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                  <text>Competência em informação, criatividade e inovação: uma
experiência didática sob o enfoque de redes de conhecimento nas
organizações

Glória Georges Feres (FIB) - ggeorgesferes@yahoo.com.br
Regina Célia Baptista Belluzzo (UNESP) - rbelluzzo@gmail.com
Resumo:
Ressalta-se a importância de pesquisa em Competência em Informação (CoInfo) e descreve-se
fundamentação teórica e resultados obtidos com a aplicação de metodologia comparativa
apoiada na elaboração de Diagrama Belluzzo, utilização de métodos e processos criativos e
padrões/indicadores de CoInfo. Os resultados apontam para a existência de inter-relação entre
a CoInfo, a criatividade e a inovação.
Palavras-chave: Competência em Informação. Criatividade. Inovação
Área temática: Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação

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Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013

Competência em informação, criatividade e inovação: uma experiência didática
sob o enfoque de redes de conhecimento nas organizações.
Resumo:
Ressalta-se a importância de pesquisa em Competência em Informação (CoInfo) e
descreve-se fundamentação teórica e resultados obtidos com a aplicação de
metodologia comparativa apoiada na elaboração de Diagrama Belluzzo, utilização
de métodos e processos criativos e padrões/indicadores de CoInfo. Os resultados
apontam para a existência de inter-relação entre a CoInfo, a criatividade e a
inovação.
Palavras-chave: Competência em Informação. Criatividade. Inovação.
Área Temática II: Transcompetências: diferenciais dos usuários e do profissional da
informação
1 INTRODUÇÃO
Os fatores preponderantes da sociedade atual são: informação, conhecimento
e a tecnologia. A crescente evolução dos elementos tecnológicos permitiu o acesso
e uso da informação na sociedade contemporânea e tem revolucionado
significativamente o modo de viver, pensar, agir e comunicar, alterando radicalmente
as estruturas sociais baseadas nos moldes tradicionais de produção do
conhecimento. A informação, enquanto um bem social deve estar em articulação
com a universalização das tecnologias de informação e comunicação (TIC), a
qualificação das pessoas, o processo educativo como forma de “aprender a
aprender” e o aprendizado ao longo da vida. Entretanto, como há excesso de
informação e uma grande velocidade na sua geração e transferência, em
decorrência surgem novas exigências em termos de competências para sua
produção e comunicação.
Assim, são palavras de ordem do panorama social contemporâneo: criação,
desconstrução, renovação, interconexão e colaboração, em busca de uma
inteligência coletiva. Considera-se que a transformação que repercute nas formas de
trabalhar, informar e comunicar, com certeza, traz consigo a sociedade da
informação, designando o processo de mudanças com base no uso da informação
para gerar conhecimento. Mas, mudanças ágeis da sociedade exigem das pessoas
a reciclagem constante e permanente de seu estoque de conhecimento e, embora a

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tecnologia permita o acesso à informação, ela por si só não operacionaliza o
processo de conhecimento.
Vale lembrar que possibilitar tão somente o acesso a grandes quantidades de
informação não assegura a sua transformação em conhecimento, isto porque o
conhecimento

não

pode

ser

transferido,

dependendo

da

capacidade

de

racionalização dos seres humanos. Portanto, para localizar a informação relevante
na imensidão de dados disponibilizados na Internet, precisamos ter um
conhecimento básico do que se deseja, assim como conhecer estratégias de busca
que possibilitem a identificação de fontes confiáveis, não esquecendo que, para
transformar a informação em conhecimento é preciso que haja o pensamento lógico,
o raciocínio e o juízo crítico. Mas, não basta criar apenas condições de acesso e uso
à informação, por tratar-se de uma tarefa complexa, isso demanda uma educação de
qualidade, envolvendo o desenvolvimento da Information Literacy ou Competência
em Informação (CoInfo) nos mais diversos níveis, considerando-se o aumento dessa
complexidade quando se trata de redes de conhecimento nas organizações e a
preocupação com as questões de criatividade e a inovação.
Considerando-se tais circunstâncias, como parte integrante de projeto de
pesquisa, buscou-se oferecer a Disciplina de “Competência em Informação, Redes
de Conhecimento e Inovação”, durante o 1º semestre de 2013 (março/abril) junto ao
Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação (UNESP-Campus de
Marília), na Linha de Pesquisa: Gestão, Mediação e Uso da Informação. Seu
ementário envolveu o desenvolvimento da competência em informação e sua interrelação com redes humanas de construção de conhecimento como diferencial para a
inovação, tendo como foco o desenvolvimento dessas redes e sua interação com
diferentes recursos informacionais, bem como quanto à aprendizagem e
independência em gerar conhecimento inovador e sua aplicabilidade à realidade
social.
Dentre as atividades de leitura, análise e síntese desenvolvidas durante a
realização da disciplina, foi levada a efeito uma oficina com os pós-graduandos
apoiada em dinâmica de grupo, cujas estratégias pedagógicas envolveram as
seguintes etapas: 1ª – Divisão dos grupos de trabalho; 2ª – Teórica – Aula expositiva
e palestra dialogada; 3ª - Trabalho em grupo com a leitura e análise de síntese
elaborada como texto instrucional fornecida pelo docente e consulta aos padrões e
indicadores de competência em informação (BELLUZZO, 2007); e 4ª – Comparação
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entre o texto-síntese e os padrões e indicadores de competência em informação e
estabelecimento da inter-relação entre a criatividade, a competência em informação
e a inovação.
Tanto a fundamentação teórica que apoiou as etapas como os resultados
obtidos com a comparação e sínteses efetuadas pelos grupos de pós-graduandos
são descritos, a seguir, como contribuição às reflexões e lições aprendidas.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Desde o pós-guerra, vem se reconhecendo que a produtividade e
competitividade dos atores econômicos na sociedade contemporânea depende cada
vez mais da capacidade de lidar efetivamente com a informação para transformá-la
em conhecimento. Uma grande e crescente proporção da força de trabalho passou a
estar envolvida na produção e distribuição de informações e conhecimento e não
mais na produção de bens materiais, gerando reflexos no crescimento relativo do
setor de serviços, frente ao industrial.
Apesar de ser permanentemente vital na inovação, o conhecimento tácito, por
suas características bastante peculiares, só é compartilhado através da interação
humana, nas relações realizadas entre indivíduos ou organizações em ambientes
com dinâmica específica, o que, em última instância, torna a inovação localizada e
restrita ao âmbito dos atores envolvidos. A capacitação necessária para
compreender e usar os códigos locais pode se dar somente com sua inserção nas
redes de conhecimento. A interação leva ao compartilhamento, impulsiona os fluxos
de informação e de conhecimento que são decorrentes do movimento de uma rede e
determinados pelos vínculos que se configuram e reconfiguram. Esses são
elementos que podem constituir uma rede de conhecimento.
Para Población; Mugnaini; Ramos (2009, p.626), rede é um “[...] conjunto de
nós e laços com relações ilimitadas e híbridas articuladas entre sujeitos, objetos e
discursos, que interagem no mundo real e virtual. Por analogia, estrutura sem
fronteiras; comunidade não geográfica”.
Nas redes flexíveis, as organizações relacionam-se horizontalmente, com
poder de influência e de ação semelhantes. As redes sociais e de conhecimento
podem ser consideradas redes flexíveis, nas quais os atores ganham competências
pessoal e empresarial, valendo-se de suas relações, que movimentam a informação
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e constroem conhecimento (CASAROTTO FILHO; PIRES, 1999). As redes de
conhecimento enfatizam a criação de valores comuns por todos os seus membros,
movimentam-se por meio do compartilhamento da informação, visando a reunião e a
criação de novos conhecimentos. As redes de conhecimento fortalecem a
capacidade de pesquisa e de comunicação em todos os membros na rede.
As redes de conhecimento identificam e implementam estratégias que exigem
maior empenho dos responsáveis na tomada de decisões, isso porque movimentam
o conhecimento dentro de políticas e práticas adotadas pelos participantes
(CREECH; WILLARD, 2001) e trazem consigo a inovação.
Mas, o que seria exatamente inovar? Em que consistiria a inovação e para
que serve? Quem e como se pode inovar? Qual a relação da competência em
informação e a inovação? As respostas às essas perguntas são importantes para
que as organizações e as pessoas possam trilhar novos caminhos na busca de uma
maior realização, competitividade e sustentabilidade dos negócios.
A Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – OCDE,
define a inovação como “a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou
significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou
um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local
de trabalho ou nas relações externas” (2005). Portanto, a inovação ocorre quando se
procura colocar em prática ideias e métodos diferentes, que resultem em novos
produtos e processos inovadores.
A inovação decorrente das redes de conhecimento possibilita o crescimento
organizacional e o desenvolvimento de uma cultura de cooperação, principalmente
para as organizações baseadas em informação e conhecimento que têm como foco
promover o conhecimento e a especialização dos colaboradores e criar redes
internas dessas fontes humanas do conhecimento. A diversidade das equipes que
trabalham em redes promove a criatividade e a inovação, porque pessoas com
diferentes acervos patrimoniais e de experiências, assumem perspectivas diversas
na

abordagem

de

problemas.

Podem-se

destacar

alguns benefícios

das

organizações em rede, tais como: construção do conhecimento; abandono com mais
facilidade de abordagem e práticas tradicionais, desenvolvimento tecnológico; novos
negócios e abertura de mercado, criando vantagem competitiva; aumento da
qualidade e da produtividade de serviços, produtos, e processos; e, ascensão pela
transferência de tecnologia e pela sistematização de processos.
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As tecnologias e sistemas de informação inovadores introduzem também
novas lógicas de evolução territorial, inclusive alargando a importância do espaço
informacional. Nota-se a expansão de redes que operam em todos os campos de
atividades e em tempo real e a conformação de comunidades virtuais. Os formatos
organizacionais que privilegiam a interação e a atuação conjunta dos mais variados
atores - tais como redes, arranjos e sistemas produtivos e inovativos - vêm se
consolidando como os mais adequados para promover a geração, aquisição e
difusão de conhecimento e inovações. A proliferação de redes de todos os tipos é
considerada como a mais marcante inovação organizacional associada à difusão do
novo padrão. Esses novos formatos assumem importância por favorecerem os
processos de aprendizagem coletiva, cooperação e a dinâmica inovadora. Por um
lado, ressalta a tendência à maior integração das diferentes funções e unidades de
uma mesma organização. De outro, observam-se novos padrões de cooperação e
competição entre os diversos atores políticos, sociais e econômicos. A interligação
de organizações produtoras, fornecedoras, comercializadoras e prestadoras de
serviços e destas com outras operações inovadoras. Nesse sentido, são
crescentemente dependentes tanto das TIC, como de informação e conhecimento.
Destaca-se,

contudo,

que

a

apropriação

de

conhecimentos

possui

especificidades que não podem ser ignoradas. Sem ser necessário entrar na
discussão sobre apropriação de bens coletivos, ressaltamos que conhecimento e
informação são recursos intangíveis que podem ser usados simultaneamente por
várias pessoas e sem problemas de esgotamento. Ao contrário do que ocorre com
os bens materiais, o consumo de informação e conhecimento não os destrói, assim
como seu descarte geralmente não deixa vestígios materiais.
Assim, foi proposto por Castells (2005) que as redes se constituem em um
novo modus operandi da sociedade e que a difusão lógica de redes modifica de
forma substancial a operação e os resultados dos processos produtivos e de
experiência, poder e cultura. Portanto, as reflexões aqui realizadas indicam que a
nova economia está organizada em torno de redes globais de capital, gerenciamento
e informação, cujo acesso a know-how tecnológico é vital para a produtividade e
competitividade.
O próprio conceito de rede, oferecido por Castells (2005), é bem simples e se
constitui em um conjunto de nós interconectados que se apresentam como
estruturas abertas, capazes de expandir de forma ilimitada, mas, que por sua
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flexibilidade e maleabilidade, se transformam em um excelente mecanismo para
atuar na complexidade da configuração da sociedade contemporânea organizada
em torno de redes globais de capital, gerenciamento e informação.
A compreensão dessa nova ambiência de redes nas organizações traz
consigo também a importância de se destacar a existência de elos entre a inovação,
criatividade e a competência em informação, enquanto dimensões de sustentação
em mercado competitivo.
3 INTER-RELAÇÃO ENTRE A CRIATIVIDADE, INOVAÇÃO E A COMPETÊNCIA
EM INFORMAÇÃO
Cultiva-se, largamente, a ideia de que para haver inovação, basta haver
criatividade. Desse modo, a criatividade, em geral, é entendida como a geração de
novas ideias e a inovação como a implementação bem sucedida dessas ideias.
Dessa forma, criatividade é apenas o primeiro passo para que se possa inovar, pois
além de boas e novas ideias, há necessidade de saber reconhecer oportunidades de
aplicação de novas ideias na prática, solucionando problemas de forma bem
sucedida e obtendo demanda no mercado competitivo. A partir disso tem-se algo
inovador.
A criatividade está relacionada com processos de pensamento, imaginação,
intuição e originalidade. Trata-se de características importantes para um profissional
de sucesso. As organizações que estimulação a criatividade, estão também
estimulando a flexibilidade, a visão de futuro, a autonomia, os trabalhos em equipes,
a liderança, a busca de soluções alternativas etc.
A criatividade é um processo do psiquismo, que possibilita utilizar novos
recursos na solução de problemas nas organizações. Segundo Felippe (1998) a
criatividade humana não é temporal, é um patrimônio do ser humano e que deve ser
compartilhado pela sociedade, ou seja, deve-se criar ou inovar algo a ser
aproveitado pela sociedade ou até mesmo quebrar paradigmas vigentes. Não há
hora marcada para ter boas ideias, ela é consequência de uma sistematização e
motivação das pessoas em ver a realidade sob um novo olhar.
Pode-se dizer que a criatividade está relacionada à resolução de problema,
particularmente àqueles não convencionais. O primeiro modelo foi desenvolvido pelo
psicólogo Graham Wallas em1926, que propôs as seguintes fases para a existência
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do pensamento criativo: 1) Conscientização – coleta de informações sobre o
problema a ser solucionado. Envolve a pesquisa, em um esforço consciente na
busca pela solução do problema; 2) Incubação – é a utilização de processos mentais
inconscientes desimpedidos pelo intelecto literal; 3) Iluminação ou insight – é a
essência na criação, acontece quando a ideia surge na mente, de forma pronta. É a
solução pura e genial para o problema; e 4) Verificação – é a fase de teste. Nela é
verificada a qualidade da ideia em termos práticos (WALLAS apud ALVES et al.
2008).
O que se pode observar é que, de fato, existe uma inter-relação estreita entre
a criatividade e a inovação, uma vez que em todas as fases do “Modelo Criativo de
Wallas” existe dependência para o acesso e uso da informação e também para o
know-how das pessoas com um único propósito - inovar. Ressalta-se que esse
propósito nas organizações faz com que a criatividade seja acionada para criar
novos produtos ou serviços que possam trazer vantagem competitiva, apoiando-se
na utilização de modelos de processos criativos (SANTO, 2007). Em especial, isso
se acentua quando se trata de espaços criativos também inovadores – as redes de
conhecimento, onde os relacionamentos e o compartilhamento produzem novas
dinâmicas nos fluxos de informação decorrentes. Têm importância e grande
relevância nessa ambiência organizacional os filtros de informação para que o
conhecimento coletivo possa ser construído em bases ideais para a solução de
problemas. Em decorrência, podemos filtrar informação de acordo com os nossos
interesses ou atividades específicas ou até nas nossas preferências, mas, a
quantidade de informação a retirar permanece sempre uma interrogação,
principalmente quando trabalhamos em ambientes de redes de conhecimento.
No momento atual, caracterizado por uma competição que não se dá apenas
via preços, o mais importante não é apenas ter acesso a informação ou possuir um
conjunto dado de habilidades, mas fundamentalmente ter capacidade para adquirir
novas habilidades e conhecimentos (learnig-to-learning). Isto se traduz na
capacidade de aprender e de transformar o aprendizado em fator competitivo
(LUNDVALL; BORRÁS, 1998). Trata-se, portanto, da possibilidade de constante
reconstrução das habilidades individuais e de competências de natureza vária.
Assim, considera-se que o aprendizado é importante tanto para se adaptar às
rápidas mudanças nos mercados e nas condições técnicas, como também para
gerar inovações em produtos, processos e em formas organizacionais.
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Surge, então, uma nova área de atenção primária nas organizações – a
gestão eficiente e eficaz da informação e do conhecimento e a criação do capital
intelectual. As pessoas geram capital para as organizações por meio de suas
competências (habilidades e educação), atitudes (condutas) e capacidade de inovar
(criatividade e agregação de valor). Os dados, tecnologia, estruturas e sistemas,
rotinas e procedimentos organizacionais são influenciados pela informação e
conhecimento, dependendo das competências individuais e coletivas.
Como existe a necessidade de criar novas competências, destaca-se a
Competência em Informação como um fator crítico para produzir significado ao tratar
o volume de dados e informações que são disponibilizados hoje e, acima de tudo,
com a necessidade de produzir significado verdadeiro.
Inicia-se por mencionar que vários autores, em diferentes áreas, vêm
procurando oferecer uma conceituação sobre a competência e suas origens. Para
Zarifian (2001) a competência compreende a colocação de recursos em ação em
uma situação prática, destacando, em especial, que transmitir uma informação não é
um ato simples, supondo dar atenção às condições que devem ser reunidas e isso
tem uma estreita relação com a competência no mundo do trabalho. Perrenoud
(1999), por sua vez, reconhece que a noção de competência tem múltiplos sentidos
e exige que se coloque em ação um repertório de recursos (conhecimentos,
capacidades cognitivas, capacidades relacionais, entre outras).
Quanto à competência em informação ou information literacy compreende
“habilidades para encontrar, avaliar, interpretar, criar e aplicar a informação
disponível na geração de novos conhecimentos” (BELLUZZO; KOBAYASHI; FERES,
2004, p. 95).
A introdução da expressão Information Literacy é creditada ao bibliotecário
Paul Zurkowski que, no ano de 1974, elaborou um relatório intitulado: The
information service environment relationships and priorities. Posteriormente, já
década de 90, com a aceitação plena de definição emanada da American Library
Association (ALA), crescem os estudos em busca de uma conceituação mais
acurada do termo e com ela é estabelecido em definitivo o vínculo entre a CoInfo e
os bibliotecários.
Acredita-se haver uma inter-relação entre a competência em informação, a
criatividade e a inovação em ambientes de redes organizacionais considerando o
que afirma Dupuis (1997) serem as dimensões que a envolvem: 1) Conhecimento do
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mundo da informação, incluindo as TIC, junto com a certeza de que nem toda a
informação pode ser encontrada apenas em meio eletrônico; 2) Avaliação da
necessidade de informação e formulação dessa necessidade; 3) Avaliação e seleção
de recursos e busca eficazes; 4) Avaliação e interpretação da informação, em
diferentes formatos e meios, empregando a análise crítica; 5) Manuseio e
organização da informação; 6) Comunicação aos demais acerca da localização e do
conteúdo da informação acessada, incluindo a prática de citações e a integração da
informação nova em um sistema de conhecimento existente.
Além disso, ressalta-se também a existência de padrões e indicadores de
Competência em Informação que foram apresentados por Belluzzo (2007) como
parâmetros norteadores aos estudos e pesquisas envolvendo essa temática e que
permitem também o estabelecimento dessa inter-relação.
Por outro lado, é importante destacar a transparência dessa inter-relação,
uma vez que nas definições e denominações que a literatura especializada registra,
ao longo do tempo, está clara a intenção no sentido de aprender a produzir um
conhecimento novo a partir de um processo que se inicia na busca, permeia o
acesso e que termina no uso inteligente da informação, seja aplicada a uma
necessidade específica, na resolução de problemas, na tomada de decisão ou
buscando o aprendizado contínuo, na criação de um novo produto ou serviço, entre
outros.
4 ESTRATÉGIAS DE AÇÃO E RESULTADOS OBTIDOS
A oficina desenvolvida como uma das atividades didático-pedagógica da
Disciplina “Competência em Informação, Redes de Conhecimento e Inovação”,
durante o 1º semestre de 2013 (março/abril) e junto ao Programa de Pós-graduação
em Ciência da Informação (UNESP-Campus de Marília), teve a duração de 8 horas.
Seu objetivo foi estabelecer a inter-relação entre a criatividade, competência em
informação e a inovação, enquanto uma contribuição teórica aos estudos e
pesquisas envolvendo a temática emergente no nosso contexto– a competência em
informação.
Os grupos de pós-graduandos que participaram da oficina (G1, G2 e G3)
envolveram 15 alunos inscritos no Programa de Pós-Graduação em níveis de
Mestrado e Doutorado (UNESP-Marília), sendo um deles na condição de ouvinte.
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As estratégias de ação envolveram as dimensões de conhecimento,
habilidades e atitudes (DURAND, 2000), sendo utilizadas como motivação e para
despertar o interesse dos participantes algumas questões centrais: Como surgem
boas ideias e qual a sua relação com a criatividade, competência em informação e a
inovação nas organizações? Como lidar com a complexidade do acesso e uso da
informação em redes de conhecimento? Quais as abordagens que poderão auxiliar
no processo de inter-relação entre a criatividade, competência em informação e a
inovação? Os participantes fizeram a leitura e interpretação do texto-síntese
elaborado pelas autoras sobre “Processos criativos” como complementação de
princípios teóricos dados na etapa 2 (aula expositiva e palestra dialogada) e, em
seguida, efetuaram a leitura e a discussão acerca dos padrões e indicadores de
CoInfo (BELLUZZO, 2007) para estudar a viabilidade de se estabelecer uma interrelação entre a criatividade, a inovação e a CoInfo. Como apoio ao desenvolvimento
da oficina foi utilizada também a metodologia de construção do Diagrama Belluzzo®
(BELLUZZO, 2007), tendo sido iniciadas as reflexões e discussões pelos grupos a
partir da questão central: existe uma inter-relação entre os métodos de processo
criativo, a inovação e os padrões de competência em informação?.
Os resultados obtidos constituíram a síntese da visão dos pós-graduandos no
estabelecimento da comparação e inter-relação entre a fundamentação teórica e os
padrões e indicadores de CoInfo (BELLUZZO, 2007), podendo ser descritos
conforme segue:
G1 – O “método intitulado Creative Problem Solving (CPS)” foi desenvolvido
por Alex Osborn e que consiste na resolução criativa de problemas, permite: gerar,
avaliar, desenvolver, refinar e implementar soluções em relação ao aparecimento de
oportunidades que poderão se transformar em ações reais. Assim, a sua fase 1
(formulação do objetivo) é considerada o momento em que se organiza o objetivo, o
desafio ou o desejo de alcançar possibilidades de oportunidades em diversos
cenários. Compreendeu-se que o Padrão 1 é o mais aplicável a esta fase, uma vez
que, para se atingir um objetivo é preciso organizar informações, sendo uma fase em
que são colocados os processos de identificação da necessidade de informação e
quais as fontes de pesquisa; fase 2 (reunir dados) consistindo na reunião de dados
amplos sobre as possibilidades e oportunidades e seu balizamento emocional para
aperfeiçoar o cenário onde se encontram, sendo estabelecida a sua relação com o
Padrão 2, considerando-se a necessidade de informação que se transforma em
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informações que são representadas nos sistemas de recuperação, além de poder
relacionar também com o Padrão 3 porque as pessoas selecionam a informação
relevante baseada na compreensão das ideias contidas nas fontes, aperfeiçoando
os argumentos para a resolução do problema; fase 3 (identificação do problema)
onde todos os problemas são esclarecidos, com a identificação em relação ao
Padrão 2, porque a pessoa tem competência para representar as informações do
seu tema de pesquisa em palavras-chave nos sistemas de busca e recuperação da
informação, demonstrando também que sabe organizar e tratar a informação
recuperada para fins de solução do problema; fase 4 (ideação), quando as ideias
são geradas para o alcance da possível solução do problema, havendo uma
articulação com o Padrão 3, uma vez que a pessoa analisa a lógica da
argumentação da informação recuperada, verificando se as informações são
pertinentes e relevante, comparando também o conhecimento novo com o anterior;
fase 5 (seleção da ideia) compreendendo o aperfeiçoamento da sugestão ou ação
selecionada, permitindo o estabelecimento de relação com os Padrões 2 e 3, porque
a pessoa reflete sobre suas ações e as aperfeiçoa quando julgar necessário no que
diz respeito à quantidade, qualidade das informações, existência de lacunas nas
informações recuperadas, procedendo às revisões necessárias, demonstrando
também a compreensão da necessidade de verificar a precisão e completeza dos
dados, a pertinência e consistência das informações obtidas; e, fase 6 (aceitação da
solução) que consiste no esforço para obter a aprovação dos resultados, definindo o
plano de ação e implementando a solução. Nesta fase, as pessoas já concluíram
todos os processos que envolvem a busca, recuperação e uso da informação para
implementar uma solução e os Padrões 4 e 5 são aplicáveis, estabelecendo-se
relações porque as pessoas são capazes de organizar a informação utilizando
esquemas diversos e a sua comunicação com efetividade, além de ter o conheci
mento de todas as questões que envolvem o uso ético e legal das informações
utilizadas para a implementação da solução, sem mostrar como suas as ideias de
outros.
G2 – O “método SIMPLEX”, criado por Min Basadur (1995) é um processo
criativo mais vigoroso e costuma ser aplicado em engenharia de projetos, mas pode
ser utilizado em outros setores para a inovação contínua nos processos produtivos e
permite: fase 1 (procurando oportunidade/problema) antecipação de problemas que
ainda não vieram à tona e oportunidades de inovação, sendo importante a
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percepção das pessoas como elemento condicional à criatividade, o que possibilita
estabelecer um elo com o Padrão 1, envolvendo a definição e o reconhecimento da
necessidade de informação a fim de que se obtenha a informação “ótima” para
ações em cenário futuro, identificando as probabilidades de problemas ou
oportunidades.; fase 2 (pesquisa e busca de dados) que compreende a pesquisa e a
busca de informações para subsidiar as decisões de importância para cenários
futuros, havendo claramente uma relação com os Padrões 1 e 2 que exigem que a
pessoa competente em informação determina a natureza e extensão da
necessidade de informação, seleciona os métodos mais apropriados de busca e/ou
sistemas de recuperação da informação para acessar a informação necessária e
consegue retrabalhar e melhorar a estratégia de busca quando necessário; fase 3
(identificação do problema/oportunidade) considerada como crítica do processo
criativo, busca encontrar o termo entre a visão telescópica (solução inviável) e a
visão microscópica (solução restrita demais), estabelece relação possível com o
Padrão 1 que referencia a importância da pessoa determinar a natureza e a
extensão da necessidade de informação; fase 4 (ideação)onde ocorre a geração de
ideias criativas para serem utilizadas na situação em estudo, havendo relação com
os Padrões 2 e 3, quando estabelecem, respectivamente, que a pessoa competente
em informação acessa a informação necessária com efetividade e avalia
criticamente a informação e as suas fontes; fase 5 (avaliação e seleção), que
possibilita a escolha da melhor ideia para aplicação, o que possibilita estabelecer
relação com os Padrões 1 e 3, uma vez que o primeiro estabelece que a pessoa
competente em informação deve acessar a informação necessária com efetividade e
o segundo que essa pessoa deve avaliar criticamente a informação e suas fontes,
demonstrando conhecimento da maior parte das ideias da informação obtida,
articulando e aplicando critérios às fontes e comparando o conhecimento anterior
com o novo; fase 6 (planejamento) , relacionada à construção de um plano de ação
(ou de negócio) acha-se em articulação e sintonia com o Padrão 4 que determina
que a pessoa competente em informação, individualmente ou como membro de um
grupo, usa a informação com efetividade para alcançar um objetivo/um resultado;
fase 7 (venda da ideia), considerando-se ser uma estratégia junto ao cliente/usuário
e envolvendo valores humanos, permite relacioná-la ao Padrão 5, isto porque este
padrão considera a pessoa competente em informação aquela que compreende as
questões econômicas, legais e sociais da ambiência do uso da informação e acessa
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e usa a informação ética e legalmente, cumprindo leis, regulamentos, normas e
políticas institucionais relacionadas ao acesso e uso de fontes de informação; e, fase
8 (ação) que corresponde à implementação da ideia, sendo um momento decisivo.
Neste particular, pode-se dizer que existe uma relação com o Padrão 4 que aponta
como sendo um dos indicadores de desempenho que a pessoa competente em
informação comunica os resultados do projeto com efetividade e é capaz de
sintetizar a informação para desenvolver ou completar um projeto.
G3 – O “método clássico de Young” permite: uma análise teórica
fundamentada em duas teorias na literatura da Ciência da Informação: a teoria da
organização do conhecimento de Choo (2006) e a teoria da conversão do
conhecimento de Nonaka e Takeuchi (2008) e também a construção do Diagrama
Belluzzo®, podendo-se estabelecer estreita relação entre as suas fases e os
padrões e indicadores de CoInfo. Assim, na fase 1(matéria-prima) do processo
clássico é possível a sua articulação com os estágios iniciais dos primeiros estágios
da CoInfo necessidade e busca da informação, com comportamento típicos de
identificação e seleção de fontes, apresentar um problema ou uma pergunta, extrair
a informação, avaliar a informação e estender, modificar ou repetir a busca. Isso
pode ser relacionado diretamente ao Padrão 1 – em que a pessoa competente em
informação determina a natureza e a extensão da necessidade de informação. Na
fase 2 (mastigação da informação ) representa a busca e clareza das informações e
da sua identificação na tentativa de criar significado, referindo-se claramente ao
Padrão 2 em que a pessoa competente em informação acessa a informação
necessária com efetividade ; fase 3 (digestão) representa a maturação da ideia e
tem relação com o Padrão 3 que indica ser esse momento de avaliação crítica da
informação e de comparação com o novo conhecimento e o antigo; fase 4
(inspiração) referindo-se ao conhecimento explicitado através da ideia formulada e
apresenta estreita relação com o Padrão 4, quando trata da sintetização da
informação em busca de um resultado ; e, fase 5 (exposição) compreendendo a
concretização das ideias moldadas às condições reais de uso, demonstrando-se
haver relação com o Padrão 5 que postula que as ideias devem ser apresentadas
em formato legítimo e compreensivo para a comunicação, além de cumprir
exigências legais, éticas, diante de normas, regulamentos e políticas institucionais.

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados apresentados permitem estabelecer uma inter-relação entre a
criatividade, a competência em informação e a inovação, em especial, se
considerarmos que novas formas organizacionais estão proliferando em várias áreas
e a rede é a característica principal delas. Marco principal da nova era de
informação, as redes de conhecimento baseiam-se em parceria e colaboração, e
demandam uma drástica mudança no comportamento das organizações no cenário
contemporâneo.
Considerada como elemento propulsor do dinamismo e da competitividade, a
inovação continua a representar um desafio no contexto brasileiro porque ainda
requer a conscientização quanto a sua importância como principal caminho para a
competitividade. Não temos uma metodologia para levar a criatividade para o
processo de inovação. Avançamos neste sentido, porém falta muito. Devemos criar
ou investir mais nas já existentes formas de incentivo à inovação, educar e dar
créditos para quem inova, definindo claramente onde e o que incentivar para formar
uma identidade. E, é nesse sentido, que se destaca a importância da Competência
em Informação como fator crítico de sucesso para o alcance desses ideais.
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conceitos e solução técnica para a melhoria de um processo produtivo. In:
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Competência em informação, criatividade e inovação: uma experiência didática sob o enfoque de redes de conhecimento nas organizações</text>
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              <text>Glória Georges Feres</text>
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              <text>Ressalta-se a importância de pesquisa em Competência em Informação (CoInfo) e descreve-se fundamentação teórica e resultados obtidos com a aplicação de metodologia comparativa apoiada na elaboração de Diagrama Belluzzo, utilização de métodos e processos criativos e padrões/indicadores de CoInfo. Os resultados apontam para a existência de inter-relação entre a CoInfo, a criatividade e a inovação. </text>
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