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                  <text>Competência informacional em pesquisadores na área de educação
Lúcia da Silveira (UFSC) - luciadasilveiras@gmail.com
Elizete Vieira Vitorino (UFSC) - elizete@cin.ufsc.br
Raimundo Nonato Macedo dos Santos (UFPE) - rnmacedo@uol.com.br
Resumo:
Descreve a percepção dos pesquisadores vinculados a Universidade Federal de Santa Catarina
referente a suas preferências de pesquisa. Fundamenta-se na educação de usuário e
competência Informacional. Caracterizou-se do ponto de vista de seus objetivos como pesquisa
descritiva, e dos procedimentos técnicos trata-se de um levantamento. Como instrumento de
coleta de dados utilizou-se o questionário. Os resultados apresentaram que os pesquisadores
costumam usar fontes já conhecidas e não utilizam vocabulário controlado, tesauro ou
recursos que a base de dados oferece. Concluí-se que os pesquisadores poderiam aprender
técnicas de recuperação da informação e participar de programas de competência
informacional.
Palavras-chave: Competência informacional. Necessidade de informação. Educação de
usuário. Recuperação da informação.
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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�XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação – Florianópolis, SC,
Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Competência informacional em pesquisadores na área de educação
Resumo:
Descreve a percepção dos pesquisadores vinculados a Universidade Federal de
Santa Catarina referente a suas preferências de pesquisa. Fundamenta-se na
educação de usuário e competência Informacional. Caracterizou-se do ponto de
vista de seus objetivos como pesquisa descritiva, e dos procedimentos técnicos
trata-se de um levantamento. Como instrumento de coleta de dados utilizou-se o
questionário. Os resultados apresentaram que os pesquisadores costumam usar
fontes já conhecidas e não utilizam vocabulário controlado, tesauro ou recursos que
a base de dados oferece. Concluí-se que os pesquisadores poderiam aprender
técnicas de recuperação da informação e participar de programas de competência
informacional.
Palavras-chave: Competência informacional. Necessidade
Educação de usuário. Recuperação da informação.

de

informação.

Área temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação
1

INTRODUÇÃO

O Brasil ocupa a 13ª posição no ranking dos países com maior volume de
produção científica indexada no mundo e forma anualmente dez mil doutores. O
investimento em ciência e tecnologia em 2010 foi de 1,3% do Produto Interno Bruto
(PIB). A meta é aumentar o investimento para 1,8% PIB até 2015 (BRASIL, [201-?]).
Para promover e fomentar o desenvolvimento científico, tecnológico e
contribuir na formulação das políticas nacionais de ciência e tecnologia o país conta
com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.
O CNPq criou em 1993 o Diretório dos Grupos de Pesquisa do Brasil,
viabilizando a criação de grupos de pesquisas nas universidades de todo o país. Os
grupos são pessoas que trabalham em torno de uma ou mais linhas de pesquisa em
uma determinada área do conhecimento, com o objetivo de fomentar a pesquisa
científica. A taxa de crescimento de produção científica é de 8% ao ano, enquanto a
média mundial está em 2% (BRASIL, [201-?]). Um avanço para este setor no país.
É neste cenário que se insere esta pesquisa, cujo objetivo é descrever a
percepção dos pesquisadores acerca de como estão realizando as suas buscas por

1

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fontes de informação, quais recursos, avaliações e quais suportes usam para
fundamentar as pesquisas realizadas.
Acredita-se que o bibliotecário pode contribuir com o desenvolvimento de
programas de Competência Informacional e a participação dos pesquisadores pode
favorecer tanto

em suas pesquisas

quanto

no

desenvolvimento

pessoal,

consequentemente fomentando o crescimento científico do Brasil.
No item seguinte apresenta-se a relação entre educação de usuário e
competência informacional.

2

EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS E COMPETÊNCIA INFORMACIONAL
A educação de usuários está diretamente ligada à necessidade de

informação. Esta por sua vez está relacionada com o contexto sócio-político e
científico do indivíduo. Um exemplo disso é o caso de um universitário que tem um
problema de pesquisa e precisa encontrar respostas para a sua questão. Essa
necessidade está pautada principalmente nos fundamentos técnicos, éticos e
políticos da competência.
Neste sentido, o bibliotecário tem um papel diferenciado no processo de
educação do usuário, para o atendimento de suas necessidades na sociedade da
informação. Acredita-se que os fundamentos da educação de usuário integram as
características da Competência Informacional, tendo em vista que se trata de
[...] uma forma de empoderamento pessoal. Ela permite que as pessoas
sejam críticas e possam criar suas opiniões independentemente. Dá-lhes a
capacidade de construir seus próprios argumentos e experimentar a
emoção da busca pelo conhecimento. Ela não só prepara para a
aprendizagem ao longo da vida, mas, ao experimentar a emoção de suas
próprias missões bem-sucedidas para o conhecimento, ela também cria nos
jovens a motivação para prosseguir a aprendizagem ao longo da vida
(AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION, 1989).

Assim, o papel do bibliotecário na sociedade é de instigador, possibilitando a
atuação para a promoção da cidadania e democracia. O bibliotecário pode se libertar
por meio da Competência Informacional da característica de ser apenas técnico, e
passa a ser um profissional interligado com a sociedade da informação.
No entanto, essa característica do bibliotecário ainda está sendo construída,
podendo ser evidenciada na educação de usuários nos serviços oferecidos pelos
bibliotecários. Esses ainda estão relacionados aos serviços de referência, compondo
2

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as atividades de: orientação bibliográfica, incentivo à leitura, levantamento
bibliográfico, uso de normas, etc. Conforme Campello (2009, p.11), a atividade do
bibliotecário não se restringe a isso, “mas amplia-se para abranger aprendizagens
mais complexas”. De acordo com Grandi e Ferrari (2000, p.7)
Não se trata simplesmente do desenvolvimento de habilidades específicas
para a exploração dos recursos de uma biblioteca ou base de dados, mas
sim da promoção do crescimento individual a partir da aquisição e
incorporação de uma postura investigativa e crítica por parte dos indivíduos,
postura esta a ser mantida por toda vida.

Para atender a essas necessidades, existe um movimento mundial chamado
de information literacy traduzida neste trabalho como competência informacional1
(COMPINFO). Surgiu em 1974 e foi citado pela primeira vez pelo bibliotecário Paul
Zurkowsky, num relatório que descrevia a relação dos produtos e serviços
promovidos pela biblioteca em instituições privadas (DUDZIAK, 2003). Desta forma,
[...] ser competente em informação, [significa] ser capaz de reconhecer
quando uma informação é necessária e [...] ter a habilidade de localizar,
avaliar e usar efetivamente a informação. Resumindo, as pessoas
competentes em informação são aquelas que aprenderam a aprender. Elas
sabem como aprender, pois sabem como o conhecimento é organizado,
como encontrar a informação e como usá-la de modo que outras pessoas
aprendam a partir dela. (AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION, 1989, p.1)

Entende-se a necessidade de ampliar o conceito de Competência
Informacional, como abordam os estudos de Vitorino e Piantola (2011), que incluem
uma visão mais filosófica do termo, procurando demonstrar que a Competência
Informacional é mais que técnica, é também o despertar do outro para as dimensões
da estética, ética e política. As características das dimensões da competência
informacional estão apontadas no quadro 1:
Quadro 1 - Resumo das características das dimensões da competência informacional

Fonte:Vitorino e Piantola (2011, p.109)
1

Outras traduções: competência em informação, letramento informacional, alfabetização tecnológica.

3

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As dimensões transcendem umas as outras, ou seja, a dimensão política está
contida em cada uma das outras dimensões. E assim por diante. Cada uma das
dimensões pode ser desenvolvida por meio dos modelos de Competência
Informacional. Os modelos por sua vez, são usados em programas específicos para
a formação de indivíduos conforme a comunidade ou necessidade.
Para exemplificar, utilizou-se um esquema (quadro 2) representando os
modelos: Information Seeking Process desenvolvido por Kuhlthau (1991, p. 369); o
modelo Flip it! de Yuchte e o padrão da International Federation of Library
Associations and Institutions (LAU, 2006). Como se pode observar no esquema, as
etapas dos modelos dos programas são semelhantes entre si.

Uso

Avaliação

Acesso

Quadro 2 - Modelos de desenvolvimento de Competência Informacional
Kuhlthau –Information
Etapa
Yucht- FLIP it! ™ (1988)
Lau - Padrão IFLA (2006)
Seeking Process (1991)
Início: Reconhecer a
Necessidade: Decidir;
Definir o problema
1
necessidade de informação
Expressar; Iniciar
Identificar e localizar os
Seleção: Identificar o tópico
Localização: Pesquisar;
2
recursos (fontes de
geral
Selecionar; Recuperar
informação);
Reunir informações: tomar
Exploração: Investigar a
Avaliação: Analisar;
notas, organizar, analisar e
3
informação dentro do tópico
sintetizar as informações
Generalizar; Avaliar
geral
localizadas (fichamento);
Organização:
Formulação: Formular o foco Unir e apresentar as
4
Categorizar; Estruturar;
de interesse
conclusões
Organizar
Coleta: Buscar a informação
Uso da informação:
5
pertinente ao foco definido
Aplicar; Aprender; Usar
Apresentação: Finalização
Comunicar: Uso ético;
6
do processo e apresentação
Reconhecer; Modelos de
dos resultados.
estilo
Fonte: elaborado pelos autores

3

ASPECTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA

A pesquisa desenvolvida caracterizou-se do ponto de vista de seus objetivos,
como pesquisa descritiva. A pesquisa descritiva segundo Gil (1991, p.46) tem por
objetivo a “descrição das características de determinada população ou fenômeno ou
o estabelecimento de relações entre variáveis”.
Quanto à abordagem do problema, é uma pesquisa quantitativa, de modo que
os resultados sejam medidas precisas e confiáveis da realidade. Essa metodologia
permite que sejam feitas análises estatísticas para mensurar um universo por meio
de uma amostra que o represente de forma estatisticamente comprovada.
4

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Para o delineamento dos procedimentos técnicos utilizou-se do levantamento,
isto é, “a solicitação de informação a um grupo significativo de pessoas acerca do
problema estudado, para obter as conclusões correspondentes aos dados
coletados.” (GIL, 1991, p.56).
Para selecionar os grupos de pesquisa da UFSC, foi utilizada a busca no
Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil. Para tal busca, usaram-se os termos:
‘estudo núcleo pesquisa laboratório estudos social UFSC literatura federal estudo
pesquisas universidade saúde política interdisciplinar informação conhecimento
letras’. Todas essas palavras foram inseridas no campo consultar por. Desta forma,
a busca dos grupos se limitou a partir da inserção dessas palavras, e o sistema
buscou em qualquer uma das palavras.
O resultado dessas buscas foi organizado por meio do software Microsoft
Excel, e tabulado por grupos e áreas de concentração. Constatou-se por meio do
levantamento2 que a UFSC tem 303 grupos de pesquisa (tabela 1) e estão
distribuídos em grandes áreas do conhecimento: 13 Ciências Agrárias, 12 grupos
nas Ciências Biológicas, 45 nas Ciências da Saúde, 32 nas Ciências Exatas e da
Terra, 70 grupos nas Ciências Humanas, 65 nas Ciências Sociais Aplicadas, 50
grupos nas Engenharias e por fim 16 grupos na área de Lingüística, Letras e Artes.
Tabela 1 – Grupo de pesquisas por área do conhecimento
Áreas do conhecimento
Ciências Agrárias
Ciências Biológicas
Ciências da Saúde
Ciências Exatas e da Terra
Ciências Humanas
Ciências Sociais Aplicadas
Engenharias
Linguística, Letras e Artes
Total

Grupos /
Núcleos de pesquisa
13
12
45
32
70
65
50
16
303

A partir da identificação do universo de 303 grupos de pesquisa, foi
selecionada a população para aplicar o questionário. A seleção da população foi
intencional atendendo apenas a área das Ciências Humanas (Classificação da área
pelo CNPq), com concentração na área de Educação com os programas de PósGraduação em Educação e em Educação Científica e Tecnológica.
2

Desenvolvimento do questionário, levantamento dos dados, aplicação do pré-teste do questionário,
o questionário final e tabulação foram realizadas em 2008.
5

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Para identificar os grupos dessa área foi realizada uma pesquisa com as
palavras: ‘estudo, núcleo, pesquisa, laboratório, estudos, social, UFSC, literatura,
federal, estudo, pesquisas, universidade, saúde, política interdisciplinar, informação,
terra, conhecimento, educação, pedagogia’. Filtrando pela grande área do grupo
Ciências Humanas, foram eleitas as opções: área do grupo Educação e em qualquer
uma das palavras. Recuperou 21 grupos de estudo, representando 7% dos grupos
em relação ao total de grupos da UFSC.
A amostra da população foi do tipo intencional, abrangendo todos os 21
grupos de pesquisa para ter um resultado preciso. O número aproximado dos
recursos humanos dos 21 grupos (compondo os pesquisadores, estudantes e
técnicos) constituído de 359 pessoas incluindo os líderes dos grupos.
Os dados foram coletados por meio de questionários compostos por oito
questões (sete questões fechadas e uma aberta). Foi utilizado o questionário on-line
Survey Gizmo em seguida enviado via e-mail. Foram aplicados no total 76 (21%)
questionários, destes, 64 foram enviados via e-mail. Foram respondidos 24
questionários (12 questionários foram aplicados pessoalmente).
O resultado foi confrontado com a literatura sobre a necessidade de
informação considerando a importância desta etapa para a Competência
Informacional de usuários deste nível.

4

RESULTADOS DA PESQUISA

Nesta seção serão analisados os dados coletados do estudo em questão:
caracterização da população, preferências tipo de suporte, idioma, aspectos da
busca de informação, preferência de fontes de informação, dos termos, habilidades
técnicas na busca e avaliação dos resultados de busca.

4.1

Caracterização da população

A caracterização dos pesquisadores é útil no levantamento das necessidades,
pois essas nascem dos papéis desenvolvidos pelos indivíduos tanto na vida social,
quanto no exercício da profissão (MIRANDA, 2006). O papel profissional “representa
um conjunto de atividades, responsabilidades etc. de um indivíduo na busca de seu
sustento e outras satisfações.” (MIRANDA, 2006, p. 103).
6

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A população foi caracterizada pelo nível de graduação dos respondentes.
Observa-se, no quadro 3, que quatro (4) respondentes possuem pós-doutorado.
Treze (13) destes possuem doutorado. Cinco (5) têm mestrado e dois (2) outros
possuem apenas graduação.
Quadro 3 - Escolaridade
Nível de Graduação

Frequência

Pós – Doutorado

4

Doutorado

13

Mestrado

5

Graduação

2

Total

24
Fonte: Dados da pesquisa.

O grau de escolaridade também auxilia a identificar o nível de especificidade
da busca e acaba influenciando nas necessidades de informação. Tendo em vista
que as características individuais interferem na escolha e na hierarquia das
necessidades de informação. Segundo Miranda (2006, p. 103)
Influem também nas condições cognitivas como conseqüência de papéis
sociais e profissionais que estabelecem características de comportamento
ou por indução das condições do ambiente. As características dos papéis
profissionais estão conectadas com a posição ocupada, tipo de trabalho e
hierarquia profissional; e a estrutura organizacional (incluindo os sistemas e
serviços de informação, situação econômica, tecnologia, cultura, tradição
etc.) é característica do ambiente que influencia no comportamento.

Neste sentido, o contexto das áreas de formação do pesquisador interfere no
processo de busca e também na elaboração do programa de Competência
Informacional. Por exemplo, a capacitação sobre o uso de fontes de informação.
Assim, a titulação pode auxiliar na capacitação, podendo o profissional da
informação relacionar o assunto pesquisado com a área de conhecimento do
pesquisador. A pesquisa identificou que a formação base (graduação) da maioria
dos respondentes foi em Pedagogia, exceto dois que fizeram a graduação em
Filosofia (1) e Psicologia (1). Constatou-se que os mestrados foram na área da
Educação. Treze (13) pesquisadores tem doutorado dez (10) Educação; um (1) em
História; um (1) em Comunicação e um (1) em Psicologia; Quatro (4) pesquisadores
tem pós-doutorado sendo dois (2) em Educação; um (1) Lingüística e um (1) em
Sociologia da Infância.

7

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4.2

Suporte e Idioma
A preferência por literatura científica impressa ou virtual com o conteúdo

desejado é indiferente (46%) nessa comunidade, ou seja, os sujeitos pesquisados
utilizam os dois formatos. Para os demais respondentes é preferível o suporte digital
(33%) ao suporte papel (21%). Para um dos respondentes o importante é “ter
acesso ao documento”.
Quanto ao idioma, os pesquisadores preferem, em primeiro lugar, o português
100% de uso, em segundo, com 41% das preferências, espanhol, em terceiro o
inglês, 33%, e, em quarto, com 8%, o francês.

4.3

Fontes de informação
As ações dos pesquisadores nessa fase são determinar todas as

possibilidades de fontes e selecionar as melhores fontes. Conforme os dados da
tabela 2, o tipo de fonte que os pesquisadores preferem é 100% o livro. As teses e
dissertações são muito usadas (58%). Isso se justifica, pois
cada tipo de NI [necessidade de informação] requer seu próprio tipo de
informação, o que se leva a inferir que existem também diferentes tipos de
informação. Pode-se dizer então que diferentes tipos de informação geram
diferentes tipos de documentos e cada tipo de NI é mais convenientemente
satisfeito por um tipo específico de documento. (FIGUEIREDO 1996, p.12).

Se o pesquisador não se sente bem ao se relacionar com as tecnologias de
informação isso pode interferir na escolha e uso das fontes de informação,
principalmente no uso de periódicos e bases de dados on-line. Pode ser que o
desconhecimento das ferramentas de uso destas bases torne-se uma barreira para
esses usuários.
Tabela 2 - Tipologia Documental
Item
Livros
Teses e dissertações
Bases de dados
Periódicos (revistas)
Anais
Dicionários gerais
Dicionários específicos/
técnicos
Normas Técnicas

Totalmente
usado
63%
13%
17%
38%
13%
13%

13%
21%
25%
25%
13%
17%

Muito pouco
usado
0%
4%
17%
0%
30%
21%

Nunca
usado
0%
0%
4%
0%
0%
4%

8%

46%

21%

13%

22

8%

46%

21%

4%

22

Muito usado

Pouco usado

25%
58%
29%
38%
42%
38%

4%
13%

Freq.
24
23
24
23
22

Fonte: Dados da pesquisa.
8

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Com relação ao uso das bases de dados (tabela 3), apontaram-se as bases
especificas na área de educação e bases multidisciplinares. O resultado mostra
pouco interesse ou conhecimento dos respondentes referente aos diferentes tipos
de bases de dados na área de Educação, exceto para base Scielo (46%) e a
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd)
totalmente usada (42%).
Tabela 3 - Base de dados
Item
Blackwell
British Society for the
Philosophy of Science
Emerald

Totalmente
usado

Muito usado

Pouco
usado

Muito pouco
usado

Nunca
usado

Não sei

4%

0%

0%

0%

38%

21%

4%

4%

0%

8%

33%

17%

0%

0%

0%

0%

38%

21%

Eric

8%

4%

0%

0%

33%

21%

Jstor

0%

0%

0%

0%

33%

25%

Sage

0%

4%

4%

0%

33%

33%

Scielo

46%

29%

4%

4%

0%

13%

Scopus

0%

0%

4%

0%

33%

21%

Wilson

0%

0%

0%

0%

33%

21%

ANPED

42%

17%

17%

0%

0%

0%

Fonte: Dados da pesquisa.

O uso de fontes de informação sem critérios de avaliação pode ser
considerado uma barreira, tratada por Figueiredo (1996, p.14) como “à qualidade da
informação fornecida e à confiabilidade das fontes”.
Segundo Tomaél et al. (2001, p.4), as fontes de informação disponíveis na
Internet devem ser utilizadas com cautela. Indicando o uso de critérios específicos
que permitam selecionar as fontes de informação de maneira mais segura. Os
critérios precisam ser aprendidos assim como o uso de ferramentas especializadas
que possibilitem uma eficiente busca para o pleno desenvolvimento da pesquisa.
Não se trata apenas de dispor de mais e melhores fontes, mas também de ter os
conhecimentos necessários para poder usá-las e avaliá-las.
Visando subsidiar a avaliação de fontes de referência na Internet, os autores
supracitados desenvolveram critérios de qualidade para avaliar fontes na rede,
identificados como: informação e identificação da fonte, consistência, confiabilidade
e adequação das informações, links internos e externos, facilidade de uso, leiaute da
fonte, restrições percebidas, suporte ao usuário, entre outras.

9

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4.4

Aspectos da busca de informação

Para iniciar uma busca, algumas decisões precisam ser tomadas nesse
processo. Nesse sentido, foi questionado se os pesquisadores recorrem aos
seguintes recursos: buscam pelo assunto desejado no acervo pessoal; entram em
contato com os especialistas que pesquisam os mesmos assuntos (pares); buscam
a Competência Informacional do Bibliotecário para ajudá-lo nessa atividade; fazem
consulta direta na Internet; possuem habilidades de seleção e recuperação da
informação; utilizam para apoiar nesse processo, o tesauro ou vocabulário
controlado.
Em relação à decisão de localização das fontes para pesquisa (tabela 4), 58%
dos respondentes sempre recorrem ao acervo pessoal. Algumas vezes (50%)
procuram os catálogos de editores para encontrar uma obra e 23% solicitam aos
pares ajuda para encontrar fontes de informação. Para Sayão (1996, p. 314)
Quando um pesquisador, diante de um microcomputador ligado a um banco
de dados que pode estar em qualquer parte do mundo, vasculha suas
estantes eletrônicas à procura de informações que definam, completem ou
estabeleçam as fronteiras do seu trabalho de pesquisa, ele repete o mesmo
gesto de quem mergulha na memória de seu grupo para reconstruir as
lembranças comuns e dessa forma manter íntegra a sua comunidade.
Tabela 4 - Preferência de fontes para pesquisa
TotalMuito
Pouco
Muito
mente
usado
usado
pouco
usado
usado
Acervo pessoal
58%
42%
0%
0%
Procura nos catálogos dos editores
4%
17%
50%
17%
Aconselha-se com os seus pares
21%
29%
38%
4%
Delega essa decisão ao orientando /
4%
21%
38%
13%
outros membros do grupo
Fala com o bibliotecário
0%
13%
21%
33%
Internet
38%
42%
13%
4%
Domínio de habilidades avançadas de
seleção e recuperação de informação
0%
13%
25%
21%
(tesauro, vocabulário controlado, etc.)
Item

Base de dados
Fonte: Dados da pesquisa.

17%

33%

13%

25%

Nunca
usado

Não
sei

Freq.

0%
0%
0%

0%
4%
0%

24
22
22

17%

0%

22

25%
0%

0%
0%

22
23

13%

25%

23

0%

4%

22

Os pesquisadores raramente (33%) e nunca (25%) falam com o Bibliotecário
para auxiliá-lo no processo de busca, ou seja, 58% não buscam esse profissional. Já
em relação ao item ‘domínio de habilidades nos recursos de seleção e recuperação
da informação por meio do uso dos tesauros e vocabulário controlado’, constatou-se
10

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o desconhecimento dos pesquisadores, pois raramente (21%) usam, nunca (13%)
usaram ou não sabem (25%) do que se trata. Conforme depoimento de uma
pesquisadora, “nem sabia que existia” tesauro, embora, a mesma tenha pós-doc,
fora do Brasil e isso não significa que tenha essas habilidades.
Por isso, acredita-se que por meio de programas de Competência
Informacional o Profissional da Informação, Bibliotecário poderia auxiliá-los no
processo de aprendizagem de modo a conscientizá-los. Tendo em vista a
construção de uma nova concepção do papel deste profissional no processo de
pesquisa, principalmente quando aliado a programas de Competência Informacional.

4.5

Preferência de termos de busca

Com relação à preferência de busca por meio de palavras-chaves, os
pesquisadores têm alguns padrões. Nesse caso, o padrão foi considerar as palavras
não tratadas para fazer uma busca. Ou seja, na tentativa e erro, até encontrar uma
palavra que recupere o que é necessário, ou utilizar fontes já conhecidas, como os
autores renomados e títulos de periódicos. Isso é percebido por meio das respostas
dos pesquisadores (tabela 4), que afirmam sempre utilizar como palavras de busca:
o nome do autor preferido (38%); e muitas vezes procuram diretamente pelos os
títulos de periódicos (46%).
Por um lado, os autores atendem o quesito de segurança da informação
quando procuram por autores e periódicos conhecidos, mas por outro lado, deixam
de conhecer novos autores da área, autores e conteúdos que podem mostrar algum
diferencial para a sua produção e consequentemente para a comunidade científica.
Tabela 2 - Palavras de busca
Item

Sempre

Muitas
vezes

Poucas
vezes

Raramente

Nunca

Não sei

Total

Nomes dos autores de sua preferência

38%

38%

8%

0%

0%

0%

23

Títulos de periódicos de sua preferência
Palavras chave de sua preferência

33%

46%

21%

0%

0%

0%

24

13%

42%

4%

0%

0%

0%

24

8%

17%

21%

38%

8%

0%

22

0%

0%

21%

38%

13%

21%

22

8%

4%

29%

17%

29%

21%

23

Termos pesquisados em dicionários /
glossários especializados
Termos disponíveis nos tutoriais dos
suportes informacionais
Recursos de linguagem documentária
disponíveis nos suportes digitais
(tesauro, vocabulário controlado,
operadores booleanos e filtros.

Fonte: Dados da pesquisa.
11

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Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

4.6

Avaliação da resposta de busca

A avaliação da resposta de busca é muito importante para o pesquisador
considerando que são os resultados que poderão responder as suas dúvidas,
necessidades e, ou problemas. O resultado da busca e o uso da informação
depende de como o sujeito “avalia a relevância cognitiva e emocional da informação
recebida e de atributos objetivos capazes de determinar a pertinência da informação
a certa situação problemática.” (MIRANDA, 2006, p. 104). Ou seja, diferentes
pessoas ou grupos entendem de maneira distinta o que compõe a solução de um
problema.
Assim, a avaliação do resultado de busca (gráfico 1) para 46% dos
respondentes os cinco primeiros resultados de busca são relevantes. Já 38%
acreditam que os resultados são parciais, ou seja, traz muitos resultados que às
vezes não utilizam.
Gráfico 1 - Avaliação da Literatura encontrada

Fonte: Dados da pesquisa

Foi questionado aos pesquisadores (gráfico 2) qual a avaliação sobre os
recursos de acesso à informação disponível (tesauro, vocabulário controlado,
operadores booleanos etc.). Foi sinalizado que 4% e 8 % avaliam esses recursos
como excelentes e muito bons. Respectivamente, 13% e 8% dos pesquisadores
avaliaram os mesmos, como bons e razoáveis; 25% avaliam como dispositivos
pobres e, 33% não têm conhecimento sobre.
Gráfico 2 - Avaliação de Recursos de Acesso a informação

Fonte: Dados da pesquisa
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Acredita-se, pelos resultados da pesquisa, que os pesquisadores poderiam
ser capacitados não apenas para aprender os recursos de recuperação da
informação, mas poderiam participar de programas de Competência Informacional
que estimulam o aprender a aprender e aprendizagem ao longo da vida.

5

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo realizado possibilitou um primeiro contato com os grupos de
pesquisa na área da Educação. A aplicação dos questionários (presencial) teve uma
boa receptividade dos pesquisadores, principalmente em relação ao tema
“recuperação da informação”. Alguns deles demonstraram interesse em participar da
capacitação, e acreditam que isso poderá melhorar sua maneira de pesquisar.
Quando havia interesse do pesquisador, foi possível fazer uma breve
demonstração do uso do tesauro na base ERIC3, e no SciELO4 com o uso de
operadores booleanos e de vocabulário controlado. Nesse momento, foi possível
perceber o entusiasmo do pesquisador ao se integrar com as novas possibilidades
de recuperação da informação. Isso mostra a abertura do pesquisador para
aprender, mesmo que seu grau de escolaridade seja doutorado, ou pós-doutorado.
Percebeu-se por meio da pesquisa, uma carência dos pesquisadores com
relação aos instrumentos de recuperação da informação, com o uso das bases de
dados e principalmente nos recursos informacionais por elas disponibilizados, além
dos pesquisadores não usarem de linguagem documentária. No entanto, as
linguagens documentárias fazem o papel de comunicação entre usuário e
documento. O Bibliotecário precisa incluir serviços para esses usuários, pois existe
demanda e por tanto, mais espaço para a atuação do Bibliotecário nas Bibliotecas
das Universidades brasileiras.
Em

função

desse

desconhecimento,

acredita-se

ser

necessário

o

desenvolvimento de um programa de Competência Informacional que atenda as
necessidades não apenas dos pesquisadores da área da Educação, mas também
das demais áreas do conhecimento que tenham grupos de pesquisa na
universidade. O Bibliotecário poderá oferecer esse serviço para os grupos de
3

ERIC - Education Resources Information Center é a maior fonte de informação existente na área de
educação do mundo.
4
SciELO - Scientific Electronic Library Online (Biblioteca Científica Eletrônica em Linha) é um modelo
para a publicação eletrônica cooperativa de periódicos científicos na Internet.
13

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pesquisa. Porque, ao ser competente em informação, o pesquisador poderá
desenvolver suas pesquisas em um tempo menor e, assim, dedicando mais do seu
tempo à atividade intelectual, consequentemente fomentando o crescimento
científico do Brasil.
Embora, do ponto de vista deste estudo, considere-se os resultados ainda
bastante parcial, sinalizam que, os pesquisadores, além da necessidade de
aprenderem técnicas de recuperação da informação, poderiam participar de
programas de competência informacional. Isso poderá proporcionar melhores
resultados em suas pesquisas, ao tempo em que desenvolve habilidades em
aprender a aprender e a aprendizagem ao longo da vida.
Sugere-se, para futuros estudos, aprofundamento das dimensões da
Competência Informacional aplicadas aos programas de capacitação da Biblioteca
Universitária da UFSC: como está o atendimento das diretrizes das dimensões da
Competência Informacional? Abrangem as necessidades dos pesquisadores
levantadas neste estudo? Como os bibliotecários estão se atualizando para estas
demandas? Como as universidades, em seus cursos de graduação, estão se
adequando a essas possibilidades de melhorias aos pesquisadores e as pesquisas
em geral?

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15

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Competência informacional em pesquisadores na área de educação</text>
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              <text>Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da informação - Trabalho científico</text>
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              <text>Descreve a percepção dos pesquisadores vinculados a Universidade Federal de Santa Catarina referente a suas preferências de pesquisa. Fundamenta-se na educação de usuário e competência Informacional. Caracterizou-se do ponto de vista de seus objetivos como pesquisa descritiva, e dos procedimentos técnicos trata-se de um levantamento. Como instrumento de coleta de dados utilizou-se o questionário. Os resultados apresentaram que os pesquisadores costumam usar fontes já conhecidas e não utilizam vocabulário controlado, tesauro ou recursos que a base de dados oferece. Concluí-se que os pesquisadores poderiam aprender técnicas de recuperação da informação e participar de programas de competência informacional. </text>
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