colaboração com a indústria” (Id. Ibid.).
Justamente neste ponto observamos contradição lógica, dado fato que esta
revolução informacional, da ordem do conhecimento ou aprendizagem traz em sua
infraestrutura o germe não somente da competitividade, como também da desigualdade
ao acesso à informação, contexto este em que se caracteriza como “vencedor” aquele
que tem maior domínio de fontes de informação.
Sobre isto, Duarte afirma que
O autor [Fonseca, 2003, p.307] não deixa qualquer dúvida nessa passagem
quanto ao fato do “aprender a aprender" ser apresentado como uma arma
na competição por postos de trabalho, na luta contra o desemprego. O
“aprender a aprender” aparece assim na sua forma mais crua, mostrando
seu verdadeiro núcleo fundamental: trata-se de um lema que sintetiza uma
concepção educacional voltada para a formação, nos indivíduos, da
disposição para uma constante e infatigável adaptação à sociedade regida
pelo capital. (DUARTE, 2008, p. 12 - grifo nosso).

Neste sentido, as estruturas geradas para atender às demandas de educação do

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

individuo e da sociedade como um todo são seriamente comprometidas pelos
interesses econômicos vigentes, de modo que a formação do discente já não se pauta
na necessidade do desenvolvimento de uma sociedade igualitária e de livre acesso à
meios de informação (DUARTE, 2008); de forma contrária, naturalmente criam-se
estruturas tecnológicas que possibilitam distanciamento cultural e ideológico entre
candidatos à sociedade do conhecimento tal, que a geração de um contexto de
alienação passa a se constituir em estágio procedente.
Tal alienação não se pauta somente na negação de acesso à informação, visto
que a educação para a utilização da informação encontrada nos diversos meios é fator
primordial na compreensão fenomênica da sociedade da aprendizagem, onde
finalmente o acesso à informação certa é que vai possibilitar ou não capacitação para
empregabilidade.
Pode-se perceber, portanto, que o interesse do aprendizado contínuo se
encontra, em um grau primário, no sistema de exploração da informação e do
conhecimento pela indústria, pondo em cheque possíveis teoria de desenvolvimento
social a partir das “revoluções” informacionais.
A própria necessidade de manipular (no sentido de utilizar) melhor a informação,
descreve um cenário onde a formação e o treinamento deverá ser estimulado
constantemente entre todos os usuários “a fim de garantir que estejam equipados com
todos os conhecimentos e habilidades necessárias para usufruir os benefícios da era da
informação” (grifo nosso) (BRASIL, 1999, p. 152).
Entraria aí uma das funções da Biblioteca Digital, de forma generalizada,
segundo os autores, onde elas assumem o papel de educadores ministrando cursos de
capacitação em informação.
Corroborando a proposição supra, Tammaro e Salarelli (2008, p. 153) afirmam
que
Numa sociedade da aprendizagem, é preciso que as organizações, as
comunidades e os cidadãos saibam aceitar a sua própria responsabilidade
de saber usar a informação como um recurso. […] As organizações que
sabem usar e criar conhecimento são aquelas que, por conseguinte, sabem
competir na arena do mercado globalizado. Essas organizações e
comunidades devem estar aptas a resolver os problemas de forma
metódica, experimentar novos enfoques, aprender com a sua própria
experiência, aprender com a própria experiência e com as boas práticas dos
outros, transferir rapidamente e com eficiência o conhecimento adquirido.

À guisa de contextualização da matéria, é necessário perceber que o contexto
brasileiro é deveras diverso e adverso, e que dadas as suas heterogeneidades, no
campo social, econômico e cultural, constata-se, na verdade, que ainda que a grande

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

massa tenha acesso a informação, faz-se necessário educá-la, para que possam bem
aproveitar os recursos informacionais que a ela estão disponíveis e assim, iniciarem a
possibilidade do processo de emancipação política (HAMELINK; OWENS, 1976, p.27
apud DUDZIAK, 2003, p.24).
Emancipação esta que tenha em conta as ilusões propagadas pelo sistema
econômico vigente e possa refletir criticamente à partir desse espectro, qual seria a
função ideológica da crença ingênua na sociedade do conhecimento. No entender de
Duarte (2008) a função da propagação da crença “cega” na sociedade do
conhecimento, bem como da aprendizagem, seria de enfraquecer criticas radicais que
possam ser feitas ao liberalismo ou neoliberalismo, que possa resultar numa superação
radical do sistema capitalista, causando nos espectadores uma impressão de que há
maiores e mais atuais questões a serem analisadas, como ética política, defesa dos
direitos humanos, defesa do meio-ambiente, entre outras.
Tal emancipação não se põe aos pressupostos da competitividade propostos
pela Sociedade do Conhecimento ou da Aprendizagem, mesmo porque a subversão
desta ordem deve ser acompanhada, de forma primeva, por uma educação crítica que
saiba entender a sociedade e seus rumos.
Nessa compreensão, inferimos que, à despeito da importância econômica da
tecnologia para o desenvolvimento econômico em uma rede de dados interligada
mundialmente, o (bom) uso à ser feito da tecnologia disponível é que pode levar em
termos reais, ao desenvolvimento do Estado.
Ainda neste raciocínio, dentro dos parâmetros dessa educação para apropriação
legitima da informação para o desenvolvimento local, há que se ressaltar a necessidade
do desenvolvimento do pensamento crítico na formação do o individuo, para que,
enquanto cidadão, possa ele ratificar ou retificar as informações que recebe, passando
à ação emancipatória da qual necessita para exercitar com eficácia a sua liberdade.
Nesse sentido, uma nova cultura econômica deve ser precedida por uma nova
cultura de aprendizagem, onde “as pessoas [...] aprenderam a aprender. Elas sabem
como aprender, pois sabem como o conhecimento é organizado, como encontrar a
informação e como usá-la de modo que outras pessoas aprendam a partir dela”.
(AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION, 1989, p.1 apud DUDZIAK, 2003, p.4). Em
suma, a formação de intelectuais orgânicos, na perspectiva gramsciana poderia se
configurar numa solução para este problema.
Segundo Duarte (2008, p.13):

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Quando educadores e psicólogos apresentam o “aprender a aprender"
como síntese de uma educação destinada a formar indivíduos criativos, é
importante atentar para um detalhe fundamental: essa criatividade não deve
ser confundida com busca de transformações radicais na realidade social,
busca de superação radical da sociedade capitalista, mas sim criatividade
em termos de capacidade de encontrar novas formas de ação que permitam
melhor adaptação aos ditames da sociedade capitalista.

Ainda conforme o autor,
O capitalismo do final do século XX e início do século XXI passa por
mudanças e que podemos sim considerar que estejamos vivendo uma nova
fase do capitalismo. Mas isso não significa que a essência da sociedade
capitalista tenha se alterado ou que estejamos vivendo uma sociedade
radicalmente nova, que pudesse ser chamada de sociedade do
conhecimento. A assim chamada sociedade do conhecimento é uma
ideologia produzida pelo capitalismo, é um fenômeno no campo da
reprodução ideológica do capitalismo.

No contexto Brasileiro, as diversas heterogeneidades assumem papel importante
na compreensão da Sociedade da Informação e da implantação da Sociedade do
Conhecimento/Aprendizagem. Heterogeneidades estas que não se restringem às
diferenças culturais das regiões brasileiras, mas que tangem a esfera econômica e
social, estas de forma peremptória.

4

INTELECTUAIS ORGÂNICOS E A ORGANIZAÇÃO SOCIAL
Ao mencionarmos o vocábulo “organização social”, voltamos ao mundo

gramsciano da formação dos intelectuais orgânicos. Para ele, a situação de homogenia
criada pelo contexto de organização social, é advinda através da formação de
intelectuais comprometidos com a realidade local.
Neste sentido, ao analisarmos o bibliotecário enquanto um intelectual orgânico,
bem como seu trabalho como instrumento de ação transformadora, observamos que, no
que diz respeito às suas competências de organizador de informações, deve ele estar
apto à satisfazer a demanda de informação dos indivíduos de modo à diminuir ou
mesmo extinguir a divisão subalterna de classes, provocando a formação de uma
hegemonia. Entretanto, segundo Targino, o bibliotecário tem superestimado as
habilidades com tecnologias de informação e comunicação e as tem transumanado,
enquanto reificam o individuo. Segundo a autora:
a Biblioteconomia continua marcada por um tecnicismo exacerbado. A
técnica é mitificada e mistificada em prol de um pseudo progresso da área.
Detém-se mais na forma do que no conteúdo, mais na aparência do que na
essência. Privilegia o processamento técnico ao lado do gerenciamento dos
serviços informacionais e do uso de novas tecnologias em detrimento do

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

seu relacionamento com a realidade social, política e econômica, pautado
pela consciência de que a informação, como bem social, pode concorrer
para a melhoria de povos e nações. (TARGINO, 1997, p. 31)

Complementa ainda:
Então, o que compete à Biblioteconomia? Desprender-se de suas
tendências fortemente tecnicistas, e sem negar a otimização dos sistemas
de informação resultante do emprego das novas tecnologias de informação
e de comunicação, revelar a função social da biblioteca. Para tanto, é
urgente sobrepor a idéia da biblioteca como instituição estática para
assimilar que, na modernidade, é ela um centro organizado de informações
a serviço de todos. (TARGINO, 1997, p. 31)

É o que é expresso nas diferenciações entre um tipo comum de intelectual, e
outro, o intelectual orgânico. O primeiro tipo, conhecido por seus representantes (os
filósofos, os clérigos, artistas, literatos e etc.) se põe à parte das atitudes que os uniria
aos processos pelos quais passam a sociedade em que se encontram; já o segundo
tipo, de acordo com Mari (200-?, p.3), gira em torno do profissional que “está ligado ao
trabalho industrial, que supera o espírito abstrato, mas mistura-se constantemente na
vida prática, como construtor , organizador, superando a relação técnica-trabalho para
chegar à técnica- ciência e torna-se especialista e dirigente”.
Sobre esse tipo, podemos ir mais longe e pormos na casta que se forma de
intelectuais tradicionais em nossa época, os militares e os professores universitários, por
exemplo; ainda de acordo com Mari (op. Cit.), enquanto os intelectuais comuns se
postam a serviço das classes dominantes (políticas principalmente) servindo como
“caixeiros” de seus interesses, os intelectuais orgânicos teriam a função de unificar
conceitos em favor da formação de uma nova cultura que não se reduza somente a
formação de uma “vontade coletiva” capaz de adquiri poder do Estado, mas que se
amplie em busca de novas concepções de mundo e comportamento. Nesse sentido,
temos como importante as influencias que têm na sociedade como um todo, instituições
como sindicatos, igrejas, jornais, família, para concretização de tais objetivos de uma
nova ordem moral e cultural.
Em moldes práticos, “é preciso que o bibliotecário se conscientize de que é ou
pode ser catalisador e difusor do conhecimento dentro da comunidade em que está
integrado. Advém daí seu potencial político como ator social, reiterando a Filosofia da
Práxis” (TARGINO,1997, p. 31)

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

A organização da informação precede a reorganização social, no sentido lato, o
que quer dizer, a informação organizada é insumo para a conscientização e politização
da sociedade por meio de veículos influentes na sociedade.
Nesse sentido, a contemplação da informação como um bem necessário e
inerente a todos, faz com que este intelectual orgânico consiga desfazer o mito da
informação gratuita, mesmo porque a produção da informação envolve custos
(TARGINO, 1997, p.31). Nesse momento histórico, onde a própria informação é
elemento ímpar para distar pessoas e instancia-las em classes, o bibliotecário necessita
assumir-se enquanto agente social, assumindo um compromisso com a sociedade.
Entretanto, tal compromisso só se pode firmar através da efetiva interiorização do
processo de reflexão-ação-reflexão (Id., Ibid.).
5

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao focarmos, num exemplo prático, a nova representação intelectual para

Gramsci, temos que o tipo comum de dirigente político preparado para atividades de
cunho jurídico-formal é anacrônico, e que na verdade a interação intelectual deveria
ocorrer (e pode ocorrer com mais fluidez na sociedade do conhecimento) nos seguintes
termos de “o dirigente deve ter aquele mínimo de cultura geral que lhe permita se não
criar autonomamente a solução justa, pelo menos saber julgar entre as soluções
projetadas pelos especialistas e, conseqüentemente, escolher a que seja justa do ponto
de vista “sintético” da técnica política.” (GRAMSCI, 1932, p.35).
Sob essa égide, cabe ressaltar que a interpretação da concepção de intelectuais
que Gramsci propunha, estava atrelada, de fato, a ocupação de postos de trabalho em
que se encontravam estes intelectuais e a partir daí, classificações para os mesmos
(urbanos, industriais,

rurais,

burocráticos,

acadêmicos,

técnicos,

profissionais,

pequenos, intermediários, grandes, coletivos, democráticos etc.).
Nesse sentido, a questão a que tentamos responder nesse trabalho pode ser
concebida da seguinte maneira: Quem são os intelectuais orgânicos que estão
habilitados a organizar a informações no espaço web à fim de atender às demandas da
sociedade da aprendizagem do séc.XXI? Ora, se o fazer profissional está diretamente
atrelado ao desenvolvimento de capacidades intelectuais orgânicas, a organização da
informação no espaço web para fins de educação e desenvolvimento social, deve ser
vista [e revista] a partir da ótica do surgimento e da percepção do agente intelectual de

�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação –
Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

capacitações múltiplas em sua área de atuação, que é a figura do intelectual orgânico,
defendida por Marx e Gramsci.
Nessa perspectiva, abrimos o leque das possibilidades nomeando para a
concepção de intelectual orgânico o organizador de informações, profissional
bibliotecário, arquivista ou mesmo museólogo, que a partir de seus conhecimentos e
possibilidades, pode interagir com a sociedade transformando-a e desenvolvendo-a
hegemonicamente.
REFERÊNCIAS
GOMES, Maria Nélida G. Novas fronteiras tecnológicas das ações de informação:
questões e abordagens. Ciência da Informação, Brasília, v. 33, n. 1, p. 55-67, jan./abril
2004.
GRAMSCI, Antonio. Apontamentos e notas dispersas para um grupo de ensaios sobre a
história dos intelectuais. In.: Cadernos do cárcere: Os Intelectuais. O Principio
Educativo. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. Jornalismo. São Paulo: Civilização
Brasileira, 2000. Vol.2.
MARI, Cezar Luiz de. O papel educador dos intelectuais na formação ideológica e
hegemônica em Gramsci: uma perspectiva de emancipação humana. Disponível
em:&lt;www.anped.org.br/reunioes/26/trabalhos/cezarluizdemari.rtf&gt;. Acesso em: 02 dez.
2010.
POZO, Juan Ignácio. A sociedade da aprendizagem e o desafio de converter
informação em conhecimento. Disponível em:
&lt;http://www.diretoriabarretos.pro.br/patio_online2&gt;. Acesso em 20 Nov. 2010.
SEMERARO, Giovanni. Filosofia da práxis e (neo)pragmatismo. Revista Brasileira de
Educação.
[online].
2005,
n.29,
pp.
28-39.
Disponível
em:&lt;
http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n29/n29a03.pdf&gt;. Acesso em 01 dez. 2010.
__. Intelectuais "orgânicos" em tempos de pós-modernidade. Cad. CEDES [online].
2006,
vol.26,
n.70,
pp.
373-391.
Disponível
em:&lt;
http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v26n70/a06v2670.pdf&gt;. Acesso em 28 Nov. 2010.
SETZER. Waldemar. Dado, informação, conhecimento e competência. Disponível
em : &lt;www.ime.usp.br/~vwsetzer&gt;. Acesso em: 24 set. 2009.
TARGINO, Maria das Graças. Práxis bibliotecária. Informaçao e sociedade: estudos,
João Pessoa, v.7, n.1, p.26-33, jan/dez. 1997
MARTINS, Marcos F. Gramsci, os intelectuais e suas funções científico-filosófica,
educativo-cultural e política. Pro-Posições, Campinas, v. 22, n. 3 (66), p. 131-148,
set./dez. 2011
VÁZQUES, Adolfo Sanchéz. Filosofia da Práxis. 4.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra,
1990.

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="8">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="7176">
                <text>CBBD - Edição: 25 - Ano: 2013 (Florianópolis/SC)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="7177">
                <text>Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="7178">
                <text>7-10 de Julho de 2013</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="8556">
                <text>Florianópolis/SC</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="29249">
              <text>NOTAS ACERCA DOS INTELECTUAIS ORGÂNICOS NA TAREFA DE ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="29250">
              <text>Jonatas Souza de Abreu</text>
            </elementText>
            <elementText elementTextId="29251">
              <text>Fábio Mascarenhas Silva</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="29252">
              <text>Florianópolis (Santa Catarina)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="29253">
              <text>FEBAB</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="29254">
              <text>2013</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="49">
          <name>Subject</name>
          <description>The topic of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="29256">
              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="29257">
              <text>Com uma proposta de esclarecimento da concepção de intelectuais orgânicos e o papel destes na sociedade da aprendizagem dentro da ciência da informação, abordaremos as prerrogativas do bibliotecário em seu campo de trabalho, na perspectiva gramsciana do conceito de intelectual orgânico e da filosofia da práxis. Objetivamos problematizar a organização da informação na e protagonizar a participação de intelectuais orgânicos pensando nesse processo como elementos chave para disseminação da informação e desenvolvimento na modernidade Propomos para este fim, caracterizar profissionais da informação como intelectuais orgânicos desenvolvedores de processos de organização da informação na web à partir de elementos constitutivos da sociedade da aprendizagem. Como resultados, caracterizamos esses intelectuais e confrontamo-los com suas profissões e demandas sociais atuais.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="66391">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
  <tagContainer>
    <tag tagId="2">
      <name>cbbd2013</name>
    </tag>
  </tagContainer>
</item>
