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                  <text>Comportamento informacional de leitores de histórias em
quadrinhos: reflexões iniciais

Ana Paula Matos Bazílio (UFF) - anapaulambazilio@yahoo.com.br
Maria Jaciara de Azeredo Oliveira (UFF) - cobaindoor@ig.com.br
Nanci Gonçalves da Nóbrega (UFF) - n2g1.nobre@gmail.com
Resumo:
O trabalho representa um fragmento da pesquisa de Mestrado desenvolvida no Programa de
Pós-Graduação em Ciência da informação da Universidade Federal
Fluminense. Pretende refletir sobre os interesses dos leitores de histórias em quadrinhos
buscando subsídios em pesquisa de campo, nos estudos de usuários e de comportamento
informacional. O que motiva um leitor de quadrinhos a buscar informação? Que caminhos ele
percorre? Como definir este tipo de leitor? Tais
questões permeiam nossas reflexões e nos convidam a pensar sobre a importância do
desenvolvimento de coleções de quadrinhos nos espaços informacionais, nosso real objeto de
pesquisa de Mestrado. Pesquisa de cunho qualitativo e exploratório
cujas estratégias metodológicas utilizadas foram a observação direta nos espaços
informacionais e a coleta de dados obtida por meio de entrevistas individuais feitas através de
questionário semi-estruturado, combinando perguntas abertas e fechadas. A partir de busca
no campo teórico utiliza o Modelo de Wilson revisado (1997) juntamente com as categorias de
usuários descritas por Vergueiro (2005)
como base para a elaboração de um modelo que se aplique aos usuários de HQs. Destaca como
resultados os diferentes níveis de satisfação do usuário de acordo
com o seu perfil em contextos informacionais diversos. E por fim aponta o prazer da leitura e a
relação de afeto entre o leitor e as HQs como fatores a se considerar no desenvolvimento do
trabalho nas unidades de informação.
Palavras-chave: Comportamento
quadrinhos.

informacional.

Estudos

de

usuários.

Histórias

em

Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

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Brasil, 07 a 10 de julho de 2013.

Comportamento informacional de leitores de histórias em quadrinhos:
reflexões iniciais.

Resumo:
O trabalho representa um fragmento da pesquisa de Mestrado desenvolvida no
Programa de Pós-Graduação em Ciência da informação da Universidade Federal
Fluminense. Pretende refletir sobre os interesses dos leitores de histórias em
quadrinhos buscando subsídios em pesquisa de campo, nos estudos de usuários e
de comportamento informacional. O que motiva um leitor de quadrinhos a buscar
informação? Que caminhos ele percorre? Como definir este tipo de leitor? Tais
questões permeiam nossas reflexões e nos convidam a pensar sobre a importância
do desenvolvimento de coleções de quadrinhos nos espaços informacionais, nosso
real objeto de pesquisa de Mestrado. Pesquisa de cunho qualitativo e exploratório
cujas estratégias metodológicas utilizadas foram a observação direta nos espaços
informacionais e a coleta de dados obtida por meio de entrevistas individuais feitas
através de questionário semi-estruturado, combinando perguntas abertas e
fechadas. A partir de busca no campo teórico utiliza o Modelo de Wilson revisado
(1997) juntamente com as categorias de usuários descritas por Vergueiro (2005)
como base para a elaboração de um modelo que se aplique aos usuários de HQs.
Destaca como resultados os diferentes níveis de satisfação do usuário de acordo
com o seu perfil em contextos informacionais diversos. E por fim aponta o prazer da
leitura e a relação de afeto entre o leitor e as HQs como fatores a se considerar no
desenvolvimento do trabalho nas unidades de informação.

Palavras-chave: Comportamento informacional. Estudos de usuários. Histórias em
quadrinhos.
Área Temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do
profissional da informação

1 INTRODUÇÃO:

Este estudo inicial busca refletir sobre os interesses e os espaços nos quais o
usuário de quadrinhos (HQs) transitam à procura, tanto do material propriamente
dito, como de informações sobre questões relacionadas ao enredo, aos autores e
lançamentos de HQs.
Pretendeu-se intensificar, assim, nossas pesquisas de Mestrado do Programa
de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal Fluminense
(PPGCI/UFF) a partir do trabalho feito em disciplina do referido Programa, que
tratava sobre estudos de usuários. Nesse sentido, buscou-se agregar aspectos
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teóricos dos estudos de usuários ao desenvolvimento de coleções de HQs. Para
observar como este tipo de acervo é trabalhado, procuramos investigar o perfil deste
leitor nos espaços informacionais, no caso, uma biblioteca pública e uma loja
comercial frequentada por aficionados do tema.
O campo da pesquisa foi, então, a Biblioteca Estadual de Niterói (BPN) e a
loja de card games Dragão da Torre, também em Niterói, para observação dos
usuários, do espaço e aplicação do questionário.
Como temos verificado em nossas pesquisas, ainda é incipiente o estudo
sobre as HQs e seus usuários e hábitos informacionais. O que nos levou a iniciar
este trabalho exploratório e qualitativo sobre as HQs e seus leitores.
Para a consecução de nossos objetivos, as estratégias metodológicas foram a
observação direta e a coleta de dados obtida com algumas entrevistas individuais
feitas através de questionário semi-estruturado, combinando perguntas fechadas e
abertas.

2 HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

Segundo Vergueiro (2005) desde o final da década de 1960 as HQs estão se
tornando cada vez mais objeto de pesquisas acadêmicas, o que levou muitas
bibliotecas a inserirem este tipo de material em seus acervos. Na visão do autor,
entretanto, na maioria das vezes esta inserção é feita de forma equivocada, devido
tanto ao preconceito ainda existente por parte de alguns profissionais, quanto ao
desconhecimento da especificidade e tipologias deste material, e dos usuários das
HQs.
Com base neste pensamento de Vergueiro (2005), nossa proposta aqui é
investigar dois espaços nos quais o leitor de quadrinhos busca informação, e a partir
do material empírico somado ao encontrado na literatura pesquisada, elencar
categorias para um possível modelo de comportamento informacional que leve em
conta as características deste tipo de usuário.
Apesar do campo empírico diferente, o estudo de Cruz et al (2011) foi
adicionado às nossas reflexões. Nele, os autores afirmam a respeito do
comportamento dos usuários de informação musical que, como “Uma expressão de
arte e ao mesmo tempo um objeto informacional, a Música [...] é muito mais voltada
para aspectos emocionais e conectivos do dia a dia das pessoas do que,
2

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necessariamente, um elemento usado para solucionar uma carência de informação”
(p.11). Por analogia, o mesmo podemos dizer das HQs, que se constituem em uma
fonte de informação e uma forma de expressão artística, aliado ao fato que o leitor
busca tanto um nível de verticalização de conhecimentos sobre a indústria editorial
que não é comum em usuários de outras mídias, mas, principalmente, satisfazer sua
vontade de lazer – elemento fundamental neste tipo de leitura.
Desta forma, nos propomos a pensar um possível modelo que busque dar
conta da especificidade dos usuários de quadrinhos.
Mas como poderíamos categorizar este tipo de usuário? Como definir suas
necessidades informacionais?
2.1 O usuário de quadrinhos
Segundo Oddone e Martínez-Silveira (2007) “as necessidades informacionais
geralmente se originam de situações relacionadas às atividades profissionais de
cada indivíduo” (p.120). Porém, como dito anteriormente, nem sempre este é o
impulso inicial de busca por parte dos leitores de HQs. Geralmente está ligado ao
prazer do entretenimento. Neste caso, quais critérios deveriam ser usados para
definir suas necessidades informacionais?
Um primeiro passo seria categorizar os tipos de leitores de HQs para se ter
um panorama da diversidade de perfis existentes. Vergueiro (2005, p.11), com base
em autores como Baron-Carvais (1989), Pustz (1999) e Schelly (c2001), estabelece
as seguintes categorias de leitores de HQs:
a) Eventuais: leem histórias em quadrinhos da mesma forma que outras
modalidades de leitura e buscam entretenimento geral;
b) Exaustivos: leem apenas histórias em quadrinhos mas não fazem qualquer tipo
de seleção;
c) Seletivos: tem predileção apenas por determinados gêneros, personagens ou
autores. Leem tudo o que é publicado em sua área de interesse e buscam fazer a
correlação de suas leituras com outros meios de comunicação de massa;
d) Fanáticos: não apenas leem as histórias de seus personagens e títulos
prediletos, como também procuram saber o máximo possível sobre eles, Muitas
vezes, são colecionadores de tudo que diga respeito à sua predileção;
e) Estudiosos: estudam suas características e relações com outros meios de
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comunicação, com outros aspectos da vida social ou sob o ponto de vista de sua
aplicação em determinadas ciências ou atividades.
O autor também destaca que a compreensão dessas peculiaridades dos
leitores é vital para o estabelecimento de serviços de informação que visem atendêlos com eficiência (VERGUEIRO, 2005, p.9).
Assim, como estudar este usuário de perfil tão múltiplo?

3 ESTUDOS DE USUÁRIO E COMPORTAMENTO INFORMACIONAL

De acordo com Gonzalez Teruel (2005) os estudos de usuários podem ser
conceituados como investigações sistemáticas das características, necessidades,
condutas e opiniões dos usuários (potenciais e reais) dos sistemas de informação.
Figueiredo

(1994)

também

destaca

que

“Estudos

de

usuários

são

investigações realizadas para conhecer as necessidades de informação dos
usuários ou para avaliar o atendimento das necessidades de informação pelas
bibliotecas e pelos centros de informação” (p.79).
É só a partir de 1980 que os estudos de usuários deixam de evidenciar os
sistemas de informação e passam a privilegiar as perspectivas dos usuários, pois
nos anos 80 ocorre a passagem do paradigma epistemológico tradicional, que tem o
foco no sistema de informação, para o paradigma atual, que é orientado para o
usuário. Os sujeitos passam a ser o principal foco das pesquisas. Os profissionais
da informação começam a questionar por que os usuários buscam e utilizam a
informação; a indagar, assim, sobre o comportamento informacional de seus
usuários.
Wilson (2000) 1 explica que comportamento informacional
“É todo comportamento humano relacionado às fontes e canais de
informação, incluindo a busca ativa e passiva de informação e o uso da
informação. Isso inclui a comunicação pessoal e presencial, assim como a
recepção passiva de informação”. (WILSON, 2000 apud MARTINEZSILVEIRA, ODDONE, 2007, p.121).

1

WILSON, T.D. Human information behavior. Informing Science Research, v.3, n.2, p. 49-55, 2000.

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Um exemplo disso seria a transmissão ao público quando este assiste aos
comerciais de TV sem qualquer intenção específica em relação à informação
fornecida.
Autores como Pettigrew, Fidel e Bruce (2001) 2, além de Wilson (2000)
definem “o comportamento informacional como as atividades que envolvem as
necessidades dos sujeitos e de como buscam, usam e transferem a informação em
diferentes contextos.” (apud GASQUE, COSTA, 2010, p. 29).
Foram desenvolvidos modelos que ilustram e sintetizam o comportamento
informacional dos usuários. De acordo com Gonzalez Teruel (2005) com base em
Jarvelin e Wilson (2003) “os modelos conceituais podem ser mais amplos e
fundamentais que uma teoria cientifica já que expõem as condições prévias para
uma formulação teórica” (p.95). Desta forma ao aplicar um modelo de
comportamento de informação para interpretar os dados coletados sobre o processo
de busca e o comportamento dos leitores de HQs, pretendemos buscar subsídios
para um melhor entendimento deste tipo de usuário, o que facilitaria a elaboração
futura de instrumentos para o atendimento deste público de forma eficaz, assim
como criar teorias sobre o assunto, como, por exemplo, a motivação para a busca
de informação (Wilson, 1981) e a conduta da busca de informação (Wilson, 1997).
De acordo com González Teruel (2005), Wilson (1981) destaca que a primeira
necessidade de informação não é só uma necessidade primária, mas surge
motivada por outras mais básicas. A segunda necessidade é quando o indivíduo
busca a informação e encontra uma série de barreiras, ambas dependendo de
variáveis pessoais, interpessoais e do entorno.
As áreas tratadas em um estudo de usuário significam um usuário que antes
da percepção de uma necessidade de informação, tem uma conduta que o levará a
•

Realizar uma demanda a um sistema de informação formal, tal como uma
biblioteca ou centro de documentação;

•

Demandar informação a outros tipos de fontes de informação. (Wilson, 1981).

2

PETTIGREW, Karen E.; FIDEL, Raya; BRUCE, Harry. Conceptual frameworks in information behavior.
Annual Review of Information Science and Technology, v. 35, p. 43-78, 2001.

5

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Este autor criou um modelo de comportamento informacional inspirado nas
necessidades fisiológicas, cognitivas e afetivas dos indivíduos. O contexto dessas
necessidades seria configurado pelo próprio indivíduo, pelas demandas de seu
papel na sociedade e pelo meio ambiente em que sua vida e seu trabalho se
passam. As barreiras que interferem na busca de informação surgiriam deste
mesmo contexto, sendo a necessidade de informação considerada o principal fator
de seu modelo.
Wilson expandiu o seu esquema proposto em 1981. No novo modelo, Wilson
(1997), inseriu o comportamento de busca em sistemas de informação, além de
propor conexões com outros domínios, incluindo Psicologia, Comunicação em
Saúde e pesquisa para leigos.
Figura 1: Modelo de Wilson revisado (1997).

Fonte: MARTÍNEZ-SILVEIRA, Martha, ODDONE, Nanci. Necessidades e comportamento
informacional: conceituação e modelos (2007)

No estudo de 1997, Wilson afirmou que “necessidade de informação” seria
um conceito ultrapassado trocando o termo por “comportamento de busca por
informação”.
No caso dos leitores de quadrinhos podemos dizer que a motivação e o
comportamento para a busca por informação parecem estar vinculados a fatores
psicológicos e afetivos, relacionados ao prazer da leitura.

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4 A PESQUISA COM LEITORES DE HQs
A elaboração do questionário por nós aplicado baseou-se na proposta de
Ramos (2008) privilegiando dados qualitativos e quantitativos. Trabalhamos com
uma amostra de 10 usuários (os frequentadores da Biblioteca Estadual de Niterói e
os da loja Dragão da Torre)
O primeiro campo de informações que consideramos foi o que tratava dos
dados gerais de identificação do usuário expostos nos gráficos abaixo.
GRÁFICO 1; Idade

20%
30%
16-19
20-30
30-40
40-50

10%
40%

A faixa etária predominante entre os usuários entrevistados foi de 20-30 anos,
embora outras faixas apresentem representação significativa dentro do universo
pesquisado.
GRÁFICO 2: Escolaridade

0%
30%

Ensino
fundamental
Ensino médio

70%

Ensino
superior

Os entrevistados em sua maioria possuem nível superior, nenhum de ensino
fundamental e dos três de ensino médio um possui formação técnica.

7

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GRÁFICO 3: Profissão
Arquivista/biblio
tecário

10%

Estudante de
ensino médio

20%

10%

Designer
Psicólogo

20%
30%

Professor de
história

10%

Técnico em
informática

Neste campo os resultados se apresentaram muito variados. E apesar de
trabalharmos com uma amostra pequena para referenciar o que encontramos nas
reflexões de Vergueiro (2005) e Ramos (2008), supomos que se deve ao fato não
apenas das HQs trabalharem com temáticas transversais a diversas áreas do
conhecimento, como também à diversidade de gêneros e títulos disponíveis no
mercado.
GRÁFICO 4: Sexo 3

Masculino
7
Feminino
3
0

1

2

3

4

5

6

7

8

A maioria dos usuários era do sexo masculino. E na loja comercial, que é ambiente
mais especializado, o fluxo de indivíduos do sexo masculino era intenso.
O segundo campo que trabalhamos no questionário foi o referente aos
interesses e usos das histórias em quadrinhos.

3

Para facilitar a visualização dos dados optamos por um gráfico diferenciado para representar as qustões com
apenas duas vaiáveis.

8

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GRÁFICO 5: Quantidade de revistas lidas por mês:

0%

20%
0
1a5

50%

5 a 10
10 ou mais

30%

Neste caso dois dos leitores eventuais disseram apenas folhear algumas
revistas lendo histórias soltas, nunca de fato parando para ler uma revista inteira.
GRÁFICO 6: Existência de títulos de quadrinhos em casa

Não
3
Sim
7
0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

Apenas os não eventuais disseram possuir quadrinhos em casa.

Quanto a regularidade, localidade e aquisição.
GRAFICO 7: Frequência de leitura

semanalmente

30%
40%

mensalmente
sem frequencia
precisa

30%

Os usuários eventuais não apresentaram constância de leitura.

9

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GRAFICO 8; Local em que lê as histórias em quadrinhos

13%

13%

6%

Biblioteca
Bancas
internet
casa

25%
43%

Livrarias

Neste caso, alguns usuários marcaram mais de uma opção. Sendo que
muitos leem o material na internet em formato digital e posteriormente compram o
produto que mais gostam.
GRÁFICO 9: Compra histórias em quadrinhos?

Não

Sim

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

Apenas os usuários eventuais não possuem quadrinhos em casa.
GRAFICO 10: Tipos de leitor

7%

21%
Eventuais

21%

exaustivos
Seletivos
Fanáticos
30%

Estudiosos

21%

Neste caso, muitos entrevistados marcaram mais de uma opção. Sendo que
três eram apenas eventuais, e um se identificou também como estudioso.

10

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5 UM MODELO PARA O COMPORTAMENTO DE USUÁRIOS DE QUADRINHOS
A partir de constatação resultante de busca prévia feita na BRAPCI 4 com os
termos “quadrinhos” e “estudo de usuários” ou “quadrinhos” e “comportamento
informacional”, não foi possível identificar estudos de usuários de HQs em nenhum
periódico

do

campo

informacional

no

Brasil

que

utilizasse

modelos

de

comportamento informacional, explicitamente ou não. Na verdade, poucos foram os
estudos sobre HQs no campo informacional, uma vez que a busca com o termo
“quadrinhos” recuperou 16 trabalhos.
Como já visto, pudemos identificar em Vergueiro (2005) interesse em
categorizar os tipos de usuários, e destacamos o estudo de Ramos (2008) que em
sua dissertação dedica parte de sua pesquisa à análise do perfil deste leitor em Belo
Horizonte (MG)
O modelo revisado de Wilson (1997) foi o escolhido como base para tentar
exercitar a elaboração de um modelo de comportamento do leitor de HQs pelo fato
deste trabalhar com as necessidades fisiológicas, cognitivas e afetivas dos
indivíduos. O modelo estuda o indivíduo, as demandas de seu papel na sociedade e
no ambiente, enfatizando sua vida e seu trabalho. Devido à especificidade do leitor
de HQs e sua variedade de tipos identificados em Vergueiro (2005), optamos pela
elaboração de um modelo genérico para este tipo de leitor.
Pautamo-nos também em estudos sobre a aplicação e adaptação do segundo
modelo de comportamento informacional de Wilson (1997) em áreas similares de
conhecimento, como o adaptado por Martinez-Silveira (2007) para médicos
residentes e também o de Cruz et al (2011) para informação musical de profissionais
e leigos, para produzir em caráter provisório, o modelo a seguir:

4

Base de dados referencial de artigos de periódicos em Ciência da Informação – Acesso em: 21/11/2012.
Disponível em: http://www.brapci.ufpr.br/

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Figura 3– Modelo proposto para o comportamento informacional de usuários de quadrinhos.

Contexto BPN
Dragão da Torre

Mecanismo de
ativação –
Entretenimento
/ pesquisas

Variáveis
intervenientes

Mecanismo
de ativação

Comportamento
de busca
informacional

Aprendizado
pelas trocas
de
experiência

Usuário de
quadrinhos em
ambiente
especializado e
não especializado

Teoria da
Cópia

Psicológicas
(os vínculos
afetivos com o
material)
Ambientais
(Ambiente
especializado
satisfaz mais
as
expectativas)
Característica
s das fontes
-Ambiente
especializado
- Trocas de
informações
entre leitores
e fontes
atualizadas
-Não
especializado
– fontes não
atualizadas.

Teoria do
Aprendizado
Social
Autoeficácia

Usuário não
eventual é
ativointerage com
o profissional
e com outros
usuários em
sua busca
Pesquisa
passiva –
Usuários
eventuais
Pesquisa
ativa –
outros tipos
de usuários
Pesquisa em
curso –
usuário
estudioso

Processamento e
uso da informação

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O contexto de necessidade informacional com o qual trabalhamos foi o da
busca de informação atualizada sobre HQs que não se restringe à busca pelo objeto
em si, mas ao prazer da leitura dos quadrinhos que parece motivar seu leitor a
querer saber sempre mais sobre este universo. Informações, por exemplo, sobre o
traço característico que cada artista imprime na obra. Aliás, a criatividade parece ser
contagiante, e não raro alguns aficionados se aventuram a criar suas próprias
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historias e/ou personagens. E mesmo aqueles que não criam nada tão concreto
parecem sair transformados pela experiência da leitura, ou pelo menos foi esta a
impressão que ficou dos depoimentos apaixonados de alguns leitores...
No estudo de campo pudemos notar que no contexto não especializado, uma
biblioteca pública, apenas o usuário do tipo “eventual” tem suas necessidades
satisfeitas plenamente, pois o que busca é uma leitura casual do material. Já os
usuários “exaustivos”, “seletivos” e “fanáticos” obtêm maior sucesso nas suas
buscas no ambiente especializado, no caso, a loja comercial, que apesar de possuir
menos exemplares que a BPN promove, no entanto, atividades dinâmicas e
possibilidade de trocas de informação sobre atualidades dos quadrinhos. O
“pesquisador” seria o tipo de usuário com menos retorno em ambos os espaços. Ele
até encontra algum material teórico na biblioteca pública, mas falta o dinamismo das
oficinas, ciclos de debates e informações especificas sobre a indústria editorial e
outros meios de comunicação que veiculam a informação quadrinística encontrados
no ambiente especializado por nós pesquisado.
Verificamos ainda que a motivação informacional pode ser dividida em três
grupos:
- Usuário eventual: busca entretenimento livre que pode ser HQs ou não;
- Usuário não acadêmico de acervo de quadrinhos: as HQs são objetos específicos
de sua busca por entretenimento, mas não apenas os quadrinhos em si (este tipo de
leitor possui normalmente em casa os quadrinhos de sua predileção), mas as
novidades da indústria, as atividades relacionadas à arte dos quadrinhos como
oficinas de desenho, colorização e arte final, assim como contato com outros leitores
com os quis compartilha seus afetos e debate sobre os pontos de discordância;
- Usuário acadêmico de acervo de quadrinhos: as HQs são seu objeto de estudo,
não apenas as teorias desenvolvidas nas áreas da Comunicação e Linguística, mas
as próprias histórias que podem ter seu conteúdo estudado por diversas áreas do
conhecimento.
O leitor de quadrinhos normalmente teve seu primeiro contato com esta leitura
na infância e manteve este hábito ao longo da vida. Muitos deles trazem para a vida
pessoal experiências vividas pelos personagens.
Constatamos que este leitor busca não apenas o quadrinho em si, mas toda
uma teia de informações sobre o material. A motivação é o entretenimento (o prazer

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da leitura), no qual o desejo de aprender e os laços afetivos estão muito presentes,
fato este que não pode ser ignorado.

REFERÊNCIAS
BAPTISTA, Sofia Galvão, CUNHA, Murilo Bastos da. Estudo e usuários: visão global
do métodos de coleta de dados. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 12,
n.2, p. 168-184, maio/ago. 2007.
CRUZ, Fernando William et al. Um modelo para mapeamento de necessidades e
usos de informação musical. Perspectivas em Ciência da Informação, v.16, n.2,
p.207-227, abr./jun. 2011.
FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Estudos de uso e usuários da informação.
Brasília, DF: IBICT, 1994.
GASQUE, Kelly Cristine Gonçalves Dias; COSTA, Suely Maria de Souza. Evolução
teórico-metodológica dos estudos de comportamento informacional de
usuários. Ci. Inf., Brasília, v. 39, n.1, p. 21-32, jan./abr. 2010.
GONZALEZ TERUEL, Aurora. Los estúdios de necesidades y usos de la
información: fundamentos y perspectivas actuales. Gijón: Trea, 2005.
MARTÍNEZ-SILVEIRA; Martha, ODDONE, Nanci. Necessidades e comportamento
informacional: conceituação e modelos. Ci. Inf., Brasília, v. 36, n.1, p.118-127,
maio/ago. 2007.
PEREIRA, Júlio César Lopes. Necessidade busca e uso da informação: estudo de
caso em um setor de Help Desk de indústria cimenteira multinacional. Dissertação
(Mestrado em Ciência da Informação). Belo Horizonte. Escola de Ciência da
Informação. Universidade Federal de Minas Gerais. 2008.
RAMOS, Rubem Borges Teixeira. Histórias em quadrinhos na sociedade
contemporânea: lazer, produção e obtenção de conhecimento na leitura das
revistas de super-heróis. Belo Horizonte, 2008. Originalmente apresentada como
Dissertação de Mestrado em Ciência da Informação pela Universidade Federal de
Minas Gerais.
VERGUEIRO, Waldomiro. Histórias em quadrinhos e serviços de informação: um
relacionamento em fase de definição. Data Grama Zero, v. 6, n. 2, art. 04, ago.
2005.
Disponível em: http://www.dgz.org.br/abr05/Art_04.htm Acesso em: 20/05/2012
YUNES, Eliana (Org.). Pensar a leitura: complexidade. Rio de Janeiro: PUC-Rio;
São Paulo: Loyola, 2002.

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Comportamento informacional de leitores de histórias em quadrinhos: reflexões iniciais</text>
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              <text>Nanci Gonçalves da Nóbrega</text>
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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
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              <text>O trabalho representa um fragmento da pesquisa de Mestrado desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciência da informação da Universidade FederalFluminense. Pretende refletir sobre os interesses dos leitores de histórias em quadrinhos buscando subsídios em pesquisa de campo, nos estudos de usuários e de comportamento informacional. O que motiva um leitor de quadrinhos a buscar informação? Que caminhos ele percorre? Como definir este tipo de leitor? Taisquestões permeiam nossas reflexões e nos convidam a pensar sobre a importância do desenvolvimento de coleções de quadrinhos nos espaços informacionais, nosso real objeto de pesquisa de Mestrado. Pesquisa de cunho qualitativo e exploratóriocujas estratégias metodológicas utilizadas foram a observação direta nos espaços informacionais e a coleta de dados obtida por meio de entrevistas individuais feitas através de questionário semi-estruturado, combinando perguntas abertas e fechadas. A partir de busca no campo teórico utiliza o Modelo de Wilson revisado (1997) juntamente com as categorias de usuários descritas por Vergueiro (2005)como base para a elaboração de um modelo que se aplique aos usuários de HQs. Destaca como resultados os diferentes níveis de satisfação do usuário de acordocom o seu perfil em contextos informacionais diversos. E por fim aponta o prazer da leitura e a relação de afeto entre o leitor e as HQs como fatores a se considerar no desenvolvimento do trabalho nas unidades de informação.</text>
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